História O Contrato - BUGHEAD - Capítulo 19


Escrita por:

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Categorias Riverdale
Personagens Archibald "Archie" Andrews, Cheryl Blossom, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III, Hiram Lodge, Penelope Blossom
Tags Bughead
Visualizações 742
Palavras 5.791
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


B o a L e i t u r a < 3

Capítulo 19 - BUGHEAD - Capítulo 18


 

Eu não sabia o que fazer depois da conversa com Betty. Suas palavras ficaram ecoando em minha cabeça, fazendo-me questionar as verdades às quais eu me segurei por todos esses anos. Eu me senti drenado, e precisava parar essa onda de pensamentos, então mudei isso, indo para a academia. Malhei pesado, tomei banho, depois segui para meu quarto. Esperava que Betty se aproximasse de mim querendo continuar a conversa, o que eu esperava evitar, mas ela estava ocupada na cozinha, sem fazer esforço para olhar para mim conforme passei.

Na minha escrivaninha, havia um prato de sanduíches e uma garrafa térmica com café. Encarei a situação por um instante, depois, dando de ombros, perdi-me nos arquivos que trouxera para casa. Só no começo da noite que a vi de novo.

— O jantar está pronto, se estiver com fome.

Olhei para cima, apertando os olhos.

— Jughead, você precisa de um pouco de luz. — Ela cruzou a sala, acendendo o abajur da minha escrivaninha. Ela balançou a cabeça. — E talvez óculos. Estive reparando em como você segura as coisas perto do rosto quando lê — olhei para baixo, percebendo que ela tinha razão. — Vou marcar uma consulta para você — ela ofereceu, com um sorriso nos lábios. — Duvido que isso esteja na lista de tarefas de sua assistente.

Tive de rir, mesmo enquanto virava os olhos para cima. Quando me encontrei com Amy na sexta, listando todas minhas expectativas, ela me surpreendeu com sua própria lista. As assistentes pessoais no Grupo Blossom eram totalmente diferentes da Anderson Inc. Ela estava lá para me dar apoio, manter-me organizado e até, de vez em quando, provide

— Ah, é? Está dizendo que vou ficar ainda mais sexy com óculos?

— Não estou dizendo nada. Seu ego é grande o suficiente. O jantar está na cozinha se quiser.

Com uma gargalhada, apaguei a luz, seguindo-a para a cozinha, ainda desconfiado. Algumas das minhas lembranças mais nítidas da infância eram as discussões constantes de meus pais. Minha mãe era como um cachorro com um osso, recusando-se a ceder um centímetro. Ela iria reclamar alguma coisa com meu pai, que, normalmente, explodiria. Eu estava preocupada que Betty tentasse tocar no assunto de nossa conversa, mas ela não disse nada. Em vez disso, quando estávamos comendo, ela empurrou uma cor de tinta em minha direção.

— O que acha?

Analisei a cor esverdeada

— Um pouco feminina para meu gosto.

— É para o meu quarto.

— Se você gosta, vá em frente.

Ela me deu outra, e eu peguei. O tom de vermelho-escuro era forte e vibrante. Eu gostei.

— Para onde?

— Pensei em volta da lareira. Para ancorar a sala.

Ancorar a sala? O que será que isso significava?

— Só uma parede?

— Pensei em pintar as outras com um creme escuro.

Eu poderia viver assim.

— Tudo bem.

Uma série de tecidos apareceu em seguida. Era tweed com a mesma cor vermelho-escura queimada e o marrom-escuro dos sofás.

— Para que é isso?

— Algumas cadeiras para a sala.

— Eu gosto da minha mobília.

— Eu também. É bem confortável. Pensei em comprar mais; mudar um pouco. Elas ficariam bem ao lado da lareira.

— O que mais?

— Algumas almofadas, alguns outros toques. Nada muito grande.

— Nenhum babadinho ou coisa de menininha aqui. Faça o que quiser no seu quarto.

Ela sorriu.

— Nada de menininha. Juro.

— Quem vai pintar?
— O quê?

— Quem você contratou?

— Eu vou fazer.

— Não.

— Por quê?

Virei-me na cadeira, indicando o espaço grande.

— Essas paredes têm três metros e meio, Betty. Não quero que fique na escada.

— Meu quarto tem a altura normal de teto. Eu gosto de pintar. Mary e eu fazíamos isso juntas, e sou muito boa.

Bati no topo do balcão com uma das paletas de tinta. Como eu poderia fazê-la entender que ela não precisava mais fazer essas coisas?

Mantive minha voz paciente ao tentar de novo.

— Você não precisa pintar. Vou pagar para que o façam.

— Mas gosto de fazer. Serei cuidadosa.

— Vou fazer um acordo com você. Pinte seu quarto, e vamos discutir a sala quando for a hora.

— Ok.

Outra série de tecido chamou minha atenção. Inclinando-me, peguei-a, sentindo sua grossura. Azulmarinho e verde brilhante xadrez em um fundo elegante. Segurei no ar, analisando. Não parecia para nenhum dos cômodos.

— Você gosta desse?

— Gosto. É impressionante. Para onde é?

Ela olhou para baixo, para a mesa, a cor se espalhando e tingindo sua pele.

— O quê?

— Pensei que talvez quisesse pintar seu quarto quando eu terminar os outros. Vi e me lembrei de você.

— Eu combino com xadrez?

— Não — ela respondeu com uma risadinha. — As cores, elas combinam com seus olhos. O verde e o azul misturados... é uma combinação tão bonita.

Eu não tinha resposta, mas, por algum motivo, senti que era eu que estava ruborizando agora. Empurrei as cores para ela e me levantei.

— Vamos ver como o resto se desenrola. Mais alguma coisa?

— Eu, ahn, preciso colocar minhas roupas no closet. Não quero que caia tinta nelas.

— Meu closet é enorme. Não uso nem metade dele. Pendure suas coisas lá. Há uns cabides bem altos... seus vestidos caberão lá.

— Você não se importa?

— Tudo bem.

— Obrigada.

Inclinei minha cabeça e voltei para o quarto. Repassei a conversa em minha mente, rindo quando percebi o quanto tudo parecia tão doméstico. Discutir cores de tinta e tecido no jantar com minha esposa.

Eu deveria ter odiado.

Mesmo assim, de alguma forma, não o fiz.

O trovão soou e as nuvens estavam baixas e pesadas. Virei minha cadeira, olhando para fora no céu escuro do fim da tarde. Fazendo uma careta, esfreguei minha nuca, reconhecendo os sinais de uma dor de cabeça. Elas eram raras, mas eu conhecia bem como começavam — a tempestade inesperada era o fato determinante.

O escritório estava tranquilo naquela tarde, o barulho normal da atividade estava ausente. Adrian partira em uma viagem de última hora, Adam estava com clientes e Cheryl estava fora. Luke havia pego Penelope — para lhe fazer uma surpresa no fim de semana, e o resto dos funcionários estavam ocupados em suas próprias salas.

No tempo em que estive com o Grupo Blossom, descobri uma atmosfera completamente nova no mundo dos negócios. A energia antes era alta, o lugar era cheio de vozes, reuniões e estratégias, mas era um tipo diferente de energia da Anderson Inc. Era positivo, quase aconchegante. Como Luke me disse, eles trabalhavam juntos como uma equipe: administradores, assistentes pessoais, designers — todos envolvidos e tratados igualmente. Amy era uma peça tão importante quanto eu era. Demorou para eu me acostumar, mas estava começando a me sentir em casa.

Com um suspiro, percebi que estava me acostumando em outras áreas. Antes de Betty, eu trabalhava até tarde, ia a muitos jantares de negócios e saía com um monte de mulheres. Quando eu estava no apartamento, usava a academia, assistia a um programa de TV e entrava na cozinha só para pegar um café ou um prato para o jantar pedido fora. Do contrário, passaria o tempo no escritório trabalhando ou lendo. Raramente tinha companhia; e era raro levar uma mulher para casa. Meu apartamento era meu espaço privado. Se precisasse, ou iria à casa da mulher ou reservava um quarto de hotel. As raras vezes que meus relacionamentos duraram mais do que alguns encontros, eu as convidava para jantar, mas elas iam para casa no fim da noite, e nunca subiram as escadas.

Agora, nos jantares de negócios aos quais eu ia, Betty estava ao meu lado e a mesa cheia de colegas, suas esposas e, é claro, a família de Blossom.

Em um jantar, eu olhei para cima, encontrando o olhar congelante de Hiram do outro lado da sala.

Eu sabia que Hiram soubera de meu casamento, e meu nome não poderia ser falado nos corredores assombrados da Anderson Inc. Achei sua raiva divertida. Apertei minha mão no ombro de Betty, fazendo-a olhar para mim.

— O quê? — ela sussurrou.

— Hiram — murmurei.

Ela olhou-o de lado, virando-se para mim.

— Acho que preciso de um beijo agora.

— Você leu minha mente.

Com um sorriso maléfico, baixei minha cabeça. Os dedos dela se enfiaram na parte de trás do meu cabelo conforme ela me levou para mais perto, pressionando a boca na minha. Foi duro, profundo e curto demais; o suficiente para deixar  mais bravo, mas não para envergonhar Luke. Quandonos separamos, Cheryl estava rindo, e Hiram estava seguindo para a saída. Beijei mais uma vez Betty.

— Muito bem.

Na maioria das noites, eu jantava com Betty e me via conversando sobre meu dia, compartilhando projetos com ela, querendo ouvir seus pensamentos. Ela me conhecia melhor que qualquer um no escritório, e normalmente dava uma palavra ou um conceito no qual eu não tinha pensado. Em vez de ficar no escritório, eu normalmente levava meu laptop para a sala, trabalhando enquanto ela assistia à TV
ou lia. Descobri que gostava de sua companhia silenciosa.

Convidamos Adrian e Cheryl para jantar duas vezes, usando a nova mesa que agora ficava no espaço antes vazio. Betty me assegurou que era uma coisa que um casal normal fazia — socializavam com outros casais. Descobri um lado dela muito competitivo quando Cheryl anunciou que trouxera alguns jogos de tabuleiro para depois do jantar. Virei meus olhos para cima ao pensar na noite dos jogos e sobre o fato de eu ter gostado da camaradagem. Adrian e eu acabamos com elas no Trivial Pursuit, mas elas nos deixaram no chinelo no Pictionary e Scrabble. Depois de algumas taças de vinho, Betty ficou desbocada e gostava de falar palavrão, o que eu achava bem engraçado. Fez-me lembrar de Mary. Agora eu havia tido quatro encontros com Mary enquanto Betty ia para a ioga. Ela ficou surpresa em me ver na primeira terça-feira, mas, assim que tirei os bombons de cereja cobertos com chocolate que Betty me disse que ela amava, fui bem-vindo. O trio de jazz era surpreendentemente bom, e nós dois curtimos a música antes de voltar para o quarto dela a fim de tomar chá e conversar. Eu gostava de ouvila falar e escutar as lembranças que ela gostava de contar para mim. Ela deixava algumas dicas escaparem sobre ela e Betty, que eu podia guardar para referência futura. Na quinta seguinte, escapei para voltar lá e vê-la no almoço, dando-lhe um cheeseburger que ela confessou estar desejando.

Nossos dois encontros seguintes foram para prestigiar grupos locais, e saímos mais cedo para tomar chá, ouvir mais histórias de Betty e comer qualquer besteira que eu tivesse trazido para ela naquele dia.

Na terça anterior, havia sido um grupo clássico, mas ela estava inquieta e ansiosa, e muito mais esquecida. Na metade do caminho, eu a levei de volta para seu quarto, torcendo para que o ambiente familiar a confortasse. Ela se acalmou um pouco, mas ainda parecia chateada. Quando procurei Tami, ela me disse que isso estava acontecendo cada vez mais com frequência e, geralmente, Betty tentava acalmá-la. Eu liguei para ela, e ela foi até o asilo, saindo de sua aula de ioga imediatamente. Quando ela chegou, Mary estava dormindo na cadeira, acordou quando ouviu a voz de Betty.

—  Oh, minha Bee! Eu estava te procurando!

—  Estou bem aqui, Mary. Jughead me ligou.

— Quem?

— Jughead.

Apareci por trás de Betty.

— Olá.

Ela franziu o cenho.

— Eu te conheço?

Senti uma ferida pequena em meu coração aberto, mas ergui a mão.

— Sou um amigo de Betty.

— Oh. É um prazer conhecê-lo. Quero um tempo com minha filha, se nos der licença.

Levantei-me.

— É claro.

Betty sorriu triste.

— Te vejo mais tarde.

Embora eu soubesse que isso fazia parte da doença, incomodou-me ao ponto de voltar lá para ver

Mary no dia seguinte. Comprei um buquê de suas flores favoritas — margaridas — e a presenteei com uma reverência. Seus olhos escuros brilharam em suas bochechas gorduchas e ela deixou eu dar um beijo em sua pele aveludada.

— Eu vejo por que Bee é tão ligada a você, Jughead.

— Ela é? Bom, sou charmoso. — Sorri para ela, aliviado.

Ela apertou os lábios.

— Acho que é mais do que isso.

Ignorando suas palavras, fiquei até ela dormir. Saí mais calmo, de alguma forma. Se me deixava chateado o fato de ela não me reconhecer, pude imaginar o quanto aquilo afetava Betty. Fiquei intrigado por que aquilo me preocupava. No entanto, ficara preocupado. Decidi que precisava começar a marcar de visitar mais vezes com Betty, além das visitas sozinho.

Voltei para o arquivo diante de mim. A campanha da Kenner Footwear que eu tinha palpitado para

Luke havia sido um grande entusiasmo pelo cliente, e eu ainda estava trabalhando em todos os conceitos diferentes. Massageei minha têmpora, desejando poder me concentrar mais. Quando falei com Luke ao telefone mais cedo, ele me disse para sair mais cedo, e fechei o arquivo, desligando meu

laptop. Talvez eu aceitasse sua oferta. Poderia ir para casa e ver quais mudanças foram feitas naquele dia — ver o que minha esposa estava aprontando.

Minha esposa.

Betty.

De alguma forma, desde que trocamos os votos, permanecemos em uma trégua não combinada. As coisas que eu sempre achei irritante não me incomodavam mais. Talvez fosse porque eu entendia de onde vinham. Talvez eu fosse mais paciente porque ela me entendia.
Entre nossas conversas, Mary, ioga, tinta, jantares e jogos, nós nos tornamos... aliados. Talvez até amigos. Tínhamos um objetivo comum e, em vez de ficarmos brigando e discutindo, quase nos ajustamos em uma vida juntos. Eu sabia que minha língua era afiada. O que antes era maldoso, agora era brincadeira. Eu gostava de ouvi-la rir. Ficava ansioso para compartilhar meu dia com ela. Quando ela estava triste por um dia ruim com Mary, eu queria animá-la. Eu a levara para jantar algumas vezes, simplesmente para ela se arrumar e se divertir.

Eu me vi querendo ser carinhoso com ela. Parecia natural dar as mãos, beijar sua testa ou seus lábios — e nem sempre quando estávamos em público. Ela frequentemente beijava minha cabeça quando ia para seu quarto, e havia vezes em que eu a abraçava ou beijava suas faces em agradecimento pelo jantar ou para dizer boa-noite. Eram ações sem pensar — tudo fazia parte de estar com ela agora.

Talvez naquela noite, eu a surpreendesse. Sugerisse para sairmos se ela quisesse. Poderíamos passar e visitar Mary, e levar algum doce que ela amasse — ou poderíamos pedir comida. Afinal, eu poderia relaxar, ela poderia assistir a um dos programas que gostava ou poderíamos ver um filme. Talvez uma noite tranquila ajudaria a acalmar minha cabeça.

Eu perguntaria o que ela queria.

Ainda gostava de ver a surpresa e confusão em seu olhar quando eu perguntava o que ela queria.

Abri a porta, ouvindo vozes e reconheci as duas e sorri. Cheryl estava lá... de novo.

— Betty, docinho!

Passos apressados vieram até mim e ela apareceu. Ela estava incomumente acabada. Eu estava acostumado a vê-la calma e fiquei surpreso quando ela envolveu os braços em meu pescoço, puxando-me para perto.

— Você está bem? — murmurei em seu ouvido.

— Cheryl tem medo de tempestades... Adrian está fora. Ela perguntou se pode ficar aqui até as tempestades acabarem.

O alerta em suas palavras me atingiu.

— Seu quarto? — perguntei, preocupado.

— Sim.

Recuei.

— Ele está...?

— Todo arrumado, sim.

— Ok.

— E-eu nã-não... — ela balbuciou.

— Está tudo bem.

Andei à frente dela, puxando-a atrás de mim.

— Ei, Cheryl.

A mulher que eu estava acostumada a ver perambulando, entusiasmada e vibrante estava curvada no canto do sofá, parecendo tudo menos vibrante. Estava pálida e parecia estar morrendo de medo.

— Desculpe, Jughead. Tempestades me deixam aterrorizada. Com meus pais e Adrian fora, eu não sabia o que fazer. A casa é tão grande quando ele está fora.

Sentei-me ao seu lado e dei um tapinha esquisito em sua perna.

— Está tudo bem. Estou feliz que veio.

— Bee disse que vocês não tinham nenhum plano para eu interromper.

— Não. Na verdade, estou com dor de cabeça. Estava ansioso para uma noite tranquila em casa. Vamos ficar juntos, ok?!

Ela pegou minha mão com a dela trêmula.

— Obrigada.

Levantei-me.

— Sem problemas. Vou me trocar e tomar um banho.

— Vou te levar um Tylenol — Betty ofereceu. — Você está pálido, Jughead. Tem certeza de que está bem?

— Vai passar. Posso dormir um pouco.

— Vou levar uma compressa fria também.

Passei por ela, parando para dar um beijo de agradecimento em sua cabeça.

— Obrigado... isso vai ajudar.

Lá em cima, fui olhar seu quarto, sem ter visto enquanto ela o estava reformando. Houve uns atrasos com os móveis que ela encomendou, então o quarto levou mais tempo do que ela tinha planejado, só tendo sido terminado aquela semana. Havia uma mala no chão que eu presumia ser de Cheryl. O quarto estava completo, parecendo o que Cheryl pensaria ser um quarto de hóspedes. Vazio. Não havia nada de

Betty espalhado. Ela tinha adicionado uma prateleira de livro e desfeito algumas de suas caixas, as bugigangas e os livros preenchiam as prateleiras. Uma nova chaise estava no canto, uma mesinha e um abajur ao lado. Algumas das telas de Mary decoravam as paredes. Eu abri as gavetas da cômoda e do closet, vendo que estavam vazias, além de algumas caixas guardadas no closet. A cama estava arrumada com lençóis novos que ela comprara. Estava bem encenado.

Fui para meu quarto e tive de parar por um momento. Betty estava em todo lugar. Seu robe estava jogado no pé da cama, o vermelho-escuro de seda brilhava na luz. Algumas fotos de Mary e nós estavam espalhados por todo canto. O criado-mudo antes vazio agora tinha livros e um copo com água pela metade. O topo da cômoda tinha seu perfume preferido, vasos e garrafas espalhados. Sem nem olhar, eu sabia que as últimas gavetas da cômoda estavam com suas roupas, e o closet ainda abrigava coisas dela que ela havia planejado trazer para cá nesta semana. No banheiro, sua escova de dentes estava ao lado da minha; seus cremes diários estavam no balcão. Ela deve ter arrumado aquilo como um furacão, para fazerparecer que era seu quarto também.

 Ela estava esperando quando saí do banho, segurando a compressa fria e os comprimidos. Ela fechara a porta, dando-nos um pouco de privacidade.

— Quanto tempo você teve? — perguntei, mantendo a voz baixa.

— Uns cinquenta minutos. Um monte dos itens estão nas caixas que eu não tinha aberto. Troquei tudo o mais rápido que consegui quando ela ligou, chorando, perguntando se poderia vir. Ela ligou do celular...

Eu lhe disse que estava fora e que chegaria em casa em uma hora. Não sabia como dizer não.

— Você não podia — reconheci.

— Concorda com isso?

Suspirei e ergui minha mão para pegar os comprimidos.

— Está tudo bem. Graças a Deus, é uma cama king-size. Você fica com sua metade e eu fico com a minha. — Sorri. — Você pode ouvir o assobio mais de perto.

Seus olhos ficaram redondos, fazendo-me gargalhar. Ela ficara tão ansiosa em preparar tudo que não pensara no que aconteceria depois. Engolindo os comprimidos, peguei a garrafa de água que ela estava segurando.

— A não ser que, é claro, você queira retomar o tópico de “foder ou não foder”. Já resistiu por um mês.

Ela me olhou furiosa e não pude resistir e me abaixei e a beijei na boca.

— Pensei nisso, docinho — murmurei contra sua maciez.

Eu estava ficando cansado da minha mão.

Ela colocou as mãos na cintura.

— Duvido que faça sua performance estelar neste momento. Principalmente estando sem prática... e com dor de cabeça.

Sorri ao cair no colchão, gemendo de alívio quando ela colocou a compressa na minha cabeça.

— Eu estaria disposto a me esforçar ao máximo.

Fiquei chocado ao sentir sua boca na minha de novo.

— Vá se foder, Jones.

Suas palavras não tinham veneno, e minha oferta era brincadeira. Nós dois sabíamos disso e demos risada, o som de nossa diversão baixo no quarto.

— Descanse, venho te chamar para jantar.

Peguei sua mão e a beijei.

— Você está ficando bonzinho — ela cochichou, passando a mão por minha cabeça dolorida.

Fechei os olhos e me rendi ao seu toque delicado.

— Tudo culpa sua — resmunguei.

— Eu sei — ela respondeu ao fechar a porta.

Passar a noite com duas mulheres tensas e nervosas foi interessante. Cheryl não era normalmente rígida, o que era desconcertante, mas Betty foi a grande surpresa. Havia me acostumado com sua personalidade quieta, mas, naquela noite, ela estava falando muito. Incessantemente.

Entre mostrar a Cheryl seus planos para a sala, “nosso quarto”, fazer infinitas perguntas sobre a história da ioga, as perguntas generalizadas sobre cada membro da família Blossom e do escritório, assim como qualquer outro assunto que parecia passar por seu cérebro, ela falava sem parar. Também não se sentava. Ela ficava andando pela sala, usando as mãos para demonstrar suas ideias. Ela pegou, moveu, amarrou e endireitou cada objeto na sala pelo menos duas vezes. Ficava dando tapinha no ombro de Cheryl, certificando-se de que ela estava bem, e a compressa fria que manteve no meu pescoço era trocada a cada vinte minutos. Acho que nenhuma vez ficou à temperatura ambiente. Eu tinha de admitir que, quando ela ficava atrás de mim, falando, eu não me importava que seus dedos massageassem meu pescoço, ou com a forma que ela apoiava minha cabeça em sua barriga e passava os dedos em meu cabelo repetidamente. O carinho era bom, e minha dor de cabeça começou a se dissipar, apesar da falação constante.

Mesmo assim, seu comportamento era perplexo. Até Cheryl ergueu a sobrancelha para mim mais de uma vez. Ergui um ombro, sugerindo a única coisa que fazia sentido quando Betty não estava ouvindo.

— Ela também não gosta de tempestades.

Minha explicação pareceu satisfazer sua curiosidade.

Lá pelas dez, a tempestade diminuiu, o trovão se tornou um ruído baixo e menos frequente, embora a chuva continuasse a bater nas janelas ao nosso redor.

Cheryl se levantou.

— Vou colocar meus fones de ouvido, aumentar a música e colocar minha máscara noturna. Talvez possa dormir antes de dar outro trovão.

Betty se levantou também.

— Tem certeza de que ficará bem? Posso dormir na chaise e ficar por perto.

Cheryl balançou a cabeça e a beijou na bochecha.

— Ficarei bem. Saber que está do outro lado do corredor vai ajudar. Só não consigo ficar sozinha.

Geralmente, mamãe e papai estão quando Adrian está fora. Adam e Julia estão tão ocupados com as crianças e detesto incomodá-los. Vocês estão salvando minha vida hoje.

Ela se abaixou e me beijou no rosto.

— Obrigada, Jughead. Sei que já me vê bastante no escritório. Realmente agradeço.

— Não há problema.

— Se precisar de mim, venha me chamar — Betty ofereceu.

— Vou tentar não fazê-lo.

Ela subiu os degraus, deixando-nos a sós. Eu analisei sua linguagem corporal. Tensa era o mínimo. Se ela ficasse mais rígida do que estava, estaria com dor de cabeça logo.

— Ei.

Ela se assustou e olhou para mim com os olhos arregalados.

— O que há de errado?

— Nada. Por que pergunta?

Sorri.

— Você está como um gato no telhado quente a noite toda.

Ela se apressou pela sala, arrumando seus arquivos já arrumados, endireitando o jornal que eu estava tentando ler e pegando os copos para levar à cozinha.

— Não sei do que está falando. Está com fome?

— Não.

— Posso fazer um sanduíche.

— Não.

— Quer café? Comprei um descafeinado. Ou, talvez, alguma torrada ou outra coisa? Você não comeu muito no jantar.

— Betty — alertei, minha voz estava ficando impaciente.

Ela colocou os copos que estava segurando no balcão.

— Vou dormir.

Ela subiu as escadas correndo, deixando-me mais confuso do que nunca.

Eu a segui não muito tempo depois, deixando algumas luzes acesas no caso de Cheryl precisar andar pelo apartamento. A última coisa que eu precisava era ter de ligar para Adrian e dizer que sua esposa havia caído nas escadas à noite, e ter de levá-la ao hospital. Luke e Penelope também não ficariam extremamente impressionados.

A chuva estava aumentando de novo, a tempestade ganhava força do lado de fora, imaginei se algum de nós iria dormir naquela noite estranha.

Lá em cima, fechei minha porta, a visão do montinho em minha cama me lembrou que eu não passaria a noite sozinho. Betty estava aconchegada debaixo do cobertor o mais perto da beirada da cama que conseguia sem cair. De repente, seu comportamento esquisito fez sentido. Iríamos compartilhar a cama hoje, e ela estava nervosa. Um sentimento diferente — de gentileza — passou por mim.

Fiquei admirado ao observá-la naquela noite como ela deveria ter uma alma gentil. Ela perdeu os pais, sobreviveu o que eu sabia que devia ser uma época difícil depois de eles morrerem, embora ela não tivesse me dado muitos detalhes. Ela nunca falava sobre sua época nas ruas, o que deve ter sido horrorosa. Ela se preocupava comigo, importava-se com Mary e não pensou em nada para ajudar sua amiga, mesmo que ela tivesse de mudar toda sua vida para fazê-lo — e ela fez tudo isso com um de seus sorrisos mais calorosos. Ela era maravilhosa.

Encontrei uma calça de pijama e uma camiseta. Preferia dormir só de cueca boxer, mas não queria que Betty ficasse ainda mais desconfortável do que claramente já estava. Depois de me trocar, deitei-me ao seu lado, esperando que ela dissesse alguma coisa. Houve apenas o silêncio. Apoiando-me no cotovelo, olhei por cima do ombro dela, tirando a camada pesada de cabelo de seu rosto. Ela não falou nem se mexeu, ficando parada, e seus olhos permaneceram firmemente fechados. Seu peito se movia muito rápido para ela estar dormindo. Abaixei-me até ela, perto de seu ouvido.

— Fingida — sussurrei.

Ela estremeceu, enterrando o rosto mais ainda no travesseiro. Beijei seu ombro nu e puxei o cobertor.

— Relaxe, Betty. Serei um perfeito cavalheiro.

Estiquei-me, apaguei a luz e fiquei lá deitado, ouvindo suas respirações curtas e nervosas. Devia ser uma sensação estranha tê-la na minha cama, mas, mesmo assim, não era desagradável. Eu podia sentir seu calor e seu cheiro suave.

Porém, de alguma forma, a cama parecia errada. Levei alguns instantes para perceber por quê. Havia a vibração constante — o suficiente para fazer o colchão tremer. Olhei para ela, analisando sua forma encolhida. Ela estava tremendo. Ela estava com tanto medo de mim assim?

Virei de lado, esticando e passando o braço ao seu redor, trazendo-a para perto de meu corpo. Ela soltou um gritinho surpreso, seu corpo ficou rígido. Os tremores passavam por ela constantemente, e suas mãos seguravam meu braço como um gelo.

— Betty, pare com isso — murmurei. — Não vou fazer nada.

— Não é isso. Bom, não é só isso.

— É a tempestade?

— É... é o vento — ela confessou. — Detesto o barulho assombrado dele.

Eu a puxei para mais perto, e outro tremor passou por todo seu corpo.

— Por quê?

— Na noite em que meus pais morreram, houve uma tempestade. Era como essa. Barulhenta. O vento levava o carro como se fosse uma pena. Meu pai perdeu o controle e o carro capotou.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— Você estava com seus pais naquela noite?

— Eu estava no banco de trás. Quando aconteceu, as janelas explodiram e o vento estava muito barulhento, e fiquei com medo. Ficava perdendo a consciência, mas eu estava com tanto frio que conseguia ouvir o vento assombrando... e nunca parava. — Sua voz baixou. — Eu sabia que eles estavam mortos, e eu estava sozinha e presa.

Minha garganta se apertou com a dor em sua voz. Ela nunca tinha me dito nada daquilo até agora.

— Você estava machucada?

Em silêncio, ela pegou minha mão e pressionou no topo de sua perna. Debaixo do tecido fino de sua camisola, eu podia sentir uma cicatriz comprida e contorcida descer pelo lado de fora de sua coxa.

— Tive uma concussão e minha perna foi amassada quando o carro capotou. Precisei de duas cirurgias, mas sobrevivi. — Ela limpou a garganta. — Por isso que às vezes tropeço ou perco meu equilíbrio. Ela trava.

Todas as vezes que eu zombei dela, virei os olhos e a observei se esforçar para se levantar passaram por minha mente. Vergonha, quente e fervilhante, fez-me apertar os braços e baixar o rosto em seu pescoço.

— Desculpe, docinho.

— Não é sua culpa.

— Não. Desculpe pelo que você passou, mas não é disso que estou falando.

— Oh — ela respirou, sabendo o motivo de minhas desculpas. — Bom, você não sabia.

— Nunca me preocupei em perguntar, no entanto, não é?

— Acho que não.

As palavras seguintes que saíram da minha boca me chocaram.

— Me perdoe por isso.

— Perdoei.

Virei-a de costas, ficando acima dela, olhando seu rosto na escuridão. Os flashes de luz dos raios iluminavam seu rosto pálido, e as lágrimas escorriam de seus olhos.

— Me perdoe por tudo, Betty.

— Eu perdoei.

— Como? — sussurrei. — Como consegue perdoar assim? Como consegue ficar perto de mim?

— Porque você está tentando.

— É assim tão fácil para você? Um pouco de esforço da minha parte e você perdoa?

— Eu tinha de te perdoar para fazer isso com você.

— Para certificar de que Mary estivesse bem cuidada.

Hesitante, ela ergueu uma mão, colocando-a em meu rosto, seus dedos acariciando minha pele.

— Esse foi um motivo.

— Qual foi o outro?

— Vi alguma coisa… no dia em que me contou da reunião com Luke. Vi um lado diferente seu.

Pensei...

— Pensou o quê? — perguntei quando sua voz sumiu.

— Pensei que poderia ajudá-lo a sair dessa atmosfera venenosa da Anderson, talvez você conseguisse encontrar o Jughead verdadeiro.

— O Jughead verdadeiro?

— Eu acho... Acho que você é mais do que deixa as pessoas verem. Mais do que deixa você mesmo ver. Vejo cada vez mais seu eu verdadeiro aparecer.

Cedi ao seu toque, absorvendo suas palavras. Automaticamente, torci um cacho de seu cabelo nos dedos, acariciando sua maciez.

— Como é meu eu verdadeiro? — perguntei, com a voz baixa, quase implorando. Eu queria conhecer seus sentimentos... o que ela pensava de mim.

— Forte, carinhoso. Capaz. Talentoso. — Ela parou e suspirou. — Gentil.

— Você vê coisas que não existem.

— Existem, sim. Você não está pronto para ver ainda. Mas vai — ela me assegurou.

Eu a encarei maravilhado. Gentil não descrevia sua alma. Não chegava nem perto. Eu não sabia se conhecia uma palavra que o fizesse. Angelical, talvez? O que quer que fosse, o que quer que ela fosse, eu não merecia seu perdão, a opinião positiva que ela tinha de mim — com certeza eu não a merecia. Uma rajada forte de vento balançou o vidro nas janelas grandes, a chuva furiosa batia contra os painéis. Betty ficou tensa, direcionando seu olhar para o barulho.

Abaixei e a beijei. Foi gentil, nada mais que um encostar de nossos lábios; o dela trêmulo e macioressionado na minha boca humilde e sem valor. Eu a beijei com a delicadeza que deveria sempre usar ao falar com ela.

Eu me movi, encostando suas costas em meu peito.

— Durma, docinho. Você está segura. Nada vai te machucar, eu juro.

— Eu nunca dormi com alguém assim, Jughead.

Dei outro beijo em seu pescoço, querendo que ela entendesse, conhecesse algo de mim que me fizesse valer sua fé.

— Nem eu, Betty. Você é a primeira mulher com que estive nesta cama.

— Oh, ahn...

Sorri contra sua pele.

— Nunca deixei ninguém ficar aqui. Este é meu porto seguro. Só meu. — Apertei meu abraço. — Agora, deixe ser seu. Durma. Estou com você.

Fechando meus olhos, relaxei em seu calor. Nossos corpos unidos do peito aos quadris, nossa carne procurando e encontrando alguma coisa no outro.

Conforto.

Sussurros. Eu podia ouvir sussurros quando acordei, sonolento e quente — quase quente demais. Eu estava rodeado pelo calor e alguma coisa que cheirava sedutoramente bem. Meu travesseiro pinicava meu rosto e enruguei o nariz, tentando diminuir a coceira, enterrando-me mais fundo na maciez bemvinda.

Meu travesseiro riu um pouco, e os sussurros começaram de novo. Forcei-me a abrir os olhos. A luz incomodava, o céu ainda estava escuro e chovia muito lá fora. Ergui minha cabeça e vi o olhar divertido de Cheryl, que estava sentada no chão ao lado da minha cama, com uma xícara de café na mão.

— Bom dia — ela disse com um sorriso.

— A tempestade está tão ruim que você teve de se esconder aqui?

— Vim pegar Betty, mas ela não conseguiu sair debaixo de você, então estamos tomando café bem aqui — ela ironizou.

Olhei para baixo, percebendo que ela tinha razão. Eu estava abraçado o mais firme possível em Betty. Cada centímetro de mim tocava seu corpo. Eu estava com uma mão emaranhada em seu cabelo e a outra a segurava como uma barra de ferro. Minhas pernas estavam entrelaçadas nela e meu pau — meu pau absolutamente ereto e desesperado por alívio — estava pressionado em sua bunda. Sua bunda firme e aconchegante parecia o paraíso aninhado em minha ereção dolorosa. Enterrei o rosto de volta no pescoço de Betty, ficando maravilhado em como era natural acordar com ela desse jeito.

— Vá embora, Cheryl — resmunguei.

Betty empurrou meu braço.

— Me solte.

Beijei seu pescoço, gostando do arrepio daquela manhã. Diferente dos tremores medrosos da noite anterior, aquele era de prazer. Descia por sua espinha, flexionando seu corpo, endurecendo sua bunda em meu pau.

— Cinco minutos, Cheryl. Me dê cinco minutos — adicionei com uma voz gutural. Ia levar só dois.

Ela se levantou, rindo.

— Homens — ela bufou. — Encontro você lá embaixo.

Assim que a porta se fechou, virei Betty, grudando minha boca na dela. Beijei-a forte, precisando sentir seus lábios nos meus. Acariciei sua língua, traçando o contorno de sua boca, mordiscando, ainda desesperado. Recuei, arfando.

— Você está me matando.

— Eu estava dormindo — ela protestou. — Dormindo.

— Você é muito boa. — Empurrei contra seu quadril. — Jesus, Betty.

Seus olhos se arregalaram; o brilho do medo cintilando o desejo no qual eu estava me afogando.

Que porra eu estava fazendo?

Voei para longe dela, meu peito arfando. Joguei meu braço sobre o rosto.

— Desça. Preciso de um banho. Um banho frio e demorado.

— Sinto muito.

— Está tudo bem — resmunguei, pegando seu braço. — Espere. Não vá ainda. Só... só fique aqui por um ou dois minutos. Não quero que Cheryl pense que eu, ahn, tenho falta de vigor.

Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu.

Erguendo meu braço, flexionei os dedos ao olhar para ela.

— Juro que estou sofrendo de síndrome do Túnel do Carpo. Vou precisar de cirurgia.

Betty começou a rir. Seus ombros vibravam conforme ela enterrava o rosto no travesseiro, suas risadas se tornaram uma gargalhada. A cama tremia com a força de sua risada.

Os cantos de minha boca se ergueram.

— Não é para rir.

Ela não parava, e comecei a rir com ela. Propositalmente, fiquei sobre ela, deixando meu pau pesado e duro encostar em seu corpo. Ergui seu rosto do travesseiro; suas bochechas estavam rosadas, seus olhos brilhavam com diversão. Eu a beijei de novo.

— Precisamos conversar sobre expandir nossos limites. Antes que eu exploda.

Eu a deixei deitada lá, sem palavras.

Mas ela ainda estava sorrindo.

E não disse que não.
 


Notas Finais


Amei esse final kk


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