História O Contrato - Capítulo 13


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Notas do Autor


Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Prontos para o primeiro dia da lua de mel do nosso casal?
Bem, vamos lá!
Beijos e ótima leitura 💜

Capítulo 13 - Uma lembrança dolorosa


Itachi já havia acordado há algum tempo, mas saiu da cama com cuidado, evitando acordar Hinata.

Após fazer sua higiene matinal, sentou ao lado dela, admirando-a enquanto dormia. Tão linda, que fez Itachi se lembrar de um anjo. Ele riu ao lembrar das reações dela na noite passada. Ela era tão direta e mordaz às vezes, mas era ainda mais tímida e ingênua, o que encantava Itachi.

Ao acordar, deparou-se com ele ao seu lado, olhando pra ela.

 - Bom dia. Que horas são? – pergunta enquanto se sentava e esfregava os olhos.

 - Bom dia. Quase sete.

 - Por que não me chamou? Disse que íamos sair cedo hoje.

 - Você estava dormindo tão tranquilamente que não quis te acordar. Mas não se preocupe, eu havia planejado sair mais ou menos esse mesmo horário.

 - Então já vamos?

 - Sim. Quer tomar café antes de sair?

Ela faz que sim com a cabeça e Itachi concorda. 

 - Tudo bem. Vamos nos arrumar, comer alguma coisa e partir.

                                                                                      XXXXXXXXXXXXXX

Já dentro do carro, Itachi decide puxar assunto com a esposa. Estavam na estrada há quase uma hora mas não haviam trocado uma única palavra.

 - Gosta de praia?

 - Fui poucas vezes. Basta olhar para mim.

Itachi ri e ela faz o mesmo.

 - Eu gosto, acho que é um ótimo lugar pra colocar a cabeça em ordem. Achei que diria que não gostava, ainda mais depois da última vez que te levei em uma. 

 - Aquela vez não conta. Estamos indo para a praia, por isso me perguntou?

 - Não. Na verdade estamos indo para o oposto de praia. Estamos indo para as montanhas. Vamos passar alguns dias por lá.

 - Ah.

 - O que foi? Não gosta?

 - Não posso dizer se gosto ou não, nunca fui para as montanhas antes. Na verdade, não conheço a maioria dos lugares que as pessoas estão acostumadas a ir.

 - Seus horizontes vão começar a se ampliar a partir de agora.

Ela não diz nada, apenas continua olhando a paisagem pela janela do carro.

 - Achei que ia continuar com o motorista.

 - Não, ele só nos trouxe ontem à noite pela ocasião. Gosto de dirigir meu próprio carro, além de mais, uma viagem de lua de mel deve ser feita somente a dois, certo? – diz sorrindo.

 - Tem razão. – devolvendo o sorriso.

                                                                                  XXXXXXXXXXXXXX

Após algumas horas de viagem, o casal chega a seu destino. Era uma pousada no topo da montanha. O lugar era muito bonito e aconchegante.

Enquanto Itachi fazia o check in na recepção, notou que Hinata abraçava o próprio corpo.

 - Não fazia ideia de que era tão frio.

 - Já vamos pro quarto, lá vai estar melhor.

Ela acenou positivamente com a cabeça e levou um susto quando Itachi a trouxe pra junto de si. 

 - Nossa, você está gelada. Muito!

Antes que dissesse alguma coisa, a recepcionista entrega uma chave para Itachi.

 - Aqui está senhor Uchiha. Tenham uma ótima estadia.

Ele agradece e segue com Hinata para o quarto.

 - As malas...

 - Eles vão levar, não se preocupe.

Assim que entram no quarto, Itachi liga a lareira.

 - Pronto, logo vai estar melhor.

Hinata agradece e anda dentro do ambiente, observando tudo. 

 - É grande aqui.

 - É um dos maiores quartos daqui. Escolhi esse porque tem lareira elétrica. Deixa o ambiente mais gostoso.

Ela parece sem graça com o comentário e não para de esfregar os braços, o que faz Itachi rir.

Ele se aproxima da garota e a abraça. Achou que ela logo cortaria o contato, mas para sua surpresa, Hinata permaneceu nos braços dele.

 - Você vai ver como com a lareira fica muito melhor.

 - Achei que lareiras fossem com fogo.

 - E são. Mas alguns lugares se modernizaram e implantaram as elétricas. Também são boas, mas pra ser sincero, prefiro as tradicionais.

 - Prefiro qualquer coisa que me aqueça!

 - Percebi, você nem tentou se afastar de mim quando te abracei!

Hinata fica sem graça e acaba saindo do abraço do marido, que apenas ri da forma como ela ficou.

 - Bom, o que quer fazer? – questiona ele.

 - Não faço ideia. Estou com muito frio, não consigo pensar em nada agora.

 - Gosta de chocolate quente? Posso pedir pra gente.

Ela acena positivamente. Enquanto Itachi liga na recepção para fazer o pedido, ela senta na frente da lareira, onde fica esfregando as mãos.

 - Daqui a pouco vão trazer aqui.

Ela concorda, batendo os dentes de frio.

                                                                                  XXXXXXXXXXXXXXXXX

Alguns minutos mais tarde, já com a caneca em mãos, Itachi e Hinata encontram-se sentados lado a lado, de frente para a lareira. Incomodado com o silencio da esposa, Itachi resolve iniciar o que não poderia mais ser adiado.

 - Quer começar?

 - Começar com o que?

 - Com as perguntas. Não foi sobre isso que conversamos ontem a noite? Não quer me perguntar nada?

- Na verdade, quero perguntar muitas coisas, mas não sei se posso.

- E por que não poderia? Medo?

 - Podemos dizer que sim. A última vez que te fiz uma pergunta, você não reagiu muito bem.

 - É eu sei, mas isso é passado. Disse que não quero ter segredos com você, então vou responder qualquer coisa que perguntar.

 - Então posso perguntar qualquer coisa?

 - Vá em frente. Até porque já imagino sua pergunta.

 - Já? Mas eu disse que quero te perguntar várias coisas.

 - Eu sei e vou responder tudo. Mas a primeira já sei qual é. Você quer saber quem é a Konan.

 - Quero. Mas ao mesmo tempo, sinto que não devo saber. Primeiro porque não quero mexer em feridas suas e também falar da mulher que você ama na nossa lua de mel. É algo muito chato.

 - Quanto as feridas, você está certa. Ela me machucou muito e esse é um dos motivos pelos quais não gosto sequer de ouvir o nome dela, mas quanto ao amor... Eu não amo a Konan. Já amei, há muito tempo atrás, mas não amo mais. É impossível amar alguém que fez o que ela fez.

 - Ela te traiu, é isso?

 - Não foi isso, ao menos não do jeito que você está pensando.

Ele termina seu chocolate e deixa sua caneca ao seu lado, no chão. Olha para a lareira por algum tempo, antes de começar a falar.

 - Conheci a Konan quando ainda era muito novo. Começamos a ficar e não muito tempo depois engatamos um namoro. No começo tudo ia bem, mas não demorou muito pra eu ver que ela não era a pessoa que eu imaginava. Não era tão doce como parecia, era fria, sempre se achando superior aos outros. Mas ainda assim, eu achava que era o jeito dela, então só me restava respeitar.

Ele continuava olhando para a lareira, mas Hinata não tirava os olhos dele.

 - Certa vez, em um jantar de aniversário da minha mãe, levei a Konan pra jantar em casa com a gente. Conversa vai, conversa vem, minha mãe falou em futuro, casamento, netos. A Konan riu na cara da minha mãe, dizendo que ela não pensava nessas coisas, que amava a liberdade, mas principalmente o corpo dela e jamais o estragaria carregando uma criança.

 - Credo, que mulherzinha.

 - Minha mãe, ainda assim, tentou ser gentil com ela, mas a Konan não se importava com ninguém e acabou falando mais um monte de absurdos. Meu pai perdeu a paciência e tomou as dores da minha mãe, mas a Konan rebatia tudo o que ele falava, sempre com grosseria e insultos. Resumindo, aquela noite foi um total fracasso. Depois disso a Konan nunca mais apareceu na minha casa.

 - Terminaram por isso?

 - Não. Eu era apaixonado por ela e não era por causa de uma divergência de ideias entre ela e meus pais que eu terminaria com ela. Terminei com ela anos depois.

 - E qual foi o motivo?

Ele abaixou a cabeça por um tempo e Hinata chegou a achar que ele não responderia, mas ele prosseguiu.

 - Foi pouco depois da gente se formar. Ela me procurou, dizendo que tinha que falar comigo com urgência. Como não ia mais na minha casa, marcamos em um café perto da faculdade. Ela chegou furiosa, chorando de raiva. Quando me viu, não me beijou como seria o normal, mas me empurrou com tanta força que eu quase caí da cadeira em que estava. Pegou um envelope e jogou em cima de mim. De início não entendi nada, mas quando li o papel, as coisas começaram a fazer sentido. Era um exame de sangue, um teste de gravidez pra ser mais preciso. A Konan estava esperando um filho meu.

Hinata arregalou os olhos, ainda absorvendo o que acabara de ouvir.

 - Um... Filho?! Então você tem...

Antes que terminasse a frase, Hinata viu que Itachi chorava e sem perceber, se aproximou mais dele.

 - Foi um baque, mas eu fiquei feliz. Ia ser pai, ia ter um filho. Mas enquanto eu ria de alegria, a Konan continuava furiosa. Falou coisas horríveis, amaldiçoou o dia que engravidou. Eu achei que era por medo de eu deixá-la, algo assim, então deixei claro que casaríamos, que só tínhamos que falar com meus pais, que com certeza iam adorar, mas ela não aceitou. Aí o discurso dela mudou, do nada. Disse que não tinha certeza da gravidez e me pediu uns dias antes de falar com meus pais, pra eu não me precipitar por nada. E eu idiota, fiz o que ela pediu.

Itachi levanta a cabeça, como se estivesse olhando para o teto, mas estava de olhos fechados. Hinata conseguia ver o rastro brilhante de lágrimas no rosto dele.

 - Ela sumiu por uns dias e quando voltou... Quando voltou, disse com a maior naturalidade do mundo que o problema estava resolvido. Problema. Era meu filho Hinata, não era um problema. – diz com a voz embargada.

Hinata sentiu o chocolate revirar em seu estômago.

 - Ah meu Deus. Não me diga que ela...

Itachi balança a cabeça em concordância, fazendo com que Hinata levasse uma das mãos à boca, em sinal de espanto.

 - Ela disse que nunca se imaginou mãe, que não merecia ter a vida destruída por uma única noite em que bebeu além da conta e não soube se cuidar. Ainda disse que esperava que eu a entendesse, que aquilo também foi pro meu bem. É isso mesmo que você entendeu Hinata. Ela matou meu filho e esperava que eu entendesse!

Ele não aguentou. Abaixou a cabeça e começou a chorar a ponto de soluçar. Aquilo foi demais pra Hinata, que largou a caneca que até então segurava e abraçou Itachi com todas as suas forças. Não disse nada, apenas o abraçou, se permitindo sentir sua dor e tentando de alguma forma tomá-la pra si.

Ficaram abraçados por um bom tempo, até Hinata notar que ele havia parado de chorar. Ainda assim, ele não se afastou dela, que também não fazia questão disso.

 - Me perdoe Itachi. Não sabia que as coisas tinham acontecido assim e acabei fazendo com que você sentisse toda essa dor de novo. Eu sinto muito.

Ele não diz nada, mas desfaz o abraço pouco depois.

 - Meus pais não sabem disso, nunca disse pra eles o real motivo de ter terminado com a Konan. Nunca tive coragem. Só o Shisui e agora você sabem disso.

 - Entendo. Mais uma vez, me perdoe.

Ele sorri, levando uma das mãos ao rosto dela.

 - Entende porque eu não queria contar antes?

 - Sim, por isso me sinto mal, já que fiz com que você sentisse toda essa dor de novo.

 - Não, não pense assim. Já havia um tempo que queria te contar isso, o Shisui me incentivou a falar antes do casamento, mas eu não consegui. Mas realmente, me abrir com você foi a melhor coisa. Sinto como se tivesse tirado um peso de cima de mim, então não precisa me pedir perdão por nada.

 - Minha cabeça... Está explodindo!  – diz apertando os olhos e levando as mãos a testa.

 - Quer deitar um pouco, até a dor passar?

 - Quero, mas quero deitar no seu colo. Posso?

 - Pode, claro.  – diz corando, se ajeitando para que Itachi deitasse.

Não entendeu o porquê do pedido dele, já que havia uma cama confortável no quarto, enquanto eles estavam sentados no chão. Mas depois de ver Itachi tão emotivo momentos antes, ela só queria que ele se sentisse bem. Assim que ele repousa a cabeça no colo da garota, ela começa a acariciar seus cabelos.

 - Desse jeito vou ficar aqui mais do que o esperado.

 - Pode ficar o tempo que quiser. – diz sorrindo.

Itachi fechou os olhos e colocou um braço sobre o rosto. Hinata o olhava, ainda afagando os cabelos dele, pensando em tudo o que ele havia acabado de lhe contar. Depois daquilo, de mexer em algo que o feria tanto, a ponto de nunca ter contado sobre aquilo até mesmo para os pais, guardando tanta dor pra si apenas pra não machucar aqueles que ama, Hinata teve certeza de que Itachi era mesmo um bom homem e que falou a verdade a ela quando disse que não haveria mais segredos entre eles.

 - Talvez você tenha razão. Nosso casamento pode mesmo dar certo. – diz ela, mas Itachi já havia caído no sono.


Notas Finais


Ao que tudo indica, o coração da Hinata já dá sinais de uma amolecida...
Daqui pra frente muita coisa pode (e vai) acontecer!
Então fiquem ligados para a próxima postagem, vocês vão amar💜💜💜💜
Beijos e até lá!


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