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História O coração de um cosmos - Capítulo 1


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Notas do Autor


Veludos, como estão? Sei que andei sumida da plataforma, e também, sei que preciso falar com algumas pessoas. Mas hoje, vim na intenção de trazer esse humilde (e talvez não tão bem escrito) presente, já que ninguém leu ainda e não está betado. Me perdoem por isso, e me perdoe @Explosivegirl- pela demora, pelo enrolo, por toda essa loucura, pode me culpar. Mereço uma punição.
Esse presente é para você, minha amiga, irmã, parceira fiel, pessoa que adoro e admiro sem limites. É de aniversário, super atrasado, entretanto, fiz com amor. Entrego a você meu coração e alma Jeh.

Sobre a fic: ambientada no conceito chinês. Fantasia. Há umas teorias loucas, respondo nos comentários quem não compreender alguma coisa. Links nas notas finais.

*A história e o universo foi totalmente criado e desenvolvido pela Eyver, com base na capa da llolath, pega em um jornal de doação. Por favor, sem plágio 💗

Capa maravilhosa feita por @llolath essa designer incrível.

Boa leitura. Divertiam-se.

Capítulo 1 - Cultivo proibido


Fanfic / Fanfiction O coração de um cosmos - Capítulo 1 - Cultivo proibido


Parte I, Reino sombrio

a instância da guerra 

228 luas



[sound one]





— A montanha reina, o vento se enfurece, o rio continua correndo, e o sol nunca deixa de aquecer a grama. As folhas dançam, os animais caçam, a morte encontra o amor, e não há flores no jardim...

Era uma tarde fria e cruel, não muito diferente das outras tardes para a imperatriz daquele reino. Ela que se encontrava em seu leito à beira da morte, escutava sua adorável filha ler páginas antigas de um livro sagrado, e só conseguia pensar no quanto o seu arranjo para tentar fazê-la feliz, não havia dado certo.

Não poderá haver flores no jardim. Essa é uma regra que jamais deverá ser quebrada, pois no Palácio de Jade, quem ordena é o mais sábio, quem obedece, obterá a paz no submundo…

Nesse momento, um raio cortou o céu, causando um barulho estrondoso. A princesa, ajoelhada à beira da mãe, interrompeu a leitura, e silenciosa, levou seus olhos verdes a observar o rosto já quase sem vida da pessoa que mais estimava no mundo. 

— Continue querida, não pare. — disse a imperatriz, levantando seu dedo indicador e acariciando a bochecha da pequena princesa. 

Com pesar, ela desviou os olhos novamente para o livro, mas não ousou continuar a leitura, parecia pressentir que o tempo estava se esgotando. Em vez disso, perguntou a mãe sem olha-lá:

— Porque o papai não permite plantar flores no jardim? 

Mebuki, já ansiosa para partir, pegou um sachê bordado dentro da manga de seu vestido escuro e estendeu-o para sua filha, que pegou o objeto com certo receio. 

— O imperador não suporta a ideia de que meu irmão mais novo tenha um reino mágico e encantador, querida. Onde não há guerras, mas sim felicidade, e portanto odeia e culpa o destino por ser irrevogável. A inveja pode ser um veneno tão colérico quanto o amor, e faz muito mal para o coração.

Apesar da pouca idade, Sakura Haruno entendia muito bem sua mãe, e o que ela lhe dizia. Talvez, não tanto quanto realmente precisava, mas o suficiente para sobreviver até chegar a idade que necessitava para fugir do Palácio de Jade, como tinha sido instruída, e entendê-las por completo. Antes que sofresse como a própria imperatriz.

— Seu papai já foi um homem amável, e muito gentil. Quando era mais nova, me apaixonei por ele porque havia salvado a minha vida, no entanto, foi um erro terrível acreditar que ele permaneceria amável e gentil para sempre. — a imperatriz continuou. — Me dê a sua mão pequena flor de lótus. — pediu depois de uma pequena pausa.

A princesa fechou o livro, colocando-o em cima da cama junto ao sachê bordado, e se levantou do chão, dando a mão delicada para que sua mãe a segurasse. 

— Mãe, como vou viver sem a senhora? Dizem que eu sou um demônio, porque me alimento de almas como o papai. Quem irá me levar para cavalgar? — perguntou sem qualquer expressão, sentindo as mãos frias da imperatriz. 

— Nunca acredite nisso, você não é como o seu pai, Sakura. — disse com a voz firme, apertando os dedos esguios. — Dentro do sachê, há algumas sementes. Plante-as em algum lugar distante, perto de um riacho para que possam viver e crescer. Elas vão te trazer alguma alegria. — fez-se um breve instante. Ela deu seu último suspiro. Sabia bem que todos possuíam certo medo da princesa, e até mesmo ela sofria desse mal, contudo, amava sua filha, e havia traçado um plano para que ela se visse livre dos deveres de herdeira daquele estado. — Lembre-se de mim quando florescerem, Sakura. — Mebuki afrouxou o aperto das mãos, sentia-se fraca. A palidez de seu rosto e olhos quase cinzas demonstravam isso. Ela agora se parecia mais com a filha do que jamais pareceria. — A imperatriz que nunca cultivou uma flor, mas que trouxe uma ao mundo. — terminou de falar, sorrindo uma última vez para a princesa, antes que perdesse totalmente a cor, e sua mão caísse em cima do próprio corpo já sem vida. 

Uma lágrima solitária escorreu pelo olho de Sakura. O destino certamente desejava condená-la a viver uma vida onde ninguém jamais a amaria de novo. 




[...]


[sound two]



Huanglong voava com todo seu esplendor pelo pátio do pavilhão da princesa. O dragão dourado era o melhor amigo da jovem, que possuía agora quinze anos de idade e se encontrava mais bela do que nunca, entretanto, seu lado frio e sombrio ainda brilhava nos sedutores olhos verdes.

Após a morte de sua mãe, cinco anos atrás, muitas coisas mudaram em seu mundo. A solidão prevaleceu, assim como uma devastadora tristeza silenciosa, e foi deste modo que os dias amargos se seguiram. A obediência e a submissão que a imperatriz havia lhe ensinado a prestar ao imperador com todo o respeito que sua imagem poderia transcender, fora a única coisa a qual pensava poder se agarrar ao longo dos anos, porém, quando o luto cessou, seu amigo a ajudou lembrar-se dos desejos da antiga rainha, então se pôs a  atender o último pedido de Mebuki. Sakura saiu do palácio com Huanglong e foi para os campos, até encontrar o riacho, que tinha em seu véu azul belos peixes negros escamados. As árvores que se estendiam pelo local eram escuras e assustadoras, mas a luz do sol que se refletia nas folhas, deixava o ambiente agradável o bastante para cumprir sua missão sem medo.

O imperador jamais a questionaria. Ele sequer se importava com as suas atividades matinais, desde que não o perturbasse com frivolidades. Então nunca saberia de seu cultivo proibido.

Kizashi deixara sua herdeira na mão dos melhores professores e monges do palácio em um treinamento rígido e severo, para que aprendesse o ofício de ser uma rainha vital para aquele reino. Aquele reino cheio de morte e guerras.  Mas ele nunca se importou com ela. Nem com a metade do seu corpo que possuía vida e pulsava, e dizia, e sentia, mesmo que não intensamente. A princesa também não sabia que precisava que alguém se importasse, afinal, ela só havia experimentado isso por pouco tempo. E agora o sentimento já estava gasto, ele não tinha sido cuidado e preservado, e sim esquecido.

Quando Sakura plantou as sementes, e elas floresceram algumas semanas depois, sentiu algo em seu peito arder. Nunca havia visto uma flor pessoalmente, e aquilo foi um choque. Sua mente não entendia aquela imagem que seus olhos transmitiam. Após algum tempo, a comoção que se apossou do seu corpo foi gigantesca.

Assim como sua mãe tinha lhe dito — para regar as flores em sua memória — ela o fez, todos os dias, mas algo naquelas cores, no rosa, no lilás e no azul, a faziam suspirar, a faziam ter sensações que não esperava sentir nunca na vida. E não imaginava poder senti-las sempre que quisesse. Ela regava e cuidava das flores sem a consciência de contagiá-las e alimentá-las espiritualmente com aquelas boas emoções.

Seu dragão dourado, apesar de não ter voz para falar, tinha os mesmo sentimentos que ela, e com sua cauda mágica, ajudava a princesa a regar as flores e a adubar a terra, fortificando-a. 

Quando completou seu décimo primeiro ano, e foi visitar as flores com seu dragão, algo inesperado aconteceu. O céu e as árvores daquele lado estavam brilhantes. No riacho, os peixes ganharam cor. Havia laranja, verde, amarelo e vermelho. Já as flores, que descobriu-se mais tarde serem adoráveis cosmos, sussurravam ao vento. Sim, surravam em uma língua distante e angelical, como as fadas. Elas deixavam um rastro brilhante pelo ar, um rastro como o de Huanglong.

Sakura não entendia aquela língua, mas algo nela a chamava, algo naqueles cosmos clamavam seu nome. 

Arrastando seu vestido negro por entre a grama e o mato verde, a princesa se agachou as flores, encantada, e passou a ponta dos dedos por elas, que ao longo do tempo, haviam se multiplicado. No instante em que observava aquela beleza celestial e seus ouvidos eram agraciados com aqueles sons divinos, algo lhe chamou a atenção. Um cosmo cor-de-rosa que brilhava como as estrelas do céu noturno, começou a sussurrar mais alto que os demais, e em um movimento simpático, a princesa levou seu nariz e os olhos curiosos até ele. Até mesmo Huanglong demonstrava curiosidade pelo que seriam aquelas flores abençoadas que falavam em um idioma desconhecido. 

"Por que o seu cabelo é prateado?" — ela entendeu a flor sussurrar, e se assustou, mas não se moveu, apenas levantou as sobrancelhas prateadas se sentindo um tanto espantada.

"Você pode falar?" — perguntou a princesa para a flor. Sua voz era baixa, e sua feição incrédula. Nunca demonstrava o que sentia, mas aquela flor estava falando com ela, e a princesa jamais viu tal coisa acontecer, nem nas mais antigas lendas.

"Meu coração está nas flores, é ele que você ouve." — o cosmos disse ao vento. 

O dia parecia brilhante, o sol estava quente, a grama muito verde, e as cores fascinavam todo o lugar. Era um imenso contraste com a aparência gelada de Sakura, que vestia um vestido negro de cetim, com detalhes brancos magníficos. O seu cabelo prateado, estava preso em um penteado no alto da cabeça, e era enfeitado por fitas negras e grampos de ouro. 

"Oh, você fala, e eu consigo te entender." — murmurou Sakura, impressionada, em um tom baixinho. Então se aproximou mais, colocando as mãos no chão. 

"Não respondeu a minha pergunta" — disse a flor novamente. Então a princesa se acomodou, e exultante, não se conteve em revelar seu segredo.

"É uma história antiga e horrível, pequena flor, ainda gostaria de ouvir?"

Esperou o cosmos responder. 

"Sim, por favor." — disse ele imediatamente.

A princesa tirou uma linha de seu robe e começou a brincar com ela. 

"Dizem que nasci com a morte, e os céus me condenaram. Então um dragão dourado desceu do firmamento, e me deu metade do seu coração para que eu pudesse viver. Por isso me pareço com um anjo falecido, pois na verdade, não tenho vida, apenas uma fração dela. Preciso de um coração completo." — respondeu. 

As flores começaram a sussurrar mais e mais alto, então o cosmo soltou em seu ouvido:

"Você é linda, senhorita, e parece cheia de vida para mim." 

Sakura ficou calada por um instante, pensando naquelas palavras. Era sim, considerada a mais linda, porém, de nada adiantava se todos tinham medo da sua beleza. 

"Quem você é? E porque o seu coração está nessas flores?" — Sakura não hesitou em perguntar.

"Perdoe-me não ter me apresentado. Por favor, me chame de Sasuke. Por acaso, vivo no reino floral. Essas flores que plantou, são do meu reino." 

O vento correu pelas árvores e o pasto, então bateu contra o rosto da princesa. Algumas mechas prateadas, caíram pelas faces joviais.

"Você tem magia, Sasuke." — ela constatou.

"Você também, princesa." — ele disse, e a Haruno entendeu, virando o rosto para Huanglong.

Naquele dia, Sakura fez um amigo encantador. E descobriu muitas coisas nos outros seguintes, que deixaram de ser amargos e solitários. Era um novo instante. Tomou aquilo com força e começou a se dedicar àquele resquício de alegria.

Em conversas, soube que Sasuke era apenas poucos anos mais velho que si mesma, e morava em um lugar com campos e mais campos de flores. Ele lhe contou também, que a via através do espelho d'água em seu jardim, e que com ele, poderia cuidar e renascer toda a flora. 

Ambos contavam suas histórias e partilhavam seus segredos, e às vezes, com o entusiasmo, a princesa esquecia-se que precisava voltar para o terrível palácio. 

Hoje, depois dos anos, ela jamais deixa de ir até o riacho para falar com seu amigo misterioso. E o imperador, pela graça do deus celestial, de nada nunca soube.

— Lorde Huang, como está o céu hoje? — perguntou Sakura.

O dragão cobra, iluminava todo o lugar com seu rastro fulgente e adorava fazer acrobacias pela manhã. Huanglong olhou-a de lá de cima com um possível sorriso, e voou para mais perto de sua princesa. Ele esperava um carinho, e o recebeu, mas um pouco do ouro de suas escamas ficou grudado nos dedos miúdos da Haruno. Ela apenas sorriu e usou o brilho para enfeitar o pequeno pedaço do seu colo que o vestido negro deixava aparente. 

Dessa vez, a princesa tinha um xale de tule enfeitando as mangas grossas, e estava usando apenas alguns poucos acessórios no cabelo, deixando parte dele solto. O fato de ter se arrumado mais do que o normal, deixava tudo mais claro para Huanglong. Ela iria visitar os cosmos. 

O dragão, sem  enrolar, acompanhou a princesa até o riacho. O bosque, o campo, os peixes, sentem-se revigorados com a presença dos dois. O vento acariciava a bochecha de Sakura, que andava com graciosidade para perto das flores. Ela se agachou, ouvindo o sussurrar angelical que já havia se acostumado, e esperou até que Sasuke falasse com ela, mas ele não o fez. 

— Bom dia. — a garota se manifestou. — Sasuke, você está?  — ela levou seu dedo às pétalas brilhantes, mas sentiu um arrepio.

Bom dia, princesa. 

Sakura sorriu, estava com saudades. 

Olha só, está sorrindo. — o cosmos disse, surpreso.

Ela sorriu mais.

— Foi espontâneo. Senti sua falta. — respondeu, para logo se sentar totalmente na grama. 

É bem difícil vê-la sorrir.

— Também estou me acostumando.

Sobre o que gostaria de conversar hoje? 

— Não iria me falar sobre as peônias?

Ah sim, tinha me esquecido. 

— Mas talvez você devesse me falar sobre lírios alaranjados primeiro. — ela disse, alegre. 

Não é uma opção.

Ora, por que?

— Na verdade, hoje estava pensando que é muito injusto apenas eu saber como é sua aparência. Gostaria de saber como me pareço?

A princesa inclinou a cabeça e aproximou sua boca da flor.

— Sempre tive curiosidade. Afinal Sasuke, você me fala tanto do seu reino, mas nunca me disse quem você é, ou como se parece. 

A flor emitiu um pequeno riso.

Tenho medo de que me rejeite. Pois um dia será minha esposa. 

A princesa arregalou os olhos, rindo um pouco.

— Sua esposa? Meu pai nunca permitiria. — disse entre as risadas, enquanto tirava as sapatilhas de seda. 




[...]






Parte II, Reino sombrio

décimo nono aniversário da princesa 

1528 luas


[sound three]






O grande disco negro tocava alto naquela data supersticiosa, pois era dia de adoração no templo para o grande Imperador de Jade. Nesse mesmo dia, a princesa fazia aniversário, mas ele era comemorado apenas ao pôr do sol, quando o imperador encerrava o horário das bênçãos e da adoração. 

No pavilhão do rancor,  a serva pessoal da princesa acabava de completar sua maquiagem com rouge e um delineado sutil. Em seguida, ajudou-a a se vestir e a pentear os seus fios prateados. Sakura não desejava passar o dia todo prestando homenagem ao seu pai, portanto se arrumou cedo, e foi para o pavilhão principal, onde seu pai e muitos ministros importantes, festejavam.

Os eunucos e soldados enfileirados na frente do pavilhão, observavam a princesa com medo. Todos tinham pavor da princesa, que apesar de possuir uma beleza pura, era silenciosa e de expressões frias. Ninguém ousava questiona-lá, apenas o próprio imperador. Muitos boatos sobre sua aparência começaram a circular pelo reino ao longo dos anos. Alguns diziam que era enfeitiçada, outros, que era um demônio, e por tal ainda não havia se casado. 

Um dos servos do imperador, trêmulo, anunciou a entrada da princesa e de suas damas no recinto. Todos no salão ficaram imediatamente calados.

Ao entrar, a princesa caminhou com elegância pelo tapete de pele, arrastando suas saias, e ao chegar perto do assento do imperador, fez uma reverência longa, com as mãos dentro das mangas do vestido. 

O xale ondulado escorria pelo chão, e os lábios avermelhados o saudaram com um:

— Sakura se apresenta ao imperador. 

Kizashi sorriu. O cabelo branco como a neve e os olhos azuis como cristais, se mostravam gentis de uma forma pavorosa para sua única filha. Ele, que parecia mais jovem do que nunca, levantou-se do pequeno trono com magnificência e andou lentamente até a princesa, que tinha a cabeça abaixada. Levantou o queixo da filha, e olhou para os mesmo olhos verdes da falecida imperatriz com uma ira contida, então, disfarçando suavemente, pegou o grampo de prata em sua roupa e o colocou no coque da princesa. 

— Feliz aniversário, querida. 

Sakura o encarou, mas sem qualquer expressão. Por dentro, se encontrava extremamente surpresa pelo ato delicado do imperador. Pela primeira vez, ele tinha lhe desejado feliz aniversário antes da cerimônia, e isso só poderia indicar que Kizashi tinha outros planos para aquela noite. 

— Fico muito agradecida majestade. — foi sua resposta. 

Kizashi sorriu cinicamente e soltou o queixo da filha, virando-se e voltando para o trono.

A princesa seguiu para a sua mesa na lateral e se sentou ao olhar de todos. Quando sua presença já não era mais tão desconcertante, as pessoas voltaram a conversar e a prestar homenagens de adoração ao Imperador de Jade. 

Depois de um longo tempo vendo o ritual, a princesa se cansou, e saiu do salão, alegando indisposição, o que para muitos fora considerado um pecado desrespeitoso, mas Kizashi não a impediu. 



[...]


[sound four]


 

Já longe do salão, sem ter o que pensar, Sakura dispensou suas damas e assobiou alto para chamar a atenção de Huanglong, que assim que ouviu ser chamado, cortou o céu à procura da princesa. Quando a achou, voou ao seu redor, deixando-a animada. 

— Pode me levar ao riacho Lorde Huang? — perguntou.

O dragão assentiu, meneando a enorme cabeça dourada, e se abaixou, para que a princesa montasse em si.  

Huanglong se tornou um dragão poderoso, e assustadoramente alto, todavia, a princesa, mesmo que a idade já lhe fizesse quase uma adulta, com o rosto angelical poderia ser confundida com uma menina apesar do corpo esguio e cheio de curvas.

Quando Sakura montou no dragão, fez um carinho em suas orelhas, deixando claro que estava pronta. 

Huanglong voou em direção ao riacho em poucos minutos, e assim que pousou na grama verde, logo deixou a princesa só, para que pudesse rolar nos arbustos e brincar com as borboletas. 

Sakura, com uma calma eterna e seu rosto gelado, foi até seus preciosos cosmos com certa inquietação. Já fazia algum tempo desde a última vez que tinha vindo, mas isso nada mudava. A Haruno não conseguia segurar os sentimentos que saltavam dentro de si. Dentro da metade de sua alma.

Com o passar do tempo, ela e Sasuke tornaram-se mais que bons amigos. As conversas haviam deixado de serem simples conversas descontraídas de crianças, para se tornarem conversas românticas e sedutoras. Ela havia se apaixonado pelos sussurros angelicais de alguém que nunca viu o rosto. Havia se apaixonado pelo coração que falava consigo  deixando-a alegre, fazendo-a sorrir. E não possuía qualquer arrependimento. Aquilo era tudo o que tinha. Era o que a fazia sentir viva. Seu maior segredo. 

Como sempre, se agachou perante as flores, que tinham a luz do sol sobre suas pétalas, e expirou o cheiro fresco daquele momento. Aproximou sua boca do cosmos rosa, o mais lindo dentre todos, e falou baixinho:

— Olá Sasuke, está aí? 

Foram poucos minutos de silêncio, logo os cosmos começaram a sussurrar e a brisa leve balançar os fios platinados da princesa.  

Sakura. — a voz grave, ousou, e Sakura se arrepiou ao ouvir-lá. 

— Estou aqui, pode me ver? 

Sim. Você está magnífica.

Ela ficou séria de repente. A angústia lhe deixava com uma sensação estranha. 

— Não serei tão magnífica se continuar vivendo aqui. Falar com você é a única coisa que me mantém sã.

O cosmos ficou em silêncio. E ela fechou os olhos, encostando o nariz na flor rosa.

— Amo você. 

O vento fez com que os fios prateados cobrissem seus olhos, e um sentimento eletrizante percorreu seu corpo. Huanglong o sentiu.

Como pode me amar Sakura? — o cosmos perguntou de repente. — Sou o único que posso vê-la, portanto amá-la, pois tenho tudo de você. 

Sakura abriu os olhos, com uma frieza incontrolável.

— Não se esqueça, sou eu quem cultiva o seu coração.

O que ela disse fez o cosmo se reverberar.

Quando me ver, vai desejar não ter me amado.respondeu com franqueza. 

— Se você me amar, nunca vou deixar de amá-lo. 

 A princesa continuou acariciando a flor. 

Não se pode prometer sentimentos.

Sasuke disse baixinho, naquela língua estrangeira.

— Desconfia de mim por não ter um coração completo? — pergunta, com sua voz doce, em um tom frio.

Não se tem controle sobre o que se sente. Por isso, apenas gostaria de saber se deseja mesmo ter o meu coração, pois terá que compartilhar sentimentos comigo para sempre. 

Ela não sorriu, nem se entristeceu. Aproximou-se do cosmos e tocou a flor com seus lábios rosados.

— Desejo. É o que dizem os meus sonhos.

O clima fresco enfeitiçou o lugar. As bochechas da princesa ganharam cor, e seus olhos, sempre tão opacos, pareciam incandescentes com aquela declaração ousada. 

Assim sendo, vá até o riacho, e olhe para o seu reflexo. Como é seu aniversário, gostaria que pudesse enxergar o quão magnífica está se tornando— a voz mandou, com uma tenacidade sagaz. 

— Ver o meu reflexo?

Sim.

Sakura piscou os olhos reflexiva, e se levantou, deixando o xale cair de seus antebraços. Em seguida, direcionou-se à leve corrente esverdeada que havia ali. Já na beira do riacho, pegou as saias pesadas e desamarrou as sapatilhas de seda, tirando-as. Todavia, antes de colocar os pés na água, olhou por cima do ombro para o cosmos, vendo-o soltar pontinhos cintilantes de pólen pelo ar junto às outras flores, fazendo o pequeno jardim parecer uma bela pintura. Se perguntava, se Sasuke a transformaria em um lindo cosmos também. Então, com a mente cheia de bons pensamentos, se virou para a frente e começou a adentrar a imensa casa dos peixes coloridos. A meia de algodão colou em sua pele.

Enquanto segurava a barra do vestido, sorriu vendo os pequenos animais rodeando seus calcanhares. Veio os laranjas com negro, e tinha azuis com escamas lilases. Sakura sentiu-se salva, sentiu-se apaixonada. 

Ela deu mais dois pequenos passos, e quando alguns feixes de luz tocaram-na fazendo sombra à superfície do riacho, parou de sorrir e começou a observar seu próprio reflexo. Observando-se, os cabelos cinzentos e o rosto gelado, algo se exaltou dentro de si, fazendo Huanglong rugir em reclamação da dor. 

Sem temer a si mesma, agachou-se sem entusiasmo para tocar sua imagem, mas assim que o fez, as ondas provocadas fizeram seu reflexo sumir lentamente, transformando-o, e os olhos de Sakura cresceram quando viu a imagem mudar para a de um homem. Um homem que nunca havia visto. Sua respiração se alterou, ficando pesada. Não sabia do que se tratava aquilo, ou sabia. Então imediatamente virou o rosto para os cosmos, vendo os lindos pontinhos de pólen cintilante flutuarem até ela, em uma graça desconcertante. Foi assim que entendeu. 

Com medo, olhou novamente para a água, vendo o homem ali. Sua compleição era melancólica, porém digna de um imperador, digna de um ser celestial. Se surpreendeu. O cabelo tão negro, o fazia parecer de outro mundo. E era, pensou ela. A figura lhe encarava intensamente. Seu rosto completamente diferente de tudo que já tinha admirado não se parecia em nada com o caloroso cosmos que conversava consigo. Possuía um nariz aquilino, cílios longos que contornavam os olhos profundos e severos, sobrancelhas grossas e bem alinhadas, lábios rosados e finos, tão atrativos que foi impossível desviar a atenção deles. Sua respiração se encontrava caótica, algo dentro de seu corpo se agitava, Sakura se assustou e deu um passo para trás, tampando sua boca com o tecido da manga do vestido. 

Muito, muito assustada. 

Queria sair correndo. Havia sentido algo incompreendido até então. Algo que pensava que só os mais ordinários soldados sentem ao frequentar os bordéis da cidade.

Atração física. Desejo.

Foi quando ouviu o barulhento grande sino do palácio tocar, e portanto uma segunda vez, deixando-a tensa, assim como o dragão. Andou de costas em uma velocidade razoável, não prestando atenção em seu caminho. A princesa trombou com a beirada do riacho e caiu sentada, porém não gritou com a tortura dos músculos sendo machucados. Sentiu a vaidade lhe ferir com rigor. Tudo ainda estava girando à sua volta, mas não deixaria o caos lhe afundar.

Foi com precisão que ela se recompôs, colocou as sapatilhas e montou em Huanglong, saindo sem se despedir. 

O toque do sino era um indicativo de que algo ou alguém extremamente importante havia chegado no palácio. E foi no quarto toque do sino, que Sakura e sua consciência começaram a queimar.



[...]



Não demorou muito para que se banhasse e se vestisse. O rei tinha lhe solicitado, pouco depois de chegar correndo e ir para a cama, para que ninguém suspeitasse do seu pecadilho. As cores e os instintos, continuaram dedilhando o corpo da princesa, faziam-na crer na possibilidade de nunca mais ter que precisar se esconder. Na possibilidade de ser… alegre, como sua mãe havia dito. Mas esse pensamento se dissipou no momento em que o eunuco do imperador deu seu veredito e as criadas entraram para lhe arrumar.

Por acaso, no meio desse evento, sentiu-se tensa, e sem receio, pegou o punhal que sempre deixava embaixo do travesseiro, e o depositou nas sapatilhas, sem que ninguém visse.

Enfim saiu do pavilhão com suas damas e criados ao encalço, todos calados e temerosos. Andava com elegância pelos corredores a céu aberto. Os palácios chineses com seus pilares banhados a ouro serviam justamente para isso, destacar a elegância de suas senhoras. Mas algo acontecia para destacar ainda mais a beleza da princesa. Um apaga-pó com curviana. 

As gotas da chuva calma escorriam pelo chão. Não imaginava que choveria tão cedo naquele dia, e muito menos com um vento gelado. Agora o céu se encontrava com nuvens negras e um aspecto tenebroso, destacando a beleza inusual e assustadora de Sakura.

Ao colocar os pés na corte — assim que haviam anunciado sua chegada — com o vestido de cauda esvoaçante e seda fina, soube que algo ruim lhe aconteceria, afinal, todos  os senhores, deputados e oficiais do governo estavam presentes, devidamente alinhados com seus chapéus e trajes nobres, esperando pela sua presença. 

Sakura andou todo o corredor até parar em frente ao trono, onde o imperador, de olhos fechados, repousava a cabeça em uma das mãos fechadas e tinha criados à sua disposição. Ela fez uma grande reverência, o que fez seu rosto pesar e ganhar certa cor devido a todos os acessórios que prendiam seu cabelo. Esse fenômeno deixou todos um pouco surpresos, já que a princesa sempre tinha um rosto muito pálido. 

— QUE A PRINCESA SAKURA, PRIMEIRA LADY DO REINO SOMBRIO, ACEITE O DECRETO REAL. — gritou o eunuco quase cantando assim que Sakura começou a encarar o pai. 

Mais uma vez, a princesa se ajoelhou e colocou a mão esquerda dentro da manga direita do vestido, erguendo os braços e abaixando a cabeça, para ouvir atentamente enquanto o serviçal recitava as palavras de Kizashi. 

— Cof-cof. — ele tossiu levemente antes de prosseguir. —  A PRINCESA SAKURA É LEAL, EDUCADA, E A MAIS BELA DAS MULHERES. DE ACORDO COM AS LEIS, A PRINCESA DEVERÁ SER APRESENTADA EM SETE DIAS AO GENERAL KAKUZU DE MIANYANG. SEU PEDIDO DE CASAMENTO FOI ACEITO PELO IMPERADOR E DEVERÁ SER MANTIDO. O MATRIMÔNIO SERÁ REALIZADO NO SOLSTÍCIO DE INVERNO. — o eunuco enrolou com o auxílio dos cabos de ouro o tecido majestoso onde continha aquelas palavras e andou até a Haruno ajoelhada. — ACEITE O DECRETO REAL, MINHA SENHORA. 

Sakura não pensou duas vezes, ainda com a cabeça abaixada, tirou as mãos da manga do vestido e as levantou para que o eunuco depositasse o decreto. Assim que ele o fez, a princesa se abaixou completamente no tapete, em um gesto de agradecimento ao imperador.

Nenhuma palavra foi dita.




[...]


[sound five]



Foi com ansiedade, a carne dentro de seu peito rangendo de dor e passos extremamente rápidos pelos corredores intermináveis do palácio, que a princesa se dirigia aos aposentos de sua majestade. 

Sem perceber, suas mãos tremiam. 

Ela adentrou o pavilhão quase vazio, ao não ser pela fileira de guardas fora do quarto, e pediu uma audiência. Precisava ser recebida. Precisa falar ao seu pai que não se casaria com o general. Não poderia. Porque já havia se comprometido com alguém. 

Sem perder a pose, não esperou que fosse anunciada. Suas damas abriram as portas e fecharam-na assim que ela entrou. 

— Meu pai. — disse de forma íntima enquanto se aproximava da grande mesa onde o imperador bebia chá. 

Ele a olhou com severidade e saiu de perto da janela para sentar-se no wángzuò pequeno, acolchoado por um tecido firme e macio. 

— Necessito falar com o senhor. É de extrema urgência. — continuou, com a voz fria. 

Kizashi, em sua postura magnífica, fez um sinal para que seu servo buscasse sua graciosa raposa, Maylin. 

— Venha Sakura, conte-me o que houve. — disse ele, meticulosamente.

Sakura foi até ele e como de costume, se ajoelhou, entretanto, muito próximo ao seu pai, ao ponto de colocar as mãos geladas no descanso da poltrona e mostrar uma feição de súplica. 

— O senhor é misericordioso. O mais sábio e mais inteligente governante dessa nação. — disse, vendo o eunuco trazer Maylin e dá-la ao Haruno, que acariciou o animal com as unhas grandes e afiadas. — Contudo, eu gostaria, querido pai, de fazer um pedido mesquinho. 

Kizashi voltou seu olhar para ela. 

— Prossiga. 

— Majestade, não ouso me casar com o General Demônio. Não ouso me casar. Não desejo isso. Me liberte desse compromisso em nome da antiga Imperatriz, eu lhe peço.

O imperador apertou os olhos e parou de acariciar May, que já sentia a força abrupta das unhas de seu mestre, então fugiu de seu colo. 

Num instante, em um movimento rápido e agressivo, Kizashi agarrou com força a extensão da metade do pescoço e maxilar da filha, olhando-a com superioridade. 

Sakura parou de respirar, mas sua expressão continuava inabalável, era como se não fizesse diferença. Porém, em seu âmago, temia morrer ali e não falar com Sasuke novamente. Torcia apenas para Huanglong sentir sua dor e encontrá-la.

— E por que não, lady Sakura? — perguntou ele, quase entredentes. 

Com a cabeça levantada, enquanto sentia alguns adereços de seu cabelo caírem, só conseguia pensar na sorte de ter um punhal enterrado nos sapatos. O que se passava pela sua mente não era nada instrutivo, e não se sentia assustada ao só conseguir pensar em vingança e em como seria adorável enterrar aquele punhal na carne jovem e bela que fora roubada de sua mãe. 

— E-e-e-stou compro-m-metida com alguém. — disse, com certa dificuldade.

Kizashi soltou um ruído, seguido de um riso de desprezo. 

— Está comprometida apenas com o Reino Sombrio, querida filha. E nada mais. 

Sakura fechou os olhos para dizer:

— A-amo uma pessoa. 

Foi então que Kizashi soltou um riso abominável, que ecoou pelo aposento, fazendo todos os criados o temerem. 

— Sakura? Amar? Isso é impossível minha criança sem alma. — ele sorriu e instantaneamente adquiriu uma expressão cruel. — Você não sabe amar. Não pode amar. Não possui um coração para amar, pois é descendente do grande Imperador de Jade. — ele fez uma pausa e se aproximou dela. — Não seja como sua mãe ordinária. Ela era apenas uma mestiça rara, com um poder vital extraordinário, que por direito, sempre foi meu. Huanglong pode ter te ajudado ao descer do céu em nome do rei celestial, mas até ele conhece o seu destino. 

Então Sakura voltou a respirar, pesadamente, com o sangue mais gelado do que nunca. Com a mente confusa e os pés tremendo pelo que estava prestes a cometer. 

A princesa agachou a mão esquerda com suavidade até conseguir alcançar as sapatilhas, e de lá tirou o punhal banhando a prata com pequeninas pedras negras que pertencia a sua mãe. Era inevitável. A vontade falava muito mais do que os seus princípios naquele momento, portanto não raciocinou quando por instinto pegou a arma com um poder  inimaginável e acertou o coração do Lorde das Trevas, se preocupando em empurrar a prata com força. 

— Considero u-uma virtude não amar o senhor. — gritou desesperadamente. Em profundo ódio. Enquanto empurrava o aço até o mais fundo que podia. 

Quando percebeu não ter ouvido nenhum grito, ou sequer um gemido de desconforto, assustou-se. Soltou a arma e ofegou.  Olhou para o peito de seu pai e viu um líquido negro escorrer pelo trage, manchando-o. Aquilo não era sangue. Constatou. Então olhou para o rosto do pai vendo seus olhos cruéis e a boca carnuda contornando um sorriso sombrio, um sorriso malicioso. Ele apertou ainda mais suas bochechas, e com as unhas machucando a carne pálida disse: 

— Entende agora, criança?

Sakura arregalou os olhos. Aquilo não poderia ser verdade. 

O imperador chamou rapidamente com o olhar uma de suas criadas. Ela veio com medo, trazendo uma bandeja que levava uma taça dourada contendo algo muito quente, sabia-se pois um vapor característico subia pelo objeto. Kizashi pegou um lindo frasco de cristal dentro do bolso e depositou todo o pó que havia nele dentro da taça, pegando-a em seguida de cima da bandeja. Ele meneou a cabeça, dispensando a criada, e se voltou para a filha, que mesmo com a expressão fria, sabia que deveria estar aflita. Entretanto orgulhava-se da coragem dela.

— Uma língua tão sem educação. — ele começou, interpretando com a voz mansa. — Está preparada para as consequências, querida? Mas calma, não se preocupe, você tem sorte de estar prometida, Sakura, se não adoraria machucar lentamente seu belo rosto. Contudo, irei me contentar com uma punição leve. 

Kizashi levou a taça aos lábios avermelhados da princesa devido à pressão de seus dedos fortes, e a fez abrir a boca. 

O estômago de Sakura se enjoou com o cheiro do vinagre aquecido, fazendo-a ter vontade de arrevessar todo o seu almoço, e poderia ter feito, se não estivesse sendo obrigada a beber o líquido. E ele entrou em sua boca, queimando sua língua e rasgando sua garganta. Quanto mais se debatia, mais intensamente as unhas masculinas perfuravam-na, para mantê-la firme. Sua língua gritava em desespero pela dor da queimadura e o formigamento que o ácido a causava. Logo sentiu os dentes queimando e a visão ficando turva. A última coisa que sentiu e viu, foi Kizashi jogá-la no chão cortante, úmido, rindo pateticamente de seu estado deteriorado enquanto tirava o punhal do peito em uma só puxada e lambia as manchas negras que haviam nele. 




[...]



Parte III, Reino Sombrio

comemoração da união matrimonial 

1535 luas


[sound six]


 


Sakura não era nada naquele momento. Não tinha nada. Não desejava nada… exceto, não morrer antes que pudesse ver novamente seu primeiro amor. 

Amor.

Sim, ela amava. Ainda amava. E sentia que amava. Poderiam tirar tudo dela como sempre faziam, mas não aquilo. Aquilo nunca lhe seria roubado como fora da Imperatriz. 

Minha flor de lótus.

A princesa reviveu os últimos momentos com a sua mãe naquela madrugada. Era o sétimo dia. O dia da apresentação ante o casamento real ao qual seria fadada. Estava em prisão domiciliar a seis dias e algumas horas no seu antigo quarto, onde Mebuki costumava pedir que ela lesse os livros sagrados de seus ancestrais. Seis dias, sem poder usar sua boca para falar, comer, ou sorrir. Mas apenas para lembrar-se do quanto odiava o Imperador e sentir uma dor agonizante ao tomar os remédios. E também, do quanto desejava vingança. Entretanto, a vingança mais ferina que teria, seria fugir, e ignorar. Para ser alegre. Não. Essa não era a palavra correta, ela sabia. Mas não ousava ter esperanças demais. Por enquanto, apenas tentaria lutar.

Se não puder lutar contra o destino, e for pega, prometeu a si mesma desistir.

A ideia de não lutar para ter a visão de Sasuke novamente, lhe dava calafrios. Faria isso, mesmo se estivesse morta. Que ironia. 

Todavia, a mais pura verdade é que nas últimas noites pavorosas, o que tinha dado-lhe força foi a imagem eletrizante e inesquecível que viu na água. A imagem do coração de um cosmos. O seu cosmos. 

Agora que sua boca havia cicatrizado, devido a ajuda mágica de regeneração do Lorde Huang, o planejamento de sua partida deu início. Naquela madrugada. Naquele quarto, que pretendia nunca mais visitar. 

Huanglong a esperava no último pátio, para que fossem rápidos. A sua criada particular dormia tranquilamente com o chá especial que a princesa havia preparado. Tudo parecia em ordem. 

Sakura colocou o vestido mais leve que tinha, de camadas transparentes e amarrações finas. Pendurou seu token de jade, o selo real, junto ao sachê de sua mãe no cinto, e pegando algumas mechas do cabelo, prendeu-as com o acessório de prata que ganhou em seu aniversário. 

Moveu-se para fora do quarto sem dizer adeus, e olhando para os lados atentamente, começou a andar rápido e cuidadosamente em direção ao pátio. Seu rosto sério colocaria qualquer guarda em total desespero se fosse pego desprevenido. Quando quase chegava ao local marcado, ouviu alguns barulhos estranhos.

Alguém está acordado. Pensou, ao ver a fumaça de uma fogueira que se esgueirava pelas árvores negras. Então ela andou alguns centímetros e se escondeu atrás de uma pilastra para verificar. O Palácio do Terror estava em festa. Em festa. Era o general. Por isso havia tão poucos guardas guardando o seu pavilhão e os corredores àquela hora. Esse era o real motivo de não ter sido pega. Sorriu, finalmente, em dias. Mas não era um sorriso qualquer. 

— Princesa? — ouviu ser chamada e sentiu os pés ficarem dormentes,, porém não entrou em pânico. O que faria? 

Sakura se virou subitamente para trás, com todo o ar de uma rainha do reino sombrio. Ela elevou o queixo. 

— Está querendo morrer hoje soldado? — disse, e ele estremeceu. O rosto começou a suar e as mãos ficaram trêmulas. Imediatamente ele se ajoelhou e começou a implorar perdão pela inadimplência. 

— Perdoe-me vossa alteza. Mereço uma punição. 

Ele ainda se encontrava ajoelhado. 

Apesar da postura inabalável de Sakura, ela não sabia o que fazer. Se deixasse o soldado vivo, iria morrer, se o matasse, teria ainda menos tempo para fugir, com o risco de não dar certo e acabar muito pior por ter matado um homem de Kakuzu. Infelizmente, ela não possuía um coração gentil, nem covarde. Seria um ou outro. 

Se ao menos sua mãe a tivesse ensinado lidar com problemas desse gênero. Afinal, a Imperatriz era uma mulher muito gentil e amorosa. Saberia ternamente resolver a situação sem precisar derramar sangue. Ou não. Não conhecia totalmente sua mãe para prever algo assim.

A princesa não precisou pensar novamente, e enquanto o homem ajoelhado levantava a cabeça, ela tirava o grampo afiado para fincar no pescoço dele, entretanto, algo pior veio no momento em que matava o soldado com a prata pontiaguda. 

O general demônio. Com seus homens. 

Eles viram-na em sua postura superior, revelando-se uma assassina silenciosa. E eles, que riam com seus copos cheios de vinho, pararam na mesma hora. Assustados. 

A festa ainda continuava, com várias mulheres dançando, no entanto, uma festa sangrenta ocorria do lado de fora. E o General, não esperava participar de duas. 

Sakura tirou seu grampo rapidamente de dentro do ser que havia acabado de matar, e desesperou-se ao ouvir um rugido do Demônio. 

Saiu correndo, sem olhar para trás, enquanto alguns soldados lhe perseguiam. E foi na corrida que ficou ainda mais desesperada. Haviam tocado o sino. O Imperador acordaria, e ela estaria arruinada. Mas não se deteve a acreditar que conseguiria. Pois conseguiria. Tinha que conseguir. 

Huanglong, ao ver a metade de sua alma, correu até ela. O dragão feroz assustou os soldados que a perseguiam, rugindo muito alto, cuspindo fogo para o céu. Sakura montou em Lord Huang, e meras flechas foram acertadas contra ele, mas o dragão não sentiu dor, e apenas golpeou os homens com sua calda, fugindo veloz dali pelo céu afora.

No caminho, o céu indicava que era quase hora do crepúsculo, e os dois amigos se viam obstinados ao alcance do jardim. Aproveitando o caloroso sentimento de vitória da fuga sucedida ao mesmo tempo que, o vento selvagem abraçava-os. 

Brevemente, com a celeridade do dragão, eles chegaram no jardim, que agora parecia bem diferente de sempre. Sakura foi logo saindo de cima de Huang e percebeu como as árvores e o capim voltaram a estar sem vida. Mas os cosmos continuavam ali. Balançando com a brisa. Celebrando as cores em suas pétalas. 

Ela correu até a flor rosa e se agachou. Não tinha muito tempo.

— Sasuke? — chamou. Mas a resposta não veio. — Sasuke? Eu preciso de ajuda. — pouco tempo passou e ela já se encontrava agitada, como nunca antes, como nunca deveria acontecer, e depois, depois de tantos anos, deixou que uma linha estreita de água salgada percorresse sua bochecha. Então ela fungou. — Sasuke… — disse baixinho, mais uma vez, e mais lágrimas escorreram, sem que ela pudesse controlar. — Vim me despedir. Não posso mais continuar nesse lugar. Pretendia levar você comigo, mas tenho medo de que a flor não sobreviva. E mesmo assim, você não irá sobreviver aqui nesse mundo. — chorou mais, soltando um gritinho agoniante que fez Huanlong se aproximar e lhe fazer um carinho. — Saiba que sempre vou te amar, por mais que não se possa prometer sentimentos, pois compartilhamos um coração também, e eu sinto que ele nunca vai morrer dentro de mim. — Sakura abaixou a cabeça, sentindo o carinho de Huanglong e chorando como deveria ter chorado a nove anos atrás, como uma criança. 

Seu nariz está vermelho.

— Eu sei. — disse com a voz de choro, mas então levantou a cabeça surpresa, se dando conta de que havia ouvido. 

Estou aqui, Sakura, e não chore. Jamais permitiria que partisse sem mim. Você será minha esposa, lembra-se? 

— Meu pai jamais permitiria. — ela disse desacreditada, em meio às lágrimas ouvindo o canto angelical daquela voz forte, que a fazia ter sonhos adoráveis. 

— Mas você aceitaria? Se aceitar, posso trazê-la para o meu reino.

O coração de Sakura parou. Tudo parou por um momento, até mesmo o céu, que quase nascia. 

— Está falando a verdade? 

Você não estava esse tempo todo?

A dúvida o preencheu, mas ele acreditava no ligamento que possuíam.

— Me faria ser a pessoa mais feliz. Mas como?

O cosmos soltou um riso. Desejando enxugar as lágrimas dela. Era a primeira vez em todos aqueles anos, que via a princesa chorar.

Coma-me. Aproxime-se e como as pétalas, então vá para o rio, irei lhe puxar pelo espelho da água. 

Apenas isso? — ela perguntou, confusa.

Não, há um porém. Assim que comer, Huanglong estará livre. 

Haruno arregalou os olhos, entendendo o que aquilo significava. Ela olhou imediatamente para Huanglong. Ele sabia desde o início. Ela concluiu. Mas não se sentia triste. Nem enganada. Sabia que o propósito de Huanglong era lhe ajudar desde sempre, no entanto, o dragão precisava voltar para o céu. Compreendia. Compreendia os esforços de sua mãe com as sementes. O de Lord Huang com os devidos cuidados. Mas nenhum deles esperava, que não só ganharia um novo coração, como também alguém para amar com ele. 

Ela suspirou. 

Vejo-a no Reino Florido, Sakura

A princesa anuiu, segurou os cabelos prateados, juntou as sobrancelhas, e se aproximou da flor.

— Obrigada. — foi o que disse, antes de fechar os olhos e comer as pétalas. 

Parecia que flutuava. Seu corpo começou a ganhar vitalidade e Sakura  sentiu o sangue correr em suas veias. Se sentiu nova. Um outro ser. Aquela sensação percorria seu corpo inteiro deixando-a extasiada. Por um momento, pensava estar sonhando, mas quando abriu os olhos e viu a cor das mechas de seu cabelo, soube imediatamente que se tratava de um sonho. Estava cor-de-rosa, como o cosmos. Os outros cosmos que havia no pequeno jardim se desmancharam e voaram como pó em seu entorno, e seguiram caminho pelo pasto. O crepúsculo já havia chegado, e o sino no palácio não parava de soar. Ainda procuravam por ela. 

Incrédula, com sua nova aparência e bem estar, a princesa olhou imediatamente para Huanglong. O tal estava ao seu lado, um pouco triste, fazendo um afego carinhosamente. Fez questão de devolver o afeto com uma carícia em suas orelhas, sussurrando alguns bons segredos e palavras de conforto para o dragão. Entretanto, de modo taciturno ele se afastou, encarando a Haruno seriamente, de modo que a fez entender o que queria dizer com aquilo. Ela sorriu triste.

Aquele animal fabuloso odiava a ideia de fazê-la sentir a perda novamente, mas não tinha escolha. Ele parou na frente dela, não muito perto, e fez uma reverência adequada. Sakura fez o mesmo, ambos eram da realeza. Foi então que o brilho dourado do corpo dele começou a desvanecer, indo embora sorrateiramente, com um pedido de desculpas. 

— Isso não é uma despedida, Lorde Huang. Irei te reencontrar. — disse, antes que ele sumisse por inteiro, vendo-o sorrir com gentileza. 

Sakura não poderia esperar muito mais tempo. Ao ouvir o som do sino pela décima vez, e uma gritaria de homens furiosos, sentiu medo. Medo de Kizashi encontrá-la. 

até o riacho, enfrente o medo.  Algo sussurrou em sua mente. E ela escutou aquela intuição. Dessa vez não tirou os sapatos. Andou até a margem e testou a água com os dedos, estava muito gelada. Não havia tempo. 

Colocou os pés na água e andou devagar, percebendo que os peixes não nadavam mais por ali. Não os coloridos. 

As saias afundaram, e ela girou e olhou para todos os cantos na intenção de ver se algo acontecia. Mas nada acontecia.

Abaixe-se, olhe para a água. Disse a intuição novamente. Aquilo que significava ter um coração completo? Sakura parou e olhou para baixo. Inesperadamente seu reflexo estava ali. Então ela se abaixou, o suficiente para enxergar as pedras negras atrás de sua imagem. Foi quando inusitadamente a água do riacho se levantou e a envolveu, puxando-a com força para dentro dele, como se a tivesse engolido. Sakura não se assustou, mas ficou deslumbrada. E em algum momento, naquela bolha estranha, caiu em um sono profundo.




[...]


[sound seven]




Flores.



Água.




Aquela sensação esquisita de estar sendo levada dentro de um casulo a um lugar desconhecido preenchia a mente de Sakura, que aos poucos despertava daquela ilusão. Ela sentia-se totalmente embriagada naquele que poderia ser apenas um sonho, ou mais um de seus infortúnios. Não se lembrava de muita coisa. Ainda se encontrava letárgica. Até que… sentiu o casulo empurrá-la para fora, as flores desprendendo-se de seus tornozelos, a sensação esquisita se esvaindo para jogá-la novamente a realidade e devolver-lhe a consciência. Então ela sentiu a água, cobrindo sua pele por inteira, respirando em seus poros, invadindo seu corpo — que reagiu imediatamente àquela exuberância de contrastes. Seus braços se moveram lentamente, sozinhos, para cima, e eles seguiram o fluxo em plena obediência. Sakura abriu os olhos, via a luz, a luz cristalina, um grande espelho pairando acima de sua cabeça, piscou e movimentou os braços com força, tocando o espelho e, em absoluto sufoco, emergiu. 

Ela puxou o ar com força vendo os pingos se debaterem contra as ondas ao seu redor. 

Os cabelos grudaram na nuca, o ar encheu seus pulmões, a visão ganhava cor e visualizava aos poucos o que estava a sua frente. Tudo, e nada. 

Algo batia freneticamente em seu peito. 

Ela não sabia distinguir. Não sabia nada sobre o que lhe acontecia. Mas sabia com toda a convicção do mundo que era um coração inteiro que batia dentro de si e bombeava o sangue que corria por seu corpo. 

Estava viva.

Sua respiração tornou-se controlada e seu desespero se foi, subitamente. 

Os olhos verdes logo captam a luz, e se adequam ao ambiente. Ela olhou ao redor, naquele lago, vendo peixes laranjas e vermelhos nadando em seu entorno. Vitórias régias flutuavam. Era um lago luxuoso. Então olhou para a frente, para trás e para os lados. Ao perceber ouro, luxo, cores, um sol brilhante e árvores de um verde vibrante, deleitou-se imediatamente. 

Só poderia estar sonhando.

— OH, UMA RAPOSA PERDIDA. 

Sakura viu-se uma sombra lhe cobrir. Olhou imediatamente para cima e percebeu se tratar de uma mulher. A feição no rosto dela era preocupante, seus olhos castanhos demonstravam ansiedade. Vários criados se seguiam atrás dela, uma fileira imensa deles. 

— Venha, pequena flor. — ela estendeu a mão. 

Sakura encarou a mão firmemente, e pegou-a com relutância, saindo do lago com a ajuda oferecida. 

O vestido emoldurou suas curvas e quando colocou os pés no chão de mármore, percebeu estar descalça. Onde havia parado seus sapatos? E onde estava?

— Onde estou? — disse as primeiras palavras, mas logo levou a mão à boca, com um susto. 

Havia sentido a própria voz.  

— No Reino Florido, majestade. Meu mestre a espera. Então devemos nos apressar. — a dama disse, aparentando certa empolgação enquanto colocava as mãos nos ombros largos da princesa e olhava seu corpo de cima a baixo, como se verificando se estava seriamente ferida em algum lugar. — Ah, está tudo bem. XIAO YANG? — gritou, com a cabeça por cima dos ombros. 

— Senhora. — disse o servo, que veio correndo para atendê-la. Ele fez uma reverência breve.

— Mande avisar que a convidada de honra chegou, embora tenho certeza de que ele já saiba disso. — falou a última parte olhando para Haruno. 

— Shì.

— Estou com sede. — disse Sakura. 

Ela não conseguia sequer imaginar. Alguém a esperava? Onde estaria Sasuke? Ele tinha dito que lhe traria, mas…

— Vamos ajudá-la com isso. Sou a governanta do palácio majestade. Hua Lin. — ela fez uma reverência à frente e estendeu a mão para que Sakura a seguisse, e foi o que a princesa fez, ainda um tanto curiosa sobre a vida radiante daquele lugar. — Não se assuste com o tanto de funcionários. Depois que o imperador faleceu, nosso mestre se preocupou em trazer pessoas que moravam sozinhas na cidade de Crisântemos para que pudessem cultivar com mais harmonia, afinal, é horrível se sentir sozinho no mundo. O palácio é cheio de alegria, atividades e talentos raros, como a senhora vossa alteza. 

— Eu? — Sakura percebeu cedo que a mulher falava além do que as regras do decoro poderiam permitir, mas não se sentiu insultada. Aliás, ficou ternamente satisfeita. — Como eu poderia ser um talento, senhora? E por que seu mestre me espera? 

— Oh, realmente não sabe de quem se trata? — pareceu surpresa. — Temo que não tenha pensando muito a respeito, suponho?

— Me sinto confusa. 

— Venha meu amor, venha. — Hua Lin estendeu o braço e levou-a até um pavilhão colorido e grandioso, cheio de lindas árvores de cerejeiras. 

Era extremamente encantador, e Sakura sentiu uma súbita ternura, um aconchego escandaloso no peito. Várias pétalas corriam pelo ar e caiam no chão, que se encontrava parcialmente rosa. 

Linlin entrou no quarto com Sakura em seu encalço e várias damas, elas ajudaram-na a se banhar e a se vestir. Em seguida a governanta dispensou todas e foi até a penteadeira onde a princesa estava sentada. Começou a pentear os cabelos dela com amabilidade, preparando-se para falar, a Haruno deduziu. 

— Essa é a cor do cabelo do seu avô. Sabia disso?

Sakura estreitou os olhos, com a arrogância típica, junto ao ar de desconfiança e descrença.

— Como?

— Temos consciência de quem és, majestade. — ela sorriu e pousou as mãos no encosto da cadeira. — Assim que as cerejeiras começaram a florescer, naquela época, suspeitamos de que a nona princesa estava voltando, mas isso não ocorreu. Esse evento não acontecia a anos, já que a nona princesa era única que herdara controle emocional sobre essas árvores, mas então, chegou a notícia de que a imperatriz do Reino Sombrio havia sido desalmada e morta nas mãos do tirano, o que enfureceu nosso imperador. Logo veio a guerra. E assim ele perdeu a vida. A destruição de nosso exército foi fatal, fomos enganados. 

As cerejeiras continuaram a florescer de novo e de novo. Nossa rainha, de luto por duas pessoas que amava, não sabia o que fazer, até que lhe trouxeram uma carta. Era de Mebuki. E nela continha todos os seus segredos, e claro, o melhor deles. Uma filha que nasceu magnífica, mas também com toda a maldição do Reino Sombrio. Nada poderia ser feito, mas até  os céus pareciam estar do seu lado princesa, os espíritos florais saudaram Mikoto, contaram-lhe sobre Huanglong, o dragão, e disseram mais. O rei celestial já havia traçado seu destino querida, a fonte dos cinco reinos já tinha decidido, e ela não mente. Ninguém possuía sementes daqueles cosmos de cultivo se não Lady Mebuki, um presente único no mundo dado por seu irmão, nosso falecido imperador, Fugaku. O mestre, que já tinha domínio sobre o espelho d'água, sentiu uma ligação com eles, foi como a conheceu, ainda uma criança jovem e tola, mas inteligente para jamais lhe dizer a verdadeira identidade  ou…

— A ligação se quebraria. — completou Sakura, apavorada. Aquilo era demais. Tudo parecia se encaixar. Suas mãos tremiam. Sasuke era seu primo, e herdeiro legítimo, assim como ela. E eles se amavam. 

— Perdoe-me a intromissão desnecessária minha Lady, e entendo perfeitamente se estiver com raiva, mas foi me concedida a missão de revelar este segredo antes que visitasse o nosso mestre.

— Não consigo pensar em ficar furiosa quando a única coisa que me abala é saber que minha mãe nunca me contou nada sobre sua terra natal e que Sasuke na verdade é um homem de carne e osso e não um imortal do reino do Reino Florido. — Sakura se olhou no espelho e em seguida se virou para trás para encarar Hua Lin. — Matei um soldado para conseguir fugir, estão atrás de mim.

Hua Lin sorriu.

— Não vão encostar em um só fio do seu cabelo. 

— Onde ele está? — Sakura implorou com os olhos. Seu corpo ardia. O coração parecia explodir. A pessoa que ela amava estava ali, esperando-a, com toda a verdade do seu passado, mas com medo.

— Ele a aguarda em seus aposentados. Não se preocupe, basta seguir a trilha das cerejeiras, elas a levarão até o pavilhão dos Cosmos. 

A princesa se levantou, e fez uma mesura lenta, agradecendo a Hua Lin. Quando ergueu o queixo, uma expressão determinada apareceu em seu rosto. Sakura levantou as saias pesadas do vestido imperial negro e vermelho e saiu correndo do pavilhão, seguindo a trilha. 

Pétalas caiam sobre si, e o vento açoitava seus enormes cabelos rosas. Se via tão obstinada ao seu destino, que era impossível não se lembrar de que a pouco tempo atrás corria tanto quanto. 

Seus pés já estavam incomodados. Ao sentir uma leve dor em seus dedos, deu-se conta de que estava apenas de meias. Aquilo já não era tão importante. 

Quando avistou o palácio do príncipe, apertou o tecido do vestido com força, e só parou de correr quando encontrou a pilastra da entrada e se agarrou a ela, ofegante e hiperativa. Dentro de breves minutos, se acalmou e começou a subir os poucos degraus da nobre arquitetura. Antes que invadisse, suspirou. 

Já no cômodo, a luz era baixa, porém ela podia facilmente captar as velas acesas em um canto mais distante. A mobília tinha um tom elegante, mas não havia nada colorido, pelo contrário. Uma figura imponente, virada de costas, acendia uma dessas velas e espalhava o cheiro do incenso que parecia ser de jasmim sob uma escultura. Então quando terminou, colocou o palito no encaixe e se virou para a frente devagar. 

Sakura soltou as saias.

Seu peito subia e descia, com certa dificuldade. 

Era Sasuke ali, na sua frente. Com a mesma expressão severa, os lábios convidativos, e as roupas escuras. Não parecia real. 

Deu um passo para a frente. 

— Hua Lin disse tudo? — as palavras saíram da boca dele. A mesma voz da qual se lembrava, firme e grave. 

Sakura deu mais um passo. O coração quase explodindo.

— Não importa agora. 

Sasuke levantou as sobrancelhas. Deu o seu primeiro passo, esgotando a distância entre eles, e pegou uma mecha rosa entre os dedos. A tensão se elevou.

— Essa cor…

A respiração da princesa ficou veloz e pesada. Ela não se controlou. Levantou os braços e rodeou os ombros masculinos, deixando que algumas lágrimas escorressem pelo rosto. 

— Pensei que jamais o veria de novo.

Sasuke sentiu o corpo arder. Aquilo era o inferno. Não conseguia rodear a cintura dela. Não se sentia digno. 

— Ficou ainda mais linda, Sakura. Sinto muito. — sussurrou.

Eles dividiam um coração agora, e Sakura sabia muito bem pelo o quê ele se desculpava. Ela o soltou, e encarou os olhos tão negros. 

— Amo você. Amo você, e não importa o que aconteça. 

Ele finalmente pousou as mãos na cintura dela, o que já desejou ter feito milhares de vezes.

— Somos da mesma família. Isso vai contra as regras de nossos antepassados. 

— Mas me pediu em casamento. O meu cosmos me pediu. — ela disse, já quase aborrecida.

Sasuke fechou seus olhos melancólicos e encostou sua testa na dela.

— Não poderia deixar que continuasse lá. Nos casar é a única forma de livrá-la do Reino Sombrio. Terei que decepcionar os ancestrais não só por desejar casar com a minha própria prima, mas também por amá-la ardentemente.

Sakura ficou alegre com a declaração, e levou as mãos ao pescoço dele. 

— Se fizermos isso, farei todos os dias serem dias ensolarados.

Sasuke levou seu nariz aquilino e pontudo até os cabelos dela, e passou pelas bochechas até chegar a orelha pontuda.

— Como pode transbordar amor dessa forma, Sakura? Diz-se tão cruel quanto seu pai, mas agora que somos um só, vejo que conhece muito pouco de si mesma. 

— Não transbordo de amor. É apenas porque o amo. 

— Está enganada. Amou sua mãe mesmo não sabendo disso, odiou seu pai mesmo que inconscientemente, possui um laço eterno com Huanglong, um laço afetivo. Como percebeu que me amava?

Sakura o encarou.

— Minha mãe queria que eu encontrasse a felicidade. A felicidade que ela não teve. E quando conversava com você, Sasuke, me sentia a pessoa mais feliz do mundo. Sei disso agora. Sei que existem várias formas de amar. Sei o que significa ter um coração completo, e ter com quem dividir.

Dessa vez, Sasuke que deixou uma lágrima escapar. E não se deteve em puxar a cintura de Sakura com força e colar seus lábios nos dela. Era um beijo apaixonado, e cheio de significado. Sakura estava com os olhos arregalados, mas logo se entregou ao sabor quente e a sensação satisfatória. Ele lambeu o lábio inferior dela e penetrou-a com a língua. Amando-a.

A princesa espalmou as mãos no peito do noivo e se entregou à ternura. Nunca se sentira tão amada. Sasuke a segurava com um carinho absurdo. Ele queria tudo de si. E aquilo ultrapassava qualquer desejo físico. 

Sasuke levou as mãos ao redor do rosto dela e lhe deu mais alguns beijos, até parar e encarar os olhos verdes com profundidade. 

— Você é o meu coração e a minha alma. Preciso de você, meu amor. — ele disse. 

Então sorriram um para o outro, em uma promessa de fidelidade, e amor. Aquilo fora tão íntimo, que nada mais precisava ser dito.

Sasuke a ergueu em seus braços, e eles voltaram a se beijar. 













Notas Finais


Talvez, eu não tenha feito um final tão bom. Mas a verdade é que essa história não acaba aqui. Outros acontecimentos importantes precedem o casamento deles. Uma segunda guerra.
A narrativa nessa one, teve a forma parecida com a de um conto, portanto, não me aprofundei, nem coloquei tanta intensidade, já que, queria apenas passar a história de um jeitinho geral.
Sinto muito mesmo se não está suficientemente bom esse final, céus, queria ter contato tudo com uma abordagem mais apreciativa, mas estava cheia de vontade de postar logo, e agraciar a Jeh, [Explo], com um presente.
Obrigada por ler, e se por acaso gostar da história, (não necessariamente da maneira que ela foi contada), me deixe um recado nos coment's!


𝗣𝗔𝗦𝗧𝗔 𝗖𝗢𝗦𝗠𝗢𝗦

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𝗣𝗟𝗔𝗬𝗟𝗜𝗦𝗧 𝗖𝗢𝗦𝗠𝗢𝗦

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