História O Corvo. - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Tags Escravidão, Poderes, Revolução, Sobrenatural, Suícidio, Tragedia
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 4 - Irmãos e Esposas.


Deimos acordou de um sono sem sonhos, ou pesadelos, numa cama de hospital ainda no escuro. Ele lembrava, aos poucos, o dia de ontem - ou talvez seja hoje ainda? . O homem magro se sentou na cama, esfregando a cabeça e olhando para a janela, ainda estava escuro lá fora, talvez não tivesse se passado muito tempo. Ele percebeu o vazio na cama onde estava e percebeu que Alana não estava lá. Ela havia deixado a porta entreaberta ao sair, o fazendo ter a curiosidade de explorar o que estava do outro lado.

Incentivado pela fome e tédio, Deimos se levantou e tocou os pés nus no chão ladrilhado. Ele não conseguiu impedir o arrepio de lhe subir a espinha quando percebeu o quão frio estava aquele chão. Aguentando o frio, ele andou, silenciosamente graças a seus dias de ladinagem, porta afora. Lá, como havia presumido, havia um corredor curto, com portas de madeira a sua frente, contando com o seu quarto, Deimos contou cinco portas. O corredor era iluminado por tochas acesas e pregadas às paredes e tinha cor bege, com uma textura asperosa. Atrás de si, Deimos encontrou um quadro pendurado na parede. Bem detalhado, o quadro mostrava dois homens segurando lanças com panos pendurados, um vermelho e o outro amarelo. Também dessas cores eram os capacetes dos homens. Os elmos lembravam muito aqueles que os espartanos usavam nas guerras, com crinas e feitos de cobre. Eles usavam uma armadura de batalha, também espartana, com capas das cores que eles usavam nas lanças. Uma sensação de dejavú passou rapidamente por Deimos. Ele balançou a cabeça, deu as costas e continuou a andar na direção oposta daquele quadro estranho. Quase chegando no fim do corredor, ele começou a ouvir sussurros vindos da próxima sala. Se abaixou e escutou com atenção:

- Ele não é confiável, Alana. Não mais. - disse uma voz masculina e forte. A voz era grossa, ríspida e forte, assim como, Deimos presumiu, deve ser o dono dela.

- Ele ainda é o meu.. o nosso Deimos. Entenda isso logo de uma vez, nós precisamos dele! - a voz pertencia claramente a Alana, ela sussurrava.

- Não, ele não é! - o homem estava sussurrando também, mas perdia a paciência. Ele suspirou e tentou se acalmar. - Alana, entenda, aquele homem não é mais seu marido. Caramba, Alana, ele te esfaque...

- Foi um acidente! - interrompeu Alana.

- Não importa! - o homem exclamou. - Ele não é mais o Deimos, é só mais um da Escória! Ele não é mais o Corvo! - ele suspirou e um barulho de.. tecidos? se movendo foi ouvido, assim como o barulho distinto de alguém se deixando cair em uma cadeira. - Acredite, Alana.. eu quero que ele seja, quero muito. Você sabe o quanto ele significa para mim.. mas..

- "Mas" nada, Phobos. - o nome do homem era Phobos, era a ele que Alana se referia antes. - Deixe de ser pessimista. Ele ainda está lá dentro.. sei que está. Ele me salvou, Phobos, sem motivo algum. Ele pode voltar a ser quem era antes. Tenha esperança.

- Terei, Alana. Terei. - Phobos parecia derrotado, triste.

A conversa parecia ter acabado e Deimos resolveu sair de seu esconderijo, entrando na sala bem iluminada. A sala tinha bancos e mesas de piquenique enfileiradas em dois conjuntos, totalizando seis mesas e doze bancos de madeira. A sala era ampla e em frente ao corredor de onde Deimos havia saído, uma escada levava ao andar de cima, pendurado no teto um candelabro balançava gentilmente, fazendo movimentos circulares. Na parede oposta a do corredor, havia uma passagem para outra sala e um balcão dividindo as salas. E ao lado da passagem, outro corredor existia. Sentados no último conjunto de mesa e bancos, na fileira da direita, estavam Alana e quem Deimos agora sabia ser Phobos.

Phobos era um homem grande, não maior que Deimos, mas por ser muito mais musculoso e largo aparentava ser um gigante perto de uma criança. Ele usava um sobretudo preto, sem muitos detalhes e calças grossas também pretas. Penduradas pela roupa dele haviam dezenas de facas, frascos de vidro contendo líquidos multicoloridos e potes pequenos, de remédios, Deimos supunha. As feições brutas e duras de Phobos combinavam bem com sua voz ríspida e grossa, assim como as cicatrizes em sua face e os olhos grandes, amarelos, e sagazes, como um falcão. O que não combinavam com Phobos eram seus lábios carnudos e o nariz fino e levemente arrebitado e, é claro, o seu cabelo amarelo vibrante com as pontas vermelhas. Mesmo com o cabelo vibrante, Phobos ainda parecia ser um homem sério e cético. Ele também carregava algo nas costas, que se mexia levemente, Deimos não conseguia identificar bem o que era, só conseguia ver que era de um marrom escuro e se mexia. Ao lado de Phobos, se encontrava uma lança de lâmina larga apoiada na mesa. Ela tinha um tecido escuro e poido de cor amarela amarrado perto de sua lâmina. A haste da lança era marrom escura e feita de metal, com um final contundente e de formato quadrado, provavelmente feita para quebrar ossos. Escrita em sua lâmina se encontrava a palavra "Medo" gravada em letras pequenas e com aparência rúnica.

- Ah, Deimos, olá. - Alana olhou rapidamente para Phobos e, como quem pede desculpas, deu de ombros. - Você está com fome? - Deimos assentiu sem sair do lugar. - Então venha, coma um pouco.

Ela lhe estendeu as mãos o convidando para se sentar à mesa, quando viu que ele começava a andar, desconfiado, em direção a mesa, ela deu as costas e se encaminhou para a sala depois do balcão. Enquanto andava, Deimos tentou bisbilhotar o que estava grudado às costas de Phobos, mas o homem se virou para encará-lo, o impedindo de saciar sua curiosidade.

- Você se lembra de quem eu sou? - Phobos começou, quase que com receio.

- Você é o cara da pintura lá atrás, estou certo? Você era meu líder? - Deimos respondeu, jogando o polegar sob o ombro para apontar o corredor por onde tinha vindo.

- Líder? Eu? - Phobos riu. - Não, eu nunca seria seu líder mesmo se eu quisesse. - ele encarou Deimos como quem está decepcionado e disse, pigarreando: - Bem.. valeu a pena tentar. - encarou Alana, que voltava com uma tigela com um conteúdo fumegante - Terei esperança e paciência, Alana, mas vocês terão só uma chance. Boa noite.

Se virando para ir embora, Phobos deu as costas ao casal e Deimos se espantou de ver o que se mexia nas costas do homem ranzinza: seis asas cor de lama estavam grudadas e fechadas sob as costas de Phobos. Enquanto andava, provavelmente percebendo que Deimos observava, Phobos fez questão de espanar as asas, abrindo-as rapidamente e mostrando que elas pareciam asas de falcão, com dois metros de comprimento o maior par de asas e o menor sendo de um metro. Phobos recolheu suas asas e subiu as escadas lentamente, sabendo ter deixado impressionado o seu antigo parceiro de batalha.

- Ele deixou a lança aqui. - disse Alana, olhando para a lança apoiada na mesa. Deimos conseguia sentir o cheiro do conteúdo da tigela agora e isso fazia seu estômago roncar. Ela depositou a tigela em cima da mesa e Deimos e segurou para não começar a comer sem a permissão dela.

- Quer que eu o alcance e devolva a lança..? - ele perguntou, o estômago roncando. Na realidade foi uma pergunta retórica, ele só queria comer.

- Não, não, tudo bem. - ela afastou a pergunta dele com um gesto da mão. Deimos suspirou, agradecido. Sem tirar os olhos da lança, ela deu a volta na mesa e a pegou, testando seu equilíbrio e peso enquanto a segurava. - Ele nunca faz nada por acaso, ou por acidente. Se deixou aqui, é por que quer mandar uma mensagem com isso.

- A vida dele deve ser chata. - Deimos fez um muxoxo. - Sempre ter que se preocupar em fazer coisas que sejam marcantes e os cacetes, deve ser entediante.

Alana riu, colocando a lança na mesa de novo. Deimos tentou impedir um sorriso, mas não conseguiu. Mesmo com a fome, ele gostava de vê-la rir, essa mulher que ele mal conhecia. O sorriso dela era algo lindo, contagiante. Ele ficava feliz em fazê-la feliz, só não sabia o porquê disso.

- Ah, a vida de Phobos não é chata, é só.. preocupante. Ele se preocupa demais, com tudo. - Alana ficou séria de repente e o encarou. - Você realmente não sabe quem ele é?

Deimos mordeu o interior da bochecha. A pintura, as asas, o jeito que Phobos o olhou, com decepção por ele não se lembrar de quem ele era..

- Phobos é meu irmão, não é?

- Ele é, Deimos.. mas você deduziu isso, certo?

- Sim, eu vi uma pintura dele, as asas.. meio que deixou na cara. - Deimos deu de ombros.

- É incrível. - Alana suspirou enquanto caminhava para a frente do homem alto, o encarando a poucos centímetros de seu rosto. - É incrível como você consegue ser tão diferente da pessoa que eu amei.. mas.. - Alana divagava, ela levantou sua mão, quase tocando o rosto de Deimos. - tão.. igual.. - a mão dela agora tocava o rosto dele, deixando-o desconfortável, e seu polegar estava sob os lábios dele, brincando com a cicatriz que ali se encontrava. Os olhos dela, sua mente, se encontravam no passado, Alana visitava suas memórias, não estava no presente.

O estômago de Deimos roncou e ele se sentiu forçado a parar com aquela visita ao passado de sua ex-esposa. Ele agarrou firmemente o braço dela e o afastou de seu rosto e observou enquanto os olhos dela voltavam a entrar em foco e ela endireitava a postura. Ela pigarreou.

- Desculpe, eu.. não sei o que houve. - pigarreou novamente. - Enfim, você disse que estava com fome, sente-se, por favor. Gosta de ensopado de carne e legumes? - ela disse, sorrindo.

- O que.. é isso? - ele estava envergonhado, tinha o sentimento de que todos deveriam saber o que era isso. Tinha um cheiro bom e ele ainda não tinha visto o conteúdo em si, então não sabia se parecia bom também.

- Você não se lembra nem disso..? Ok, isso precisa mudar, sente-se, eu vou buscar uma colher. - Alana apontou o banco para Deimos se sentar. Ela deu-lhe as costas novamente e fez seu caminho para a sala que, agora Deimos tinha certeza, era a cozinha. Ela parecia feliz, andava com leveza e parecia cantarolar alguma coisa, baixinho. Ela parecia.. rebolar? Deimos olhava a cintura dela se mexendo ritmicamente enquanto ela andava e seria mentira se ele dissesse que não teve a vontade de tocá-la naquele momento. Abracá-la, tocar suas coxas, seus seios, beijá-la.. Deimos percebeu tarde demais que a sensação de calor em sua barriga se espalhava para a sua virilha, fazendo-o se excitar cada vez mais. Envergonhado, ele cobriu o volume crescendo em sua virilha com as mãos e fechou, com força, as pernas, tentando disfarçar a ereção. Numa tentativa vã de se acalmar, Deimos começou a observar o, assim chamado, ensopado a sua frente. Ele estava claramente muito quente, devido ao calor e vapor que ele emanava. Consistia de uma tigela de cerâmica rústica cheia de um caldo escuro e com pedaços de carne, cenoura, batata, e outros ingredientes que Deimos não conhecia. Parecia uma comida caseira, o tipo de comida que uma mãe faz para sua família em uma noite fria. Que uma esposa faz para seu marido..

Alana voltou, ainda rebolando, Deimos reparou enquanto suspirava e apertava mais ainda as pernas, com a colher segundos depois. Ela lhe entregou e ele não esperou sua permissão para afundar a colher no caldo quente. Ele a encheu e levou a boca, sugando dela o líquido e queimando a língua no processo, claro que sua fome era tanta que ele não se importou com isso. O sabor era maravilhoso, tinha um gosto salgado, de carne e ervas, mas também dava para sentir o sabor um pouco mais amargo dos legumes no fundo se ele prestasse atenção. Ele se apaixonou pela refeição rapidamente e não demorou muito para que se cansasse de repetir o processo de se alimentar usando a colher e pegar a tigela e beber o caldo direto da beirada, mastigando com vontade os pedaços de legumes e carne que vinham junto. Deimos teve a sensação de que estava morto e a Morte se confundiu ao ceifá-lo, mandando-o para o Céu, sem querer. Ele acabou babando e derramando um pouco do caldo em suas roupas, molhando e queimando por onde o líquido escorreu. Ele também não se importou com isso. Quando terminou, nem percebeu o quanto ainda estava com fome, e também não percebeu que Alana tinha trazido mais duas vasilhas com mais ensopado enquanto ele tomava a primeira. Ele só percebeu mais vasilhas cheias ali e bebeu-as também. Tentando fazer menos sujeira dessa vez, ele tinha visto Alana sentada do outro lado da mesa o observando com a cabeça apoiada em uma das mãos, sorrindo maternalmente. Ela se divertia? Se enojava? Quem sabe? Deimos só sabia que devia muito a essa mulher divina; ele não se sentia bem assim desde.. desde sempre, na verdade.

Quando terminou, Deimos balbuciou agradecimentos, fazendo o melhor para se limpar. Alana ria levemente de seus movimentos atrapalhados. Ele sorriu para ela. Um sorriso sincero, grato e raro. Deimos não percebeu que tinha tomado seis tigelas cheias de ensopado.

- Você fez a mesma coisa quando eu cozinhei isso pra você pela primeira vez, sabia? Exatamente a mesma coisa. - Alana riu docemente. - Você ainda é meu Deimos. - ela não se corrigiu dessa vez. Deimos percebeu, mas também não corrigiu. Ambos sorriram por um momento que não parecia terminar.

Quando sentiu suas bochechas ficarem quentes, Deimos virou o rosto rapidamente, quebrando seja lá o que tinha nos olhos dos dois há momentos antes. Fingindo desinteresse, ele limpou o rosto usando as costas da mão e se perguntou se haveria roupas limpas por aqui em algum lugar. Como que lendo a mente dele, Alana ofereceu uma camisa simples de algodão, assim como uma toalha para ele se limpar melhor. Um pouco envergonhado, ele aceitou os dois. Terminou de limpar o rosto, mãos e pescoço com a toalha e, sem se importar com a presença de Alana, trocou de camisa ali mesmo, atraindo um olhar de surpresa da mulher.

- Perdeu a timidez, é? - ela brincou, apontando o peito nu de Deimos.

- Eu não estava tímido ali no beco. Era auto-preservação. Eu não te conhecia, quem sabe o que você faria comigo. - ele fez um muxoxo e olhou para ela, terminando de vestir a camisa - Pra falar a verdade, ainda não te conheço.

- Mas tirou a camisa na minha frente.

- É, tirei.

- Deimos, eu queria te falar sobre nós.. - Alana sentou-se ao lado do homem franzino, mas não sustentou o olhar dele, ela olhava para suas mãos e o torso magro de seu antigo marido. Chega a ser aterrorizante pensar no quanto eles terão que trabalhar no corpo de Deimos, para fazê-lo voltar a ter a força de antes. - Eu.. Deimos, você entende que éramos um casal antes, não? - ela desviou o olhar de suas mãos para sustentar o olhar de Deimos. Suspirou antes de voltar a falar - Você.. entende que éramos uma família e que nos amávamos? - ela estendeu sua mão, tocando na dele. Ele não afastou a mão. - Você acha que... - ela se interrompeu, soltou a mão dele, endireitou o corpo. - Ah, olá, Marli, dormiu bem?

Acompanhando o olhar de Alana, Deimos observou enquanto, atrás dele, descendo pelas escadas, vinha uma mulher baixa, magra e de cabelos negros e curtos. Ela tinha ombros finos, apesar dos aparentes músculos por baixo da camisa fina de algodão. Ela não usava calça, somente um shorts que deixava a mostra as pernas bem torneadas. Descalça, ela traçou seu caminho para a cozinha, voltando com uma tigela fumegante e contendo, Deimos apostava, ensopado. Sentou-se a mesa de Deimos e cumprimentou Alana com um gesto de cabeça.

Ela era bonita, a tal Marli. De um jeito meio rústico, claro, afinal ela tinha olhos fundos, assim como olheiras. Seus lábios eram finos e duros e seu nariz era simples e reto, quase masculino. Também masculino era seu corte de cabelo, curto e preto, simples. Ela dava a impressão de ser uma pessoa amarga, não importava o dia ou hora. Mas foi quando ela abriu a boca que Deimos deixou a primeira impressão dela morrer.

- Quem é o novato, chefe? - Marli perguntou para Alana, apontando Deimos com o queixo. Sua voz era doce e gentil, não tinha a amargura que Deimos achava que teria. Ela o observava forçando a vista, talvez não conseguisse o ver direito.

- Marli, coloque seu óculos. - Alana suspirou enquanto cobria o rosto com a mão, claramente constrangida.

A mulher baixa obedeceu e, confirmando a teoria de Deimos, tirou um par de óculos de suas costas, talvez de um bolso traseiro, e o limpando com a camisa antes de colocá-los em seu rosto. Os óculos tinham hastes prateadas e lentes circulares, combinavam bem com o rosto formato de coração de Marli. Ela piscou duas vezes e então enxergou quem era do outro lado da mesa, reconhecendo imediatamente e se levantando em um pulo.

- É.. é ele? - gaguejou para Alana. A chefe de Marli apenas acenou que sim com a cabeça. - Deimos.. é você mesmo?

As duas mulheres olharam para Deimos, ele não sabia o que dizer. O que o seu eu antigo faria? Talvez ele fizesse uma brincadeira e dissesse que não, talvez ele só respondesse, simplesmente, que sim. Mas não era simples ser essa pessoa que eles precisavam. Deimos concordou, sim, em treinar e ajudar essa resistência, mas ele não sabia, até agora, que muito desse treinamento seria também social. Afinal, ele não tinha habilidades sociais nenhumas, porém, precisará ser um líder de agora em diante. Tendo que fazer com que as pessoas o sigam, confiem nele. Ele está em uma encruzilhada, por assim dizer. Precisa inspirar, mas sem ser arrogante. Precisa comandar, mas sem ser severo. Precisa ser um amigo, mas sem ser exagerado. E ele nem sabia por onde começar.

Por que, fato é, Deimos não sabia cuidar de si mesmo, quem dirá de outras pessoas. Ele comia coisas horríveis por que seu estômago roncava, matava e roubava por que precisava comer, e acordava de manhã por não ter mais o que fazer. Ele não gostava disso, mas não tinha escolha. Agora ele tem. Ele olhou para suas cicatrizes. Sim, agora ele tem uma escolha.

Deimos olhou bem para Marli, a mulher baixa que o olhava com tanta admiração. Talvez ela fosse uma de suas melhores amigas no passado, talvez não. Mas agora, no presente, ele poderia escolher o que queria que ela fosse. Marli, o grandão do Phobos, Alana e quaisquer outras pessoas que façam parte dessa resistência. Todos eles entraram na vida dele agora e ele precisará cuidar de cada uma individualmente. Ele olhou para suas cicatrizes de novo. Todos eles serão seus amigos e o verão como o líder que um dia ele foi. A começar por Marli.

- Serei. - Deimos disse sorrindo. - Não sou a pessoa que um dia eu fui, mas me esforçarei para ser melhor do que eu era. - ele estendeu a mão para ela, num gesto de cumprimento. - Bom te conhecer, Marli. De novo. - Marli estendeu a mão e o cumprimentou, balançando vigorosamente a mão machucada e calejada do futuro e antigo líder. Deimos fingiu não ver o sorriso se espalhando pelo rosto de Alana, fingiu não ver também o sorriso morrendo quando o aperto de mão durou alguns segundos a mais do que deveria. Ela será um caso mais difícil, ela quer que ele seja o homem que ela amava, mas ele não sabe se pode ser. Não sabe como ser.

- Bem, esse dia está sendo ótimo para você conhecer as pessoas por aqui, não é mesmo? - Alana exclamou enquanto esfregava as mãos - Vamos aproveitar que você ainda tem um pouco de energia e vamos treinar um pouco, Deimos?

- Treinar, Alana? Você acha essa uma boa ideia? - Marli perguntou soltando da mão de Deimos.

- Sim, por que não seria? - Alana olhou para as tigelas em cima da mesa. - Ah. Bem, hummm.. - ela abaixou os ombros - Saco.. - Marli riu um pouquinho, ela parecia se divertir com o desespero repentino de Alana. O silêncio voltou a se manifestar pelo cômodo. Sendo quebrado somente pelos risinhos entre colheradas de Marli. Ela parecia ter percebido algo e achava aquilo divertido. Alana estava inquieta. 

- Bem, chefe, não fica assim, já tô indo embora. - Marli sorriu enquanto estendia as mãos em sinal de paz.  Ela se levantou e levou sua tigela, agora vazia, para a cozinha. Deimos reparava o quanto as duas mulheres eram diferentes, além da óbvia aparência. Alana andava rebolando, porém lentamente, quase como se estivesse com uma insegurança de que o chão debaixo dela cederia se ela pisasse forte demais. Marli era seu oposto. Ela pisava com certeza e força, quase que em uma marcha, uma forma de andar que Deimos só viu em uma outra pessoa até agora. Na de seu irmão alado, Phobos. Talvez eles sejam relativos? Deimos observou as costas desprovidas de asas e os cabelos negros, tentando adivinhar se seria assim tão difícil os dois serem parentes. Talvez fossem só próximos. Marli voltou depois de alguns minutos, espanando suas roupas. - Bem, já vou indo - Alana abriu a boca para dizer algo, mas Marli a interrompeu estendo novamente as mãos - Não, não, tá tudo bem. Eu tô com sono mesmo. Só acordei para comer. Além do mais, você sabe como o meu Phobos é carente. - ela riu como se tivesse contado uma piada muito engraçada. Ninguém mais estava rindo. Mas essa frase serviu como confirmação para Deimos de que ambos eram, sim, relacionados. Ele estava olhando para sua cunhada. 

Acenando para o casal, Marli foi embora tão rapidamente como apareceu. Só depois que os sons de seus passos sumiram que Deimos percebeu não ter desejado uma boa noite para ela ou se despedido de qualquer forma. Anotou isso mentalmente, a ser mais atencioso com as pessoas, ele precisaria ser. Isso é o que pessoas normais fazem.

- Ela é sua cunhada. - Alana explicou. - Mas você já deve ter percebido isso. - Deimos confirmou com a cabeça, provocando uma risada da mulher morena. Deimos percebeu como os cabelos dela balançavam quando ela ria. - Sempre o observador, você. - Alana suspirou, apoiando as mãos em sua cintura, deu outra risada e acenando para Deimos vir com ela, começou a andar para o corredor de onde ele tinha vindo. - Vem, vou te mostrar o lugar. - Deimos a acompanhou, tomando cuidado para não ir de encontro com ela quando ela parou repentinamente na entrada do corredor. - Essa aqui é a enfermaria. - ela apontou o corredor e as três portas. - Você vai ficar aqui por um tempo, os outros dois quartos estão vagos. 

Ela voltou a andar, apontando para os lugares conforme andava, explicou que onde estavam era obviamente o refeitório e que esse lugar geralmente é o segundo mais populado da "base". Apontou também a sala branca e aberta no fundo do refeitório como a cozinha, confirmando outra teoria de Deimos. Ele confirmou com a cabeça. Apontando para o corredor do lado da cozinha Alana explicou que era ali onde ficava os artigos de limpeza como vassouras, rodos, esfregões, baldes, etc, "Como toda boa casa deve ter", segundo ela. Deimos percebeu que ela não usou o termo 'base' dessa vez. Anotou isso mentalmente. Percebeu como estava fazendo várias notas mentais mas não estava perguntando nenhuma delas para Alana, somente deixando ela tagarelar, como se gostasse de ouvi-la falar. Anotou isso também. 

- Ah! Espera aqui. - Alana exclamou quando chegou ao começo das escadas. Ela correu para a mesa onde os dois estavam e arrumou as tigelas, empilhando-as e deixando em fileiras, provavelmente para limpar depois. Agarrou a lança de Phobos e voltou fazendo uma corridinha para onde Deimos a esperava, observando-a. Deimos percebeu que os seios dela chegavam a dar "pulinhos" quando ela corria. Ele chacoalhou a cabeça para evitar pensar no assunto. - Pronto, podemos ir. - ela estendeu a mão esquerda por um momento, como se o convidasse a ficar de mãos dadas com ela, mas baixou um momento depois. Deimos fingiu não ver e disfarçou o fato de ter levantado a mão também. 

Sem dar as mãos, ambos começaram a subir as escadas de pedra. Tochas acesas pendiam das paredes, iluminando o lugar. Exceto por isso, as escadas não tinham nada de decorativo mas ainda assim, Deimos sentiu-se subindo as escadas de uma casa, não de um edifício qualquer. Chegando ao fim das escadas, o casal se deparou com uma sala mais ampla ainda, com piso de madeira polida, e pilares segurando um mezanino de madeira que separava o lugar em dois. Nos corredores do mezanino, era possível ver várias portas, escondendo quartos atrás de si, provavelmente. No centro da sala, ficavam três cadeiras altas, com a mais alta ficando no meio, e uma pequena a frente do trio. Rodeando as cadeiras, ficavam vários bancos de madeira. Deimos nunca tinha visto um tribunal ou qualquer outra coisa parecida, mas reconheceu rapidamente que era ali que as pessoas culpadas de algo seriam julgadas. Na parede a frente de Deimos ficavam um conjunto de escadas, levando ao mezanino e paralelo a esse conjunto, outro grupo de degraus se estendiam, também, para o mezanino. Debaixo do mesmo, dois corredores levavam aos fundos do lugar. As escadas de onde Deimos e Alana haviam surgido era perto de outro corredor que ficava de frente para o centro do lugar, ficando de frente para as cadeiras altas, porém, duas portas grandes e pesadas de madeira fechavam bem o corredor. Todo o lugar estava iluminado por tochas pendendo das paredes, do mezanino, dos pilares que o seguravam. Escudos de madeira circulares decoravam as paredes da sala e do mezanino pendiam três grandes estandartes. O da direita era verde, o esquerdo era azul e vermelho era o do meio. Nos três era possível ver o mesmo símbolo na parte de cima; uma lança alada atravessando um olho com uma pupila de sol. O símbolo do Império sendo atravessado pela lança de Phobos. Na parte inferior dos estandartes, traços e desenhos decoravam o tecido. Dessa distância não era possível ver, mas Deimos apostava que os desenhos eram da história do grupo e de batalhas que eles tiveram até agora. 

- Tá vendo as portas? - Alana apontou as gigantes portas de madeira - Aquelas são as portas de entrada e saída. Existem outras saídas, escondidas, mas somente o Phobos, eu e você sabemos onde ficam.. bem, você não sabe mais.. então só eu e o Phobos por enquanto. Nós três que construímos esse lugar, você fez a maior parte, claro. - Deimos deve ter parecido surpreso, pois Alana soltou um risinho materno e disse: - Sim, é sério, não estou te elogiando a toa. Eu não faço isso... só as vezes. - pigarreou. - Enfim, tá vendo o mezanino? É ali que as pessoas de alto escalão dormem, nosso quarto era ali - apontou para uma das portas de frente para a entrada do lugar. - O quarto do Phobos e da Marli é o do lado. Claro que não durmo mais lá. - isso atraiu um olhar preocupado de Deimos, ao que Alana deu de ombros e respondeu: - Não é a mesma coisa sem você. 

- Onde as pessoas de baixo escalão dormem? - Deimos perguntou, dando, finalmente, voz a uma de suas várias notas mentais. 

- Perto da sala de treino, por ali. - apontou os corredores levando aos fundos. - Elas dormem em dormitórios juntos, com beliches e baús. Sei que pode parecer uma coisa meio.. Iluminada.. de se fazer, separar o baixo e o alto escalão, dando o "pior" para os menos privilegiados, mas acredite, eles estão tão confortáveis em suas beliches como nós em nossos quartos. Além do mais, é o completo oposto, nós é que estamos mais vulneráveis, não eles. Se a base fosse atacada, seríamos os primeiros a morrer, pois estamos na frente dos nossos soldados. Nós, os generais, comandantes e as pessoas mais poderosas. Nós é que morreríamos para dar um pouquinho mais de tempo para as massas. 

- O forte protege o fraco. - Deimos concluiu. Alana olhou, surpresa, para o homem ao seu lado. 

- Sim. - disse sorrindo. - Exatamente. "O privilegiado deve proteger o fraco, como deveria ser na vida e na morte." Você que disse isso. 

- Eu que projetei o lugar para ser assim, também? 

- Nah, isso foi o Phobos. - ela abanou a mão que não segurava a lança. - Você odiava esse estilo, dizia que não era melhor que os Iluminados e seus muros brancos, apesar de ter dito a frase que te falei e tal. Era legal ver as discussões de vocês dois, você xingava ele de Iluminado, ele ficava puto e usava sua frase contra você e aí vocês dois saíam na mão e eu tinha que separar. - ela riu, saudosa. - Era divertido a beça.

Continuando a andar, Alana fez seu caminho para os corredores levando aos fundos. Passando por quadros e tochas, eles chegaram a sala de treino. Era uma sala do tamanho do refeitório, o chão também era de madeira com a diferença de ter tatames espalhados pelo chão e fileiras e mais fileiras de armas brancas em prateleiras metálicas, penduradas nas paredes, em cima de mesas no fundo da sala, por todo o lugar. Espadas, maças, lanças, forcados, alabardas, rapieiras, sabres, machados, porretes, todo tipo de arma branca, de todos os tamanhos e gostos. 

- Essa é a sala de treino. - Alana apresentou de braços abertos. - É aqui que você provavelmente vai passar a maioria do seu tempo de agora em diante. - indicou o fundo da sala com as mesas e armários metálicos. - Ali ficam as roupas de batalha, uniformes, etc. Também é nesses armários que guardamos os bonecos de treino e até coisas como facas de arremesso, bombas-relógio e coisas assim, então toma cuidado. - ela entonou uma voz um pouco mais nasalada e brincalhona e disse: - Os corredores a sua direita e a sua esquerda dão para os dormitórios de nossos colegas soldados, mas por favor não vá lá agora para não acordar o pessoal. E se você olhar bem a sua frente, depois dos tatames, você verá uma grande mesa redond.. - começou a tossir, parou, riu um pouco - Me diz, como você conseguia fazer essa voz? Caramba.. é difícil. Nunca mais tento imitar um guia. - ela suspirou e deu um sorriso sincero para a cara de preocupação do seu acompanhante de poucas palavras. - Relaxa, eu tô bem. Enfim, aquela mesa redonda ali é a nossa mesa de guerra, é geralmente ali que discutimos planos e afins. E no teto tem uma claraboia, mas não dá para ver por que tá de noite. 

Ela começou a andar para os tatames, tirando os sapatos antes de pisar nos mesmos. Cuidadosamente, ela passou tudo de uma das mesas para outra e arrastou a mesa vazia para perto dos tatames, ali ela depositou a lança que carregava. Deimos não havia percebido, mas o cabo da lança parecia feito de ossos. Ele a tocou, acariciando o material, sentindo os riscos, danos e relevos. Depressões e "machucados". 

- Essa lança.. qual é o nome dela? - Deimos perguntou, ainda acariciando a arma. 

- O nome dela é Medo, ela é de Phobos, mas você já a usou algumas vezes. - Alana respondeu do outro lado da sala, ela mexia em um dos armários, tirando pedaços do que parecia ser um boneco de madeira em tamanho real. 

- Eu tinha uma, não é? - Deimos perguntou, provocando um olhar curioso da mulher. 

- Sim, você tinha. Era a Terror. Ela foi feita ao mesmo tempo que a Medo, elas são gêmeas, por assim dizer. - Alana explicou enquanto trazia os pedaços do boneco e o montava, revelando um boneco feio, sem rosto e de múltiplos braços. - Ela foi feita por um ferreiro experiente.. Bert, acho que era o nome dele. Coitado. - Alana suspirou. De pesar, não de cansaço, ela não parecia nem um pouco cansada por carregar o boneco. 

- O que houve com ele?

- Ah, ele sumiu, um pouco depois de você desaparecer. Disse que ia atrás de uma pista do seu paradeiro e nunca mais voltou. Nunca o encontramos. 

- Mas você me encontrou. 

- Sim, encontrei. - Alana confirmou enquanto terminava de montar o boneco. 

Deimos anotou isso mentalmente, não era hora de perguntar sobre o próprio sumiço. Pensando nisso, ele preferiu trocar de assunto e perguntar algo que lhe atormentava desde que acordou na enfermaria:

- Como você sobreviveu..? - ele perguntou cautelosamente. 

Alana olhou para ele. Ela era linda, era impossível não ficar desconcertado perto da presença dela. Seus cabelos caíam lentamente pelos ombros conforme ela se levantava e tocava com a mão o ferimento na barriga. Pensar que Deimos já foi casado, principalmente com alguém tão lindo, era ainda algo difícil de se entender. Não era como se ele já tivesse desejado pensar nisso, na verdade, ele nunca pensou em alguém de outra forma além de "um outro coitado como eu", mas agora ele não só pensava nisso como também já tinha alguém assim. E ela é linda. Mas não é só isso que o atraía nela. Era o jeito, o sorriso, a forma de andar, de falar. O pouco que ele conhecia dela já era o suficiente para querer vê-la bem e pensar que ele a esfaqueou era algo pelo qual ele não conseguia se perdoar. 

- Eu sou forte - Alana deu de ombros. 

- Ok, então, se não quer me falar, tudo bem. - Deimos deixou os ombros caírem, decepcionado. 

- Não, não, é sério. Eu sou forte, tipo.. - Alana pegou o boneco de madeira pela base e o levantou sem fazer esforço algum. Deimos não tinha nenhuma ideia de qual era o peso daquilo, mas ele sabia bem que uma pessoa não o levantaria assim tão fácil sem fazer esforço. - Eu sou forte. Você tinha suas asas e sua velocidade, eu tenho a minha força, oras. - ela colocou o boneco no chão e o baque surdo que ele fez ao encontrar com o chão de madeira confirmou que era, sim, pesado. - Sério que você não percebeu que eu sou mais forte do que pareço até agora? 

- Espera.. velocidade? - Deimos perguntou. 

- Sim, você era.. rápido. 

- Rápido?

- Sim

- Quão rápido?

- Hummmm. - Alana assumiu um rosto pensativo. - Inimaginavelmente rápido, Deimos. Lembra que eu disse que você construiu a maior parte desse lugar? Foi com isso. Pudemos terminar esse lugar em dois dias, coisa que, normalmente, demoraria meses. E só demoramos dois dias por que uma das partes tinha desmoronado. - Deimos piscou para ela, preocupado. - Ah, relaxa, consertamos essa falha. Era a primeira vez que tentávamos construir algo, ok? Seja como for, você é que fez a maior parte e, quando eu digo isso, quero dizer que você construiu praticamente tudo. - ela se aproximou dele. - Você acabou com exércitos usando essa velocidade. Ninguém nunca te via, você não deixava nem sombra, nem barulho, nem mesmo vento você fazia quando corria. 

- Como assim? - Deimos estava confuso. 

- Você tinha uma barreira em volta de si, quando corria. Era ela que te permitia não pegar fogo ou, pior, tocar fogo por onde passava quando corria. Um dos efeitos colaterais disso era que você não fazia vento ao correr.. - Alana fez um muxoxo e concluiu: - Pelo menos, foi o que você me disse. 

- Espera.. é por isso que eu era tão poderoso? - Deimos deu uma risada nervosa. - Por que eu era rápido?

Alana fez uma cara cômica. Era como se Deimos tivesse lhe dito que o céu era verde e tivesse virado uma galinha no processo, ou seja, o rosto de alguém que acaba de ouvir uma estupidez incomensurável. 

- Você não era só rápido, seu imbecil. - ela disse, ofendida. - Você era mais rápido que a luz, segundo o que diziam. Você era capaz de desfazer a pistola de um atirador antes mesmo de ele pensar em atirar em você. Você acabou com um exército inteiro sem derrubar sequer um gota de sangue. - ela deu um tapa na testa de Deimos. - Sabe como, seu imbecil? Você prendeu um por um e os trouxe aqui, com algemas e amordaçados e tudo isso em metade de um piscar de olhos. Você não era só rápido, você era o maldito Corvo. O destruidor e os caralhos. Um estrategista da porra, poderoso, ágil e.. e.. - ela gaguejou. Alana parecia sem palavras para descrever o antigo marido se por raiva ou admiração, Deimos não sabia. 

- Mas ainda assim, eu perdi. - Deimos olhou para a mulher em sua frente. Ela assumiu um rosto sério, entendeu o que ele quis dizer. Ele não duvidava de seus poderes, duvidava de si mesmo, duvidava se poderia voltar a ser quem era. - Eu era tão poderoso, mas ainda assim perdi. 

- Você perdeu por minha culpa. Isso não tem nada a ver com o quão poderoso você era ou deixa de ser. - Alana gaguejou enquanto seus olhos enchiam de lágrimas. 

- Como? - Deimos perguntou, essa era outra de suas notas mentais. Ele precisava saber como perdeu se quisesse vencer dessa vez. Precisava saber onde errou para poder aprender com o passado e deixá-lo guiar para um presente sem derrotas ou lágrimas.. ou morte. - Como eu perdi?

Alana fez um muxoxo. Deixou cair os ombros, endireitou-se, e, dando as costas para Deimos, pegou a lança Medo, pegou distância de Deimos e, subindo no tatame, portou a lança em posição de batalha. E com a mão que não segurava a lança, Alana fez um aceno para Deimos subir no tatame também, o convidando. 

- Me vença e eu te conto, penoso.


Notas Finais


FIM DO CAPITULO 3

Sim, sim, eu sei, eu demorei para fazer esse capítulo e, por isso, eu peço perdão. Eu tive uns problemas pessoais e deixei eles levarem o melhor de mim. Mas agora eu já melhorei e vou voltar a escrever. Sei também que esse capitulo foi mais paradão, mas no próximo já vamos ter um pouquinho de ação na forma do Deimos treinando com a Alana e Phobos. Então esperem pra ver.
E sim, para quem está se perguntando: eu troquei o nome da história, acho que O Corvo combina bem mais, não acha?
Como sempre, se vocês gostaram e querem ver mais, não se esqueçam de comentar, compartilhar e principalmente votar, okay?

Vejo vocês no próximo capitulo!


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