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História O coveiro - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O casal


Eram 17:00 de um dia atípico em Mundo Novo. Chuvas e trovoadas marcavam uma semana muito trágica na cidade. Uma série de mortes causadas por vinganças entre famílias,  eram prática comum na cidade. Dias atrás o famoso pistoleiro Raimundo Nonato foi morto em emboscada no centro da cidade em plena luz do dia. Foi alvejado com 32 tiros. Para os moradores mais antigos da pequena cidade que continha ares de modernização, o mau tempo era um sinal das tragédias que ocorriam. Entretanto, um sinal de alegria surge na casa da família matuto, localizada em um bairro muito carente e afastado do centro da cidade, conhecido como Cupim . A alegria da humilde casa se dava pela expectativa do nascimento de um bebê do casal Maria e Pedro. Depois de muitas discussões e intrigas, claro, por parte da autoritária Maria, o nome escolhido foi Francisco e coube a Pedro a incumbência de aceitar a indicação do complemento João ao primeiro nome.  A futura e sofredora mãe de nome sugestivo estava com dores pré parto e aguardava uma carona para ir ao hospital Municipal. Antes de prosseguirmos, caro leitor, faz necessário conhecer um pouco mais sobre a história simples dos futuros pais. Pedro trabalhava como guarda em uma escola pública da cidade. O pouco que ganhava era o necessário para o sustento da casa que diga se de passagem, não era própria. A felicidade do casal com a iminente chegada de um novo integrante era maior do que o casamento entre Pedro e Maria realizado dois anos antes perante um juiz do cartório civil da cidade. Posteriormente, ocorreu uma simples cerimônia religiosa na matriz local com a benção do Padre Serafim, onde poucos familiares de ambas as partes estiveram presentes. O barraco onde foram morar continha 4 cômodos e uma frente voltada para o esgoto a céu aberto que ilustrava a paisagem dos moradores do cupim, assolados por algumas doenças como dengue e febre amarela. Já Maria era uma dona de casa que fazia bicos trabalhando nas casas de pessoas abastadas da cidade, médicos, bancários e comerciantes. Lavava, passava e cozinhava. Ainda tinha tempo e obrigação de cuidar de sua simples casa e de seu marido, que sempre aos finais de semana gostava de ir ao bar do Juca, localizado a poucos metros de sua casa. A relação entre o casal era cheia de altos e baixos, muito por conta dos ciúmes exagerados de Maria. Ao início de todo mês o salário recebido por Pedro ficava nas mãos de Maria, uma espécie de administradora financeira do lar com uma personalidade forte, e,  claro de olho em possíveis escapadas do marido com alguma vizinha do bairro. Entretanto, caro leitor, o ciúme e possessão de Maria eram exagerados. Era simplesmente o desejo de mandar e dominar aquela relação diante do pacato e calmo marido, que aos finais de semana recebia alguns trocados para se divertir com os amigos, claro, com hora marcada de voltar a residência.

O contexto marcado pelo calor do sertão, pobreza, doenças e falta de infraestrutura era acompanhado pelo descaso das autoridades. Vale lembrar, caro leitor, que a cidadezinha de dominada por uma antigo coronelismo pautado pelo clientelismo e compra de votos, onde as mesmas famílias (oligarquias) disputavam as eleições. O mais famoso político da cidade era o respeitável Francisco Lobo que era um deputado federal e ditava as normas dos jogos de poder da cidade de Mundo Novo. Era ele que trazia aos poucos para a cidade os ventos da modernização conservadora, que consistia em uma proposta para a ampliação do cemitério municipal, chegada de novas agências bancárias, iluminação pública, pavimentação de ruas e rede de esgoto para alguns bairros. O sonho do casal Pedro e Maria era ter seu bairro livre do esgoto a céu aberto e criarem seu futuro filho longe de doenças que matavam crianças. Acrescentando ainda que o país vivia uma situação caótica pós final da Ditadura Militar e início da Nova República com uma grave crise econômica e social, devido ao aumento da inflação e desemprego. Mas essas questões políticas não eram levadas em consideração pelo casal que na realidade mesmo se importavam em trabalhar, ganhar um dinheiro e ter como sobreviver. Consciência política para quê? O necessário estava em votar nos candidatos que eram indicados pela família Lobo, grupo que dominava a cidade a várias décadas em revezamento do poder com a família Nunes. 

Portanto, era nesse cenário marcado por algumas mudanças conservadoras e permanências históricas com algumas pitadas de sonhos de um futuro melhor, que iria nascer Francisco João, o primeiro e único filho do casa Pedro e Maria. Filho este que teria uma grande influência do contexto social no qual estava inserido e da personalidade do pai e da mãe;


Notas Finais


O capítulo ainda pode sofrer algumas alterações. É uma história em andamento que se desenrolará por mais capítulos tendo uma maior descrição dos personagens envolvidos.


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