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História O Cravo, a Rosa e o Girassol - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


“Tia Levy, você again?” sim, lindos. Eu mesma.

Quando a inspiração vem a gente não questiona, a gente senta e aplaude.

Boa leitura, bbs

Capítulo 3 - Gelda é uma ótima atriz


Zeldris e Gelda eram o tipo de pessoa que nunca haviam tido um encontro na vida, mas juravam de pés juntos que conseguiriam bolar um date perfeito para seus alvos… mesmo que nenhum dos dois fizesse a menor ideia de como fazer isso. 

—Evento de anime! — Gelda disse com os olhos brilhando.

—Ou você é muito retardada, ou você é muito retardada — ele bateu a mão na própria testa — Gelda, não é seu tipo de encontro perfeito. É o do Estarossa e da Matrona!

—Mas eles não sabem disso — ela deu de ombros e ele ergueu uma sobrancelha — Certo, certo, senhor sabichão. O que sugere?

—Algo que acontece em todos os clichês de romance — disse rabiscando algo em um papel. Era difícil acreditar que aquele garoto de voz grave e rosto sério era o escritor meloso daquelas fanfics todas — uma cafeteria. 

—Até que você não é de todo burro… — comentou insolente e foi ignorada. 

—O que temos que fazer agora é convencê-los — Zeldris disse se sentando no chão do quarto com a folha entre os dedos — Matrona aceitaria esse tipo de coisa?

—Óbvio que não — riu com desdém — alou! Ela é a Matrona — disse como se aquilo fosse absurdo e se arrependeu segundos depois ao ver a expressão de Zeldris — Z-Z…

—Gelda?

—S-Sim? 

—Como assim ela não aceitaria?

—B-Bom… — Gelda gaguejou tentando ganhar tempo. Estava tão nervosa que podia sentir nitidamente uma gotícula de suor escorrendo por sua coluna e chegando ao caminho da felicidade.

Ela sentiu um arrepio quando Zeldris se inclinou e apoiou o rosto nas mãos, provavelmente refletindo sobre a nova informação.

—ISSO TUDO É IDEIA SUA, BESTA FERA — ele gritou irritado, fazendo Gelda dar um pulo tão alto que quase atravessou o teto com os chifres (inexistentes, claro. Quem mandou se apaixonar por personagem de anime?) — COMO ASSIM ELA NÃO TOPA?

—Podemos dar um jeito nisso — sorriu nervosa tentando acalmá-lo.

—Como? — Zeldris perguntou numa súbita paz interior e cruzou as mãos abaixo do queixo, encarando a garota.

Gelda sentiu um arrepio. Sempre ouviu a mãe dizer que depois da calmaria vem a tempestade, e Zeldris parecia uma tempestade das mais emputecidas. 

—Hã… — gaguejou e encarou o chão, felizmente se deparando com uma coleção de mangás de garotas mágicas que ela conhecia cada capítulo e plot — e se fingíssemos que somos namorados? — sugeriu se sentindo ridícula — Matrona não hesitaria em me ajudar se achar que estou a fim de você e preciso de companhia. Além do mais, podemos sentar na mesma mesa que eles e você ouvirá toda a conversa. 

Gelda disse tudo num fôlego só, surpresa consigo mesma por ter um raciocínio tão bom em um intervalo tão curto de tempo.

—Interessante… — Zeldris se levantou e começou a andar em círculos pelo quarto — direi ao Estarossa que eu e você estamos tendo “algo” e que como você é muito tchonga, resolveu levar a amiga junto no encontro. Irei oferecer a ele uma oportunidade de falar com a amiga.

—Lembre a ele de não falar sobre o esgoto, por favor — a platinada disse, mas ele pareceu não ouvir, continuou andando em círculos pelo quarto e falando sozinho.

—Isso dará um plot perfeito — bateu uma mão na outra — já posso ver a primeira linha do capítulo do encontro — gesticulou algo no ar — “Johanes estava sem a menor vontade de comparecer ao encontro de seu irmão, principalmente após seu trágico acidente. Porém, ao colocar seus olhos em… ” — parou e olhou pra mim — como ela vai se chamar?

Ela sorriu automaticamente. Aquela era uma tarefa importantíssima, Gelda iria oficialmente nomear sua melhor amiga em uma fanfic!

—Florzinha! — disse num impulso. 

—E você? — ergueu uma sobrancelha. A garota suspirou aliviada, aparentemente ele havia gostado.

—Lindinha.

—Sei que vou me arrepender de ter perguntado, mas como eu me chamaria?

—Do…cinho? — sugeriu com um sorriso sem jeito e ele bateu a mão na própria testa. 

—Que seja, depois eu olho isso — bufou — nos encontraremos com nossas armas do crime no café perto da escola depois de amanhã, ok?

—Por que depois de amanhã? 

—É o tempo que preciso pra convencer meu irmão. 

—Então tá bom então — deu de ombros — o plano está em ação.

~No dia do encontro~

De alguma forma milagrosa, Zeldris havia conseguido tirar seu irmão idiota do cafofo que ele chamava de quarto. Estarossa só não tinha entrado em depressão ainda porque era teimoso demais pra isso. Desde o início ele já sabia que não tinha chance com Elizabeth, mas permaneceu insistindo naquela burrada. 

Zeldris e Estarossa chegaram primeiro ao estabelecimento e ficaram esperando a boa vontade de Gelda e Matrona aparecerem. Depois de alguns minutos, lá estavam elas fazendo cara de paisagem.

—Olá — Matrona cumprimentou educadamente.

—Olá, terráqueos — Gelda cumprimentou e Zeldris se levantou da cadeira — desculpem o atraso. Roi... Estarossa, né? — estendeu a mão na direção dele — meu nome é Gelda Turnbled.

—Prazer em conhecê-la — ele respondeu um pouco sem graça.

—Essa é a Matrona — apresentou a amiga — e você é meu namorado Zeldris — disse para o moreno.

—Senta logo, criatura — ele respirou fundo, puxando uma das cadeiras pra ela.

—Obrigada.

Um silêncio estranho pairou no ar e os quatro ficaram olhando para a mesa com a maior cara de paisagem.

—Hm... — Gelda tossiu — e então, Estarossa? Como vai a saúde? — perguntou e Zeldris pisou no pé dela com força — AH!

—Amiga, está tudo bem? — a loira perguntou preocupada — outro personagem da sua fanfic morreu?

—Não — murmurou com os olhos lacrimejando — gritei de emoção.

—Eu gostei da sua camisa — Matrona comentou com o garoto à sua frente.

—Obrigado, também é fã do Arctic Monkeys?

—Sou.

Novo silêncio estranho. Zeldris e Gelda encaravam os dois como se eles fossem as coisas mais interessantes do planeta, até que Estarossa se estressou com aquilo.

—Ok, o que vocês estão encarando?

—Nós? Nada — Gelda riu de nervosismo e pegou a mão de Zeldris subitamente, escondendo os rostos dos dois atrás de um cardápio.

—O que você está fazendo, sua retardada? — ele perguntou.

—Era pra parecer singelo — ela fez uma careta — que tipo de escritor de romance é você que não consegue encenar paixão?

—Está duvidando do meu talento artístico? — ele perguntou em tom de desafio — pois posso ser tão encantador que você terá que se esforçar muito pra não se apaixonar por mim — Gelda soltou uma risada.

—Prove.

—Hã... o que vocês dois estão fazendo aí atrás? — Matrona perguntou.

—Estamos procurando o Nemo — Gelda respondeu convicta.

—O que?

—O cardápio — Zeldris sorriu forçado — estamos procurando algo que a gente goste.

—Ah... claro — Matrona fez uma careta — e então, hã... Zeldris, como você e a Gelda começaram a namorar? Quero dizer, nós somos melhores amigas e ela nunca falou nada sobre você.

—Eu não sei vocês, mas eu senti a indireta — Estarossa comentou despreocupado.

—Nós somos vizinhos — ele respondeu.

—Eu sei — ela deu de ombros — já vi você passando de toalha pela janela quando fui dormir na casa dela uma vez. Você usa uma touca verde de bolinhas brancas e toma banho com patinho.

Silêncio.

—Ok... — ele engoliu o seco ao ver seu momento de higiene íntima ser descrevido com riqueza de detalhes enquanto jurava pra si mesmo que nunca mais iria sair do banheiro sem estar vestido — bom, o Estarossa adoeceu e meus pais precisaram levá-lo em Camelot. A Gelda ia lá em casa todo dia levar comida, daí... aconteceu.

—Aconteceu? — a loira insistiu e Gelda enfiou um copo d’água garganta a baixo.

—Olha o que é aquilo? — Gelda apontou para qualquer coisa — certeza que era um papagaio louro do bico dourado.

—Mas e aí, Matrona — Zeldris tossiu — o que você faz no seu tempo livre?

—Eu gosto de nadar — deu de ombros.

—Olha que feliz coincidência! O Estarossa quase morreu afogado! — Gelda disse alegremente — q-quero dizer, o que você faz no seu tempo livre, Estarossa?

—Hã... eu leio — coçou a nuca sem jeito — gosto de livros técnicos.

—Você gosta de ler, Matrona? — Zeldris perguntou tentando fazer aquilo se desenvolver de algum jeito.

—Só revista de fofoca — ela riu — são a minha paixão.

—Incrível! Todo mundo aqui é alfabetizado. Um ponto para a educação desse país — a Turnbled disse emocionada e orgulhosa de si mesma por estar fazendo a conversa fluir. Ou quase isso.

Zeldris não sabia porque ainda conseguia ficar chocado com a capacidade de Gelda de fazer a conversa “empacar”. Era de fato um talento nato. Deveras impressionante.

Passaram o resto da noite tentando manter um assunto coerente, mas nada que fizesse sentido por mais de cinco minutos seguidos. Matrona e Estarossa eram tão opostos quanto pareciam: ela curtia revistas de fococas, ele era um leitor culto. Ela era apaixonada por natação, ele tinha quase morrido afogado e tinha pavor de água. Torciam pra times rivais, gostavam de tipos de séries diferentes e por aí vai. Zeldris já estava quase desistindo daquele – arriscado – empreendimento.

Como ele, Gelda e Estarossa moravam muito perto, os três foram embora juntos. Estarossa entrou primeiro em casa e Zeldris ficou do lado de fora com a desculpa de se despedir de sua “namorada”.

—Foi um fracasso — ele passou a mão no rosto, irritado.

—Eu devo concordar — Gelda suspirou.

—E de quem você acha que é a culpa, anjo? — Zeldris riu de nervoso.

—Ai, mas você é muito estressadinho, né? — ela fez uma careta — Relaxa. Conseguiremos juntar eles.

—Tem mais alguma ideia?

—O baile de primavera, óbvio. Imagina que badalo. Tudo bem que talvez não conseguiremos ouvir a conversa de perto, mas tenho certeza de que Matrona me contará tudo no dia seguinte.

—O lance é convencer os dois a irem juntos — bufou.

—Bom, eles não se odeiam — ela deu de ombros — isso já é um princípio. Não custa nada tentar.

—Certo, então a próxima fase do plano é...

—Zeldris, a mãe disse que é pra você entrar agora — Estarossa pôs a cabeça pra fora da porta.

—Tá — respondeu tão pacífico como o oceano, nem parecia que estavam falando dele naquele mesmo instante — falou, a gente se vê — disse dando as costas pra Gelda.

—Vocês namoram de um jeito esquisito — Estarossa comentou.

—Onde pensa que vai, seu pequenez? — Gelda segurou Zeldris pelos ombros.

—Gelda, o que voc...

—Sh... segue o script — ela o girou e o fez cair em seus braços como uma donzela de filme clichê. Antes que Zeldris pudesse pensar em uma reação coerente, Gelda fechou os olhos e tascou nele o beijo do século. A coisa foi tão poética que ele até ergueu uma das perninhas pra cima.

—Eca — o outro fez uma careta — não precisavam se beijar na minha frente — ele saiu deixando os dois sozinhos outra vez.

—G-G-G... — Zeldris gaguejou com o rosto completamente vermelho tão logo a garota o soltou.

—A gente se vê amanhã — ela fez uma pose — beijos de luz.

 


Notas Finais


Obrigada se você leu até aqui #EhOCrimeEhNois

Beijão na bunda de vocês s2


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