História O Crush que bate um bolão - Capítulo 23


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Amor, Bissexual, Boyslove, Boyxboy, Casal Gay, Colegial, Colégio, Comedia, Crush, Elvis, Escola, Esporte, Gay, Gay Couple, Homoafetivo, Lemon, Originais, Teen, Yaoi
Visualizações 52
Palavras 3.600
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hello, my dears! Tudo bem com vocês? Espero que sim! :D

Cá estou com mais um capítulo bombástico de "O Crush" pra vocês. Espero que curtam, MAAAAS ANTES... Recadinho: Eu ando BEEEM negligente com relação as respostas dos reviews e peço desculpas por isso. Minha vida anda um tantinho corrida e tá difícil me organizar. Então peço a compreensão de vocês e não deixem de comentar! Fazem a vida desse que vos escreve muito mais alegre hehe ♥

Tudo explicado, vamos ao capítulo? Boa leitura ^^ ♥

Capítulo 23 - Revelação


Quantas vezes na vida sentimos medo? Naturalmente não é um sentimento que gostamos de vivenciar com frequência. Esse pavor perante o desconhecido nos deixa tão acuados dentro de nós mesmo, que por vezes a única coisa que queremos é um buraco na terra bem grande para se enfiar dentro e nunca mais sair. Entretanto, é inquestionável o quanto enfrentar o medo nos torna mais resistentes, confiantes. Isso faz com que percebamos o quanto somos capazes de lutar por aquilo que queremos, ou o que nos prende ao passado.

            Ao enfrentar os ex companheiros de time e o restante da escola, Guto sabia que tinha dado margem a todo tipo de comentário. Outrora, aquilo lhe causava frios na espinha. Arruinar uma reputação que demorou tanto para construir, só porque tinha desejo não só por garotas como por garoto também? Nunca! Era fora de cogitação. E agora estava ali, na sala do diretor a mascar chiclete, com cara de indiferença. Se era o time que lhe amarrava a um armário sofrido e triste, tinha se livrado dessa amarra. Essa cruz não era mais sua.

- Quero que me conte exatamente o que ocorreu, Augusto – O diretor, um homem de pouco mais de 1m60cm de altura, óculos redondos, terno de cor amarelo queimado e tão magro quando um palito questionou sério.

- Pra começar o assunto, é Guto – Disse o rapaz, desinteressado – Ninguém em sã consciência me chama por esse nome de avô solteirão. Segundo: O senhor sabe o que aconteceu. Eu passei por aqui e vi o Major conversando com o senhor, ou com alguém da secretaria. Sei lá.

- Ele contou da expulsão do time, não dessa atitude... – O homem parou, não sabendo continuar. Guto riu malicioso e o encarou. Queria ver até onde iria.

- Dessa atitude...? – Provocou.

-... Inapropriada para um ambiente escola – O homem ajeitou sua gravata -  O senhor sabe muito bem que aqui não é lugar de baderneiros. É um lugar para troca de conhecimentos.

- Pois então aqui vai minha oferta de conhecimento – Levantou-se da cadeira e encarou o diretor, que tremia apavorado da reação do (ex) jogador – Para de tentar disfarçar e assume que ter um jogador que pega guris é vergonhoso pra vocês. Seja homem, diretor. Assuma suas palavras.

- Eu não disse isso, de forma alguma – Tentou se defender – Ouça Augu... Digo, Guto. O que ocorre é que simplesmente não esperávamos esse tipo de demonstração assim... Tão... Displicente. Em geral, alunos que fazem isso são muito reservados e... Bem, és o capitão do time de futebol!

- Era – Corrigiu – O senhor sabe que ele me pôs pra fora por conta do meu... Vídeo.

- Ainda bem que isso não vazou. Seria extremamente nocivo para a tua carreira. Mas... Essa atitude no refeitório... Não sabemos o que pode vir dali. E se alguém gravou?

- Ué, todo mundo vai saber que sou bi. Qual o problema?

- Fora das dependências da escola, tudo bem. Eu relevaria. Só que isso aconteceu debaixo do meu nariz! Como pode achar que não há problema?!

- Olha, seu diretor – Guto baixou o tom – Eu acredito que, mesmo de maneira mais torta que já vi na vida, o senhor só esteja querendo me ajudar. Valeu, agradeço muito. Só que tudo aconteceu muito rápido e agora sou EU que vou ter que lidar com as consequências disso. Meus pais não sabem, meus amigos não sabiam... O senhor entende que vão acontecer coisas BEM maiores que a escola e a reputação dela?

                        O homem então encarou o olhar do ex jogador. Parecia perdido, confuso, implorando por uma luz no fim do túnel e uma chance de se explicar. Compreendia, afinal, as coisas iriam se complicar ainda mais com o ocorrido há pouco. Se o Major Guerra já não o queria jogando com poucos sabendo, com todos então... Resolvera atender a súplica do loiro, que sorria em retribuição ao gesto.

- O senhor não vai se arrepender – Disse animado – Vou dar a volta por cima.

- Aguardo ansioso – Respondeu em mesmo tom.

                        O garoto então seguiu em passos curtos até sua sala, encarando um por um dos olhares de desconfiança, repulsa, nojo, surpresa... Enfim, as reações das mais variadas. Lembrou-se de Elvis, será que era aquilo o que vivera no passado? Uma ideia lhe ocorreu: E se o garoto pudesse ajudá-lo? As circunstâncias não foram as mesmas, mas as resultantes sim. Considerou-o mais hábil para ajudar naquele momento (Já que nem Caio estava ali e sabe lá onde havia se metido). Desviou da rota anterior. Sua próxima parada era o refeitório do colégio.

***

- QUE BA-BA-DO! – Exclamava Júlia, animada – Já tava na hora dele por isso pra fora, por amor de Madonna!

            Júlia, Elvis e Camila ocupavam um dos bancos do lado de fora do refeitório, no pátio interno da escola. Como era de se esperar, a notícia do ocorrido havia. Todos comentavam, era a fofoca da hora: O artilheiro do time pegava homens. Não bastasse isso, pegava os que também tinham uma fama inquestionável de masculinidade e heterossexualidade. Os citados por Guto na hora da situação estavam sendo cercados de todos os lados, por perguntas e curiosos querendo saber sobre sua intimidade.

                        Ao mesmo tempo, em meio a tantos julgamentos, o de Júlia era sem dúvida o mais sincero dos demais.

- Achei um tesão. Não acharam? – Questionou.

- Sai pra lá! – Exclamou Cá, com uma cara desgostosa – Deus me dibre de macho! Não encosto nem em facão, só pra precaver.

                        Os demais riram.

- Eu não sei. Pra mim isso é tão comum – Vi deu de ombros – Não é como se tivesse sido uma grande revelação. Até porque né... O que rolou dois dias atrás-

- Viado do mal – Jú mostrou a língua – Sei lá, o Caio podia muito bem ter feito aquilo por obrigação.

- É verdade. Mas duvido muito – Sorriu malicioso – Pensem comigo: Como um guri hétero vai simplesmente se deixar tocar por outro homem, simplesmente pra agradar a guria que ele quer?

- Sempre vão existir probabilidades, meus queridos – Cá lembrou – Tudo é muito relativo. O negócio é que a porta finalmente abriu pro teu lado, viado.

- Porque ele foi exposto a uma situação visual – Colocou as mãos atrás da cabeça enquanto sorria – Eu disse que só assim ele ia entender das coisa.

- O que fazemos agora? – Questionou Jú – A cabeça do Caio deve tá uma bagunça. Não dá pra forçar muito a barra.

- Se fizermos direito, logo ele estará me comendo com os olhos.

- Ui, mas ela tá toda Burning Up hoje né? – Debochou Camila.

- Always, B*tch – Piscou o olho, arrancando risadas das amigas.

 Alguns segundos mais tarde, não tardou ao próprio referido aparecer diante do trio.

- Fala aí, gente – Cumprimentou.

- Hey! – Cá respondendo, voltando em seguida sua atenção ao sanduíche que não concluíra.

- Oi gatinho! – Jú tentou ser simpática – Como é que tá a barra?

- Tá indo né? – Seu rosto não demonstrava uma expressão tão agradável – Na verdade eu queria levar um papo contigo, Elvis. Pode ser?

- CLARO! – O trio respondeu, atraindo a curiosidade do rapaz.

- Tá ok... – Disse desconfiado – Podemos ir lá para trás da quadra? Sei que é meio chato, mas... Toda essa gente me olhando... Tá me deixando constrangido.

Apenas sorriu e consentiu com a cabeça. Mil e uma coisas passavam por sua mente naquela circunstância.  O simples fato do (ex) jogador querer ter uma conversa em particular, já fazia com seu coração de rapaz de 17 anos sambasse em seu peito como um enredo de escola de samba.  Ambos caminharam em silêncio para o referido local, e quando lá chegaram, sentaram-se escorados no muro e encarando a enorme parede branca a sua frente.

- Do que precisa? – Vi foi direto, quebrando o gelo.

- De alguns conselhos – Respondeu, com um olhar perdido – Tu já sabe do que rolou entre mim, a Júlia e o Guto, correto?

- Sei sim. Aliás, fiquei chocado. Nunca te imaginei aceitando uma coisa dessas. O que te levou a isso?

- O interesse pela Jú, óbvio. Pelo Guto que não ia ser né?

- Mas então... Tu me chamou pra falar dela? – O garoto não compreendia o que estava acontecendo – Acho que devia perguntar pra ela então. Não seria melhor?

- Aí é que tá – Suspirou – Aconteceu aquilo tudo, e hoje o Guto ainda fez aquela cena no refeitório... É muita informação pra eu processar sem ajuda.

- Tudo bem. Pra isso tu me chamou – Sorriu – Tu... Tá mexido com as investidas dele?

- Não. Vejo ele como um irmão, só isso. E saber que beijei um irmão soa tão... nojento.

- Mas Guto não é teu irmão, é um amigo. E se ele foi capaz de te ver como homem e não como amigo-

- Elvis, eu NÃO vejo o Guto com desejo – Esclareceu, sendo música para os ouvidos do amado – É só que... Mano, é estranho pra mim. Eu tô viajando a fú com essa história toda e...

- E? – Pressionou. Sentia o suor escorrendo de nervoso.

- E-eu... Eu me senti meio indiferente com o beijo dele e...

- Ai guri! Não me mata de aflição! – Exclamou – Chega ao ponto!

- Tá bom! Tá bom! – Disse em mesmo tom – O beijo dele me deixou meio inerte ao que aconteceu, saca? Não senti nada de especial.

Aquelas frases pareciam não entrar na cabeça do outro, quase como se não fizessem sentido (E talvez não tivessem mesmo). Sentia que diante de si estava um rapaz notavelmente perturbado, com visíveis sinais de complexo de culpa e mais nada. Sua esperança de uma possível proposta de uma nova tentativa, julgava, ter caído por terra.

- Olha, Caio – Começou, tentando disfarçar – Não é nenhuma surpresa, afinal tu é hétero né? Não se espera que um hétero curta-

- Por isso eu pedi pro Átila me ajudar.

            Naquele momento, foi como se algo tivesse acertado o estômago de Elvis e acabado com qualquer resquício de borboletas que possivelmente existiam ali. Encarou o crush confuso sobre sãs ações.

- Como assim... Tu pediu ajuda ao Átila? – Questionou incrédulo.

- Bem cara, é que soaria estranho eu te pedir ajuda – Coçou a nuca. Sua pele, outrora branca como a neve, aparentava ser um pimentão devido à vergonha – E além do mais, tu me falou aquele dia na tua casa que tem um crush né?

- E o que isso tem haver? Que espécie de ajuda tu pediu?! – Por mais que tentasse parecer calmo, sabia que perderia a razão no caso de descobrir que sua hipótese estava certa.

O garoto tremia de nervoso. Suas mãos soavam tanto quanto uma queda d’água, e seu silêncio não ajudava em nada com a expressão espantosa de Elvis. Este, por sua vez, não teve dúvidas. Jogou a pergunta fatal:

- Tu... Ficou com o Átila?

***

 Procurar por alguém pode ser uma tarefa árdua de se fazer, ainda mais quando é para esclarecer pontos que julgava que nunca viriam à tona. Guto, a se ver naquela situação, dependia da ajuda de um “estranho” para compreender sua visão das coisas. E quem melhor que Elvis para lhe ajudar? O garoto enfrentara o mundo anos antes, certamente teria as respostas que procurava. Contudo, vasculhou cada canto do refeitório e nada. Achava estranho, pois não tinha dado o sinal ainda para retornarem a sala. Então só podia estar no pátio.

Viu todos aqueles olhares superiores sobre si, como um animal selvagem sendo exposto ao público. O encaravam das mais diversas formas: Nojo, desprezo, repulsa... Outros com carinho, compaixão e empatia. Era nesses últimos que tentava firmar sua esperança, pois sua esperança esgotava a cada segundo. Seguia firme diante deles, mas até quando? Sabia que iria desmoronar sem ajuda... Onde Elvis poderia estar?

De repente, ao entrar no banheiro masculino, escutou alguém chorando. Um choro intenso, emitia o mínimo de som audível.

- Elvis? – Perguntou, na tentativa de saber se era colega.

- Não. Me deixa em paz! – A voz ordenou.

- Átila? – O (ex) artilheiro reconheceu – O que tu tá fazendo aí?

- Não te interessa c*r*lho! Vaza!

            O loiro deu de ombros. O que lhe importava se seu adversário estava ou não se acabando em lágrimas? Ele tomara seu lugar como artilheiro do time e, mais do que isso, tinha lhe socado. A última coisa que deveria ter dele era compaixão. Estava prestes a sair do ambiente quando seu coração falou mais alto. Podia não ir com a cara do rapaz, mas se estava sofrendo e ele pudesse ajudar, o faria. Achou o correto a se fazer.

- Tu tá precisando de ajuda aí, cara? – Indagou.

            Silêncio.

- Que tu quer, Guto? – Retrucou, após alguns segundos, com uma voz chorosa – Vá embora. Me deixa.

- Só vou se tu me disser que tá de boas – Nada respondeu – O que tá rolando?

- Pra que tu quer saber hein?! O que vai mudar na tua vida?

- Mais uma pergunta minha que tu responder com outra pergunta, eu juro que arrebento essa porta, falou?

            Átila então se aquietou. Sabia quando estava perdendo.

- Desculpa... – Disse, limpando algumas lágrimas do rosto.

- Só se tua falar de uma vez que p*rra deu.

            Soluçou, tentando se recompor ao estado normal.

- Eu... Fiz algo que me arrependi...

- Outra vez? – Ironizou – Tu não cansa de ser mané não, guri? O que tu fez pro Elvis agora?

- Eu feri ele onde mais dói...

- TU CHUTOU AS BOLAS DELE?! – Exclamou, colocando as mãos na área pélvica – C*r*lho! Pra que tu fez isso?!

            Átila não pôde ignorar o riso que se formou perante a confusão do loiro.

- Quem dera tivesse sido isso – Comentou com pesar – Ia ser menos doloroso.

- Ué... Se não foi isso, o que foi então?

            Outro suspiro.

- Senta aí que eu vou te contar...

***

 Mal Guto terminou a frase para começar o burburinho geral pelo refeitório. Os comentários eram dos mais variados possíveis, desde “bicha nojenta” a “Guto, ícone evoluído”. Júlia ainda estava sobre seus ombros, até o diretor da escola aparecer a sua frente.

- Senhor Augusto, na minha sala. Agora – Ordenou, em tom sério. Mesmo assim não o amedrontou.

- Eu fiz alguma coisa errada, diretor? – Levantou a questão.

- Vamos conversar em particular, por gentileza.

- Não – Insistiu – Eu quero saber pra quê.

            O homem revirou os olhos. Era nítida sua inquietação com a anarquia completa que se causava no local.

- Se preferir, posso chamar os seus responsáveis e conversamos os quatro. O que acha?

            Guto então bufou. Odiava essas chantagens com os pais, mas o que podia fazer? Muita coisa estava em risco.

- Tá. Eu vou – Recolocou Júlia no chão – Eu já volto, gata – Sorriu.

- Tô muito orgulhosa de ti, viu? – A garota deu um beijo na bochecha do rapaz, que seguiu o trajeto deixando muitos olhares curiosos para trás. Entre eles, o de Caio.

            Por vezes, o moreno pensava que o amigo estava lhe flertando (Como nas vezes em que implicavam um com o outro e iniciavam uma “briga”, e Guto o prendia entre as pernas e parecia fazer movimentos semelhantes à penetração) ou a outros rapazes... Mas a confirmação da sexualidade, somada a noite que tiveram e ao beijo do beco, deixava sua mente em curto circuito. Levantou-se da mesa e seguiu pelos corredores apressado, não queria ninguém lhe fazendo perguntas sobre o loiro. Queria paz, e só a teria indo para o único lugar da escola que amava mais que a si próprio: O ginásio.

            Entrou acanhado, tímido, como se alguém fosse impedi-lo de estar ali (E tinha razão: Quem sabe o Major Guerra não o impediria?). Foi dando passos lentos pelo lugar observando cada detalhe. Considerava sua segunda casa, um lugar de abrigo e proteção não só para si, como para seus sonhos. Tinha suas razões para se dedicar tanto ao esporte, aliás, uma grande e importante razão em especial, que o levava ao impossível na luta por seus objetivos. Chacoalhou a cabeça, achou que não era hora de pensar naquilo.

            De repente, viu a figura de Átila surgir a sua frente, com uma bola mão esquerda.

- Caio? – Perguntou o novo artilheiro, confuso – Fazendo o quê aqui?

- Na moral, eu não te devo satisfações – Foi ríspido – Me deixa em paz firmeza?

- Ei – Sorriu cínico – Não tô puxando briga. Só perguntei. Desculpa se te ofendi.

- Cala boca.

            Ambos ficaram em silêncio por mais algum tempo. Átila treinava, arriscando algumas embaixadinhas e o que mais fosse possível. Porém, se pôs a observá-lo e notou que, de fato, tinha talento.

- Quer jogar? – Ele convidou, notando o interesse do outro.

            A princípio, Caio fingiu-se de desentendido, mas a quem podia enganar? Amava aquilo. E que mal faria uma partida descompromissada? Começaram com passes de bola simples.

- Fiquei surpreso com a atitude do Guto – O novo artilheiro puxou assunto – Não esperava.

- Todos ficamos – Retrucou – Tu tava lá?

- Vim agora pouco, mas não perdi aquele show.

- E por onde tu andou?

- Ué, eu tava em aula.

- Ah, é. A recém bateu pro intervalo.

            Átila riu fraco da lentidão do rapaz.

- Que bom que o Vi não vai mais precisar ajudar vocês. Assim eu posso ficar mais tempo com ele.

- Ainda não descobriram quem mandou o vídeo. Esqueceu?

- Mas ele não tem nada com isso. Vocês fizeram a m*rda, agora limpem.

- E tu acha que eu queria ser beijado pelo meu melhor amigo?

- Por que não? Não vejo nada demais.

- Nada demais pra ti. Pra mim isso foi... Muito esquisito.

            Átila então pausou o passe e encarou o garoto. De fato, seu olhar estava confuso, suplicando por ajuda. Mesmo contra sua vontade, resolveu estender a mão. Imaginou que, se Elvis ali estivesse, faria o mesmo.

- O que tu sentiu?

- Com o beijo?

- Óbvio, né?! Não é isso que te deixou angustiado?

- Então! – Exclamou.

- Tá bom! Foi mal – Desculpou-se – Não sei. Pra mim foi meio indiferente saca? O problema foi o fato em si.

- Imagino. Pra um guri que gosta de gurias, ter beijado outro guri deve ter te deixado maluco.

- Não foi só isso. Aconteceram outras coisas também... Mas deixa pra lá. Esquece.

- Pode falar se quiser. Como eu te disse, não morro de amores por ti, mas se puder ajudar...

            Novamente o silêncio reinou. Seguiram fazendo passes mais complicados, dando uma leve animada e os deixando mais soltos um com o outro. Começaram então a tentar se driblarem, até que Átila caiu ao chão e Caio por cima de si. Ambos riam como duas crianças travessas aprontando das suas. Foi então que aconteceu: Caio encarou profundamente os olhos castanhos do outro, como se observasse sua alma. Via nele a chance de tirar a prova a limpo, a dúvida plantada por Jú e Guto noites antes e que foi desabrochando desde o beijo no melhor amigo. Estavam ofegantes, começando a transpirar devido ao jogo.

- Átila – Falou – Será que... Tu podia fazer uma mão pra mim?

- O quê?

- Me... Dá um beijo.

- OI?! – Exclamou, se afastando – Tu fumou crack e eu não vi?

- É sério, meu! Tu é um dos poucos guris que eu sei que fica com caras também! Eu... Preciso tirar uma dúvida.

- Tu quer saber se curte caras. É isso?

- Sim. E-eu preciso saber que... É tudo loucura da minha cabeça.

- Não – Disse convicto – Não vou fazer isso.

- Por quê? É o Elvis? Mas... Que eu saiba, ele não gosta de ti.

- É claro que ele não gosta. Existe uma pessoa entre nós dois – Alfinetou de leve.

- Então porque tu não pode me ajudar? Eu juro, vai ser a última coisa que te peço. Eu podia pedir ao Elvis, mas-

- E por que não pede então? – Era horrível para si abrir mão da felicidade para entregar a alguém que julgava não merecer Vi, mas de que adiantava? O garoto o amava.

- Por causa desse guri que ele gosta que ninguém sabe quem é.

            Átila então chutou a bola longe, de raiva.

- P*ta que p*riu! – Gritou – Não é possível que tu seja tão burro assim!

- EI! – Revidou, empurrando o rapaz – Não me chama assim, não!

- Quer dizer que tu não te deu conta ainda?

- Do quê? – O rapaz realmente não entendia onde ele queria chegar.

- Meu Deus, Caio – Passou as mãos por seu rosto.

- Diz logo!

            Com algumas lágrimas escorrendo nos olhos, jogou a frase.

- Eu não posso ficar contigo, porque senão eu ia magoar mais ainda o guri que eu amo – Revelou – Caio, eu não posso ficar contigo porque... O Elvis... Ele tem um crush em ti...

            O garoto então o fitou, perplexo com o que ouviu.

- Como é que é? – Questionou, ainda incrédulo.

- Ele gosta de ti, Caio – As lágrimas seguiam a cair – Então ao invés de me pedir isso, porque não vai lá fazê-lo feliz como ele merece hein?

- Mas... Mas eu... – Tentava formular a frase – Nunca percebi isso... Nem sequer dei em cima dele.

- Não importa, c*r*lho! Tu não tá vendo que a vida tá te dando a chance de viver um grande amor?! Ser tu tá com essa dúvida, é porque o universo tá querendo te dizer alguma coisa!

            Caio ficou encarando o garoto ruim a sua frente. Átila limpou seus olhos marejados como podia e seguiu correndo até a saída, o deixando ali parado com mais dúvidas. Não bastava todas as dúvidas que já tinha, o destino lhe empregara mais outras. 

CONTINUA


Notas Finais


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Abração e até o próximo <3


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