História O Demônio de Gália - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Ficção, Originais, Violencia
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpem a demora.

Capítulo 16 - Pain


Porth e Youmuu estão encima de um palanque.

De madeira e caindo aos pedaços. Vários estandartes dourados e vermelhos pegam fogo e caem sobre o chão lamacento, devido as chuvas recentes.

Dezenas de corpos estão no chão.

A maioria carbonizados. Outros destroçados, com os braços ou a cabeça à metros do corpo. O que era um quartel de treinamento dos Espadachins Negros, agora é um campo de batalha, onde a terra, o céu, e os corvos, presenciaram a derrota daqueles que seriam os guerreiros mais bem preparados de todo o continente.

Sim, de fato. Algo dessa magnitude só poderia ter sido feito por algo transcendental. Algo divino.

Algo como um Deus Demônio.

Algo como Diakor.

Porth e Youmuu observam perplexos os corpos de seus companheiros.

E à sua frente, cerca de 30 metros, o que carrega a aparência de um homem e o poder de um Deus.

À sua frente, um pequeno homem.

Ele tem por volta 1,80 metro e aparenta não mais do que 70 quilos.

Todos ali o encaram aterrorizados, mas ninguém ousava mover-se, fosse pelo medo, fosse por sua aparência tenebrosa.

As sombras causadas pelo capuz cobrem todo seu rosto e é possível ver seus lábios se mexendo suave e incessantemente:

- Ko'ma na shu'rl Diakor... Ko'ma na shu'rl Diakor... Ko'ma na shu'rl Diakor.

Yusuf saiu correndo de dentro da ala médica. Seu olhos desesperados procuram por Porth e Youmuu.

Ele os vê no palanque e vê também para onde olhavam.

Reth, com uma imensa aura negra por todo o corpo, levita em direção aos dois.

- DIAKOR - gritou Yusuf - Abandone esse corpo que não te pertence.

Reth vira o olhar para ele e diz com sua demoníaca voz morbida:

- Agora ele me pertence. Assim como esse mundo logo pertencerá.

- É o que veremos...

As mãos de Yusuf começam a brilhar e uma ventania começa a soprar por todo o lugar. Seus olhos acendem como chamas e começa a chover, uma chuva leve e deitada. Yusuf começa a levitar e então abre os braços. No centro de seu peito aparece um círculo mágico. Azul e brilhante.

E ele diz palavras em uma língua estranha e começa a chover torrencialmente. Parece que o céu está caindo e que em breve todo lugar estará inundado por uma chuva repentina.

Trovões e relâmpagos por toda a parte. Uma chuva tão forte que as gotas ardem ao se chocarem com a pele.

Diakor encara Yusuf enfurencido.

Aproveitando seu momento de distração, Porth pula em direção a Diakor e o agarra. Ambos caem no chão lamacento.

Porth o aperta com toda a sua força e por um momento pensa ter conseguido prender Diakor.

Mas apenas por um momento.

- Criatura ridícula, tire as mãos do seu senhor.

A aura negra de Diakor começa a envolver Porth.

Porth grita agonizante, mas não solta o corpo do que um dia foi seu amigo.

E um clarão toma conta do lugar.

No outro segundo, a chuva, os trovões, os relâmpagos, desapareceram. O chão está seco e firme e o silêncio é quebrado apenas por respirações ofegantes.

Yusuf cai e choca contra o chão num estrondo enorme.

Porth abre olhos e vê um enorme palacete.

Um senhor usando uma túnica vermelha com detalhes dourados, aparece e vai ao socorro do que seria Yusuf. Ele o senta e diz suavemente:

- Está tudo bem... conseguiste... xii... acalme-se.

Porth levanta os olhos e encara o velho.

E o velho o encara.

E Porth apaga.

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Horas se passaram enquanto Porth estava inconsciente.

Ele levanta e está completamente exausto.

Está num quarto de paredes de tijolo amarelo e com um vidral colorido. Um perfume de rosas invade suas narinas e um sentimento de paz abarca seu peito.

Mas não dura muito.

Ele levanta e sai do quarto e ao longe ouve o som do sibilar de um chicote, um estalo, e em seguida um gemido.

Porth continuou a caminhar. O corredor é extenso e escuro, mas os tijolos amarelados parecem ter brilho próprio.

O corredor dá numa sala com vários instrumentos de tortura.

Amarrado a um deles está Reth. Reth está com os braços e pernas abertas e completamente nu. Um brutamontes está o chicoteando.

Reth está com vários ferimentos abertos, principalmente nas costelas e nos ombros.

As chicotadas são ritimadas e a cada grito agonizante de Reth, o coração de Porth chorava.

Porth quer mais que tudo correr até o brutamonte e esmagar sua cabeça com os punhos. Mas algo o impede. Um cansaço enorme e uma fadiga que lhe torna doloroso até mesmo andar.

Porth cai de joelhos e começa a chorar.

Tanta força, tanto poder, agora não lhe serviam nem para salvar seu amigo.

Você pode não entender a angústia de Porth, mas imagine que uma pessoa que já deu mais que sangue por sua vida, está a sua frente agonizando e você não consegue fazer nada. Nem ao menos gritar. Ou mesmo dizer palavras de consolo inúteis.

De pé num canto está o ancião, observando toda a cena.

- Não há maior angústia do que o sofrimento de um entequerido.

- Por favor - disse Porth chorando - Pare!

O ancião andou até Porth. Não demonstrava sentimento algum, mas havia compaixão e empatia em sua voz.

- Quando um corpo é possuído por um demônio como Diakor, apenas estresse físico pode enfraquecê-lo.

Porth fazia de tudo para não olhar para Reth.

Reth gemia e uma voz morbida saía de sua boca:

- Hahaha! Given tor! Tor!!

- Enquanto conversamos, Diakor continua a nos desafiar.

O ancião se vira e diz:

- Vamos até o salão principal. Lá conversamores...

Porth ficou ali, ajoelhado perante seu amigo, chorando e implorando para que, de alguma forma, tudo aquilo se acertasse. E que tivesse seu amigo a salvo.

Porth chora ali por horas. Até que não haja mais lágrimas.

E ali jaz um guerreiro. Que já lutou tempo demais e que apenas aguardava sua morte.

Pois um guerreiro que não pode proteger nem mesmo os seus próximos, não merece viver.

E sua última memória antes de desmaiar de fraqueza, é o seu desejo de morrer.

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Ambos estão sentados à grande mesa do salão principal.

O ancião e Porth sentam cada um em uma ponta da mesa. Enquanto o ancião se delicia com a comida, Porth o encara com uma carranca.

- Apesar de tua face mostrar-me o contrário, sei que não há tanto ódio em teu coração - diz o ancião.

Porth permanece em silêncio.

Eles não haviam conversado uma vez sequer. Durante todo aquele tempo ali, Porth estava desmaiado na maior parte dele. E enquanto estava acordado, estava sempre aturdido. Sua memória parecia ter sido apagada e ele apenas lembrava de uma chuva torrencial, vários homens mortos, e um clarão. Seu poder que havia retornado há não tanto tempo, mais uma vez o traía. Tanto tempo sem contato direto com magia tão poderosa, o tornou muito sensível a isso. Seu corpo já estava forte o bastante para suportar uma batalha, mas não ao um poder mágico incomensurável que os abarcou. Por sorte seu corpo não fora totalmente destrosado com a explosão mágica que os levara até ali.

E novamente houve um clarão.

Todas as memórias de Porth retornaram em um piscar de olhos, e sentiu uma dor de cabeça horrível.

- AAAAAAAHHHH - gritou batendo a cabeça na mesa, enquanto tantas informações entravam em sua mente.

O ancião se levantou rapidamente e caminhou até Porth.

- Não lutes contra o fluxo. Apenas siga-o. Deixes que tudo lhe seja mostrado. Não apenas suas lembranças, mas a verdade.

- PAAAAAREEEEEE!!

O ancião tocou em sua cabeça e tudo parou. A dor de cabeça desapareceu e Porth retomou suas lembranças.

Porth está ofegante e enfraquecido.

- O que está havendo? - perguntou - Eu era o maior guerreiro de todo o continente, e agora estou aos frangalhos. O que fizeram comigo?

- Acho que já está na hora de você saber o que está acontecendo.

O mago esticou o braço e seu cajado se materializou em sua mão.

- Venha, filho. Está na hora de darmos um passeio.

O ancião estendeu a mão e Porth o encarou.

Sua fúria desapareceu. Ele não faz idéia do que pode acontecer.

Mas precisa saber a verdade.

Sente que isso pode salvar a vida de seu amigo.

E Porth lhe deu a mão.

E desta vez, tudo se apagou.



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