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História O demônio que vive debaixo da minha cama - Saida - Capítulo 5


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Notas do Autor


Boa leitura!!!

Capítulo 5 - O4


Capítulo 4| Um demônio, um beijo, um grande problema, e infelizmente apenas uma Dahyun.

01/11/1993 - Salem (Massachusetts)

8:45 (PM)

— Por favor, me deixa em paz! — Suplicou choramingando para o demônio tagarela, tentando manter-se concentrada na atividade escolar que recebeu.

— Paz? Eu também quero paz, mas veja só! Você me invocou, e agora nós duas perdemos toda a paz que tínhamos. — Minatozaki, que estava sentada no canto direito acima da escrivaninha de Dahyun, falou, revirando os olhos em seguida.

— Eu sei, e eu já pedi desculpas, então por favor, cala a boca e me deixa fazer a porra do meu dever! — Choramingou novamente, massageando as têmporas, na intenção de aliviar o estresse.

— Não, eu não vou calar, sabe porque? Porque essas suas desculpas bobas não vão me fazer ir de volta para casa, serzinho idiota.

— Minatozaki, eu sei que minhas desculpas não vão adiantar, mas eu juro que nessa mesma semana você volta para a sua casa.

— Como?! Você por acaso é Deus?

— Não, mas Momo é um tipo de bruxa, eu não sei a religião dela, mas enfim... Ela é experiente com essas coisas, e com certeza vai achar um ritual que te faça voltar para casa!

— Ela não vai conseguir.

— Como têm tanta certeza disso?!

— Porque eu sei que ela não vai conseguir, meu contrato é um dos mais fortes do inferno, não existe algo que o quebre a não ser Deus, e o Lulu. — Disse calmamente, passando a mão pelo cabelo o arrumando. O simples ato conseguiu prender a atenção de Dahyun, que agora olhava vidrada para Sana.

A coreana não admitia, mas Minatozaki Sana era uma das pessoas (?) mais lindas que ela já viu.

— Lu... Lulu? — Perguntou voltando a seu estado consciente, direcionando o olhar para o seu caderno, meio envergonhada.

— Lulu, Lúcifer, Satan, senhor S, demon... Tanto faz, como você preferir chamar.

— Entendi.

— Primeira vez que eu não preciso te explicar alguma coisa. Isso já é um avanço. Viu só? Andar comigo aumentou o seu lastimável QI. — Zombou a tinhosso, descendo do lugar onde estava. Dahyun apenas revirou os olhos, e se repreendeu baixinho por ter achado a Sana bonita a segundos atrás.

— Andar com você está fazendo minha pressão subir, isso sim. Qualquer dia desses eu posso ter um infarto.

— Esperando ansiosamente. — Disse sorrindo, vendo Dahyun te olhar com os olhos arregalados e uma expressão assustada. — Calma, calma, só estou brincando.

— Não se brinca com isso. — Dahyun falou, voltando sua atenção a sua actividade.

— Eu brinco com tudo, menos com criança, não se mexe com criança.

— Ae? Então eu sou uma criança.

— Você realmente parece uma criança na aparência, e até na personalidade, é insuportável, chata, mimada e irritante. — "E fofa também, mas isso eu me recuso a falar", completou mentalmente a sua fala, observado todo jeitinho diferente e até mesmo infantil que a coreana possuia.

— Ah, na moral, vai se fuder, demônio chato! — Impaciente e cansada de todos os insultos que Sana lhe dava a cada cinco frases, Kim exclamou.

— Calma lá, bebê, eu só estava brincando. Bom, na verdade não, algumas coisas foram sinceras.

— Não foram sinceras, você nem me conhece... E não me chame de bebê!

— Ué, porque não? — Perguntou, direcionando seu olhar a Dahyun, e logo soube o porquê da negação com o apelido. Kim estava de cabeça baixa, olhando para o papel, mas mesmo assim, o rubror de suas bochechas eram totalmente visíveis. — Céus, você fica com vergonha! Que adorável.

— Cala boca... — Murmurou baixo, meio emburrada, com um biquinho nos lábios.

— Quem diria ne?! Você tem um lado que pode ser considerado amável! Isto é realmente chocante.

— Ah, por favor Minatozaki, faz silêncio!

— Não vou, não tem nada para fazer a não ser lhe irritar.

— Faz o seguinte, olha minha casa, meu quatro, olha o bairro, sei lá, faz alguma coisa. Só para de falar comigo, por favor. — Pediu, rendendo-se ao tinhosso, olhando-a com uma expressão cansada, que praticamente implorava a Sana que ela fizesse silêncio. A japonesa apenas suspirou tendo um pouco de empatia com Dahyun.

"Maldita carinha de neném!"

— Aish... Certo, certo, vou olhar sua casa, quero conhecer seus irmãos.

— Não, não, não! Por favor não meta meus irmãos nisso, eu imploro! — Ah, sim, aquilo foi um verdadeiro suplico desesperado por parte da coreana, que bruscamente se levantou do lugar ondd estava, parando a frente.

— Hey, calma, eles não vão me ver, e eu não vou fazer nada contra eles, relaxa. Não mexo com criança, lembra? — Acalmou a menor, que logo assentiu, passando a mão pelo cabelo, soltando o ar que prendia.

— Pensei... Pensei que faria algo com eles. — Falou baixo, virando-se de costas para Sana, apoiando as mãos na cadeira de sua escrivaninha. Kim ainda estava um pouco assustada.

— Não, eles são fofos e adoráveis, além do mais, engraçados. Ficaram com a parte boa da genética, pelo visto. — Sana não perdia a oportunidade quando se tratava zombar da cara de Kim.

— Vai se fuder. Irritante. — O tom poderia até ser grosso e estressado, mas o pequeno sorriso aliviado, mostrou que desta vez, Dahyun não tinha a intenção de insultar.

— Oh, você sabe sorrir! Poxa, essa é nova.

— Você é realmente irritante.

— Eu sei, agora se me der licença, vou dar uma olhada por esse local, vou ter que viver nele por trinta e três dias mesmo. — Falou, saindo do quarto, sem esperar a resposta da coreana que apenas deu de ombros, se sentou, e voltou sua atenção a maldita atividade de matemática.

— Vá com Deus... Espera, com Deus não! Com o... Lulu? É, com o Lulu. — Dahyun falou para si mesma, sorrindo após ver o erro que cometeu com o "Vá com Deus". Com o clima mas descontraído, a garota voltou a fazer o dever, mas logo foi bruscamente interrompida pelo ser que entrou correndo em seu quarto, e bateu a porta com força.

— Opa, voltei, o role foi legal, e tudo mais, porém, eu sei que você sentiu minha falta. — Sana falou rápido, pendurado um sorriso estranho nos lábios. Kim até iria contestar de imediato, porém o susto foi tão grande, que ela agora estava sem reação. — Ah, você virou o gasparzinho de novo!

— Mi-minatozaki do céu... — Sussurrou com as mãos no peito, e os olhos arregalados.

— Perdão pelo susto... Espera, você disse "Minatozaki do céu?". Isto é desrespeitoso, preconceituoso e racista.

— Isso... Isso não vem ao caso agora! Puta merda seu tinhosso idiota, que susto da porra você me deu!

— Eita boquinha suja hein.

— Desculpa, mas meu Deus! Me diz o porquê disso, qual a necessidade?!

— Necessidade do que, doida?

— Para de ser sonsa! Porque você entrou desse jeito no meu quarto?! Quer me matar de infarto?!

— Não posso te matar, lembra?

— Isso foi uma metáfora, agora não desvia atenção da minha pergunta!

— Aish, como você é mandona!

— Só me responda logo!

— Aish! Eu não queria lhe dizer, mas digamos que você tem um irmão meio peculiar.

— Que? Irmão peculiar?

— É, um dos seus irmãos possuia uma espécie de sexto sentido super avançado, pelo que parece.

— Por-porque? — Kim já fazia ideia da resposta de sua pergunta, e também ja tinha em mente quem seria o tal do irmão peculiar.

— Porque ele me vê, ele incrivelmente consegue me ver... Na realidade, ele me vê desde que você me invocou ontem.

— O Seungmin... Puta merda! Ele não estava apenas blefando!

— Que? Você achou que ele estava blefando? Se uma criança me diz que viu um ser estranho ou algo do gênero, eu ja entro em desespero! Bom, eu entrava antes, agora não mais, porém, você me entendeu.

— Ele... Ele não estava ble-blefando... — Dahyun estava fora de si novamente, e Sana logo percebeu.

— Aish, começou com essa palhaçada. — Sussurrou a maior, indo até o banheiro do quarto, trazendo água em um copinho. Sem hesitar, ela seguiu até Dahyun jogando a água na garota, que rapidamente despertou.

— Que?... O que é isso?! — Perguntou, voltando a seu estado consciente, limpando a água com a manga de seu moletom.

— É água, mongol.

— Porque você jogou em mim, idiota?!

— Porque você ficou fora de si quando soube que seu irmão consegue me ver.

— Ah é, lembrei... Eu ainda estou meio em choque.

— Eu percebi.

Silêncio.

— E agora?

— E agora o que?

— O que vamos fazer com ele?

— Não vamos fazer nada com meu irmão.

— Então...? Vai continuar dizendo a ele que eu sou apenas uma ilusão?

— Não né, é só fingir que nada aconteceu naquele dia. Ele não sabe que você está aqui comigo.

— Então né... Suponhamos que ele ja tenha me visto aqui.

— Não acredito... Quando ele ti viu Minatozaki?!

— Bom...

Flashback on - 31/10/1993 (9:47 PM)

— S-saia daqui! — A voz aguda e masculina, pudera ser ouvida pelo ser que estava sentado na cama de uma desconhecida qualquer, que havia invocado-a.

— Hm? — O tinhosso direcionou seu olhar ao garoto.

— Saia daqui!

— Oi?

— Vá embora!— Gritou novamente. A mulher não sabia ao certo com quem o menino estava falando, afinal, ela se certificou em ficar "invisível" para os demais. — Você por-por acaso é surda?! Saia daqui!

— É comigo que você está falando, criança?

— Si-sim! Eu sei que você é u-um demônio! Minatozaki Sana... E-eu vi você nos seguindo... Saia dessa casa e deixe minha irmã em paz!

"Ah, então ele me vê?" Sana perguntou a si mentalmente, vendo o incrível dom do garoto a sua frente.

— Desculpe meu bem, mas ela me invocou. — A japonesa continuou plena, algo que irritou ainda mais o pequeno Kim.

— Não ligo, e-ela te i-inovou sem querer! Então deixa a Du-dubu em paz! — O medo nos olhos de Seungmin era visível, mas ele insistia em se manter forte a frente do ser das trevas.

Isto era mesmo admirável.

— Não irei a lugar nenhum, garoto. E pelo visto, acho que já está na sua hora de dormir, poderia fazer o favor de me deixar em paz? O meu assunto não é com você, é com sua irmã.

— Não vou t-te deixar em p-paz! Só-só se você for em-embora daqui! — Era incrível a persistência de Seungmin diante aquela situação. Ele parecia querer chorar desesperadamente, mas ao mesmo tempo ele se negava a deixar alguma mísera lágrima escorrer.

— Ah, você vai sim. E se não for pelo bem, é pelo mal. — Murmurou com um sorriso estranho nos lábios, se levantando da cama em seguida. Era claro que Sana não iria fazer mal algum ao menino, apenas botaria um certo medo nele para que pudesse ficar a sós com a outra Kim, sem nenhuma interrupção.

— N-não, e-eu não... E-eu... E-eu n-não...

— Você não...? — Deu um passo se aproximando um pouco do Kim, o mesmo que recuo de imediato.

— E-eu... Vo-você... N-não

— Eu não entendi, meu bem. — Sorriu ainda mais, dando outro passo, vendo o menor se desesperar, recuando novamente.

— E-eu... É-é... N-não v-vou... Vo-você... S-sair... — A cada palavra Sana se aproximava mais, e isso fazia Seungmin ir ainda mais para trás, até não sobrar espaço.

— E-eu o que? — Brincou, gaguejando de propósito na intenção de imitar o outro que no momento já estava agachado no chão com as mãos na cabeça.

— E-eu... Eu... Eu... — Já chorando e tremendo bastante, Seung delirou passando a mão por toda cabeça. Suas expressões de dor eram nítidas, e aquilo mexeu um pouco com a tinhosso, mas ela optou por não fazer nada, afinal, não podia estragar seu disfarce de "demônio maligno".

Cansada e se sentido um pouco mal por causar aquele efeito na criança, Sana se recompôs, parando de andar até o menino. — Saia daqui garoto, o meu assunto não é com você. — Ditou por fim, vendo o outro se levantar desesperado, olhando para si uma última vez.

Aquele olhar assustado, pedindo por uma "ajuda" foi o cúmulo para Sana, que ao ver o outro fora de seu alcance, suspirou baixo, voltando ao seu lugar em seguida.

Flashback off - 31/10/1993 (9:59 PM)

— É, foi isso. — Disse, terminado de contar o curto acontecimento para a coreana, que agora lhe olhava perplexa.

— Caralho... — Murmurou ainda espantada. Dahyun até cogitou a opção não acreditar totalmente, mas agora tudo fazia sentido. Seungmin estava estranho e quieto muito ultimamente, Kim conseguiu perceber isso ao observar o comportamento anormal que o garoto teve nessa tarde. — Isso explica tudo...

— Eu sei.

— M-mas porque?

— Hm?

— Porque só me contou isso agora?

— Porque você não tinha me perguntado antes, oras.

"Ai meu Deus..." Pensou, segurando-se ao máximo para não revirar os olhos.

— É sério isso? — Com um tom debochado, Dahyun perguntou.

— Claro.

— Céus... — Sussurrou, passando a mão pelo cabelo. — Tudo bem, tudo bem, esse não é nosso verdadeiro problema agora. — Disse tentando ignorar sua raiva por Sana, e pelo acontecimento que ela "escondeu".

— Exato, o seu problema é com seu irmãozinho esquisito.

— O nosso problema é com ele. — Corrigiu o tinhosso, que apenas deu de ombros. — E não o chame de esquisito, idiota.

— Hm, por que não?

— Porque ele não gosta.

— Mas eu não disse diretamente para ele.

— É mais eu também não gosto, então por favor, não o chame assim, nem na minha frente, nem na dele.

— Aish... Okay, não vou chamar o esquisitinho de esquisito. — Brincou, recebendo um olhar irritado da menor.

— Ai namoral, eu só não te dei uma voadora ainda porque você é um demônio... Um demônio japonês, e com certeza deve saber karaté.

— Porque eu saberia karaté?

— Porque você é japonesa, talvez? — Falou como se fosse óbvio.

— Que esteriotipo ridículo e sem contexto. Não me adimira vir de alguém como você.

— Como assim alguém como eu?

— Alguém tapado a esse ponto. Entendeu agora?

— Ah escuta aqui, vai se fuder, demônio cha-

— Acabei de perceber que perdemos o foco da situação. — Sana interrompeu a fala de Kim, ao perceber onde o diálogo havia parado. Como de costume, elas brigaram e perderam totalmente a atenção no problema principal.

— Aish, pior que sim... mas a culpa não é minha se você vive arranjando briga comigo!

— É sua sim. Eu arranjo a briga, e você a besta, sempre me dá... Oh, isso soou tão errado! — Sorriu, vendo a outra fazer o mesmo, porém disfarçando o máximo.

— Credo... Mas tudo bem, não vou discorda. No momento temos algo mais importante para fazer.

— Exato. Mas então, como é que vai ser?

— Calma, estou pensando.

— Você sabe pensar? — Brincou, na intenção de descontrair o clima estranho, porém, logo recebeu um olhar de reprovação da menor.

— Não é hora para brincadeira, Minatozaki!

— Perdão.

— Tá... agora só me deixe pensar. — Disse baixo, suspirando pesadamente em seguida.

A situação era verdadeiramente crítica. Dahyun sabia da condição de seu irmão, sabia que ele era esquisito e possuia o sexto sentido, porém, não chegou a pensar que ele teria essa peculiaridade tão potente, ao ponto de ver e ouvir um demônio.

Tudo bem, a coreana já ouviu falar de relatos em que as pessoas tem esses dons sobrenaturais, mas céus, pelo que sabia, nenhuma pessoa chegou a ver e dialogar com um ser das trevas com tanta clareza, como Seungmin fez.

Ele era realmente estranho, e isso era assustador!

O mais incrível disso tudo era que o pequeno Kim, frequentava - junto a Dahyun -, a igreja. Ele - dentre o trio de irmãos -, era o único que participava dos cultos e orações sem precisar de ameaças vindas de Jisoo.

Jeongin nem sequer rezava, ele só participava das orações por conta dos biscoitos que eram distribuídos em meio ao culto, já Hyunjin nem pisava o pé na igreja. Ele se recusava, pois dizia que naquele lugar só possuia padres ladrões, e falsos fies, que pregam o ódio aos demais que são diferentes.

Ele possuia uma visão bem diferenciada das igrejas.

Enfim, chegando a conclusão que Seungmin era de fato o único religioso, que pregava a palavra do deus superior, e prezava pelo bem de todos, porque diabos ele é o único que consegue ver e dialogar com o diabo?

Aquilo não fazia o mínimo sentido.

— Céus... Porque justamente o crente da casa é o único que possui esse dom!? — Fazendo uma pergunta retórica, Dahyun se lamentou diante a situação.

— Dom?

— Sim, esse dom de conseguir se comunicar com seres... Como você, sem ofensa.

— Ofensa para mim é ser comparada com vocês humanos, meu bem. — Rebateu vendo Dahyun erguer o dedo do meio para si. — Enfia esse dedinho naquele lugar e gira... Mas enfim, o que ele recebeu não é um dom, está mais para maldição.

— Vou enfiar no seu... Olha, não vou nem dizer nada, para não perder o foco... Mas me diz, porque isso seria uma maldição?

— Existem vários tipos de demônios, e alguns não são como eu, não possuem uma forma humana apresentável. Alguns... São estranhos. — Sana falou calmamente, procuraria as palavras certas para não preocupar a coreana, porque se tentasse ser sincera, saberia que o problema seria maior.

Existem demônios bizarros, de aparência perturbadora, formas estranhas e esquisitas, cuja a única intenção, é traumatizar e perturbar a sua vítima. Se Seungmin já conseguiu ver um desses, ele com certeza não deve estar bem do psicológico.

— Estranhos?

— Sim, meu bem, eles são estranhos... Estranhos do pior tipo.

— Pior... Pior tipo? — Sussurrou vendo a outra assentir. Dahyun respirou fundo, sentindo um estranho aperto no peito, talvez a possibilidade de saber que o irmão possa está com algum trauma, a assustava.

— Eu sei que é difícil, mas acredito que ele não tenha visto, hm? O garoto não estaria muito bem da cabeça se já estivesse visto um desses. — Tentou de alguma maneira acalmar a coreana, ao ver as expressões preocupadas e triste que ela pendurou.

Sana estranhamente estava sentindo a famosa empatia. Ela só não sabia o motivo de sentir. Talvez seja porque o assunto envolve criança, ou porque ver Dahyun daquele jeito lhe deixava desconfortável, já que a própria Kim possuia alguns traços infantis.

Isso era estranho, já que a minutos atrás elas estavam praticamente se matando.

— Não estaria bem...? Droga! Ele não está bem! Seungmin possui um grande medo de praticamente tudo, e isso não tem explicação...

— Claro que tem! Ele possui um sexto sentido, certamente terá medo.

— É, faz sentido... Mas eu ainda continuo cogitando outras opções.

— Tudo bem, isso é uma escolha sua, mas tente não ligar para isso agora. Temos problemas mais sérios. — Após a fala de Sana, a Kim suspirou pesado, passando as mãos pelo rosto.

— Eu... — Dahyun até tentaria pensar em um solução rápida e eficaz, mas infelizmente não possuia nada em mente, sua preocupação ainda estava em Seungmin. — Eu penso nisso amanhã, por enquanto, fingimos para ele que você não existe.

— Isso fará mau ao psicológico do garoto.

— Eu sei! Mas não tenho outra opção... E além do mais, você vai embora logo.

— Você não tem tanta certeza disso.

— Eu tenho, eu confio na Momo. Você não vai passar nem uma semana comigo, se Deus quiser. — Disse determinada, semicerrando os olhos, enquanto olhava para Sana.

— Céus... Vai ser icónico ver suas frustrações, e ainda ter total liberdade de dizer um "eu te avisei".

— Vamos ver quem vai se frustrar primeiro... — Sussurrou, mantendo contato visual com a japonesa, que no momento sorria para si.

Dahyun estava determinada a expulsar Sana da sua vida, para o bem de seu irmão.

[•••]

02/11/1993 - Salem (Massachusetts)

6:30 (AM)

— A omma saiu de novo. — A Kim mais velha disse tristemente, lendo a carta que estava acima do balcão da cozinha.

— Ela disse quando vai voltar? — O mais velho dentre os meninos perguntou, com um semblante esperançoso.

— Não. Parece que ocorreu complicações na empresa de outro estado. Ela precisou viajar de imediato.

— Será que a mamãe volta até meu aniversário? — Desta vez o mais novo perguntou, suspirando meio chateado, aquilo partiu o coração da Kim.

— Claro que sim pirralho, seu aniversário é daqui a dois dias, até lá, ela provavelmente já vai estar aqui. — Tentou animar o menino, que apenas assentiu e sorriu minimamente.

— A mãe vive viajando... Nunca dá atenção para a gente.

— Eu sei, mas é para um bem maior, ela nos sustentar, Jinnie.

— O que o appa nos dá, já é o suficiente.

— Eu sei disso também, mas olha, a omma gosta do trabalho dela. Dá um desconto.

— Ela gosta mais do trabalho do que dos filhos? — A pergunta do menino atraiu total atenção, dos demais que o olhavam espantado.

— Ai Hyunjin! Deixa disso! A mamãe ama gente, porém ela tem um trabalho, que cobra muito tempo dela, só isso.

— Mesmo assim-

— Mesmo assim nada! A mamãe nos ama... E outra, porque você não cobra isso do papai? Que malmente para em casa?!

— Porque o papai é homem! Ele não tem a obrigação de cuidar dos filhos, nem da casa! Mas a omma têm! Porém nem isso ela faz, eu não duvido nada que o appa vai procurar outra mulher. Uma certa. Eu amo a omma, mas ela não sabe ser esposa direito.

Aquilo foi o cúmulo para Dahyun, que por momentos ficou apenas tentando dizer algo, mais nada saia. Talvez a raiva estivesse impedindo-a de falar, ou apenas, ela ainda estava em estado de choque. Porém, quando finalmente consegui fórmular algo, foi interrompida por Seungmin, que disse primeiro.

— A omma é uma ótima esposa, e uma ótima mãe. Ela faz de tudo por nós! E se o appa procurar outra mulher, ele estará sendo um otário, que nem você, Hyunjin. — O tom áspero que grosso usado pelo garoto, assustou até mesmo a própria Dahyun, aquilo era raro de se ver vindo do menino, que era consideravelmente adorável. — O appa quando casou com omma, foi porque quis uma esposa, não uma empregada. — Completou a frase, se levantando do lugar onde estaca, caminhando até a sala, deixando os outros dois perplexos, e uma Dahyun orgulhosa.

— Meu Deus... — Hyunjin sussurrou. — Não sabia que ele ficaria assim, só porque eu disse aquilo.

— Claro que ele ficaria assim, você foi um otário. E eu concordo com hyung, estou muito triste com você Jinnie. — Jeongin disse, se levantando, seguindo para o mesmo lugar que o outro irmão.

Hyunjin apenas permaneceu sentado na mesa, com uma expressão duvidosa e pensativa. Ele olhou para Dahyun com um olhar que praticamente pedia ajuda, ele não sabia que o que tinha dito era errado, na verdade, ele ouviu isso do seu professor, e apenas repassou o "ensinamento".

— Dubu...

— Eu não sei onde você ouviu isso, porque nesta casa, nunca dissemos nada disso para você, Hyunjin.

— Hyun, você também está com raiva?

— Não, Jinnie, eu não estou com raiva. — Falou vendo outro suspirar aliviado. — Eu estou triste. — Completou, fazendo Hyunjin mudar drasticamente sua expressão "neutra", para uma chateada.

— E-eu não sabia que o que eu falei foi errado... Desculpa Nonna-

— Tudo bem, Hyunnie, eu sei que você não falou por mal, e não se preocupe, quando você chegar da escola, a gente vai... Falar sobre esse assunto, certo? — Interrompeu, vendo o outro assentir tristemente.

— Certo. — O Kim sussurrou se levantado, recolhendo as tigelas dele, de Jeongin e Seungmin, entregando as mesmas para Dahyun. Em seguida, o garoto correu até a sala, pegando sua mochila, saindo se casa rapidamente ao notar que o onibus escolar ja estava lá, parado a frente de sua casa.

Dahyun apenas suspirou cansada, recolhendo todo café da manhã, arrumando a cozinha, e a sala de jantar. Aquela discussão logo cedo, desmotivou totalmente a coreana, que ja havia começado o dia com o pé esquerdo.

— Céus... Não tem como esse dia piorar... — Sussurrou, após o termino da arrumação, seguindo até o segundo andar da casa indo para outro cómodo, sendo mais específico, para o seu quarto. Teria de pegar suas coisas, e a pequena listinha com os objetos que Momo lhe pediu para comprar.

Evitando ao máximo se jogar na cama - pois se fizesse isso, não sairia da mesma -, a Kim caminhou até o banheiro, jogou um pouco de água em seu rosto apenas para dispertar, pegou sua mochila, carteira, relógio e o pedacinho de papel que estava escrito, "1 kilo de sal", "4 velas vermelhas" e "Um pincel grosso".

— Até que a lista não é tão grande. — Falou para si mesma, guardando o papelzinho no bolso, andando até a saída do quarto. Quando pisou o pé no lado de fora, levou um grande susto ao ver a japonesa escorada na parede, ao seu lado.

— Que lista? — Perguntou sorridente, vendo a outra gelar, e perder toda coloração por conta do susto.

— De... Novo... Essa palhaçada, Minatozaki! — No início da frase ainda estava meio em choque, mas logo se recuperou, pelo visto, teria que se acostumar com aquilo já que Sana não sabia aparecer sem tentar infartar a menor.

— Poxa, vai reclamar comigo logo de manhã? Deixe de ser chata serzinho. — Falou, pondo um biquinho "chateado" nos lábios. Era claro que ela estava apenas brincando.

— Não sou chata... Você que tem essa horrível mania de me assustar.

— É porque é engraçado. — Disse, recebendo um olhar em reprovação da outra. — Digo, não é minha intenção te assustar, sabe?

— Humhum, sei. — Murmurou, evitando revirar os olhos. A Kim até continuaria com a expressão de desdém enquanto olhava para Sana, porém, sua atenção fora logo para o objeto que estava pendurado no pescoço da japonesa. — Porque...?

— Da câmera?

— Sim.

— Oras, para que serve uma câmera?

— Para tirar foto, né.

— Exato. Eu trouxe minha câmera para tirar fotos do lugar.

— Mas aqui... Não é ponto turístico, nem nada, é só uma cidade simples.

— Eu gosto de simplicidade.

— Tudo bem, você é estranha, mas ok, no momento tenho coisa melhor a fazer, do que ficar ligando para suas esquisitices. — Falou percebendo que já havia perdido muito tempo com Sana, e sua aula logo começaria.

— Ir a escola é melhor que apreciar minhas esquisitices, pensei que as escolas fossem chatas. — Sana disse com a mente meio avoada, começando a caminhar junto a coreana, até a saída da casa.

— E elas são, porém, eu não vou para escola agora.

— Então, aonde vamos?

— EU, vou ao mercadinho comprar algumas coisas.

— No caso, NÓS vamos.

— Não sabia que até um demônio podia ser comunista. — Brincou, andando calmamente ao lugar, sendo seguida por uma Sana, que tirava foto de tudo, até das placas.

— Calada capitalista de merda. — Rebateu a brincadeira vendo Dahyun sorrir minimamente.

— Calada você escória comunista.

Pela primeira vez dentre os três dias que estavam juntas, um clima mais leve se instalou entre elas. Dahyun por um momento havia se esquecido da pequena discussão que ocorreu pela manhã. Já por outro lado, Sana nem se deu conta da existência da coreana, estava tão entretida com suas fotos, e o clima refrescante daquela manhã, que nem se importou com os arredores.

De fato, aquele dia parecia perfeito em todos os aspectos para a japonesa. Céu nublado, um clima "frio", mas não ao ponto de existir a necessidade de se agasalhar, uma bela onda de brisa, que passava a cada passo que se dava. Como eu disse, estava perfeito.

E além do mais, tudo parecia se encaixar com harmonia. A pacífica cidade Salem não era muito chamativa a primeira olhada, era simples, com casas americanas comuns, locais comuns, e até o próprio lazer de lá, era comum. Não era um lugar que um fotógrafo profissional visitaria. Na verdade, não era um lugar que uma pessoa visitaria, afinal, era tudo comum.

Mas esse "comum" era o que mais chama e prendia a atenção da mulher.

Podia não parecer, mas Sana era uma "pessoa" com ideias, sonhos e princípios simples, nada exagerado ou consideravelmente demasiado, exuberante, chamava sua atenção. Ela era simples. Gostava de coisas simples.

E essa simplicidade era a única coisa que lhe dava paz. Uma paz de verdade. Até o pior dos piores demônios possuem algo que lhe dar paz.

Sana sentia que até todo mal dentro de si poderia der esvaziado só de olhar a paisagem ao seu redor.

É, talvez ter sido invocada por Kim, não foi uma coisa tão ruim assim.

— Mina... Minatozaki? — Escutou seu nome ser pronunciado pela coreana, e logo levou sua atenção a ela.

— Hm?

— Desculpa, é que você parecia bem... Perdida. Estava olhando para o nada, parecia pensante.

— Eu estava pensando em uma pessoa em uma pessoa ai. — O Tom vago de Sana, despertou uma certa curiosidade na outra, porém ela resolveu não perguntar logo de cara, não possuia intimidade nenhuma.

— Ata... Entendi. — Tentou mostrar desinteresse, mas seu tom de voz denunciou tudo, fazendo Sana sorrir de canto.

— Você quer saber quem é? — Perguntou vendo a outra assentir freneticamente para si, parecendo uma criança. Uma criança tão fofa! — Tudo bem, então vai ter que adivinhar. Você conhece essa pessoa.

— Hm... Certo.

— Okay... Essa pessoa é baixinha, meio irritada, coreana, e é bem bonita.

Kim ao escutar as características não pode deixar de notar que a descrição batia totalmente consigo. Aquilo de início foi um choque, mas usando a sua melhor artimanha, Kim iria bancar a sonsa, e tecer para que a resposta não fosse seu nome.

— Seria a Chaeyoung?

— Não, essa pessoa é da família Kim. — Sana respondeu sorrindo, caminhando para perto da garota, essa que recuou até sentir suas costas baterem contra a cerca de uma casa qualquer. Minatozaki estava a sua frente, muito próxima, praticamente lhe encurralando.

— Minatozaki... Para com essa brincadeira...

— Não é brincadeira Dahyun. — Falou aproximando mais ainda seu rosto com o da outra. O tinhosso levou sua destra até o rosto da Kim, essa que definitivamente congelou. Ficou sem reação.

— Mi-minatozaki... — Praticamente sussurrou vendo a outra se aproximar ainda mais. Quando as bocas estavam se encostando, um movimento brusco por parte de Sana fora feito.

A japoensa antes do beijo acontecer, virou o rosto da coreana, e sussurrou em seu ouvido. — Não é brincadeira, eu realmente quero falar com sua mãe. Ela está solteira? Espero que sim, porque ela é uma gata!

"Desgraçada, arrombadinha, filha da puta, comunista, irritante, idiota, manipuladora, calculista, sedutora, fria, insensível" Pensou Dahyun, ao perceber que Sana estava apenas zombando consigo.

Em pensar que se ela quisesse mesmo beijar, a própria Dahyun não recuou...

— Filha da puta! — Exclamou a menina, começando a dar socos na barriga de Sana, que apenas ria descontroladamente da situação, e da coloração que o rosto de Kim estava. — Filha da puta! Filha da puta! Filha da puta! Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio!

— Ai, ai, ai calma! — Aos poucos Sana foi parando de rir, enxugando as lágrimas que caiam de seus olhos de tanto dar risada. — Ai... Essa foi minha maior vigarice.

— Eu te odeio! Te odeio! Te odeio muito! — Dahyun que ainda parecia um tomate contínuo socando a barriga da outra, que nem sentia dor.

— Ue? O que eu te fiz?! — Perguntou ainda sem entender a situação. Okay ela poderia ter se aproximado e tudo mais, porem, não tinha feito nada, apenas elogiou a mãe da garota, só isso.

— O que você fez?! Você ainda me pergunta isso!?

— Sim, o que eu ti fiz, hm? Não fiz nada demais, apenas falei que sua mãe é uma gata, só isso!

— Não foi só isso! Você simplesmente!... Você... Você é irritante!

— Não sou. Você só está se doendo porque eu não te beijei, não é?! — Perguntou, vendo a outra procurar palavras, porém não conseguiu rebater a em tempo. — Tà vendo? Você só está assim porque eu não te beijei! Mas tudo bem, se você quiser um beijo, eu te dou. — Falou, pegando com um pouco de brutalidade a cintura da outra, colando os corpos em um ato rápido, fazendo a Kim gelar. — Sei que você me odeia, mas tudo bem, você pode me odiar mais depois que eu te beijar, que tal?

Aquela situação estava complicado para Kim.

— Me larga! As pessoas podem ver sua idiota! — Kim que corou novamente tentou empurrar Sana, mas não deu nada, afinal, ela era bem mais forte que si. Possuia uma força sob-humana.

— Ah, então o problema são as pessoas, certo?

— Que?!... Não, claro que não! Eu não quero nada com você, eu te odeio, entenda! Não quero te beijar, nem nada!

— Então porque não me impediu antes, hm?

— Porque eu fiquei sem reação porra! — Em partes, aquilo não era mentira.

— Tudo bem, isso me convenceu. — Soltou de uma vez a menina, que logo deu as costas para si por conta da vergonha.

— Você é muito idiota... Não era para eu ter te chamado, olha como você conseguiu estragar o clima!

— Eu não estraguei, eu apenas criei um. Agora é só paciência até seu tesão acumular, para as coisas começarem a ficar divertidas de verdade. — Sorriu, passando a língua pelos lábios, olhando diretamente para os olhos de Dahyun.

— Você... Você é horrível!

— Eu sou um demônio, bebê, você queria o que?

É, Sana estava certa, Dahyun não poderia querer o correto vindo de um demônio. Mas tudo bem, o correto é chato na maioria das vezes. E Kim admitia para si mesma, queria muito aquilo beijo




"Minatozaki você realmente está me trazendo sérios problemas, você precisa urgentemente voltar para o inferno... Antes que se torne o meu!"


Notas Finais


Esse capítulo não teve muitos acontecimento envolvidos, ele serviu apenas para mostrar com a relação de saida ficara daqui para frente 🌚
(agora que eu percebi que o clima mudou totalmente, mas okay, não queira focar so no "sad")


E me desculpem a demora, estou passando por alguns problemas aqui em casa!!


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