História O Despertar - Capítulo 16


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Categorias X-Men Evolution
Personagens Anna Marie (Vampira), Rémy LeBeau (Gambit)
Tags Gambit, Romy, Vampira, X-men
Visualizações 59
Palavras 3.461
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Acordando para um sonho


xXxXx

Ela era teimosa mesmo nas coisas pequenas. Sabia que iria tostar debaixo do sol a pino e ainda assim insistia em tentar obter um bronzeado.

Puxou a alça do biquíni e sorriu satisfeita ao perceber uma marca quase imperceptível. Era sua terceira semana em uma praia paradisíaca e esta era a primeira vez que Vampira vestia um biquíni para lagartear ao sol – por mais que estivesse morrendo de vontade desde que pisara ali.  

Sempre durante o verão, Vampira observava as garotas na piscina da mansão e as invejava. Quando não se escondia para não ver, procurava manter distância, para o bem de todos. Pelo mesmo motivo andava completamente vestida mesmo nos dias quentes. As últimas vezes que Vampira nadara foram durante à noite enquanto todos dormiam. Ela sentia falta de nadar com o sol brilhando acima, como quando brincava no rio quando era uma garotinha.

O biquíni que ela agora trajava estava na bagagem que Gambit arranjaraantes de irem para o bangalô. Ela o aceitara sem dizer nada, mas nunca o vestira. Gambit, por sua vez, provocava-a e desafiava-a a colocá-lo. Ela, entretanto, resistira às provocações. Até esta tarde. 

Nos primeiros dias, Vampira temia que seus poderes voltassem de uma hora para outra; agora que duvidava que isso aconteceria de fato, sentia-se mais confortável. Sua confiança estava não apenas fortificada como era totalmente genuína. Não estava forçando uma confiança quase inexistente e fingindo se orgulhar dela. Estava realmente gostando de estar em sua própria pele pela primeira vez em muito tempo. 

Seria teimosia demais, até mesmo para os seus padrões, continuar portando falso pudor enquanto Gambit podia andar quase pelado o tempo todo. 

E por falar nisso... ela revirou os olhos. Lá vinha ele saindo do mar como se estivesse sendo filmado em câmera lenta, correndo e jogando o cabelo molhado para trás, só para enervá-la. Vampira desviou o olhar para um ponto qualquer, tentando sutilmente fingir que não o vira; ainda assim sua garganta secou.

Gambit se sentou ao seu lado, molhando-a propositalmente no processo. “Quer que eu passe protetor solar nas suas costas, chérie?” ele ofereceu com uma piscadela.

“Claro, gatinho” ela respondeu instantaneamente, à guisa de desafio. 

Por um instante, apenas por um instante, Gambit não conseguiu disfarçar a surpresa. Mas como era bom improvisador, apanhou o tubo ao lado sem perder tempo.

Ele afastou os cabelos dela e começou a deslizar as mãos gordurosas de protetor solar pelas costas e ombros dela. Perdendo-se no caminho, suas mãos a acariciavam ao invés de continuar a espalhar o produto. 

Vampira sentiu sua guarda baixar e seu corpo relaxar, arrependendo-se de querer desafiá-lo assim que seus dedos lhe tocaram a pele. Toque ainda não se tornara natural para ela. Era apenas uma lembrança vaga de criança. Raríssimas vezes tivera contanto físico após a manifestação de seus poderes. 

Tentou se lembrar de quando tocara Ciclope, no dia em que entrou para os X-Men. Não se assemelhava em nada ao toque de Remy. As situações não tinham absolutamente nada em comum, ela sabia disso, mas não era esse o cerne da questão. Algo acontecia quando Remy a tocava. E ela simplesmente tinha certeza de que não era a longa privação de toque que fazia ter esse efeito sobre ela.  

“Obrigada, Remy” ela disse, com a voz afetada, tirando forças de algum lugar sombrio. “Está bom assim”.

De rien” ele respondeu, com um gesto de cavalheiro. Engoliu com dificuldades e umedeceu os lábios, que queimavam por beijar-lhe a pele. Levantando-se, seguiu mais uma vez em direção ao mar. Quando voltou do mergulho, Vampira já havia entrado.

***

Por um instante, Gambit achou que estivesse de volta à sua cama. 

E por sua, ele se referia àquela que teve por mais tempo; a mesma que lhe foi dada ao chegar à mansão da família LeBeau. Ele ainda se lembrava de como o garoto que fora se sentira ao chegar àquela casa gigantesca, todo o vislumbre e surpresa. 

Em sua cabeça ingênua de criança, imaginava que todo o Clã vivia em alguma espécie de QG subterrâneo onde poderiam ter suas reuniões e conspirar roubos de monumentos históricos. Passara várias vezes em frente daquele casarão sem saber que pertencia à família LeBeau. Quando percebera que Bella Donna o enganara com suas histórias sobre catacumbas sombrias, ele jurara se vingar da garotinha por ter lhe pregado a peça. 

A primeira coisa que o garoto fez ao ficar sozinho em seu quarto foi pular no colchão.  Aquela cama foi a primeira que pôde dizer que era realmente sua. Da qual sentia saudades constantes sem perceber. Na qual acordara ao lado de uma garota linda tantas vezes com quem nunca pudera tomar um café da manhã, pois ela tinha que fugir antes que alguém a visse; assim como acontecia quando ele entrava escondido no quarto dela e também tinha de sair fugido pela janela.

Mesmo nenhuma outra cama tendo se comparado àquela que ainda lhe esperava na casa dos LeBeau, esta, na qual passara as últimas semanas, não era assim tão ruim. Também acordava ao lado de uma garota bonita. Gostava de sentir o corpo quente ao seu lado ao despertar e de ver cabelos castanhos esparramados sobre a fronha.

Após instantes de delírio, Gambit abriu os olhos. Por um momento pareceu não se lembrar de onde estava. Ainda estava escuro. Ele então rolou para o outro lado da cama e encontrou-a vazia. Estando agora desperto, percebeu que Vampira não estava na cama. 

Uma agradável noção de familiaridade tomou seu espírito, e Remy se deu conta de que havia sonhado com Vampira. Não se recordava de como fora o sonho, mas havia uma sensação de conforto ao seu redor, que o envolvia. Independentemente do que tivesse ocorrido no sonho, ele sabia que tinha sido agradável. 

Levantando-se, Gambit aguçou os ouvidos. Caminhou com passos de felinos. Ele não era notado a não ser que quisesse. Apenas seus olhos poderiam entregá-lo. Olhos que brilhavam no escuro. Ouviu então a respiração da garota e seguiu em sua direção. Acendeu as luzes. Só então Vampira percebeu sua presença. 

Gambit se sentou ao seu lado, no chão, perto da porta dos fundos. Ela estava encolhida, os braços seguravam as pernas contra o peito enquanto sua cabeça estava afundada nos braços. 

Assim que percebeu a mudança de luz e o calor do corpo dele próximo do seu, Vampira saiu da concha que formara com o próprio corpo e levantou a cabeça. Primeiramente, um pouco desorientada, com os olhos cerrados devido à repentina claridade. Eles estavam levemente avermelhados. Não porque ela chorava, percebeu ele, devia ser por uma noite mal dormida. Não sabia por quanto tempo ela estivera acordada, talvez nem tivesse dormido.

Ela fungou de leve, e olhou para Remy. Esticou as pernas, a exemplo dele, e ajeitou as costas; só percebera o mau jeito após ter mudado de posição. “Não consegui pegar no sono” ela disse com a voz normal. 

A verdade era que ela se acostumara tanto a ter o sono constantemente conturbado, interrompido por pesadelos e noites insones que não parecia mais se importar. Após ter dormido com tanta facilidade nesses últimos dias, não se incomodava com uma noite mal dormida. O mais engraçado era que ali o motivo para se manter acordada durante a noite era o oposto do que ela estava acostumada. 

“Eu tive um pesadelo. Daí acordei e não consegui mais pegar no sono” ela disse dando de ombros. Falando sobre isso naturalmente pela primeira vez, pois sabia que tinha sido um pesadelo comum. 

“E como foi esse pesadelo?” ele perguntou com a voz afável.

“Nada demais. Eu acho que eu estava correndo... não lembro ao certo. É mais um borrão.” 

Ela falava a verdade e isso era estranho. Depois de todos os pesadelos reais que tivera, um pesadelo bobo parecia ainda mais bobo. 

A questão era até seus poderes desapareceram, seus pesadelos tinham qualquer ligação com as memórias das pessoas que tocara. Sentia que os estaria traindo se contasse o que vira. Ou, em outros casos, era assustador demais, como quando sonhou com Kurt bebê. Ainda sentia arrepios frios ao se recordar. 

Antes, as vozes na sua cabeça a perturbavam a ponto de impedi-la de adormecer. Era como se quanto mais relaxada Vampira se sentisse, mais as vozes a atormentavam; todas elas falando ao mesmo tempo. 

Exigiu de Vampira esforço sobre-humano para aprender a abafá-las e afastá-las. Ainda assim, era tão cansativo tentar se manter no controle todo o tempo, ficar focada todo o tempo, sem poder relaxar realmente. E quanto a dominá-las, achava que provavelmente nunca seria capaz. 

Todavia, desde que chegara àquela praia, as vozes se mantinham estranhamente silenciosas. Seria uma tremenda coincidência se Apocalipse não tivesse nada a ver com isso. Se o mutante afetara seus poderes, por que não o faria com as reminiscências das psiques que absorvera? O pensamento de Apocalipse ter lhe tirado os poderes para sempre lhe causava um arrepio estranho. 

Olhou para Remy... para aqueles olhos. Percebeu que ficara em silêncio por bastante tempo. Ela então baixou a cabeça de leve e a próxima coisa que seus olhos viram foram suas próprias mãos bobas caídas sobre as pernas. Mãos que não sabiam o que fazer. Mãos nuas. Sentia tanta falta de suas luvas, por mais que não quisesse. As luvas simbolizavam proteção. Sem elas, Vampira estava despida por completo.

Mas será que era tão ruim assim?

“É que...” ela continuou “está tão silencioso aqui dentro” ela disse, com a voz fraca, apontando rapidamente para a cabeça. 

“São as pessoas que você absorveu?” ele disse, mais como afirmação que como indagação. 

Ela meneou a cabeça afirmativamente. “Toda vez que eu toco em alguém, eu roubo quem essa pessoa é. Seus poderes – se for um mutante – suas lembranças, pensamentos, ideias, planos... e então é como se cada uma dessas pessoas ficasse marcada na minha cabeça, como se uma parte delas... sua essência, ficasse presa dentro de mim. E não é só isso. Às vezes, eu acho que... que estou sendo influenciada de alguma forma.” 

Sem conseguir voltar os olhos para Gambit, ela os baixou até as próprias mãos caídas sobre o colo. “Influenciada pelos pensamentos, opiniões, crenças de alguém que eu absorvi” ela foi ficando aflita. Cobriu os lados da cabeça com as mãos espalmadas. “Era tão difícil distinguir... a minha voz entre tantos ecos” fez uma pausa. “É como se cada uma dessas vozes estivesse se espremendo e tentando ser ouvida. Me atormenta imaginar que as decisões que eu tive de tomar talvez não fossem só minhas. Como se eu não fosse realmente eu, como se eu não soubesse quem realmente sou” fez uma breve pausa, pigarreou. “Após eu ter um surto... em que perdi completamente o controle, não toquei mais ninguém, quer dizer, até Mesmero aparecer. Eu estava sentindo que esses ecos estavam enfraquecendo com o tempo, mas nunca tive certeza se eles iriam desaparecer completamente” ela olhou para ele. “E agora... nada... apenas o vazio.”

“Te assusta?” perguntou ele, suavemente. 

“Assusta” respondeu ela, em um murmúrio. “Eu não sei por quê, Remy. Quer dizer... eu não sei o que vai acontecer quando a gente voltar a Bayville. Eu não sei o que vai acontecer com os meus poderes... se eles vão retornar ou... ou não” ela riu; um riso amargo, sem achar graça. “Eu sonhei tantas vezes em ser normal—” parou de repente ao perceber o absurdo da última palavra “em não ter os meus poderes, ou, ao menos, poder controlá-los como qualquer outro mutante. E de repente eu tenho tudoo que eu desejava, mas é estranho... é agridoce” ela então parou. Apenas mais tarde se daria conta das implicações da sua ênfase na palavra tudo. Ela lhe olhou de soslaio, então perguntou, com a voz hesitante. “Você alguma vez se sentiu assim, Remy?”

“Eu nunca fiquei sem meus poderes, mas... já senti o que é perder o controle. Por isso eu já passei” ela o olhou curiosa, esperando que ele continuasse. “Ao contrário de você, e da maioria de nós, eu sempre soube que era mutante” apontou brevemente para os olhos “eu nasci com eles. O que eu não sabia era que tipo de poderes eu ia desenvolver.”

“Como você descobriu?” ela perguntou.

“Em uma manhã, quando acordei sentindo muito, muito calor. Durante as semanas anteriores, tive constantes dores de cabeça, febre, dores nas articulações dos dedos... Só que naquela manhã havia algo diferente. Quando eu acordei” ele parou por um breve momento; permitiu-se rir um pouco “a coberta estava sendo energizada. Chutei ela em pânico e poucos segundos depois houve uma pequena explosão. Foi simplesmente assustador. Levei meses até conseguir controlar. Não havia outros mutantes no Clã dos Ladrões que pudesse me ajudar. Tive que aprender a usar os meus poderes sozinho. É claro que todos os treinamentos que tive desde que entrei para o Clã, todos os testes de paciência e concentração me ajudaram imensamente, mas ainda assim foi difícil” ele riu de repente, como se lembrando de algo bobo. “Toda manhã eu ia até um lugar do bayoue praticava energizando e arremessando pedras. Elas gradualmente foram aumentando de tamanho” ele fez uma pausa. “É engraçado como mesmo depois de anos eu ainda às vezes sinto que não tenho o controle total” voltou-se para o rosto dela. “Quando você tiver controle dos seus poderes, Vampira, vai perceber que ainda nem arranhou a superfície. É assim que eu me sinto. Eu ainda acho que posso mais... muito mais...”

“Você não tem medo de perder o controle?” 

“Quando acontecer, seacontecer, eu vou lidar com isso, de uma forma ou de outra. Não penso no pior. Je vis un jour à la fois.”

“Você acha mesmo que eu vou conseguir controle?” ela perguntou de forma quase inocente. 

“Acho. Acho de verdade.”

Ela sorriu de leve. Fez-se silêncio. Felizmente não do tipo constrangedor. 

“Era por isso que você gostava do Quatro-olhos?” ele perguntou do nada, pegando-a desprevenida.

“Por quê... o quê?” ela piscou, confusa. 

“Você era a fim do almofadinha, n'est-ce pas? Ele também não tem tanto controle assim” ele tentou responder daquela maneira despreocupada irritante. Irritante, porque era obviamente fingida. 

Vampira franziu as sobrancelhas. Nunca vira por esse prisma. Talvez Gambit estivesse certo. A falta de controle de Scott a atraía. Em sua cabeça deturpada devia ter imaginado que esse ponto em comum os fortaleceria. 

Pensando nisso agora, ela não acreditava que Scott algum dia pensou da mesma forma. Ele passava por provações devidas à sua mutação, mas não chegava nem perto do que Vampira tinha de suportar. Ele podia viver uma vida quase normal. Se ela aprendera a conviver com as luvas, Ciclope deve ter aprendido a conviver com seus óculos vermelhos. E, ainda por cima, ele tinha a Jean... enquanto Vampira...

Ela se voltou para Remy. “Você usou o passado.”

Ele sorriu, genuinamente, sem compreender. “Pardon?”

“Você disse 'gostava'. Por que tem certeza de que isso ficou no passado?” ela perguntou provocando.

“Quer dizer que eu estava certo o tempo todo sobre você gostar do babaca?”

Ela baixou a cabeça de leve, sem graça. “Estava.”

“E estou certo agora?”

“Ahã. Nós nunca tivemos absolutamente nada em comum. Foi só a minha imaginação me dizendo que éramos lados opostos da mesma moeda” ela deu de ombros, sentia-se uma tola.

Após alguns segundos de silêncio, ela suspirou e jogou a cabeça para trás, olhando para o teto e então para o rosto de Remy. Quando ele se virou para ela, Vampira desviou. “Você já imaginou como teria sido se você não fosse mutante?”

Ele fez que sim com a cabeça. “Até que percebi que não ia mudar nadar. Eu não vou mentir... eu adoro os meus poderes. Eu adoro a adrenalina. Adoro lutar e vencer. Adoro encarar a morte, sorrir pra ela e dizer ‘ainda não’.”

Ela segurou o riso, mordendo o lábio. 

“Ei!” ele tentou parecer ofendido.

“É que...” ela tentou dizer, mas caiu no riso. 

Ele era tão diferente de todos. Não apenas diferente do que ela esperava, mas também de todos que conhecia. Ele era o primeiro mutante que dizia não encarar seus poderes como um fardo. A cada segundo se encantava mais com ele. 

Finalmente chegara ao ponto do qual não poderia mais voltar. 

Vampira desejou que ele falasse mais. Era confortante. Remy, entretanto, bocejou e se levantou. Ela hesitou por um instante. Não queria que terminasse. 

Gambit ofereceu a mão para ajudá-la a se pôr de pé. Ela a aceitou sem pensar então ele a impulsionou para cima. Mesmo após ela estar equilibrada, ele continuou a segurar a sua mão. 

Estava se tornando insuportável. Seria evidente para qualquer um que os visse de fora que seus corpos se atraíam. Eles não poderiam mais fingir que não havia nada acontecendo entre eles. Não poderiam mais fugir. Era inevitável. Sempre o fora.

Lentamente, como temendo que qualquer movimento brusco a assustasse, Remy foi se aproximando de Vampira. Não tinha mais a ver com a conquista da garota que o vinha rejeitando, tampouco com tocar a garota intocável. Não era para satisfazer seu ego. Seu corpo queimava por ela não apenas de desejo. 

Ela estava tão farta de pensar e ponderar e hesitar. Ela se sentia atraída por Remy e não conseguia mais encontrar desculpas para não se render. No fundo, sempre quisera fazer como qualquer garota em seu juízo perfeito e se jogar nos braços dele. Não porque ela achava que seria sua única chance. Mas sim porque sentia que estava se apaixonando por ele desde que caíra naquela praia.  

A mão dele que segurava a dela passou a lhe envolver a cintura delgada. Vampira sentiu seu corpo ser puxado até o dele como um ímã. Seus corpos colaram. A mão livre de Remy subiu pelo braço dela, passou pela clavícula, até o pescoço e encontrou seu lugar por entre os cabelos dela. As mãos dela seguiram instintivamente para se envolver no pescoço dele. 

Suas bocas se encontraram e tudo parou. Seus lábios se movendo lentamente, com sofreguidão. Segundos mais tarde, tornou-se mais intenso e desinibido. Suas bocas se deixaram apenas quando se tornara impossível respirar. Vários beijos rápidos seguiram o primeiro. E mais outros, e outros. Os braços dele a apertavam forte. Ela já fugira tantas vezes que ele tinha medo de soltá-la e perdê-la. Mas, desta vez, Vampira não fugiu. Não poderia mais.   

Remy sorriu, colocando as mãos de cada lado do rosto dela. “Para de fugir de mim, Vampira, por favor” disse, entre mais beijos, à guisa de súplica.

“Não vou mais fugir” ela respondeu com o coração apertado, afundando o rosto no peito dele como se se desculpasse por ter sido covarde tantas vezes.

“Eu sabia que seria só questão de tempo até você se render aos meus encantos, chérie.” 

Vampira afastou o rosto do peito dele, mordendo o lábio, mas ele a calou antes que ela pudesse protestar. 

Erguendo-a do chão, ele a levou até a cama. Ela caiu rindo enquanto era impedida de respirar. Suas bocas nunca pareciam ter o suficiente uma da outra. Suas mãos deslizavam pelos corpos, explorando-os, tentando compensar o tempo perdido.

Após a urgência inicial de suas bocas ter sido parcialmente saciada, eles se sentaram, acomodando-se nos braços um do outro.

Gambit respirou o perfume do cabelo dela. Sentiu o cheiro da pele dela, tão extasiante e viciante como uma droga. Vampira deitou a cabeça no ombro esquerdo de Remy e fechou os olhos. O braço esquerdo dele estava sobre sua cintura enquanto o direito lhe acariciava o rosto. 

Dando de repente por falta dos dedos dele em seu rosto, Vampira voltou a abrir os olhos. A mão direita de Gambit agora estava ocupada com um maço de cartas, que parecia ter surgido num truque de mágica. Ela sorriu de leve, imaginando onde ele as guardava. 

Olhando o rosto dele, Vampira percebeu seus olhos distantes. Trocando de posição, sentou sobre o colo dele com uma perna de cada lado do seu quadril e os braços envoltos no seu pescoço.

 Gambit voltou a si e sorriu ao vê-la se aproximar sem hesitação.

“Algum problema, docinho?”

O sorriso de Remy se tornou enorme. A atitude e sotaque sulistas dela fizeram-no se sentir em casa. Ele jogou o bolo de cartas para o alto, fazendo-as se espalharem pela cama. Sem olhar, ele apanhou uma carta no ar e entregou-a a Vampira.

“Dama de copas?” ela perguntou, enrugando as sobrancelhas. 

“A minha dama da sorte” ele respondeu. 

Vampira sorriu e lhe deu mais um beijo antes de voltar à posição anterior. A Dama deslizando por entre os seus dedos enquanto seus olhos iam se tornando pesados.

Levou ainda um longo tempo, mas eles adormeceram, pelas poucas horas que ainda restavam de escuridão.

Continua... 

xXxXx

Glossário:

De rien– De nada

Je vis un jour à la fois– Vivo um dia de cada vez

N'est-ce pas?– Não era?

Pardon?– Como?



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