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História O despertar - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Capítulo 24


Fanfic / Fanfiction O despertar - Capítulo 24 - Capítulo 24

Narrado por ela

Olhei para Janaina e seus olhos estavam marejados. Me senti péssima por colocá-la nessa situação injustamente - Aqui o seu colar, Beatriz - Vitor o entregou - Eu não peguei, dona Beatriz - Falou nervosa - Eu sei que não, me desculpa por te colocar nessa confusão. É tudo um grande engano - Olhei para meu marido - Como um engano? Estou te dizendo que achamos sua joia lá - Vitor retrucou - Mas não foi a Janaina quem pegou. E não sei como você tem coragem de desconfiar dela assim. Ela está há anos nessa casa - Respondi - Não sei o que aconteceu - Jana gesticulou - A culpa é toda minha! Eu estava exausta dessa festa chata, exausta! Andei pelo jardim, mas continuaram me abordando, me fotografando e decidi me esconder. Fiquei no quarto da Janaina e deve ter caído sem que eu percebesse, aquele fecho estava com problema - Vitor balançou a cabeça - E por que você não disse antes? - Se irritou - Não deu tempo, Vitor. Você não me deixou explicar - Retruquei - Desculpa Janaina! - Falou firme e nos deixou a sós - Me perdoa, Jana. O Vitor bebeu demais, desculpa te fazer passar por esse constrangimento - A abracei em um impulso e ela se assustou pelo gesto - Tudo bem, é sempre culpa da empregada mesmo - Falou ironicamente e nos afastamos - Você conhece o Vitor, ele só fez isso por estar bêbado, me desculpa mais uma vez - Insisti - Está tudo certo, pelo menos foi tudo esclarecido - Respondeu - Obrigada, de coração - Apertei sua mão e Jana sorriu. Então sai para me despedir de Carlos e Emma, que eram os únicos convidados que restavam. 

Depois subi as escadas e antes de entrar em meu quarto, fiquei parada em frente a porta, com a mão apoiada na maçaneta, pensando no quão doida havia sido essa noite. Lembrei do encontro com Max que seria em algumas horas e fiquei ansiosa - No que eu estou me metendo? - Encostei a testa na porta e fechei os olhos. Instantaneamente as imagens do nosso momento no quarto de Janaina voltaram a minha mente. Fiquei alguns segundos ali revivendo tudo em pensamento. Depois entrei no quarto e encontrei Vitor acomodado na cama sem ao menos ter trocado de roupa. Tomei um banho rápido e me deitei ao lado dele - Que horas são? - Perguntou enquanto eu apagava o abajur - Tarde, pode voltar a dormir - Retruquei - O quarto estava totalmente escuro e pouco tempo depois senti Vitor me abraçar por baixo do edredon - Não acreditei na história que você inventou pra salvar a Jana. Dá pra perceber quando você mente - Sussurrou e deu beijos por meu pescoço enquanto tocava meu corpo. Por alguns instantes fiquei paralisada - Aonde você estava? - Não queria enche-lo de mais desconfianças, mas não me sentia confortável com suas mãos em mim - Não Vitor - Pedi baixinho - Já sei, vou esquecer esse assunto, mas em troca temos que comemorar - Beijou meu ombro - Comemorar o que? - Perguntei sem paciência- Essa festa merece comemoração, amor - Apertou meu seio - Mas eu não quero comemorar assim - Empurrei seu pulso - Beatriz, para de ser fria comigo. Qual o problema? Eu faço tudo o que você quer. Aturo até mais do que deveria e você não pode retribuir? - Se encostou mais em mim - Você está cheirando álcool, nem tomou banho. Me solta - Pedi mas ele colocou sua perna entre as minhas e agarrou mais minha cintura, me prendendo com seus braços - Vitor, me respeita. Não quero agora, vai fazer a força? - Perguntei irritada sentindo seu peso me segurar.

- Claro que não! Só estou tentando te animar - Continuou me apertando - Você  bebeu demais! Ao invés de me animar, está me assustando - O empurrei com o cotovelo  e também com as pernas, até ele se afastar - Tanta gente te olhou hoje, ouvi tantos elogios sobre sua beleza. Cheguei a pensar que alguém poderia estar flertando com você durante o sumiço! O deputado ficou louco quando te viu. Você sabe o quanto é bonita, não sabe Beatriz? - Perguntou sério - Não sei - Respondi prontamente e ouvi sua risadinha - Mas você é! Você é linda, é gostosa e muito sexy - Se aproximou de mim na cama novamente - Fiquei com ciúmes a noite toda e a única forma de amenizar isso é te tocar agora, provar pra mim mesmo que você é só minha. Todos te olham, te desejam, mas quem transa e dorme com você sou eu - Apertou minha cintura - Não gosto de saber que você tem essa visão sobre mim. Sou sua esposa, não seu objeto - Empurrei sua mão - Eu sei, mas tenho medo de te perder...- Parou de falar e deu beijos em meu pescoço - Por que essa insegurança agora? - Perguntei baixo. Sentia meu corpo trêmulo, todas as palavras de Vitor eram absorvidas como facadas em meu peito - Essa insegurança não é agora! Nosso casamento sempre foi um acordo, você nunca me amou como eu te amo - Falou chateado - Vitor, você bebeu demais, querido. Vamos dormir - Segurei sua mão - Lembra quando você fugiu no meio de uma festa pra ir atrás daquele homem? Você me deixou te esperando e foi embora, se não fosse seu pai ter impedido, você não teria voltado. Foi isso que senti hoje. Senti que você quis escapar de mim - Falou com a voz embargada -

Acabei chorando, me sentindo completamente culpada - Você prometeu que não tocaria mais nesse assunto - Respondi - Eu sei e venho cumprindo a promessa há anos, mas hoje quero saber, você me ama como amou aquele homem? - Cochichou - Aquele homem é passado - Engoli a seco minha mentira. Em um movimento rápido, Vitor acendeu novamente o abajur e fiz uma careta ao sentir a claridade invadir meus olhos - Querido, por favor - Gesticulei - Olha pra mim - Segurou meu queixo - Vitor, você está me deixando irritada! Vai dormir, você está bêbado - Falei exaltada - Me diz, você me ama como amou aquele homem que te abandonou? - Apertou meu rosto - Para - Empurrei sua mão - É uma pergunta simples! Me responda, ama, sim ou não? - Me encarou - Não! Nunca amamos ninguém da mesma forma, para de se comparar - Retribui o olhar e ele largou meu rosto mais bruscamente - Será que algum dia você vai ter a consideração de  ao menos mentir para tentar me agradar? - Falou irônico - Vitor, falaremos amanhã, com você sóbrio. Boa noite - Retruquei firme - Eu já estou sóbrio  - Falou mais bravo - Quer saber? Não vou dormir aqui hoje! - Levantei rapidamente da cama e peguei meu travesseiro - Aonde você vai Beatriz? - Se sentou - Vou dormir no quarto de hóspedes, se você vir atrás de mim vai ser muito pior - Sai do quarto e bati a porta. Tentei dormir mas não consegui. Andei pelo quarto, pelo corredor e acabei no cômodo de baixo. Repousei no sofá e cochilei ali mesmo.

 

Narrado por ele

Fui embora sem acreditar no que havia acabado de acontecer, na minha camisa ainda haviam vestígios do batom de Beatriz, me livrei dela e utilizei a camisa que Jana havia me emprestado devido a mancha de vinho. No caminho de volta estava tão aéreo que quase me esqueci de buscar Deise. Precisei fazer o contorno para desviar até onde havíamos combinado. Ela já me esperava e logo entrou no carro - Você demorou muito além do que disse - Reclamou colocando o cinto de segurança - Desculpa - Falei sério e no fundo esse pedido era muito além do atraso. Senti o peso na consciência durante o caminho completamente silencioso.

Tomei um banho antes de dormir e me deitei com ela - Foi tudo bem na festa? - Deise perguntou séria - Foi - Respondi brevemente - Você bebeu? - Continuou - Bebi alguns drinks - Falei mais baixo - Por que você está com uma camisa que não é sua? O que houve? - Sua voz soou mais brava - Derrubaram vinho em mim, foi um acidente e um dos colegas me emprestou essa para voltar - Expliquei - E cadê a blusa suja? - Questionou mais uma vez - Está no carro, Deise - Respondi mais impaciente - Você sabe que está estranho, não vai me dizer o por quê? - Suspirou. Não queria ser desonesto com Deise, mas tudo o que aconteceu com Beatriz foi totalmente impensado. Senti vontade de dizer a verdade e contar tudo o que aconteceu desde o dia que comecei a trabalhar nesse emprego, mas não tive coragem.

- Está tudo bem. Já disse - Segurei sua mão - Não estou me sentindo bem esses dias, tive tontura, mal estar, estou com medo de tudo ter voltado - Falou preocupada - Vamos marcar uma consulta com urgência, Deise. Amanhã vou ver isso, temos que estar atentos a esses sintomas, o médico deixou bem claro - Me aproximei mais dela e nos abraçamos - Tá bom, obrigada - Beijou meu ombro - Desculpa, desculpa - Beijei seu rosto - Desculpar por qual motivo? - Perguntou sem entender - Eu poderia ser melhor, só isso - Respirei fundo e não falamos mais nada. Nunca pensei que sentiria tamanha confusão de sentimentos, estava frustrado por ter traído, mas ao mesmo tempo eurforico por lembrar dos meus momentos com Beatriz. Lembrei do encontro que havíamos marcado e rolei a noite inteira na cama, sem conseguir dormir, pensando se realmente deveria ir. E ao amanhecer estava convicto de que a resposta para essas dúvidas era sim.

Sai de casa bem cedo, Deise ainda não havia despertado. Fui até a mansão para buscar o carro. Ainda tinha alguns vestígios da festa pelo jardim. Entrei na casa e encontrei Jana na cozinha - Bom dia! - Sorri - Oi Max, bom dia - Falou simpática - Que cheirinho bom de café - Elogiei - Quer um pouco? Ninguém acordou ainda, vou arrumar a mesa, mas você pode comer alguma coisa - Apontou - Só o café já está bom para mim - Peguei uma xícara - Max, posso te fazer uma pergunta? - Jana parou em minha frente - Claro, que pergunta? - A encarei - Você viu a dona Beatriz no meu quarto ontem? - Meu coração disparou ao ouvir essa pergunta. Fiquei completamente nervoso. Será que Jana viu quando Bea me procurou? Ou viu um de nós saindo do quarto? E se ela tiver nos flagrado por alguma fresta? Essa pergunta era um verde? Mil hipóteses se passaram em minha cabeça. Jamais teria como explicar a situação entre mim e Beatriz. E a melhor saída foi negar.

- Não! Por que? - Perguntei sério - O colar dela sumiu, seu Vitor revistou a casa e encontraram a joia na minha cama. Ele achou que eu tinha pego - Cochichou - Isso deu algum problema pra você? Como você explicou? - Levantei a sobrancelha - A dona Beatriz me defendeu, disse que estava cansada da festa e se escondeu no meu quarto, não acreditei nessa desculpa, sei que foi para me ajudar, mas não sei como isso foi parar no meu quarto - Deu com os ombros - Não a vi. Talvez ela tenha ido depois que eu já tinha ido embora - Bebi mais café. Não conseguimos dar continuidade ao assunto, porque Beatriz surgiu na cozinha - Bom dia, Jana! - Falou animada - Bom dia, acordou cedo dona Bea. Te vi no sofá, não dormiu direito? - Enquanto conversava Jana fez sinal com os olhos para que eu saísse sem que a "patroa" percebesse.

- Dormi pouquissimo, é que vou ter um dia cheio, estou muito ansiosa - Ela se sentou a mesa e de onde estava ainda não havia me visto - Muito trabalho? - Jana perguntou - Digamos que sim... vou precisar de um café reforçado, pretendo gastar muitas energias - Beatriz respondeu e dei uma risadinha levando essa fala como duplo sentido - O compromisso deve ser importante, a senhora nunca vem comer aqui na cozinha, sempre espera a mesa ficar posta - Falou descontraída - É um compromisso que espero há anos... pode se acostumar vou vir com mais frequência, quero aprender a cozinhar - Continuou tagarelando animada - Bom dia, Beatriz - Dei um passo para o lado e então fiquei em sua direção. Percebi que o rosto dela corou imediatamente ao me ver - Max? Não te vi aí - Sorriu sem graça - Ele veio só tomar um café, foi eu quem ofereceu - Jana justificou - Está tudo bem, sem problemas - Bea balançou a cabeça. Ela estava com o cabelo preso em um coque. Usava uma camisola branca e um hobby por cima. E mesmo com a cara de recém acordada, continuava linda. Não pude deixar de olhá-la - Quer comer alguma coisa? - Se levantou - Não, obrigado - Sorri sem mostrar os dentes - Jana, tem pão de queijo? Oferece para o Max - Falou simpática - Tem, está no forno - A empregada respondeu - Pode deixar, eu pego - Beatriz falou prestativa.

- Não precisa, não costumo comer nesse horário - Tentei impedir, porém Bea se virou de costas para pegar o que procurava. Janaina aproveitou essa distração - Ela deve estar biruta - Falou sem som algum para que eu fizesse leitura labial enquanto ela gesticulava por trás de Bea e acabei dando uma risadinha - Pega, Max. Esse pão de queijo é delicioso - Colocou a forma sobre o balcão. Fiquei com medo dessa atitude lançar algum tipo de desconfiança, afinal, esse não era um comportamento habitual de Beatriz, tampouco era do meu feitio fazer refeições com a família - Obrigado mesmo, mas já tomei café. Vou esperar o Vitor no carro - Avisei - Tudo bem, mas eu preciso de você agora cedo. Já avisei o Vitor.  Tenho que resolver umas coisas na boutique, depois no cartório... - Me encarou com seus lindos olhos verdes e meu coração acelerou. Balancei levemente a cabeça, tendo a certeza de que esse encontro era tudo o que eu queria - Tudo bem, então te espero no carro - Ela assentiu e me olhou dos pés a cabeça. A tensão sexual que existia entre nós era nítida.Como pude ficar tanto tempo longe dessa mulher? Ao perceber o clima, encerrei de vez o assunto - Obrigado pelo café - Deixei a xícara sobre o balcão e me retirei. Fui para o carro nervoso pela loucura que estava prestes a cometer. Fiquei vários minutos dentro do veículo, até ver Beatriz se aproximando. 

Ela abriu a porta do passageiro e sentou no banco da frente ao meu lado diferente das outras vezes em que entrava no banco de trás - Desculpa a demora - Falou sem me olhar - Eu esperaria o tempo que fosse preciso - Respondi e em seguida liguei o carro. Percebi que ela não me olhava, observei seus gestos e vi que ela apertava as mãos na bolsa que estava apoiada sobre suas coxas, claramente apreensiva com a situação. Continuamos em silêncio. Até que depois de alguns minutos parei o carro em um lugar mais afastado - Podemos conversar antes de decidir para onde ir? - Virei para ela - Claro... - Finalmente me encarou. Peguei a bolsa de seu colo e a coloquei no banco de trás, ela seguiu meu gesto com os olhos - Sobre o que você quer conversar? - Perguntou. Não disse nada, apenas segurei sua mão e a beijei delicadamente. Bea sorriu e com a outra acariciou meu rosto. Fui me aproximando mais dela. Já estávamos com as testas coladas quando ela fechou os olhos e sua respiração soou mais pesada - Eu estou nervosa, Max - Cochichou - Você disse a mesma coisa na nossa primeira vez - Falei e ela sorriu contra meus lábios - Você ainda se lembra? - Perguntou enquanto roçava o nariz pelo meu - Claro, aquele dia foi inesquecível - Nos encaramos - Eu também nunca esqueci, você pediu para confiar em você - Respondeu e dessa vez foi eu quem sorriu - E agora, você pode confiar outra vez? - Nos encaramos - Posso - Fechou os olhos novamente. Esfreguei meus lábios nos dela e os repuxei com os dentes, depois de soltá-los, Bea me olhou e sorrimos. Então apertou meus ombros e avançou em minha boca, iniciando um beijo delicioso.



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