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História O Despertar do Amor - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Acidente Doméstico


Aquela manhã havia passado tediosa como um inferno. Apenas, à tarde meu problema com encanamento se resolveria, e até lá... Eu não tinha como preparar nada para comer. Aliás, minha geladeira estava vazia, o que na cidade onde eu morava nunca foi um problema anteriormente.

Bastava, chamar um aplicativo de comida, para obter um suculento hamburguer e uma porção generosa de batata frita. Mas, descobri que Konoha não oferecia esse tipo de serviço. O que me deixou indignada. O que seria minha vida sem as facilidades do mundo dos aplicativos?

Poxa, mamãe, você me trouxe para uma cidade que não tem delivery de comida. – Eu digitei para Fuuka uma mensagem, repleta de amargura.

E, para minha surpresa, minha mãe visualizou. E, ainda estava digitando uma mensagem, instantaneamente. Acho que o inferno iria congelar, ou algo do tipo, por causa disto.

Já que geralmente, ela levava semanas para não dizer mais de mês para me responder.

Queridinha, os quilos que você vai ganhar devorando aquelas porcarias que você come. Você pode perder. Caminhando até a mercearia para compra-los.

Li e reli, sua mensagem, e as pontadas de sarcasmo estavam lá, como sempre. Mas, o fato dela ter me respondido em poucos instantes, ainda tinha me deixado tão perplexa, que eu não consegui nem mesmo formular uma resposta à altura.

Essa cidade é tão pequena, que eu não vou nem mesmo queimar calorias.

Eu digitei usando todos os emojis, de carinho feia e ranzinza que eu tinha. E, para minha surpresa minha mãe continuava respondendo, o que me deixou um poço de alegria e perplexidade.

Se continuar chata e ranzinza que nem seu pai, nunca encontrara um namorado que preste.

Engoli em seco ao ler sua mensagem. Meu coração parecia que iria sair pela boca. Fuuka quase nunca mencionava meu pai. E, quando o fazia, era geralmente para falar dos supostos defeitos dele, que eu tinha herdado.

Muitas vezes eu perguntei, quando tinha oito anos de idade, até tentei fugir de casa para encontra-lo. Mas, as palmadas que minha mãe me deu naquele dia, doíam até hoje.

“Seu pai não é uma boa pessoa. Então, não tente procura-lo”. – Mas, mais do que as palmadas dela naquele dia, suas palavras me marcaram. E, fazia com que eu me perguntasse que tipo de homem ele seria? E porque minha mãe o odiava tão profundamente.

Pai que eu nunca conheci, por sua causa. Nem mesmo seu nome eu sei...

À medida que eu digitava, mais trêmula minhas mãos se tornavam. Aquele era um assunto que mexia profundamente comigo. Mas, minha mãe já nem estava online, e agora que eu era adulta eu podia perceber o quanto aquilo também mexia com ela.

Justo a mulher fria e egoísta que nunca se importou com nada. Isso só instigava ainda mais a minha curiosidade.

Pensando nesse um milhão de vezes, atirei-me de costas no sofá. Aliás, essa foi minha intenção, mas calculei errado, e ao invés de me atirar no sofá, acabei me atirando no chão.

Pena que no caminho ficava um aparador de vidro, e depois de uma dor aguda na cabeça, tudo escureceu.

Será que isso que significa morrer?

...

Quando abri os olhos, senti uma forte dor na minha cabeça que estava enfaixada.

Minha mente girava, e foi difícil obter o foco, mas quando consegui, deparei-me com paredes inteiramente brancas.

Mas, nada foi mais surpreendente do que um par de olhos azuis, fixos em mim.

Eu disse alguma coisa, mas minhas palavras saíram emboladas e eu me sentia grogue por alguma razão.

— Graças a deus, você acordou. – Aquela voz enfim fizera com que eu reconhecesse Naruto.

— Na... Naruto... O que faz aqui? – Eu perguntei trôpega, tentando me levantar, mas sentindo as mãos gentis dele pressionar meu corpo em direção a cama.

— Você não lembra do que aconteceu? – Ele perguntou franzindo o cenho, depois de retornar de um lugar que eu não conseguia enxergar, simplesmente porque virar minha cabeça para o lado direito dói.

— Se lembrasse não estaria perguntando. – Eu disse amuada, não querendo bancar a chata, mas minha cabeça estava doendo, e eu estava estranhamente enjoada, e não lembrava o que tinha acontecendo, não sabia onde estava, nem porque Naruto estava ali me olhando com aquele olhar penalizado.

— Não chore, querida. – Só percebi que estava chorando, quando os braços acolhedores dele me envolveram e eu senti pela primeira vez seu calor.

Eu queria dizer alguma coisa, mas não conseguia parar de fungar, ainda mais quando senti as mãos de Naruto deslizar carinhosamente pela minha cabeça dolorida. E, aquilo fez com que soltasse um gemido de dor.

— Desculpe. – Infelizmente, ele entendeu minha manifestação de dor, como um pedido indireto para que ele me soltasse, o que não era bem assim.

— Você não lembra o que aconteceu? – Ele perguntou com suavidade, e seus olhos transbordavam tanta preocupação, que eu me senti sufocada, só que de um jeito bom.

Tirando Mei, e quem sabe Suigetsu, nunca ninguém se preocupou comigo. E, a sensação era reconfortante.

Eu queria balançar a cabeça, mas doía, fazê-lo de qualquer jeito.

— Vejo que você já acordou... É um bom sinal. – Antes que Naruto me dissesse o que havia acontecido, um ruivo vestindo jaleco branco entrara no quarto.

Ele começara a me examinar, usando uma irritante lanterninha em meus olhos e auscultando meus batimentos. Depois pegara um martelinho, e começara a testar meus reflexos, e depois disto ele franziu o cenho, o que não me pareceu muito bom.

— Seria seguro, fazer uma tomografia. Você tem plano de saúde, moça? – O rapaz seguiu perguntando, e seus olhos eram cinzentos, com anéis que os tornavam muito únicos.

— Hm. Não. – Eu disse meio embasbacada. – Mas, tenho um cartão de crédito ilimitado em algum lugar... Hã... Acho que da minha casa. – Eu disse depois de notar que estava sem minha bolsa. Os dois me encararam como seu eu fosse uma alienígena de outro mundo, e na maioria do tempo eu me comportava como se fosse uma, então não podia culpa-los.

— Eu vou preencher uma solicitação, e é só comparecer ao Hospital Senju. – O médico me disse com serenidade, mas ele estava sério.   

— Certo, doutor? – Eu lhe perguntei, curiosa por sua figura.

— Uzumaki Nagato. – Ele disse-me ensaiando um sorriso. – E, antes que pergunte, sou irmão desse grande cabeça oca aqui... – Ele disse caçando o loiro pelo pescoço, e desarrumando o seu cabelo.

...

Enquanto, uma gentil enfermeira de cabelos negros e olhos perolados,  retirava o cateter de meu braço, eu pude ver Naruto e Nagato conversando em um canto, e pareciam tensos por algum motivo.

— Problemas familiares? – Eu sussurrei tentando quebrar um pouco o clima. Antes de ir embora, Nagato administrou uma medicação, que fez milagres.

Estava em uma clínica comunitária que ele tinha criado para atender a população mais pobre de Konoha e arredores. Senti-me um pouco mal, por causa disto, e prometi fazer uma boa doação ao local, assim que me recuperasse da queda.

— Problemas com um coração partido que nunca se cura. – A enfermeira disse-me baixinho, e o modo como ela me falou, deixou-me na dúvida se ela falava de Naruto ou dela própria.

...

— Consegue andar? – Naruto perguntou coçando a cabeça, de um jeito que o deixou adorável.

Eu tentei balançar a cabeça, mas não estava conseguindo, então acho que o fiquei encarando como uma idiota, e minha ausência de resposta fez com que ele tomasse a atitude de me estender o braço, para me ajudar a descer da maca.

— Você ainda não me disse o que aconteceu? – Eu perguntei já imaginando o que havia sido, e não me surpreendi quando ele me disse que escutou um barulho de vidro se partindo. E, preocupado, ele tomou a liberdade de entrar em meu apartamento, quando percebeu que eu não respondia.

— Uau, obrigada... Você é meu anjo da guarda. – Eu lhe disse parecendo um pouco idiota demais, para o meu gosto. Sem nem parar para pensar no óbvio: como foi que Naruto entrou?

— Veja só, minha família vive dizendo que tenho que encontrar um rumo... Será que ser o seu guardião, conta como experiência no currículo?

Ele dissera fazendo graça, mas continuava sério, o que era uma mistura um tanto impactante.

Eu por minha vez, não hesitei em dar-lhe um sorriso de canto.

— Posso oferecer-lhe boas referências. – Eu disse desmanchando o sorriso, porque até isso me causava dor.

— Já deixei várias mensagens, para o Sasuke. Mas, aquele workaholic, nem visualizou minhas mensagens. – Naruto disse parecendo tentar me consolar, mas eu não via sentido em suas palavras.

— Quem é esse Sasuke que você tanto fala? – Eu lhe perguntei com curiosidade, e ele me encarou de um jeito estranho.

— O dono do apartamento que você mora. – Ele disse-me aquilo como se fosse algo óbvio que eu deveria saber desde o início, mas eu nem sabia de quem se tratava.

— E, não precisa ficar com vergonha. Você não é a primeira amante daquele teme, e nem será a última. – Ele disse arqueando a sobrancelha, enquanto seus olhos azuis, encaravam-me de um jeito que me desagradou.

— Baka, nem sei quem é esse Sasuke de quem você tanto fala... E, não sou amante de homem nenhum. – Eu lhe disse com as bochechas afogueadas de tanta raiva.

Mas, ele pareceu não se abalar com minhas palavras, continuou me olhando como se eu tivesse demência.

— Se você diz. – Ele falou-me em meio a um dar de ombros, que me deu vontade de soca-lo.

— Eu não digo... Eu garanto. – Eu disse levando as mãos na cintura, ficando na ponta dos pés, como eu sempre ficava quando zangada.

— Não se exalte, não vai fazer bem para você agora. – Ele disse-me conduzindo na direção de um táxi. E, eu pisquei aturdida, primeiro por causa de sua atitude, e também porque fazia muito tempo que eu já não mais andava de carro.

        ...

Já acomodados no banco detrás do passageiro, enquanto o motorista fazia um trajeto que para mim era novidade, como tudo naquela cidade.

— Não precisa me acompanhar se não quiser. – Eu disse repentinamente desconfortável com a presença de Naruto.

— Não tenho nada melhor, para fazer. Além do mais você me prometeu boas referência. – Ele disse-me com leveza, mas seus olhos continuavam tristes.

— Você não trabalha? – Eu lhe perguntei em um impulso.

— Eu sou autônomo. – Ele respondeu-me em um tom cortante que não combinava muito com seu habitual comportamento até ali.

O que foi um alerta de que eu havia sido indelicada, mesmo que sem querer. Mas, o Naruto não tinha passado do limite também, quando insinuou que eu era amante do tal do Sasuke?

Eu pensei, enquanto sentia mais uma pontada aguda de dor na minha cabeça. Choraminguei baixinho, porque sempre fui um tanto vil para a dor. Mas, senti uma mão áspera e calejada segurar com força minha mão, e me sentir grata por ele estar ali ao meu lado.

— Obrigada. – Eu disse com sinceridade. Repousando a cabeça em seu ombro, sabia que estava sendo minha vezes de passar dos limites, mas não estava tendo muito controle sobre meu corpo, naquele momento.

Mas, Naruto não pareceu se importar. Pelo contrário, manteve-se firme e forte, como um bom travesseiro humanoide deveria ser.

Até pararmos em frente de um prédio, que me fez ficar na dúvida se era um hospital ou um palácio suntuoso, desses que servem apenas para tirarmos fotos, tamanho requinte.

— Esse é o hospital Senju? – Eu gemi baixinho, sentindo minha cabeça latejar, e Naruto que estava me amparando tornou-se tenso ao meu lado.

— Sim. – Ele disse em um tom esganiçado, e eu percebi que ele não tinha gostado da minha pergunta.

— Senju, este nome não me é estranho. – Eu gemi, baixinho.

— São pessoas que se acham donas do mundo. – Naruto disse aquilo de novo em um tom esganiçado, que chamou minha atenção. E, quando eu olhei eu vi seus olhos inflamados de dor... E, de raiva.

O que teria acontecido? Eu lembro de ter me feito essa pergunta, mas o tempo me faria descobrir que tem coisas que é melhor não saber. Porque causam apenas sofrimento.



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