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História O Despertar do Amor - Capítulo 5


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Capítulo 5 - A Garota no Retrato


O hospital Senju, era tão luxuoso por dentro, quanto por fora. Era até estranho um lugar que geralmente as pessoas querem passar bem longe, fosse tão bonito e confortável.

Logo na entrada, havia uma recepcionista loira de profundos olhos azuis. Seu nome era Yugito, e ela era muito bonita, mas pouco sorria.

O procedimento foi muito simples, com a requisição e o pagamento, fomos encaminhados por um outro funcionário, até o setor que não ficava muito longe, bastava seguir um corredor todo envidraçado, e dobrar a direita.

Depois que realizamos o exame, fomos informados que o resultado ficaria pronto dentro de uma hora.

Quando sai da sala, achei que Naruto teria se cansado de mim, e ido para a casa, afinal éramos apenas vizinhos. Mas, para minha agradável surpresa ele continuou esperando, e ainda se ofereceu para irmos até a cantina do hospital, esperarmos mais confortavelmente.

— Você está um pouco pálida, talvez esteja com fome.

Realmente, eu não tinha comido nada aquela amanhã, quando sofri aquele estupido acidente.

E, passar algumas horas desacordada, não melhorou muito minhas condições.

A cantina era enorme, tinha um grande balcão bem no centro do hospital, com várias opções de lanche, eram tantas que eu não consegui nem contemplar todas.

Escolhi logo um pastel de camarão, extragrande e uma lata de Coca-Cola. Já o Naruto ficou apenas com uma garrafa de água, disse que não estava com fome.

Mas, acho que ele não tinha muita grana, por isso fiz questão de dividir o meu pastel com ele.

Enquanto comíamos, caímos em um silêncio confortável. Mesmo quieto, Naruto era uma companhia acolhedora, quente e agradável no bom sentido.

 Mas, eu estava intrigada.

— Você e Nagato parecem ter uma grande diferença de idade. – Comentei casualmente, tentando puxar conversa. E, aquilo deu certo, porque o Naruto confirmou com sua oras baixa, oras esganiçada. Parecia não estar muito habituado em conversar.

— Na verdade, ele é meu tio. Mas, meus avós morreram quando ele era muito jovem, e minha mãe o criou. Ele a considera sua mãe, também.

Naruto disse dando de ombros.

— Sua mãe é muito velha? – Eu perguntei aquilo no piloto automático, e me calei constrangida quando o vi, arquear a sobrancelha por causa da minha pergunta totalmente inadequada.

— Minha mãe é jovem, ela acaba de fazer quarenta e cinco, mas parece uma menininha ainda. É muito bonita. – Ele disse, sorrindo de um jeito tão expansivo, que eu fiquei que nem uma idiota, embevecida, por conta de seu lindo sorriso.

— Seu sorriso é muito bonito, Naruto. – Eu continuei dizendo no piloto automático. Definitivamente a batida, naquele aparador deve ter quebrado o filtro do que falar ou não.

Embora, ele não parecesse chateado, na verdade o rubor em suas bochechas, me dava a impressão de que ele estava gostando do que estava ouvindo.

— Quer dizer, você deveria tentar sorrir mais... Seu sorriso é bonito. – Eu tentei remendar o que havia dito anteriormente, mas quanto mais eu falava, pior ficava.

E, dessa vez a leveza em seu semblante desaparecera, e seus olhos lacrimejaram, o que trouxe de volta a mesma melancolia de antes.

— E, como poderia? Ela não está mais aqui comigo. – Ele dissera aquilo de um jeito que partiu o meu coração.

— Veja, eu acho que já passou uma hora. – Naruto disse fazendo um sinal para me ajudar a levantar, mas mesmo com minha cabeça doendo ainda, comer havia me ajudado a recuperar um pouco a fibra que eu sempre tive.

— Posso andar sozinha. – Eu disse aquilo com mais rispidez do que pretendia, o que fez com que ele recuasse um pouco.

Francamente, eu era uma idiota. Mas, dessa vez não tentei remediar a situação, pois quanto mais tentava, pior ficava.

...

Alguns dias haviam se passado, e eu estava me recuperando, depois de ter ficado de repouso absoluto.

Minha mãe, providenciara uma enfermeira particular. E, por ironia do destino, essa era Hyuuga Hinata.

A mesma moça que me atendera na clínica de Nagato. Por sinal, eu havia sofrido uma concussão, mas não era nada grave, desde que eu seguisse as instruções de Nagato.

Quando soube do acidente, minha mãe veio me visitar. E, eu quase consegui ver resquícios de uma muito esquecida, preocupação. Mas, assim que checara que eu estava relativamente bem, ela saíra porta a fora, e não aparecera mais.

Assim como Naruto. Eu havia tocado duas vezes sua companhia, e ele não me respondera. E, eu sabia que ele estava em seu apartamento fazendo-se deus sabe o que.

— E, como poderia? Ela não está mais aqui comigo.

Essas haviam sido suas palavras, e lembrar o jeito que ele disse aquilo, doía fundo em mim ainda.

Ele estava sofrendo por causa de um par de saias. Assim, como eu estava sofrendo por causa de um par de calças.

Então, nós dois podíamos meio que consolar um ao outro.

— Você está se sentindo bem? Parece estar com febre! – Hinata que havia acabado de levar a faxineira até a porta, encarara-me com seus olhos perolados muito avaliativos.

Uma das coisas que eu tinha aprendido, é que Hinata era uma pessoa silenciosa. Mas, bastante eficiente e atenciosa, a sua maneira.

Naqueles cinco dias de convivência, eu tinha aprendido pouco sobre a Hyuuga. Só sabia que ela morava sozinha, e que tinha um filho pequeno de quatro anos.

Mas, nada além disso. Ela, até mostrou-me a foto de Akyo, um garoto de cabelos bagunçados e olhos perolados como o dela. Mas, essa era a única similaridade de sua mãe, quer dizer os olhos. Porque o resto, era muito diferente.

Mas, quem sabe a criança tivesse puxado ao pai. Mas, Hinata foi curta e grossa.

— Não quero falar sobre esse assunto.

E, esse era mais um dos muitos mistérios em Konoha. Apesar, de o único mistério que eu queria resolver, era sobre por onde andava Naruto, e porque ele não havia me procurado ainda.

...

Naquele dia, eu acordara sentindo-me inspirada.

Tanto que resolvi fazer minha receita favorita “biscoito de polvilho”. Havia aprendido com a Mei, e toda vez que eu os fazia, eu me sentia mais perto dela.

Quase como se ela estivesse ali do meu lado, ensinando-me como da primeira vez.

A minha ideia era fazer uma fornada, e leva-los para Naruto.

Como um agradecimento às avessas.

...

        Fiz questão de colocar um macaquinho, vermelho como o meu cabelo, e uma sandália salto agulha, porque queria estar bonita e estilosa, quando o Uzumaki me visse.

        Céu, eu estava ficando interessada por meu vizinho, quando ainda não tinha me recuperado de um término conturbado, de uma relação com o homem que eu achava ser o homem da minha vida.

        Mas, depois de muito pensar, eu percebi que os mais de dez anos que eu vivi com Suigetsu, primeiro como amiga, depois como namorada, não despertava as mesmas sensações de quando eu estava com o Uzumaki.

        E, como eu era uma Uzumaki também, estava começando a achar que o bonitão do apartamento em frente, era a tampa da minha panela.

        Toquei com insistência sua campainha.

— Naruto, eu sei que você está ai dentro, por favor atenda. – Chamei-o com insistência.

E, acho que fiquei quase vinte minutos, parada na sua porta, até que enfim ele abrisse.

Estava usando uma calça de pijama cinza e enxovalhada, seus cabelos estava mais espetado, e sua barba estava por fazer.

— Você está bem? – Arregalei os olhos quando o vi naquele estado.

O homem que invadiu meu apartamento, e me salvou de minha própria trapalhada, não parecia o mesmo príncipe encantado de dias atrás, estava mais para um sapo fedido.

— Estava bem, até você ficar enchendo o saco aqui na minha porta. – Ele disse de mal humor. Ou aquele idiota, era bipolar, ou ele tinha sérios problemas com sua personalidade.

— O que foi dessa vez? Sua cozinha pegou fogo? Ou quem sabe seja um curto circuito? – Ele perguntou com sarcasmo, e sua fleuma corporal me dizia que ele não estava para conversa.

Mas, eu não dava a mínima, pois desde pequena meu apelido era trator. Quando eu queria uma coisa eu atropelava tudo o que estava pela frente, para ir atrás do que eu queria.

— Curto circuito só se for nessa sua cabeça vazia... – Eu disse levando a mão na cintura, e ficando na ponta do pé querendo parecer mais alta e imponente.

Pois, mesmo não deixando transparecer, eu estava me sentindo chateada, pelos inesperados maus-tratos da parte dele.

— E, se continuar falando comigo assim, eu vou é tascar fogo em você e nenhum bombeiro vai poder apaga-lo.

Eu disse soltando fogo pelas ventas, de tanta raiva. Quem aquele idiota era para falar assim comigo?

— Karin... – Então o ouvi dizer, enquanto caminhava na sua direção. – Se tiver um isqueiro e um pouco de gasolina, faça o favor. Risque o fósforo de uma vez, e caba com essa porra.

Ele disse aquilo com tanta urgência, seus olhos estavam tão obscuros, que eu não soube o que dizer naquele momento.

Ficamos ali nos encarando por um tempo demorado.

E na ausência do que fazer, eu peguei um dos biscoitos que eu tinha preparado, e o empurrei na sua boca, fazendo-o fazer uma cara muito feita no processo.

— Garoto, acho que você está precisando dar uma adoçada na vida... Não acha não? – Eu lhe disse atrapalhada, porque eu era péssima em consolar os outros.

— Hoje fazem cinco anos, que ela se for. Adoçar a vida é a última coisa que eu quero... – Eu o ouvi dizer, com lágrimas escorrendo por sua bochecha. Enquanto ele deixava o biscoito cair no chão. E, aquilo me enterneceu, de alguma maneira.

— Ela quem? – Eu perguntei fazendo uma careta de confusão.

— Você não entenderia. – Ele disse esfregando as mãos no rosto, indo em direção a seus cabelos desgrenhados.

Eu abri e fechei a boca, sem saber o que estava dizendo. Talvez, fosse cedo demais, para eu querer arrastar a asa para alguém, acho que tanto tempo com o mesmo cara, me fez perder a prática.

— Certo, se você diz. – Eu lhe respondi não querendo mais bancar a perseguidora chata e oferecida.

— Karin espera. – O ouvi me chamando. Se ele não tivesse tanta urgência na voz, nem teria o escutado.

Senti de novo sua mão quente, e ao mesmo tempo calejado circundar a minha e me puxar na direção de seu apartamento.

Nem precisa dizer que estava uma bagunça. Havia tinta espalhada por toda a parte. O ambiente estava na penumbra, e o cheiro era de um lugar que havia estado fechado há muito tempo.

Havia outros cheiros, mas meu olfato não era lá muito bom.

E, eu estava mais preocupada com Naruto puxando minha mão, para um ambiente escuro e desconhecido. Mas, de novo havia tanta urgência em suas atitudes, que eu não consegui lhe dizer não.

A sala praticamente não tinha móveis, apenas uma televisão que jazia esquecida em um canto, aparentando não ser ligada há muito tempo.

Havia jornais espalhados por toda a parte, e uma confusão de potes de tintas, pinceis, e galões de solvente, que tornavam a atmosfera do ambiente ainda mais bagunçada.

Mas, o que me chamou a atenção, foram as dezenas de cavaletes espalhados pela sala.

A maioria parecia inacabado, mas todos havia fragmentos de um rosto. Em um cenário repleto de flores de cerejeira, mas nenhum estava terminado.

— Já faz tanto tempo que ela foi embora, que já não consigo mais lembrar seu rosto, por mais que eu olhe a fotografia, a conexão já não é mais a mesma.

Ele dissera, e de novo lágrimas desciam por seu rosto de modo que eu entendi bem suas palavras, e também seus sentimentos. Talvez com a garota no retrato já não houvesse uma conexão, mas comigo... Algo novo e grandioso estava acontecendo, ainda mais quando eu envolvi seu pescoço e o puxei para meus braços e como o garoto solitário e sofrido que era ele aceitara meu gesto.



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