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História O Despertar do Amor - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Uma Dose de Gratidão


Cinco dias depois, eu estava de alta, isso não significou grande coisa no cenário atual da minha vida.

Antes eu era uma formanda, com planos de efetivação, casamento com tudo que eu tinha direito, e um filhinho ruivo que nem eu, e charmoso que nem aquele grande filho da mãe.

Mas, agora meus dias se resumiam assistir comédia ruim na Netflix, e comer pipoca doce, mas...

Tinha a companhia, e ele estava sentado no tapete da minha sala, com seus olhos azuis grudados na tela, onde passava uma comédia bem pastelona.

— Aqui com cobertura de chocolate. – Eu disse lhe estendendo um pote cheio de pipoca doce, e ele pegara sem nem tirar o olho da televisão.

Mas, apesar de ser um filme desses bem bobos e despretensiosos, que te fazem rir só de ver o título, Naruto não rira nem um pouco, mesmo quando eu chegava a lacrimejar de tanto gargalhar.

Eu sabia que tinha passado uma linha imaginária chamada: limite.

Minha mãe acusava-me de nunca os reconhecer de qualquer forma, mas eu reconhecia agora.

Quando bati a sua porta, quando o abracei, e quando achei que apenas minha presença seria o bastante para tirá-lo daquela tristeza. E eu me sentia frustrada, porque ver Naruto rindo era o que eu mais queria.

Pode parecer um desejo bobo, ainda mais em relação a uma pessoa que havia conhecido pouco menos de duas semanas.

— Então, você não tem nenhum plano a não ser ficar comendo pipoca doce e assistindo comédia na televisão? – Eu lhe perguntei casualmente, e seus olhos azuis se intensificaram.

— Não tenho coisa melhor para fazer. – Ele disse solenemente, quando lhe fiz essa pergunta dois dias atrás.

Isso depois de ele ter me acordado cinco horas da manhã, batendo a minha porta, com um saco de pipoca doce envelhecida, do tipo que se dava para pombos, dizendo que estava insone.

E, ele perguntou se eu não tinha nenhuma recomendação de filme para ele assistir, sendo que a única recomendação que eu tinha era de travesseiro para dormir.

Mas, eu estava devendo muito a Naruto e o deixei entrar em minha casa, embora tenha adotado um novo mantra mental “somos apenas amigos e nada mais”.

De encrencada já bastava eu, e eu não precisava de um cara obcecado por uma garota sem rosto, que ele se recusava a me dizer o nome e que fim levou.

— Você parece que quer me dizer alguma coisa. – Naruto dissera fitando-me repentinamente nos olhos.

E, pela temperatura de minhas bochechas, certamente elas haviam alcançado a cor de meu cabelo naquele instante.

— Desculpa, eu tenho esse hábito horrível de ficar encarando as pessoas. – Eu admiti um dos meus defeitos mais imperdoáveis. Já tive muitos problemas por causa dessa minha mania.

— Relaxa, caras bonitos foram feitos para serem olhados. – Ele disse em um tom irônico e sarcástico.

E, eu tinha de admitir que Naruto era bonito. Apesar de sua aparência estar desleixada. Seus cabelos arrepiados, as olheiras fundas em torno dos olhos, a roupa amarrotada... Era uma combinação pouco atrativa, para uma mulher comum, mas eu nunca fui uma mulher “comum”.

— Convencido. – Eu disse empurrando uma mecha de meu cabelo para trás da orelha.

— Seu cabelo parece com o de minha mãe. – Ele disse tocando a pontinha dos fios, e nas poucas conversas que eu consegui ter com o Naruto naqueles dias, ele falava muito da mãe e do Nagato.

— Fico curiosa em saber o tipo de pessoa que ela é. – Eu disse tentando não soar como se estivesse o pressionando para que ele me levasse para conhece-la, apesar de ser exatamente isto que eu queria que ele fizesse.

E, eu sei que isso é idiota e ilógico, mas eu avisei que não sou uma mulher comum.

— Ela é uma mulher extraordinária. – Ele disse coçando a bochecha. – Criou eu, Nagato e Sasame sozinha. – Naruto disse suscinto como sempre.

— Sasame é sua irmã? – Eu perguntei com curiosidade.

— Sim, é uma pirralha chata de onze anos. – Naruto disse me surpreendendo com uma risada baixa, mas sem humor.

— Parece uma família legal... – Eu disse um pouco invejosa, desde que me conheço por gente, havia sido eu e minha mãe. – E, o seu pai? – Deixei-me levar pela sua inesperada boa vontade em falar.

— Não o conheci. – Naruto admitiu um pouco constrangido. – E, antes que pergunte sou filho de mãe solteira, e a considero meu pai, por merecimento.

— Relaxa, Naruto. Eu também sou filha de mãe solteira... – Eu disse, na defensiva e aquilo pareceu criar empatia, porque ele ficou mais receptivo para a conversa.

 — Sim. – Eu balancei a cabeça afirmativamente. – Minha mãe se recusa a falar sobre ele... – Eu disse sem esconder o quanto isso me chateava.

— E porque você iria querer saber sobre um idiota que te abandonou? – Ele perguntou repentinamente, em um rompante que não me irritou.

— A questão é que eu não sei, se ele me abandonou. – Eu disse sentindo meu rosto aquecer, só que de um jeito que eu sabia que acontecia quando eu ficava brava.

— Karin, você tem o nome dele na certidão? Ele alguma vez participou de sua vida? Ou lhe ensinou alguma coisa, deu conselho, tirou dos perrengues, cuidou de você quando estava doente? – Ele perguntou calmamente, e eu me senti de um jeito que não consigo descrever, mas aquilo me desagradou, porque minha mãe havia estado comigo e não havia feito metade das coisas que ele disse.

— Se conhecesse minha mãe, iria entender o que quero dizer. – Eu disse um pouco amargurada.

— Desculpe. – Então inesperadamente, sua mão pousara em meu ombro. – Eu as vezes falo demais, e não consigo controlar minha própria estupidez.

— Não, você foi apenas... Objetivo. – Eu disse remexendo meus óculos, e ele ficou me olhando de um jeito que me deixou nervosa, não sei porque, mas naquele momento eu entendi, a razão das pessoas ficarem tão chateadas comigo por eu ficar as encarando, mesmo quando não queria.

...

Mais dois dias se passaram, e eu senti muita falta de Naruto.

Fiquei tentada em bater sua porta, mas não queria ser tão invasiva assim.

Ele sempre vinha a mim, e essa era a regra do jogo. Mas, enquanto eu batia os ovos, para preparar uma omelete, esse pensamento me deixou constrangida, porque essa regra era mais comum entre amantes, e não entre amigos.

— Kuso, preciso de um emprego urgente.

Eu pensei resoluta, enquanto colocava o ovo na frigideira, e corria os olhos pelo display do celular.

Estava garimpando vagas de emprego em Konoha, mas essas pareciam não existirem. A maioria era relacionada ao grupo Kusaju. Eles tinham um hospital, laboratório, uma empresa de minas e energia e um grande centro comercial, ou seja pareciam dominar os principais setores de Konoha.

Mas, depois do que o Naruto me disse, eu não tinha vontade de trabalhar para eles, mesmo sabendo que poderia ser um pouco de exagero da parte dele. Ainda assim, com minha sorte eu não queria arriscar.

Também estavam precisando de uma vaga para o escritório de advocacia, que era da propriedade da família Uchiha.

Mas, pedida tantos requisitos que eu nem terminei de ler tudo. Quem sabe minha mãe, pudesse me dar uma mãozinha, mas depois do episódio do Gatou, ela iria me querer a quilômetros de distância do macho alfa da vez.

Ainda assim, fiquei me perguntando quem seria esse Sasuke? E que relação ele teria com minha mãe?

Só parei de devanear quando um cheiro de queimado me trouxe de volta à realidade, e eu desliguei o fogão em meio a uma sufocante fumaça, que me obrigou a abrir a janela.

...

Depois do acidente envolvendo minha tentativa de fazer almoço, resolvi ir até a mercearia comprar pão, queijo e goiabada.

Já que eu não havia ainda feito um tour por Konoha (falta de vontade mesmo), para achar as opções que aquela cidade me oferecia, para que eu não passasse meus dias trancada naquele minúsculo apartamento que não era nem meu, para começo de conversa.

Mas, quando abri a porta, fui capturada por um par de olhos azuis que me fitavam alarmado.

— Karin, você está viva? – Naruto estava ali, com um aspecto bem melhor do que dos dias anteriores.

Mas, ainda assim estava com os olhos cheios de olheiras, e seu semblante era apático e sem vida.

— E, porque não estaria idiota? – Eu perguntei tentando com minha grosseria demonstrar que eu tinha tudo sobre controle.

Mas, ele fechou a cara.

— Não parece, saiu fumaça da sua janela. – Ele disse arqueando a sobrancelha.

— Aposto que você tentou cozinhar. – Ele disse em tom de zombaria.

— Antes de querer zombar da inaptidão dos outros, reveja suas próprias habilidades.

— Sinto te informar que sou um excelente cozinheiro. Talvez, haja apenas duas pessoas em Konoha que me superam nesse quesito. Três se eu colocar minha mãe na conta.

— Hein? – Eu o encarei ficando surpreendida por sua inesperada onda de vigor e energia.

— Quer tirar a prova? – Ele perguntou aproximando seu rosto repentinamente de mim, falando em tom baixo e manso, que não combinava com o Naruto.

— Sabe que essa sua versão é mais agradável aos olhos da ruivinha sexy aqui, não sabe? – Eu perguntei-lhe em zombaria.

— Sua sorte é que eu não levo as ofensas para o lado pessoal. – Ele disse deslizando as mãos por seus cabelos loiros, e ele pareceu-me incrivelmente atraente naquele momento.

Merda, Karin “somo apenas AMIGOS”. Repeti uma quinze vezes meu mantra pessoal, antes lhe dar um soco leve no braço, antes de ralhar.

— Estou elogiando-o idiota.

— Não, você está me criticando, usando um falso elogio como argumento.

— Oh, alguém aqui conhece um pouco de teoria do discurso. – Eu disse não me deixando abalar, pela eterna montanha russa, que era estar na companhia daquele loiro Kamikaze.

— Então, vai querer seu almoço ou vai ficar aí resmungando... Resmungona. – Ele disse em um tom de provocação, e a julgar pelo modo que ele disse aquilo, ele não estava falando na brincadeira, pois ele queria me provocar de fato.

— Continue falando assim comigo... E, quem vai ter motivos para resmungar é você. – Eu lhe disse tentando parecer intimidante, a pra isto fiquei na pontinha dos pés.

— Ui, e eu estou tremendo de medo! – Ele disse colocando a língua, mas quando eu fechei a porta ele correu e eu fui que nem um foguete atrás dele, querendo fazer nem sei o que.

Mas, ele entrou no elevador, e eu e meus pés juntos deu um jeito de se enredar nas pernas, e por causa disso eu dei de cara no elevador, que havia se fechado instantes antes de eu conseguir entrar.

Cai de bunda no chão e fiquei ali com cara de choro, que nem quando era criança, e fingia que caia só para ter um pouco de atenção da Fuuka.

— Garota, você é um atentado a vida sabia? – Naruto dissera-me cinco minutos depois, ofegante e suado de pois de ter subido as escadas para me resgatar.

...

— Naruto idiota, me coloca no chão... – Eu disse enquanto lutava com o constrangimento de estar sendo carregada no ombro por um loiro abusado, que estava conseguindo tirar com minha cara e era poucos que conseguiam isto.

— E, arriscar que você quebre todos os ossos, eu acho que não. – Ele disse todo senhor de si, e eu puxei seu cabelo só para me vingar e ele pareceu não se importar.

— Acho que não quero mais almoço, vou voltar a comer meu sanduiche de queijo com goiabada.

— Só louco come isto e inda chama de sanduiche. – Ele dissera provocativo como sempre.

— O que você tem contra o casamento do queijo com a goiabada? – Eu perguntei tentando fazer piada, e aquilo só reforçou a imagem que certamente, ele tinha de que eu era louca.

...

Naruto sabia que eu não tinha nada além de pipoca, calda de chocolate e café na dispensa. E, certamente ele também não tinha nada mais comestível do que eu.

— Naruto é sério me solta. – Eu disse já perdendo a paciência, e ele pareceu perceber que quem tinha passado a linha imaginária chamada limite, havia sido ele.

Mas, eu não queria que aquele brilho brincalhão de seus olhos desaparecesse, então esforcei-me para ajeitar a situação.

— Então, o que vamos ter para comer chef? – Eu lhe perguntei tentando empregar o mesmo humor de sempre, e para meu alívio seu semblante estava menos doentio e apático que de costume.

— Gosta de espaguete a bolonhesa. Essa é uma das minhas especialidades e a Sa... – Parara de falar como se tivesse se corrigido. – Havia uma garota que gostava. – Ele disse ficando mais melancólico e aquilo não era bom, por isso tratei de pegar sua mão, e puxá-lo na direção da mercearia que ficava próxima de onde morávamos.

— Então, eu quero experimentar. – Eu disse sentindo-me aquecer, com a ideia de que ele estava disposto a fazer o mesmo prato que ele fazia para a garota sem rosto.

...

A mercearia era surpreendentemente grande, mas não chegava perto das lojas dos supermercados que tinha em Tóquio.

Mas, aparentemente ali vendia tudo o que o Naruto precisava e eu apenas o segui, enquanto ele pegava o que queria, acrescentando uma ou outra coisa, no seu cesto, afinal eu precisava de algumas coisinhas a mais.

— Que foi uma garota não pode viver sem Nutella. – Eu disse ajeitando meus óculos constrangida, quando ele me encarou feio por eu estar colocando três potes na minha cesta.

 — Não engorda de ruim. – Ele disse  bem baixinho e eu ouvi, então lhe dei mais um soco no braço, e ele soltou um muxoxo de descontentamento.

O bom de ir a um comércio pequeno é que os itens foram pegos rapidamente, e estávamos nos dirigindo ao caixa.

Para me assegurar que ele não teria nenhuma ideia estranha, eu o segurei pela mão, na esperança de impedi-lo de achar que tinha de me pegar no colo pelo motivo que fosse.

Havia uma mulher que estava tentando em vão, acalmar uma garotinha que não parava de chorar, porque ela queria algum doce ou algo do tipo.

Aquilo foi estranhamente familiar para mim, muitas vezes eu quase matava Fuuka de vergonha, porque pelo menos ela usava seu tempo para me dar broncas e desse modo ela me olhava.

Pensando bem eu era uma criança chata e irritante, não lhe tiro a razão por não me querer.

Mais atrás tinha uma senhora resmungando, sobre “não se fazem mais crianças como antigamente”, e eu e Naruto, ali lado a lado esperando.

Então o sininho da porta tocou, anunciando a chegada de mais um cliente.

E, pela porta entrou um casal. Demorei a interpretá-los assim porque o homem era afeminado demais para o meu gosto. Era alto, desprovido de melanina e tinha longos cabelos pretos, definitivamente um tipo assustador.

A mulher era bem mais baixa, loira e tinha olhos amendoados. E, eu notei que eram um casal porque ele pusera os braços protetoramente em torno dos ombros dela.

Senti Naruto que estava ao meu lado ficar repentinamente tenso, e apertar com força minha mão.

— Naruto? – Eu o chamei mais alto do que achei que iria fazê-lo, e aquilo chamou atenção dos dois recém-chegadas, que olharam diretamente para nós.

E, naquela rápida troca de olhares, eu tive a impressão que uma bomba nuclear seria arremessada diretamente na nossa cabeça, a qualquer momento. E, que a qualquer momento, o Naruto iria fazer o mesmo com o casal.

Então, os olhos da mulher me encararam dos pés a cabeça, e eu me obriguei a fazer o mesmo, mesmo com meu péssimo histórico de encaradas inoportunas.

Por um instante eu achei que a mulher iria na nossa direção, mas o homem dissera algo em seu ouvido, e eles giraram nos calcanhares e saíram dali, tornando a atmosfera mais leva, com sua saída.

— Naruto? – Eu voltei a chama-lo, mas ele não desgrudava os olhos do casal, que subiu numa land rover vermelha, e desaparecera.

Ele nada disse, apenas ficou olhando o casal, e eu tive muita vontade de perguntar qual era o problema, mas chegou nossa vez de passar no caixa.

— Naruto, minha mão. – Eu voltei a falar, desejando que dessa vez ele me ouvisse. Pois ele estava apertando tanto, que realmente estava doendo.

Ele, encarou-me de um jeito estranho e soltou minha mão.

— Desculpa, Karin. – Ele disse entregando-me o cesto. – Mas, eu vou ficar te devendo seu almoço.

Ele disse afastando-se tão repentinamente, que eu fiquei tentada em ir correndo atrás dele, e fazê-lo voltar pela orelha.

— Vai ficar com isso moça? – A atendente do caixa, perguntou sorrindo-me de um jeito que eu simpatizei com ela.

— Você sabe quem era aqueles dois que entraram aqui antes? – Eu perguntei apontando para a porta, agora sem ninguém.

— Você não sabe quem são eles? – Ela perguntou de um jeito afetado demais para o meu gosto.

— Não morava aqui antes. – Eu disse tentando controlar minha irritação.

— São o Sr. e a Sr.ª Senju. – Ela disse ainda de um jeito afetado, e pensando bem eu já deveria ter imaginado aquilo.

— Eles são donos da metade da cidade. E, acho que da outra metade também. – Ela disse pensativa, enquanto coçava o próprio queixo.

— Entendo. – Eu disse pagando pelas mercadorias, e as carregando aquilo cheia de desanimo. Naruto ia ver só uma coisa quando eu o encontrasse.

Eu pensei vendo que minhas doses de gratidão não seria o bastante, para mantê-lo a salvo de tudo que o atormentava.



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