História O destino traz quem te merece - Capítulo 38


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Categorias Histórias Originais
Tags Esporte, Shoujo-ai, Surf, Yuri
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Palavras 3.870
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Voltei!
E como prometido, trago o capítulo final.
Espero que fiquem satisfeitos, pois até sair do meu padrão de tamanho.
Ficou simplesmente enorme.


Sem mais,
Boa leitura <3

Capítulo 38 - Final - O destino traz quem te merece...


Fanfic / Fanfiction O destino traz quem te merece - Capítulo 38 - Final - O destino traz quem te merece...

 

Com muita dificuldade conseguia manter meus olhos abertos, não lembrava quando, mas havia me tornado fã de café, e agora entendia porque a maioria dos adultos eram viciados nele. Aquele deveria ser o quê? Meu quarto, ou talvez já foram cinco copos? O fato que a cafeina me mantinha acordada. Naquele momento, era deveras necessário. Estava caindo pelas tabelas do sono, com razão aparentemente. Noites e mais noites mal dormidas, tentando conciliar o trabalho e o estudo. Aquele semestre ainda nem estava na metade, e já estava acabando comigo, mas de certa forma tinha me saído bem nas provas. No final, valeria a pena. Suspirei, encarando o copo vazio e reparando minhas unhas. Revirei os olhos. Precisava urgentemente ir na manicure, arrumaria tempo pra isso. Sem dúvidas isso era prioridade pra mim. Apertei o lixeiro com o pé, e lancei o último copo de café. Pelo menos, deveria ser. Iria me esforçar. Olhei em volta, como sempre o ambiente estava lotado. Continuava frio, gelado e a temperatura piorava dentro das salas. Paredes brancas, corredores longos, correria. Mas, curiosamente adorava tudo aquilo. 

 

Por um momento pensei ter visto alguém conhecido. Aqueles cabelos loiros, corpo magro, alta, bonita… parecendo uma modelo. Foi nesse instante que meu corpo inteiro estremeceu. Fechei e abrir meus olhos diversas vezes em segundos. Me atrevi a andar em passos largos para o lado contrário. Precisava urgentemente dá alta a uma paciente para poder ir finalmente embora. Mas meu corpo simplesmente emperrou e criou um a batalha interna. Senti levemente a mão gentil da Chloe segurar meu ombro e perguntar:

 

- O que foi, Dra? Tá tudo bem? - Encarei aquela morena de pele escura, com seus acolhedores olhos cor de mel. 

 

- Er, sim, Chloe… só tô cansada, preciso ir pra casa. - Soltei em filete de voz. Quase pedindo socorro. 

 

- Precisa mesmo! - Falou olhando o relógio. - Você tá aqui a mais de 12 horas, meu Deus! Faz quanto tempo que não dorme? -

 

- Ué, você também! - Soltei. Ela riu.

 

- Mas você paga duas cadeiras a mais, minhas provas acabaram três dias antes das suas, lembra? Só falta a merda daquele relatório. - Argumentou.

 

- Nem lembra desse negócio, ainda nem comecei! - Suspirei.

 

- Também… não sei nem como você ainda tá em pé! - Falou pegando o prontuário da minha mão. - Eu dou alta por você, e te mando os dados, tudo bem? - 

 

- Aí, amiga… Ficaria grata! - Me dando um sorriso gentil assentiu com a cabeça.

 

- Quando tudo isso passar, você paga um jantar! - Sorriu aberto. A olhei com os olhos estreitos. - Ciri, vai pra casa! - Falou por fim.

 

Era essa minha total intenção, precisava urgentemente sair de lá… mas meu corpo não queria. Eu estava incrédula como ela ainda tinha esse poder todo sobre mim só com a possibilidade de poder vê- la… já fazia tanto tempo. 

 

“Mas o que diabos Karina tava fazendo aqui?”

 

Por questão de segurança, havia muito tempo que não procurava saber dá sua vida, era muito sadomasoquismo. Embora, uma vez ou outra, acabava sabendo por algum comentário, afinal, Karina Lacetti era deveras famosa e as pessoas conseguiam ser bem maldosas. Aproveitando o fato de não esquecer que a gente namorou um dia. Inclusive, a última fofoca que chegou aos meus ouvidos, era sobre seu suposto relacionamento com outra surfista. Aquilo me pegou desprevenida. Pensava que já tinha superado. Bufei, virando sobre os pés e indo em direção a Juliana. Percebi que ela não estava mais no corredor, e por um momento entrei em desespero, mas logo me tranquilizei vendo a mesma falando alguma coisa na recepção. 

 

- Ei… posso ajudar? - Soltei brincado. A assistente da Karina se virou falando alguma coisa, mas imediatamente abriu a boca, mostrando sua total surpresa. Depois veio em um abraço animado.

 

- Meu Deus, Ciri! - Soltou estarrecida. - Mas o qu… você é médica daqui? - Observou meu jaleco e provavelmente o estetoscópio no meu pescoço.

 

- Não… ainda não… - Sorri sentindo um nervosismo me invadir por completo - Ainda falta um pouco… mas faço meu internato aqui. - Expliquei com uma certa ansiedade nas palavras. - Ela percebeu meu estado, era evidente o tamanho do meu descontrole emocional. Fechei meus olhos fortemente tentando me acalmar, mas sentir as mãos da Juliana no meu braço e se adiantou.

 

- Ciri… calma. - Soltou gentilmente. - A Ká tá aqui… - Suspirei fundo. - Ela veio fazer uma ressonância. Mas cedo no treino, bateu a cabeça nas pedras. Sangrou um pouco, mas tá tudo bem. Só por precaução, ela veio fazer o exame. - Suspirei. - A gente só tá esperando o resultado, pra ir embora. - Completou.

 

- Ela tá aonde? - Perguntei.

 

- Naquele quarto. - Apontou. - Tá bem angustiada, você sabe… ela não tem boas lembranças daqui. - 

 

- É… eu imagino. Foi bem difícil trabalhar aqui, mas o tempo passou… e foi ficando fácil. No fim, me acostumei. - 

 

- Você vai vê-la…? - Quis saber.

 

A encarei séria. Mas uma vez respirei fundo, buscando alguma sanidade, algum vestígio de sensatez pra me afastar e ir embora. Mas era inútil. Tudo o que eu mais queria era entrar imediatamente naquele quarto. No fim, apenas assenti com a cabeça. Ainda antes de ir, pedi seu prontuário na recepção ao nosso lado, dei uma olhada rápida, constatei que realmente a Karina estava bem e por fim escutei. 

 

- Vai dá tudo certo. - Jú falou sorrindo.

 

Bati na porta antes de entrar e já sentir meu corpo todo enrijecer ao escutar aquela voz tão conhecida permitindo a minha entrada. Ela estava sentada na cama, com seus pés pendurados para fora, os balançando. Tinha um pequeno curativo na testa e encarava o celular com um sorriso preso no seu lábio inferior. Suspirei com aquela cara de cafajeste, safada e ao mesmo tempo tão moleca. Senti meu corpo todo tremer e diagnostiquei rapidamente trouxisse aguda. 

 

“Meu Deus, Karina continuava linda!” 

 

E como sempre estilosa, ela vestia uma camisa branca de manga comprida, bem larga com listras preta. A camisa tava arregaçada em um dos braços. Uma calça apertada, deixando evidente suas pernas torneadas. O fundo da calça era bem baixo, tinha alguns rasgos. Ela dobrou a bainha até um pouco antes da batata. Um sapato slip on preto. Seus lindos cabelos lisos, estavam soltos, evidenciando seu corte repicado que desciam por seus ombros em cascatas, estavam mais longos do que ela acostumava usar. Chegavam até abaixo do seio. E… aquele rosto, feito pelos deuses ou demônios… porque aquele rosto dela era um pecado. Sem mencionar aqueles lindos olhos verdes que conseguiam roubar a alma de qualquer um. Suspirei mais uma vez admirada, sem dúvidas… Karina era a mulher mais bonita que já tinha visto na vida e ainda era louca por ela.

 

- Oie, surfista. - Falei sem nenhuma timidez mas precisei me encostar na porta, pois minhas pernas de repente pareciam vacilar. Torcia para que ela não conseguisse escutar as batidas do meu coração. Batiam tão rápido, tão alto que poderia ter a qualquer momento um treco. Até agradecia por já estar em um hospital. 

 

Ela subiu a vista rapidamente me encarando com uma expressão completamente indecifrável, apenas percebi uma leve escurecida nos seus olhos claros. Mas depois me senti confiante, pois vi os mesmo olhos percorrerem meu corpo de cima abaixo, sem nenhum pudor. Por um segundo, me sentir nua. 

 

- Oie, Doutora… - Falou de forma rouca sorrindo de canto de boca. - Caralho, tu tá ainda mais linda! - Soltou me surpreendendo e me tirando um sorriso. - Veio me examinar? - Brincou.

 

- Só se você tivesse com problemas em outros lugares. - Entrei na brincadeira e ela se assustou, mas depois sorriu.

 

- Com uma médica dessas, inventaria problemas em todos os cantos… - Sorri.

 

- Me conta, como você tá? Queria te parabenizar pelo tricampeonato! - “Merda”. Acabei revelando que tinha algum conhecimento da sua vida. Mas era meio difícil não saber algumas coisas, ela tava muito famosa. Mas ela sorriu com aquele lindo sorriso branco. 

 

- Tri, ainda não… mas tô me esforçando... Eu tô bem, Ciri. E você? - Me avaliou. - Parece cansada… - Concluiu. 

 

- Exausta! - Mas dei o meu melhor sorriso pra ela. - Muito cheia esse semestre…não tenho tempo nem pra dormir. - Confessei.

 

- Nem pra namorar? - Senti a pergunta em tom de brincadeira, mas percebi sua expressão levemente mais séria. Demorei um pouco pra responder.

 

- Tem que arrumar um pouquinho… ele me cobra bastante. - Falei tentando entender o porque esse sentimento de culpa me atingia. Karina provavelmente estava namorando. Nesse tempo deve ter ficado com diversas garotas. Qual seria o problema ela saber dos meus casos?

 

- Ele? - Perguntou surpresa - … Então você tá namorando? -

 

- Tô… - Respondi sincera a encarando. - E você, Ka? Tá namorando? - Perguntei porque a curiosidade foi maior, mas não sabia se estava preparada pra de fato saber a resposta.

 

- Não… solteira. - Respondeu dando de ombros, fazendo meu corpo todo suavizar. - Pensei que você não gostava de garotos. Não ficou com mais nenhuma garota? - Revirei os olhos.

 

“Precisava responder aquilo mesmo? Sinceramente… que tipo de conversa era aquela?” Pensei sentindo o ambiente pesado. 

 

- Fiquei com duas… mas não rolou… sei lá, com garotos é mais fácil, eu acho.. - Acabei confessando.

 

- Entendi. Foi bom te ver, Ciri! - Falou sorrindo me encarando, prendendo aqueles olhos filhos da puta de tão lindo nos meus. Me sentia hipnotizada, acorrentada, parecia que não importava o tempo que passasse, eu iria estar presa a ela. Mas a partir daquele sorriso, não conseguia mais ler seus sentimentos.

 

Bateram na porta, e eu voltei a realidade me afastando da porta. O plantonista deu alta para a Karina e a Juliana avisou que ficaria lá fora esperando. Mais uma vez ficamos a sós naquele ambiente. Mas sentia que estava realmente sozinha, um vazio sugava toda a minha alma. Não poderia deixar ela ir embora. Constatei vendo Karina levantar da cama e vim na minha direção. Por um momento, temi por aquilo. Mas o desejo de simplesmente tê-la em meus braços gritava muito mais alto. E foi exatamente isso que ela fez. Entrelaçou minha cintura e puxou meu corpo para um abraço colado. Quase gemi em satisfação. Aquele abraço jamais seria de amigas, era cheio de segundas intenções. Meu corpo se atraía ao dela, como um espécie de ímã. Eu tinha tanta saudades daquela pegada, do seu cheiro. Passei meus braços sobre seus ombros. Não sei quanto tempo durou. Foi longo. Mas pra mim passou em milésimos. 

 

- Eu sabia que você iria ficar super sexy de jaleco. Se cuida, Doutora… - Falou sussurrando, bem perto do meu ouvido. Fazendo meu corpo todo arrepiar. Em seguida, beijou minha bochecha, me largando. “Não, não, não! Não deixa ela ir embora, faz alguma coisa!” Eu tinha que tentar.

 

- Ká… - Chamei vendo ela já abrindo a porta. Ela se virou, me dando atenção. - Er… amanhã… você tá livre? A gente podia, sei lá… jantar…? - Disse. Ela sorriu.

 

- Você tá me chamando pra sair? - Perguntou se divertindo. Revirei os olhos. Depois pareceu pensar. - E seu Pai? -

 

- Já faz tempo que não dou satisfação a ele da minha vida… - Justifiquei, mas senti necessidade de lhe dá um resposta mais completa, por isso voltei a falar. - Estudo em uma das melhores universidade do país de graça, moro em uma república, tenho meu internato, diferente do Brasil eles te remuneram, não é muito, por ainda ser um “estagio”, mas é alguma coisa, e minha mãe me ajuda com meu luxo. - Justifiquei. 

 

- E seu namorado…? - 

 

- Ué… não posso sair com minhas amigas? - Respondi com outra pergunta. 

 

- Desculpa, doutora…mas amanhã eu não posso. - Respondeu me deixando abismada. “Ela acabou de me dá um fora!?” Ok, eu sabia que não seria fácil. - E outra, não tenho nenhuma pretensão de ser sua amiga. - Completou me queimando com suas duas esmeraldas. Mas não iria me dar por vencida, ainda mais por reparar um colar em seu pescoço. Ele acabava dentro da blusa. 

 

“Poderia ser?” Estreitei os olhos. 

 

- E quando você pode? - Insistir. Karina me encarou, depois sorriu vencida. Acho que no fundo, ela sabia que eu não iria desistir. 

 

- Talvez eu possa na sexta... -  Falou por fim. 

 

 

 

Coloquei meus cotovelos em cima da mesa, inclinei o tronco pra frente colocando minhas mãos no meu rosto, e com as pontas dos dedos massajei meus olhos. Meu relatório estava completo, era a última coisa que faltava para me ver livre das atividades avaliativas. Olhei meu telefone, constatando inúmeras mensagem das meninas, do Mark, mas nenhuma da Karina. Ela ficou de me confirmar sobre amanhã, mas ainda não tinha falado comigo hoje. Desapontada encarei a mesa cheia de livros, precisava organiza-la e urgentemente de um pote de sorvete para colocar minhas séries da Netflix em dia. Assim quem sabe esquecer, nem que seja um pouco, uma certa surfista. Quando escutei um barulho de algo caindo, levantei da mesa de jantar rapidamente e fui pra porta da frente.

 

- Gente, tá tudo bem? - Perguntei vendo a Chloe e a Taylor gargalhando enquanto seguravam algumas sacolas de comida. Depois reparei varias coisas no chão. 

 

- Ciri… ajuda aqui! - Taylor pediu. - A sacola rasgou. - 

 

- Espero que tenham comprado sorvete! - Soltei indo ajuda-las.

 

Levamos todas as sacolas para a cozinha, e começamos a organizar as coisas, guardando em seus devidos lugares. 

 

- Ciri… queria conversa… Aconteceu alguma coisa? - Taylor perguntou sentando na bancada da cozinha. Encarei a morena magra, de olhos claros, fazendo um coque folgado em cima da cabeça. - Você tá meio estranha esses dias… A gente encontrou o Mark na aula e falou que você tava evitando ele a semana todinha. - Completou.

 

De fato, elas eram minhas melhores amigas, mas desde o acontecimento no hospital, ainda não tinha tido oportunidade para conversar com elas. Suspirei. 

 

- Então… aconteceu. - Confessei. 

 

- Tem a ver com a Karina? - Chloe falou fechando a geladeira. Me surpreendi. 

 

- Como você sabe? - Perguntei juntando a sobrancelha.

 

- Então, é mesmo isso?! - Foi a vez dela se se surpreender. - Ah, véi! Então vocês se cruzaram mesmo no hospital! - Completou.

 

- Você sabia que ela tava no hospital na segunda? Por que não me avisou?! - Encarei seus olhos cor de mel. 

 

- Ei, calma.. - Falou chegando mais perto me segurando pelos braços. - Vem, senta aqui. - Falou me levando pra os banquinhos da bancada. Sentamos. - Eu fiquei sabendo porque a Karina tava fazendo um tumulto no corredor. E toda ajuda era bem vinda naquele momento. Eu tava passando na hora. - Sorriu. - Você não sabe o susto que levei! - Voltou a rir.

 

- Por quê? - Perguntei curiosa.

 

- Mano… era a Karina Lacetti! - Falou o óbvio. - Por sinal, ela é gataa, gostosa pra caralho! -

 

- Chloe! - Resmunguei sem paciência. Taylor riu. 

 

- A gente conseguiu controlar a situação. Só que aí esbarrei em você poucos minutos depois, ainda não tinha processado aquilo, não sabia o que fazer e como você reagiria. Então pensei que fosse melhor não contar e te mandar logo pra casa. - Se justificou.

 

- Entendi… - Falei e percebi o olhas das duas me queimando. - Ok, vou contar. - Falei suspirando. Revelei todos os detalhes pra elas que me encaravam pasmas. - A gente trocou os contatos, estamos nos falando todo dia, mas ela tá sendo bem monossilábica, e até agora não confirmou nosso jantar amanhã. - Confessei.

 

- E o Mark? - Taylor perguntou.

 

- A gente se encontrou a semana inteira, mas não tava rolando, sabe... ?! - Revirei os olhos. - Quando foi ontem... ele quase me obrigou a transar com ele. Só que não tava dando, eu tentei! Ficou puto, a gente brigou e basicamente é isso. - Expliquei.

 

- Ciri… - Taylor falou. - Vocês tão namorando a quase um ano, tem certeza do que você tá fazendo? - 

 

- Ela nem tá falando contigo direito… - Chloe completou.

 

- Eu sei… é loucura! - Quase gritei. - Mas é que ninguém faz eu me sentir dessa forma sabe? Depois desse tempo todo, ela só me deu um abraço e… meu Deus! - Soltei. - Vocês sabem da história, é natural essa resistência… -

 

- A questão não é se ela tá resistindo… e se ela ainda sente alguma coisa! - Taylor explicou.

 

- Se ela não sente, então porque aceitou em sair comigo…me deu seu telefone e principalmente a merda do colar? - Questionei segurando o meu. 

 

- Ciri… você nem sabe se era esse colar de concha que você não tira do pescoço! - Foi a vez da Chloe falar. Quando pensei em rebater, Tay se adiantou. 

 

- Vamos esperar até amanhã… - Saiu da bancada, indo no freezer, e me entregou o pote do sorvete.

 

A sexta feira tinha chegado, praticamente já era o fim da tarde, e nenhum sinal da Karina. Encarei pelas 765894 vez o celular, pensei em mandar mensagem, mas já tinha feito muito isso ontem de noite. Cruzei as pernas enquanto me remexia na cadeira, evidenciando meu desconforto. Contudo, me segurei a um resto de amor próprio que ainda possuía em relação a ela e depositei o celular em cima do livro, voltando a prestar atenção na aula. 

 

Era quase seis horas da noite quando o professor finalmente nos liberou, agradeci aliviada que só teria plantão no domingo. Apesar de não ter prestado atenção em nenhuma aula hoje, me sentia esgotada. Encontrei algumas calouras da minha república no corredor, perguntando sobre a festa. Estava tão aérea esses dias, que tinha esquecido completamente que teria essa festa, ainda mais na minha casa. Fizeram questão de me acompanhar até lá, me ajudando com os livros, depois cada uma seguiu para seu quarto. 

- Cirillaaa! - Taylor gritou abrindo a porta do meu quarto. - Cadê você lá embaixo?! -

 

- Aaahhh! - Gritei colocando a mão no peito e segurando a toalha no corpo. - Que susto, rapariga! - Ela riu.

 

- Mano, as vezes não consigo acreditar que você é bi… - Revelou. A olhei confusa. - Sei lá… você é tão cocotinha… patricinha. - Concluiu.

 

- Vai se foder! - Soltei. Ela riu outra vez. - Agora sai daqui que eu vou me trocar. - 

 

- Vai se arrumar pra descer?! - Quis saber animada. 

 

- Não! Pra dormir, tô sem clima. -

 

- De jeito nenhum! Pode ir se arrumando, colocando aquela maquiagem foda que só você sabe fazer… e se juntando a gente! Ei, nem adianta fazer essa cara! Se você não descer, eu vou pedir pra Chloe vim te buscar, e você sabe… ela é bem pior do que eu. Ainda mais que ela tá ficando com aquele garoto. - Completou.

 

- Credo! - Revirei os olhos.

 

- Não sei o que ela vê nele… - Confessou. Acabamos rindo.

 

- Ok! - Me dei por vencida. Ela me deu um sorriso satisfeita saindo do quarto.

 

Mesmo sem nenhum humor, descontei todo meu estresse caprichando na maquiagem. Coloquei um shorts curto de cintura alta, uma blusa branca estilo cigana, meia soltinha, saquei dentro do shorts, e uma bota de cano bem alto. Deixei meus cabelos solto com babyliss nas pontas. Antes de sair do quarto, olhei pela última vez o celular. Frustada, joguei o aparelho na cama, e decidir ficar sem ele. Não conseguiria me divertir com ele perto. Desci as escadas sobre os olhares de todo mundo. A música estava bem alta, era um ritmo frenético, tinhas um jogo legal de luzes. Era difícil reconhecer alguém naquele tumulto, mas consegui ver a Chloe, ela me encarou dizendo um “Uau” mudo. Sorri para ela. Depois me misturei na multidão. Pelo visto o Mark não tinha aparecido e sinceramente, não tava com nenhum saco de falar com ele, embora ele não merecia aquela situação. Por isso, mais tarde, iria resolver com ele. Naquele momento, era melhor ficar só. 

 

Conversei com algumas pessoas, bebi várias coisas, e fui fazer o que eu sempre gostei, dançar. Modéstia a parte, sempre fui muito boa nisso. Sentir algumas investidas de alguns meninos, mas recusei todas. Chloe logo se juntou, e finalmente consegui me divertir verdadeiramente naquela semana. Quando senti uma mão se envolver na minha cintura. 

 

- Ei… - Falei tirando a mão. - Tá louco? - Gritei me virando e fiquei perplexa. Chloe se aproximou de mim e também paralisou. Senti meu coração saltar pela boca. 

 

- Co… como chegou aqui? - Conseguir dizer. Ela soltou um sorriso.

 

- Você não respondeu minhas mensagens… Só conseguir ficar livre agora. Você não imagina como a Kim pode ser exigente. - Sorriu. 

 

Foi justamente na hora que a música parou, assim conseguimos escutar a Tay falando enquanto se aproximava. 

 

- Vocês contratam um segurança? Tem um cara que parece um armário de terno, lá na fren… - Parou de falar quando percebeu aquela figura na nossa frente. Achei engraçado a cara que a Taylor fez em vê-la. Nunca iria me acostumar com o efeito que a Karina tinha sobre as pessoas. 

 

- Essas são Chloe, e a Taylor… essa é a Karina. - Apresentei. Karina soltou um sorriso pra elas. O que provavelmente as matou, porque continuaram paralisadas - O Tony tá aí? - Perguntei. Ela assentiu com a cabeça. 

 

- Você sabe como é, né? - Falou.

 

Em seguida a música voltou mais alta e vibrante do que nunca. As pessoas que estavam em volta, começaram a dançar e nem se quer perceberam a existência de uma celebridade bem a li... perto delas. Minhas amigas me falaram alguma coisa que honestamente não havia escutado, e se afastaram. Naquele momento, não conseguia pensar em mais nada que não fosse Karina Lacetti. 

 

Sentir aqueles olhos verdes me encarar e tomar toda minha sanidade. Eu era dela, por inteiro. Parecia que tudo ao meu redor tinha pausado. Só ela podia se movimentar. Sentir suas aproximação e arfei. Só podia ser mágica, alguma espécie de feitiço. Karina quebrou nosso espaço, ela segurou meu rosto entre suas mãos, fechei meus olhos com o contato e senti seus lábios, tocarem minha boca. Em seguida afastou o rosto em uma curta distância, pois ainda sentia sua respiração calma, seu bafo quente, seu cheiro tão viciante, mas não conseguia abrir os olhos, tinha medo que tudo isso fosse um sonho. 

 

- Karina… só… só não me larga. - Implorei passando minhas mãos pelo seu colo, e senti seu colar, não precisei abrir os olhos para saber que era igual o meu, alarguei meu sorriso, subi minhas mãos, entrelaçado meus braços em seu pescoço e logo senti suas mão na minha cintura, quebrando totalmente nosso espaço.

 

- Nunca mais… - Sussurrou no meu ouvido. Em seguida me deu um beijo urgente, necessitado e atrasado... de anos atrás. Mas faria questão de aproveitar e compensar todo aquele tempo perdido.

 

 

Fim. 


Notas Finais


Um até breve ;)


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