História O Dia Nunca Esperado - interativa. - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Apocalipse, Apocalíptica, Destruição, Distopia, Extinção, Fic Interativa, Fim Do Mundo, Guerra, Interativa, Meteoros, Países, Sobreviventes
Visualizações 22
Palavras 4.236
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Agora sim!!!!
Estamos na reta de início, ponto de partida, rumo à aventura de O Dia Nunca Esperado. Felizes? Pois eu estou muito feliz, animado e esperançoso.
Gente, há muitas músicas que eu ouvi enquanto escrevia, então nem vou dizer, mas se quiserem ouvir antes de ler, mandem uma MP que digo, ou procurem uma lenta/sad de sua preferência.
Resolvi fazer quatro capítulos de apresentação de personagens. Após estes quatro capítulos irei postar alguns um pouco menores.
Ressaltando que estes quatro grandes capítulos servirão para muitas coisas, elas, listadas abaixo:
- Informações úteis para melhor entendimento, como: Governo atual; geografia; localidade; situação mundial; proporções; população; objetivos e grandes opiniões; dentre outros.
- Apresentação e interação de personagens, já dando uma amostra boa de como são os personagens.
- Atuais perigos como veremos a Fumaça Vermelha, depois Radiação, Deformação e outros.
E muito mais.

Espero que gostem do conteúdo e dessa capinha feita com muito amor. Perdoem e relevem quaisquer erros, pois não editei pessoal. Aceito demais críticas construtivas, então podem falar.

Por ora é isto.
Xoxo e boa leitura.

Capítulo 6 - Living in the dead world.


Fanfic / Fanfiction O Dia Nunca Esperado - interativa. - Capítulo 6 - Living in the dead world.

Recapitulando, ao longo de quatro horas, no dia 13 de Setembro de 2019, milhões de pessoas em todo o planeta morreram. A causa? Meteoros, que, ao entrarem em órbita com a Terra, chocaram-se um no outro, gerando uma “chuva” mortal de destroços.

Estima-se que, somente na primeira meia hora, nos Estados Unidos, tenha morrido mais de um terço da população. Muito mais morreram a seguir, intoxicados pelo que chamariam de Fumaça Vermelha, devido a leve coloração avermelhada do destroço.

Mesmo que triste episódio tenha terminado, e a humanidade tenha finalmente se sentido “segura, o que estava por vir ainda era muito pior.

O que restou do exército americano saiu a procura de sobreviventes por dias, deparando-se com repentinas explosões, desabamentos e outros meios de destruição e, no final de quatro longos meses o mundo se tornava outro.

Dylan West quem o diga. O jovem canadense caminhava pelas ruas destruídas de Nova Iorque ao lado de um grupo de voluntários. Todos trajados de roupas especiais, máscaras e uma maleta de primeiros socorros. O sonho do rapaz era terminar medicina e poder salvar pessoas, todavia, como os fatos haviam mudado, se tornava médico antes da hora.

Ainda poderia ajudar as pessoas e salvar vidas, mas ainda tentava, em vão, digerir tudo o que havia acontecido.

Enquanto que, ao seu redor, não se acostumava a nova paisagem de destruição, seguia até a cabana recém-feita onde uma cena de partir o coração o aguardava; macas improvisadas estavam enfileiradas, em três divisões, contendo pessoas feridas onda dor se manifestava em repentinos gritos ou gemidos ofegantes.

– West, me ajude aqui! – Do outro lado da cabana, gritava um homem negro. O doutor, repleto de sangue em seu jaleco, tentava às pressas tratar da repentina convulsão de uma mulher.

O jovem correu até o mais velho, enquanto pacientes analisavam, desesperados, a situação. Não era fácil para Dylan se acostumar àquele cotidiano, se é que poderia algum dia se acostumar. A cena, onde o doutor tentava salvar a mulher, levava Dylan em pensamentos passados e sombrios.

Ao lembrar-se do metrô, lembrou-se também da primeira vez que tentou salvar alguém; Miguel, uma criança linda, mas apavorada, estava deitado sobre o chão do metrô, arrodeado por diversas pessoas. O local estava prestes a ceder e, naquele instante, Miguel havia sido acertado por uma barra de ferro. Mesmo com os histéricos gritos da mãe do garoto atrapalhando, Dylan fez o máximo para retirar a barra de ferro e estancar o sangramento, todavia, tratar de uma criança sem anestesia era quase impossível.

Percebendo que não se tinha mais nada a fazer, Dylan se afastou. Não conseguiria ajudar aquela criança, nem sequer havia tempo. O teto de todo o metrô estava prestes a ceder. Enquanto isto, Miguel, olhando para Dylan, morria nos braços da mãe, que se recusava a viver sem o filho, ficando ali até que Dylan estivesse longe e o metrô todo desabasse.

– O que está esperando? – Gritou o doutor.

Saindo de seus pensamentos, Dylan apressou-se até a maca onde a mulher se contorcia. A mesma se contorcia, cuspia sangue e procurava por ar. Já o doutor Everest – o homem negro de jaleco manchado – tentava, pelo menos, aplicar uma injeção. Mas, já não era mais preciso.

A mulher havia falecido.

Já do lado de fora, após apaziguar as coisas na cabana e acalmar outros pacientes, Dylan e Josh Everest tiraram um tempo para conversar. Começaram uma caminhada pelas ruas destruídas, onde outrora eram enormes arranha-céus.

Josh Everest é um homem de meia idade naturalmente novaiorquino. Já doutor antes do impacto, o homem parecia preocupar-se muito com as pessoas, mais em tempos como aquele. A preocupação era nítida para com Dylan, este aguardando que Josh inicie a conversa.

– O que houve lá dentro? – Josh perguntou ao garoto, que, em meio a destruição, angustiava-se.

Sem resposta adequada, Dylan inspirou fundo buscando calma. Quando finalmente a adquiriu, olhou lentamente nos olhos do mais velho. Vê-lo fazia se lembrar de seus pais e, claro, se estavam bem.

– O senhor. – Iniciou o jovem, sem muita firmeza. – O senhor, em toda sua carreira, já deixou que alguém morresse? – Perguntou, evasivo. – Digo, em sua carreira...

– Não precisa ser evasivo, Dylan, não comigo. – Interrompe o mais velho, pousando gentilmente sua mão no ombro do jovem. E por fim, sorriu calmamente. – É sobre a criança Miguel?

– É sobre tudo, na verdade. – Disse. – Miguel é um fantasma que parece dizer que eu não seja capaz, e toda vez que vejo estas pessoas me certifico de que é realmente isto. – Lamentou-se, já com olhos cheios d'água.

Calado, Josh deixou que o garoto continuasse. Era bom para Dylan revelar tudo que estava sentindo. Explodir de vez em quando, na atualidade em que viviam, era normal. Na verdade, Josh diria até recomendável.

– Já se passaram quatro dias, Josh. – Lembrou Dylan. – Mas ainda assim não me acostumei com tanta morte. Aquela mulher de agora a pouco foi a vigésima segunda somente nesta hora. Ainda temos o governo que, por alguma razão, permanece calado. – Prosseguiu. – Sem comunicação, sem energia. Honestamente, sem esperança.

– Agora ouça-me, Dylan. – Josh pede. – As coisas só vão piorar daqui para frente. – Comentou em séria serenidade. Os olhos do doutor brilhavam, puros, mas eram precisos e hipnotizantes. – Não vou dizer palavras bonitas. Não direi que será mais fácil. Mas direi que estou aqui. Eu estarei aqui por você e todas essas pessoas. – Continuou Josh, cada vez mais ganhando atenção do jovem. – Espero que esteja aqui também.

Dylan o admirava, era inegável. As palavras de Josh não só eram fáceis de se entender, como permaneciam fortes na mente do mais novo. De certa forma, Josh Everest sabia como reavivar a esperança de uma pessoa.

Todavia, ao redor, a destruição continuava.

Enquanto alguns soldados caminhavam armados, escoltando sobreviventes, alguns cientistas se apressavam com as descobertas. Dentre eles uma mulher, doutora, aumentava sua velocidade até a dupla parada. Dylan imediatamente olhou-a preocupado, enquanto Josh seguiu até ela.

– O que houve, Maia? – Questionou, preocupado.

– Os resíduos dos destroços presentes na Fumaça Vermelha. – A mulher inicia. Assim como Josh, a castanha trajava um jaleco branco que descia até abaixo dos joelhos, cobrindo as demais peças. Os óculos lhe davam charme, mas a expressão de pavor estava evidente. – causam as convulsões repentinas nas pessoas – Revela.

– E este reboliço? – É Dylan quem pergunta. – Para onde todos vão?

– Após eles notificarem, via rádio, ao governo, nossas descobertas sobre a coloração da Fumaça Vermelha, finalmente deram instruções aos exércitos. – Disse Maia.

Dylan mal pôde se segurar. O governo finalmente havia dito algo e ele queria saber do que se tratava. Mas antes de poder questionar Maia sobre o assunto, Josh interveio com outra questão.

– O que tem a coloração?

– A Fumaça Vermelha, como vemos, está se movimentando. – Diz a doutora. – Mas em breve a coloração dela irá se dissipar.

– Se dissipar? – Dylan repete, desentendido. – Tipo, sumir? Isto é bom, não é?

– Na verdade, é muito pior. – Maia garante. – A coloração avermelhada é apenas um tipo dos resíduos. Na verdade, ela é o que nos mostra a localidade da mesma. Com este resíduo se dissipando, ficará impossível saber onde e quando a Fumaça irá estar.

– Está querendo dizer que os resíduos mortais, que estão presentes na Fumaça Vermelha, logo estarão...

– Exatamente, Josh. – Ela o interrompe. – Logo o oxigênio de algumas áreas estarão contaminados com todos estes resíduos. E é por isto que devemos sair daqui agora.

– Sair daqui? Não podemos. – Dylan se nega. – Tem muitas pessoas que não conseguem nem se levantar naquela cabana. Não podemos deixá-las lá para morrer.

Mesmo que Josh tenha reavivado a esperança e vontade em Dylan, o olhar sereno e frio de Maia mostrava que o que Dylan queria já era inútil.

– Elas já estão mortas, Sr. West.

Dylan mal pôde disfarçar a decepção. Tais palavras soavam frias demais para alguém que se dizia humana. A fé na humanidade, mesmo fraca anteriormente, agora parecia cada vez menor. De certa forma prometera àquelas pessoas ficariam bem, alimentando-as com falsas esperanças.

O jovem pensou em dizer algo, lutar contra a moça e salvar quem conseguisse. Todavia, mesmo se fosse fazer algo, era tarde de mais.

Os gases da dita Fumaça Vermelha se aproximavam com maior velocidade e coloração. De imediato via-se soldados ordenando, à quem conseguisse, que fugissem.

Desesperada, Maia adiantou-se com os demais e se misturou à multidão apavorada. Dylan e Josh se entreolharam por um instante antes de ouvirem os grunhidos de dentro das cabanas. Alguns conseguiam sair, mas logo eram pegos pela fumaça e se intoxicavam em menos de alguns minutos.

Dylan, olhando apavorado a cena, viu em primeira mão como tudo funcionava, ainda paralisado por não ter se acostumado. Primeiro a vítima caía no chão, contorcendo-se em uma espécie de convulsão. Depois todo o sistema respiratório era trancado, estufando veias e dilatando os olhos. E só após este sofrimento elas morriam.

Alguns minutos a mais e Dylan seria pego pela fumaça, se não fosse John, quem o puxou pela mão. Os dois corriam freneticamente, mas Dylan em particular ousava olhar para trás, chocado com o que o mundo havia se tornado.

Na frente de ambos corriam alguns sobreviventes que, mesmo machucados, davam tudo de si para permanecerem mais um dia. Mas muitos não conseguiam correr o suficiente, caíam ou esbarravam, no entanto a falta de compaixão dos demais, que ao menos paravam para ajudar, era o real motivo para o foco do jovem West.

Mostrando-se diferente, Dylan revestiu-se em ousadia ao cruzar todo o local após ver que uma dos sobreviventes caía. Ela estava mais próxima da fumaça que os demais, mas o jovem chegará rápido. Face a face com a jovem, notou os tingidos cabelos vermelhos da moça, que se misturava ao sangue de machucados e sujeira. Sem cerimônias pegou-a no colo e correu o mais rápido que conseguia.

Não que a jovem fosse pesada – na verdade parecia ser muito magra –, mas Dylan quem não era forte o suficiente. Tendo dificuldades em carregá-la, ameaçou ceder, mas, mesmo sob os protestos da garota para que a largasse, não desistiu.

Vendo que Dylan não chegaria a tempo, John preparou-se para ir até ele no exato momento em que ouvira o barulho de passos. Um garoto surgiu a toda velocidade, passou por John enquanto bagunçava, devido as leves ventanias, os já bagunçados cabelos castanhos.

Chegando aos jovens, o misterioso garoto ganhou o olhar curioso de Dylan West e, sem qualquer palavra trocada, ajudou-o com a garota.

– Vamos! – Gritava John em um claro gesto de motivação.

Correram mais um pouco e chegaram até o moreno e sem demoras tornaram a seguir a multidão. Enquanto o grupo de sobreviventes corriam, uma parcela a mais da humanidade morria logo atrás.


Somente alguns quilômetros corridos que o grupo achou seguro parar.

Estavam todos no alto de uma montanha onde situava o Vale de Hudson, agora destruída. Sobreviventes se encostavam nas árvores que permaneciam de pé, ainda usando suas máscaras. Alguns paravam para observar o que havia restado do que em outrora era o belo rio de mesmo nome.

Em meio a tais paisagens destruídas, Dylan ofegava ao lado de John, enquanto John cuidava de uma torção no pé da jovem salva. Cuidando minuciosamente de toda sua ferida no pé direito para que não infeccionasse.

A garota gemia com a dor, lutando contra sua vontade de cair em choro. Sendo forte, a jovem aguentou cada método usado por John, observando logo após o herói que a salvara.

Trazendo uma maleta de primeiro socorros, Dylan e a moça trocaram olhares ingênuos e, como se aquele momento fosse mais forte que sua dor, ela chorou.

– Tudo ficará bem agora. – Ele disse. Sua voz soava reconfortante, mesmo que para ele não tivesse sendo sincero.

Não poderia realmente dizer que tudo ficaria bem, mas reconfortar alguém em meio aos caos era o certo, acreditava.

– O... Obrigada. – Agradeceu a jovem, usando forças para conseguir dizer. Segundos depois ela desmaiou nos braços de John.

– Precisamos colocá-la em uma maca! – Diz Dylan já procurando.

A maca, para surpresa de Dylan, era trazida pela cientista de outrora. Maia caminhava sem muito esforço, observava com certo apresso a coragem do garoto e, sem esperar que dissessem algo, iniciou:

– Você poderia ter morrido lá.

– Morreria feliz. – Garante o jovem.

– Valeria à pena? – Ela perguntou. – Essa jovem, será que faria o mesmo por você?

– Não me arrependeria te tê-la salvo mesmo se não me salvasse. – Rebate o garoto, nervoso. – Antes de tudo isto eu iria ajudar as pessoas. O mundo mudou, Maia. Não eu.

A cientista o encarou, quieta e analista. Pegou uma prancheta dentro de sua bolsa, procurou por algo e quando encontrou mostrou à Dylan.

– Elisa Lawrence. – Dylan leu.

– É o nome que ela diz ter. – Maia explica. – Examinei alguns sobreviventes e adquiri todos os nomes dos que estavam em uma tenda. É uma garota forte.

– Onde ela ficará? – Intrometendo, se manifesta o garoto que ajudara Dylan.

O olhando com mais calma, Dylan percebeu já tê-lo visto antes, antes de todo o caos.

– Estão levando-se aos caminhões mais à frente. – Revela Maia. – Onde outros feridos aguardavam.

– Não se cansam disto? – Questiona o garoto, impaciente. Os olhos verdes, que mais lembravam o castanhos, ferviam de impaciência ao encarar feroz a mulher. – Sempre juntando sobreviventes, fazendo inspeções. Dizem que o governo ordena tudo isto desde que nos encontraram, que vamos para um lugar seguro...

– Sr. Wilson tenha...

– Onde estão os governantes? – Ele grunhi. – Por quê o exército não nos leva logo para este lugar?

Mesmo o jovem estando nervoso, as pessoas ao redor pareciam concordar com ele. Olhavam curiosos para Maia, esperando por alguma resposta. Dylan, inclusive, era um deles.

– O Governo não existe, Ethan. – A voz de um homem é ouvida. Todos então olham a direção onde caminha um dos capitães do exército. Trajado com o uniforme padrão, o homem alto de 1,83m se aproximava do grupo, mas mantinha seus olhos no garoto de nome Ethan. – Pelo menos não o que você conhecia.

Ao dizer, o capitão, que até o momento ainda segurava seu rifle, fora vítima de uma confusão de olhares atentos. Aparentemente sem importar-se, caminhava aleatoriamente enquanto prosseguia com suas explicações.

– É certo que muitos parlamentares sobreviveram e nos deram essa ordem. – Prosseguiu o capitão. – E sim, realmente estamos enrolando durante esses meses. – Revela, gerando cochichos e olhares duvidosos sob ele. – Grandes departamentos começaram a serem construídos cinco dias após todo este caos. Enquanto o objetivo dos cientistas era o de inspecionar, nós, das forças armadas americanas, era o de listar todos os sobreviventes.

– Listando os sobreviventes? – Dylan repete. – Construindo departamentos? Quer dizer que...

– Isto mesmo, Dylan, o Capitão Flatch está certo. – É Maia quem o interrompe. – Não sabemos se estes cometas são os únicos, podem haver mais. – Revela, iniciando um pandemônio de grunhidos e comentários soltos. Nitidamente preocupados, os sobreviventes ansiavam por mais informações, mas se desesperavam cada vez mais. – Mantenham a calma, estes departamentos foram feitos para abrigar mais de cem milhões de americanos...

– Então por que não vamos agora? – Grunhiu um dos sobreviventes.

– Meu filho está ruim, precisa ser atendido! – Gritava uma senhora. – Vamos para este lugar.

Aos gritos, os sobreviventes se levantavam enquanto soldados formavam uma barricada. Exigiam que fossem ao lugar proposto, que se adiantassem, mas a única resposta obtida fora o tiro de fuzil a esmo. De imediato, a multidão recém formada se esvaiu do lugar.

– Já chega! – Ordenou o Capitão, abaixando novamente o fuzil. – Quando os departamentos estiverem prontos seremos avisados. Mas por ora continuaremos a nossa missão e não quero saber de reclamações.

Sem mais nada a dizer, Mathias – o capitão – saiu acompanhado de outros soldados, deixando para trás pessoas perdidas de preocupação. Dylan, por sua vez, deu uma última olhada no rosto de Elisa, enquanto a mesma era levada por John.

Mesmo tentando digerir todas informações recebidas, Dylan não deixou que uma pessoa saísse sem dizer o que estava entalado. O jovem correu com Ethan até ficar de frente de Maia, quem o olhou com desconfiança?

– Alguma dúvida, Sr. West? – Ela questionou.

– Não sei quem você era antes disto tudo, mas entendi. – Iniciou. – Tem medo de não conseguir entrar em um dos departamentos?

– Eu não entendo...

– Não? – Dylan repete, sarcástico. – Deixe eu explicar. Nós dois sabemos qual a era a população dos Estados Unidos todo e que só cabem menos de um terço deles nestes departamentos. Você está se recusando a ajudar estas pessoas.

– Onde você quer chegar, Dylan? – Ela questiona, sem paciência.

– No início só te achei fria e desumana. – Prosseguiu o jovem. – Mas vejo que você está escolhendo quem entra e quem não entra no departamento que estamos indo.

– Você está ficando louco. – Ela diz, simplesmente, antes de sair.

Dylan permaneceu parado. Talvez, por um instante, estava saindo de si, cedendo à pressão que era ser um sobrevivente. Penteou os cabelos com os dedos, enxugou seus olhos e respirou fundo antes de se sentar no chão ao lado de Ethan.

– Você está bem? – O outro questiona.

Dylan deixa escapar uma falha e rápida risada, sem muita emoção.

– Eu vou ficar.

Após algumas horas a noite caiu, revelando a ainda bela Lua em um céu estrelado. Dylan, deitado sobre a terra, analisava com admiração toda a paisagem, pensando que ao menos o céu permanecia o mesmo. Embora os pensamentos levavam o garoto à família e amigos sem notícias, mantinha os pés no chão, sabendo que poderia não vê-los de novo.

Nesta imensidão de pensamentos que o jovem West se perdia, no silêncio da noite, os soldados armados acordaram todos. Mathias Flatch veio, ao lado de outros, com sua costumeira postura ignorante e grunhiu:

– Patrulhas encontraram alguns sobreviventes. – Anunciou o capitão. – Precisamos de um grupo para averiguar e cuidar dos mesmos, voluntários?

Sem hesitar, Dylan levantou-se primeiro, inspirando outros a fazerem o mesmo. Com ele, Ethan Wilson, levantou-se e todos se aproximaram do capitão, em um grupo de exatas onze pessoas.

– Certo, serão levados nesta coordenada. – Disse Mathias, entregando o papel ao jovem.

Assim que Dylan o pegou, seus olhos puderam ver a escrita e um choque pareceu ter tido. Era o centro da cidade, onde ficava o bar em que seus amigos estavam. Só de pensar na baixa possibilidade de encontrar algum deles o motivava um pouco mais.

– Os jipes estão esperando e caminhão estão esperando. – Avisa Mathias.

Depressa, Dylan correu ao lado do grupo até os jipes já ligados. Então seguiram viagem, de volta ao centro da destruição. E em menos de uma hora, adentraram o que antes seria o Meatpacking District, bairro para os amantes da badalada vida noturna.

Novamente a paisagem era a mesma; grandes prédios destruídos; estabelecimentos aos destroços e corpos sem vida espalhados pela área.

Assim que o motorista estacionou, Dylan sentiu seu coração bater mais forte. Olhou ao seu redor, onde vez ou outra curtia com os amigos quando insistiam. Lembrava da última ligação que teve com Kenya, e se entristecia por não ter mais ela ao seu lado.

E, enquanto os voluntários checavam suas máscaras, Dylan caminhava sem direção ao lado de Ethan. O segundo percebia a angústia de Dylan, pensou no que iria dizer, mas logo fora surpreendido pela fala do outro.

– Me lembrei. – Disse, vagamente. Ethan não havia entendido, mas Dylan prosseguiu. – Que mundo realmente pequeno. – Brincou. – Da faculdade, é de lá que eu o conheço.

– Achei que não se lembraria. – Confessou o castanho, chutando pedras ao caminhar.

Ambos trocaram sorrisos sinceros que já havia tempo que não viam. Um momento ingênuo e verdadeiro, que por mais pequeno e insignificante que seja, trazia, de certa forma, uma chama de esperança. Dylan acreditava que tais momentos, belos e sentimentalistas, serviam para mostrar que o que realmente importava ainda existia em alguns: a humanidade em si.

– Acredita neles? – Aproveitando o momento de cumplicidade, Ethan questionou, agora parado ao lado de Dylan. – O governo americano tenta nos ajudar?

– Vai saber. – O West diz. – Se até mesmo o tempo agora é incerto, quem dirá isto.

Entendendo o raciocínio do jovem, Ethan voltou a observar a magnitude da Lua e procurava de alguma maneira prolongar a conversa a fim de espairecer, todavia os gritos de alguns voluntários chamaram sua atenção.

– Há sobreviventes nos escombros! – Revelou um deles.

De imediato o grupo se reuniu, retirando, cuidadosamente, cada destroço. Amarraram cordas e correntes em grandes vigas, puxando-as enquanto outros retiravam mais e mais destroços até, finalmente, encontrarem quem gritava.

Uma mulher de curtos cabelos loiros fora retirada por Ethan, enquanto Dylan já se apressava com a maca. Outros feridos eram retirados, assim como corpos de vítimas falecidas também.

– Bolsa de ar! – Pedia Dylan assim que olhou a mulher. – Ela está com pouco oxigênio.

A mulher, no auge de sua desidratação, aparentava estar ali à dias, ou mesmo semanas. Dylan checava o pulso, segurando a bolsa de oxigênio com firmeza.

Ethan, por sua vez, olhava desesperado sem ter o que fazer. Por mais que tenha visto incontáveis pessoas morrerem em sua frente, aquilo, para ele, não era algo que se poderia acostumar. Uma mulher quase morta lutava, bem em sua frente, para não perecer. Dylan fazia o possível, massageando e colocando pressão nos peitos da loira.

– O que eu faço? – Pergunta o Wilson.

– Segure isto! – Pede Dylan, entregando a bolsa de oxigênio. – Isto, pressione um pouco.

Dylan seguiu com seus contínuos movimentos de pressão na mulher e, para sua felicidade, ela respondeu. Primeiro a mulher tossiu, mas fraca o suficiente para sequer mover, abrindo apenas os destacados olhos azuis.

– Isto, respire devagar. – Pediu Dylan à mulher, cujo desespero foi motivo para não obedecê-lo. Tentou buscar ainda mais ar para si, tornando a tossir e a se revirar acima da maca. – Se acalme, por favor.

Com muito esforço a mulher, aos poucos, foi sendo acalmada. Nas macas próximas alguns voluntários tinham a mesma sorte com seus “pacientes”, enquanto outros tremiam assim que os seus morriam em sua frente.

Não era fácil, Dylan sabia. Este era exatamente o seu novo cotidiano.

Agora sentado no chão, Dylan encostou-se na maca ao lado de Ethan, em choque. Ele a salvara, mas ainda não tinha forças ou ânimo para comemorar. Aliás, qual motivo se havia para comemoração nos tempos atuais?

– Você conseguiu. – Disse Ethan finalmente. – por quê não parece feliz?

– Estou feliz, mas estou exausto. – Garantiu.

– Hei, não podemos parar. – Diz o soldado que se aproxima. Com físico de lutador e pele morena, o aparentemente arrogante homem portava um fuzil similar ao de Mathias, assim olhando com desdém os garotos. – Tempos um percurso inteiro antes de irmos, então se levantem.

– Stan! – Outro soldado chama, ao que parece, o de fuzil na mão. – Estamos prontos.

Stan apenas confirmou com a cabeça, voltando a olhar os garotos, estes já de pé.

– Vamos.

E foram.

Somente após algumas horas, Dylan e todo o pessoal haviam percorrido quase toda área. Mais alguns sobreviventes haviam sido encontrados, mas não chegavam nem próximos da quantia de corpos falecidos.

O caminhão parou, fazendo com que todos os quatro jipes fizessem o mesmo. Estavam de frente do último lugar para inspecionarem: uma pequena farmácia local.

– West, Simas e Wilson. – Stan os chama. – Vocês vão ver se há alguém ou remédios. Após iremos embora.

– Acho que ele não vai com nossa cara. – Ethan cochicha.

– Algum problema? – O soldado questiona.

– Não, nenhum. – É Dylan quem responde, podendo ouvir de Ethan alguns resmungos ofensivos ao soldado.

Ao lado de um homem branco e cheio de tatuagens, os jovens garotos entraram no hospital, enquanto os outros – soldados – revelavam maços de cigarro, retirando e compartilhando.

O local parecia estar vazio, de tudo. As prateleiras estavam ao chão, juntas de parte do telhado e concreto. Não havia sinal de qualquer medicamento, provavelmente já saqueados.

Por mais que à primeira vista a farmácia parecesse pequena, dentro ela aumentava conforme caminhavam.

– Vou dar uma olhada no...

O homem de tatuagens, de sobrenome Simas, mal pôde completar sua frase e um quarto homem surgiu das sombras da farmácia, colocando uma faca no pescoço do mais velho.

– O que vocês querem? – Ele grunhiu, nervoso.

– Por favor, se acalme. – Pediu Dylan, levantando ambas mãos em uma tentativa de mostrar que não estava para fazer o mal. – Somos voluntários. – Disse. – Estamos com o exército...

– Exército? – O homem repetiu.

Ao se aproximar mais da claridade, Dylan pôde ver seu rosto sofrido. O homem possuía fortes músculos, algo que poderia usar para se defender, todavia aparentava estar psicologicamente afetado. Tremia sua mão, mesmo segurando a faca encostada no pescoço do outro.

– Estou aqui desde quando tudo começou e antes vi cada soldado fugir. – Comentou, descrente com Dylan. – Vi os jipes lá fora e quem me garante que...

– Eu sei, é difícil confiar. – Interrompe Dylan. – Mas estamos para resgatar sobreviventes. Eu sou médico. – Mentiu, mas seguro de si. – Posso ajudá-lo com esta ferida. – Disse assim que viu que a perna do homem sangrava, mesmo tapada por curativos postos de qualquer modo.

– Qual o seu nome? – Perguntou o homem.

– Me chamo Dylan. – Dylan responde. – E você?

– Eu... Eu me chamo Dion, Dion Lamark.

– Venha conosco, Dion. – Dylan insiste. – Ficar sozinho no mundo agora não é o melhor a se fazer.

Dion estava desconfiado, e ninguém podia culpá-lo. Entretanto, por algum motivo, acreditava em Dylan. Seu ferimento estava infeccinando à dias.

Pareceu ceder, mas continuou a manter seu refém onde estava.

– Você é mesmo médico? – Estranhou, mas não escondia a felicidade por se ter a chance de curar tal ferida.

– Restava alguns anos para se formar, mas podemos dizer que sim...

– Em menos de um dia o vi salvar duas pessoas. – Completa Ethan, até então calado.

– Certo. – Inicia Dion, pensativo. – Primeiro cure minha ferida, daí iremos.


Notas Finais


Um beijinho de chocolate.


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