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História O Diabo Veste Armani - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O Príncipe Inescrupuloso


“O inescrupuloso Príncipe ataca novamente!” O moreno rolou os olhos, imaginando que não poderia haver título mais sensacionalista para descrever o que considerava um evento simplista e corriqueiro. “De acordo com as nossas fontes, extremamente confiáveis, essa deve ser a sétima demissão em menos de duas semanas!  Fomos atrás das ex-funcionárias da empresa, após a breve nota de esclarecimento dada pela empresa Sharingan e a resposta pareceu um ecoar repetido: Aparentemente, o nosso queridinho príncipe não suporta conviver com mulheres.  O que nos leva novamente a especulação a despeito da sexualidade do Príncipe.  Itachi Uchiha é ou não, um  homossexual enrustido? Pelas as nossas contas, a Sharingan já demitiu aproximadamente quarenta mulheres em menos de três meses!

Itachi enfiou a mão dentro do bolso da calça e discou rapidamente o número do jornal, enquanto observava a cidade nevar do lado de fora do carro.

Ele sequer esperou que a pessoa, provavelmente assistente ou secretária, deixassem-no falar, adiantando-se em tom seco e extremamente rude.

Eu exijo falar com o presidente do seu jornaleco. Avise-o que é o Uchiha na linha. — em seguida, voltou a encostar a cabeça no assento atrás de si.  

O senhor Wright encontra-se em reunião nesse exato momento...

Envie um recado ao senhor Wright por mim, Kin. Diga a ele que se não quiser ser processado e perder esse jornal de merda para mim, é melhor que ele demita ainda hoje a responsável pela coluna de fofocas, e antes disso, quero que a obrigue se retratar publicamente, do contrário, irei tomar medidas drásticas. — na sequencia, finalizou a ligação, imaginando que a chamada, provavelmente deveria estar no viva-voz.

Afinal, precavido como era, Orochimaru provavelmente deveria possuir algum identificador de chamadas – e essa era uma das razões para ele nunca o ligar com seu celular de número restrito. Gostava de imaginá-lo tremendo de medo com uma simples ligação.  Sorriu satisfeito, não contendo uma risada baixa. A aquela altura do campeonato todo o setor deveria estar descabelando-se com a remota possibilidade de uma demissão coletiva e isso o enchia de um prazer inescrupuloso.

O motorista do carro virou o automóvel bruscamente, virando numa curva suntuosa e forçando o moreno, de expressão apática, a segurar-se no banco da frente, mesmo estando com cinto de segurança.  Ele não se abalou minimamente com o ocorrido. As estradas estavam tomadas pela neve e alguns pontos da cidade estavam bloqueados por árvores. Um dos motivos que o faziam-no detestar dirigir durante o inverno.

Cerca de quinze minutos após a sua ligação amigável, seu celular vibrou. Ele desbloqueou a tela, sem se preocupar em atender a chamada e apenas voltou a guardar o aparelho, agora desligado, dentro do bolso. Felizmente Orochimaru aprendia rápido com os próprios erros,  algo que chegava a simpatizar no fofoqueiro aspirante a personagem política da cidade de Nova Iorque.

—Senhor Uchiha? — a voz do motorista despertou-o de seus devaneios, e Itachi desviou os olhos da janela, próxima a si, para fitar o rapaz de semblante indiferente. — Eu receio informa-lo, mas não acho que conseguirei passar daqui... A rua....

O ceo meneou a cabeça positivamente, em concordância.

—Não se preocupe, Aburame, eu posso seguir a pé. —retirou o cinto de segurança, amassando o jornal que estava lendo e enfiando-o dentro do bolso da calça, para relê-lo mais tarde, durante o almoço, e divertir-se com a ‘fofoca’ da vez. Ele debruçou-se sobre o assento e agarrou o blazer escuro, além do capuz e finalmente deixou o carro, instruindo Shino a não retornar, afinal,  não iria precisar dele naquela tarde e de qualquer forma todos os trajetos deveriam estar sofrendo as limpezas necessárias.

Devidamente agasalhado e com ambas as mãos enfiadas dentro do bolso de longo blazer preto, o Uchiha avançou a passos calmos pelas ruas enevoadas, desviando-se de um ou outro galho que ameaçava despencar das árvores.  “Príncipe inescrupuloso”  Príncipe!  Não importasse quantos anos se passassem, as pessoas insistiam em associá-lo ao playboy irresponsável que fora no passado. Era mais do que frustrante, era odiável.

Ele estalou o pescoço, avistando o prédio alto e imponente da Sharingan Group, próximo ao Empire State e apressou-se ainda mais.  Passou pelas portas giratórias, sendo recebido pelos empregados com a mesma polidez e relutância habitual e limitou-se a apenas a fita-los, tediosamente, dirigindo-se até o elevador, quando foi interpelado pela recepcionista, Guren, que aproximou-se dele, tropeçando nos próprios saltos.

Itachi seguiu sua caminhada, sem se dignar-se a se virar para encarar a garota de cabelos azuis.

—Senhor Uchiha. — dizia, atrapalhando-se em suas próprias palavras e hesitante. Ele parou de andar, finalmente, já perto do elevador executivo e virou-se para fita-la. — O senhor Wright nos ligou, para avisá-lo que irá soltar ainda agora a nota de retratação, e as responsáveis pela coluna de fofoca foram demitidas. — essas palavras conseguiram arrancar um sorriso, ainda que fraco, do moreno de cabelos cumpridos. — Ele também insiste para conversar com o senhor pessoalmente, a respeito da situação do jornal.

—Recuse todas as ligações desse homem, e caso ele tente entrar na empresa, quero que me comunique imediatamente, está bem, senhorita Aella?

Guren balançou a cabeça de forma obediente, fazendo algumas anotações em seu bloquinho de notas, que sempre trazia consigo.

—Mais alguma coisa?

—Ah, sim, bem... — Guren pigarreou, piscando os olhos. — As candidatas ao cargo de secretária estão esperando-o no respectivo andar. — fez uma breve mesura, afastando-se discretamente.

—Obrigado, pode retornar ao seu lugar agora. — ele apertou o botão do elevador, e, entendendo o recado, Guren voltou a seu lugar afoitamente.

Itachi adentrou o espaço de metal, mantendo ambas as mãos dentro do bolso de seu blazer. No fim, reconhecia que as pessoas tinham motivos contundentes para chama-lo de Príncipe.  Era ele quem mandava na cidade e gostava que essa situação permanecesse imutável, mesmo após tantos anos já terem se passado e ele próprio ter se distanciado da imagem de moleque mulherengo, dono das maiores festas já vistas em NY, o espirito daquele moleque – que agora considerava imbecil – permanecia vivo dentro de si.

[*]

De costas para a porta, e afastada das demais concorrentes, a loira observava a cidade através das longas janelas de vidro.  Os arranhas céus, ao fundo, compunham uma imagem industrial nada impressionante, típica das grandes metrópoles.  Os olhos azuis estudaram os inúmeros prédios presentes pela cidade, alguns chegavam a uma altura realmente impressionável, como o caso da Sharingan.  Daquele ângulo, as pessoas pareciam pequenas formiguinhas, bem como seus automóveis, guarda-chuvas e animais de estimação.

A sala, que estava consideravelmente gélida e silenciosa, foi tomada por um som característico bastante familiar – ao menos para a loira de olhos azuis, esgueirada sobre a janela, mantendo-se de costa para a porta – de sapato chocando-se contra o chão. Sapatos holandeses,  constatou, antes de rolar os olhos.  Ela pôde escutar as demais mulheres reunidas dentro da sala prenderem a respiração simultaneamente. Não podia culpa-las por isso, afinal, o diabo era realmente atraente.

Ino permaneceu de costas, avaliando as alternativas que tinha. Sabia que o que estava fazendo ali era simplesmente desprezível – candidatando-se ao cargo de secretaria particular do próprio ex-marido – mas o salário era bom, e até onde se lembrava, aquele idiota não conseguia manter uma funcionaria debaixo da própria asa.  Para o bem ou para o mal, entretanto, a loira não era como as demais. Possuía experiência e sabia melhor do que ninguém como lidar com o mal encarnado em forma de homem. Ou seja, ou se arriscava ali, ou se contentava com o salario medíocre que recebia na empresa em que atualmente trabalhava.

Assim que adentrou a sala, Itachi paralisou no lugar, imóvel como uma estátua. As candidatas balbuciaram coisas que sequer chegou aos seus ouvidos, tentando inutilmente lhe captar a atenção, porém ele apenas as ignorou, centrado em um ponto loiro escorado as suas janelas.

Ele estreitou os olhos, incapaz de acreditar no que seus olhos estavam vendo após tantos anos.  Mantendo a pose blasé, ele esforçou-se para não demonstrar a incredulidade diante da cena.  O que porra aquela mulher estava fazendo ali?!

Ele sequer sabia que a mesma estava de volta ao país!

Lentamente, como se estivesse em um filme dramático, a desgraçada, vestida elegantemente com uma indumentária propicia para o inverno, virou-se para encará-lo. Os olhos azuis cintilaram de forma divertida ao notar o olhar embasbacado do mesmo.

Ele mordeu a boca com força, antes de estreitar os olhos na direção da mulher diabolicamente linda e irritante que estava a sua frente.  Ino estendeu a mão para cumprimentá-lo, com um sorriso nos lábios.

—Bom dia. Eu sou Yamanaka Ino.

Itachi estreitou ainda mais os olhos, notando a mão estendida em sua direção. Ele desprezou o gesto, o que não pareceu intimidá-la e então passou por ela, dirigindo-se até a mesa em que iria avaliar as candidatas. Sentou-se na poltrona, tenso e claramente infeliz com o que estava acontecendo dentro da sala, o que serviu para divertir ainda mais a sua ex-mulher.

— Vamos começar logo com as entrevistas, eu tenho um dia muito atarefado e não posso perder tempo, já que a diretoria está com os olhos voltados para a minha inaptidão em manter mulheres por perto. — seu tom de voz era debochado e simultaneamente inexpressivo.

As mulheres entreolharam-se receosas, cochichando entre sis, o que não serviu para amedrontar Ino de forma alguma. Sabia que iria conseguir a vaga, afinal de contas, era a única que sabia muito bem como responde-lo a altura sem se deixar ofender pelas imbecilidades do homem ou gênio demoníaco do mesmo.

E, infelizmente, ele também estava consciente disso.  Haviam sido meses terríveis, e as últimas semanas ainda piores, já que além dos conselheiros, boa parte da imprensa e mídia pareciam dedicar um tempinho exclusivo para caluniá-lo a respeito das sucessivas demissões femininas – que mais tinha a ver com a incompetência e estupidez das ex-funcionárias do que necessariamente com o seu ‘machismo’ escancarado.

[*]

Após três dolorosas horas, entrevistando mulheres que sequer sabiam escrever um currículo decente sem erros grotescos de gramatica e ortografia, ele já havia tomado a sua decisão; pesado os prós e contras, que não eram poucos. Sob uma perspectiva otimista, ele não estaria lidando com uma oportunista que queria ser levada para cama, sob a perspectiva negativa, Ino não era o tipo de mulher que abaixava a cabeça, o que podia ser um problema considerável, já que ele por si próprio era um homem autoritário e ela... Era a Ino, porra.  Ela sabia perfeitamente como desarmá-lo.

Ele soltou um palavrão irritado antes de jogar a cabeça para trás e bufar.  Podia coloca-la como sua secretária particular, e trazê-la novamente para a sua vida, ou podia descarta-la e ter de contratar alguma maluca com síndrome de Anastásia Steele.

Bem, certamente as duas opções eram muito atrativas.  Mas no fim, a maldita pressão e opinião pública sempre iria pesar mais. Além disso, precisava considerar que a diretoria estava ensandecida por uma ‘saída inteligente’. Se bem que não parecia-lhe muito inteligente contratar a própria ex-mulher para ser sua secretária... Mas, de qualquer forma...

Ele socou abruptamente a mesa a sua frente, enfurecido.  Merda!

—Guren, mande a senhorita Yamanaka subir. —ordenou através do telefone, afrouxando a gravata agitadamente.

Minutos depois, ela ressurgiu com uma expressão inocente que com certeza não condizia com quem era de verdade.  O moreno observou-a se virar brevemente para cumprimentar e agradecer Guren, e então ela voltou-se para ele, com os olhos azuis inexpressivos. 

—Sente-se. — ordenou, gesticulando com a cabeça para a cadeira a sua frente. A loira obedeceu, sentando-se a frente dele e então jogou os cabelos para trás, mantendo uma postura confiante. — Por que justamente você iria querer vir trabalhar para mim, Ino? Achei que você me odiasse.

—E eu odeio, mas não tanto quanto eu odeio passar fome. — ela sorriu-lhe sarcasticamente e ele tamborilou os dedos nervosamente sobre a mesa, fitando-a profundamente. — Além disso, eu não tenho medo de você. Nós dois já fomos casados, lembra-se?

Vividamente. Gostaria de dizer, entretanto, ele optou por ficar em silêncio, encarando-a, estudando as reações esboçadas.

—Você está assim tão desesperada por um emprego, que está disposta a trabalhar para mim? — ele sorriu largamente,  com desprezo. — Sabe que isso implica em convivermos juntos novamente?

—Sei como as relações trabalhistas funcionam, seu imbecil. — ela cruzou e descruzou as pernas, respirando fundo. A ansiedade era perceptível. — Diferentemente de você, que vive metido em processos e acusações...

—Acusações caluniosas e difamatórias — ele a corrigiu, e a loira alargou o sorriso de deboche nos lábios. — Pode retirar-se agora, nós entraremos em contato.

—É claro que vai. — ela levantou-se da cadeira. — Nós dois sabemos que eu sou a única opção viável, baby.

Ela deixou a sala, fechando a porta com brusquidão ao sair e Itachi finalmente permitiu explodir, voltando a socar a mesa com frustração antes de esfregar o rosto entre ambas as mãos. Mas que carma maldito!



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