História O Diário Da Refém - Capítulo 7


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Once Upon A Time, Ouat, Regina Mills, Swan Queen, Swanqueen
Visualizações 102
Palavras 3.253
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Como estão?

Esse capítulo também tem dois flashbacks, mas esses são de anos antes dos flashbacks do capítulo anterior.
Mais uma pessoa foi adicionada à história, e eu não faço a mínima ideia se vocês vão odiá-la muito ou pouco. Mas acho que vão odiá-la.
Nesse capítulo, um pequeno detalhe vai fazer muita diferença na relação entre Emma e Regina. Espero que descubram qual.

No mais, boa leitura e bom fim de semana!

Capítulo 7 - Rota de fuga


Fanfic / Fanfiction O Diário Da Refém - Capítulo 7 - Rota de fuga

Emma caminhava pelas ruas da cidade olhando atentamente para cada loja que via, procurava por algo. Não sabia se aquilo ajudaria Regina, entendia que cada pessoa encara seus monstros internos de forma diferente. E ainda não conhecia a morena para tirar conclusões a respeito de seus sentimentos, mas esperava que pudesse fazer alguma diferença positiva.

A loira usava calça jeans preta, blusa cinza e jaqueta vermelha. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e em seu rosto, maquiagem leve. Algumas pessoas passavam por ela em passos apressados, mas Emma ignorava todas. Estava focada, precisava encontrar o que queria. Por um lado, não era difícil, provavelmente havia centenas naquela cidade, mas a loira procurava por algo que lhe parecesse perfeito.

Depois de entrar em algumas lojas e sair de mãos vazias, Emma estava parada em frente a uma, um pouco pequena e simples, mas surpreendentemente aconchegante. A loira entrou, cumprimentou a atendente e começou a caminhar pelo local, observava cada objeto que lhe parecia útil naquela situação. E depois de alguns minutos de procura, seus olhos brilharam ao se deparar com o que ela chamou de "Rota de fuga".


***


Zelena estava sentada em um banco de madeira pintado de branco no jardim da casa de seus pais. Segurava seu celular entre suas mãos enquanto seu olhar estava distante. Horas antes, o detetive que investigava o desaparecimento de Regina estivera em sua frente. As investigações pareciam não levar a lugar nenhum e Zelena se perguntou se aquele homem estava fazendo seu trabalho do jeito certo, se perguntou até mesmo, se ele estava fazendo seu trabalho. A falta de notícias de Regina a deixava a cada dia mais desesperada. Nos primeiros dias, havia a esperança de receber uma ligação do suposto sequestrador, caso a irmã tivesse mesmo sido sequestrada. A ruiva e sua mãe passavam horas sentadas nos sofás encarando o telefone, até estarem cansadas demais.

Ela mantinha-se imóvel enquanto sua mente viajava, lhe trazia tantas lembranças. Tantas perguntas e possíveis respostas. O que poderia ter acontecido com Regina em duas semanas? Se estava viva, por que ninguém ligava? Por que ninguém a encontrava?


Flashback on


Regina caminhava na quadra de esportes da escola em passos desajeitados. Estava bêbada, reclamava da própria vida e ria de si mesma. Zelena estava logo atrás, também bêbada. Depois de saírem de uma festa, as duas invadiram a escola apenas para ficarem na quadra por um tempo. Era madrugada e estava frio, o lugar estava vazio e elas adoravam essa mistura.

Regina sentou na arquibancada e Zelena deitou, repousando sua cabeça em cima das pernas da morena. As duas mantiveram-se em silêncio por longos minutos, até Zelena lembrar-se de uma coisa.

- Como vamos fazer isso no próximo ano? - A ruiva estava no último ano do ensino médio e Regina no segundo. Ela iria para a faculdade no ano seguinte, talvez não pudessem ter momentos como aquele durante um bom tempo.

- Não sei. Você vai esquecer de mim e me trocar por alguma bêbada. - Regina respondeu fingindo estar chateada. Zelena riu.

- Nem se eu quisesse, você é minha bêbada preferida. - Brincou. Regina apertou seus dedos entrelaçados e sorriu. - Mas não vou ficar sozinha, você sabe. Mesmo assim quero saber de tudo, quero que me ligue pra falar qualquer coisa... Me fale se o Daniel tomar atitude, sinceramente acho que isso não vai acontecer nunca. Ele mal consegue falar quando chega perto de você. - Fez uma careta.

- Ele é fofo. - Regina riu. Daniel era um colega de turma, ele sempre a cumprimentava, mas nunca conseguia conversar com ela por muito tempo. Era muito tímido e a morena o deixava nervoso.

- De qualquer forma, ainda quero saber de tudo. Não me esconda nenhum detalhe. - Sorriu maliciosamente e recebeu um tapa no ombro. As duas riram abertamente e Zelena olhou para o céu. Apesar do horário, ainda havia estrelas. - Olha aquela constelação. - Falou chamando a atenção de Regina, apontou para as três estrelas alinhadas. - Órion, são as minhas preferidas. Elas estão a quilômetros de distância e ainda assim estão juntas... Não quero parecer clichê, mas quero que sejamos como elas. Algumas horas de viagem não podem nos separar.

Regina sorriu e abraçou a irmã concordando com suas palavras.

- Então, eu acho que você vai me odiar por te ligar todos os dias. Vou ser muito chata. - Disse olhando para a constelação.

- Acho que posso aguentar alguns dramas. - Brincou e recebeu outro tapa. - Por que você fica me batendo? - Massageou o ombro. Regina ignorou a pergunta. - Quero que me ligue se precisar de alguma coisa, se a terapia não estiver te ajudando, se o seu estoque de bebidas acabar. Se ficar grávida, se alguém te oferecer drogas... Não quero ficar sem notícias. E se for preciso, venho até aqui fazer um escândalo com você.

Regina arregalou os olhos ao ouvir a palavra grávida, mas concordou com o que Zelena disse.

- Você também. Me ligue até de madrugada se precisar, não gosto de ser acordada, mas acho que posso abrir uma exceção. Só não abuse! Quero que me fale de seus novos amigos, dos professores bonitos, da sua colega de quarto. - Estendeu a mão para a ruiva, que entrelaçou seus dedos. - Não vamos passar mais de dois dias sem notícias uma da outra.


Flashback off 


Zelena pensou que estava bêbada demais para lembrar daquela conversa no dia seguinte, mas não estava. Ela nunca havia esquecido aquela noite, e depois de anos, essa lembrança tão boa estava lhe machucando. 


Duas semanas.


Dias e mais dias dirigindo por aquela cidade a procura de qualquer coisa que pudesse lhe dizer onde Regina estava. Todas as pessoas que a amavam estavam procurando por ela. Ninguém a tinha visto durante essas duas semanas, ela estava fora do alcance de todos.


E Zelena ainda se sentia culpada.


***


Emma estava em seu apartamento descansando enquanto ainda podia. Ainda tinha algumas horas para descansar antes de precisar voltar para a floresta. Deveria voltar apenas no dia seguinte, mas Ruby ficaria exausta. Então, a loira havia decidido ir antes, ainda naquele dia.

Depois de tomar banho, comer e escovar os dentes, estava deitada com um travesseiro entre seus braços. Estava frio, e por estar cansada, não demorou a dormir.


***


Ponto de vista de Regina


Cheiro de café.


Passos e mais passos, sombras que bloqueavam a luz em baixo da porta.


Ninguém falava nada.


Lembro de reclamar algumas vezes por causa do barulho na escola, na faculdade, na rua. Se eu não estivesse em meu quarto sozinha, raramente podia ficar em silêncio. Estava sempre cercada de pessoas, algumas presenças indesejadas, inclusive. Mas sempre tinha alguém, alguma voz, algum rosto. Alguém sempre me procurava por qualquer motivo que fosse. Eu era um pouco fechada, mas gostava da ideia de ter pessoas desejando a minha companhia. Gostava de saber que se importavam comigo. Ouvi elogios e fofocas a vida inteira, cantadas, insultos. Ouvi promessas e palavras doces quando achei que não merecia. Ouvi músicas que me fizeram dançar como louca, outras que me fizeram chorar. Ouvi risadas fofas, outras sarcásticas. Ouvi gritos e sussurros. Ouvi uma respiração pesada do outro lado da linha, antes de tudo ficar escuro. Antes de eu não conseguir ouvir nada.


Além de passos.


O que eu fiz de tão errado? Em que momento eu fui tão má a ponto de condenar a mim mesma a essa situação? Por que ninguém me diz nada? Não saber responder essas perguntas me tira a paz, o pouco que ainda consigo encontrar no meio de todo o desespero que me assombra.


Eu nunca senti tanto medo antes.


Nunca senti tanta falta da minha casa. Eu nunca quis tanto ser acordada pelo peso do corpo de Zelena em cima do meu. Nunca precisei tanto de terapia.


***


Emma dirigia na estrada estreita entre as árvores, no banco do carona havia uma sacola. O sol estava se pondo e as nuvens se misturavam em cores diferentes. Estacionou o carro na frente da casa e desceu, deu um beijo no rosto de Ruby, rindo de sua cara de sono e lhe entregou a chave do carro. Segurava a sacola com uma mão e com a outra, abriu a porta. Graham estava deitado no sofá e Killian andava de um lado para o outro procurando alguma coisa. Emma gesticulou para Graham perguntando sobre Regina e ele escreveu sua resposta no caderno, que sempre ficava em cima da poltrona com uma caneta. A morena havia almoçado há algumas horas, e logo teriam que fazer seu jantar.

 Emma vestiu a capa e colocou a máscara em seu rosto, abriu a porta do quarto ainda com a sacola em mãos. Regina olhou o objeto curiosa, mas não disse nada. A loira colocou a sacola em cima da mesa e sentou-se na cadeira na frente da morena. Pelo jeito de andar, Regina soube quem era.

- Você está bem? - Emma perguntou calma, quase como se falasse com uma criança. A morena meneou a cabeça positivamente. - Antes da terapia, como você lidava consigo mesma?

Regina desviou o olhar, lembrando-se das vezes em que se sentiu extremamente irritada na escola ou em alguma festa, e precisava se controlar.

- Minha irmã me acalmava. - Respondeu baixo. Sua voz estava fraca e um pouco rouca. Seu olhar estava triste, mas ela não chorava.

- Você já teve um diário? - Emma perguntou. Regina a olhou por alguns segundos sem reação. Mal se mexia.

Vai sequestrar meu diário também? Pensou. A loira ainda a olhava em silêncio, sabia que precisava ter paciência.

Regina assentiu e Emma levantou devagar e pegou a sacola em cima da mesa, tirando um diário e uma caneta.

- Trouxe pra você. - Antes de entregá-lo à morena, apertou os objetos em suas mãos e suspirou. - Preciso que me prometa que não vai usar isso como uma arma.

Regina olhou para o diário em silêncio, era revestido por uma capa de couro vermelha e tinha um cadeado e uma chave dourados, bem pequenos. A morena voltou a olhar para a mulher em sua frente e assentiu. Emma os colocou em cima da cama ao lado de Regina e antes de sair, virou-se encarando aqueles olhos castanhos.

- Está com fome? - Regina assentiu. - Quer que eu faça torta de maçã?

O olhar que a morena direcionou à Emma era surpreso, de forma positiva. No entanto, em poucos segundos já olhava para o chão de forma triste.

- Você que sabe. - Disse baixo. Emma respirou fundo e saiu.


***


Zelena ainda estava sentada no jardim, inerte. Pensava em tudo, lembranças antigas, recentes. Fazia planos, procurava formas diferentes de investigar. Regina tinha que aparecer. Seu olhar estava fixo nas plantas em sua frente, seus olhos ardiam por causa do vento. Era como se chorasse, mas sem lágrimas. Já estava escuro e o céu estava cheio de estrelas, Zelena sentiu seus olhos molharem e sua visão ficar embaçada ao olhar para cima.


Órion. 


As lembranças daquela madrugada voltaram a se repetir em sua mente, como um lembrete. Ela não poderia ficar parada esperando. Regina precisava dela. Deslizou os dedos pelo rosto, secando as lágrimas que caíam pesadas. Ainda olhava para a sua constelação preferida, quando sua voz rouca lamentou em um sussurro.

- Me desculpa por não conseguir te encontrar.


***


 Emma tinha uma faca em uma mão e uma maçã na outra, não costumava fazer torta com aquela fruta, mas queria tentar. Tinha um livro de receitas aberto ao lado de suas mãos e ela seguia atentamente as instruções. Provavelmente, Regina já havia experimentado muitas tortas de maçã, por ser sua fruta preferida. E Emma queria que a morena gostasse da sua.


Flashback on 


Cinco da tarde.


Emma estava sentada em uma cadeira na frente da janela de seu quarto. O cômodo não era muito grande, mas era seu lugar preferido. Sua cama ficava do lado oposto ao que ela estava, havia uma cômoda ao lado, na frente, seu guarda-roupa. A parede pintada de branco tinha pôsteres de artistas que ela gostava, alguns rabiscos e fotos. 

O sol estava se pondo e a vista de seu quarto era deslumbrante. Emma tinha seus pés em cima da cadeira e suas pernas encostavam em seu peito, seus olhos brilhavam e em seus lábios, um sorriso doce e ingênuo se formava. Seu celular estava em cima da mesa entre ela e a janela, a loira esperava uma ligação. Ela amava aquele horário, sempre ficava em seu quarto esperando o sol se pôr. Quando dormia, sentia-se a pessoa mais feliz do mundo ao ser acordada pela ligação que tanto esperava.

Emma despertou de seus devaneios ao ouvir o toque de seu celular, a música Like I'm gonna lose you de Meghan Trainor e John Legend tocava. Aquela música só tocava quando a ligação era de uma pessoa.


Ironias do destino que Emma não conseguia notar.


- Lily! - Exclamou animada ao atender. Ouviu a risada da moça do outro lado da linha e seu coração acelerou.

- Oi meu amor. Me atrasei? - Perguntou rindo. Lily e Emma se conheceram meses antes, em um evento na escola. Estudavam em horários diferentes e moravam em lados opostos da cidade, raramente se encontravam. Mas Lily ligava para Emma todos os dias.

- Não. Você nunca se atrasa. - Sorriu. - Como foi a aula? - Perguntou interessada. Emma tinha quinze anos, estava no primeiro ano do ensino médio. De certa forma, ainda era inocente e sonhadora. Lily era um ano mais velha, era mais confiante e popular. Para Emma, ela era seu conto de fadas.

- Foi até boa, exceto pela parte em que eu fiquei na sala. - Respondeu causando risadas na loira. - E como foi seu dia?

- Foi bom. A aula foi cansativa, você sabe. Mas foi legal. - A loira segurava o celular com uma mão enquanto a outra brincava com sua blusa. Sentia-se eufórica, mas tentava se conter.

- Eu cheguei faz um tempo, fui tomar banho antes de te ligar. E fiz brigadeiro, você quer? - Lily perguntou. Emma balançou a cabeça negativamente.

- Você fala como se pudesse me dar, eu estou do outro lado da cidade, Lily. - Reclamou, ainda sorrindo.

- Posso ir te buscar, e você dorme aqui comigo. - Sugeriu arrancando suspiros da loira.

- Não me ilude. - As duas ficaram em silêncio por alguns minutos, ouvindo a respiração uma da outra. Até Lily quebrar o silêncio.

- Quando a gente se encontrar, vou ensinar você a cozinhar. - Emma riu.

- Vai ser um desastre, eu sou péssima na cozinha. - Afirmou ainda rindo e ouviu a risada de Lily se juntar a sua. 

- Não vai ser na minha. Tenho certeza que vou adorar qualquer coisa que você fizer. - Disse de forma docemente sedutora. 

Emma cobriu o rosto com uma mão, suas bochechas estavam coradas. Certamente, Lily não fazia ideia do que seu tom de voz havia causado na loira. Mais alguns minutos, Emma sentia seu coração bater descompassado e suspirava vez ou outra.  Lily não estava diferente. 

- Sinto sua falta. - A loira disse baixo. A relação que tinha com Lily não tinha um rótulo, elas se gostavam, apenas. Conversavam todos os dias, compartilhavam histórias, se apoiavam e faziam inúmeros planos. Mas nunca, antes daquele dia, tinham se beijado. 

- Eu também. - Suspirou. - Quando eu puder te abraçar, não vou te soltar nunca mais. 


Flashback off


Emma esperava a torta ficar pronta enquanto montava o jantar de Regina, feito por Graham. A morena podia sentir o cheiro de onde estava, e internamente, sorria com o gesto daquela mulher sobre quem ela não sabia nada.

Se perguntava como seria seu nome, seu rosto. Cada vez que encarava aqueles olhos verdes, desejava saber mais sobre a dona deles. Tudo que ela sabia até aquele momento era que ela era uma criminosa, estranhamente gentil e paciente. Com uma voz rouca, mas doce. E que era dona dos olhos mais lindos que ela já tinha visto. 

Sempre admirou olhos claros. Na infância, sentia inveja de Zelena e se perguntava porque os seus olhos eram castanhos. Depois de um tempo, aprendeu a valorizar sua própria beleza, reconhecendo que algumas pessoas conseguiam ser encantadoras com olhos castanhos. Mas nunca deixou de admirar os olhos claros. 


E aqueles, em particular, a fascinavam. 


Sentia-se ironicamente louca, por apreciar a beleza de alguém que havia lhe sequestrado. Seria Síndrome de Estocolmo? Talvez. Entre as quatro pessoas que entraram naquele quarto naquelas duas semanas, a dona dos olhos verdes foi a mais gentil. Era a única que conseguia a fazer sentir-se um pouco mais confortável. E a forma como perguntava se ela estava bem, se precisava de alguma coisa, quase como se se importasse com ela, fazia Regina sentir-se segura de alguma forma. Ainda sentia medo, era inevitável. Sempre que se perguntava até quando ficaria ali, se desesperava. Tentava controlar seu nervosismo e suas reações para não surtar novamente, para não piorar sua situação.

Sentia uma saudade incalculável de sua família e desejava mais do que tudo, poder sair dali. Poder voltar para casa, para aqueles que amava. Mas o mistério por trás daquela máscara a atraia. Era como se fosse convidada a se aproximar. 


E isso a assustava.


Não conhecia aquela mulher, e por lógica, deveria odiá-la. Odiou nos primeiros dias, mas não conseguia mais. Não confiava nela, e na primeira vez em que a atacou, sentiu vontade de matá-la. Mas depois passou a se perguntar se aquele sentimento havia sido causado pela mulher ou por seu descontrole emocional. 

Desviou o olhar da porta para a cama, e observou o diário. Ela sentia falta do seu, era como se fosse um amigo no qual ela confiava cegamente. E sabia que escrever a ajudaria, sempre ajudou. Mas ainda assim, hesitou. 

Ouviu a porta ser destrancada e respirou fundo. Emma entrou no quarto segurando uma bandeja e Graham ficou na frente da porta. A loira deixou o jantar de Regina em cima da mesa e a olhou, a morena estava, aparentemente, mais calma. Emma gesticulou para Graham pedindo que saísse e fechasse a porta, mesmo parecendo difícil, ele entendeu. As decisões tomadas pela loira não eram questionadas, quase todos os seus colegas de trabalho a conheciam há anos. 


Ela nunca havia errado.


Emma sempre fazia o que precisava fazer do jeito certo. Nunca era descoberta, nunca falhava. E ficar naquele quarto não parecia uma falha, talvez fosse o jeito dela de manter um refém. Era o que Graham pensava, mas Emma sabia a verdade. 

- Fiz sua torta de maçã, posso trazer quando quiser. - Disse observando Regina. A morena hesitou antes de levantar, fazendo Emma se afastar. A loira deu alguns passos para o lado oposto ao da mesa e Regina levantou, seguindo até a cadeira e sentando-se. 

Emma se sentou na cama ao lado do diário, notou que ele ainda estava do jeito que havia deixado. Não esperava que Regina escrevesse em todas as folhas imediatamente, mas temia que ela o rejeitasse. A morena observava Emma discretamente, estava quase de costas para ela, mas ainda podia vê-la. 

- Pode escondê-lo se quiser, se achar que é melhor assim. - A loira disse referindo-se ao diário, Regina ouvia atentamente. - Não pretendo ler o que você escrever, só... acho que isso pode te ajudar. - Emma finalizou a frase em um tom mais baixo, sentia-se ridícula ao pronunciar aquelas palavras. Afinal, sabia o que realmente ajudaria Regina, e era algo que ela não podia fazer. Pensou por um instante, sentindo-se incomodada com o silêncio naquele quarto e sua mente a fez lembrar que, provavelmente, Regina a odiava.

Levantou da cama e deu alguns passos até a porta, antes de abri-la, surpreendeu-se ao ouvir a voz rouca da morena em uma pergunta que ela não esperava. 

- Qual é o seu nome? 




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