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História O diário de Dean Winchester - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Dean tem 13 anos e Sam tem 9.

Boa leitura ♡

Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction O diário de Dean Winchester - Capítulo 1 - Capítulo 1

Dean's POV

  Penso em ser roteirista de cinema ou talvez autor de novelas ; modéstia à parte, acho que levo jeito para inventar histórias cheias de surpresas e reviravoltas.

O problema de novelas é o tamanho: Haja paciência pra aturar a mesma história durante meses! Não sei como minha mãe agüenta engolir tantos capítulos sem saber quem vai terminar com quem, quem é o autor das cartas anônimas ou como morrerá a megera que espalha veneno na vida das outras personagens.

Meu pai também curte novela. Finge que não, mas curte. Fica lá, sentadinho na sala, com um jornal na frente do rosto, e de vez em quando dá uma olhada por cima das notícias para conferir a telinha.

Outro dia, minha mãe perguntou por que ele não fazia dois furinhos no jornal, um pra cada olho. Assim, poderia ver a novela sem ter que abaixar o jornal. Meu pai se enfezou com a brincadeira, disse que não podia nem ler em paz e saiu da sala mais azedo que o dono da imobiliária da novela das oito. Mas antes amassou o jornal, esticou o dedo e falou que toda novela só deveria ter um capítulo, o último, que é quando acaba a rotina.

Como pensava em ser escritor , achei a sugestão bastante interessante: novela com um único capítulo ficaria menos cansativa, sem contar que poderia faturar mais Ibope. Mas a minha mãe não achou nenhuma graça. Na verdade, ela começou a chorar, só que em silêncio, o olho pregado na tv como se estivesse emocionada...com uma propaganda de sabão em pó!

Professora de história da faculdade, minha mãe é especialista na vida e obra de Joana d'Arc - especialista, tiete e devota. No curso de doutorado, ela defendeu a tese de que a padroeira da França tinha sido a primeira feminista da história e recebeu a nota máxima, apesar de enfrentar uma banca examinadora composta apenas por homens. Mas, ao contrário da santa guerreira, minha mãe só é feminista da boca pra fora e da porta da sala de aula pra dentro. Esse papo de mulher de casa independente, dona do próprio nariz arrebitado, não funciona lá em casa. Diante da família, ela se comporta como uma esposa passiva e resignada, que se limita a resmungar pelos cantos da casa ( existe pior forma de silêncio? ) quando o maridão deixa a toalha no chão do banheiro, passa as noites de sábado jogando futebol com os colegas da oficina ou esquece o aniversário de casamento.

Ao saber que estava grávida de um menino, minha mãe decidiu me dar o nome Mark. Meu pai não gostou muito da idéia: fazia questão de que o primeiro filho se chamasse Henry, como o pai dele. Depois de muita discussão e palpites da família inteira, meus pais fizeram um pacto esdrúxulo e me batizaram com está obra-prima: Dean Winchester!

Não sei se foi nessa época que começaram as brigas, mas cismei que a escolha do meu nome ajudou a estragar o casamento dos meus pais. Para me livrar dessa culpa, adotei uma atitude radical: um dia, no meio do almoço, quando os dois trocavam alfinetadas por causa do tempero do bife, subi em cima da mesa e prometi que dali pra frente eu iria escovar os dentes depois das refeições e passar fio dental e arrumar a minha cama e comer verduras todos os dias, incluindo brócolis e domingos, e não me esquecer de apertar a descarga nem deixar a luz do banheiro acesa nem beliscar o meu irmão se ele começasse a me imitar. Eu parecia um político em plena campanha, candidato ao cargo de filha perfeita.

No fundo, não sei se teria paciência pra cumprir todas aquelas promessas, por isso fiquei superaliviar quando meu pai me pediu para sentar, passou a mão no meu queixo e disse que não era por minha culpa que ele e a mamãe discutiam.

Pela primeira vez em muito tempo, os dois estavam de acordo. Minha mãe explicou que ninguém tinha culpa de nada, acontece que muitos casais passam por crises, isso não é nenhum fim do mundo. Logo depois, mudou de assunto e falou que era melhor a gente comer tudo, pois só iria ganhar sobremesa quem raspasse o prato e não deixasse pra trás nem um grãozinho de arroz.

E que sobremesa: pudim de leite condensado com cobertura de caramelo!

Seria hora de ficar calado, sonhando com o pudim em silêncio, mas o intrometido do Sam (o nome do meu irmão foi uma homenagem ao pai da minha mãe) fez a gentileza de perguntar: "Crise? Que bicho é esse?". E acabou reacendendo o combate entre o mecânico John e a professora Mary, cada um falando mais alto que o outro pra ver quem explicava melhor o sinônimo de crise conjugal.

Quando quer apressar a sobremesa, meu irmão costumava esconder a comida debaixo da folha de alface. Mas nesse dia inventou uma tática mais ousada - e também muito mais nojenta! Meu estômago gritou *eca* e quase virou do avesso quando ele encheu o garfo com arroz, feijão e bife e foi derramando tudo dentro dos bolsos do casaco. É isso mesmo: o maluco escondeu o almoço no uniforme! E depois ainda teve a cara - de - pau de exibir o prato vazio, passar o guardanapo na boca e pedir a minha mãe pra trazer a sobremesa.

Foi aí que aconteceu a catástrofe do dia! Quando minha mãe voltou da cozinha, equilibrando na bandeja o trêmulo pudim, Sam cismou de perguntar se ela e o papai estavam se separando. É ou não pra perder o apetite? Acho que meu pai ia dizer alguma coisa, mas ele se engasgou e disparou a tossir. Minha mãe ficou tão nervosa que deixou cair a bandeja - uma peça de cristal caríssima,presente de casamento.

Meu irmão percebeu que tinha dado um fora e tratou de fugir da mesa. Mas não foi longe. Depois de escorregar numa poça caramelada, ele bateu a cabeça na quina da estante e desabou de costas no sofá, derramando na almofada o almoço escondido dentro do casaco.

O acidente rendeu três pontos na testa e uma semana sem videogame.


Notas Finais


Devo continuar?


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