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História O diário de Dean Winchester - Capítulo 3


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Aproveitem heuheu

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction O diário de Dean Winchester - Capítulo 3 - Capítulo 3

Minha avó adorava inventar moda na cozinha, acordava cedo pra fazer caminhada e era sócia de um clube de terceira idade onde praticava dança de salão. Mas isso foi antes do derrame, que deletou sua memória e boa parte dos movimentos. Ela chegou a fazer algumas sessões de fisioterapia, mas não tinha paciência pra repetir os exercícios, e tudo o que conseguiu foi reaprender a tomar sopa. Hoje em dia,passa o tempo todo na cama, olhando fixo para o teto ou descascando a tinta da parede com as unhas. Só sai do quarto a tiracolo (quase sempre apoiada no meu ombro) e quase não reconhece ninguém.

Uma pessoa nesse estado precisaria de uma babá 24 horas,mas as candidatas que aparecem ou são muito louras ou muito novas ou muito altas ou muito decotadas - enfim, todas tem defeitos imperdoáveis pra uma esposa insegura. Minha mãe alega que está tentando reduzir as despesas da casa. Eu não acredito. Acho que só ciúme explica tanto sacrifício: não bastassem as aulas na faculdade, ela faz questão de cuidar da minha avó, preparar o almoço e assumir a faxina. Acontece que a Super Mary não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Então, acaba sobrando pra mim. Como não sei cozinhar nem lavar, minha tarefa é passar as tardes com a vó Deana.

Mas não _aquela_ tarde. Quando minha mãe bateu o telefone no gancho e saiu de casa xingando o destino, achei que tinha a obrigação de ir atrás. Pedi a Deus que tomasse conta da minha avó, tranquei a porta bem trancada e não esperei o elevador. Desci as escadas pulando os degraus e alcancei a apressadinha na esquina.

Meu pai tinha saído de carro pra levar o Sam ao pronto-socorro,por isso fomos a pé até o sobrado (casa em cima, salão em baixo) onde a Salete morava com a filha.

A caminhada serviu pra esfriar a cabeça e esvaziar a raiva da minha mãe: ela entrou no salão dizendo boa-tarde, debruçou-se no balcão e cochichou um pedido de desculpa no ouvido da secretaria que se levantou e foi chamar a patroa.

Eu tinha me preparado pra tomar um chá-de-cadeira, mas Salete sentiu que a minha mãe queria colo e não economizou gentileza: levou a gente para o sofá, mandou servir cafezinho e disse que não iria demorar.

A freguesa da vez, uma tal de Sueli, narrava com todos os detalhes a sua mais recente cirurgia plástica. O que me interessava saber a quantidade de silicone que tinha injetado em cada peito, quantos dias ficou internada ou qual o preço da diária do hospital? Teve uma hora que eu fechei os olhos, pra fingir que estava dormindo, e fiquei torcendo para que algum cientísta maluco inventasse o controle remoto de gente: um pequeno instrumento portátil que coubesse numa pochete e tivesse as mesmas funções de um controle remoto de tv. Apertando a tecla "mudo", que poderia tirar a voz do meu pai e da minha mãe toda a vez que eles começassem a brigar. A tecla "pausa" congelaria os gestos do Sam sempre que ele implicasse comigo. E, em casos mais graves, como o dessa freguesa, a solução seria dar um clique no botão de desligar.

Pensando bem, talvez um cachorro seja mais eficaz que esse controle remoto - ainda mais um vira-lata do tamanho do Tobby, que entrou latindo no salão e quase matou a Sueli de susto. Salete ainda não tinha terminado o serviço, mas a perua deu um pulo da cadeira e foi embora tão assustada que nem se lembrou de pagar.


Notas Finais




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