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História O Discípulo da Serpente - Capítulo 1


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Notas do Autor


Músicas sugeridas para o capítulo (que combinam com a vibe e os personagens, caso goste de ler com música ou entrar no clima):
Do it for me - Rosenfeld
I Want to - Rosenfled
Aura - Dennis Lloyd

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction O Discípulo da Serpente - Capítulo 1 - Capítulo único

Estava sozinho no laboratório. 

Não que fosse incomum, costumava trabalhar sozinho até altas horas da noite, bolando jeitos de fazer os experimentos de seu mestre funcionarem, pesquisando métodos, fazendo testes, checando hipóteses. Era comum que sua companhia fosse composta apenas de tubos de ensaio e câmaras cheias de líquidos esverdeados, mas a ausência do Sennin era notada. 

Nos últimos anos, Kabuto teve que se acostumar com o progressivo silêncio durante o trabalho, uma vez que Orochimaru tinha outras prioridades. Entendia a importância de fazer os treinamentos e a vigilância do garoto Uchiha, mas achava exagerada a quantidade de atenção que ele recebia. Ficava cada vez mais óbvio que o menino passava de muito mais que apenas um hospedeiro, uma honra que infelizmente ele mesmo não podia proporcionar.

Kabuto passara por anos de dedicação constante aos propósitos de seu mestre, aceitando e cumprindo qualquer coisa que lhe pedisse, fosse um simples veneno ou uma missão praticamente suicida, até finalmente alcançar o status de seu conselheiro e braço direito, uma posição de confiança que ninguém jamais lhe tiraria. Entretanto, sua importância se tornara exponencialmente menor desde que Sasuke tinha se juntado ao grupo e só podia culpar o garoto por ter sido deixado de lado.

É claro, com o corpo enfraquecendo, ele ainda era essencial para Orochimaru, para que mantivesse o máximo de vigor até que a fusão com o corpo mais jovem do outro fosse realizada, mas fora isso ele quase já não era mais requisitado, nem mesmo para a foda terapêutica casual a que se sujeitava muitas vezes para desestressar a mente brilhante de seu mentor. 

Talvez fosse disso que sentisse mais falta. Não de algum tipo de conexão ou afeto que o ato pudesse trazer, porque não tinha certeza se havia, mas sentia falta de saber que quando se tratava de poder repousar, de se despir da armadura que usava todos os dias, era a ele a quem recorria, a quem confiava seu corpo, suas intimidades e seus desejos. Mesmo que fossem peculiares, mesmo que nem sempre fossem de seu agrado.

Os primeiros anos até foram tranquilos, se pensasse bem. A rotina havia mudado, sim, mas muitas vezes eles ainda trabalhavam juntos para checar um fundamento aqui e um progresso acolá e a parceria era crucial para os experimentos. Mas nos últimos meses as coisas haviam tomado um rumo bem diferente. Era como se o garoto, ao ficar mais velho, percebesse melhor a importância do próprio papel no plano e tivesse se tornado ainda mais arrogante e insubordinado que o usual. Com frequência respondia a perguntas com silêncio e passava cada vez mais tempo treinando e destruindo cobaias.

Foi num dia desses, em que era possível ouvir as chamas do Katon crepitando nas masmorras, que o Sennin o procurou pela que seria última vez em muito tempo. Ele estava de costas para a entrada, analisando o comportamento de células de chakra num microscópio quando Orochimaru atravessou a sala e se sentou numa poltrona, num canto mais escuro do laboratório. Uma luz fraca vinda das incubadoras na parede lateral iluminava metade de seu rosto, revelando uma expressão cansada que apenas olhos treinados podiam perceber. Tais olhos se levantaram de seu instrumento e o observaram quando o mais velho disse simplesmente:

- Isso pode esperar.

Não era uma pergunta. O mais jovem se levantou prontamente de sua bancada, tomando o cuidado apenas de cobrir a amostra que conferia e caminhou até o homem sentado displicentemente, o cotovelo no braço da poltrona sustentando a mão que apoiava o rosto. Trocaram um olhar conhecido e o rapaz se ajoelhou perante seu amo. Normalmente fazia o que devia ser feito, sem questionar, mas com a angústia e o rancor acumulados ele se viu tomado de certa coragem.

O garoto Uchiha, lorde Orochimaru? - perguntou com um tom de sincera preocupação enquanto as mãos percorriam a braguilha da calça sugestivamente.

- Ele tem muito potencial e uma força infinda, mas me provoca com sua insolência e arrogância. Reflexo de seu poder, certamente - o tom neutro de sempre. Era difícil dizer se estava zangado ou impressionado.

- Orochimaru-sama, creio que tem sido muito brando com ele. Permite que ele aja como quer, sem o devido respeito. Já o vi punir aliados por menos, senhor. - abriu a frente da calça e, se aconchegando entre as pernas do amo, tomou o membro a meio mastro em suas mãos

- Não vim aqui atrás de sua opinião, Kabuto - respondeu com firmeza, a voz rouca e baixa.. 

Agarrou os fios grisalhos do rapaz antes de continuar.

- Não quer me desrespeitar também, não é?

Seu rosto foi empurrado para baixo de forma tão rápida que mal teve tempo para se organizar. Abriu a boca e envolveu o pênis, agora duro, de uma vez, quase engasgando. O homem finalmente soltou o aperto, a mão apenas apoiada no cabelo claro e sorriu com o canto dos lábios, saboreando a sensação quente que subia e descia por toda a extensão de sua vontade. Sentiu dedos acariciando suas bolas com movimentos circulares, fazendo-o arfar.

Kabuto sabia como tratá-lo. Sabia do que ele gostava e como chegar lá e não pode deixar de sorrir de satisfação quando percebeu que ele tinha tombado a cabeça para trás, deliciando-se . Não conhecia som mais doce que o da respiração descompassada da Serpente, entregue em suas mãos habilidosas. Era como se todo o resto fosse apenas ruído, e toda a sua atenção era concentrada ali, alheio a qualquer outra coisa.

Estava tão compenetrado em sua tarefa que não ouviu quando, minutos depois, passos se aproximaram pelo corredor, um som que, por costume, não estava acostumado a se preocupar. Apenas quando Orochimaru falou foi que ele percebeu o que estava acontecendo.

- Sasuke-kun. Deseja alguma coisa?

O garoto entrara na sala sem se anunciar, como se tornou costume ultimamente, e acabou por flagrá-lo com a boca na botija. Literalmente. Antes que pudesse ter qualquer reação sentiu uma mão segurando sua cabeça no lugar, compelindo-o a continuar o que fazia. Não ouviu nenhuma resposta, apenas passos novamente, que se distanciaram um pouco mais apressados do que chegaram. E pouco tempo depois ouviu seu mestre gemer, antes de se derramar completamente em sua boca. Engoliu tudo. Ergueu os olhos, sem saber bem o que dizer.

- Orochimaru-sama - seu tom era uma confusão entre revolta e dúvida

Orochimaru se inclinou para frente, sorrindo maliciosamente. Com o polegar ele guiou uma parte do sêmen que escorria no canto do lábio esquerdo do assistente para dentro da boca aberta, pressionando a língua. Piscando lentamente, Kabuto sugou o dedo até a base, um gemido reverberando do fundo de sua garganta. O mais velho recolheu a mão novamente, e enquanto fechava a calça, disse simplesmente.

- Não se preocupe com ele, Kabuto-kun. Em breve ele não será mais uma questão - se levantou da poltrona e saiu da sala, para seja lá onde for. 

Ficou sentado no chão mais um pouco, pensando. Cerrou o punho, irritado, e então, não havendo nada que pudesse fazer a respeito, voltou para sua bancada resignado e retomou seu experimento.

 

A pose intimidante e a atitude debochada de Sasuke podiam funcionar com os prisioneiros e os subalternos, mas ele só o via como uma criança rebelde. 

Sabia que Kabuto não via dessa maneira e sempre tentava deixar clara sua desaprovação com as atitudes do menino. É claro, como seu mais antigo companheiro, seu conselho era apreciado, mas lhe faltava a perspectiva que apenas alguém que já passou por uma guerra, pela Akatsuki e ainda pelo Terceiro poderia ter. Ambos eram tão jovens, tão verdes ainda e era fácil se esquecer disso tudo quando estavam tão dedicados à missão a tanto tempo.

Finalmente, ele proibiu o rapaz de fazer qualquer reclamação sobre este assunto quando sua preocupação começou a se parecer demais com descrença em sua capacidade de manter o controle. Na última vez que seu assistente tentou se envolver nos assuntos dos dois ele teve que preencher-lhe a boca para calá-lo. Na última vez, na verdade, acabaram sendo surpreendidos pelo garoto, que entrara no recinto sem sentir a necessidade de se anunciar, como se todas as portas estivessem sempre abertas para ele.

Kabuto tentou protestar, sem sucesso, mas Orochimaru se divertiu assistindo o espanto sendo substituído por constrangimento e arrependimento na expressão do mais novo discípulo. E estava se divertindo ainda mais ao provocá-lo durante o restante da semana, deixando-o sem saber o que dizer. Finalmente.

- Sasuke-kun, deseja alguma coisa? - a língua sibilou entre os lábios

Repetiu propositalmente as mesmas palavras daquela noite quando o rapaz passou por ele ao entrar no salão de treinamento, dias depois. Era delicioso observá-lo se limitando a ficar em silêncio, incapaz de cuspir qualquer indecorosidade. 

O grande espaço todo construído em pedra bruta ficava alguns níveis abaixo do laboratório, biblioteca e aposentos particulares e fora pensado como uma arena, de onde a Serpente assistia a todo tipo de experimento prático, bem como a triagem de suas melhores cobaias Cada um se posicionou em um lado oposto ao outro, abaixo da grande abóbada escavada e se encararam. Apenas quando realizavam treinamento corpo a corpo é que Sasuke conseguia manter o olhar com firmeza.

Antes que pudesse dar algum comando o mais novo correu, espada em punho para cima do mentor. Orochimaru desviou e devolveu um golpe em punho seco nas costas. O adversário se virou rapidamente e revidou com força, girando, golpeando e saltando sobre ele. Um aquecimento. 

Logo podia-se ouvir os ecos do combate dos dois na câmara vazia, uma lâmina cortando o ar, chiados, batidas, chamas crepitando e o canto de mil pássaros. O garoto se superava a cada sessão e o Sennin tinha que fazer esforço para não se distrair ante a evolução de seu aluno. Seu hospedeiro. Do corpo que muito em breve seria o seu. Depois do que podem ter sido horas, ele disse:

- Progrediu bastante criança, mas ainda falta muito.

- Não me chame de criança - vociferou, antes de atacá-lo novamente, a energia começando a acabar

- É só um jovem intrometido e arrogante demais. Não chega a ser um homem. Não ainda.

Um raio azul vibrante passou rente ao seu rosto e destruiu as pedras na parede de trás. Com sua forma metamorfa ele serpenteou e desviou para baixo, aproximando-se de seu oponente.

- Mas também posso cuidar dessa parte - sugeriu maliciosamente

- Sasuke correu para o lado oposto, mantendo o máximo de distância.

- Argh, você é doente.

- E ainda assim, cá está você. Por escolha própria, se bem me lembro.

- Não concordei com isso.

- Concordou que eu lhe treinaria, lhe ensinaria, que teria sua vingança e que em troca seu corpo pertenceria a mim Estou cumprindo minha parte.

Agora o rapaz estava no teto, de ponta cabeça, se preparando para cair em um ataque de fúria. Tomou impulso e se lançou sobre seu alvo. Orochimaru foi ao seu encontro e em pleno ar, quando deveria ter sido atingido pela ponta coberta de chakra, se transformou em centenas de serpentes brancas que se enrolaram pelo chão, atenuando a queda de Sasuke e o prendendo, pernas, braços e pescoço.. A espada caiu de sua mão e ele ficou completamente paralisado, observando o mais velho se aproximar lentamente, lambendo os lábios de satisfação.

- Você ainda não está pronto, mas logo estará e então terá a honra de ser meu. Como combinado. Até lá… - segurou o rosto do garoto com força, obrigando-o a olhá-lo - preciso saber o que é capaz de aguentar.

Lambeu a lateral do rosto chocado que o encarava e gargalhou. Os dois respiravam pesado, tentando retomar o fôlego, o único som que se ouvia além do sibilar coletivo dos répteis à sua volta. Uma das serpentes, pálida como o luar, subiu lentamente pela canela de Sasuke, pelo joelho, pela coxa e se enroscou entre suas pernas, estimulando-o. “Ora, ora” o mais velho pensou, observando o volume que crescia à sua frente A cobra então circulou pela cintura e tórax do rapaz e depois se perdeu na ninhada que o mantinha no lugar.

O garoto respirou fundo, analisando cada movimento, cada palavra, cada intenção. Tentou pensar em milhares de maneiras de se desvencilhar do aperto e sair, mas ao considerar todas as possibilidades percebeu que o melhor seria não resistir, não tinha nem condições físicas para isso no momento. Sim, aquele homem era obviamente perturbado mas ele tinha um ponto. Ele estava perto de se tornar tão forte quanto jamais imaginou, mas ainda não estava lá. Ainda faltava uma parte para preencher e abrir mão de tudo seria estupidez agora. Já havia ido muito longe para voltar atrás. 

Mais uma maldição para a lista.

Eles tinham um acordo. E era direito de ambos exigirem sua parte. Teria que aceitar, com a consciência, a convicção de que seria por pouco tempo.

Orochimaru apoiou um dedo longo sobre a parte exposta do peito de Sasuke e o deslizou pelas bordas da camisa, abrindo-a um pouco mais. Traçou círculos em volta dos mamilos que, involuntariamente, se expuseram. Sorriu satisfeito. Adorava o momento da provocação, em que nada acontecia de fato, mas qualquer toque criava uma expectativa suplicante. Claro, não acreditava realmente que o discípulo estivesse ansioso para se entregar, mas a ideia de que ele não soubesse qual seria o próximo movimento o excitava. E se tornava evidente.

Baixou as mãos em direção à calça dele e arrancou o cinto que usava como bainha, jogando-o longe. Deu um passo a frente ficando desconfortavelmente mais perto do outro, respirando praticamente o ar que ele exalava e sem perder mais tempo agarrou o membro com a mão direita. Se pôs a masturbá-lo lentamente, mais como um estímulo a si próprio, o calor pulsante entre seus dedos.

Com o toque inédito em sua intimidade, Sasuke suspirou. Não pretendia demonstrar nenhum contentamento, mas foi pego de surpresa pela destreza com que o outro trabalhava. Não podia dizer que já havia praticado sozinho, mas a sensação de ter outra pessoa fazendo isso por ele era muito nova e completamente diferente. Tentou controlar a respiração o máximo possível e então… a sensação acabou..

Não percebeu que havia fechado os olhos, mas quando os abriu o homem já não estava mais à vista. Ainda estava rígido, não havia terminado, então…? Às suas costas sentiu a aproximação. As cobras que o imobilizavam se dispersaram e desapareceram. Se apoiou na parede à sua frente, o sangue voltando a circular nas pernas recém comprimidas. A voz atrás dele apenas sibilou, pedindo silêncio, tranquilizando-o. 

A calça caíra no chão, aos seus pés, e Orochimaru aproveitou o momento para acariciar a carne nua. Chegou mais perto do rapaz, molhou dois dedos na boca e suavemente os colocou entre as nádegas dele, massageando o orifício até então inexplorado. Todo o seu corpo estremeceu, em parte por surpresa, em parte por repulsa. Sentia-se violado, exposto. Encurralado.

- Não se preocupe, meu garoto, tenho toda a experiência necessária para guiá-lo até onde quer ir.

Sussurrou tão perto de sua orelha que podia sentir os cabelos roçando sobre seu ombro, a mão pálida, maior que a sua, espalmada contra a parede, ao lado de seu rosto. Voltou a respirar cada vez mais rápido, sem saber o que se seguiria, a imaginação como seu único guia. 

Talvez se tivesse se entregado não teria achado tão terrível, mas em sua raiva não conseguiu relaxar. Mas não importava para seu mestre, não é?, que lentamente encaixou seu pênis na entrada agora úmida dele. Conseguiu contar apenas até dois antes de se sentir invadido pelo desejo latente do homem, em contraste à pedra fria com a qual seu corpo se chocou. Sentiu quando a pélvis dele bateu contra si. Sentiu uma dor que certamente o partiria ao meio. Gritou.

Orochimaru gargalhou, um som desprezível, antes de começar os movimentos de vai e vem atrás dele, que logo se tornaram mais fáceis, deslizando sem resistência. Agarrou os cabelos rebeldes do outro e gemia a cada estocada, cada vez mais fundo, cada vez mais rápido. 

Quando estava prestes a terminar, soltou os cabelos do garoto e apertou seu pênis exposto com uma mão surpreendentemente forte, fazendo-o gemer contra a vontade. Finalizou dentro dele e apenas então se afastou. Se recostou na parede, o ar saindo com dificuldade dos pulmões. Ficaram alguns instantes em silêncio enquanto o mais novo se recuperava

- Eu estava certo sobre os Uchiha - disse entre uma tomada de fôlego e outra, um sorriso detestável no rosto - Vocês tem muito… potencial.

Orochimaru se organizou de volta e saiu da arena, sem pressa, deixando-o sozinho na escuridão crescente..

Sasuke não respondeu, não reagiu, não olhou para trás. Quando sentiu a força voltar para suas pernas, andou e depois correu para seu quarto, para o banheiro, para o chuveiro. Se sentia sujo e frustrado e confuso e dolorido. Só queria poder se livrar o quanto antes de qualquer evidência do que havia acontecido.

Apenas depois de ter certeza de que não podia sentir mais nem um pouco do Sennin dentro de si que ele se deu por satisfeito com o banho. Vestiu roupas limpas e se deitou sobre a cama. Sem perceber se viu pensando em sua antiga vida: na vila da Folha, em Sakura e em Naruto, seu colega e rival. Pensou nos tempos da academia, dos exames chunnin, de quando tudo era mais simples e depois dormiu. A lembrança do motivo pelo qual estava ali martelando em sua cabeça junto com os ecos de horas atrás.

 

A semana seguinte foi a mais difícil que já passara desde que se tornou um renegado.

Apesar de tudo o que já teve que enfrentar em prol de seu progresso, nunca imaginou que teria que passar por esse tipo de provação. Nunca havia se sentido tão fraco e tão submisso, tão intimamente atacado. Duvidava que nem mesmo o famoso genjutsu do irmão poderia tê-lo atingido tão a fundo.

No início, sem saber bem como reagir, evitou ao máximo ter contato com quem quer que fosse na fortaleza, principalmente ele. Sozinho, treinou nas alas externas até a exaustão, colocando em cada golpe um pouco do que sentia, como se a cada vez que acertasse uma sequência ele liberasse um pouco de sua raiva e de sua angústia. Quase não sentia o tempo passar e apenas quando as chamas se tornavam faíscas e os braços já quase não conseguiam se erguer é que ele se recolhia para seus aposentos. 

Com certeza não era uma rotina nem um pouco saudável, era evidente, já que alguns dias depois Kabuto o encontrou cedo pela manhã, antes que ele pudesse sair do edifício, com ordens de repouso e medicamentos para os prováveis ferimentos. Não confiava nem um pouco no ninja médico, apesar de ser o número um de seu mestre, e parecia ser recíproco. Sabia que se ele estava ali era puramente para cumprir ordens superiores, mesmo que claramente a contragosto. 

Foi apenas depois disso que Sasuke se deu um tempo para descansar, finalmente. Talvez se tivesse forçado um pouco mais teria ultrapassado um limite que não pudesse retornar, e sabia que, preocupado com sua propriedade, o Sennin não permitiria que ele sofresse danos que não pudesse reverter.

Duas noites de repouso depois ele foi chamado, provavelmente para checar sua recuperação..

- Orochimaru-sama. Mandou me chamar? - o garoto perguntou, empurrando a porta entreaberta do quarto.

Depois de tantos anos vagando pelo enorme esconderijo na vila do Som, era a primeira vez que entrava naquele aposento. O lugar era espaçoso e escuro, como todo o resto, mas tinha uma certa imponência. Possuía uma penteadeira com um espelho suntuoso à um canto, uma poltrona acompanhada de uma pequena mesa de apoio em outro. Mas o que chamava mais atenção era a grande cama que ficava à frente, com uma cabeceira larga e ornada com curvas e tons de roxo, uma clara referência à natureza de seu ocupante. Cercado de velas baixas, a luz amarelada que subia fazia com que aquilo mais se assemelhasse a um altar, que seu mestre usava para descansar, se recuperar, e outras coisas mais.

Estava óbvio agora que era para uma dessas coisas que ele havia sido chamado.

- Sasuke-kun - disse simplesmente o mais velho

Orochimaru saiu de algum lugar das sombras usando apenas um robe de dormir e parou ao lado da cama, sinalizando para que o rapaz entrasse. O garoto então deu alguns passos para dentro do recinto, tenso e desconfortável, como se caminhasse para dentro da intimidade do homem, e ali ficou, completamente imóvel perto da cama. O Sennin caminhou em silêncio em sua direção. Ao passar por uma fileira de velas no chão foi possível perceber que afora o fino tecido que o envolvia o homem estava completamente nu por baixo. Esperou que ele falasse.

- Kabuto disse que você tem se sentido… mal. - afirmou, como se estivesse surpreso, seu tom exigindo uma resposta 

- Kabuto. O que deve ter dito sobre ele?

Me senti indisposto. Provavelmente pelo treinamento dos últimos dias - provavelmente pelo ataque que ele havia cometido contra sua dignidade.

- Hum… - murmurou, ignorando a explicação - Espero que já esteja se sentindo melhor.

Dessa vez sentia que sua resposta era dispensável. Pretendia falar o mínimo possível sobre os últimos acontecimentos.

Falta pouco tempo agora para que possa alcançar o poder que tanto procura - continuou, se aproximando ainda mais - Seu corpo deve estar em seu melhor estado antes que possa me servir.

O mais velho estava perigosamente perto dele agora, rodeando-o, analisando sua presa. Podia sentir o olhar dele em sua nuca, podia ouvi-lo passando a língua nos lábios como costumava fazer quando sentia que a batalha estava ganha. Podia sentir a movimentação atrás dele, como uma cobra rastejando em algum lugar que não podia ver. 

Sentiu quando dedos longos e finos subiram pelas costas de sua camisa e se agarraram à gola, puxando-a para baixo e revelando a marca de sua maldição. Seu corpo se retesou diante do suave toque que o despia, mas tentou se mostrar o mais controlado possível, não podia demonstrar o menor sinal de medo ou ele perceberia, farejaria.

- Veremos como está seu progresso - Orochimaru disse, a voz rouca e baixa, coberta de desejo e veneno

Ouviu-se o farfalhar do robe caindo no chão e novamente silêncio. Não um silêncio agradável, um silêncio de expectativa, de espera. O Sennin não o ajudaria. Esperava que ele mesmo tirasse a própria roupa na sua frente. Como já não bastasse toda a humilhação pela qual já havia passado, por todo o orgulho que tivera que engolir, ainda tinha que ele mesmo se preparar para ser usado. 

Abriu o restante da camisa e a soltou; então desamarrou o grande cordão que segurava a calça e deixou que as peças deslizassem para o chão. Com um dos pés afastou o pequeno montinho de tecido para o lado e voltou à sua posição. 

Virou o rosto levemente para trás, sua expressão escondida nas sombras de seus cabelos, observando de esguelha a reação de Orochimaru, que deu um passo à frente, lentamente, deliciando-se com a visão. Virou o rosto para frente de volta. Podia sentir o hálito dele muito perto agora, suas mãos segurando-o pelos braços. Antes que percebesse, a língua quente e úmida tocou seu ombro, deixando-o enojado e com calafrios. Ela subiu lentamente pela curva, até alcançar a marca negra em seu pescoço e então se afastou.

Ultimamente Sasuke se sentia tranquilo, na medida do possível, com a sensação de que, finalmente, tinha total controle de si. Levou muito tempo até que ele conseguisse dominar a condição que o levava ao estado de completa selvageria e ódio, condição que lhe foi imposta junto com a promessa do poder que ele tanto buscava. Porém, com o toque que acabara de receber sobre a marca que simbolizava esta maldição, ele sentiu como se as chamas negras que antes o queimavam por fora agora queimassem com toda a força dentro de si. Não se submeteria novamente.

Orochimaru desceu os dedos lentamente pelas costas dele num óbvio comando para que se inclinasse. “Não”, ele murmurou, e num movimento rápido inverteu os papéis. Girou no lugar e se agarrando a um dos braços do homem o jogou na cama, de uma vez. Se ele ficou surpreso, não demonstrou, nunca demonstrava, e agora íris reptilianas o encaravam, reluzindo em meio às trevas, cheios de malícia. Soltou uma gargalhada terrível, do fundo da garganta.

- O que pretende fazer, criança? Me matar? - desafiou, curioso

O Sharigan havia sido ativado instintivamente, olhos vermelhos inflamados de raiva pensando no que fazer. Se lançou sobre ele, caindo de joelhos com um baque surdo sobre o colchão. As mãos foram direto para o pescoço pálido exposto, mas não apertaram o suficiente para quebrá-lo. A boca dele se abriu mostrando as presas e seus dedos se enrolaram nos pulsos do garoto, mas sua expressão não demonstrava nem um pingo de medo ou desespero, longe disso. Sasuke podia sentir que ele se divertia, podia ver em seu olhos, podia sentir pelo pulsar abaixo de si.

- Você é desprezível - cuspiu entre dentes

- Apenas admita, garoto, você também quer isso - respondeu com a voz ainda mais rouca pelo aperto, mas perfeitamente audível - Você não pode esconder nada de mim.

Sem deixar de encará-lo, ele percebeu uma das mãos de Orochimaru deslizar sobre o estômago e agarrar seu membro ereto, como se confirmando o que dizia. Sentiu calafrios perante o toque. Não havia percebido que ele mesmo estava rígido, não sentia nenhuma atração ou desejo particular, mas era inegável que sangue quente latejava em sua extremidade.

A única coisa que sentia agora era o mesmo que sentia há anos, o mesmo que sentia quando tomou a decisão de aceitar este homem como mestre, o mesmo que sentia a cada dia para fazê-lo seguir em frente. Vingança. Era apenas isso que o motivava a levantar todas as manhãs, a treinar arduamente até altas horas e a suportar as condições inerentes de seu acordo com o Sennin. 

Era o que o impulsionava e era isso que faria. Se vingaria.

O silêncio nunca era absoluto no esconderijo. Sempre haviam coisas rastejando nas sombras, ecos de cobaias encarceradas e sons diversos que vinham do laboratório. Naquele momento não era diferente, mas desta vez o barulho que se ouvia era das respirações pesadas deles.

Sasuke ergueu seu corpo apenas o suficiente para se acomodar melhor, passando as pernas de Orochimaru para frente e se prostrando perto de seu orifício. Respirou fundo, o ódio preso em sua garganta. E sem preparo nem cerimônia o penetrou. Forçou a entrada no homem de uma vez só, até que a carne nua se chocasse com a sua.

Não queria que o outro tivesse tempo de absorver o ocorrido ou de se acostumar e começou a se mover para dentro e para fora em movimentos furiosos, como ondas do mar quebrando na encosta. Logo as ondas se transformaram numa tempestade, movendo-se com mais velocidade e violência, mas sentia que conseguia deslizar com mais facilidade para dentro dele, como se uma lubrificação natural estivesse sendo ejetada sobre ele. O que provavelmente era o caso, já que o corpo do homem era conhecido por suas adaptações e mutações animalescas.

Ainda assim não parou. Continuou o movimento, uma mão apertando o pescoço com mais força enquanto a outra segurava uma das coxas. Sustentou o olhar em chamas o máximo que pode, encarando o próprio mestre que sorria com os lábios escancarados, gemendo, a respiração ruidosa, os longos cabelos negros espalhados sobre o lençol.

Sentia um prazer que jamais admitiria enquanto o fazia, sentia que finalmente estava dando o troco. Sentia tudo isso cada vez mais rápido, mais forte, mais perto, até que finalmente explodiu em êxtase. Ao perceber as ondas de satisfação chegando ele se retirou, esparramando tudo o que tinha sobre o abdômen e peito desnudos do outro, num tom ainda mais claro que o de sua pele.

Afrouxou o aperto no pescoço, apoiou as mãos sobre as próprias pernas, e fechou brevemente os olhos, recuperando o fôlego. Ao abri-los viu Orochimaru erguer-se e se apoiar nos cotovelos. Passou um dedo longo e fino sobre a substância que o cobria e o lambeu com gosto, encarando o rapaz. Um riso gutural escapou de seus lábios enquanto o fazia. 

Se ergueu agora sobre os joelhos e se inclinou na direção do menino, que estava imóvel à sua frente como se em transe, apenas o peito suado subindo e descendo ritmadamente. A presa perfeitamente detida em sua armadilha. Quando estava perto o suficiente para sentir o seu cheiro segurou o queixo de Sasuke com uma das mãos, apertando as bochechas e trazendo o para si. Baixou rapidamente o olhar para sua boca e de volta, e então o beijou. O garoto automaticamente fechou os olhos e logo abriu os lábios, dando passagem à língua sedenta do outro, explorando tudo o que alcançava. 

Foi um beijo lento, com gosto de luxúria, até que de repente ele se afastou. Quando abriu os olhos, seu Sharigan havia se esvaído, orbes cinzentos e confusos observando a cena, como se tivesse acabado de perceber que cometera um crime. 

- Algum problema, Sasuke-kun? - perguntou com falsa inocência

Mas ele não sabia o que responder. Não sabia o que pensar. Mais do que nunca parecia o garotinho perdido e confuso de anos atrás, sem entender o que estava acontecendo.

- O quê… ? - foi apenas o que conseguiu dizer

Orochimaru se inclinou para trás, apoiando-se sobre um dos cotovelos e balançou a cabeça para retirar o cabelo do rosto. Seus olhos encarando o rapaz sem parar, mesmo quando começou a estimular o próprio sexo com uma das mãos. Sasuke ficou assistindo a tudo como se estivesse hipnotizado, o corpo ainda sentindo uma eletricidade percorrer. Vendo que tinha prendido a atenção dele, o mais velho continuou:

- Conhecimento é poder, Sasuke. E ainda tem muitas coisas para aprender… se estiver disposto.

Começou a mover a mão com um pouco mais de velocidade e então grunhiu, tirando o garoto do transe. Parou o movimento e com cuidado pegou a mão do garoto e a colocou sobre o membro ereto, guiando o movimento com sua própria mão por cima da dele. Logo ele pegou o jeito e a assistência já não era mais necessária. Deixou que encontrasse o próprio ritmo, jogou a cabeça para trás e arfou e gemeu, os quadris sendo impulsionados em sua direção.

Pouco tempo depois, quando sentiu que estava chegando ao seu ápice, sussurrou um “quase”, mais para si mesmo, e foi surpreendido por uma sensação quente e aveludada o envolvendo. Levantou o rosto a tempo de ver o rapaz inclinado sobre ele, sugando-o com vigor. Não resistiu mais um segundo e gozou, o corpo estremecendo e caindo enfraquecido sobre o colchão. Riu, boquiaberto e sem força.

Sasuke limpou a boca com as costas da mão, o gosto salgado na língua. Não tinha entendido o impulso que o levara àquilo. Seus lábios formigaram de curiosidade e ele simplesmente o fez. 

Não se sentia mais incomodado, sentia-se e estranhamente poderoso. Sua consciência dizendo que aquilo tudo era mérito seu. Ele derrotou Orochimaru, mesmo que não da maneira que pensava e este sentimento o tranquilizou.

Encarou uma última vez o homem deitado sobre a cama, respirando com dificuldade, brincando com os cabelos bagunçados. Levantou-se, vestiu as calças de qualquer forma e saiu, sem dar uma palavra. Os passos descalços até o seu quarto, silencioso e tão leves quanto seu estado de espírito. A noite não tinha, nem de longe, terminado como ele esperava e havia muito no que pensar, mas não agora. Agora sentia que precisava dormir como há tempos não sentia.

 

Antes que percebesse, tudo mudou.

A partir daquela noite, uma nova dinâmica foi estabelecida entre eles. Uma relação que Sasuke, em sua juventude, ainda não compreendia muito bem mas que em pouco tempo conseguiu se adaptar, fazendo com que a rotina deles se tornasse mais fácil e normal. Ou o mais normal que poderia ser possível quando se é um jovem ninja renegado num esconderijo em uma vila secreta, treinando habilidades provenientes de formulações experimentais e duvidosas, com um mestre andromorfo sociopata e um assistente que o odeia.

De início, é claro, o rapaz não sabia muito bem como agir. Tudo era uma grande confusão entre raiva e desespero, prazer e dor, poder e desejo. A linha que delimitava as interações deles se tornando cada vez mais turva e imprecisa. Isolados de qualquer contato externo, todo acontecimento ali dentro se dava de forma intensa, assumindo proporções enormes sem muito esforço. O prazo de conclusão de seu treinamento pressionando-0 constantemente, deixando-o sempre à beira de algum tipo de colapso e sem tempo para repensar ou descansar adequadamente.

Eram nesses momentos que essa nova rotina se fazia valer. Eram nesses dias, quando sua mente estava cheia, os nervos à flor da pele, e parecia mais difícil controlar as forças que lutavam contra sua consciência para dominar seu corpo que se podia ouvir os sons de seus únicos momentos de lazer vindos dos aposentos de Orochimaru, sempre disposto a ajudar.

Apesar de se encontrar na posição de aprendiz e subordinado, Sasuke pensava e repensava cada passo que dava, cada palavra que proferia e cada atitude que tomava para nunca se mostrar subjugado ou dar a impressão de que finalmente havia cedido ao Sennin. Portanto, por mais que suas atividades noturnas fossem proveitosas, não eram levianas. Era assim que o garoto cultivava, de certa forma, sua dominância sobre o outro. Através de sua própria vontade e habilidade que o mais velho se contorcia e se entregava em sua intimidade. Era ele quem determinava quando iam fazer e quando iam acabar, e, quando se dava por satisfeito, era ele quem se retirava, sem se importar em ser dispensado ou não.

“Agradável” não seria o termo mais preciso para descrever, mas a convivência dos dois certamente tinha se tornado mais sustentável ultimamente. Sasuke sentia que cada vez mais ele conquistava a confiança de seu mestre, uma confiança que, se tudo fosse conforme o planejado, o cegaria o suficiente para as intenções subliminares do garoto de decidir pelo próprio destino ao final. Por ora tudo corria bem, tão bem que Sasuke estava até ansioso pelo que o dia guardava para ele hoje.. 

A sala em que se encontrava era ampla e bem organizada, com prateleiras que iam do chão ao teto de pé direito alto repletas de livros variados e rolos de pergaminho. Duas mesas de madeira maciça eram dispostas em paredes opostas, uma coberta por jarros com rótulos diversos e a outra, claramente uma bancada de estudo, continha pincéis, um pote de nanquim e um rolo de pergaminho maior e mais antigo que os outros aberto sobre o tampo. Era por causa deste último item que estavam ali.

Orochimaru deu a volta no móvel, dando espaço para o garoto poder ficar de frente para o papel que mostrava uma lacuna vazia, esperando para ser preenchida. Kabuto, sentado à outra mesa, apenas encarava a conversa, o descontentamento mais do que evidente mesmo sob a luz baixa dos castiçais. Sasuke parou ao lado da cadeira, mas não se sentou, ficou parado em pé, as mãos apoiadas na borda da mobília, aguardando ansioso pelas instruções que o mais velho passava.

- … vitalício. Uma vez assinado o contrato você será capaz de invocar Manda. Ela é muito leal a mim, então será preciso de um tempo até que se acostume à sua presença como seu mestre ao invés de seu inimigo, como de costume. Agora, basta um pouco de sangue, e você pode colocar seu nome aqui e sua mão ali. - apontou para os espaços vazios no papel.

Assim ele o fez. Evitou dar uma palavra, tamanha sua empolgação em finalmente ter seu próprio Kuchiyose no Jutsu, mas manteve a expressão o mais impassível que pode. Pegou um pequeno pano que lhe foi estendido e começou a limpar a mão que sangrava sem parar, um fino traço vermelho que escapava do meio de sua palma.

- Kabuto, cuide disso - Orochimaru ordenou ao assistente, enquanto enrolava o contrato e o selava.

Ora, perder um pouco de sangue não lhe fará mal. Tenho certeza que um Uchiha pode aguentar mais do que isso - zombou com rancor

- Kabuto - ele o repreender, a firmeza na voz mostrando que não se repetiria

Sasuke permaneceu em silêncio, o rosto erguido apenas observando enquanto o rapaz lhe trazia um pano úmido para limpar a ferida e enrolava uma atadura na mão cortada, apertando com mais força que o necessário, e com um toque gelado e algumas palavras sussurradas fazia o fluxo diminuir. Ele lhe deu as costas e voltou com o pano agora sujo para dentro de uma bacia sobre a mesa em que estava. Orochimaru parou ao lado do assistente e, observando seu comportamento, falou apenas para os dois:

- Se colocar mais força suas mãos é que vão acabar sangrando. - provocou

O outro afrouxou o aperto, os nós dos dedos já ficando brancos. Soltou o pano e respondeu também baixo.

Orochimaru-sama, sei que não devo dizer, mas como seu conselheiro devo alertá-lo sobre o perigo de dar tanta confiança para este garoto. Não vejo porque seria necessário permitir que ele pudesse fazer o contrato com uma serpente milenar a esta altura, quando estamos tão perto de concluir seu objetivo. - disse num sussurro cada vez mais irritado

- Kabuto-kun, sua preocupação é infundada. Parece insinuar que eu não sei o que estou fazendo ou que não sou mais capaz de lidar com o garoto - o tom calmo se transformou em zombaria - Aliás, posso dizer que é um rapaz muito bom de se lidar. Você saberia se desse uma chance para ele.

Não podia estar ouvindo direito. Mas era isso mesmo, ele estava jogando na cara dele seu ciúme, provocando-o. Simplesmente o substituíra e não tinha a decência nem de deixá-lo em paz quanto a isso. Estava farto disso. Era ele quem merecia uma chance novamente, uma chance de mostrar sua total devoção em seu mestre, uma chance de mostrar que acreditava completamente em sua capacidade e mais ainda em seu talento. Uma chance de lembrá-lo em quem podia confiar sua lealdade.

Era como se ele tivesse ouvido tudo o que pensava, seu olhar penetrante o encarando como se o lesse por dentro. O mais velho se virou para o outro lado e anunciou.

- O tempo para essa rivalidade infantil já passou. Estamos nos estágios finais do projeto e todos devem estar completamente alinhados para dar certo. Não me interessa as opiniões de vocês, Kabuto é quem lidera os testes e Sasuke é a chave para o nosso absoluto sucesso. Basta disso.

O moreno apenas revirou os olhos, como o filho adolescente que acaba de receber uma bronca, enquanto o grisalho o encarou com fúria por detrás dos óculos redondos. Sorriu de forma artificial antes de dizer:

- É claro, Orochimaru-sama. O que achar melhor. Tem pessoas que não são capazes de engolir nem o próprio orgulho pelo bem maior - alfinetou. Uma péssima escolha de palavras, ele teve que reconhecer depois

Sasuke estava recostado na lateral da mesa em que assinara o contrato, braços e perna cruzados, olhando para qualquer lugar e lugar nenhum pela sala, evitando propositalmente o assistente. Orochimaru riu ante a declaração. Apesar da reprimenda, ele se divertia com a idolatria de seu servo. Se aproximou do rapaz, as mãos apoiando-se em seus ombros, próximo ao pescoço. Baixou o rosto, de forma que seus lábios ficaram na altura de seu ouvido e falou lentamente, as palavras deslizando pela língua.

- Sua devoção é admirável, Kabuto-kun

Depois de tempos sem nenhum contato físico, esse gesto fez com que Kabuto estremecesse. Piscou devagar, saboreando a declaração e o toque.

- Talvez você devesse demonstrar ao Sasuke como lealdade e obediência funcionam. - continuou, a voz hipnótica

- S-sim, senhor.

Tocara em seu ponto fraco, seu desejo pela aprovação de seu mentor, anestesiando seu julgamento. Orochimaru o usara como exemplo, como modelo.. A perigosa mistura de lisonja com adoração fazendo com que ele aceitasse qualquer coisa que o Sennin lhe sugerisse. E ele sabia disso.

Sasuke ficou observando sem entender quando a Serpente sibilou algo no ouvido do assistente, que tensionou os ombros e comprimiu os lábios brevemente, antes de assentir e relaxar outra vez Ele avançou em sua direção em passos decididos, apesar do olhar um tanto quanto conflituoso. Achou que Orochimaru o incitava a começar uma disputa ali mesmo, então ainda de braços cruzados ele se levantou, ficando de costas para a parede mais próxima, os punhos cerrados, pronto para o que viesse. 

O rapaz parou bem à sua frente e, o encarando, se ajoelhou. Sasuke olhou para ele sem entender qual o objetivo daquilo, e quando se virou para o mais velho em busca de uma reação foi surpreendido pelo toque suave que subia por suas pernas. Um gatilho sobre aquela noite de treinamento na arena disparou, e num reflexo ele baixou os braços, agarrando a ameaça a meio caminho. Diferente da última vez, o que viu não foram serpentes, mas as mãos enluvadas de Kabuto, que tinham o mesmo objetivo. Segurando os pulsos do outro, ele novamente olhou para Orochimaru, que os observava com concentração, o queixo apoiado em uma das mãos e assentia.

Soltou os pulsos. O grisalho com os olhos nos dele, indecifráveis, retirou lentamente as luvas de trabalho e as jogou no chão. As mãos agora livres voltaram direto para o centro de sua atenção, fazendo o garoto prender a respiração.

Seu toque experiente o incitava, o media, o despertava. Seus dedos percorreram a borda do tecido e o puxou para baixo, revelando o membro pelo qual seu mentor o havia trocado. Não. Precisava afastar aquele pensamento antes que o atrapalhasse, tinha que mostrar que, independente do que fosse, Orochimaru podia contar com ele.

- Calma, eu não mordo - Kabuto alertou, um sorriso cínico e a voz agora mais baixa - a não ser que Lorde Orochimaru ordene… 

Aproximou os lábios dele, mas ao invés de colocá-lo na boca ele o lambeu. A língua macia e o hálito quente subindo da base até a ponta, fazendo o garoto estremecer e soltar o ar de modo irregular. Podia sentir o sorriso de satisfação de seu mestre diante dessa cena, seu rival literalmente em suas mãos, e pensou que isso poderia mesmo acabar sendo divertido, afinal.

Desceu a língua ainda mais baixo, acariciando uma região ainda mais sensível e ao alcançar o topo novamente ele o engoliu por inteiro, sem hesitar. Desnorteado, o mais novo se agarra à borda de uma cadeira próxima e suspira. Seus olhos se encontram brevemente, então Kabuto ri, ondas de som reverberando do fundo de sua garganta em volta dele. 

Sasuke fora pego de surpresa, sua mente falhando em tentar absorver o que está acontecendo e o que está sentindo, sendo torturado de forma lenta e suave. Se utilizando de uma das lições mais difíceis que aprendeu durante seu tempo naquele esconderijo, resolve se deixar levar, tentando tirar o máximo de proveito da situação. Instintivamente agarra os cabelos claros do outro com a mão boa, que passa a sugá-lo com mais força, fazendo-o arfar sem controle.

Seus olhos estão fechados em concentração e só percebe uma movimentação quando ela já está muito próxima. As garras de Orochimaru tocam seu tórax levemente, causando-lhe arrepios. Sobem pelas costelas, pelo pescoço e então trazem seu rosto para um beijo. Ele não recusa e não se afasta, qualquer repúdio que tivesse sendo substituído pela acalorada confusão do agora.

Com a mão livre, Kabuto abre e retira a calça do outro homem, num gesto tão familiar e, sem parar o que está fazendo, começa a estimulá-lo também. Não que fosse preciso muito, pois ele se aproxima dos dois já preparado, ansioso por participar. O mais velho geme na boca de Sasuke antes de se afastar para respirar. 

O assistente inverte as posições, e começa a masturbar o garoto enquanto envolve o outro com desejo, o mais fundo que consegue, quase engasgando, até que ele o interrompe, levantando seu rosto pelo queixo e o trás para um beijo com o gosto dos três em seus lábios.

A partir daí o restante da noite se torna um filme com cortes demais na lembrança do garoto Uchiha. Imagens que pareciam impossíveis e sensações inéditas se misturando e se encaixando de qualquer jeito em sua memória fragmentada.

Orochimaru e Kabuto se beijando com voracidade à sua frente.

Ele mesmo empurrando para o chão o que estava sobre a mesa enquanto o Sennin ergue seu discípulo pelos quadris e o deita sobre o tampo de madeira.

As costas de Kabuto arqueando tão suplicantemente pelo mestre quanto se estivesse de joelhos, enquanto ele lubrifica sua entra com a língua selvagem e finalmente o penetra.

Sasuke do lado oposto do móvel, retirando os óculos do outro, as mãos descendo pelo peito nu do rapaz. Um rastro vermelho escapando da atadura encharcada se misturando ao corpo molhado.

Gemidos, sussurros, palavras que não foram ditas e o som de carne contra carne ecoando noite adentro.

Sêmen, suor e sangue.

 

Piscou os olhos várias vezes, subitamente se lembrando onde estava. 

Corria sozinho por fiordes estreitos, seguindo para o sul. O sol forte o acompanhava há algumas horas e o vento trazia a maresia das ondas que quebravam muitos metros abaixo, fazendo sua camisa começar a grudar no corpo em alguns pontos. Um trovão anunciava a chegada da tempestade ao longe, o som estrondoso o despertando de seus devaneios.

Tal caminho se tornara familiar nas últimas semanas, quando Orochimaru passou a levá-lo para conhecer os outros esconderijos que utilizavam, cada um com diferente segmento de sua pesquisa. Portanto, sua decisão de começar a frequentar tais locais por conta própria, apesar de ser contestada pelo fiel assistente do Sennin, não se tornou uma objeção, dando-lhe o tempo e a oportunidade necessários para maquinar o seu próprio plano.

Estava concentrado nisso por todo o trajeto, até chegar aos fiordes, quando o mar o arrebatou, fazendo-o pensar naquela última noite. Aqueles últimos momentos antes de sua própria revolução começar.

Seguiu mais para o interior da trilha, evitando a beirada de pedra com seus picos fatais. Apertou a mão no punho da espada ante a lembrança, a cicatriz em sua palma em relevo sobre o couro trançado. 

Uma nova lufada de vento salgado veio em sua direção, inundando-o com sensações. Seu corpo estremeceu. Sentia tudo como se tivesse sido ontem, tudo voltando à tona agora. O toque urgente em sua pele, as gotas de chuva que começavam a cair arranhando-o como garras suplicantes, o sal em sua língua. 

Sentia mais uma vez as veias pulsarem visivelmente, involuntariamente, inapropriadamente.. Respirou fundo e fechou momentaneamente os olhos, a cena se tornando ainda mais vívida em sua mente, detalhes à meia luz. 

Observou a praia lá embaixo, as ondas quebrando com ainda mais violência sobre a areia branca e macia. O temporal o alcançava, rugindo sobre a grama revolta.

Nuvens carregadas preencheram o horizonte, mergulhando o mundo em trevas. 

Mas ele estava seguro de seu destino e já se acostumara à escuridão.

 


Notas Finais


Espero que tenham aproveitado. Foi desafiador montar essa história mas muito divertido. Sintam-se à vontade para fazer qualquer observação.
E muito obrigada pela escolha.


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