História O Domador de Leões - Capítulo 5


Escrita por: e Lovage

Postado
Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Otabek Altin, Yuri Plisetsky
Tags Circo, Fanficsotaconda, Mpreg, Omegaverse, Otayuri, Romance, Yuri!! On Ice
Visualizações 73
Palavras 2.289
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Respeitável público!
Vocês estão prontos? Hoje é o dia tão temido pelas autoras. Vocês vão entender o motivo, mas esperamos do fundo do coração que vocês gostem, ou que, pelo menos, continuem conosco para o resto da jornada. Amamos vocês.

Aproveitem e boa leitura!

Capítulo 5 - Ápice


 

Em poucos dias, Otabek melhorou e Yuri, que passou tantos dias ao seu lado, auxiliando-o a passar pela doença, sentiu sua falta.

 

Era mais que esperado que tudo voltasse ao seu normal. O domador passaria os dias enfurnado na tenda com seus leões, aparecendo para eventuais apresentações e refeições, com algumas escapulidas durante a madrugada para perturbar Yuri. Contudo, aquilo já não era mais suficiente.

 

Yuri com frequência se pegava pensando no outro. De repente, sua percepção sobre seus sentimentos ficara diferente. Durante os momentos cuidando do domador, a amizade entre ambos fora questionada diversas vezes na cabeça de Yuri. Seu coração parecia uma bagunça generalizada e ele não sabia mais a qual compartimento o amigo pertencia. Falar sobre aquilo com ele também seria impossível. Não tinha ideia se Otabek também o via de forma diferente e a coragem para tocar no assunto simplesmente não existia. Pensou em falar com pai, mas seria difícil conseguir um conselho sem receber perguntas demais.

 

Mas, se não conseguia falar com seu pai, ele tinha dois na reserva.

 

“De jeito nenhum! Eles não são meus pais!”

Balançou a cabeça acenando negativamente.

 

Mas não existia outra opção, existia? E eles, apesar de tudo, sempre tinham uma resposta. Geralmente não eram boas, mas eram melhores do que nada.

 

Yuri olhou o próprio relógio e haveria tempo antes da apresentação do dia. Se esgueirou até o trailer de Victuuri e bateu na porta, como seu pai costumava bater na sua. Logo ouviu alguns murmúrios dentro do trailer e um barulho de correria. O filho de Dmitri estranhou a demora e bateu novamente. Yuuri abriu a porta, mostrando apenas o rosto, como se quisesse ocultar o que havia dentro.

 

- Ah, Victor, é só o Yuri. Pode soltar as crianças!

 

- Vocês não conseguem nem cuidar dos coelhos que têm, agora vocês decidiram também adotar crianças?

 

Victor apareceu sorridente logo atrás de Yuuri.

 

- Na verdade, foi só um gato. Mas se seu pai suspeitar que estamos com 33 coelhos e um gato, teríamos problemas sérios!

 

- Quando ele descobriu que tinham quinze, nos fez doar alguns dos mais novos nas apresentações. Victor ainda chora de saudade à noite.

 

- MEUS COELHINHOS...

 

Yuri se questionou seriamente se aquela realmente havia sido uma boa ideia. Victuuri o encarava na expectativa de saber o que ele tinha para dizer.

 

- Você quer entrar, Yuri? Está com uma carinha de preocupação…

Yuuri afirmou, abraçando o jovem.

 

- N-Não estou nada. Vim apenas tirar uma dúvida básica, sabe?

 

- Victor! Nosso filho veio pedir conselhos aos pais! Que orgulho!

Falou Yuuri.

 

- Que emoção!

Gritou Victor de dentro do trailer.

 

- Já estou arrependido! Vou voltar para o meu…

 

- Nananão!

 

Yuuri puxou o loiro para dentro do ambiente que tinha um peculiar odor de dejetos de coelhos.

 

- Como você conseguem viver aqui dentro?

 

- Em nosso ninho de amor sempre cabe mais um…

Respondeu Victor, apenas de cueca.

 

- Eca…

 

- Mas diga, Yurio. Que tipos de preocupações e tormentos se passam em seu jovem coração?

Perguntou Yuuri.

 

- Já falei para não me chamarem de Yurio.

Yuri suspirou. Não era nem um pouquinho fácil conversar com aqueles dois.

 

- Digamos que eu tenha um amigo que está com algumas dúvidas sobre um assunto estranho e…

 

- Você está apaixonado?

Perguntou Victor.

 

- Está sim! Olhe para a cara dele!

Respondeu o mágico.

 

- É SOBRE UM AMIGO!

 

- Tudo bem, “sobre um amigo”. Pode falar.

 

Yuri passou a mão nervosamente sobre o rosto. Respirou fundo e garantiu sua dose de coragem para falar do assunto, ou sabia que poderia ficar preso ali para sempre.

 

- O meu amigo conhece uma pessoa faz muitos anos. E eles sempre foram amigos. Mas… Ultimamente… Ultimamente essa pessoa percebeu que talvez só amizade não defina o que ele sente pelo amigo. Mas ao mesmo tempo, ele tem medo de que não seja algo recíproco e que a outra pessoa acabe se afastando.

 

Victuuri se entreolharam com um sorriso frouxo que dizia “eu sabia”.

 

- Oh, querido… Eu e Victor sempre soubemos que você e Otabek nasceram um para o outro, como em contos do passado!

Suspiraram juntos.

 

- Que história é essa de contos do passado? Eu e Otabek nunca… E QUEM DISSE QUE ERA EU? É UM AMIGO!

 

- Ok. Um amigo… Tudo bem.

Respondeu Victuuri.

 

- E-Eu não… Quer dizer… Esse meu amigo não sabe o que fazer ou como expressar o que está sentindo. É tudo muito estranho e confuso. O coração bate acelerado, as noites são mal dormidas, o tempo inteiro só tem uma pessoa no pensamento.

 

Seguiu-se uma pausa.  

 

- Pelo que ele me contou…

Terminou Yuri, desviando o olhar de Victuuri.

 

- Essas coisas são realmente complicadas, sabe? Ele já deve ter dado algum sinal se sente algo assim por você… Aliás, pelo seu amigo. E tem mais, Yuri, se ele nunca falar, nunca saberá se é recíproco. É realmente melhor permanecer com a dúvida do que saber a verdade?

Yuuri disse, mexendo nos cabelos loiros do jovem.

 

- Uma boa opção é perguntar o nome do leãozinho novo dele!

Victor falou animadamente, batendo pequenas palmas e quase não percebendo Yuuri virando em sua direção, em choque.

 

- Vi… Victor! DE QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?

Yuuri dirigiu um olhar assassino ao marido.

 

- Oh! Nada! Eu estou um pouco confuso, apenas. Já que seu amigo não está apaixonado por nenhum domador de leões, não há motivos para perguntar o nome do leãozinho, não é, YURA?

 

- O nome do leão do Otabek é Yura?

Sentiu suas bochechas queimarem. Agora tudo fazia sentido. Por isso ele não havia contado o nome e evitava mencionar o filhote na sua presença. Otabek também sentia alguma coisa! Beijou a testa de Yuuri e a careca de Victor e correu na direção da tenda dos leões.

 

Pela primeira vez, Yuri sentiu que valera a pena pedir conselhos a Victuuri. Os dois tinham as cabeças no mundo da lua, mas seus corações  estavam no lugar certo.

 

As nuvens pesadas se aglomeravam do lado de fora e, por um segundo, Yuri temeu se molhar. Mas isso não importava.

 

Por mais que corresse, sua ansiedade por aquilo fazia os segundos parecerem uma eternidade. Mas ao mesmo tempo… A proximidade com a tenda fez as borboletas em seu estômago se agitarem. E se não fosse isso? E se aqueles dois ouviram tudo errado? Seus passos foram se desacelerando. E se? E SE? Por que aquilo era tão difícil?

 

Terminou parado no gradeado já na parte coberta da tenda, encarando os leões em busca de Otabek. Se assustou quando ouviu a voz do moreno logo atrás de si, notando que estava ofegante.

 

- Aconteceu alguma coisa, Yuri?

 

- Qual o nome do seu leão?

 

- O nome do que?

 

- Do filhote. É Yura, não é?

 

Otabek encarou os próprios pés. Onde estava com a cabeça para confiar aquilo àqueles dois lunáticos? Yuri o encarava ainda ofegante, esperançoso por ouvir a resposta.

 

- N-Não… Quer dizer… Eu não…

Otabek se atrapalhou com as palavras, desviando fortemente os olhos de Yuri.

 

O domador, sem saber como sair daquela situação, acabou andando sem direção, simplesmente passando pelo loiro que estava parado e quase em choque.

 

- Otabek, olha para mim, por favor… OLHA PARA MIM!

 

O moreno virou-se rapidamente, encarando os olhos esmeralda de Yuri.

 

- Eu não sei exatamente como dizer isso. Não sei mesmo. Mas tudo parece tão diferente agora. Eu não sei como é para você, mas… Eu… Eu gosto de você, Otabek.

 

- E-Eu também gosto de você, Yuri. Você é meu melhor amigo e…

 

- Não. Não como amigo. É mais do que isso. Eu sinto algo diferente quando te vejo. Não sei nomear. Não sei se é necessário nomear. Eu só sinto, e isso tem me consumido pelos últimos dias. Eu quero ser seu amigo, mas não quero. Também quero ser mais.

 

Otabek estava pálido. As gotas de chuva que começavam a cair se transformaram em uma tempestade e o rapaz não conseguia ao menos se mover de onde estava para buscar proteção. Sua boca não se movia. O fluxo sanguíneo parecia ter parado completamente. Ele estava certo de que aquela declaração de Yuri não poderia ser real.

 

- V-Você… Você está enganado. Isso… Isso não é real, Yuri. Volta para sua tenda, por favor.

 

- Eu sei que o que sinto é diferente. Mas não há engano. Mas eu preciso saber de você… Não precisa ser recíproco, eu só…

 

Otabek permaneceu em silêncio. Os olhos de Yuri começaram a marejar. Não havia aceitação ou recusa. A indiferença lhe doeu mais que uma resposta negativa.

 

- É isso, então? Não vai me dar uma resposta concreta? Coloca o nome do seu leão com o meu apelido e finge que não significa nada? Nossos passeios à noite também não significaram nada? Nossas conversas? Aquele dia com os leões? Você segurou minha mão! Segurou minha mão e agora está soltando?

Terminou com a voz embargada.

 

O domador ainda estava parado. Não era possível dizer se era a chuva que corria pelo rosto do moreno, mas em Yuri, que estava completamente seco, somente lágrimas se viam. Yuri saiu da cobertura em direção a Otabek, parou ao seu lado e, sem olhar para o outro, disse:

 

- Tudo bem. Eu não devia ter falado nada mesmo. Você diz que é corajoso e que não tem medo de nada, mas agora parece covarde.

 

O loiro seguiu o caminho para sua tenda, deixando o domador na chuva torrencial sem mover um músculo sequer.

 

Imaginava que a conversa seria difícil, mas não tão complicado. Lidar com a rejeição era mais difícil do que qualquer exercício de matemática em suas horas incessantes de estudo. Era pior do que as posições que Chris tentava lhe ensinar.

 

Gritou contra o travesseiro, tentando abafar o som de sua angústia. Aquilo era pior do que a incerteza. Entretanto, percebeu que Otabek não havia tirado qualquer uma de suas dúvidas relacionadas aos dois. Ele se escondera. Guardara tudo para si. Assim como Yuri pensava ter sido o melhor a se fazer.

 

A apresentação já havia terminado. Yuri nem sequer teve forças para levantar de sua cama e ir assistir ao espetáculo que tanto gostava. Todos estavam em suas tendas e apenas o som da chuva em sua janela era audível. Se sentia sufocado, enclausurado dentro de seu conforto. As palavras ditas ao amigo se repetiam diversas vezes em sua mente. Já começara a acreditar que havia sido ríspido demais. Afinal, se aquela constatação fora difícil para o loiro, também não devia ter sido fácil ouvir todas aquelas palavras e ter uma resposta pronta para elas.

 

Já eram por volta de uma da manhã. O loiro se revirava na cama. A culpa o consumia completamente. Só queria voltar ao que era antes da estúpida ideia de confessar seus sentimentos para Otabek, que claramente não estava preparado para tal. Resolveu acabar com a agonia. Colocou seu tênis, saiu em silêncio do trailer, para não acordar seu pai, e rumou em meio ao gramado molhado que exalava seu cheiro característico. Seu único desejo era fazer as pazes. Conversar com o amigo. Ele aceitaria ter apenas a amizade, mesmo sentindo algo a mais.

 

Já em proximidade da tenda dos leões, em apenas uma batida do seu coração, o mundo inteiro parecia se focar naquele lugar. Um cheiro de hortelã com algo mais, que ele não saberia diferenciar, o direcionava para o local no qual estava Otabek. E Yuri sabia disso. Sabia em seu âmago. Era tão forte e tão bom que parecia uma tortura. Seu coração acelerava e a respiração era incerta. Quando percebeu, estava correndo, e em outro lampejo de sua mente, estava parado nas grades da tenda.

 

Aquele cheiro era… Erva de gato. E Otabek era a fonte. Podia ouvir seus gemidos altos e os gritos implorando por um…

 

- ALPHA! POR FAVOR!

 

Yuri percebeu que não conseguia se controlar. Ele precisava estar com Otabek. Os leões rugiam ferozmente, como nunca antes viu. A inalcançabilidade de Otabek o sufocava. Procurou pelas entradas do gradeado, mas todas estavam trancadas. Poderia arrebentar os cadeados, mas como passaria pelos leões? Sua mente trabalhava em favor de seus instintos, mas o sofrimento de Otabek corrompia suas faculdades mentais. Procurou pela entrada mais distante, pela pura necessidade. Tinha que tentar. Ao correr até a entrada dos fundos da tenda, o vento fresco que soprava atenuou o cheiro de Otabek, trazendo a Yuri a consciência que ele necessitava para sair do local. Totalmente transtornado, o loiro se viu obrigado a deixar Otabek em seu sofrimento, sem ajuda. Era pelo seu próprio bem. Mas também não podia deixá-lo à mercê de outros alphas que passassem por perto. Decidiu então colocar uma cadeira perto da tenda dos leões, que, felizmente, era bem afastada de todas as outras, e vigiar o ômega em seu cio, mantendo uma distância segura.

 

Então, Otabek era ômega. Não achava que seus instintos o levariam tão longe ao presenciar um cio. Quando se deu conta do que poderia ter feito… Agradeceu mentalmente por ter conseguido ficar são.

 

Começou a se questionar como nunca sentira seu cheiro antes. E era tão bom… Provavelmente ele tomava supressores, para o cio, para o cheiro… Mas por que ele nunca o havia contado? Quando se descobriu alpha, não escondeu isso de Otabek. E eles sempre conversaram abertamente sobre o assunto. Nada daquilo fazia sentido.

 

Antes que se afastasse o suficiente, ainda conseguiu ouvir o choro vindo de dentro do ambiente:

 

- YURA! FICA COMIGO!

 

Um grito que lhe partiu o coração, e que ao mesmo tempo, lhe encheu de esperanças. Yuri soube que, naquele momento, Otabek sentia sua presença ali. A presença de um alpha.


Notas Finais


Olá novamente. Nos perdoem pela dose de angst, mas faz parte do desenvolver da história e a rejeição assim como uma série de outras pontas soltas que esse capítulo deixou serão explicadas futuramente. Paciência conosco e prometemos que o amorzinho e as graças voltam em breve.
Amamos vocês por acompanharem nossa história e até a próxima.


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