História O Dragão Perdido - Capítulo 23



Notas do Autor


Bom, meus amigos, hoje essa história completa um ano
Foi uma jornada divertida de se criar e, sendo sincero, até eu mesmo aprendi algumas coisas com essa história
Pra fechar com chave de ouro, lhes trago essas 7.000 palavras
Boa leitura!

Capítulo 23 - O Dia do Julgamento


Fanfic / Fanfiction O Dragão Perdido - Capítulo 23 - O Dia do Julgamento

-Esquadrão, no meu sinal... -Disse o príncipe Consort.

Os três grupos já haviam cercado Emi e Rimi. Cada grupo era liderado por alguém, sendo um deles por Consort e os outros dois por Misha e Artana.

Emi e Rimi encararam Misha e Artana em posição de preparação, pensando no que Cast havia dito. Respectivamente, as duas lançaram um sinal uma para a outra, então começaram a se aproximar em passos lentos, o esquadrão delas não as seguiu.

-Misha, Artana! Eu disse “no meu sinal”. -Repetiu Consort.

-Nós ouvimos. -Disse Misha.

Emi e Rimi deram um passo para trás, esperando algum movimento de Misha ou Artana. As mesmas se juntaram a elas sem dizer nada, preparando-se contra os esquadrões.

-Por Itar, que droga vocês estão fazendo?! -Perguntou o príncipe Consort, esperando pelo pior.

-O que parece que estamos fazendo? -Perguntou Artana.

Emi preparou suas espadas, uma era a Dawnbreaker, dada por Misha a Cast, outra era a espada daédrica que Cast comprou de decoração, era de ferro e bem afiada, podia causar algum estrago.

-O que é aquilo? -Um dos soldados pergunta.

À distância, naquela rua quase infinita, era possível ver algo se aproximando, deixando um enorme rastro de poeira. Alguns segundos depois, vários soldados e magos do esquadrão mais próximo da figura se armam com escudos e barreiras na direção da figura após um deles gritar:

-Contato inimigo!

As defesas foram inúteis. Os soldados e magos lançaram voo, enquanto aquela figura se revelava entre eles. Aquelas asas e aquele olhar afiado e literalmente flamejante, com certeza era ele.

A figura pousa próxima do grupo, as chamas coloridas em azul e vermelho libertam seus olhos.

-Que bom que está aqui... -Disse Emi.

-Qual é o plano, Cast? -Perguntou Misha.

-Vamos seguir o plano deles, vocês quatro podem cuidar dessa galera, enquanto eu cuido da tal aventureira assim que ela der as caras. -Disse Cast.

 

-Vocês duas, me digam que não é o que estou pensando... -Consort insistia.

-Todos vocês, voltem ao Mundo Inferior e digam ao Jarl para que pare de incomodá-los. -Disse Misha aos esquadrões, referindo-se a Emi, Rimi e Cast.

Consort virou-se para um dos magos e disse:

-Chame reforços. -Assim que o mago deixou o Mundo Superior por um portal, Consort deu alguns passos e continuou. -Se vocês duas não se explicarem agora, eu vou-

Artana começou a correr na direção de Consort com sua espada empunhada. O mesmo invocou vários espinhos de gelo contra a garota, que apenas desviava correndo em zigue-zague. Artana salta, acertando três projéteis com sua espada enquanto no ar, então balança sua espada de cima para baixo. Seu pouso causou um leve tremor no local, fazendo Consort voar por cima de si e, com o balançar da Lâmina de Zéfiro, ele foi cortado exatamente ao meio. As duas metades de Consort voaram por cima de Artana e, com as mesmas ainda no ar, Artana as cortou mais duas vezes, fazendo seis fragmentos do corpo caírem juntos de uma chuva de sangue.

Artana substituiu sua posição pós-ataque, pondo se de pé e encarando o esquadrão atrás de si.

 

- “Ui... Precisa de um mega bandeide pra salvar esse cara...” -Cast pensa, olhando com nojo a situação. Rapidamente tomou uma postura mais séria.

À direita, em relação à casa de Cast, haviam dois esquadrões, enquanto na esquerda, apenas um. Cast encarou o esquadrão à direita, pondo-se à frente de seu grupo.

-Emi e Artana, comigo. Rimi e Misha, cuidem do outro grupo. -Ordenou Cast.

Elas rapidamente seguiram a formação improvisada de Cast.

-Isso é seu. -Disse Emi, entregando-o as espadas que empunhava.

-Cê tá usando essa?! Eu paguei quase noventa dólares nisso! -Disse ele ao pegar as espadas, referindo-se à espada daédrica.

-Você não vai fazer droga nenhuma com isso, mesmo. -Disse ela, retirando seu coldre equipado com a bainha da Dawnbreaker, logo o entregou a Cast, também, que o equipou rapidamente antes de embainhar a lâmina dourada.

De repente, Misha grita algo para cast.

-Cast! O Coração de Krilene pode pedir a ajuda dos deuses durante uma batalha!

-Como é que é? Ah! Tá falando do orbe? -Perguntou Cast, entendendo que ela se referia a espada.

-Presta atenção! -A voz de Artana é ouvida, logo após, um som de “slash” pôde ser ouvido.

Ao virar-se, Cast viu um soldado caído no chão, com um enorme corte que se estendia da direita para esquerda, de seu ombro até seu quadril. Também viu Artana golpear mais três soldados que se aproximavam armados com espadas.

O garoto observou os dois esquadrões contra os quais lutava. Na frente, estavam os soldados armados com espadas, atrás, alguns com arcos, e no fundo, magos, a mesma formação do outro esquadrão.

 

Emi e Artana avançaram para o meio da multidão, enquanto Cast encarava um soldado que corria em sua direção com a espada desembainhada.

O soldado levou a espada para cima, prestes a atingir o garoto. Cast colocou seu antebraço esquerdo na frente, preparando-se para o impacto.

Mas nada aconteceu.

O soldado o golpeou, mas recuou logo após sentir o choque de duas placas de metal. O antebraço de Cast estava ileso, ele havia usado uma magia de alteração de resistência, sua pele estava tão resistente quanto uma armadura de uma liga platina-ouro.

Levou seu antebraço pra trás, enquanto algo se formava no mesmo. Aquela mesma aura encobriu a mão de Cast, criando um formato semelhante a uma mão normal, mas com dedos claramente mais compridos e garras extremamente afiadas.

Cast trouxe sua mão à frente, perfurando a armadura do guarda, assim como todo o seu tórax. Empurrou o corpo do guarda já sem vida, removendo sua mão do peito dele, fazendo-o cair no chão.

Aquele formato de pata dracônica havia se dissolvido da mão de Cast. Uniu suas mãos, empunhando a espada daédrica, que se encontrava apenas na mão direita, com ambas, então começou a correr na direção do esquadrão.

 

Enquanto isso, Rimi e Misha mantinham-se juntas enquanto lutavam cada uma por si, apenas lançando feitiços e conjurando criaturas. Elas já haviam lidado com duas ondas de inimigos.

-Quer conversar depois? -Perguntou Misha.

-Se nós duas sobrevivermos, sim. -Respondeu Rimi.

-Quer tentar trabalhar juntas?

-...Claro...

Os magos puseram-se na frente, cercando-as e lançando várias bolas de fogo contra elas. Misha conjurou uma cúpula, protegendo a ela mesma e Rimi dos projéteis. Enquanto isso, Rimi preparava algo poderoso em suas mãos, algo parecido com um orbe de choque.

Assim que os projéteis pararam, Misha dissolveu sua cúpula. Ao mesmo tempo, Rimi lançou aquela esfera de eletricidade aos seus pés, fazendo-a explodir e espalhar seus fragmentos por aquela área. Os fragmentos atingiram boa parte dos magos, fazendo-os literalmente serem cozinhados por dentro e caírem mortos no chão.

Rimi correu em direção a um dos magos, dando um salto e pousando sobre ele, o que o fez cair e deslizar pelo asfalto por metros enquanto Rimi o usava como um skate. Notou alguns soldados com espadas se aproximando, então rapidamente usou uma magia de fogo, um reflexo flamejante que atravessou o corpo dos soldados, cortando todos eles.

Rimi notou uma bola de fogo vindo em sua direção, mas algo impediu seu caminho: uma barreira. Olhou para trás, Misha havia a protegido da bola de fogo, estava com um arco espectral em mãos, com uma flecha encaixada e a corda retesada. A flecha deixou a mão de Misha, voando na direção de Rimi, mas ela sabia que ela não era o alvo, então seguiu a trajetória da flecha com seus olhos, até vê-la atingir o mago que havia lançado a bola de fogo contra Rimi.

 

Emi aplicou num mago um golpe diagonal com sua espada espectral, e um horizontal logo após, fazendo-o cair morto no chão com seu peito aberto. Ao mesmo tempo, Artana lutava contra outro soldado, desviando de um golpe horizontal, depois defendendo outro vertical com a Lâmina de Zéfiro e golpeando-o horizontalmente, dividindo seu corpo em dois.

Ambas se entreolharam, até que Artana lançou uma ordem:

-Abaixa!

Artana balançou sua espada. Emi imediatamente agachou-se enquanto via a Lâmina de Vento, criada pela espada, passar por cima de si e atingir cinco arqueiros que miravam bem para Emi.

Os arqueiros começaram a rodeá-las, enquanto os magos tentavam cuidar de Cast.

Emi levantou-se e rapidamente juntou-se a Artana.

Ao ver os arqueiros encaixando suas flechas nos arcos, Artana rapidamente balançou sua espada horizontalmente, criando uma espécie de ventania que funcionaria como um escudo contra projéteis. Já Emi, não tinha o que fazer, as costas de Artana estavam desprotegidas, ela não tinha como se defender.

Até que, no meio dos arqueiros, pôde-se notar uma confusão.

Cast pousou sobre um dos arqueiros, atingindo seu crânio com a espada daédrica. Rapidamente levantou-se e jogou seus braços um para cada lado, fazendo uma força misteriosa empurrar todos ao seu redor.

Aquele esquadrão já tinha menos da metade dos envolvidos, quase todos os soldados haviam morrido, apenas a metade dos magos estava viva, mas quase todos os arqueiros estavam vivos.

 

-Emi! Cuidado! -A voz de Misha pôde ser ouvida.

Ao ouvir isso, Cast rapidamente vira-se espantado para trás, então apenas vê uma das cenas que mais temia.

Um soldado aproximou-se por trás de Emi, então, com sua espada em mãos, mirou nas costas da garota e, com um golpe perfurante, atravessou a barriga dela com a lâmina. O sangue de Emi espirrou no rosto de Cast que, literalmente ignorando isso, apenas encarava horrorizado aquela feição de dor e susto na face da garota.

O soldado removeu a espada do corpo de Emi, que caiu no chão agonizando em dor enquanto pressionava o corte. Logo, Misha atirou uma flecha no soldado, atingindo seu ombro e fazendo-o cair no chão, também em dor.

Cast tentava pensar diante daquela cena, então correu na direção de Emi, ajoelhando-se próximo dela, tentando preparar uma magia de cura.

Ele estava nervoso, com medo de perde-la. Colocou as mãos no corte em sua barriga, tentando realizar a magia de cura, mas nada acontecia. Geralmente, quando uma magia é usada, é invocado um tipo de matéria ou energia, mas não havia nenhuma matéria ou energia nas mãos de Cast. A magia não estava sendo executada.

Mas por quê? Ele não conseguia se concentrar, estava muito nervoso, com muito medo de perder a garota, e o fato de não conseguir se concentrar o deixava mais nervoso ainda, com maior medo de perde-la a cada segundo.

-Emi, fique comigo, por favor! -Pediu Cast. A garota não disse nada, apenas chorava enquanto sentia a dor daquele corte, mas seriam aquelas lágrimas de dor ou medo de morrer? -Eu vou te salvar, eu prometo. Vai ficar tudo bem! -Disse ele. Todos que estavam presentes, inclusive os inimigos dos esquadrões contra quem o quinteto lutava, encaravam um tanto preocupados a cena. -E a promessa que fizemos, huh? De construir uma família! Eu jurei a mim mesmo que não ia desistir, que ficaria com você e lutaria por essa promessa, custe o que custar! -Cast já estava em lágrimas, tomado pelo medo de perder aquela que o fez feliz de verdade depois de três anos na solidão. “Lágrimas?” Aqueles presentes nos esquadrões aprenderam que o Dragão Perdido era uma ameaça, um ser subumano viciado em matar e matar, mas agora viram com seus próprios olhos que ele só desejava uma vida normal...

Aquelas lágrimas silenciosas pingavam no corpo de Emi. O sangue de alguns cortes nos braços de Cast escorria pelo seu uniforme, até alcançar em suas mãos, até mesmo penetrando o corte na barriga da garota.

Em alguns segundos, o choro de Emi cessa, e sua feição, antes em dor, torna-se uma feição mais neutra. Cast, com suas mãos na barriga da garota, sente a respiração da mesma ficar mais fraca, até parar de vez...

 

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Cast levanta-se, então olha para o soldado caído no chão, que continuava a agonizar com a dor da flechada. Ele aproximou-se com passos rápidos, com um olhar aparentemente calmo. Ao estar perto o suficiente, ergueu seu pé, então pisou com tudo na flecha, afundando-a mais ainda no ombro do soldado. O corpo da flecha quebrou, mas a ponta da mesma ainda estava lá, então Cast esfregou com força seu pé no ombro do soldado, fazendo a dor piorar.

-Cast, pare... -Pediu Rimi. Embora ela estivesse começando a se sentir triste naquele momento, não desejava ver Cast torturar um homem por fazer o que lhe foi pedido.

Cast não respondeu, apenas encarou Rimi com uma feição neutra, mantendo-se imóvel e cessando os gemidos de dor do soldado. Segundos depois, Cast remove seu pé do ombro do homem, mas surpreende a todos ou agarrar a cabeça do mesmo e deslizar seu rosto por metros no asfalto áspero e quente, isso provocou diversas feridas no rosto do soldado, chegando a expor a carne viva de sua face. Cast o puxou para cima, depois o arremessou no chão pela cabeça, de novo, chocando seu crânio diversas vezes contra o asfalto.

Rimi notou aquela expressão neutra no rosto de Cast, e apenas sentiu o ódio e a tristeza de ter perdido sua amiga na sua frente... Ela não sabia o que Cast sentia naquele momento, apenas o encarava erguendo sua espada daédrica com suas mãos. Ele finalmente mataria o soldado, Rimi não queria mais ver ninguém sofrer.

Absolutamente todos ali encaravam quietos a cena...

Até que Cast joga a espada contra o soldado no chão...

Ele decepou o braço do homem, e estava prestes a fazer o mesmo com o outro braço e suas pernas, ele o torturaria mais ainda...

Assim Cast o fez, com sua espada que lhe custou cerca de 85 dólares, decepou cada membro do soldado que apenas gritava de dor enquanto seu sangue espirrava por todo o corpo de Cast.

Rimi, observando horrorizada a cena, apenas berra:

-CAST! PARE COM ISSO, AGORA!

Cast ergueu seu pé, então pisou com força na cabeça do soldado, esmagando seu crânio de uma vez.

Finalmente acabou.

Ele removeu seu pé daquela fonte de sangue, então apenas encarou o que havia sobrado do soldado por alguns segundos.

Todos ali estavam horrorizados e, certamente, sentidos com a cena.

Cast caminhou em direção à garota no chão, então ajoelhou-se próximo dela, deixando sua espada no chão enquanto a Dawnbreaker ainda encontrava-se na bainha, em silêncio, fechou os olhos e uniu suas mãos em frente ao seu rosto, entrelaçando seus dedos, até que uma melodia pôde ser ouvida.

-Hold on just a little while longer… Pray on just a little while longer… Fight on just a little while longer… Everything will be alright…

Ele estava cantando, tentando acalmar-se. Ele sabia que não podia fazer mais nada a partir daquele momento, que não podia reverter a situação...

Até que...

Todas as feridas no corpo de Emi rapidamente se curam, inclusive o corte em sua barriga. De repente, ela acorda puxando uma enorme quantidade de ar, então senta-se no asfalto, tentando recuperar-se totalmente.

-E-Emi...? -Cast estava surpreso em vê-la acordada.

Emi o encara, e não diz nada, apenas joga-se nos braços de Cast, abraçando-o.

Cast apenas retribui, tentando pensar em como ela possivelmente estaria viva.

-Estou tão feliz de estar com você... -Ela comenta, então o liberta, olhando para seu rosto inocente, o rosto manchado de sangue, uma feição de alguém que acaba de torturar uma pessoa, mas o dono dessa feição não era nada mais que uma criança inocente, isso não se negava.

Emi sorri, deixando até algumas lágrimas escaparem de seus olhos.

-C-Como? -Cast questionava o que havia acontecido. Sua magia de cura não funcionou, então, como ela estaria viva?

-O sangue... O sangue de Qunar. Você o tem. -Disse Emi.

Ao ouvir isso, Cast olhou para suas feridas. De fato, um pouco do sangue de Cast entrou em contato com a ferida de Emi, mas se esse era o caso, por que ele não havia se curado?

Emi acariciou o rosto de Cast, forçando-o a olhar para ele. As lágrimas de alegria apenas se intensificavam. Logo após, com as duas mãos, Emi o puxou para um beijo.

 

Nesse momento, uma voz desconhecida se faz presente...

 

-Que fofo!

Uma voz feminina chama a atenção de todos ali. Cast e Emi rompem o beijo e, assim como todos, encaram a direção de onde veio a voz: a casa de Cast.

Sobre o telhado da construção, estava alguém de pé.

Cast pegou sua espada do chão, então levantou-se e se virou para aquela figura de voz e corpo femininos. Disse:

-Você é a tal “Lâmina de Fogo”, presumo.

-Correto! -Ela diz, então, num único impulso, saltou para o asfalto.

 

Cast encarou aquelas vestimentas, e ao olhar para aquela armadura, uma coisa era certa: aquela peça foi feita por mãos exímias, com uso de materiais exímios.

A proteção corporal é feita, aparentemente, de algum tipo de cota de malha ou pele de réptil, sendo notada sua flexibilidade aparente, enquanto mantém enorme resistência ao dano, uma combinação quase impossível para uma armadura. Seja qual for aquele material, é bastante atípico, sendo bem justa em relação ao corpo da garota.

Sua cor é majoritariamente negra, possuindo padrões como escamas de dragão a preencher toda sua área. As escamas são reflexivas, o que apenas aumenta as suspeitas de que seja constituída por algum tipo de pele. Era portadora, também, de detalhes metálicos cinzentos, que se organizavam de modo a vagamente lembrar um esqueleto.

Tal cobre o corpo inteiro, virtualmente, com exceção dos dedos das mãos e da cabeça, que por sua vez, era protegida por um capuz, que, assim como a armadura, era dotado de detalhes e estampas vermelhas e alaranjadas, a lembrar chamas, que garantiam a aparência de que tais surgiam do interior do design esquelético. Ombreiras afiadas e botas metálicas completavam a composição, garantindo-a um tom sombrio, porém instigante.

 

-E você? Realmente é o Dragão Perdido? Parece muito jovem para conseguir matar sequer uma mosca. -Comentou ela com um sorriso cínico.

-Matar uma mosca não é a coisa mais fácil do mundo, sabe... -Comentou Cast. -Diga-me... Seu pai é mesmo Qunar, A Ira dos Céus?

Ao escutar isso, aquele sorriso havia deixado o rosto da garota.

-Como... -Ela começou a falar com uma feição confusa, mas a mesma se tornou irritada logo após. -Como você pode possivelmente saber disso...?!

-Olá, irmãzinha...

Cast apenas começa a caminhar na direção da garota, e aumenta a velocidade conforme se aproxima. Ela apenas joga sua mão para trás, criando algo no ar, um portal.

Cast salta na direção da garota, agarrando-a pela cintura e derrubando-a.

 

Após esta cena, todos perceberam que não havia mais o que fazer, apenas encararam os esquadrões, ou o que sobrou deles.

Um dos arqueiros colocou seu arco em torno do próprio corpo, desarmando-se.

-É... Eu me recuso a continuar. -Ele diz, encarando Misha.

 

 

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Eles caem no chão, com Cast sobre a garota e com as pernas dela convenientemente ao redor do quadril de Cast.

-Pega leve! Eu sou virgem, ainda! -Disse ela.

Cast ficou um tanto horrorizado com a frase.

-“Dizer isso pro próprio irmão...” -Pensou.

A garota usou suas pernas para empurrar Cast para longe. Ambos se puseram de pé, já encarando um ao outro. Tanto os cabelos de Cast quanto a capa da armadura da garota voavam com a brisa naquele gramado.

-Essa espada na mão e essas roupas formais... Você fica muito estiloso assim! -Comentou enquanto encarava Cast de cima a baixo.

-Qual é o seu nome? -Perguntou Cast.

-Meridia. Por quê?

-Quanto te pagaram pra vir atrás de mim?

-Ha! Acha que estou aqui apenas pela recompensa?

Cast aguçou sua audição.

-Não haverá outro Dragão em seja lá qual mundo estiver. -Disse Meridia. -Apenas de eu ter este poder, já é demais.

-É isso? Quer eliminar a concorrência e tentar dominar os mundos Inferior e Superior? -Perguntou Cast.

-Exatamente. Se você for mesmo meu irmão, sabe que eu tenho poder para isso. -Disse.

Cast preparou sua espada daédrica enquanto encarava Meridia fixamente.

-Vai ter que se esforçar.

 

Meridia levou sua mão à sua cintura, agarrando o punho da katana embainhada.

 

De repente, Meridia dá um impulso anormal na direção de Cast.

 

Cast sentiu uma presença passar rapidamente por ele seguido de uma brisa.

 

Atrás de si estava Meridia, numa posição pós ataque.

 

A lâmina da espada nas mãos de Cast simplesmente cai. Meridia havia cortado a espada daédrica de Cast em dois, depois embainhado sua katana.

-Noventa dólares... -Diss Cast antes de simplesmente largar o punho da espada. Começou a lentamente desembainhar a Dawnbreaker... -Bom... Pelo visto, ferro não é muito melhor que metais de outro mundo.

Meridia olhou para Cast, logo se viu espantada. Apenas aquele brilho identificava aquela arma... Quem de fato era aquele garoto?

Cast pega algo de seu bolso, era seu celular.

-O que está fazendo? -Indagou Meridia.

-Nada, maninha... -Ele diz antes de colocar seus fones de ouvido, tocando a melodia de Nick Nitro: Devilovania.

Meridia jogou suas mãos à frente de seu rosto, ativando o mecanismo em suas manoplas e sacando lâminas enormes e afiadas.

 

Cast some diante dos olhos de Meridia, como se fosse um reflexo. Em menos de um segundo, ela sente uma presença à sua direita...

 

Meridia bloqueia três golpes horizontais de Cast com as lâminas em suas manoplas, então tenta golpeá-lo com as mesmas, errando. Cast gira, balançando a Dawnbreaker horizontalmente, mas Meridia inclina-se para trás, desviando de ser decapitada. Cast tenta um golpe vertical, mas Meridia golpeia sua espada, fazendo-o recuar por um passo. O mesmo tenta outro golpe horizontal, mas Meridia bloqueia com uma lâmina e se impulsiona para frente, tentando perfura-lo, mas Cast impulsiona-se, também, desviando e invertendo suas posições.

Ambos se viram um para o outro. Meridia tenta cinco golpe perfurantes, mas Cast consegue bloquear todos. O garoto salta, girando três vezes, todas tentando golpear Meridia, mas ela bloqueou todos. Cast tenta um golpe no sentido contrário, da direita para a esquerda, mas Meridia desliza por baixo da espada, invertendo suas posições de novo.

Ela balança seu braço direito, tentando golpear as costas de Cast com a lâmina de sua manopla direita, Cast não tinha como se defender a tempo, então salta com um mortal para trás, passando por cima de Merida e desviando do golpe. Meridia faz a mesma coisa, mas para o outro lado, errando mesmo assim, pois Cast se agachou, aproveitando o pouso.

Cast golpeia duas vezes, sendo novamente bloqueado. Ele salta, tentando dois chutes no rosto da garota, Meridia inclinou-se para trás, desviando por menos de um centímetro do chute, enquanto o outro havia sido bloqueado assim que Meridia cruzou suas lâminas das manoplas. O choque do chute de Cast com as lâminas de Meridia fez ambos recuarem bastante.

 

Os dois começam a correr um na direção do outro. Meridia joga sua mão em direção ao chão, abrindo um portal. Ela saltou para dentro do mesmo, e Cast foi atrás...

 

 

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O portal surge no meio daquela encruzilhada asfaltada. Cast e Meridia surgem de dentro do mesmo. Ambos se posicionam e correm na direção um do outro, causando mais três choques de lâminas.

Cast avança enquanto gira, tentando vários golpes, que foram bloqueados por Meridia. No fim dessa sequência, Cast aponta sua mão para Meridia, então uma força misteriosa a impulsiona para muito longe, ela chocou-se contra um carro no voo, ganhando altitude e batendo num prédio visivelmente abandonado.

Ela tenta se recuperar, mas a única visão que teve foi a de Cast no ar, prestes a balançar a Dawnbreaker contra a garganta de Meridia. Havia algo diferente na espada, o orbe brilhava com uma coloração azul-escura.

 

Meridia sabia o que era aquilo... Cast havia usado a habilidade da espada, pedindo a ajuda de Atarr, Deus do Céu.

 

Após isso, foi possível ver um dos andares daquele prédio ser tomado por poeira. Ele havia sido dividido em dois apenas por uma lâmina.

 

Pouco tempo depois, Meridia surge das cinzas, agora dentro do prédio com sua metade cortada prestes a desabar.

No meio daquele lugar aberto coberto por poeira, notou a Dawnbreaker girando, voando de encontro com Meridia. A mesma ergueu suas manoplas, defendendo-se por pouco da espada, mas estando totalmente vulnerável por um período de tempo.

Um reflexo move-se rapidamente pela poeira, era Cast aproveitando a oportunidade. Ele surge na frente de Meridia, direcionando um soco em seu peito, dessa vez acertando e atordoando-a.

Aproveitando isso, Cast iniciou uma sequência.

Aplicou um gancho que a fez praticamente flutuar, então saltou e aplicou um chute que a mandou de volta ao chão. Cast acertou uma longa sequência de socos e chutes, então a finalizou com um poderoso soco que a fez voar para longe.

Durante o voo, Meridia finalmente se recupera, realizando cambalhotas no ar. Ao encontrar-se de pé, limpou o sangue no canto de sua boca e disse:

-Nada mal, Dragão... Mas isso não será suficiente pra me matar.

Cast alcança a Dawnbreaker, que havia arremessado segundos atrás, então a pega no chão e diz:

-É... -Ele aponta a Dawnbreaker para Meridia. -...eu percebi.

-“Essa postura... Ele dominou a espada?! Por quanto tempo esse pirralho treinou?!” -Pensou Meridia.

O teto começava a inclinar-se. A parte cortada do prédio estava caindo.

-E aí? Vai deixar a vida daquelas pessoas em perigo, herói? -Provocou Meridia.

 

-Entenda que aqui, ninguém se importa com ninguém.

 

Neste momento, pôde ser ouvido o estrondo de um raio.

Em pouco tempo, o teto abandona os dois antes de ser ouvido estrondo da construção chocando-se com o asfalto.

Estava chovendo? Mas estava ensolarado e quente agora há pouco. Com certeza, isso era obra de Atarr, Deus do Céu.

Neste momento, Cast teve pensamentos paralelos, percebendo que deuses existem, sim, e eles estavam ao seu lado. Não evitou deixar um leve sorriso escapar de seu rosto.

 

Ambos começam a correr na direção um do outro. Eles saltam e se encontram no ar, iniciando uma longa e demorada série de choques de lâminas, onde inúmeras faíscas se faziam presentes o tempo todo.

Em um momento, Cast nota que havia rachado as duas lâminas de Meridia. Ambos finalmente voltam para o chão, pondo-se de pé.

Meridia tentou um golpe perfurante, mas Cast já estava preparado. Balançou a Dawnbreaker, atingindo a lâmina da manopla de Meridia, deixando-a totalmente vulnerável. Aproveitando isso, Cast posicionou a espada dourada e avançou num golpe perfurante...

 

Meridia cruzou as lâminas no caminho da espada, mas a mesma atravessou seus braços...

O sangue de Meridia espirrou na face da mesma.

Ao notar seu feito, Cast puxou a espada com as duas mãos de volta. Meridia cai de joelhos, encarando suas lâminas despedaçadas e seus braços quebrados...

Cast calmamente embainha a Dawnbreaker.

 

Após algum tempo em silêncio, Meridia começa a falar.

-Heh... Acho que eu te subestimei... Não devia baixar sua guarda.

De repente, o amuleto no peito da garota começa a brilhar, e seus braços curam-se rapidamente.

Cast tenta sacar a Dawnbreaker novamente, mas algo atinge a espada e a lança para longe.

-Agora ISSO é uma luta! -Disse Meridia.

Ao olhar para frente, Cast é atingido e lançado para longe.

Meridia surpreende-se. Aquele golpe devia tê-lo cortado em dois, e não o lançado para longe.

Cast levanta-se e olha para Meridia. Em sua mão direita ela empunhava uma katana de lâmina avermelhada, a Muramasa. Além disso, não pode deixar de notar que a lâmina da mesma flamejava, estando até mesmo incandescente.

Meridia dá outro impulso. Cast já reconhecia aquele movimento, então lançou seus punhos na direção da qual ela vinha, criando uma força misteriosa que a repeliu para longe.

Cast a seguiu, pegando a Dawnbreaker do chão no meio do caminho.

 

 

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Meridia põe-se de pé, já vendo Cast caminhando em sua direção.

-Você definitivamente não é filha de Qunar, Meridia. -Comentou o garoto. -Não passa de uma pirralha que aprendeu a brincar com sua espadinha.

-Seja lá quem for esse Qunar, ser filho dele não vai te tornar mais forte do que eu.

-Faz ideia de com quem está lidando, garota? -Perguntou Cast.

 

Ambos correram um na direção do outro, novamente. Eles encontraram-se já chocando suas lâminas. Houve uma série de golpes, uns bloqueados por ambos, outros esquivados por ambos, e alguns bem-sucedidos por ambos.

Após isso, eles afastaram-se um do outro, os dois curaram-se. Enquanto isso, Cast percebeu que Meridia não era usuária de magia, o poder vinha do amuleto em seu peito. Ele já sabia o que podia tentar fazer para mata-la.

-Duzentos mil, foi quanto me pagaram pra te terem morto. -Disse Meridia.

-Ainda é pouco pra assinar seu tratado de morte. -Comentou Cast.

-Há! Se acha que vai me matar, saiba que tenho meus truques!

Meridia leva seu punho direito à frente de seu rosto, erguendo os dedos indicador e médio.

-Lah. -Ela pronuncia algo...

Uma energia avança na direção de Cast e o alcança, que não reage...

-Que ‘cê fez? -Perguntou.

Sem responder, Meridia avança na direção de Cast enquanto o mesmo prepara-se para outra onda de golpes. Dessa vez, Meridia vez algo surpreendente.

Enquanto aproximava-se, a garota jogou a katana para cima, encaixando-a em sua bota direita e tentando golpear Cast, que bloqueou com a Dawnbreaker. Após um curto intervalo, Meridia faz a mesma coisa, joga a katana para cima, dessa vez com seu pé direito, e a encaixa na bota esquerda, tentando golpeá-lo de novo, mas Cast bloqueou novamente. Ela repetiu o processo, tentando três golpes consecutivos, mas Cast ainda foi capaz de se defender da lâmina. Ainda com o mesmo pé, Meridia tenta uma sequência de treze golpes iguais, finalizando com um golpe perfurante, mas Cast foi capaz de defender todos, contra-atacando o último com um soco que fez a garota voar para longe.

Meridia recupera-se durante o voo, pondo-se de pé.

 

-Muito bem... Vamos acabar com isso... -Disse a garota antes de embainhar sua espada, mantendo a mão no punho da mesma.

Meridia some como um reflexo. Cast já não sabia o que esperar, apenas preparava sua lâmina enquanto aguardava por algo no canto de seus olhos.

De repente, Cast sente algo atravessar rapidamente sua coluna. Ao olhar pra baixo, apenas viu aquela lâmina, vermelha como sangue fervente. De repente, ele sente a mesma deixar seu corpo, então ele cai de joelhos e solta a Dawnbreaker, sentindo a dor de ser golpeado no tronco. Cast pressiona o ferimento, tentando manter a calma.

-“Cara... É tão difícil entender que apenas um golpe de morte instantânea pode matar alguém que se cura?” -Pensou Cast, preparando uma magia de cura enquanto pressionava o corte.

A garota caminha para a frente de Cast, agachando-se. Ele estranhava o porquê de Meridia ter abaixado tanto a guarda, e estranhava mais ainda o porquê de não conseguir se curar.

-Não consegue se curar? É simples, Cast. Eu te lancei um feitiço que inibe absolutamente todo o seu poder. -Disse ela. -Nenhuma de suas magias vai funcionar, agora você não passa de um pirralho que aprendeu a usar sua espadinha. -A mesma acaba de usar as palavras de Cast contra ele mesmo...

Então... Era assim que acabava? De uma forma tão humilhante como essa? Ele morre como um completo imbecil que não tirou a porra dos fones de ouvido no meio de uma luta?

Não... Um garoto inocente não pode morrer assim, o filho de Qunar, A Ira dos Céus, não pode morrer assim...

Mas, pelo visto, esse era o destino. Talvez, se ele não fosse tão ignorante e desse um pouco mais de valor à sua vida, seu destino fosse outro...

Ele lembrou-se de tudo o que aconteceu há um mês. Nada disso aconteceria se ele sequer tivesse deixado aquele gato preto entrar em sua casa, não é? Será que essa foi a escolha certa? Será que ele descobriria o poder que tem se tivesse conhecido Emi? Será que era culpa dele ter nascido filho de um semi-deus?

A verdade é que, nada disso importava para ele. O que importava era que ele não poderia cumprir sua promessa com Emi, não poderia mais construir uma família, como ambos desejavam.

 

Pensar nisso fez com que lágrimas se formassem em seus olhos...

-Não se preocupe, morrer não é tão ruim assim! -Comentou Meridia ao ver aquela feição triste...

 

Ele também se lembrou das amizades que fez nesses 37 dias, percebeu que absolutamente todos ao seu redor riem, choram, sentem raiva e, principalmente, sentem compaixão, bastou mostrar que ele sentia tudo isso para Misha, Sophia e todos os outros, só assim eles mostraram que podiam sentir isso, também. Bastou mostrar que Cast não era um monstro que todos sentiram empatia desse pirralho.

 

De repente, em seus fones, Cast ouve um som extremamente familiar. Uma melodia em tom grave de guitarras, aquela era a música que o pai de Cast havia mostrado para ele três anos atrás, a música que ele mais amava, tanto pela melodia quanto pela letra.

Aquela era uma composição de Jamie Christopherson: The Only Thing I Know For Real.

Assim, ele se lembrou de seu pai, o homem que o ensinou que, mesmo na pior situação há um lado bom, o homem que ensinou seu filho a sorrir, que confiou um poder imensurável nas mãos de seu filho.

 

-Memories broken
The truth goes unspoken
I’ve even forgotten my name!

I don’t know the season
Or what is the reason
I’m standing here, holding my blade!

 

Ele de fato não foi uma boa pessoa no Mundo Inferior, mas, como todo ser vivo, mostrou que tem sentimentos, e que destruir não é seu único propósito.

E os deuses? Será que eles ainda assim gostavam de Qunar, que era basicamente um semi-deus que desejava ser dono daquele mundo? Cast não sabia, ele só sabia que, sendo forte ou não, os deuses estavam ao lado de Cast, e torciam por sua vitória. Este pensamento despertou a determinação que Cast não tinha, pois ele tinha fé de que os deuses não o abandonariam, assim como todos os seus amigos não o abandonaram!

 

-Pirralho...? -Cast começa a falar algo. -Vou te perguntar mais uma vez. Faz ideia de com quem está lidando, Meridia? -Ele repete suas palavras de cerca de um minuto atrás.

A garota se afasta um pouco ao ouvir a risada baixa de Cast. Para ela, ele claramente havia enlouquecido.

Cast remove a mão de seu ferimento, levando-a para a Dawnbreaker. Ele encara Meridia com um sorriso cínico.

-Você sequer sabe quem foi Qunar. Acha que pode parar um semi-deus com a porra de um jutsu?! -Ele pergunta, adicionando um pouco de humor em sua fala.

Ele levanta-se. Respectivamente, Meridia saca sua Muramasa, apontando-a para Cast. Ela estava claramente espantada. O que aconteceria agora?

Cast embainha a Dawnbreaker.

-“Ira dos Céus”... Esse apelido soa tão bem! -Ele comenta. -Quer saber como meu pai ganhou esse título? -Ele pergunta. Logo após, Meridia pode notar seus olhos ganharem um brilho não natural, até que os mesmos entram em chamas de suas respectivas cores: vermelho e azul. -Ou melhor... Por que não te dou uma demonstração?

 

Cast rapidamente invoca seus aspectos dracônicos, fazendo Meridia encarar aquelas asas com medo.

Ele avança rapidamente na direção da garota, não deixando tempo para ela reagir.

Meridia sente um agarro em seu pescoço, então sente uma brisa extremamente forte batendo em suas costas. Ao abrir os olhos, não consegue entender onde está, estava tudo branco, aquilo eram... nuvens? Cast estava ali, agarrando o pescoço da garota enquanto suas asas batiam, levando-os para algum lugar.

Ele finalmente a solta, então inicia uma sequência de golpes fortes o suficiente para não só mantê-la no ar como aumentar sua altitude.

No fim da sequência, Cast deu um poderoso chute em Meridia, fazendo-a ir rapidamente em direção ao chão.

 

Enquanto no ainda no ar, o amuleto no peito de Meridia começa a brilhar, então ela simplesmente some em pleno ar...

 

De repente, ela surge em cima de Cast, retribuindo o chute e fazendo-o ir em direção ao chão também. O amuleto continuava a brilhar, até que Meridia invocou uma enorme bola de fogo de cerca de três vezes o seu tamanho em diâmetro.

Cast recuperou-se no ar, encarando aquela gigante esfera de fogo vindo em sua direção. O mesmo ergueu sua mão direita na direção da esfera, logo após, uma estranha e forte ventania começa a rodear a esfera. Eventualmente, uma aura se forma e a esfera começa a se comprimir no caminho, até se tornar uma esfera de cor azulada menor que a mão de Cast. Ele havia acabado de manipular uma magia lançada contra ele.

Ele agora tinha em mãos algo que seria fraco contra ele, mas com certeza não era contra qualquer outra pessoa.

-“Parece um Rasengan, agora.” -Pensou enquanto encarava aquela esfera de energia em sua mão direita.

Cast avança na direção de Meridia, que caía de encontro com o garoto. Ao aproximar-se o suficiente, ele simplesmente some e ressurge de outras direções repetidamente, golpeando-a sem deixar tempo de reação, até que aplica outro chute que a mandou em direção ao chão. Dessa vez, ele a seguiu e, para ter certeza de que ela não faria nada, agarrou o pescoço dela com sua mão esquerda, impulsionando-a para baixo mais rápido ainda.

Cast a solta a alguns metros do asfalto, flutuando com suas asas em pleno ar. Meridia apenas sentiu a dor de seu corpo chocando-se com aquela superfície rígida.

Ela tenta se curar, mas falha, nada aconteceu. O colar em seu peito havia sumido.

-Procurando por isso? -A voz de Cast pode ser ouvida.

Ao olhar para cima, viu o garoto batendo suas asas espectrais, enquanto em sua mão direita concentrava-se aquela esfera de energia, na esquerda pendia o amuleto de Meridia. Ao notar isso, Meridia encarou seus arredores, notando sua Muramasa não muito longe dali. Correu até a mesma e rapidamente a teve em mãos.

Ao virar-se novamente para Cast, apenas sentiu um golpe que afetou todo o seu corpo, fazendo-a soltar a katana e voar para longe.

Ao se recuperar, Meridia olha para a direção de onde a mesma veio, então viu Cast numa posição pós-ataque. Ele havia finalmente usado aquela esfera em suas mãos.

Cast gira o amuleto em sua mão esquerda, então o arremessa na direção de Meridia, que tenta alcança-lo para obtê-lo de volta. Mas algo a impede.

 

Uma presença passa como um vulto ao lado de Meridia. Ao mesmo tempo, a amuleto se despedaça ainda no ar, além do sangue que Meridia jorrava ao receber um golpe no peito.

Atrás de Meridia estava Cast, numa posição pós ataque com sua Dawnbreaker em mãos...

 

A Lâmina de Fogo havia perdido... O que viria agora?

 

Meridia cai de joelhos, tentando manter a calma, ainda assim começa a cair para frente...

Mas algo a impediu...

Meridia sentiu uma mão em seu ombro, que a impediu de cair. Outra mão envolveu seu corpo, ambas a viraram e a deitaram calmamente no chão. Ao olhar para cima, viu Cast tentando cuidar dela, ele já não tinha mais as asas. Ela não entendeu no início, por isso soltou uma leve risada.

-É... Foi divertido. -Disse Meridia. -Eu estava mesmo precisando de um oponente digno.

Cast apenas se mantém calado.

-Desculpa por te subestimar... Eu praticamente desrespeitei seu pai, um semi-deus! -Ela comenta. -Ainda assim, eu vou chutar que você pegou leve comigo...

Cast desejava dizer que sim, mas preferiu continuar escutando.

-Destrua... Destrua meu corpo. E, por favor, guarde minha espada consigo. E-Eu quero te pedir um favor... Quero que salve meu mundo... -Ela diz. -Eu libertei Mudum, Deus da Destruição ao forjar aquele amuleto, e agora, ele vai destruir o que estiver no caminho... Claro, talvez um exército bem treinado possa acabar com ele, mas- -Ela é interrompida.

-Não. -Cast diz. -Desculpe Meridia, mas eu não tenho e nunca tida nada a ver com o Mundo Inferior.

-Eu entendo... Não tem problema... -Meridia responde. -Ei... Ninguém luta pela sobrevivência como você lutou... Não lutou pra ficar vivo, não é?

Cast soltou um suspiro, então começou a falar:

-Uma vez, eu tive uma visão... Havia um dragão flutuando em minha frente, num lugar vazio. De alguma forma, eu sabia que aquele era meu pai. Depois desse momento, eu comecei a me perguntar... Por que um ser tão magnífico como aquele poderia confiar um poder imensurável como esse num mero humano, e ainda sequer ensiná-lo a usar? -Ele diz. -Percebi que ele acreditava em meu potencial e que, de alguma forma, ele estaria me observando nesse exato momento, torcendo pela minha vitória, mas é claro que esse não é o único motivo. -Ele continua. -Eu tenho um sonho... Quero poder ter uma vida tranquila, construir uma família, esse tipo de coisa...

Meridia solta um gemido, então cospe um pouco de sangue.

-Tá tudo bem? -Cast pergunta.

-Não tá nada bem... Isso começou a doer mais ainda... -Meridia respondeu.

Logo, Cast levanta-se e desembainha sua Dawnbreaker, então a aponta para o peito de Meridia.

A garota tenta respirar fundo enquanto encara a face de Cast.

-Que os deuses sorriam para você... -Disse ela.

Cast reconheceu essa frase de algum lugar... Fechou os olhos e apenas jogou suas mãos para baixo...

 

 

 

Acabou.

 

 

 

Cast abre os olhos novamente, encarando o olhar já sem vida de Meridia. Removeu sua espada do peito da garota, embainhando-a. Agachou-se e adquiriu a bainha da katana de Meridia. Logo caminhou em direção à espada no chão e a adquiriu, também.

Cast encarou aquela lâmina, estava suja com o sangue dele. Respectivamente, Cast balança a espada, expulsando todo o sangue da lâmina, então a embainha. Pôde notar uma escrita na bainha: “Muramasa”, e do outro lado: “Meridia”

Encarou o corpo da garota no chão por um tempo...

 

 

                                                                     ⋆          ⋆          ⋆

 

 

-Ok! Acalme-se, Emi! Tenho certeza de que o Cast vai ficar bem! -Disse Misha.

-Você não consegue entender?! O Cast ainda tem muito a aprender, quem sabe a primogênita de Qunar não seja mais experiente? -Retrucou Emi. A garota estava em lágrimas, com muito medo. A promessa dos dois realmente parecia que não seria cumprida, não depois de tudo o que eles passaram.

-Não é ele ali? -Perguntou Rimi.

Todos imediatamente olharam para a mesma direção que Rimi. A única visão que tinham era, claramente, a de Cast, com seu uniforme escolar rasgado e ensanguentado. Ele carregava algo, aquilo era um corpo...

 

 

                                                                     ⋆          ⋆          ⋆

 

 

Depois disso tudo, Misha e Artana voltaram ao Mundo Inferior e juntaram-se aos Auras da Tempestade, mas, antes disso, Cast pediu que fosse enviada uma mensagem ao Jarl de Anvard.

 

 

 

-Senhor Bernar, o Dragão derrotou Lâmina de Fogo, a maior aventureira de Bellatrus. Ainda assim, optou pela paz e se recusou a revidar. Não há outro guerreiro mais forte do que a própria Lâmina de Fogo foi, então, sua melhor opção é não mandar mais de seus homens para a morte

 

 

 

Cast e Emi adquiriram a coroa do Jarl, que Rimi havia trago da casa de Julia. Antes de fragmenta-la e vende-la, Eles fizeram algumas pesquisas e algumas contas, até que descobriram o real valor da coroa.

 

 

 

-Uhm... Emi, quando você disse “doze bilhões”... Achei que estava exagerando...

-São doze bilhões mesmo?!

-Eu não faço ideia de como mensurar doze bilhões!

 

 

 

Em alguns anos, eles acabaram se mudando, Cast e Emi notaram que simplesmente não envelheciam, continuavam com a mesma cara de jovem, Emi presumiu que fosse o DNA de Qunar que não deixava Cast envelhecer, até que eles se lembraram de um simples evento onde o sangue de Cast entrou em contato com o de Emi. Eles assumiram que era esse o motivo, não havia nada mais plausível.

 

 

 

Emi entra no quarto de casal, pertencente a ela e Cast. Começa a vasculhar algumas gavetas, até que, eventualmente, ela se depara com uma pequena caixa preta.

Emi pega a caixinha, então a abre. Seu coração palpitou ao ver que dentro estava um anel...

-Emi? O que você... Ah... -Cast havia adentrado o quarto...

Emi virou-se para Cast, revelando seu rosto em lágrimas... Ela começa a correr na direção do garoto, capturando-o num abraço bem apertado. Ele rapidamente retribui.

Ela simplesmente não consegue se segurar, então acaba cedendo às lágrimas de felicidade.

-Ei... Emi... Quer casar comigo?

Ele não obtém resposta, apenas nota Emi acenando com a cabeça durante o abraço.

-Tudo bem, então... Vamos ficar juntos até o fim, como prometemos.

 

 

 

O que aconteceu depois? Bem, eles se casaram, mas continuam com a mesma atitude, se tratando mais como dois irmãos do que como um casal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-Em que dia ela nasceu?

-Ontem mesmo! 15 de janeiro!

-Ah! No nosso calendário, janeiro é equivalente ao mês da Estrela da Manhã, e o período dela é o período da Dama!

-É tipo signo?

-É sim! Diga, que nome vocês deram a ela?

 

 

 

 

 

-Serana.


Notas Finais


Obrigado a todos que leram até aqui!
Mas essa história ainda não acabou! Já lançou o primeiro capítulo da Segunda Temporada dessa história!
Confira, "Um Amor de Outro Mundo"!
Vejo vocês por aí!


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