História O duque e eu - Capítulo 47


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Categorias Sou Luna
Personagens Benício, Delfina, Emília, Gaston, Jazmin, Luna Valente, Miguel, Monica, Nico, Nina, Ramiro, Simón
Visualizações 19
Palavras 1.439
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 47 - London calling to the faraway towns


Fanfic / Fanfiction O duque e eu - Capítulo 47 - London calling to the faraway towns

– Me dê um bom motivo para não arrancar seus pulmões pela boca.

Benicio, que estava sentado em seu escritório, levantou a cabeça e viu Ramiro Bridgerton, ainda empoeirado da viagem, espumando na porta.

– É um prazer ver você também, Ramiro – murmurou.

Ramiro entrou no cômodo com a sutileza de um elefante, espalmou as mãos sobre a mesa de Benicio e se inclinou para a frente de forma ameaçadora.

– Você quer me dizer por que minha irmã está em Londres, chorando todas as noites até dormir, enquanto você está em... – Olhou ao redor e fez uma careta. – Onde diabos nós estamos?

– Em Wiltshire – informou Benicio.

– Enquanto você está em Wiltshire de pernas para o ar em uma propriedade que não tem importância nenhuma?

– Emilia está em Londres?

– Já que você é o marido dela, imaginei que soubesse – resmungou Ramiro.

– Sendo assim, você poderia imaginar várias outras coisas – murmurou Benicio –, e estaria errado na maioria delas.

Fazia dois meses que ele havia saído de Clyvedon. Dois meses desde que olhara para Emilia e não conseguira dizer uma palavra sequer. Dois meses de um vazio absoluto.

Benicio ficou sinceramente surpreso por Emilia ter demorado tanto a entrar em contato com ele, ainda que tivesse escolhido fazer isso por meio do irmão mais velho, que já tinha dado mostras de seu comportamento violento. Benicio não sabia exatamente por quê, mas achara que ela o procuraria antes, nem que fosse apenas para tagarelar em seus ouvidos. Emilia não era o tipo de pessoa que se remoía em silêncio quando estava incomodada. De certa forma, ele esperara que ela fosse atrás dele e explicasse de seis formas diferentes por que ele era um idiota completo.

E, para dizer a verdade, depois de mais ou menos um mês ele até começou a desejar que ela fizesse isso.

– Eu arrancaria sua cabeça fora – rosnou Ramiro, invadindo os pensamentos de Benicio –, se não tivesse prometido a Emilia que não o machucaria fisicamente.

– Tenho certeza de que não foi fácil para você prometer isso – comentou Benicio.

Ramiro cruzou os braços e o encarou com muita seriedade.

– Também não está sendo fácil manter a promessa.

Benicio pigarreou enquanto pensava em como poderia perguntar sobre Emilia sem chamar atenção. Ele estava com saudade dela. Achava que era um idiota, um tolo, mas sentia sua falta – de sua risada, de seu perfume e da forma como às vezes, no meio da noite, ela enroscava as pernas nas dele.

Ele estava acostumado a ficar sozinho, mas não a se sentir tão solitário.

– Emilia mandou que você viesse me buscar? – perguntou ele enfim.

– Não. – Ramiro enfiou a mão no bolso, tirou um pequeno envelope cor de marfim e o jogou sobre a mesa. – Quando fui vê-la, ela estava prestes a chamar um mensageiro para lhe enviar isto.

Benicio olhou fixamente para o envelope com um horror crescente. Aquilo só podia significar uma coisa. Tentou dizer algo neutro, como “Ah, sim”, mas sua garganta se fechou.

– Eu disse que ficaria feliz em trazer a carta para você – informou Ramiro, cheio de sarcasmo.

Benicio o ignorou. Pegou a correspondência, torcendo para que Ramiro não visse como seus dedos estavam trêmulos.

Mas ele viu.

– O que foi? – perguntou abruptamente. – Você está com uma cara péssima.

Benicio agarrou o envelope com toda a sua força.

– Você também está lindo – respondeu ele, conseguindo fazer uma brincadeira.

Ramiro olhou fixamente para ele, a batalha entre a raiva e a preocupação muito clara em seu rosto. Depois de pigarrear algumas vezes, ele enfim perguntou, num tom surpreendentemente gentil:

– Você está doente?

– É claro que não.

Ramiro ficou pálido.

– Emilia está doente?

Benicio levantou a cabeça de repente.

– Não que ela tenha me dito. Por quê? Ela parece doente? Ela...

– Não, ela está ótima. – O olhar de Ramiro se encheu de curiosidade. – Benicio – disse ele, balançando a cabeça –, o que você está fazendo aqui? É óbvio que você a ama. E, por mais que eu não consiga entender, ela parece amá-lo também.

Benicio apertou as têmporas com as pontas dos dedos, tentando abrandar a dor de cabeça latejante que nos últimos tempos não o deixava em paz.

– Existem algumas coisas que você não sabe – comentou ele com ar exausto, fechando os olhos por causa da dor. – Coisas que você jamais compreenderia.

Ramiro ficou em silêncio por um momento. Finalmente, justo quando Benicio abriu os olhos de novo, ele se afastou da mesa e se dirigiu à porta do escritório.

– Não vou arrastá-lo de volta a Londres – informou em voz baixa. – Eu deveria fazer isso, mas não vou. Emilia precisa saber que você voltou por causa dela, não porque o irmão mais velho enfiou uma arma nas suas costas.

Benicio quase relembrou que fora por esse motivo que ele se casara com ela, mas mordeu a língua. Isso não era verdade. Não completamente, pelo menos. Em outra vida, ele teria se ajoelhado e implorado pela mão dela.

– Mas você precisa saber – continuou Ramiro – que as pessoas estão começando a comentar. Emilia voltou sozinha a Londres quinze dias depois do casamento de vocês, que foi às pressas. Ela está mantendo a tranquilidade, mas não deve ser fácil. Ninguém chegou a insultá-la, mas existe um limite de olhares de pena que alguém é capaz de suportar. E aquela maldita Lady Felicity ForNow tem escrito a respeito dela.

Benicio estremeceu. Não fazia muito tempo que tinha voltado à Inglaterra, mas já entendera que a famosa fofoqueira era capaz de provocar muito estrago e sofrimento.

Ramiro soltou um xingamento, cheio de nojo.

– Procure um médico, Hastings. E então volte para sua esposa.

Depois disso, retirou-se do escritório.

Benicio ficou olhando fixamente para o envelope nas mãos durante vários minutos antes de abri-lo. Ver Ramiro fora um choque. Saber que ele tinha acabado de ver Emilia fez o coração de Benicio latejar de dor.

Droga. Ele não esperava sentir saudade dela.

No entanto, isso não queria dizer que sua raiva tinha passado. Emilia havia lhe tomado algo que ele realmente não desejava dar. Não queria filhos. Havia sido sincero. Ela se casara com ele sabendo disso. E o enganara.

Ou não enganara? Ele esfregou as mãos nos olhos cansados e na testa enquanto tentava se lembrar dos detalhes daquela manhã fatídica. A iniciativa do ato tinha sido definitivamente de Emilia, mas ele se recordava com muita clareza da própria voz a estimulando. Não deveria ter encorajado o que sabia que não poderia interromper.

De qualquer maneira, era muito provável que ela não estivesse grávida. Sua mãe não havia levado mais de uma década para ter um único filho que nascesse vivo?

Mas à noite, deitado sozinho na cama, a verdade lhe vinha à mente. Ele não saíra de casa apenas porque Emilia o desobedecera ou porque havia a chance de ele ter gerado um filho.

Benicio fugira porque não suportava o modo como ficara diante dela. Emilia o reduzira à criança gaga e idiota que ele tinha sido. Deixara-o mudo e trouxera de volta aquela terrível sensação de asfixia, o horror de não conseguir dizer o que sentia.

Ele simplesmente não sabia se poderia viver com ela se isso significasse voltar a ser o garoto que mal era capaz de falar. Tentou se lembrar da época em que a cortejava – de mentira, pensou com um sorriso –, de como era fácil estar e conversar com ela. Mas todas as recordações tinham sido manchadas pelo que havia acontecido: ele no quarto de Emilia naquela manhã detestável, tropeçando na língua e se engasgando sozinho.

E ele detestava ser daquela maneira.

Então fugiu para uma de suas propriedades no campo – sendo um duque, tinha várias. Essa casa específica ficava em Wiltshire, não muito longe de Clyvedon. Poderia retornar em um dia e meio, caso se apressasse. Se era tão fácil voltar, não era exatamente uma fuga, pensou.

E agora tudo indicava que ele seria obrigado a fazer isso.

Respirando fundo, Benicio pegou o abridor de cartas e cortou o envelope. Tirou lá de dentro uma única folha de papel e leu:

Minha tentativa de concepção, conforme você definiu, foi bem-sucedida. Voltei para Londres a fim de estar perto de minha família e aguardo sua orientação.

Atenciosamente,

Emilia

Benicio não soube quanto tempo ficou sentado atrás da mesa respirando com dificuldade e segurando com as pontas dos dedos o papel cor de marfim. Então finalmente sentiu uma brisa, ou talvez a luz tenha mudado, ou a casa estalado – o fato é que alguma coisa o tirou de seu estado de devaneio e ele deu um salto, ficando de pé, foi até o corredor e gritou pelo mordomo.

– Mande aprontar minha carruagem – vociferou quando o empregado apareceu. – Vou para Londres.



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