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História O duque e eu - Capítulo 61


Escrita por: haddock_anthony

Capítulo 61 - Capítulo 61


Mais tarde naquele dia, enquanto Jack tratava de negócios, Elsa decidiu que seria um bom momento para conhecer a Sra. Colson, a governanta. Embora ela e Jack ainda não tivessem decidido onde iriam morar, Elsa achava que iriam passar algum tempo em Clyvedon. E, se havia uma coisa que ela aprendera com a mãe era que uma dama precisa ter um bom relacionamento com a governanta de sua casa.

Não que Elsa tivesse motivos para achar que não se daria bem com a Sra. Colson. As duas haviam se falado brevemente quando Jack apresentou a nova duquesa aos criados e logo ficou claro que ela era do tipo amistoso e falante.

Elsa passou no gabinete dela – um quartinho minúsculo ao lado da cozinha – um pouco antes da hora do chá. A governanta, uma mulher bonita de 50 e poucos anos, estava debruçada sobre sua mesinha, trabalhando no cardápio da semana.

Elsa bateu na porta aberta.

– Sra. Colson?

A mulher ergueu o olhar e se levantou imediatamente.

– Alteza – disse ela, fazendo uma pequena reverência. – Devia ter mandado me chamar.

Elsa sorriu constrangida, ainda desacostumada à sua nova posição.

– Eu já estava por perto – explicou ela, justificando sua aparição poucotradicional nos domínios da criada. – Mas, se tiver um momento, Sra. Colson, eu pensei que poderíamos nos conhecer melhor, já que a senhora mora em Clyvedon há tantos anos e eu espero viver aqui por bastante tempo também.

Ela sorriu com o tom afetuoso da jovem.

– É claro, Alteza. Existe algo em particular que a senhora gostaria de saber?

– Não, nada em particular. Mas, se eu quiser administrar Clyvedon de forma adequada, ainda tenho muito a aprender. Será que poderíamos tomar o chá na sala amarela? Gosto muito da decoração de lá. É tão aconchegante e ensolarada... Pensei em talvez fazer dela minha sala pessoal.

A Sra. Colson lançou-lhe um olhar curioso.

– A última duquesa achava a mesma coisa.

– Ah – respondeu Elsa, sem saber se isso deveria deixá-la desconfortável.

– Cuidei com muito carinho daquela sala ao longo de todos esses anos – continuou a Sra. Colson. – Ela é ensolarada porque fica na parte sul da casa.

Todos os estofados foram reformados há três anos. – Ela tinha uma expressão de  orgulho no rosto. – Fui até Londres para conseguir o mesmo tecido.

– Sei – comentou Elsa, saindo do gabinete na frente da governanta. – O falecido duque devia amar muito a esposa para garantir que a sala preferida dela fosse tão bem conservada.

A Sra. Colson não olhou para Elsa.

– A decisão foi minha – informou ela em voz baixa. – Eu tinha um orçamento fixo para a manutenção da casa e considerei este o melhor uso do dinheiro.

Elsa aguardou enquanto a governanta chamava uma camareira e lhe dava instruções para o chá.

– É uma sala encantadora – disse Elsa assim que deixaram a cozinha –, e, embora o novo duque não tenha conhecido a mãe, tenho certeza que ficará comovido ao saber que a senhora achou adequado manter a sala preferida dela.

– Era o mínimo que eu podia fazer – disse a Sra. Colson enquanto as duas percorriam o corredor. – Afinal de contas, nem sempre servi à família Frost.

– Ah, não? – perguntou Elsa com curiosidade. Governantas eram famosas por sua lealdade e costumavam servir uma única família por gerações.

– Não, eu era a camareira pessoal da duquesa. – Quando chegaram à porta da sala amarela, a Sra. Colson esperou do lado de fora para permitir que Elsa entrasse primeiro. – Antes disso, fui sua dama de companhia. E minha mãe foi ama dela.

– Vocês deviam ser muito próximas – murmurou Elsa.

A mulher assentiu.

– Depois que ela morreu, ocupei várias posições aqui em Clyvedon atéfinalmente me tornar governanta.

– Sei. – Elsa sorriu para ela e se acomodou no sofá. – Por favor, sente-se – disse ela, indicando a cadeira à sua frente.

A Sra. Colson pareceu hesitar diante de tanta intimidade, mas acabou obedecendo.

– Fiquei muito triste quando ela morreu – contou. Lançou a Elsa um olhar levemente apreensivo. – Espero que não se importe que eu lhe fale sobre isso.

– Claro que não – disse Elsa com rapidez. Ela estava bastante curiosa sobre a infância de Jack. Ele lhe contara muito pouco sobre isso, mas ela sentia que essa etapa de sua vida tinha um significado muito importante. – Por favor, fale mais. Eu adoraria ouvir sobre ela.

Os olhos da Sra. Colson ficaram marejados.

– Ela era a pessoa mais gentil e bondosa que existia. Ela e o duque... Bem, eles não eram um casal amoroso, mas se davam bem. Tinham um tipo próprio de amizade. – Ergueu o olhar. – Ambos eram conscientes de seus deveres como duque e duquesa. Levavam suas responsabilidades muito a sério.

Elsa assentiu.

– Ela estava determinada a dar um filho a ele. E continuou tentando mesmo depois que todos os médicos lhe disseram que poderia ser perigoso. Ela chorava no meu ombro todos os meses quando vinham suas regras.

Elsa aquiesceu, tentando disfarçar sua tensão. Era difícil ouvir histórias de pessoas que não podiam ter filhos. Mas sabia que teria que se acostumar. Seria ainda mais difícil responder a perguntas sobre o assunto.

E haveria perguntas. Perguntas educadas, mas com um sentimento de pena.

Felizmente a Sra. Colson não percebeu a aflição de Elsa. Deu uma fungada e prosseguiu com a história.

– Ela vivia dizendo que nunca poderia ser uma duquesa de verdade se não conseguisse dar um filho ao duque. Isso partia meu coração. Todos os meses, partia meu coração.

Elsa se perguntou se isso também aconteceria com ela. Provavelmente, não.



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