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História O Duque e Eu (Jimin) - Capítulo 14


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Notas do Autor


Já voltei com outro, aproveitem!!!

Capítulo 14 - Capítulo 13


 

O duque de Hastings e a Srta. Bridgerton vão se casar!

Esta autora precisa aproveitar a oportunidade para lembrar ao querido leitor que o casamento foi previsto pela coluna. Não nos passou despercebido que sempre que este jornal noticia uma nova ligação entre um cavalheiro qualificado e uma dama solteira, as apostas nos círculos da sociedade mudam em poucas horas, e sempre a favor do casamento.

Embora esta autora não seja aceita no White’s, ela tem motivos para acreditar que as apostas oficiais sobre a união do duque e da Srta. Dany Bridgerton eram de duas para uma.

CRÔNICAS DA SOCIEDADE DE LADY WHISTLEDOWN,

21 DE MAIO DE 1813

 

 

O restante da semana passou voando. Dany não viu Jimin por vários dias. Poderia pensar que ele fora embora da cidade, mas Jungkook lhe dissera que tinha ido à Casa Hastings para acertar os detalhes do contrato matrimonial.

Para surpresa de Jungkook, Jimin se recusara a aceitar um centavo sequer de dote. Finalmente, os dois decidiram que Jungkook aplicaria o dinheiro que o pai havia deixado para o casamento de Dany numa propriedade que ele mesmo administraria. O dinheiro seria dela para que gastasse ou guardasse como preferisse.

“Você pode deixar para seus filhos”, sugeriu Jungkook.

Dany apenas sorriu. Era isso ou chorar.

Alguns dias depois, Jimin apareceu na Casa Bridgerton à tarde. Faltavam dois dias para o casamento.

Dany ficou esperando na sala de estar depois que o mordomo anunciou a chegada dele. Sentou-se recatadamente na beira do sofá de linho, com as costas eretas e as mãos juntas, no colo. Estava segura de que era o modelo da refinada feminilidade inglesa.

Sentia-se uma pilha de nervos.

Olhou para as mãos e percebeu que suas unhas estavam deixando marcas avermelhadas nas palmas.

Sentia uma vontade de rir tão avassaladora quanto inadequada. Nunca havia ficado nervosa ao ver Jimin. Na verdade, talvez esse fosse o aspecto mais admirável de sua amizade com o duque. Mesmo quando o flagrava olhando para ela com urgência – e tinha certeza de que os próprios olhos refletiam o mesmo sentimento –, sentia-se absolutamente confortável em sua companhia. Sim, o estômago revirava e a pele se arrepiava, mas eram sintomas de desejo, não de desconforto. Antes e acima de tudo, Jimin era amigo dela, e Dany sabia que a sensação tranquila e alegre que tinha sempre que ele estava por perto era algo raro.

Estava confiante de que conseguiriam voltar àquele estado de conforto e companheirismo, mas depois do que ocorrera no Regent’s Park ela temia que isso não fosse acontecer tão cedo.

– Bom dia, Dany.

Jimin apareceu na porta da sala e encheu o ambiente com sua maravilhosa presença. Tudo bem, talvez sua presença não estivesse tão maravilhosa como de costume. Seus olhos ainda exibiam hematomas e a marca em seu queixo estava começando a ganhar um impressionante tom esverdeado.

Ainda assim, aquilo era melhor do que um tiro no peito.

– Jimin – respondeu Dany. – Que bom ver você. O que o traz à Casa Bridgerton?

Ele olhou para ela com uma expressão surpresa.

– Não estamos noivos?

Ela corou.

– Sim, é verdade.

– Eu achava que os homens deveriam visitar suas noivas. – Sentou-se na frente dela. – Lady Whistledown não disse algo nesse sentido?

– Acho que não – murmurou Dany. – Mas tenho certeza de que minha mãe deve ter dito.

Os dois sorriram e por um instante Dany pensou que tudo ficaria bem de novo. Mas, assim que os sorrisos se apagaram, um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente.

– Você está melhor? – perguntou ela finalmente. – Seus olhos não estão muito inchados.

– Você acha? – Jimin se virou para um grande espelho de moldura dourada. – Acho que os ferimentos ganharam um tom de azul espetacular.

– Roxo.

Ele se inclinou para a frente, como se para ver melhor seu reflexo.

– Roxo, então. Mas acho que isso pode ser discutível.

– Eles estão doendo?

Ele sorriu com desânimo.

– Apenas quando alguém toca neles.

– Vou evitar fazer isso, então – murmurou Dany. – Vai ser difícil, é claro, mas serei perseverante.

– Sim – disse ele, com o rosto totalmente inexpressivo –, todos dizem que faço as mulheres terem vontade de furar meus olhos.

Dany sorriu com alívio. Se os dois conseguiam brincar com esse tipo de coisa, era claro que tudo voltaria a ser como antes.

Jimin pigarreou.

– Vim vê-la por um motivo específico.

Dany olhou para ele com expectativa.

Ele estendeu-lhe uma caixa de joia.

– Para você.

Ela quase engasgou ao estender a mão para a caixinha coberta de veludo.

– Tem certeza? – perguntou.

– Imagino que anéis de noivado sejam obrigatórios – disse ele em voz baixa.

– Ah, como sou burra... Não me dei conta...

– De que era um anel de noivado? O que pensou que fosse?

– Não pensei em nada, na verdade – admitiu ela, encabulada.

Ele nunca havia lhe dado um presente. Dany ficara tão surpresa com o gesto que se esquecera completamente de que Jimin lhe devia um anel de noivado.

“Devia.” Não gostava dessa palavra. Não gostava nem de ter pensado nela. Mas tinha certeza absoluta de que era nisso que ele estava pensando quando escolheu o anel.

Isso a entristeceu.

Dany forçou um sorriso.

– É uma joia de família?

– Não! – retrucou ele, com veemência suficiente para fazê-la pestanejar.

– Ah.

Mais um silêncio constrangedor.

Ele tossiu de leve e então explicou:

– Achei que você preferiria algo seu mesmo. Todas as joias da família Hastings foram escolhidas para outra pessoa. Esta eu escolhi para você.

Dany quase derreteu ali mesmo.

– Que coisa mais gentil – disse ela, mal conseguindo segurar uma fungada de emoção.

Jimin se contorceu na poltrona, o que não a surpreendeu. Homens detestavam essas manifestações femininas.

– Não vai abrir? – resmungou ele.

– Ah, sim, é claro. – Dany balançou a cabeça de leve ao ser chamada à atenção. – Que tolice a minha.

Seus olhos ficaram meio vidrados quando ela olhou para o presente. Depois de piscar algumas vezes para clarear a visão, ela soltou cuidadosamente o fecho da caixa e a abriu.

Não conseguiu dizer nada além de “Ah, meu Deus”, e mesmo essa frase foi mais um suspiro que qualquer outra coisa.

Aninhado lá dentro estava um impressionante anel de ouro branco adornado com uma grande esmeralda lapidada, ladeada por dois diamantes perfeitos. Era a joia mais maravilhosa que Dany já vira, brilhante mas requintada, claramente valiosa mas não ostensiva em excesso.

– É lindo – murmurou ela. – Eu amei.

– Tem certeza? – Jimin tirou as luvas, então se inclinou para a frente e tirou o anel da caixa. – Porque é sua aliança de noivado. É você quem irá usá-la, e ela deve refletir seu gosto, não o meu.

A voz de Dany estava um tanto embargada quando ela disse:

– Parece que nós temos o mesmo gosto.

Jimin deu um breve suspiro de alívio e segurou a mão dela. Até aquele instante, não havia se dado conta de quão importante era para ele o fato de Dany gostar do presente. Detestava estar tão nervoso perto dela depois da amizade que os dois tinham desenvolvido nas últimas semanas. Odiava os silêncios em suas conversas, quando ela tinha sido a única pessoa com quem ele não sentia necessidade de fazer uma pausa para juntar um estoque de palavras antes de falar.

Não que estivesse tendo algum problema com isso naquele momento. A única questão era que ele parecia não saber o que dizer.

– Posso pôr no seu dedo? – perguntou ele em voz baixa.

Ela assentiu e começou a tirar a luva.

Mas Simon interrompeu o movimento dela e assumiu a tarefa. Deu um pequeno puxão na ponta de cada dedo e então, devagar, tirou a luva da mão de Dany. O gesto foi descaradamente erótico, uma versão abreviada do que ele queria fazer: remover cada peça de roupa do corpo dela.

Dany soltou um arquejo quando a bainha da luva passou pelas pontas de seus dedos. O som de sua respiração passando pelos lábios fez com que Jimin a quisesse ainda mais.

Com as mãos trêmulas, ele colocou o anel no dedo dela, ajeitando-o no lugar.

– Serviu direitinho – disse ela, mexendo a mão de um lado para outro a fim de ver como a joia refletia a luz.

Jimin, no entanto, não a soltou. Com os movimentos que Dany fazia, sua pele deslizava na dele, criando um calor estranhamente reconfortante. Então ele levou a mão dela até a boca e deu um beijo suave nos nós de seus dedos.

– Que bom que coube – murmurou ele.

Os lábios dela se curvaram – uma insinuação daquele amplo sorriso que ele aprendera a adorar. Talvez fosse um sinal de que tudo ficaria bem entre eles.

– Como você sabia que eu gosto de esmeraldas? – perguntou Dany.

– Eu não sabia – admitiu ele. – Elas me lembram seus olhos.

– Meus... – Dany inclinou a cabeça levemente para o lado e retorceu os lábios em um sorriso irritado. – Jimin, meus olhos são castanhos.

– A maior parte deles é castanha – corrigiu ele.

Ela se virou para o mesmo espelho em que ele avaliara os próprios ferimentos mais cedo e piscou algumas vezes.

– Não – disse ela devagar, como se estivesse falando com uma pessoa de intelecto limitado –, são castanhos.

Ele estendeu o braço e passou, com delicadeza, um dedo embaixo do olho dela.

– Não nas bordas.

Ela lhe lançou um olhar de dúvida, mas um pouco esperançoso, então soltou um suspiro estranho e se levantou.

– Agora faço questão de ver.

Jimin observou, divertido, enquanto ela aproximava o rosto do espelho. Daphne piscou várias vezes, então arregalou bem os olhos e piscou um pouco mais.

– Ah, meu Deus! – exclamou ela. – Eu nunca tinha reparado nisso!

Ele também se levantou, foi até o lado dela e se apoiou na mesa de mogno em frente ao espelho.

– Logo você vai aprender que eu tenho sempre razão.

Ela o encarou com uma expressão sarcástica.

– Mas como você percebeu isso?

Ele deu de ombros.

– Prestei bastante atenção.

– Você... – começou ela, então decidiu não terminar o que ia dizer e voltou a se encostar na mesa, arregalando bem os olhos para inspecioná-los mais uma vez. – Quem diria – murmurou –, eu tenho olhos verdes.

– Bem, eu não iria tão longe...

– Hoje – interrompeu ela – eu me recuso a acreditar que sejam de qualquer cor que não verde.

Jimin sorriu.

– Como queira.

Ela suspirou.

– Sempre tive tanta inveja de Yoongi... Acho um desperdício aqueles olhos tão lindos em um homem.

– Com certeza as jovens apaixonadas por ele discordariam disso.

Dany lançou-lhe um olhar divertido.

– Sim, mas elas não têm importância nenhuma, não é?

Jimin sentiu vontade de rir.

– Se você diz...

– Logo você vai aprender que eu tenho sempre razão – disse ela num tom brincalhão.

Desta vez ele riu. Não conseguiu segurar. Quando percebeu que ela estava em silêncio, acabou ficando sério, mas ela estava olhando para ele com carinho, com um sorriso nostálgico nos lábios.

– Isso foi bom – comentou ela, pondo a mão sobre a dele. – Quase como costumava ser, não acha?

Ele assentiu, virando a palma da mão para cima de forma a segurar a mão dela.

– Vamos voltar a ser como antes, não vamos? – perguntou Dany, um pouco apreensiva. – Vai ficar tudo exatamente igual, certo?

– Vai – concordou ele, embora não tivesse certeza. Eles poderiam se divertir juntos, mas talvez nunca fosse como costumava ser.

Ela sorriu, fechou os olhos e apoiou a cabeça no ombro dele.

– Que bom.

Jimin ficou olhando para o reflexo dos dois no espelho durante vários minutos. E quase acreditou que conseguiria fazê-la feliz.

 

≈≈≈

 

Na noite seguinte – a última de Dany como Srta. Bridgerton –, Jasmin bateu na porta de seu quarto.

Ela estava sentada na cama, com lembranças de infância espalhadas à sua frente, quando ouviu uma batida na porta.

– Pode entrar! – gritou.

Jasmin enfiou a cabeça pela porta com um sorriso constrangido no rosto.

– Dany – disse ela, parecendo desconfortável –, posso falar com você um instante?

Ela olhou para a mãe com preocupação.

– É claro.

Quando Jasmin entrou no quarto, Dany se levantou. O vestido amarelo da mãe combinava perfeitamente com seu tom de pele.

– Está tudo certo, mamãe? – perguntou ela. – Você não parece muito bem.

– Estou ótima. Eu só... – Jasmin pigarreou e se empertigou. – Acho que chegou a hora de termos uma conversa.

– Ahhhhhh – suspirou Dany, com o coração batendo forte de expectativa.

Estava esperando por aquilo. Todas as amigas haviam lhe dito que, um dia antes do casamento, a mãe de uma moça lhe contava todos os segredos da noite de núpcias. A noiva era, então, admitida no mundo feminino e ficava sabendo de todos os fatos pecaminosos e deliciosos que eram mantidos longe dos ouvidos das moças solteiras. Algumas das jovens próximas a ela já haviam se casado, é claro, e Dany e as amigas tinham tentado fazê-las revelar esses segredos proibidos, mas as jovens senhoras apenas riam, dizendo: “Vocês logo descobrirão.”

“Logo” havia se tornado “agora”, e Dany mal podia esperar.

Jasmin, por outro lado, parecia que ia vomitar a qualquer momento.

Dany apontou para sua cama.

– Gostaria de se sentar, mamãe?

A viscondessa assentiu distraidamente.

– Sim, sim, seria ótimo – falou, ocupando um espaço na ponta do colchão.

Ela não parecia muito confortável.

Dany resolveu ajudá-la e deu início à conversa.

– É sobre o casamento? – perguntou com delicadeza.

Jasmin fez um sinal afirmativo quase imperceptível com a cabeça.

Dany se esforçou para não transparecer a alegria que sentia.

– Sobre a noite de núpcias? – continuou.

Dessa vez, Jasmin só conseguiu mexer o queixo um centímetro para cima e outro para baixo.

– Eu realmente não sei como falar sobre isso com você. É muito constrangedor.

Dany tentou ter paciência. A mãe acabaria chegando ao ponto.

– Sabe – começou Jasmin, hesitante –, há coisas que você precisa saber. Coisas que vão acontecer amanhã à noite. Coisas – tossiu – que têm a ver com o seu marido.

Dany se inclinou para a frente, arregalando os olhos.

Jasmin recuou, claramente desconfortável com o interesse evidente da filha.

– Sabe, o seu marido... quer dizer, Jimin, é claro, já que ele será seu marido...

Como a mãe não deu mostras de que ia concluir o pensamento, Dany murmurou:

– Sim, Jimin será meu marido.

Jasmin soltou um gemido, sem conseguir encarar a filha.

– Isto é muito difícil para mim.

– Estou vendo – resmungou Dany.

Jasmin respirou fundo e se endireitou, como se estivesse se preparando para a tarefa mais desagradável do mundo.

– Na sua noite de núpcias – falou –, seu marido irá esperar que você cumpra os seus deveres conjugais.

Até aí, nada que Dany já não soubesse.

– Seu casamento terá que ser consumado.

– É claro – assentiu Dany.

– Ele irá se juntar a você na cama.

Ela fez que sim com a cabeça. Sabia disso também.

– E ele irá realizar algumas... – Jasmin ficou pensando na melhor forma de se expressar enquanto agitava as mãos no ar – intimidades com você.

Dany entreabriu os lábios e sua respiração curta era o único som no quarto. Finalmente aquilo estava ficando interessante.

– Estou aqui para lhe dizer – prosseguiu Jasmin, com a voz um pouco mais animada – que seus deveres conjugais não precisam ser desagradáveis.

Mas o que eram deveres conjugais?

O rosto de Jasmin estava vermelho.

– Sei que algumas mulheres consideram o... hã... ato... ruim, mas...

– É mesmo? – quis saber Dany, curiosa. – Então por que vejo tantas criadas saindo às escondidas com os lacaios?

Jasmin no mesmo instante assumiu uma postura de patroa ultrajada.

– Qual das criadas fez isso? – questionou.

– Não tente mudar de assunto – alertou Dany. – Esperei por esta conversa a semana toda.

Parte da fúria de sua mãe se foi.

– Esperou?

Dany fez uma cara de “o que você acha?”.

– Bem, é claro.

Jasmin deu um suspiro e murmurou:

– Está certo. Onde eu estava?

– A senhora dizia que algumas mulheres consideram os deveres conjugais desagradáveis.

– Ah, sim. Bem... Hã...

Dany olhou para as mãos da mãe e percebeu que ela já havia praticamente destruído um lenço.

– Só quero que você saiba – prosseguiu Jasmin, tropeçando nas palavras, desejando que aquela conversa terminasse logo – que não precisa ser nem um pouco desagradável. Se duas pessoas se gostam... e eu acredito que o duque gosta muito de você...

– E eu dele – interrompeu Dany com delicadeza.

– É claro. Sim. Bem, considerando que vocês dois se gostam, provavelmente será um momento encantador e muito especial. – Jasmin começou a alisar o vestido, estendendo a seda amarela sobre a colcha. – E você não deve ficar nervosa. Tenho certeza de que o duque será muito gentil.

Dany pensou no beijo ardente de Jimin. “Gentil” não parecia ser o caso.

– Mas...

Jasmin levantou-se num salto.

– Muito bem. Foi só isso que eu vim dizer. Tenha uma boa noite.

– É só isso?

Jasmin acelerou a caminho da porta.

– Hã, sim. – Encarou a filha com um olhar culpado. – Você estava esperando outra coisa?

– Estava! – Dany correu atrás da mãe e se atirou contra a porta para que ela não pudesse escapar. – Você não pode ir embora depois de me dizer só isso!

Jasmin olhou pela janela com um ar melancólico. Dany deu graças a Deus pelo fato de seu quarto ficar no segundo andar, senão não descartaria a possibilidade de a mãe tentar sair por ela.

– Dany... – falou Jasmin, com a voz engasgada.

– Mas o que eu devo fazer?

– O seu marido saberá – respondeu Jasmin de forma recatada.

– Não quero fazer papel de boba, mamãe.

Jasmin soltou um gemido.

– Você não vai fazer papel de boba. Confie em mim. Os homens são...

– São o quê, mamãe?

A essa altura, não só o rosto de Jasmin estava vermelho, mas também o pescoço e as orelhas.

– Os homens são fáceis de agradar – murmurou ela. – Ele não vai se decepcionar.

– Mas...

– Mas chega! – retrucou Jasmin com firmeza. – Eu já lhe disse tudo o que minha mãe me disse. Não seja uma boba nervosa e faça o possível para ter um filho.

Dany ficou boquiaberta.

– O quê?

Jasmin soltou uma risada nervosa.

– Eu me esqueci de mencionar a parte sobre o bebê?

– Mamãe!

– Muito bem. Os seus deveres conjugais... quer dizer, a consumação... é como se fazem os bebês.

Dany se apoiou na parede.

– Então a senhora fez isso oito vezes?

– Não!

Dany ficou confusa. As explicações da mãe estavam sendo vagas demais, e ela ainda não sabia exatamente o que eram os tais deveres conjugais, mas alguma coisa não estava batendo.

– Mas para ter oito filhos a senhora não teria que ter feito oito vezes?

Jasmin começou a se abanar furiosamente.

– Sim. Não! Dany, isso é muito pessoal.

– Mas como a senhora poderia ter tido oito filhos se...

– Eu fiz mais do que oito vezes – admitiu Jasmin em uma voz muito baixa, com uma expressão de quem queria atravessar a parede.

Dany encarou a mãe com incredulidade.

– Fez?

– Às vezes as pessoas só fazem porque gostam – explicou Jasmin, mal movendo os lábios e olhando para um ponto fixo no chão.

Day ficou perplexa.

– É mesmo? – perguntou ela, num sussurro.

– Hã... é.

– Como quando homens e mulheres se beijam?

– Sim, exatamente – concordou Jasmin, suspirando aliviada. – Muito parecido... – Ela estreitou os olhos. – Dany – falou, com a voz repentinamente estridente –, você beijou o duque?

Ela sentiu a pele assumir uma coloração semelhante à da mãe.

– Posso ter beijado – murmurou ela.

Jasmin sacudiu um dedo para a filha.

– Dany Bridgerton, eu não acredito que você tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas. A senhorita sabe muito bem o que eu lhe disse sobre permitir tais liberdades!

– Isso não tem nenhuma importância agora que estamos prestes a nos casar!

– Ainda assim... – suspirou Jasmin. – Bem, deixe para lá. Você tem razão. Não tem importância. Você está para casar, e ainda por cima com um duque. E se ele a beijou, bem, então isso era de esperar.

Dany apenas encarou a mãe com uma expressão incrédula. A fala nervosa e hesitante dela lhe era muito estranha.

– Então – anunciou Jasmin –, como não tem mais perguntas, vou deixá-la, hã – ela olhou distraidamente para as lembranças em que Dany estava remexendo –, continuar o que quer que estivesse fazendo.

– Mas eu tenho mais perguntas, sim!

Sua mãe, no entanto, já havia conseguido escapar.

E, por mais que quisesse aprender os segredos do ato conjugal, Dany não iria perseguir a mãe pelo corredor – à vista de toda a família e dos criados – para descobrir.

Além disso, a conversa com Jasmin suscitara diversas novas preocupações. Ela dissera que as obrigações matrimoniais eram um requisito para gerar bebês. Se Jimin não podia ter filhos, será que isso queria dizer que não era capaz de realizar as intimidades que a mãe havia mencionado?

E o que eram essas intimidades? Dany suspeitava que tivessem alguma coisa a ver com o ato de beijar, já que toda a sociedade parecia tão determinada a garantir que as jovens mantivessem os lábios puros e castos. E também, pensou, com as bochechas ficando rubras ao se lembrar do que havia acontecido nos jardins com Jimin, deviam ter a ver com os seios.

Dany suspirou. A mãe quase ordenara que não ficasse nervosa, mas era impossível. Principalmente quando se esperava que ela cumprisse seus deveres sem ter a menor ideia de como fazer isso.

E quanto a Jimin? Se ele não pudesse consumar o casamento, algum dia seria um casamento?

Tudo isso era mais que suficiente para deixar uma noiva muito apreensiva.

 

≈≈≈

 

No fim, foram os pequenos detalhes da cerimônia que Dany guardou na memória. Sua mãe chorava e Jungkook estava com a voz estranhamente rouca quando a entregou a Jimin. Luana atirou as pétalas de rosa rápido demais e não sobrou nenhuma para o momento em que Dany chegou ao altar. Taemin espirrou três vezes antes de começarem os votos nupciais.

Ela se lembrava também do olhar de concentração de Jimin na hora em que ele fez seus votos. Cada sílaba foi pronunciada devagar e com cuidado. Os olhos dele ardiam de desejo, e sua voz baixa era sincera. Para Dany, era como se nada no mundo pudesse ser tão importante como as palavras que ele falou quando os dois estavam diante do arcebispo.

Seu coração se confortou com isso. Nenhum homem que fazia os votos com tanta intensidade poderia ver o casamento como uma mera conveniência.

O que Deus uniu, o homem não separa.

Dany sentiu um arrepio percorrendo-lhe a espinha e deixando-a tonta. Em apenas um instante, ela pertenceria àquele homem para sempre.

Jimin virou levemente a cabeça para ela e a encarou. Você está bem?, perguntava seu olhar.

Ela assentiu com um movimento tão discreto da cabeça que apenas ele pôde notar. Algo brilhou nos olhos dele – seria alívio?

E agora eu vos declaro...

Taemin espirrou uma quarta vez, depois uma quinta e uma sexta, encobrindo por completo o “marido e mulher” do arcebispo. Dany sentiu uma risada subindo por sua garganta. Apertou os lábios, determinada a ficar adequadamente séria. Afinal, o casamento era uma instituição solene que não podia ser tratada como uma piada.

Ela virou a cabeça para Jimin e percebeu que ele a encarava com uma expressão divertida. Estava com os olhos azul-claros focados em sua boca e os cantos dos lábios dele de repente começaram a se retorcer.

Dany sentiu a risada ficar ainda mais difícil de segurar.

Pode beijar a noiva.

Jimin a agarrou com braços quase desesperados, encostando a boca nos lábios dela com tanto desejo que chegou a arrancar um suspiro coletivo do pequeno grupo de convidados.

Então os dois, ainda abraçados, explodiram em uma gargalhada.

Mais tarde, Jasmin disse que fora o beijo mais estranho que ela tivera o privilégio de testemunhar.

Quando parou de espirrar, Taemin disse que foi nojento.

O arcebispo, que já tinha uma idade bastante avançada, pareceu perplexo.

Mas Luana, que aos 10 anos não devia saber nada sobre beijos, ficou com uma expressão pensativa e depois disse:

– Acho que foi ótimo. Se eles estão rindo agora, provavelmente vão rir para sempre. – Virou-se para a mãe. – Isso não é bom?

Jasmin pegou a mão da filha caçula e a apertou.

– O riso é sempre uma coisa boa, Luana. E obrigada por nos lembrar disso.

E assim começaram os rumores de que o duque e a nova duquesa de Hastings eram o casal mais feliz e abençoado que aparecia em décadas. Afinal, quem conseguia se lembrar de outro casamento com tantas risadas?


Notas Finais


Obrigada por lerem, até o próximo🙂


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