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História O Duque e Eu (Jimin) - Capítulo 2


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Notas do Autor


aproveitem o capítulo!
me desculpem se houver algum erro.

Capítulo 2 - Capítulo 1


Os Bridgertons são, de longe, a família mais fértil da alta sociedade. Essa qualidade da viscondessa e do falecido visconde é admirável, embora se possa dizer que suas escolhas de nomes para os filhos sejam bastante infelizes. Jungkook, Seokjin, Yoongi, Dany, Hailey, Alice, Lucas e Luana. É claro que a organização é sempre algo benéfico, mas seria de esperar que pais inteligentes fossem capazes de manter os filhos na linha sem precisar escolher seus nomes em ordem alfabética.

Além disso, a visão da viscondessa e de todos os seus oito filhos num único ambiente é o bastante para que se ache que está vendo dobrado, ou triplicado, ou pior. Esta autora nunca tinha presenciado um grupo de irmãos tão absurdamente parecidos. Embora a autora não tenha memorizado as cores de seus olhos, todos os oito têm estruturas ósseas semelhantes e os mesmos cabelos grossos e castanhos. É lamentável que a viscondessa, que está atrás de bons casamentos para a prole, não tenha tido filhos mais elegantes. Ainda assim, há vantagens numa família de aparência tão consistente: não há dúvida de que todos são legítimos.

Ah, gentil leitor... Sua dedicada autora gostaria que fosse assim entre todas as grandes famílias...

Crônicas da sociedade de Lady Whistledown, 26 de abril de 1813.

 

 

– Aaaaaaaahhhhhhhhhh! – Jasmin Bridgerton amassou o jornal de apenas uma página numa bola e o atirou para o outro lado da elegante sala de estar.

Sua filha Dany foi sensata e não fez comentário algum. Fingiu estar concentrada em seu bordado.

– Você leu o que ela escreveu? – perguntou Jasmin. – Leu?

Dany olhou para a bola de papel, agora embaixo de uma mesa de canto de mogno.

– Não tive a oportunidade de ler antes de você, hã, terminar.

– Leia, então! – gritou ela, agitando o braço no ar de forma dramática. – Veja como aquela mulher nos difamou!

Dany largou calmamente o bordado e pegou o jornal amassado embaixo da mesinha. Esticou a folha no colo e leu o texto sobre a família. Piscou algumas vezes, depois ergueu o olhar.

– Não é tão ruim, mãe. Na verdade, é uma bênção comparado ao que ela escreveu sobre os Featheringtons na semana passada.

– Como posso conseguir um marido para você com essa mulher difamando seu nome?

Dany se obrigou a respirar fundo. Depois de quase duas temporadas em Londres, a simples menção da palavra “marido” era suficiente para fazer sua cabeça latejar. Ela queria se casar, de fato queria, e não estava sequer sonhando com um amor verdadeiro. Mas desejar um marido por quem tivesse ao menos um pouco de afeição era pedir muito?

Até então, quatro homens haviam pedido sua mão, mas quando pensara em viver o resto de seus dias na companhia de qualquer um deles, Dany simplesmente não conseguiu aceitar. Havia vários cavalheiros que ela acreditava que poderiam ser maridos razoáveis, mas o problema era que nenhum deles estava interessado nela. Ah, eles gostavam dela. Todo mundo gostava dela. Todos a achavam divertida, gentil e bem-humorada. Nenhum deles a considerava feia, mas também não ficavam hipnotizados por sua beleza, sem fala diante de sua presença, nem inspirados a compor poemas em sua homenagem.

Os homens – pensava ela com desagrado – estavam interessados apenas em mulheres que os amedrontavam. Ninguém parecia inclinado a cortejar alguém como ela. Todos a adoravam, ou ao menos era o que diziam, porque ela era muito simpática e parecia entendê-los.

Certa vez, um dos homens que Dany julgara que poderia ser um marido aceitável dissera: “Por deus, Dany, você não é como a maioria das mulheres. Você é absolutamente normal.” Ela poderia ter considerado isso um elogio, se ele não tivesse saído para correr atrás da beldade loira mais recente.

Dany olhou para baixo e percebeu que estava com o punho cerrado. Então ergueu os olhos e se deu conta de que a mãe a encarava, sem dúvida esperando que ela dissesse alguma coisa. Como já havia suspirado, Dany pigarreou e afirmou:

– Tenho certeza de que essa coluninha de Lady Whistledown não vai prejudicar minhas chances de encontrar um marido.

– Dany, já faz dois anos!

– E ela escreve há apenas três meses, de modo que não vejo como a culpa possa ser dela.

– Posso culpar quem eu quiser. – resmungou Jasmin.

As unhas de Dany feriram as palmas de suas mãos enquanto ela se esforçava para conter as palavras. Sabia que no fundo a mãe tinha apenas as melhores intenções, que a amava. E o amor era recíproco. Na verdade, até Dany chegar à idade de ser desposada, Jasmin com certeza havia sido a melhor das mães. Ainda era, quando não estava desesperada pelo fato de que, depois de Dany, tinha mais três filhas para casar.

Jasmin pousou delicadamente a mão no peito.

– Ela disse infâmias sobre sua linhagem.

– Não! – afirmou Dany, com certa cautela. Era sempre aconselhável ter cuidado ao contradizer a mãe. – Na verdade, o que ela disse foi que não poderia haver dúvida de que somos todos legítimos. Isso é mais do que se pode dizer da maioria das grandes famílias da sociedade.

– Ela não deveria sequer ter mencionado isso – falou Jasmin, torcendo o nariz.

– Mamãe, ela escreve um jornal sensacionalista. Faz parte do trabalho dela falar desse tipo de coisa.

– Ela nem sequer é uma pessoa de carne e osso. – acrescentou Jasmin, irritada. Pousou as mãos nos quadris estreitos, então mudou de ideia e sacudiu o dedo no ar. – Whistledown, rá! Nunca ouvi falar de nenhum Whistledown. Quem quer que seja essa mulher perversa, duvido que seja uma de nós. Como se alguém de berço fosse escrever mentiras tão ferinas...

– É claro que ela é uma de nós! – disse Dany, com ar divertido. – Se não fosse membro da sociedade, não teria conhecimento do tipo de notícia que dá. A senhora acha que ela é uma espécie de impostora, que espia através de janelas e escuta atrás de portas?

– Não estou gostando do seu tom, Dany Bridgerton – advertiu Jasmin, estreitando os olhos.

A jovem tentou conter uma risada. “Não estou gostando do seu tom” era a resposta padrão de sua mãe quando um dos filhos estava ganhando uma discussão.

Mas era muito divertido provocá-la.

– Eu não me surpreenderia – falou, virando a cabeça de lado – se Lady Whistledown fosse uma de suas amigas.

– Dobre a língua, Dany. Nenhuma amiga minha chegaria a um nível tão baixo.

– Muito bem. – admitiu – Provavelmente não é uma delas. Mas tenho certeza que é alguém que conhecemos. Nenhum intruso jamais conseguiria as informações que ela tem.

Jasmin cruzou os braços.

– Eu gostaria de acabar com ela de uma vez por todas.

– Se é isso que deseja, não deveria apoiá-la comprando o jornal. 

Dany não resistiu à observação.

– E de que isso me serviria? – questionou a mulher. – Todo mundo lê. Meu boicotezinho insignificante não faria nada além de me deixar com cara de boba quando todos estiverem rindo do último mexerico.

Isso era verdade, Dany pensou. A alta sociedade de Londres em peso lia as crônicas de Lady Whistledown. O misterioso jornal chegara à soleira da porta de todas as pessoas importantes da cidade três meses antes. Ao longo de duas semanas, fora entregue invariavelmente às segundas, quartas e sextas-feiras. E então, na terceira segunda-feira, quando os mordomos de todas as famílias de prestígio esperavam pelo entregador, descobriram que cada exemplar do periódico de fofocas estava sendo vendido pela exorbitante quantia de cinco pennies.

Dany sentia-se obrigada a admirar a inteligência da fictícia Lady Whistledown. Quando começou a cobrar pelas fofocas, toda a sociedade estava viciada. Todos entregavam suas moedas e, em algum lugar, uma mulher intrometida estava ficando muito rica.

Enquanto Jasmin andava de um lado para outro bufando por conta daquela “terrível ofensa” contra sua família, Dany deu uma olhada para ter certeza de que a mãe não estava prestando atenção nela e começou a ler o restante do jornal. O Whistledown – como a publicação passou a ser chamada – era uma curiosa mistura de comentários, notícias sociais, insultos mordazes e elogios ocasionais. O que o diferenciava de quaisquer outros periódicos do tipo era o fato de que a autora citava o nome completo das pessoas. Ninguém ficava camuflado por abreviações como lorde S. e Lady G. Quando Lady Whistledown queria escrever sobre alguém, dizia quem a pessoa era. A sociedade se declarava escandalizada, mas no íntimo estava fascinada.

O último número do Whistledown era uma edição típica. Além do pequeno artigo sobre os Bridgertons – que na verdade não passava de uma descrição da família –, a escritora relembrava os acontecimentos do baile da noite anterior. Dany não havia comparecido, porque fora aniversário de sua irmã mais nova e os Bridgertons davam muita importância para datas como essa. Com oito filhos, havia sempre muitos aniversários a serem celebrados.

– Você está lendo essa porcaria. – acusou Jasmin.

Dany ergueu o olhar, recusando-se a se sentir minimamente culpada.

– A coluna está muito boa hoje. Parece que Cecil Tumbley derrubou uma torre inteira de taças de champanhe ontem à noite.

– É mesmo? – perguntou sua mãe, tentando mostrar desinteresse.

– É. – disse Dany. – Ela faz um ótimo relato do baile Middlethorpe. Diz quem conversou com quem, o que todos estavam vestindo...

– E imagino que ela tenha sentido a necessidade de dar sua opinião a respeito de tudo isso. – interrompeu Jasmin.

Dany deu um sorriso travesso.

– Ah, por favor, mamãe. A senhora sabe que a Sra. Featherington sempre fica horrorosa de roxo.

Violet tentou não sorrir. Dany viu os cantos dos lábios da mãe se retorcerem enquanto ela tentava manter a compostura que considerava adequada a uma viscondessa na presença da filha. Mas, em dois segundos, estava sentada ao lado de Dany no sofá.

– Deixe-me ver isso. – disse ela, pegando o jornal. – O que mais aconteceu? Perdemos alguma coisa importante?

– Sinceramente, mamãe... – respondeu a jovem. – Com Lady Whistledown como repórter, não é necessário ir a nenhum evento. – apontou para a publicação. – Isso é quase tão bom quanto realmente ter estado lá. É provável que seja até mais satisfastório. Tenho certeza de que comemos melhor ontem do que os convidados do baile. E me devolva isso aqui. – agarrou o periódico de volta, deixando um canto rasgado na mão de Jasmin.

– Dany!

A menina fingiu indignação:

– Eu estava lendo.

– Ora!

– Ouça isto.

Jasmin inclinou-se para a frente e Dany começou a ler:

– “O libertino anteriormente conhecido como conde de Clyvedon finalmente decidiu agraciar Londres com sua presença. Embora ainda não tenha se dignado a comparecer a nenhum evento noturno respeitável, o novo duque de Hastings foi visto diversas vezes no White’s e uma vez no tattersall’s.” – Fez uma pausa para respirar. – “Sua alteza residiu no exterior por seis anos. Será coincidência que tenha retornado apenas agora que o velho duque está morto?” – Ela ergueu o olhar. – Minha nossa, ela é bem direta, não? Clyvedon não é amigo de Jungkook?

– É Hastings agora. – disse Jasmin automaticamente. – E, sim, acredito que ele e Jungkook tenham sido amigos em Oxford. Acho que em Eton também. – Franziu a testa e estreitou os olhos azuis, pensativa. – Ele era meio problemático, pelo que me lembro. Estava sempre em conflito com o pai. Mas tem fama de ser brilhante. Tenho quase certeza de que Jungkook falou que ele era o melhor da turma em matemática. O que – acrescentou dando uma revirada de olhos típica de mãe – é mais do que posso dizer de qualquer um dos meus filhos.

– Ai, mãe... – provocou Dany. – Não tenho nenhuma dúvida de que ficaria em primeiro lugar em oxford se aceitassem mulheres.

Jasmin riu.

– Eu corrigia seus trabalhos de aritmética quando sua professora ficava doente, Dany.

– Bem, talvez em história, então. – disse Dany, sorrindo. Voltou a olhar para o jornal em suas mãos, indo direto para o nome do novo duque. – Ele parece bem interessante. – murmurou.

Jasmin olhou para ela atentamente.

– Ele não é nem um pouco adequado para uma moça da sua idade, isso sim.

– É curioso que a senhora me ache jovem demais para conhecer os amigos de Jungkook e ao mesmo tempo tão velha que morre de medo de que eu jamais consiga um bom casamento.

– Dany Bridgerton, não estou...

– ... gostando do meu tom, eu sei. – a jovem sorriu. – Mas a senhora me ama.

Jasmin sorriu calorosamente e passou um braço sobre o ombro da filha.

– Isso é verdade, amo mesmo.

Dany deu um leve beliscão na bochecha da mãe.

– É a maldição da maternidade. A senhora precisa nos amar mesmo quando nós a irritamos.

Jasmin deu um suspiro.

– Espero que um dia você tenha filhos...

– ... exatamente como eu, eu sei. – Dany deu um sorriso melancólico e apoiou a cabeça no ombro de Jasmin. A mãe era questionadora em excesso e o pai se mostrara mais interessado em cães e caçadas do que em assuntos da alta sociedade, mas os dois haviam tido um casamento afetuoso, cheio de amor, alegria e filhos. – Eu poderia fazer coisas muito piores do que seguir seu exemplo, mamãe. – murmurou ela.

– Nossa, Dany! – falou Jasmin, com os olhos se enchendo de lágrimas. – Que coisa encantadora de se dizer.

A jovem enrolou um cacho dos cabelos castanhos no dedo, sorriu e transformou o momento sentimental em provocação.

– Ficarei feliz de seguir seus passos em relação a casamento e filhos, mamãe, desde que eu não precise dar à luz oito crianças.

 

≈≈≈

 

Naquele exato momento, Jimin Basset, o novo duque de Hastings – assunto da conversa de Jasmin e Dany –, estava sentado no White’s. Sua companhia era ninguém menos que Jungkook Bridgerton, o irmão mais velho de Dany. Os dois formavam uma dupla formidável, ambos altos e fortes, com cabelos escuros bem fartos. Mas enquanto os olhos de Jungkook eram castanhos-escuros como os da irmã, os de Jimin eram azul-claros, extraordinariamente penetrantes.

Tinham sido esses olhos, mais do que qualquer coisa, que haviam lhe conferido sua reputação de homem importante e influente. Quando encarava alguém com firmeza e determinação, a pessoa se sentia desconfortável se fosse homem e estremecia se fosse mulher.

Mas não Jungkook. Os dois se conheciam havia anos, e o rapaz apenas ria quando Jimin levantava uma sobrancelha e lançava seu olhar gelado para ele. – Nem tente. Já vi você com a cabeça enfiada num penico. – dissera-lhe Jungkook certa vez. – Desde então ficou difícil levá-lo a sério.

– Sim, mas, se não me falha a memória, era você quem estava me segurando sobre aquele receptáculo perfumado. – respondera o amigo.

– Um de meus melhores momentos, sem dúvida. Mas você teve sua vingança na noite seguinte, na forma de uma dúzia de enguias na minha cama.

Jimin se permitiu sorrir ao lembrar tanto o incidente quanto a conversa sobre ele. Jungkook era um bom amigo, exatamente do tipo com que um homem gostaria de contar em caso de necessidade. Havia sido a primeira pessoa que Jimin procurara ao retornar à Inglaterra.

– Que bom que você voltou, Clyvedon. – disse Jungkook depois que os dois se sentaram no White’s. – Ah, imagino que você prefira que eu lhe chame de Hastings agora.

– Não. – afirmou Jimin de forma categórica. – Hastings será sempre meu pai. Ele nunca atendeu por qualquer outro nome. – Fez uma pausa. – assumirei o título dele, se for obrigado a isso, mas não usarei seu nome.

– Se for obrigado a isso? – Jungkook arregalou os olhos. – A maioria dos homens não pareceria tão conformada diante da perspectiva de receber um ducado de herança.

Jimin passou a mão pelos cabelos escuros. Sabia que deveria cuidar de seu direito de nascença e exibir um orgulho incontestável pela história cheia de glórias da família Basset, mas a verdade era que tudo aquilo o deixava mal. Passara a vida inteira sem corresponder às expectativas do pai. Agora parecia ridículo tentar ficar à altura do nome dele.

– Esse título é um fardo maldito, isso sim. – resmungou ele por fim.

– É melhor você se acostumar. – disse Jungkook de forma pragmática. – Porque é como todos irão chamá-lo.

Jimin sabia que era verdade, mas duvidava que o nome algum dia lhe caísse bem.

– De qualquer forma – acrescentou Jungkook, respeitando a privacidade do amigo ao não insistir num tema que claramente o deixava desconfortável – , estou contente por ter você de volta. Talvez enfim tenha alguma paz da próxima vez que acompanhar minha irmã a um baile.

Jimin recostou-se e cruzou as pernas longas e musculosas.

– Que comentário intrigante.

Jungkook ergueu uma sobrancelha.

– Um comentário que você tem certeza que eu explicarei? – Mas é claro. – Eu deveria deixá-lo descobrir por si mesmo, mas nunca fui um homem cruel. 

Jimin riu.

– Diz o homem que enfiou minha cabeça num penico.

Jungkook descartou o comentário com um aceno.

– Eu era jovem – justificou-se.

– E agora é um exemplo de maturidade e decoro?

Jungkook sorriu.

– Isso mesmo.

– Então me diga – continuou Jimin – , como exatamente eu tornarei sua existência tão mais tranquila?

– Imagino que você esteja planejando assumir seu lugar na sociedade.

– Imaginou errado.

– Mas está pensando em ir ao baile de Lady Danbury, esta semana. – argumentou Jungkook.

– Apenas porque adoro aquela senhora. Ela diz o que pensa e... – Jimin semicerrou os olhos.

– E? – perguntou Jungkook.

Jimin balançou a cabeça.

– Nada. É só que ela foi muito gentil comigo quando eu era criança. Passei alguns feriados escolares na casa dela com Riverdale, seu sobrinho.

Jungkook assentiu.

– Sei. Então você não tem intenção de entrar para a sociedade. Estou impressionado com sua determinação. Mas deixe-me lhe dar um aviso: mesmo que não queira participar dos eventos sociais, elas vão encontrar você.

Jimin, que estava no meio de um gole de conhaque, engasgou com a tensão no rosto de Jungkook quando ele disse “elas”. Depois de alguns instantes tossindo, enfim conseguiu perguntar:

– Por favor me diga: quem são “elas”? Jungkook estremeceu.

– As mães.

– Como não tive uma, não sei se entendo o que quer dizer.

– As mães da sociedade, seu tolo. Aqueles dragões cuspidores de fogo que têm filhas em idade de casar, que Deus nos ajude. Você pode fugir, mas é impossível se esconder delas. E devo alertá-lo para o fato de que a minha é a pior de todas.

– Minha nossa... E eu pensando que a África era perigosa.

Jungkook lançou um olhar de pena ao amigo.

– Elas caçarão você. E, quando o encontrarem, você se verá preso a um diálogo com uma moça pálida toda vestida de branco que não consegue falar sobre nada além do clima, clubes de debutantes e fitas de cabelo.

Uma expressão animada tomou conta do rosto de Jimin.

– Suponho, então, que durante minha estada no exterior você tenha se tornado um cavalheiro elegível.

– Não por vontade própria, posso lhe garantir. Se dependesse de mim, eu fugiria de eventos sociais como o diabo foge da cruz. Mas minha irmã debutou ano passado e sou obrigado a acompanhá-la de vez em quando.

– Dany?

Jungkook olhou para o amigo, surpreso.

– Vocês já se conhecem?

– Não. – admitiu Jimin. – Mas me recordo das cartas que ela mandava para você na escola. E lembrei que era a quarta dos filhos, de modo que seu nome teria que começar com d, e...

– Ah, sim. – interrompeu Jungkook, revirando levemente os olhos. – O método Bridgerton de batizar os filhos. Uma garantia para que ninguém se esqueça de quem são eles.

Jimin riu.

– Funcionou, não foi?

– Escute, Jimin... – falou Jungkook de repente, inclinando-se para a frente.

– Prometi à minha mãe que jantaria na Casa Bridgerton esta semana, com a família. Por que não vai comigo?

O rapaz levantou uma sobrancelha.

– Você não acabou de me alertar sobre as mães da sociedade e suas filhas debutantes?

Jungkook riu.

– Farei com que minha mãe se comporte. E não se preocupe com Dany. Ela é a exceção que comprova a regra. Você gostará muito dela.

Jimin estreitou os olhos. Jungkook estava bancando o casamenteiro? Não tinha como dizer.

Como se lesse seus pensamentos, Jungkook riu.

– Meu Deus, você não acha que estou tentando juntar você e Dany, acha? Jimin não disse nada.

– Vocês nunca dariam certo. – completou. – Você é muito taciturno para o gosto dela.

O rapaz achou esse comentário estranho, mas em vez de falar sobre isso preferiu perguntar:

– Então ela recebeu alguma proposta?

– Algumas. – Jungkook bebeu o restante do conhaque e suspirou com satisfação. – Eu permiti que ela recusasse todas.

– Muito benevolente de sua parte.

O jovem deu de ombros.

– Talvez seja muito, hoje em dia, querer se casar por amor, mas não vejo por que ela não deva ser feliz com o marido. Recebemos propostas de um homem com idade para ser pai dela, de outro com idade para ser irmão mais novo do pai dela, de um que era arrogante demais na opinião de nosso barulhento clã, e esta semana, meu Deus, foi o pior!

– O que aconteceu? – perguntou Jimin, curioso.

Jungkook esfregou as têmporas.

– Este último era bastante agradável, mas de raciocínio meio lento. Era de esperar que depois dos nossos dias de libertinagem eu estaria completamente insensível...

– Mesmo? – perguntou Jimin com um sorriso diabólico. – Era de esperar?

Jungkook repreendeu-o com o olhar.

– Não gostei muito de partir o coração do pobre coitado.

– Hã, não foi Dany quem fez isso?

– Sim, mas fui eu quem deu a notícia a ele.

– Não há muitos homens que permitam às irmãs tamanha liberdade em relação a suas propostas de casamento – disse Jimin, baixinho.

Jungkook apenas deu de ombros novamente, como se não pudesse se imaginar tratando Dany de qualquer outra forma.

– Ela é uma boa irmã. É o mínimo que posso fazer.

– Mesmo que signifique levá-la ao Clube Almack’s? – desafiou Jimin. Jungkook resmungou.

– Mesmo assim.

– Eu o consolaria dizendo que tudo estará terminado em breve, mas você tem, o quê, outras três irmãs esperando para debutar? 

Jungkook se afundou na cadeira.

– Hailey daqui a dois anos e Alice daqui a três. Mas depois terei um pouco de paz até chegar a vez de Luana.

Jimin riu.

– Não invejo as suas responsabilidades nesse aspecto.

Mas, ao dizer isso, experimentou um desejo estranho e se perguntou como seria não se sentir tão sozinho no mundo. Não tinha planos de começar a própria família, mas quem sabe se tivesse uma, para início de conversa, sua vida não tivesse sido diferente.

– Então você irá comigo? – perguntou Jungkook, se levantando. – Será um jantar informal, é claro. Nunca fazemos refeições formais quando estamos apenas em família.

Jimin tinha muito a fazer nos dias seguintes, mas antes que pudesse lembrar a si mesmo que precisava se organizar, pegou-se dizendo:

– Eu adoraria.

– Ótimo. Nos encontramos na festa de Lady Danbury antes?

Jimin estremeceu.

– Não se eu puder evitar. Meu objetivo é entrar e sair em menos de meia hora. 

– Você realmente acha que vai conseguir ir à festa, cumprimentar Lady Danbury e ir embora? – perguntou Jungkook, erguendo uma sobrancelha. Jimin assentiu de forma contundente e direta.

Mas a gargalhada de Jungkook não foi muito reconfortante.


Notas Finais


eu sei q os nomes q eu escolhi não estão em ordem alfabética, mas como eu não quero mudar nada na história, finjam q estão.


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