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História O Elevador- Fanfic Camren - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Oiii genteeeee!!!! Como estão???

Eu estou fraca. Será que é gripe? Covid? Medo.

Aproveitem o capítulo!

Capítulo 23 - Capítulo Vinte e Dois


Karla Camila’s Point Of View

 

New York City- Segunda-feira 7:04am

21 de setembro de 2009

 

Sabe quando você acorda feliz, sem ao menos sonhar com algo, e nem sabe por quê? Pois é.

Talvez seja pelo final de semana incrível que eu tive, e que infelizmente tinha acabado, mas deixou boas lembranças.

Boas lembranças, estranhos sentimentos.

Algo tinha mudado entre mim e Michelle, disso eu tinha certeza. Mas...não era como se eu só a suportasse agora. Eu não sabia explicar. Talvez estivéssemos virando amigas. Isso seria bom.

-Dinah! – gritei, levantando os braços para ela que acabou de descer do carro.

Jesus, Dinah!

Eu contaria pra ela que estava virando amiga da sua inimiga? Não tinha pensado nisso.

-Chancho! – exclamou ao se aproximar, me dando um forte e caloroso abraço. – Por que não respondia minhas mensagens? Fiquei preocupada – disse, desfazendo o abraço e me olhando preocupada.

É verdade. Eu acabei me esquecendo de tudo e todos nesse final de semana. E devo confessar.....foi ótimo! As redes sociais às vezes são tão tóxicas, adorei ter ficado longe delas por dois dias.

-Ah...eu sei – concordei, balançando a cabeça lentamente.

Não pergunte por que.

Não pergunte por que.

Não pergunte por que.

-Por que? – merda. – O que aconteceu? Tiraram a internet? – chutou, me encarando enquanto íamos tomar café.

Demorei um pouquinho para responder, não sabia bem o que dizer. Tipo, eu só jogava....bem, então, virei amiga da menina que odiava.

Se bem que eu acho que não éramos amigas, né? Somente nos suportávamos agora. Não tem como virarmos amigas de repente. Certo?

-Não...eu fiz tanta coisa que nem deu tempo de mexer no celular – falei, soltando um risinho amedrontado.

-Porra, em dois dias? – aumentou um pouco a voz, com a expressão confusa. – Você estava sozinha....o que fez pra não ter tempo de responder a sua melhor amiga? – questionou, e não tive tempo de responder, pois ela logo emendou outra pergunta. – A não ser que....Você ficou sozinha? – semicerrou os olhos.

Chegamos no refeitório e ainda não estava cheio. Antes de responder Dinah, olhei pelo local procurando Michelle. Não tinha a visto quando acordei, ela já tinha saído. Não sei como acordava tão cedo. Também não a vi no pátio depois, nem no banheiro de baixo. E pelo jeito, também não estava no refeitório.

-Na verdade não – dei um sorriso de canto, ao sentarmos em uma mesa afastada.

-Ok, você fez outras amizades – DJ engoliu em seco, olhando para o chão e prosseguindo com voz de choro. – Por quem você vai me trocar?

Ri do seu drama. Por isso, e outras coisas, DJ e eu nos dávamos tão bem. Tínhamos o drama em comum.

-Não seja boba – dei um tapinha em seu braço, e ela limpou suas falsas lagrimas, me encarando.

Achei que começaria outro assunto, na verdade torci por isso, mas não aconteceu. Continuou sustentando meu olhar e dando a entender que era pra eu prosseguir.

Ok.

-Sabe que na verdade é bem engraçado – falei, rindo totalmente nervosa e encarando minhas unhas como se estivesse as admirando. – Então, foi a...

-Michelle – ouvi DJ suspirar.

O quê?

Como assim?

-Como você...- ergui meu olhar até ela, para perguntar como sabia, ou como era tão boa em adivinhar, mas ao ver que ela encarava um ponto mais longe, fiquei quieta.

Michelle.

E suas amigas.

Eu estranhamente fiquei feliz em vê-la. Quando eu digo estranhamente, é estranhamente mesmo.

Eu a odiava dias atrás. Eu a via e só tinha vontade de arrancar todos os seus pedaços. Como eu poderia simplesmente ficar feliz agora? Só por causa de um final de semana besta?

Deussssss, explique-me por que estou tão estranhaaaaaaa?????

-O que você estava falando? – ouvi DJ perguntar no fundo, porém não respondi. Estava concentrada em outra coisa.

O olhar de Michelle se conectou com o meu, e em poucos segundos eu acabei deixando escapar um sorrisinho. Ela demorou para retribuir, parecia pensativa, talvez...nervosa? Mas retribuiu. Retribuiu um sorriso mais fraco que o meu.

-Ah não...- Dinah murmurou e eu finalmente encarei-a, já que Michelle tinha quebrado nosso contato visual. – Michelle? – Dinah estava com uma expressão mista. Parecia confusa, com nojo, decepcionada....Não sabia dizer ao certo.

-Ela não é tão chata quanto pensei – suspirei, dando de ombros.

-Fala sério! Depois de tudo que ela me fez, depois de tudo que ela te fez....você simplesmente vai virar amiga dela? – abriu a boca surpresa com o que disse, e alterou um pouco a voz.

-Mas você mesma disse que aquele dia...ela quis me ajudar – justifiquei, ficando confusa com sua reação.

-Ai meu Deus, eu fui irônica! –ela riu, sem graça alguma. - É a Michelle, no que você estava pensando?

Não soube o que responder. Por que tudo isso? Era só....uma adolescente com problemas como qualquer outra.

-Você fala como se ela fosse uma vilã de novela – soltei um risinho, fazendo uma careta.

-E não é? – DJ rebateu, tentando não gritar.

Eu abri a boca surpresa, como assim vilã de novela? Pelo o amor de Deus, que exagero!

-Claro que não!- respondi, tentando pensar em um ótimo argumento. -Ela só tenta se proteger por trás das suas grosserias e travessuras.

Belo argumento, e bela verdade.

-E de repente você sabe tudo sobre ela? – arqueou uma sobrancelha, brava e debochada.

Sim, nesses dois dias eu, indiretamente, pude desvendar Michelle. Ela era chata, mas tinha uma razão para isso. E eu nunca se quer tentei pensar sobre seus movimentos. Não que ela estivesse certa também.

-Pelo o amor de Deus, por que você está agindo assim? – perguntei, estranhando isso tudo. Ok, sabia que ela não ficaria feliz, mas não que ela surtaria.

-Porque ela me machucou, Camila – disse desviando o olhar, respirando profundamente, e abaixando a voz. - Ela partiu meu coração. E eu não gosto da ideia de vocês se aproximarem.

Tentei pensar em algo para responder. Então....eu deveria ficar longe de Michelle? Não me aproximar? Mas....estava dando tudo quase certo.

-Talvez seja a chance de vocês se acertarem... – propus com um sorriso fraco, pegando sua mão para acariciar.

Ela ergueu o olhar lentamente, engolindo com dificuldade.

-Eu não quero me acertar com ela – falou depois de um tempo, retirando sua mão da minha.

Soltei um demorado suspiro. O que faria? O que poderia dizer para melhorar as coisas?

-Dinah, isso não significa que iremos ser melhores amigas, apenas que não nos odiamos como antes – tentei explicar, calmamente para que ela aceitasse. - Pelo menos eu acho – acrescentei, depois de parar para pensar se era isso mesmo. Não nos odiaríamos como antes, né?

Sua resposta não veio muito rápido. Ela parecia pensar, estava um pouco receosa, dava para notar.

-Você jura? – perguntou por fim, fazendo um beicinho.

-Juro – sorri, achando sua expressão fofa e engraçada.

-Desculpa por surtar – pediu, sorrindo fraquinho.

-Tudo bem, você já aguentou vários surtos meus – fiz uma careta lembrando de todos os meus surtos que Dinah aturou.

//

As aulas acabaram, mas o dia ainda não. Tentei falar com Michelle na aula de Biologia, única aula que temos juntas, mas ela acabou saindo da sala antes que eu pudesse conversar com ela.

Ela estava diferente. Depois de ontem, quando estava explicando o trabalho e...., ela voltou, fez sua parte, e ficou mais quieta. Sabe, ela não parecia me evitar, mas não fazia muita questão de falar comigo.

Será que voltaria tudo ao normal? Será que voltaria a me odiar por causa de suas amigas? Será que ela era esse tipo de pessoa?

Esperei até a aula de basquete para falar com ela. E quando chegou, fiquei animada esperando-a. Porém a única que vi foi sua amiga. Sozinha.

Não me surpreendi muito, pois ela matava várias vezes as atividades da tarde. Outro fato que eu estranhava bastante. Ninguém fazia nada?

Acabei ficando muito curiosa para saber onde ela ficava neste período. Inventei uma mentira para a professora, dizendo que não estava me sentindo muito bem, e ela deixou eu subir. Cheguei no quarto, esperando vê-la. Porém não. Não estava.

Onde ela poderia estar?

Pense, pense, pense.

Ah, claro! Como não pensei nisso antes?

Michelle tinha diversos livros na sua parte do guarda-roupa. Tipo, muitos mesmo. E também na aula, ela ou estava dormindo, ou lendo. Já tinha notado que ela era bem viciadinha na leitura. E uma viciadinha na leitura só pode estar na.....biblioteca!

Entrei em silencio, mas depressa. A biblioteca do colégio, assim como ele inteiro, era muito bonita. Extensa, com estantes enormes e com muitos livros variados. Já havia ido ali antes, e até fiquei lendo um pouco no local. Não era super viciada, mas gostava de ler.

Procurei Michelle nas salas que tinham do lado da porta de entrada, mas ela não estava. Então fui atrás dela pelas divisões das prateleiras. E adivinhem? Encontrei-a. Estava serena, parecendo em duvida sobre qual livro pegar. Alternava o olhar entre o Garota Exemplar e A rainha vermelha.

Pelo o amor de Deus...pegue A rainha vermelha!

Ela não notou quando me aproximei, então quis me aproveitar disso para assustá-la. E foi isso mesmo que fiz.

Cheguei de fininho atrás delas, segurando uma risada. Quando estava perto o bastante, falei em seu ouvido:

-Buu!

Sua reação não foi nada boa. Eu esperava um grito, ela se afastar, até mesmo um tapa. Mas o que ela fez, na verdade, foi de fato gritar e me empurrar. Por não esperar aquilo, e pelo desequilíbrio, acabei a puxando junto enquanto caía, trazendo-a pra cima de mim no chão.

Não sabia dizer se sua expressão assustada ainda era pelo susto ou se era por estarmos uma em cima da outra no chão frio da biblioteca.

Eu posso responder por mim, com certeza a segunda opção. Até eu tinha me assustado com o meu ato, mas também não me mexi para tirá-la dali. Digamos que eu estava ocupada admirando os seus olhos que me encaravam desta maneira e tão de perto.

Seus olhos.

Eu estava viciada.

Desci meu olhar até seu pescoço, quando a vi engolir com dificuldade, respirando cada vez mais descontroladamente. Olhei novamente em seus olhos e dei um sorrisinho, para tirar aquela tensão.

Tudo estava estranho. Parecia que só tinha a gente ali. E o fato mais engraçado é que nenhuma se mexia.

Quando voltei a ouvir os sussurros do local, que aparentemente eu tinha excluído, e ver que Michelle não ia falar nada, soltei para quebrar aquele silêncio:

-Então é aqui que você se esconde? – ri fraquinho, esperando ela se mexer.

Ela se mexeu, só demorou um pouquinho. Pensou mais um pouco, e “acordou” – que nem ontem – saindo de cima de mim e me ajudando a levantar.

-O que está fazendo aqui? Não deveria estar no basquete? – questionou com a testa franzida, depois de se afastar.

Oh Deus, que menina hipócrita!

-Você também – arqueei a sobrancelha, provocando-a. - E eu perguntei primeiro.

-Só estou pegando um livro – deu de ombros, apontando para a estante e voltando a me olhar, esperando minha resposta.

Seria estranho dizer que vim procurá-la, certo?

-Eu também, só vim pegar um livro – menti, pulando na estante e pegando qualquer um que estava ali, e sorrindo em seguida.

-Certo – assentiu, apesar de sua testa estar franzida.

Ah droga, Karla Camila! Você é uma péssima mentirosa.

-Se eu fosse você pegava A rainha vermelha – soltei, tentando não deixar o silêncio se instalar por muito tempo.

Pela sua expressão, ela não tinha entendido muito bem. Também, eu jogo assim as coisas, e não explico. Burra.

 -O qu...Ah, sim – concordou, depois de erguer o seu olhar até onde eu estava apontando, no caso a prateleira. - Estava me espionando? – semicerrou os olhos, sorrindo amarelo.

Arregalei os olhos, não gostando da ideia dela pensar que eu a espionava. Mentir, rápido. Não, eu não sou boa nisso. 

-Apenas curiosa para ver sua escolha – justifiquei, um pouco envergonhada.

Ela riu baixinho. E o silêncio que eu não queria se instalou, mas durou apenas 4 segundos.

-Por que essa escolha? – questionou.

Ora, porque era obvio!

-Bem, porque A rainha vermelha é....bonitinho – tentei formular uma boa resposta, mas isso foi o melhor que consegui. Ao ver sua expressão nada convencida, prossegui: - E Garota Exemplar mostra um casamento tão....complicado, eu não sei...

-Gosto de coisas complicadas – Michelle me interrompeu, sem muita reação, e pareceu se arrepender depois de dizer.

Não soube o que responder. E ela não disse mais nada.

Mais um pouco de silêncio.

-É...desculpa por te empurra , viu – disse, baixinho. - Não reajo muito bem a sustos.

-Eu percebi, e nunca mais vou fazer isso – ri concordando, também não reagia muito bem. -Desculpa pelo susto.

Ela assentiu, como se dissesse sem problemas, mas não disse.

Michelle era uma menina de poucas palavras. Na verdade, não. Ela falava bastante antes, gostava de me incomodar. Michelle tinha ficado uma menina de poucas palavras. A questão é....por quê?

Não consegui criar algum assunto. O silêncio quase veio novamente, porém a diretora Kate não o deixou chegar.

Espera, a diretora Kate?

-Meninas, que bom que estão aqui – curiosamente falou, se aproximando com um sorriso. - Precisamos ter uma conversinha.

Isso não é bom.  

//

Pois eu sabia que não era nada bom o assunto que a diretora queria falar com a gente.

Adivinhem só? Descobriram que era a gente que estava no jardim aquela noite. Aí, sinceramente? Não era nada tão grave, pra quê essa drama?

Ok, eu entendi que a diretora não gostava muito quando quebrávamos as regras, mas mesmo depois de termos explicado que apenas fomos pegar um ar, ela não cedeu. Vou resumir o que ela disse, para poupar vocês.

Conseguiram acessar as câmeras do jardim e nos viram nelas. Ela deu um discurso de 1 hora, só ela falando, sobre coisas ruins que acontecem quando as regras são quebradas. Deu diversos exemplos, contou várias histórias, e eu já estava de saco cheio.

Como já disse, tentamos explicar, mas ela disse que não poderia deixar passar em branco e que serviríamos de exemplo para os outros estudantes que não a obedecem. O que piorou mais um pouquinho foi que estávamos na biblioteca, enquanto deveríamos estar na aula de basquete. Então...estamos de castigo. E como castigo, teremos que lavar a louça do almoço e janta por 1 semana. Começando hoje.

Depois da janta, a diretora nos levou até a cozinha e falou, em particular, com Sandra, a cozinheira chef, e depois se retirou. Sandra nos mostrou o que deveríamos fazer, e acrescentou dizendo pra gente não quebrar nada, com um olhar bem intimidador.

Como já esperava, ela saiu do local, nos deixando com os diversos pratos em cima da pia. Quis chorar com essa visão? Com certeza. Que tristeza!

Olhei para Michelle e ela estava com a mesma expressão que eu. Devo dizer que fiquei bem surpresa com ela ser castigada também, já que parecia se livrar de tudo. Mas acho que não seria muito justo da parte da diretora castigas só eu.

-Melhor começarmos logo – disse, subindo as mangas da camisa e se aproximando da pia.

Eu suspirei profundamente, pensando em quanto tempo ficaríamos ali lavando aqueles pratos todos. Deus, quantos alunos!

-A morte seria melhor – reclamei, brincando e me aproximando também.

Ela arregalou os olhos.

-Você é dramática – disse rindo e exibindo seu piercing, que eu já tinha reparado antes, mas agora ele parecia incrivelmente bonito.

-Piercing bonito – falei, pensando alto demais. Por que eu fazia isso?

Michelle me olhou com a testa franzida, e eu tive que continuar.

-Seu piercing...é bonito – sorri amarelo, separando os pratos e os largando em outra pia. Se separássemos, iria mais rápido.

-Ah, valeu – deu um sorriso também amarelo, e encarou a pia.

Continuei a encarando e tentando decifrar o que ela estava pensando. Será que estava tentando fugir de mim hoje? Será que continuou falando mal de mim para as amigas? Será que sentia a mesma coisa estranha que eu? Será que queria ser minha amiga?

Queria lhe fazer todas essas perguntas, mas não acho que seria uma boa ideia.

-No que está pensando? – perguntou, ao ver que eu estava parada e olhando fixamente para ela.

-Tenho uma pergunta – respondi, saindo do meu transe e ver que ela já tinha começado a lavar os pratos. Devia fazer o mesmo.

-E qual seria? – questionou com uma careta, como se não queria saber qual era a pergunta.

E qual era a pergunta? Qual de todas as minhas duvidas eu poderia jogar para ela responder? Pensei um pouco, apenas alguns segundinhos.

-Quanto tempo você está aqui? – disse, ainda pensando. Sim, essa era uma das milhões de duvidas que eu tinha, mas não a maior delas. Porém, a única que tive coragem de fazer.

-Desde os meus nove anos – respondeu.

Uou, isso é tempo. Agora entendia ela nunca ser castigada. Mas ainda assim...é um pouco injusto.

 -Nossa – arregalei os olhos, não escondendo minha surpresa. – E por que veio tão cedo?

Ela encarou a parede em sua frente, pensando um pouco. Parecia não se lembrar por que veio cedo para cá, ou talvez mentiria. Acho que a primeira opção. 

-Minha mãe sempre colocou os estudos em primeiro lugar – explicou. – Disse que aqui eu teria uma melhor oportunidade, então me mandou pra cá.

Porra, mas com 9 anos?

Não quis questionar, mas confesso que não acreditei muito. Que mãe mandaria a filha para um colégio interno aos 9 anos? Seria a mãe de Michelle?

-E por que você fica nos finais de semana? – fiz mais uma das minhas dúvidas.

Dessa vez a resposta veio mais rápida.

-Minha mãe trabalha muito, sabe, até no sábado e domingo – contou, parecendo não se importar muito. – Então eu prefiro ficar aqui.

Ah, Michelle....

-E é só você e ela? – ela me acharia chata desse jeito, fazendo tantas perguntas.

-Sim, só eu e ela – balançou a cabeça positivamente.

Coitada. Só ela e a mãe, nem quis perguntar o que aconteceu com o pai. Pode ter morrido, ou abandonado elas, e nenhuma das opções eram agradáveis.

Então, era por isso que ela era assim. Tinha mágoas, problemas familiares. Mas a mãe deve ter um bom trabalho para sustentá-la naquele colégio, porém não deve ser presente. Pobre Michelle.

Não queria fazer mais perguntas, ela iria me achar insuportável de novo, mas precisava fazer a ultima.

-E...você fica desde o início? – juro que era a última.

-A Kate ficava no colégio no final de semana, e eu gostava dela. Preferia ficar com ela do que com minha famíl...mãe – sorriu fraco. – Para não atrapalhá-la, claro.

Certo. Sem mais perguntas ou ela me expulsaria dali. Já descobri o que queria saber. Já descobri Michelle. E confesso ter ficado triste por ela. Eu sabia bem o que era não ter a mãe presente. A diferença é que na minha infância Sinuhe era presente, enquanto a de Michelle nunca foi.

Refleti um pouco sobre sua situação, e a encarei de novo. Ela não demonstrava nada, não tinha expressão alguma. Será que tinha ficado triste por eu tocar nesse assunto.

Droga, Karla!

O que poderia fazer para animá-la?

Ah, já sei!

Larguei o prato que estava lavando e ensaboei bastante as mãos, fazendo espuma, e me aproximei dela.

-Ei – chamei, chegando perto. Assim que ela me olhou, levei minha mão espumada até o seu rosto, sujando-a.

Ela, primeiramente, abriu a boca totalmente surpresa.

-Você não fez isso! – exclamou, ainda chocada, e largou o seu prato.

Eu sabia que ela se vingaria, por isso me afastei dela rindo, na tentativa de fugir.

Ela nem limpou o que eu tinha feito, apenas afastou os cabelos e encheu um copo d’água.

-Ah não, Michelle! – reclamei, não acreditando que ela realmente jogaria aquilo em mim.

-Não queria brincar? – disse provocadora, arqueando as sobrancelhas, e se aproximando lentamente.

Eu tentei correr por aquela cozinha minúscula, mas ela foi mais rápida e me alcançou, segurando fortemente em minha cintura para eu não fugir, e disse:

-Tome! – me alcançou o copo d’água, e eu abri a boca desacreditada. Ela fez aquele suspense todo só para eu pensar que ela jogaria água em mim.

-Sério? – perguntei, rindo.

-É claro que não – riu também e virou, sem cerimônias, toda a água que tinha ali na minha cabeça.

Estremeci com a água gelada descendo pelo meu corpo.

Ela não fez isso!

-Eu vou te matar! – gritei tudo pausadamente, enquanto era a vez dela de fugir.

E então corri atrás dela. E ficamos assim por um bom tempo. Correndo uma trás da outra, se jogando água, espuma, rindo – principalmente quando eu caí- e foi....divertido. Até a Sandra chegar e nos xingar. Mas depois voltamos a rir, agora da cozinheira chef. 

Nunca pensei que lavar pratos seria tão divertido. Acho que quero fazer isso mais vezes.  


Notas Finais


Uhhh, uma amizade está nascendo aí?????

Até sexta, lindos e lindas! <3


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