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História O Elevador- Fanfic Camren - Capítulo 36


Escrita por:


Notas do Autor


Oiiiiii genteeeeeee!
Como estão?
Não sei o que dizer hoje....
Desculpem qualquer erro.
Boa leitura!!!!!!!

Capítulo 36 - Capítulo 35- O que aconteceu ontem?


Lauren Jauregui’s Point Of View

 

New York City- Segunda-feira 11:37pm

26 de agosto de 2019    

 

Quando Camila fechou a porta, eu pensei duas vezes se não deveria ir atrás dela e continuar nossa bela dança. Mas acho que já passei dos limites por hoje, então me limitei a fazer isso. Porém, me julgue quem quiser, mas eu não me arrependo nem um pouco do que fiz hoje. Sim, pode ser culpa da bebida e amanhã, talvez, quando eu acordar, vou estar me sentindo péssima e culpada, só que nesse momento eu não sinto nada além de um friozinho na barriga.

Sozinha na sala, e ainda de pé, acabei relembrando a cena de minutos atrás, quando dançava com Camila, quando nossas bocas estavam próximas, tão próximas que eu conseguia sentir o seu hálito, tão próximas para me fazer ficar com ódio por não ter cessado aquela distância.

Eu deveria ter beijado ela. Sim, porra, eu deveria.

Eu deveria ter impedido que ela saísse, já que eu sabia que ela queria tanto quanto eu. Apesar de fugir, eu vi o seu olhar sobre mim, eu senti sua respiração nervosa, e pude jurar ouvir o batimento rápido do seu coração. Camila, por que você tem que ser mais sensata do que eu?

Eu realmente não deveria continuar pensando nisso, eu errei, eu sou casada, mas eu não dou a mínima! Não agora. Como eu já disse, a bedida....

Fechei os olhos e quando os abri, senti que cairia. Por um lado, eu ter bebido foi ótimo, já que eu jamais teria tido aquela coragem sóbria, mas por outro, eu preciso ir embora, e nesse estado.

Olhei ao redor da sala, pensando que ainda faltavam coisas para fazer, mas eu faria amanhã. Estava adiantada mesmo, então não precisava me preocupar tanto. Me aproximei, devagar, da minha mesa, desligando o computador e organizando, de qualquer jeito, os milhares de papéis que tinham ali em cima.

Com tudo mais ou menos ok, vesti meu sobretudo e peguei minha bolsa – confesso que demorei para achá-la. Antes de sair, chequei as horas no celular, e vi que estava tarde para alguém que acorda às 5h. Também vi que tinham algumas mensagens novas de Sophia e revirei os olhos com isso. Ainda não tinha a respondido e nem pretendia. Também tinham mensagens da Taylor perguntando onde eu estava.

Merda! Só então eu me toquei que não tinha avisado ela que ficaria um pouquinho mais na empresa. Certo. Eu a respondo no carro.

Desliguei as luzes e caminhei pelo andar escuro, entrando no elevador e lembrando de Camila contar que achava que era um fantasma, logo quando eu a assustei sem querer. Ri com isso.

Chegando na entrada da empresa, e admito que foi complicado conseguir fazer isso, eu estava andando com dificuldade, mas quando consegui, dei de cara com o porteiro. Como era o seu nome...Caio? Eu não sei, sempre esqueço.

Achei que ele apenas me desejaria boa noite como sempre, mas ele estranhamente começou a me seguir enquanto eu caminhava até meu carro. Resolvi esperar ele dizer algo, mas após ele não tomar nenhuma iniciativa, e não parar de me seguir, fui obrigada a me virar bruscamente.

-Ok, por que está me seguindo? – perguntei com certa dificuldade. Estava cada vez mais complicado formular frases, eu preciso dormir.

O porteiro sorriu tímido e encarou o chão, para então me responder:

-Senhora, você está bem para dirigir? – ele estava sem jeito, mas sua voz era de preocupação.

-Por que eu deveria te responder isso, Caio? – respondi, direta e revirando os olhos.

Como assim eu estou bem para dirigir? É claro que eu estou!

-Carlos – corrigiu constrangido. - E desculpe, Mrs.Jauregui, mas vou chamar um táxi pra você – falou por fim, fazendo menção de pegar o celular para chamar um táxi.

-Não, você não vai... – juntei as sobrancelhas, rindo sem graça e o impedindo de fazer isso.

Ele acha que é meu pai, agora?

Nossa! Péssima comparação, Lauren.

Caio forçou um sorriso, mostrando que estava cada vez mais constrangido, mas não desistindo nem um pouco dessa ideia. Que saco, por que isso?!

-Eu preciso, Mrs.Jauregui, porq...

-Caio! – o impedi de continuar, não queria saber dos seus motivos e não precisava da sua preocupação.

-É Carlos – corrigiu baixinho novamente, agora soltando um suspiro.

-Que seja! – exclamei irritada, eu aprenderia seu nome quando estivesse sóbria. - É muito gentil da sua parte, nossa...estou me sentindo honrada – continuei, falando com um tom irônico e dando um sorriso falso no final.

-Mas é que... – ele tentou me interromper antes de eu conclui, porém não deixei. 

-Mas não é preciso, ok? – alterei a voz para ele não continuar, e após ele ficar quieto,continuei:- E olhe para mim, eu estou ótima! – exclamei, tentando dar um girinho, mas desistindo por estar tonta demais, então apenas fiz uma pose.

O porteiro olhou pra mim e eu vi nitidamente que queria rir, mas não fez isso. Apenas respirou fundo, esperando alguns segundos para ver se eu tinha mesmo terminado de falar.

-Ms.Cabello que pediu, Mrs.Jauregui – explicou, surpreendendo-me, obviamente. - E você não está ótima, é perigoso dirigir assim – cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha, mas eu nem liguei, tinha prestado atenção em outra coisa.  

-Ela pediu? – perguntei, não conseguindo evitar o sorriso que nasceu nos cantos dos meus lábios.

-O quê? Ms.Cabello? – questionou confuso, e eu prontamente assenti. - Sim, pediu sim.

Uau, ela se preocupa comigo. Por que isso significou tanto para mim?

Oh Lauren, sua bêbada idiota.

-E o que está esperando? – rebati, disfarçando um sorriso e adotando novamente minha postura séria.

-Pra...quê? – o homem novamente fez sua expressão confusa, me irritando com sua lerdeza.

-Pra chamar o maldito táxi – bufei irritada falando o óbvio e o deixando ainda mais confuso. 

-Mas.....você.... – ele gaguejou, mas eu nem o deixei continuar.

Grunhi entediada, ele não queria pedir o táxi? Então por que não faz isso logo?

-Peça a droga do táxi, Caio Carlos – bati os pés no chão, alterando um pouco a voz e o assustando por conta disso.

-Está bem, senhora – respondeu por fim, pegando seu celular nervoso e me provocando um sorrisinho.

-E fique sabendo que só vou entrar nele porque Ms.Cabello pediu – certifiquei,me aproximando dele para acariciar seu rosto. - Não foi pela sua insistência, seu...safadinho – ri no final, dando um leve tapa em sua face e o fazendo, claramente, forçar um sorriso.  

Caio Carlos chamou o táxi, que não demorou a chegar, e logo eu estava sendo colocada dentro do mesmo. Carlos me deu boa noite e eu respondi mostrando a língua, e então fechei a janela, vendo o motorista dar partida no carro. O motorista, aliás, era um senhorzinho simpático que puxava conversa, não percebendo que eu não estava muito a fim de conversar.

Quando ele perguntou para onde iríamos, eu dei o endereço dos meus pais, já que Amy estava com Taylor na casa deles. Não demoramos para chegar, e após ele estacionar na frente da enorme mansão, eu pedi para ele aguardar uns minutinhos que eu já voltaria, só iria pegar Amy. Ok, ele não sabe quem é a Amy, mas espero que ele aguarde.

O porteiro da mansão me deixou entrar e até mesmo me ajudou, já que eu estava caindo pelos cantos. Parando em frente à porta, toquei a campainha mais vezes do que o necessário, pois estava impaciente. Queria Amy logo para irmos para a casa dormir.

Depois de aguardar alguns segundos, uma figura feminina surgiu, enrolada em seu roupão e com aparência de quem estava dormindo.

Ops.

-Lauren? – Clara franziu o cenho, primeiro parecendo surpresa, depois irritada.  

-Mamãe! – exclamei sem ânimo algum, e soltei um suspiro demorado.

-O que está fazendo aqui? – perguntou, cruzando os braços e me encarando. - Já está tarde....

Nossa, e eu não sei disso?

Ah, para né.

Encarei-a incrédula, como assim o que eu vim fazer aqui? Eu hein.

-Ora, eu vim buscar....

Antes de responder, senti tudo girar lentamente e uma sensação de enjoo me atingiu. Ué,  por que de repente ficou tudo preto?

//

New York City- Terça-feira 6:41am

27 de agosto de 2019    

 

Acordei com um som de telefone tocando seguido por uma voz feminina, que o atendeu prontamente. Tive dificuldade para abrir os olhos totalmente, e isso que não tinha nenhuma claridade me atingindo, era simplesmente uma tremenda dor de cabeça e um enjoo terrível.

-Oh meu deus...minha cabeça – murmurei, ao abrir os olhos por completo e forçá-los a ficarem aberto. Na verdade, não foi tão difícil fazer isso depois de observar um enorme lustre no teto.

Espera....onde eu estava?

-Bom dia, Lauren – uma voz conhecida me assustou, automaticamente respondendo minha pergunta.

Levantei em um súbito movimento, arregalando os olhos e encarando Clara.

Que porra é essa? Por que eu vim parar aqui?

-O que eu estou fazendo aqui?  - perguntei, ainda assustada, olhando ao redor e vendo que eu estava na sala da mansão dos Jauregui’s.

-Eu que te pergunto – levantou uma sobrancelha, se aproximando com um sorriso.

Sua expressão era divertida, irônica como sempre. Mesmo parecendo um pouco confusa, não deixava de dar o seu belo falso sorriso.

Mas eu não estava nem aí pra ela.

-Aí meu...- fechei os olhos,suspirando e tocando na minha cabeça, que por sinal latejava bastante. -Que horas são? – perguntei, ao mesmo tempo em que tentava me lembrar que dia da semana era. Eu tinha que ir pra empresa, né?

-Quase 7h – respondeu, com um ar tedioso.

Mas puta que pariu mesmo! Quase 7h? Eu pego às 7h!

-O quê? – alterei um pouco a voz, levantando correndo e quase caindo ao fazer isso. - Eu preciso ir para a empresa! – disse, ainda alto, sentando de novo e procurando meus sapatos para colocar.  

-Não foi culpa minha, eu tentei te acordar – Clara ergueu as mãos mostrando que era inocente, e deu um risinho no final.

-Você me raptou? Michael me raptou? – questionei, ainda não lembrando de como eu fui parar ali. O que aconteceu ontem?- Para eu não trabalhar mais, ou sei lá, algo do tipo? – continuei, terminando de colocar meus saltos.

-Lauren, que imaginação é essa? – ela fez uma careta, dando um sorriso depois.

-Tem alguma outra explicação para eu acordar na casa de vocês? – repliquei, agora levantando para procurar meu casaco.

-Você que me deve explicações – ela também levantou, me seguindo.- Chegou aqui do nada ontem, tarde da noite.

Oh senhor, isso é sério? Do que ela estava falando? Até parece que eu iria ali do nada.

-Eu? – virei bruscamente, encarando-a atrás de mim e segurando uma risada irônica pela sua fala.

-Você! – exclamou.

Hum...ela não está brincando.

Ontem, ontem, ontem.

Lembre-se, Lauren, o que aconteceu ontem?

Certo, eu briguei com Michael. Eu briguei com Sophia. Ela deixou Amy comigo.....Ah não!

-Oh...meu Deus! – gritei, abrindo a boca e ficando completamente brava comigo mesma. - Amy! – exclamei, apesar de ter dito mais para mim.

Que droga! Eu deixei Amy com Taylor no meu apartamento. Por que eu vim pra cá? Como eu esqueci que ela estava lá?

Eu...bebi ontem?

-Quem diabos é Amy? – Clara perguntou com um tom de curiosidade, cruzando os braços e me encarando.

-Eu vim buscar, Amy – falei, tentando repassar na minha mente o que aconteceu depois de largar Amy no apartamento. - Aí...Taylor... – lembrei da minha irmã, que com certeza estava puta comigo uma hora dessas.

-Ah, agora sim você chegou aonde eu queria – a mulher disse, interrompendo meus pensamentos. -Onde está Taylor que disse que ia dormir com você e agora não atende minhas ligações? –questionou, deixando de lado sua ironia e adotando uma expressão brava.

-Ela ia...ela dormiu lá, na verdade – respondi, ainda nervosa, brava, e preocupada. - Ela estava cuidando de Amy...eu não... – não conseguia concluir uma frase porque não conseguia ao menos raciocinar.

-Lauren, quem é a droga da Amy? – Clara, pela primeira vez, alterou a voz, descruzando os braços e fechando os punhos.

-Minha afilhada, mãe! – esbravejei, encarando a mulher fixamente, também pela primeira vez. - Ela vai morar comigo a partir de agora já que a única pessoa que ela tinha morreu – prossegui.

Minha ideia não era contar a eles. Óbvio que não era. Mas........

-Então você é tipo...a mãe dela? – franziu a testa, parecendo raciocinar.

-Chame do que quiser, você não irá conhecê-la de qualquer forma – bufei, revirando os olhos e resolvendo continuar procurando meu casaco.

Merda! Eu só estou me atrasando mais.

-Como assim? – minha mãe esbravejou confusa. - É claro que irei conhecê-la! – exclamou, batendo o pé e voltando a me seguir.

Parei novamente para virar bruscamente e encará-la. Certo. Ela quer brigar, vamos brigar. Mas depois eu tenho uma empresa para administrar.  

-E por quê? – suspirei irritada. -Você nunca quis fazer parte da minha vida, não é agora que será diferente – apesar do meu tom bravo, não alterei muito a voz, isso só me dava mais dor de cabeça.

-Você nunca deixou, Lauren! – gritou furiosa, mas furiosa mesmo, e eu fechei os olhos ao sentir uma pontada lá no fundo da cabeça.

Certo. Eu nunca deixei? Mas que merda é essa agora? Ela quer mesmo que eu me sente aqui e detalhe a nossa relação desde o inicio? Desde quando ela me jogou numa porra de um colégio interno, que ok, eu tinha um parente lá, mas isso não muda praticamente nada?

-Aí Clara, eu preciso ir... – sussurrei, desistindo de brigar com ela.

Ah, eu adoraria jogar algumas verdades na cara dela. Mas não tenho tempo.

-Não, vamos conversar!- gritou, quando eu estava prestes a virar, já que tinha acabado de achar meu casaco. - Eu fiquei sabendo da conversa que teve com seu pai, e eu quero ter uma do mesmo estilo com você – continuou, sorrindo assim que eu a encarei.

Inferno. Inferno. Inferno.

Mil vezes inferno.

-Em outro momento, quem sabe – sorri também, e completei: - Agora eu preciso ir embora – ergui o relógio com a intenção de ressaltar que eu estava atrasada.

Me virei novamente, agora indo em direção à porta, onde o meu casaco estava pendurado. 

-Isso, vai! – é, ela não desistia mesmo. - Você sempre vai embora, você nunca quer conversar! – cada palavrinha atingia minha cabeça com força, mas quer saber? Foda-se!

-É sério? – gritei também, voltando a encará-la e quase a acertando, já que estava perto de mim. - Você vai jogar toda a culpa em mim? Por que você sempre faz isso? – perguntei, desacreditada com a sua maneira de resolver as coisas.

-Porque é a verdade! – disse alto. - Por que Chris não fugiu daqui que nem você?

Nossa, Clara. É sério? Me comparar com Chris?

-Ah, por favor!- soltei uma risada irônica, revirando os olhos. - Chris não tem pra onde ir, é um bêbado... – falei, só depois me tocando que ele morava ali e podia escutar, mas nem liguei pra isso.

-E você não é? – arqueou a sobrancelha, dando um sorriso de canto.

Ah fala sério! Ela estava falando de ontem? Só porque cheguei na sua casa bêbada não significa que eu SOU bêbada, que eu FICO bêbada todos os dias que nem Chris.

-Eu bebi ontem, ele bebe todos os dias, não tem nem comparação – respondi diretamente, soltando um risinho para a sua tentativa de me provocar.

-E Taylor, por que ainda está aqui? – continuou, provavelmente tentando me fazer perceber que eu era uma péssima filha. Bem, ela não estava conseguindo.

-Taylor é jovem... – murmurei, cansada daquilo.

-Você também era quando fugiu de nós – rebateu prontamente.

Mas que chata! Que saco! Que ódio!

Eu não tenho tempo pra ficar discutindo, ela ainda não entendeu?

-Está bem, Clara – respondi, soltando um longo suspiro e ficando em silêncio por poucos segundos. - Sinto muito por ser a única que não aguentou vocês por muito tempo – continuei, agora sincera e a vi respirar profundamente. - Agora, com licença que eu tenho mais o que fazer – conclui.

Chega daquilo!

Nem esperei sua resposta, me virei de vez para capturar o meu casaco atrás da porta e depois abrir a mesma. 

-Você parece o seu pai, às vezes – a ouvi dizer por último, antes de eu fechar a porta com força.

//

O táxi parou em frente ao meu apartamento e eu logo paguei, saindo correndo como se fosse adiantar alguma coisa. Eu já estava atrasada. E eu deveria dar o exemplo. Isso era péssimo!

Sem demora, capturei minhas chaves para abrir a porta do que eu chamava de lar. Ao fazer isso, encarei uma Taylor com uma expressão nada boa, sentada no sofá com uma xícara na mão.

Ela me encarou quando entrei, sem dar nenhum sorriso ou mostrar qualquer outra reação. 

-Tay...me desculpa... –murmurei, vendo-a deixar a xícara na mesinha e se levantar lentamente.

-Lauren, é sério? – ergueu uma sobrancelha, se aproximando de mim com os braços cruzados.Uh, ela estava mesma irritada. - A garota estava chorando, demorou pra dormir, queria você... – contou, mas eu achei melhor a interromper. Outra briga não. Não agora.

-Eu sei, eu sei – concordei, me sentindo péssima. - Eu sinto muito, eu...

-Você podia ter ao menos me avisado – ela me interrompeu dessa vez, dizendo com um tom baixo, mas ainda irritado.

-E eu ia, mas eu bebi e....acabei esquecendo – confessei, mas ao ver sua reação, me arrependi, pensando em por que eu não falei que, sei lá, dormi sem querer na empresa?

-Oh Deus, você bebeu? – abriu a boca surpresa, ao mesmo tempo que fazia uma careta.

-Tay... – sussurrei, quase a deixando falar sozinha por estar atrasada, mas não podia fazer isso. Era minha irmãzinha, não minha mãe desnaturada.

-Estava bebendo enquanto eu cuidava da menina? – continuou, ainda parecendo desacreditada, magoada, irritada. - Lauren, você disse que só terminaria umas tarefas e voltaria, não precisava mentir – disse, bufando no final e seguindo para voltar para o sofá.

-Eu não menti! – exclamei enquanto a seguia. - Eu acabei tomando uns drinks a mais e fui parar na sua casa – expliquei, mas felizmente a fiz parar de andar e virar novamente para me encarar.

-Na minha.... – murmurou, juntando suas sobrancelhas e não completando a frase. -O que foi fazer lá? – perguntou, com uma careta, totalmente sem entender.

-Eu não sei! – alterei a voz desnecessariamente. - Acho que pensei que Amy estava lá, eu não lembro muito bem... – falei o pouco que eu me lembrava, a fazendo semicerrar os olhos para me analisar.

-E você dormiu lá?- questionou, a voz agora parecia mais calma.

-Sim – concordei depressa, e prossegui: - Acho que apaguei lá sem querer – não lembro ao certo como cheguei lá e o momento exato que eu apaguei, mas eu com certeza não dormi lá por escolha própria. Mesmo bêbada, esse é o tipo de coisa que eu nunca faria.

O silêncio se fez presente. Graças a Deus, apenas por alguns segundinhos.

-Eu estou muito puta com você – disse, cruzando os braços de novo e suspirando irritada.

-E com toda a razão – fiz uma careta, dando um sorriso arriscado e esperando por alguma reação, que não veio, então eu continuei:- Me desculpa mesmo, Tay – fiz um beicinho e pisquei meus olhos diversas vezes, tentando a convencer.

Ela me encarou por alguns segundos, mas como eu já imaginava, soltou um suspiro e descruzou os braços.

-Tudo bem, dessa vez eu desculpo – falou por fim, revirando os olhos e me fazendo sorrir vitoriosa e feliz.  

Sim, minha irmã é incrível.

-Amy está dormindo? – perguntei, abaixando para retirar os meus sapatos e os jogar em algum canto do apartamento.

-Não, já deixei ela prontinha olhando vídeo lá no seu quarto – avisou Tay, me fazendo suspirar grata por não ter que demorar mais ainda ao aprontar Amy.

-Ah, você é perfeita! – exclamei, andando devagar até o meu quarto enquanto continuava conversando com ela. - Vou tomar um banho pra ir para a empresa, se quiser já pode ir – falei, tirando agora o meu sobretudo e jogando, também, em algum canto. - E obrigada por cuidar de Amy, fico te devendo essa – finalizei, sorrindo realmente agradecida.

-Vou cobrar – Taylor piscou, sorrindo também.

Ri e segui mais rápido até o meu quarto, mas voltei ao lembrar que ainda precisava de mais um favorzinho.

-Ei, Tay...- chamei, voltando a encará-la. -Você pode avisar a Camila que hoje eu me atrasei, mas daqui a pouco eu já chego? – pedi, com um sorrisinho sem graça.

-Você não tem o número dela? – Tay franziu a testa, parecendo estranhar isso.

É verdade. Por que eu não tinha o número dela?

-Ainda não – suspirei, respondendo com um sorriso de canto e um tom sugestivo demais, e fazendo Tay arquear as sobrancelhas, parecendo surpresa.

Ops. Hora de fugir dali.  

//

10:09am

Assim que parei na entrada da empresa, o porteiro me recebeu de um jeito estranho. Parecia querer rir, mas ao mesmo tempo se mostrava tímido e respeitoso. Ué? Gente estranha. Nem liguei, corri meio atrapalhada segurando a mão de Amy até o hall de entrada e recebi olhares curiosos sobre mim, mas alguns sorrisos também. Nem me dei o trabalho de retribuir algo, eles perceberam que eu estava atrasada, então....

Entrei no elevador batendo o pé e apertando os botões com força, como se isso fosse fazer a caixa de metal subir mais depressa. Observei que Amy observava cada coisinha que eu fazia, mas não sabia dizer o que ela estava pensando. No caminho, conversamos sobre a sua noite com Taylor. Ela disse que se deram bem, eu fico feliz por isso.

Finalmente, o elevador parou em meu andar, e assim que as portas se abriram, Amy saiu correndo.

-Amiga Camila! – ela gritou enquanto ia até os braços de Camila, que estava nitidamente surpresa/ assustada, mas não deixou de retribuir.

Me aproximei aos poucos, parando na frente delas e esquecendo completamente  que estava atrasada, apenas queria observar aquela linda cena.

-Amiga Amy! –ela exclamou, apertando a pequena com força e depois se separando. - Que bom te ver novamente – disse, agora encarando Amy.

-Sim, eu fiquei feliz quando a Lolo disse que viríamos para a empresa – Amy concordou, sorrindo de orelha a orelha.

-Ah, eu também estou muito feliz – falou Camila, e então parou de observar Amy para direcionar o seu olhar até mim. - Bom dia, Mrs.Jauregui – cumprimentou, seu olhar era doce e seu sorriso um pouco tímido.

E foi neste momento que eu percebi. Que eu me lembrei. Que eu tentei não pensar até agora, mas encarando os seus olhos assim, tão profundamente, flashbacks da noite passada me atingiram com força.

Oh Deus!Eu bebi com ela ontem! A dança! Eu quase a beijei! Como eu me esqueci disso, mesmo que por algumas horas?

-B-bom dia, Ms.Cabello – gaguejei, e ao perceber que fiz isso coloquei a mão na boca. - Desculpe o atraso, eu...

-Não precisa explicar, senhora – ela sorriu, interrompendo-me antes que eu explicasse o motivo do atraso, que bem...ela já sabia. - Eu meio que entendo – deu de ombros, agora curvando o seu sorriso e me fazendo abrir um sorrisinho.

Senhor, o que eu faria? Eu falo com ela? Sobre ontem? Ou sei lá, finjo demência?

Eu não deveria me sentir culpada, deveria? Eu não fiz nada muito errado, eu apenas dancei com minha secretária e quase a beijei, mas e daí? Eu só estava alterada.

Não. A Lauren sóbria não faria isso. Claro que não faria. Nunquinha.

Eu não traí minha esposa. Isso aí, não traí Sophia. Mas ainda tava puta com ela.

Bem...mas eu devia esclarecer as coisas com a mulher na minha frente, certo?

-Sobre ontem... – murmurei com a intenção de me desculpar, deixar as coisas explicadas, dizer para apenas esquecermos do que aconteceu. Mas....simplesmente não saiu. -Eu não fiz algo de errado, fiz? – perguntei sonsa, fazendo uma careta e forçando uma expressão de quem tentava se lembrar de algo, quando na verdade, minha mente era ocupada por imagens da noite anterior.

Esqueça, Lauren.

Ms.Cabello, que estava me encarando atenta e nervosa desde o momento em que eu toquei no assunto de ontem, agora fechou os olhos e soltou um suspiro.

-Oh...você não se lembra? – perguntou baixinho, ainda de olhos fechados.

Aí na moral, desisto de mim. Eu devia ser adulta. Apenas me desculpar. Não era difícil. Sei lá, só dizer “esqueça ontem”. Nem foi grande coisa. Mas eu estaria mentindo para mim, pois apesar de repetir que “não foi grande coisa”, minha mente e meu corpo discordavam.

-Não – neguei prontamente, afastando meus pensamentos.

Ela abriu os olhos lentamente. Quando nossos olhares voltaram a se conectar, percebi que ela parecia um pouco aliviada e um pouco decepcionada.

O que você prefere, Camila?

-De nada? – perguntou, forçando um sorriso desajeitado.

Minha sorte é não ser uma péssima mentirosa que nem ela.

-Nadinha – falei, novamente rápido, e ainda balancei a cabeça negativamente. - Eu fiz? – questionei, arqueando uma sobrancelha enquanto a encarava fixamente.

Por favor, diga que eu fiz. Diga o que aconteceu ontem. Ou talvez não. Não. Talvez seja melhor não dizer nada. Negue, Camila, negue.

-Algo de errado? – ela engoliu em seco, mordendo o lábio e me encarando hesitante. Eu concordei ao ver que ela não sabia o que responder. - Não, é claro que não – negou por último, desistindo ao suspirar pesado.

-Isso é bom – forcei um sorriso, não sabendo se era bom ela ter negado ou se era bom eu “supostamente” não ter feito nada.

Ela concordou com a cabeça, mas a decepção ainda estava no seu olhar. Será que ela queria que eu lembrasse? Será que ela acordou pensando no que eu diria hoje? Ou no que ela falaria? Quem começaria a conversa? Será que ela pensou em mim? Em ontem?

Um silêncio se instalou, enquanto eu sentia todas essas perguntas martelarem a minha cabeça. Mas é claro que o silêncio não permaneceu por muito tempo, afinal tínhamos uma criança ali.

-O que aconteceu ontem? – Amy perguntou com um tom curioso, me surpreendendo já que eu me esqueci por um segundo que ela estava ali.

-N-nada, Amy querida – neguei, gaguejando de novo e me irritando por isso. Vi que Camila deu uma risadinha. Deus, por que não parou de gaguejar?

-Então por que vocês estão....nervosas? – Amy rebateu, levantando uma sobrancelha e escondendo um sorrisinho no canto dos lábios.

Nossa, não éramos nem um pouco discretas. Ou talvez Amy seja esperta demais. Segunda opção.

-Amorzinho, o que acha de ir na mesa da Camila roubar algumas folhas dela pra você desenhar? – puxei a pequena pela mão, apertando levemente suas bochechas e sugerindo para ela.

-Ei! – ouvi o gritinho de Camila no fundo e acabei dando um sorriso por isso.

-Ótima ideia! – Amy exclamou super animada, dando uns dois pulinhos e correndo até a mesa de Ms.Cabello, que observava tudo com uma sobrancelha arqueada e braços cruzados, fingindo estar brava.

Sorri vendo isso e esperei ela direcionar o seu olhar novamente para mim, e quando finalmente fez isso, pedi:

-Ms.Cabello, eu sei que você não é babá, mas eu tenho uma vídeo conferência em 15 minutos, então você pode cuidar dela só um pouquinho?

Não gostava de pedir isso pra Camila, pois não era sua função, mas era realmente necessário. Eu até pensei em pedir pra Taylor, mas eu acho que ela me mataria. Na verdade, acho que Clara me mataria.

Ah, Clara. E sua vontade de conversar. Mais isso pra me preocupar. Ás vezes eu gostaria que as pessoas desaparecessem. Bem, quase todas.

-Com muito prazer – Camila concordou, tão animada quanto Amy, o que me fez questionar a sua idade.

-Me salvou novamente – ri da sua animação, mas também soltei um suspiro aliviada. -Cuide bem da sua criança, ela nem dá muito trabalho – fiz uma careta, falando por último e já pronta para ir até minha sala.

-Você ouviu? – vi Amy perguntar para Camila com os olhinhos brilhando, e a outra mulher concordar do mesmo jeito, segurando um sorrisinho.

Franzi o cenho, observando aquela troca de olhares entre as duas totalmente confusa.

Ué? Ouviu o quê?

Camila finalmente me encarou, ainda do mesmo jeitinho e agora com o seu sorriso de canto, e então pergunto:

-Então Amy é minha criança?

Oh...eu acho que....falei isso muito espontaneamente.

Querida Lauren, às vezes você deve fechar a boca.

-Sim, eu sou! – Amy exclamou, erguendo os braços completamente feliz e provocando uma risada em Camila.

Me permiti relaxar e rir daquilo também. Sim, elas tinham se dado bem e Amy parecia ter gostado mesmo de Camila, então sim, era sua criança. Não tinha absolutamente nada de estranho em dizer isso.

Parei de rir vendo que Camila também fazia o mesmo, voltando a me encarar à espera da minha resposta.

-Sim, Amy é sua criança – afirmei, vendo um lindo sorriso se formar em seu rosto, e no meu automaticamente também, porém achei melhor acrescentar: -Mas minha também – finalizei, observando-a morder levemente os lábios e disse pra mim mesma que era hora de partir.

Trabalho, Lauren, foca-se no trabalho.

Dei as costas, seguindo em direção à minha sala e decidida a excluir qualquer detalhezinho de Camila que tentava invadir minha mente. O que eu estava pensando? Deixar uma noite de whisky e dança influenciar meus sentimentos? Por favor....que sentimentos?!

Sim, é óbvio que seria dificílimo esquecer e fingir que nada aconteceu ontem. Mas eu teria que me esforçar.

Começando....agora. 


Notas Finais


E aí, como vai ser daqui pra frente?
Lauren vai conseguir esquecer?
.......
Até sextaaaaaaaaa!!!!


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