História O encaixe perfeito - Capítulo 9


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Notas do Autor


oooii gente! queria dizer antes de tudo que eu AMEI escrever esse capítulo, então espero que vocês gostem rs. relevem os errinhos, e boa leituraa S2S2

Capítulo 9 - Beijei seu sorriso


Fanfic / Fanfiction O encaixe perfeito - Capítulo 9 - Beijei seu sorriso

THALI

 Eu não sabia que seria tão difícil passar CINCO dias inteirinhos sem beijar a Gabie. Eu tava quase que enlouquecendo, e ela sabia disso e usava isso em seu favor.

 O quê me tirava do sério.

 Tudo para não pagar nosso segundo encontro.

 A semana passou lenta e torturante, até que finalmente Sexta-feira chegou. Eu e o Rafa conversávamos animados na sala onde eu edito os vídeos do canal, enquanto Gabie estava na nossa sala de reuniões escrevendo o roteiro para o próximo vídeo.

 Eu já tinha tudo preparado para o dia seguinte. Reservei nossa mesa num restaurante que eu sei que a Gabie ama, e depois teria ainda mais uma surpresa depois do nosso jantar.

 - Thali! Você me ouviu? – Rafael chamou minha atenção, e acordei da minha bolha particular.

 - oi? Perdão, tava viajando.

 - eu perguntei por quê você anda tão diferente!

 -  eu? Diferente?

 - sim, boba. – Rafa se aproximou de mim. – e aquela sua paixonite pela Gabie? Já passou?

 Por um instante, eu não soube o quê responder.

- aquilo? – olhei em volta. Eu poderia dizer que sim, já passou, mas o combinado meu e da Gabie era fingirmos não estarmos juntas, mas ainda gostarmos uma da outra em segredo. – não, acho que nunca vai passar Rafa. Eu meio que já me acostumei com isso, entendes? E tá tudo bem.

 - que bom amiga. – ele disse, com um olhar afetuoso. – eu pensei que estaria mais difícil para você, sabes.

 - difícil? Por quê?

 - ah, por que você e a Gabie parecem mais unidas do quê nunca. Vocês não se desgrudam nem por um segundo direito.

 - ah, eu gosto. – sorri boba.

 - certo... – ele falou. – bom, eu tenho uma boa notícia.

 - me conta.

 - eu arranjei ingressos para aquela balada que a gente tava vendo. Sabes? Aquela que é quase um rim para entrar?

 - sei! – me animei. – sério? Rafa, isso é incrível!

 - sim, sim, eu sei. – ele disse, todo cheio de si.

 - e quando que nós vamos? – perguntei.

 - amanhã!

 Murchei na hora.

 - eita Rafola, amanhã eu tenho um compromisso importante.

 - poxa! – o moreno olhou para baixo, meio decepcionado também. – mas nem tipo, de madrugada?

 Pensei no que na minha programação pós-jantar com a Gabie. 

 - nem.

 - que saco. Então eu vou ver se consigo trocar para outro dia, ok? – falou, já pegando o celular. – um dia em que os três possam.

 - a Gabie não vai poder também? – banquei a desentendida.

 - não, ela disse que ia... – ele me encarou, meio relutante. – que ia sair com alguém.

 Subitamente me senti muito mal por estar mentindo descaradamente para o Rafa. Ele todo preocupado em me revelar sobre o suposto encontro da Gabie, sem saber que eu sou a pessoa com quem ela vai sair. É como se estivéssemos excluindo ele de alguma coisa muito importante, e isso é péssimo. Rafola é o nosso melhor amigo, e tenho certeza que ele ficaria super feliz de saber que nós estamos juntas.

 - tudo bem? – ele me tirou de meus próprios pensamentos.

 - tudo. – me apressei em voltar ao normal. – Rafa, posso te contar uma coisa?

 - claro. – ele se ajeitou na cadeira.

 E então uma ideia genial me surgiu. G e n i a l, galera.

 - então... Meio que eu e a Gabie estamos ficando. – falei na lata.

 Ele me encarou por alguns segundos, sem reação.

- O QUÊ? – gritou de repente, me fazendo dar um pulo na cadeira.

- aí meu, que susto velho! – coloquei minha mão no peito para acalmar meu coração.

- Thali, isso é incrível! – ele se levantou e me puxou para um abraço de urso. O abracei de volta, e senti meus pés descolarem do chão.

 - sim, eu sei! – falei, contagiada pela sua animação.

 Ele me colocou no chão novamente, e era só sorriso.

 - então é com você que ela vai sair? Esse é o teu compromisso importante?

 - sim! – sorri sem graça. – eu vou ter o meu primeiro encontro com Gabriela Fernandes, a mulher dos meus sonhos.

 - cara, eu tô tão feliz por vocês! Me conta como aconteceu! E desde quando!??

 Animada, me coloquei a narrar a história de como eu e Gabie nos beijamos pela primeira vez para ele, que ouvia tudo atentamente, com o queixo meio caído e um sorrisão no rosto.

 - cara, como vocês conseguiram esconder tão bem isso de mim? – ele se perguntou.

 - ah querido. Atrizes né meu anjão!

 Rimos.

 - tá Rafola, agora cê vai ter que me ajudar.

 - diga.

 - eu e a Gabie temos um desafio, sabes. – expliquei. – ficaríamos essa semana toda sem beijar no bóqui, até o nosso encontro.

 - ai que sofrência Thalita.

 - sim, eu sei. E o pior é que a ideia foi minha. Aí cê imagina o arrependimento.

 - mano, o quê cê tinha na cabeça pra propor isso?

 - o resultado Angel! Sabe, o lance de ficar na abstinência e aí quando for, PÁ! Vai ser muito mais gostoso.

 - hmm, faz sentido...

- sim, sim. Mas então: se uma de nós acabarmos cedendo e beijar a outra antes do encontro, essa vai ter que bancar o segundo. Sacas?

 - saquei. – ele falou pensativo.

 - e a Gabie, ela tá me torturando DE UMA MANEIRA MEU ANJO, QUE NÃO TÁ DESCRITA. – falei com ênfase.  – então eu preciso da sua ajuda pra torturar ela também. E tem que ser estilo vingança pesadíssima.

 - ish Thali, eu tenho a vingança perfeita. – ele disse de pronto.

 - me conta!

 - na verdade, é a coisa mais idiota do mundo. E por isso vai ser tão legal. A Gabie deve estar sendo bem tentadora, não é?

 Assenti com a cabeça.

 - e você fica se segurando para não beija-lá, não é?

 Assenti novamente.

 - então imagina a cara dela quando vocês forem se despedir hoje à noite, e você virar para um selinho de despedida super fofo?

 Fiz uma careta.

- Rafa, assim eu perco ô besta.

- não, não, Meneghim. Eu disse virar para o selinho. Eu não disse dar o selinho. O dar é com ela. Vai ser tão automático, que quando ela notar já vai ter feito. E por ser tão simples, é a vingança perfeita. Pois tooodo o esforço dela vai ter ido ralo à baixo por causa de UM selinho idiota de despedida.

 Encarei o moreno à minha frente, que sorria cheio de maldade para mim.

 - Rafael, mas que mente à frente meu amigo. – bati em seu ombro. – isso vai dar super certo cara!

 - eu sei. – ele sorriu presunçoso. – então só vai.

 

 

 

(...)

 

 

 Dito e feito.

 Dei uma carona para Gabie até a casa dela, e quando chegamos, estacionei o carro e o desliguei.

 - Tchau estrelinha. – Gabie pegou sua bolsa, e me virei para ela.

 - Tchau estrelinha.

 Ela colocou a mão na porta, mas antes que abrisse, virou automaticamente e depositou um selinho estalado nos meus lábios.

 Abri um sorrisão.

 - AHÁ! – gritei.

 - o quê... – ela pareceu confusa por alguns segundos, e arregalou os olhos verdes enquanto eu caia no riso. – ah não! Aah não! Thalita!

 - sim, sim, sim.

 - não, não, não! Não valeu!

 - vaaaleeeeu! – ri ainda mais.

 - eu não acredito nisso. – ela passou a mão na testa. – que idiota!

 - sim, eu sei. Foi ideia do Rafa.

 - quê? Do Rafa?

 - sim, eu acabei contando para ele. Perdão não ter falado contigo antes.

 - tá tudo bem. Como ele reagiu?

 - ah, você sabe né! E o Rafa! Ele pareceu mais animado que eu!

 - então, é que pega mal falar isso, por que supostamente você deveria estar mais animada...

 - bom, eu estava animada internamente. O Rafa deixou toda a animação sair do corpo. – expliquei.

 - entendi.

 - aí eu pedi ajuda para ele. Falei que você tava me torturando e você precisava perder esse joguinho.

 - aí ele jogou essa ideia. Genial, eu preciso dizer. Todo o meu esforço foi para o lixo. – pareceu magoada.

 - não foi não... – me aproximei mais dela.

 - nananinanão. – ela se afastou, e a minha expressão de decepção foi visível.

 - quê? Por quê!

 - sem beijos até o encontro. Esse é o acordo.

 - mas tu já me beijaste já!

 - e eu perdi a aposta, esse é o meu castigo.

 Me ajeitei no banco, e coloquei minhas duas mãos no volante, irritada.

 - tá então Gabriela.

 - tá então Thali. – eu não vi, mas pude sentir que ela revirou os olhos.

 Ela deixou um beijinho estalado na minha bochecha e saiu do carro.

 No caminho para casa, bufei.

  - pelo menos eu não vou pagar o segundo encontro. – falei comigo mesma.

 

 

 

 

 

GABIE

 E o grande dia chegou.

 Eu não deveria, por que era a Thali, mas estava super nervosa.

 Mas sei lá, eu esperei tanto por isso. Para tudo isso ser real. E agora tá acontecendo, e eu estou amando cada segundo disso, mas eu também quero que dure. Eu quero que dure para sempre.

 E a música que não saia da minha cabeça era a que descrevia o quê eu estava sentindo melhor que ninguém.

 ‘’ nunca me entreguei tão fácil assim, sempre tentei não me deixar levar, mas quando vi você chegar, se aproximar e sorrir... Foi aí então que eu percebi que eu te quero pra mim, te quero pra mim sim. ‘’

 Sempre foi certo na minha cabeça que Thalita nunca me amaria do jeito que eu a amo. Mas também sempre foi certo em mim que, se por alguma obra do acaso ela me amasse, eu não perderia tempo, eu seria toda dela, sem sequer pensar duas vezes.

 Parece que o acaso está ao meu favor.

 Acordei exatamente oito horas e tomei um café da manhã reforçado.

 - alguém está muito animadinha hoje! – meu irmão disse enquanto comíamos.

 - não enche Emmanuel. – o repreendi, e ele riu.

 - mas sério mana, por quê cê tá assim?

 - hoje eu tenho um encontro. – falei.

 Minha mãe, que estava passando pela sala nesse exato momento, parou de andar e decidiu sentar-se na mesa também.

 - com quem filha? – pareceu interessada.

 - é, com quem? – Mano perguntou.

 - gente, privacidade, lembram? Um dia eu conto para vocês. Ah, e depois eu vou... Dormir na casa da Thali, okay?

 - aham. – Mano disse todo irônico, o quê só me deixou irritada. Olhei para minha mãe.

 - tudo bem filha. – ela colocou a mão no meu ombro. – só... – ela fez de quem ia falar algo importante, mas pareceu pensar melhor. – divirta-se.

 - claro mãe.

 Ela saiu da mesa e seguiu pelo corredor.

 - usar a desculpa de que vai dormir na casa da Thali só para ficar de pegação à noite com o seu novo boy, Gabie? Que errado... – Mano disse com a voz provocativa, e meti um tapão em seu ombro.

 - Meu Deus Emmanuel. – o repreendi, e ele riu mais.

 Sai da mesa e fui para o meu quarto.

 Mal sabe ele...

 

(...)

 Foram muitas horas de cuidado próprio, e meu nervosismo só aumentava. Tomei um banho longo, lavei o cabelo, hidratei. Sai do banho, hidratei minha pele, sequei o cabelo, fiz limpeza facial. Fiz uma chapa logo em seguida, e depois me maquiei. Separei uma roupa (essa foi a parte mais demorada, eu diria), e me vesti. Passei meu melhor perfume, e eu estava prontíssima. Já eram sete e meia, e oito horas em ponto Thalita viria me buscar.

 Sai do quarto e fui até a sala, onde minha mãe assistia à novela.

 - mãe? Como estou? – dei uma voltinha, e vi um sorriso se abrir no rosto da minha veia.

 - linda filha. Linda.

 Sentei-me ao seu lado, e assisti um pedaço da novela com ela, para matar o tempo.

 - pelo jeito você vai sair com alguém que você gosta muito. Ficou o dia inteiro se arrumando...

 - é, eu gosto muito dela. – falei sem perceber, com um sorrisinho de canto.

 Minha mãe me olhou, os olhos arregalados.

 - que foi mãe? – fiquei preocupada.

 - dela? – ela perguntou, e percebi o quê eu acabei de falar.

 Entrei em pânico internamente.

 - dela, sim. Dessa... pessoa, foi o quê eu quis dizer. – tentei não me confundir com as palavras.

 Minha mãe me analisou bem antes de voltar a assistir a novela.

 - entendi. – falou.

 Ufa.

 

 

 

 

 

THALI

 - vamos gente? – perguntei, já na porta de casa.

 - bora. – meu irmão apareceu e já saiu. Meus pais passaram por mim, e fui a última à sair.

 Todos entramos no meu carro. Eu ia deixar meu irmão na casa dele, e meus pais no ponto de Taxi que tinha lá perto.

 O caminho todo foi dos dois me dando as mesmas instruções de sempre.

 - a gente volta daqui a três dias, viu Thali. Não se esquece de colocar a roupa para lavar. E não deixe a louça acumular, por favor, querida. – minha mãe disse.

 - e nada de meninos em casa, viu mocinha. – meu pai disse subitamente irritado.

 - pai, eu sei disso!

 - é só para te lembrar.

 - e eu tenho 25 anos... – falei sozinha, e dei a seta para virar a esquina.

 - ah, meus 25 anos... – Bruno falou sozinho ao meu lado. O encarei.

 - certeza que o bruno vivia levando meninas para casa quando vocês viajavam. – falei, e meu irmão arregalou os olhos no mesmo instante.

 Pelo retrovisor, vi que meus pais o encaravam com caras feias. Sorri.

 - é mentira gente. – Bruno disse, me lançando um olhar mortal. – eu sempre fui um menino exemplar.

 - o quê? Vivia de pegação com as meninas do prédio! – falei mesmo, só pra irritar.

 - e vai me dizer que você não? – ele rebateu. Senti o olhar dos meus pais queimando minhas costas.

 - mentira!

 - verdade!

 - chega vocês dois! – meu pai mandou, a voz grossa. Calamos as bocas.

 - essa idade e brincando feito crianças. – minha mãe reclamou. – um já tá casado até.

 Estacionei o carro no ponto de táxi, e meus pais desceram depois de se despedirem.

 Quando éramos só eu e Bruno no carro, ele se virou para mim e me analisou.

 - você pode até enganar nossos pais, mas a mim não. Vai sair com quem hoje?

 Revirei os olhos.

 - não é da sua conta Bruno.

 - vai Thali, me fala!

 Olhei para ele, e realmente quis falar. Mas eu e a Gabie combinamos segredo da família, então eu tenho que me segurar.

 - não. – estacionei o carro em frente ao seu prédio. – sai logo que eu tô atrasada já.

 - ai, que grossa, é assim que trata os irmãos?

 - sai logo!

 - ai, tá bom, já tô saindo. – ele disse, e saiu do carro. – eita, esqueci meu celular em casa.

 - ai Bruno. – bufei. – amanhã cê pega.

 - tá bom estressadinha. – ele sorriu. – bom encontro para você.

 - muito obrigada. – deixei o mal-humor um pouco de lado, e acelerei o carro.

 

(...)

 

 Estacionei o carro e avistei a Gabie em frente à portaria. Saí do carro e ela me viu, e andamos uma até a outra.

 Quando vi como ela estava linda, meio que ainda de longe, esqueci como se faz para respirar. Ou ela que roubou todo o meu ar, e não foi do jeito que eu tava esperando...

 Gabie estava linda. E quando eu digo linda, eu digo... Muito linda.

 Ela usava uma calça quadriculada preta e branca de cintura alta, com uma bota de couro branca que tinha o cadarço preto. Com um top branco que mostrava uma parte da barriga e destacava sua pele leitosa. Por cima, uma jaqueta que de alguma forma, só dava mais estilo a tudo. Seu cabelo loiro estava solto e brilhava, e seus olhos estavam no meu tom de verde preferido.

 O tom de verde que me passava tranquilidade, e parecia colorir o mundo.

 Quando chegamos perto uma da outra, éramos só sorriso. E animação. E nervosismo.

 - você tá linda. – dissemos juntas, e rimos em seguida.

 Peguei a mão de Gabie e a conduzi até o carro. Abri a porta para ela, que sorriu ainda mais para mim, e entrou. Fui a passos rápidos até meu lado e entrei.

 - tamo só um pouquinho atrasadas. – liguei o carro.

 - 15 minutos, para ser exata. – a loira disse.

 - tem problema nenhum galera. – falei e liguei o rádio.

 Estava tocando ‘’talvez’’, da Carol Biazin, e por algum motivo Gabie pareceu muito surpresa.

 - que coincidência, cara. – disse baixinho para si mesma, mas acabei ouvindo.

 Cantamos a musica a plenos pulmões, até chegarmos ao restaurante que reservei para a gente.

 - uau, que lugar é esse? – ela perguntou quando estávamos na porta.

 - é novo aqui. E tem várias coisas esquisitas de comer, então pensei que você ia gostar. – falei, sorridente.

 Peguei novamente sua mão, que logo se entrelaçou na minha. Um movimento tão simples, mas já fez as borboletas dentro de mim se agitarem.

 Entramos na recepção e dei o meu sobrenome. Uma mulher nos conduziu até uma mesa de dois mais afastada e com uma vela no meio, e soltei a mão da Gabie para puxar a cadeira para ela.

 Nos sentamos, e observei melhor o lugar.

 Era um restaurante grande, com chão de madeira e iluminação amarelada e fraca. Num canto, havia uma mulher cantando uma música romântica e calma, com o violão entre as mãos. A maioria das pessoas li estavam em casais, e a maioria das mesas eram só para duas pessoas.

 - aqui é bem calminho. – Gabie falou, e meu olhar se voltou para ela. – e bonito. Eu amei.

 Sorri.

 - que bom. Eu achei a sua cara.

 Ela sorriu.

 Abrimos os cardápios, e passei os olhos. Eu não conhecia nenhum dos pratos que ofereciam ali, e olhei para Gabie pedindo socorro.

 Ela riu.

 - aqui, pede esse. – apontou no seu cardápio. – é hambúrguer e fritas, basicamente.

 - e por que colocaram esse nome desgracento? – perguntei.

 - por que é chique, guria.

 Uma garçonete chegou, e Gabie fez nossos pedidos.

 Enquanto esperávamos pela comida, ficamos conversando sobre nossas vidas, sobre o Rafa, nossa família, o canal e sonhos.

 Na verdade, ela falou mais e eu fiquei ali só ouvindo, observando cada detalhe de seu rosto e tentando decorar todas as suas linhas. Me perguntando como alguém poderia ser dono de tanta beleza, por dentro e por fora.

 Quando nossa comida chegou, percebi que eu estava morrendo de fome.

 Comemos e conversamos, e as horas passaram mais rápido do que eu gostaria. Quando vi, já tínhamos acabado nossas sobremesas e o restaurante estava quase vazio, a não ser por um ou dois casais ali.

 - acho que já podemos ir embora, né? – perguntei. – já vai fechar aqui.

 - sim, vamos. – ela concordou.

 Paguei a conta e saímos do restaurante.

 - bom, agora eu quero te levar num outro lugar. – falei, e novamente peguei sua mão.

 - onde? – ela perguntou.

 - só... Vem comigo.

 - andando?

 - sim. É aqui pertinho.

 De mãos dadas e atraindo olhares não muito afetuosos das poucas pessoas que andavam pelas ruas a essas horas, eu e Gabie fomos andando em direção ao meu lugar preferido no planeta terra: a praia.

 Eu sempre soube que a Gabie não é muito fã assim de praia, não tanto quanto eu pelo menos. Então tomei o cuidado de fazer questão de que ela não se suje com areia ou acabe desconfortável de algum jeito.

 Depois de uns cinco minutos de caminhada, chegamos à uma avenida principal, e atravessando a rua já estávamos na praia.

 Eu estava com um certo medo dela se negar a ir comigo, mas ela nada disse. Só continuou seguindo, seus dedos entrelaçados aos meus, observando tudo em volta.

 Atravessamos a rua e seguimos pela calçada perto da areia até um pequeno caminho de madeira aparecer. Andamos ali até eu avistar o que eu queria, e então era inevitável: teríamos que pisar na areia de um jeito ou de outro.

 - Gabie, tudo bem se pisarmos na areia? – perguntei meio insegura de receber um não.

 - claro. – ela disse, para a minha surpresa, e começou a tirar a bota. Decidi fazer o mesmo, e quando estávamos as duas descalças, pisamos na areia geladinha e levei Gabie até uma cadeira de salva vidas que tinha ali perto.

 Não era muito alta, mas era espaçosa e cabíamos nós duas e mais alguém ali em cima. Era de madeira e vermelha, portanto não estava gelada ou molhada.

 Deixei que ela subisse primeiro e depois me sentei ao seu lado, o mar calmo à nossa frente, e a lua redondinha quase tocando a linha do horizonte, seu reflexo no mar. As estrelas pareciam mais brilhantes do que nunca.

 - bem, é aqui. – falei, quebrando o silêncio, olhando para a linda paisagem.

 Gabie estava estranhamente quieta, e olhei bem para ela.

 A loira tinha o olhar voltado para o mar, e notei lágrimas caindo de seus olhos, uma atrás da outra. Meu coração se apertou.

 - ai merda. – me preocupei. – ai não, Gabie. Me desculpa. A gente pode ir embora, ou sei lá, só não chora, por favor...

 Ela me olhou, os olhinhos avermelhados pelo choro, assim com a pontinha de seu nariz, assim como suas orelhas. Ela limpou rapidamente as lágrimas com as costas da mão, mas não adiantou muito, pois elas continuavam caindo.

 - não, Thali, não é isso. – ela disse, a voz rouquinha. – eu só... Eu só te amo.

 Continuei olhando para ela, um pouco surpresa.

 - mais do quê eu achava possível. – ela afirmou. Peguei suas mãos entre as minhas.

 - e por que estais chorando? – perguntei.

 - porque esse sentimento é tão forte que não consegui segurar aqui dentro. Perdoa.

 - perdoo. – meu sorriso foi crescendo. – perdoo sim. Ai Gabie, você é a pessoa mais fofa na face da terra, porra!

 Ela sorriu pra mim, e não me aguentei. Peguei seu rosto entre minhas mãos e o enchi de beijinhos. Cada canto, cada detalhe. Beijei seus olhos, sua testa, suas bochechas, seu queixo, o cantinho dos seus lábios.

 Me afastei um pouco, e observei a Gabie. Ela estava sorridente, os olhinhos fechados e o nariz enrugadinho.

 Por fim, beijei seu sorriso.

 - eu também te amo. – falei, e soltei seu rosto. Ela abriu os olhos verdes e mordeu o lábio inferior. Não maliciosamente. Apenas inconscientemente, pois era uma mania dela.

 Ela encaixou sua cabeça no meu ombro, e nós duas ficamos olhando para o mar, a lua e as estrelas.



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