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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 101


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Capítulo 101 - Capítulo 34 - ITACHI - Fim de laços


As garotas deixaram a casa de Sakura sem demora deixando-a pensativa. Até aquela noite não havia percebido que Itachi havia se tornado tão importante para ela, mas agora sabe. A questão é como prosseguir.

Ele se confessou, certo, mas e agora? Eu devo me confessar também?

Não, ela sabe que sente algo especial por ele, mas não tem certeza de que isso seja paixão muito menos amor e ela não sabe como descobrir isso.

—        Ai que droga.

Ela revira na cama e acaba com o rosto afundado no travesseiro.

—        O que eu faço?

Um murmúrio baixo ronda o quarto.

Ainda que agora saiba que tem sentimentos pelo moreno, conhecê-los não facilita em nada tomar uma decisão. E ainda tem os outros.

Ela terá que dizer a Lee e a Gaara que não quer nada com eles porque tem outra pessoa em seus pensamentos. Com Lee, ela já pretendia fazer isso, apenas não imaginava que precisava fazê-lo com Sasori também. Entretanto, não adianta chorar pelo leite derramado, se o ruivo começou a se apaixonar não adianta lamentar agora, mesmo que soubesse que isso não aconteceria com ela, deveria ter pensado no Akasuna.

Eu não queria que terminasse assim, somos amigos a tantos anos. Por que não dá pra ser como o Tatsuo?

Ela suspira e cansada de tanto pensar, acaba por cair no sono.

 

O dia seguinte não é um dos melhores. Ela acorda com uma dor de cabeça infernal e só quer fugir de tudo.

Nesse momento observa atentamente a tela de seu celular.

*Oi Sakura, voltei finalmente. Aquele encontro pode ser hoje?* - Lee.

*Bom dia, espero que tenha dormido bem. Podemos sair hoje?* - Gaara.

*Conseguiu descansar? Fiquei preocupado.* - Sasori.

—        AAAAAAAAhh.

Sakura afunda o rosto no travesseiro e depois do grito apoia o queixo nele.

—        Não posso dar um fora neles por mensagem, além disso prometi um segundo encontro ao Lee. Argh, por que tem que ser tão difícil?

Ela deixa o celular de lado por um momento e respira fundo, sua consciência pesa por causa de Gaara. Apesar de estar saindo com ele a vários encontros sabe que não se esforçou para ficar com ele, ela sequer tentou desenvolver um sentimento mais profundo e ainda assim continuava saindo com ele.

Haruno Sakura você é uma vergonha, por que não pôde ser sincera desde o começo?

Ela se senta apoiada na cabeceira e solta um longo suspiro.

Sakura sabe o motivo pelo qual quis continuar com os encontros. Ela se sentia bem ao lado do ruivo, ele a fazia sentir-se única e sua companhia era agradável. Mas foi egoísmo de sua parte continuar com um relacionamento que no fundo sabia não ter futuro.

Talvez eu ainda não estivesse pronta para um relacionamento sério.

Pensar nisso a faz recordar-se de Itachi, ele parece querer um relacionamento sério e, diferente de como era com Gaara, a ideia enche seu peito com um sentimento bom.

Depois de mais um suspiro, recuperando-se de seu momento de reflexão ela volta a pegar o celular e digita a resposta a cada um deles.

*Podemos nos encontrar hoje, um almoço, pode ser?* - Enviar para Lee.

*Não posso encontrá-lo agora, mas preciso falar com você, podemos nos encontrar mais tarde?* - Enviar para Gaara.

*Estou melhor, mais descansada, digo, mas precisamos conversar sobre algo sério. Estarei ocupada hoje, mas podemos nos falar quando eu estiver livre?* - Enviar para Sasori.

Com um suspiro ela espera pelas respostas.

*Claro, te pego em duas horas.* - Lee.

*Te pego as seis?* - Gaara

*E sobre o que se trata?* - Sasori

*Pode ser.* - Enviar para Gaara

*Não dá pra falar sobre isso por mensagem, assim que tiver tempo livre eu falo.* - Enviar para Sasori.

Vou me dedicar a esse encontro como prometi ao Lee, terminarei o que tenho com Gaara e falarei com Sasori, depois darei a Itachi uma resposta.

Ela suspira, o certo era já falar com Lee, mas ele estava tão animado da última vez e ela não quebra promessas, é por isso que falará com o amigo depois, assim como o fará com Sasori. Um término por dia já está de bom tamanho.

 

Depois de se olhar no espelho por pelo menos dez minutos tentando convencer a mulher do reflexo que ela deve esse encontro ao Lee, a rosada vai para a sala atender a porta e vê um grande sorriso no rosto do amigo.

—        Nossa, você está linda como sempre. Parece que faz uma eternidade que não nos vemos.

Ela abre um sorriso fraco.

—        Acho que faz.

—        Vamos?

—        Sim.

Eles seguem para o carro do rapaz depois que a rosada tranca a porta e ela respira fundo ao se afastar da porta.

Assim que se entra no carro abre um sorriso e observa o moreno.

—        Como foram as coisas?

Lee desvia o olhar focando na estrada.

—        Foram bem, bastante bem na verdade. Consegui resolver quase tudo o que foi proposto para resolver antes de sair de Konoha e estou bastante satisfeito com isso.

Sakura percebe que ele pega um caminho o qual está familiarizada.

—        Vamos ao Ella's?

O rapaz sorri.

—        É o seu favorito, não havia uma opção melhor.

Sakura se cala por um momento. Ela sabe que Lee é seu amigo a anos e que a conhece bem, mas esse fato, nesse momento, não é algo bom. Ela se sente culpada por sair com ele e mesmo que tente não pensar sobre isso, é inevitável. É como se ela mostrasse a ele o presente que mais desejava em anos, apenas para destruí-lo na sua frente.

—        Ei, você está me ouvindo?

—        O que? Ah, desculpe eu me distrai.

Ele se silencia por alguns segundos observando-a com o canto dos olhos.

—        Então, sobre o que estava falando?

—        Estava perguntando se voltou no orfanato recentemente.

—        Não, faz bastante tempo que não passo lá às coisas do casamento e do trabalho estão ocupando todo o meu tempo.

—        Ainda bem que consegui um tempo.

Ele abre um grande sorriso, mas ela apenas foca no borrão de paisagem ao seu lado.

—        Enfim, passei lá hoje. As crianças estão ansiosas falando sobre a nova casa e estão loucas para conhecer o lugar.

Ela abre um sorriso ao pensar nas crianças.

—        Imagino que estejam, eles sempre foram tão animados. Acho que por isso me apaixonei por eles assim que os vi pela primeira vez.

—        Sim, eu sei. Foi uma venda de biscoitos e tanto aquela.

—        Foi sim.

—        É sempre bom ter pessoas que os visitam, que os ajudam, você, a Karin, a Hinata, eles são muito gratos por serem lembrados.

Sakura pensa sobre o que Lee disse e sorri.

—        E você também.

—        Eles me acolheram, não teria como ser diferente.

—        Sim, tem razão.

O carro para no estacionamento do restaurante e eles descem seguindo para o estabelecimento sendo recebidos com profissionalismo. Todos ali conhecem os dois e sabem que vez ou outra comem juntos no lugar, talvez por isso não seja algo tão estranho, ainda que a rosada tenha um “noivo” agora.

Sakura não se lembra disso, ela sequer consegue pensar em alguma coisa além de eu devo isso ao Lee.

—        E como anda o projeto?

—        Está bem, estamos indo mais rápido do que eu esperava, depois que termina-lo vou pegar algum tempo de férias e descansar de tudo um pouco.

O rapaz estranha a forma com a qual a rosada fala, isso porque sempre que pergunta sobre um projeto ela tenta expor a ele todos os detalhes do que está fazendo. Ele quase consegue imaginar todas as obras as quais ela participa, mas essa resposta foi vaga demais para isso.

O garçom chega e eles fazem os pedidos. Sakura tenta se dedicar mais ao rapaz e por isso decide falar mais durante o almoço.

—        Tive uma casa para fazer nos últimos dias, - ela diz quando o garçom se afasta - além do vilarejo das crianças e essa casa me deu um pode dor de cabeça.

—        Por que?

—        Imprevistos, de todos os tipos.

—        Mas como é você sei que conseguiu resolver tudo.

Ela sorri ao ouvi-lo.

—        É claro, ou não poderia me olhar no espelho pela manhã.

Ele ri.

—        Gosto do seu entusiasmo, é assim que alguém deve ser e dessa forma se superar a cada dia.

Ela ri da animação de Lee.

 —       Essa é a razão pela qual estamos aqui hoje não é? Porque insisti e me superei a cada dia para que aceitasse meu convite.

O sorriso é perdido do rosto da rosada, ela não esperava por isso e esse fato a recorda que ela irá dispensa-lo, depois dele se esforçar tanto ela continua a iludi-lo apenas para dispensa-lo mais tarde. Ela é uma hipócrita.

Os pedidos chegam e eles começam seu jantar. Lee percebeu que o sorriso dela murchou e que leva uma feição entristecida no rosto.

—        Sakura, você está bem?

Ela se surpreende com a pergunta e logo o observa.

—        O que? Claro, estou bem sim.

Ele não se convence.

—        Parece um tanto avoada hoje.

—        Desculpe, eu estava apenas pensando.

—        E pensava em que?

Ela hesita por um breve instante.

—        Não é nada importante, eu juro.

Apesar de estar bastante determinada em sua resposta, ela tem algo em sua expressão diferente do que ele normalmente está acostumado e ao notar esse fato, o rapaz se entristece.

—        Você está aqui comigo apenas por que prometeu, não é?

Ela o observa surpresa, mas não consegue respondê-lo.

—        Lee, eu...

—        Não, está tudo bem. - ele a interrompe - Acho que eu meio que esperava por isso.

—        Lee...

O rapaz abre um sorriso que quebra o coração da rosada, pois mesmo que se esforce para dá-lo ela consegue perceber tristeza por trás.

—        Nós... - Sakura volta seu olhar para o prato - nós somos amigos a muitos anos, você sempre foi uma pessoa incrível com a qual sempre pude contar. Sabe coisas sobre mim que poucos sabem, como minha cor favorita, meu vinho predileto e porque insisto tanto em ajudar crianças.

—        Não precisa tentar me confortar Sakura acredite não funciona.

Ela se cala por um momento, quando saiu de casa não pensou que isso aconteceria. Ela estava ciente de que teria que falar com ele, mas não imaginou que o almoço a levaria a isso e ela não está nem um pouco preparada.

—        Eu realmente queria que isso desse certo.

Lee a observa e suspira.

—        Eu sei.

Sakura não sabe o que dizer ela não tem ideia de como prosseguir, é a primeira vez que passa por isso. Ela já terminou com vários ficantes, mas nenhum deles era tão importante para ela quanto Lee.

—        Recebi uma proposta.

Os olhos esverdeados o observam, mas Lee mantém seu olhar nas mãos que tem sobre a mesa.

—        Vou deixar o país.

—        O que?

Ela se surpreende.

—        Eu não ia aceitar, mas acho que é o que devo fazer.

Sakura morde o lábio inferior com tanta força que sente o gosto de ferro.

—        Eu entendo, - a voz dela sai embargada, Lee percebe - odeio isso, mas entendo, não se pode querer que a ferida de alguém cicatrize se ficar esfregando no machucado.

Ele nota também que há lágrimas pelo rosto delicado da rosada, isso é tão difícil para ele quanto é para ela e Lee sabe.

—        Não se preocupe, talvez um dia voltemos a ser amigos.

Sakura se surpreende ao ouvi-lo e ergue o rosto para observar um sorriso imenso no rosto do amigo. Se ele tentou fazer com que isso ficasse mais fácil, apenas piorou a situação, já que as lágrimas se intensificam e com isso, o sorriso dele vacila.

—        Me espere até que a ferida tenha fechado, tudo bem?

Ele volta a sorrir e lhe toca a mão.

—        T-tá. - Ela afirma e abre um pequeno sorriso.

Lee está despedaçado, mas consegue ser forte por ela, ele precisa, porque a ama demais para vê-la sofrer.

Eles terminam a refeição em silêncio enquanto as lágrimas ainda molham o rosto pálido da rosada. Quando terminam, deixam o restaurante seguindo para o carro, mas Sakura para de andar.

—        Lee.

Ele se vira para observa-la.

—        Acho que devo voltar de táxi.

Ele se surpreende, é compreensível depois do que aconteceu estar em um carro com ela não seria a coisa mais fácil do mundo, mas ainda assim foi ele quem a trouxe, seria errado deixá-la voltar de táxi.

—        Eu a trouxe, o mínimo que devo fazer é te levar de volta.

Ela balança a cabeça e sente mais lágrimas.

—        Você não me deve nada. - ela tenta sorrir - Fez tanto por mim que eu não poderia pedir isso. Sei que não quer demonstrar, mas você está sofrendo, seria cruel da minha parte pedir que me levasse.

Ele sorri pela forma como a rosada o entende então se aproxima e deposita um beijo na testa dela.

—        Eu te amo Sakura.

Isso a quebra por completo, e a faz levar as mãos ao peito.

—        Adeus.

Lee se afasta sem olhar para trás, se o fizesse poderia hesitar e causaria mais dor em ambos os lados.

Sakura tem dificuldades para respirar, mas pega a bolsa a procura do celular e chama por um táxi que não demora a aparecer.

Assim que chega em casa a rosada fecha a porta e fica com as costas na madeira por algum tempo, lágrimas lhe molham o rosto e seu peito dói, não é fácil respirar, não é fácil pensar, ela nunca imaginou que doeria tanto dispensar alguém.

Depois de algum tempo ela segue para o sofá e se senta abraçando as pernas, nesse momento, só consegue pensar em como Lee está machucado, em como ele está sofrendo por causa dela. Ela se odeia por fazê-lo sofrer assim, mas a dor não se deve apenas ao fato dela tê-lo magoado, também é porque o perdeu e deixando as lágrimas molharem seu rosto permanece assim por algum tempo.

 

A Haruno observa o reflexo a sua frente, ela está horrível, qualquer um pode ver o quanto chorou e a maquiagem não cobre muito. Após um longo suspiro ela ouve a campainha e, antes de ir para a porta, pega sua bolsa e respira fundo.

Quando Gaara enviou-lhe uma mensagem, Sakura pensou em pedir que o ruivo não viesse, mas decidiu que é melhor resolver isso de uma vez. Esse é o motivo pelo qual ela encara seu reflexo no espelho, para se convencer disso.

Ao ouvir ouve o toque da campainha, seus pés a levam até a porta e depois de respirar fundo, a abre. Assim que seus olhos encontram o rosto de Gaara, ela pode ver um belo sorriso, mas esse sorriso logo é perdido quando o olhar lhe é retribuído.

—        Você está bem?

—        Não muito.

—        Podemos sair outro dia se quiser.

—        Na verdade, preciso falar com você. - ela solta um suspiro - Mas não aqui, eu preciso espairecer.

—        Então vamos.

Sakura tranca a porta e a casa fica cada vez mais longe enquanto eles seguem em direção ao parque mais próximo. Eles não vão de carro, vão andando apenas passos silenciosos com o vento sendo o único a dizer algo.

—        O que aconteceu? Pode me dizer, somos amigos.

—        Acho que esse é o problema.

Ela sussurra, mas ele a ouve e não entende, o parque aparece a frente deles.

—        O que quer dizer?

Sakura se silencia por um momento. Quem disse que isso seria fácil? Deveria ter esperado mais um pouco.

—        Mesmo que nos conheçamos a pouco tempo você se tornou alguém importante para mim.

Ela diz depois de um suspiro.

—        Sim, eu entendo, me sinto da mesma forma.

—        Nunca pensei que voaria de balão ou que me dedicaria a cuidar de flores mesmo sendo muito ruim com isso.

Ele ri e ela sorri.

—        Você me mostrou que não é preciso conhecer alguém a anos para desenvolver um laço com ele.

O sorriso de Gaara se desfaz e seus passos se tornam mais lentos, Sakura permanece acompanhando-o.

—        Você é alguém incrível, é por isso que é tão difícil.

Sakura para de andar e o ruivo a observa. Os olhos inchados da rosada não lhe passaram despercebidos, ele sabe que ela chorou e não é difícil unir dois mais dois.

Ele consegue perceber que as lágrimas não foram destinadas a ele e, dessa forma, as palavras a seguir serão um adeus. Ele consegue ver isso, consegue entender que houve uma decepção. O único desentendimento aqui é que ruivo acha que ela foi decepcionada, mas cada gota que rolou por seu rosto veio porque ela decepcionou, porque não conseguiu amar alguém tão extraordinário que a ama imensamente.

Sakura não se sente pronta para outro termino, talvez devesse ter esperado um pouco, ainda está abalada por causa de Lee. Porém, já começou a falar e por isso deve terminar. Ela sabe que talvez com Gaara ainda possa manter uma amizade, mas ainda assim, não é algo fácil de se dizer.

—        Não faça ser mais difícil do que é.

Ela o observa e vê um pequeno sorriso.

—        Realmente me encantei com você, você é uma pessoa única, excepcional, mas às vezes não é pra ser.

Ela se surpreende ao ouvi-lo.

—        Como você...

—        Tem outra pessoa envolvida, consigo perceber isso.

            Na verdade não é bem essa a questão, mas ela prefere não contraria-lo, afinal é melhor assim.

—        Sinto muito, - ela baixa o olhar - não queria que as coisas terminassem desse jeito.

—        Não se preocupe, ainda não estou apaixonado então não é tão ruim. Não estou dizendo que é fácil levar um fora, longe disso, dói pra caramba, mas eu vou superar.

O coração de Sakura se sente um pouco mais aliviado. Pelo menos um deles não foi tão magoado.

—        Ainda podemos ser amigos?

Ele pergunta com o cenho franzido surpreendendo a rosada com a pergunta.

—        Tem certeza de que ainda me quer como amiga? Mesmo depois disso?

—        Tá brincando? Por que não iria querer, você é incrível?

Ele consegue arrancar uma risada de Sakura e as poucas lágrimas que caíram são secas pela rosada.

—        Apenas não o deixe te fazer chorar, ninguém merece suas lágrimas.

Um sorriso fraco brota no rosto cansado.

—        T-tá.

 

Sakura se sente mais tranquila, Gaara terminou aquele passeio e disse que assim que ela estiver melhor, ou se precisar melhorar, pode ligar para ele. Ela gostou de saber que ele continuará em sua vida, perder um amigo já é ruim demais.

Ainda assim, a dor pela partida de Lee está muito forte. Ela não imaginou que teria aquela conversa hoje, esperava terminar com Gaara e conversar com Sasori para entender tudo o que está acontecendo, mas Lee a pegou desprevenida.

Agora ela está sentada no banco do parque de olhos fechados sentindo o sopro da brisa em seu rosto. Apesar de estar melhor, não quer ir para casa ainda, gostaria de poder desabafar com alguém, queria ter alguém para abraçá-la, mas não está disposta a pedir ajuda agora.

Quando já está bastante tarde volta para casa em passos lentos. Assim que chega segue para o banheiro e liga a torneira observando a torrente d‘água. Ao ver a banheira cheia, tira a roupa e afunda o corpo na água quente.

Sakura abraça as pernas e apoia o queixo sobre os joelhos. Lembrar do que aconteceu na noite passada faz seu peito se aquecer contente e o beijo carinhoso que Itachi depositou em sua testa foi tão terno. Ela gostaria de vê-lo de novo, mesmo que o tenha visto a menos de vinte e quatro horas, mas não é apenas esse sentimento bom que a ronda nesse momento. Uma dor imensa e um vazio também estão presentes, Lee sempre foi um de seus melhores amigos e agora ela não o verá mais. Ela se recorda do dia que teve com tristeza e sequer tem uma palavra para defini-lo.

Depois de algum tempo, deixa o banheiro e se troca. Sakura está sem fome agora, é por isso que apenas bebe um copo de suco antes de ir para a cama. Sentada sobre o colchão, pega o celular e verifica se tem alguma coisa importante. É quando vê as inúmeras ligações de Ino, além das mensagens as quais não olha.

Com um suspiro, preparando-se psicologicamente para o que a Yamanaka tem a dizer, liga para a amiga. Chama algumas vezes e um grito é ouvido assim que a loira atende ao telefone.

*SUA FILHA DA PUTA, ESTOU A HORAS TENTANDO FALAR COM VOCÊ E VOCÊ ME IGNORA DESSE JEITO? VOCÊ PERDEU O JUIZO FOI? COMO ME DEIXA SEM NOTICIAS DESSE JEITO.*

—        Como se você estivesse preocupada com a minha saúde.

Ela diz em um suspiro.

*Nossa, que isso, parece até que alguém morreu, você não está feliz por descobrir que também está apaixonada? Ou ele voltou atrás?*

—        Não.

*Você não está feliz ou essa voz de morta não tem esse significado?*

Sakura consegue soltar um sorriso ao se lembrar das palavras ouvidas na noite anterior.

—        Estou feliz por descobrir que tenho sentimentos por Itachi e que talvez ele seja a pessoa que vai me fazer feliz. É estranho sentir isso, mas ao mesmo tempo é excitante e… - ela sente seu peito aquecer ao lembrar do moreno e um sorriso adorna seus lábios - eu não sei explicar é diferente de tudo o que já senti antes.

Ino dá alguns gritinhos animados.

*Ele te ligou hoje? Se ele te ligou e você atendeu eu vou ficar muito puta porque estou tentando falar com você a várias horas e você me ignorou totalmente.*

—        Ele não me ligou, ontem havia prometido me dar tempo para pensar ele não quer me apressar, quer uma resposta sincera dada de cabeça fria.

*Que chato. Eu devia ter ficado do lado do Sasuke.*

—        O que?

*Ah, ele me procurou pedindo ajuda.*

Sakura se surpreende com o que ouve.

—        Como assim? E você não me disse nada?

*Por que eu faria isso? Você não sabia nem o que queria da vida.*

—        Como o ajudou?

*Fiz ele participar da barraca do beijo.*

—        O que?

*Eu vi o quão ciumenta você ficou com a ideia, mesmo que não admitisse, então foi um plano de sucesso. Apenas não esperava por aquele cara, mas até isso foi bom, afinal ele te defendeu.*

—        Ele se machucou por minha causa, aquilo não foi bom.

*É, é.*

—        Então ele sabia desse seu plano?

*Desde quando conto meus planos para as pessoas?*

Sakura revira os olhos.

—        Então ele não sabia de nada.

*Nadica.*

—        E o que ele disse quando te procurou?

*Ele perguntou o que você sentia pelo Sasuke.*

Sakura se surpreende.

—        E o que você respondeu?

*A verdade, que mesmo sem querer admitir você estava de quatro por ele.*

—        PORCA!!!

*Relaxa Testuda, agora você sabe que o Itachi é o homem da sua vida. Ainda assim, como vai ser com Sasuke?*

—        Como assim?

*Você acredita estar apaixonada pelo Itachi, mas o caçula ainda mexe com você e ele não parece que vai perder a determinação do dia para a noite.*

Ino está certa, mesmo que Sakura não nutra sentimentos pelo Uchiha mais novo, não pode negar que seu corpo reage ao dele inconscientemente. Talvez agora estando ciente dos sentimentos por Itachi, consiga ignora-lo, ao menos ela espera que consiga.

*Mas então*

A loira volta a falar.

*O que era aquela voz de morta?*

O rosto da rosada entristece uma vez mais e ela suspira.

 —       Lee vai embora.

Ino não responde nada, apenas permanece em silêncio.

—        Conversamos hoje e decidimos que o melhor para ele é se afastar de mim.

Os olhos de Sakura voltam a ficar marejados.

*Sinto muito Testuda, sei o quanto ele é importante para você.*

—        Está doendo muito, mas é o melhor, ele precisa desse tempo seria egoísmo pedir que ele ficasse considerando que não posso dar a única coisa que o prenderia aqui.

Ino se silencia por poucos segundos e rapidamente pensa em algo para mudar de assunto.

*Então e o Uchiha, quando vai falar com o Uchiha?

—        Não sei, preciso de um tempo colocar tudo no lugar. Minha mente está cansada, preciso desse tempo.

*E pretende começar a namorar com ele?*

Sakura se silencia. Ela não tem ideia de como será daqui para frente com Itachi e como disse, primeiro tem se organizar seus pensamentos.

—        Uma coisa de cada vez.

*Claro.*

Ela suspira. A conversa delas continua por algum tempo e quando desliga ela se deita e perde a consciência sem demora.



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