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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 106


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Capítulo 106 - Capítulo 39 - ITACHI - A instabilidade dos laços


Depois de um longo banho pensativa pelo que aconteceu e ainda com um sorriso no rosto ela segue para a cozinha para preparar seu jantar e se senta em frente a televisão para assistir.

Depois de algum tempo, com a louça lavada segue para o quarto e ao sentar na cama pega a bolsa que se encontrava ali procurando por seu celular.

Assim que desbloqueia a tela, vê uma chamada perdida da madrinha, porque o celular estava no quarto sequer o ouviu tocar. O relógio no topo da tela indica que já está tarde, então decide ligar no dia seguinte. Ao se deitar, pronta para dormir, vê sua mente lhe pregar uma peça ao fazer o filme que assistiu mais cedo voltar a sua memória para lhe perturbar.

A rosada tenta afastar o pensamento com lembranças do dia que teve o que funciona muito bem, mas quando está prestes a pegar no sono o filme lhe volta a mente mais uma vez.

Sakura nunca foi de perder noites de sono por filmes de terror, mas mesmo que não esteja apavorada nesse instante, ela está com um pouco de medo isso a faz se sentar na cama ligando seu abajur.

Um longo suspire lhe escapa ao massagear os olhos. Ela está cansada, teve um dia e tanto e, mesmo que o dia seguinte ainda seja sua folga, gostaria de aproveitar melhor a noite de sábado.

A Haruno então decide se erguer e ir para a cozinha preparar um pouco de chá de camomila para talvez ajudá-la a pegar no sono. Ao observar seu balcão, foca sobre o resto do cômodo e se sente desconfortável.

—        Eu não devia ter assistido aquele filme.

Depois de tomar seu chá, a rosada segue para o quarto fechando a porta ao passar por ela e se senta na cama observando a parede por algum tempo. O sono a ronda e aproveitando isso ela se deita para tentar dormir. Não funciona.

Já cansada de tentar pegar no sono, Sakura pega o celular e passa algum tempo vendo coisas aleatórias, redes sociais, notícias, conversas antigas, nada que a ajude a dormir realmente. Entretanto uma nova mensagem a surpreende.

*Ainda acordada?*

*Não consigo dormir, aquele filme me assustou mais do que imaginei.*

*É pior quando tentamos não pensar nele.*

*Não está ajudando.*

*Desculpe.*

*E você, por que ainda está acordado?*

*Estou apenas sem sono, tive um dia e tanto, é difícil pegar no sono assim.*

Ela sorri. Seus olhos estão cansados, ela está exausta então por que simplesmente não consegue dormir?

Mais um suspiro escapa enquanto observa a tela.

*O que está acontecendo? Está tendo pesadelos?*

*Nem mesmo consigo dormir para isso. Quando fecho os olhos a única coisa que consigo pensar é em tudo o que aconteceu naquelas duas horas de filme.*

Itachi demora a responder e ela percebe que ele talvez tenha dormido, Sakura sabe que ela não dormiu. Agora mesmo, de olhos fechados, só consegue lembrar do filme, isso a faz abrir os olhos novamente.

Seu olhar volta para a tela ao ouvir o toque indicando mensagem nova.

*Tive uma ideia.*

Sakura espera por uma mensagem explicando a ideia, mas ao invés disso, vê uma ligação que não demora a atender.

*Então, como está sua noite?*

—        Cansativa.

*Pensei que talvez pudéssemos conversar até pegar no sono.*

Isso surpreende a rosada, mas ela apenas sorri.

—        Do jeito que estou teremos uma longa noite.

*Como disse, estou sem sono, então não tenho problema em passar a noite falando com você.*

Sakura liga o viva voz e coloca o celular ao seu lado, de bruços com os braços unidos abaixo do travesseiro observa a tela ainda brilhante.

—        Não sei porque estou com tanta dificuldade para dormir.

*Desculpe por isso, a culpa é nossa por ter sugerido o filme.*

—        Não, eu aceitei, a culpa é minha.

*Vamos dividi-la então.*

Sakura sorri.

—        Por mim tudo bem.

Sakura boceja e fecha os olhos.

*Estava pensando no que disse mais cedo.*

—        Eu disse muitas coisas, - a voz dela sai um pouco mais lenta que o normal - é um dom meu falar demais.

*Isso não é um problema para mim, realmente não me importo de ouvir sua voz.*

Ela abre um sorriso fraco.

—        E sobre o que exatamente eu te fiz pensar?

*Sobre se desculpar mesmo que não esteja errado. Eu não havia cogitado a ideia de voltar a falar com meu pai antes dele vir se desculpar comigo, mas talvez pense sobre isso.*

Ele se cala e um momento de silêncio se faz presente.

*Sakura?*

A voz do moreno é a única ouvida no quarto da rosada, mas não há resposta. Depois de alguns segundos de silêncio o moreno volta a falar.

—        Boa noite Cerejinha.

Itachi encerra a chamada com um sorriso no rosto e observa o teto se lembrando da despedida deles.

Ele não esperava por um beijo, mesmo depois de perceber que ficaria sozinho com a rosada ele não esperava por um. É claro que aquele não foi um beijo pelos quais está acostumado, nem como o outro que eles deram, mas o fato dele ter acontecido por si só já é um grande avanço.

O moreno se lembra também da conversa que teve com ela no Rio Naka, assim como do que disse a poucos minutos e, apesar de seu olhar continuar focado no teto, seu sorriso se desfaz.

—        Já fazem oito anos ahn.

Depois de sua discussão com o pai, Itachi não voltou a falar com ele. Quando entrou na faculdade de engenharia logo percebeu que aquilo não era o que queria de sua vida. O Uchiha nunca gostou do trabalho do pai, não a parte criativa, ele até gostava disso, mas o fato de que ele teria que cuidar da construtora quando seu pai se aposentasse.

O moreno foi preparado para isso toda a sua vida, ele era a pessoa que cuidaria do patrimônio da família. Mas quando esteve de frente para os projetos e cálculos simplesmente não conseguiu seguir com aquilo. Essa foi a razão da discussão com o pai.

Fugaku o proibiu de voltar a mansão Uchiha por quase um ano entretanto comprou briga com a matriarca da família e por isso o moreno podia voltar para casa para visitá-la.

Foram três anos de engenharia para que criasse coragem de desistir, ele trabalhava para pagar seus estudos então ao menos isso não deve ao pai.

Quando foi para a editora do tio, trabalhou ao lado dele e gostou do que eles faziam lá, então iniciou uma faculdade de tecnologia de fotografia, onde aprendeu muito do que sabe. Por fim se aprofundou no assunto e assim foram anos de sua vida.

Ele simplesmente é apaixonado pelo que faz e não mudaria nenhuma das decisões que tomou. Nesses anos, seu tio foi para ele como um pai e ele o ama por isso, mas a verdade é que o moreno sente saudades do antigo Fugaku, daquele que ria com ele, que conversava, que dava conselhos. Sim, o patriarca era muito bom em conselhos, principalmente com as mulheres. Itachi sente falta daquele homem, mas nenhum dos dois tentou se resolver e assim, os anos se passaram.

Sakura o fez pensar e nesse momento ele se pergunta se é capaz de ir falar com seu pai depois de tanto tempo. Mas, afastando os pensamentos, prefere não pensar nisso agora, então fecha os olhos e tenta dormir.

 

Quando a luz do dia o desperta Itachi solta um longo suspiro, parece que esquecer sobre a decisão de ir ou não falar com seu pai não é uma tarefa tão simples como imaginou. Isso porque não teve uma boa noite de sono e nas poucas horas que conseguiu dormir sonhou com isso.

Não teve uma boa conversa com o patriarca no sonho, aliás. Eles discutiram em cada segundo o qual ele se lembra, é algo imaginável afinal.

Itachi se levanta para tomar seu café da manhã e como de costume liga a televisão para ouvir o jornal enquanto come. As notícias não merecem nota então ele apenas continua a pensar no sonho que teve e isso o incomoda.

Uma coisa é fato, só vou esquecer isso quando tiver resolvido.

Ele suspira com o pensamento então volta para ao quarto para trocar de roupa e pegando as chaves da moto deixa o próprio apartamento.

Ao seguir para o elevador vê um de seus vizinhos se aproximar também.

—        Bom dia.

O ruivo diz.

—        Bom dia.

Itachi o responde e clica no botão que o levará ao estacionamento.

O homem ao seu lado se chama Gaara, Sabaku no Gaara, e ele sabe disso porque trabalha em uma editora, não há apenas revistas de fofoca lá, inclusive uma importante revista sobre negócios de Konoha tem a editora como criadora. E isso faz o nome do ruivo ser conhecido.

Os dois não são amigos, não conversam entre si e nunca tiveram essa familiaridade, também não tiveram desavenças nem nada do tipo. São apenas vizinhos, nada mais. O único problema que o Uchiha tem com o ruivo aconteceu quando descobriu que ele é um conhecido de Sakura, no dia do evento, mas considerando que tem adversários mais perigosos, como Sasori e Sasuke, o ruivo não o incomodou tanto.

A porta do elevador se abre e Itachi segue para sua moto deixando o prédio sem demora.

 

A grande mansão Uchiha está a sua frente. O moreno tira o capacete observando a construção a qual cresceu, esse lugar tem suas melhores lembranças, muitas delas com seu pai.

Se erguendo da moto ele deixa o capacete e segue para a porta de entrada que sempre está aberta. É um costume da mansão, sua mãe pegou essa mania com os Uzumaki, Kushina nunca gostou de portas fechadas.

Ele passa pela porta e vê Hiroshi, o mordomo da família.

—        Senhor Uchiha.

O homem faz referência ao se aproximar.

—        Sua mãe saiu com a senhora Uzumaki, não sei dizer quando volta.

—        Não tem problema, não vim vê-la. - o mordomo o observa sem entendê-lo - Meu pai está?

Há silêncio. Assim como os familiares e amigos, os empregados também sabem que Itachi e Fugaku não se falam a anos, então ouvir isso do primogênito realmente é uma surpresa.

—        Então?

—        Ah, claro. Sim senhor, ele está no escritório.

—        Ótimo, peça para que ninguém nos interrompa por favor.

—        Claro senhor.

O moreno segue para o escritório do pai. Faz muitos anos que não anda por esses lados da casa, faz muito tempo que não entra no escritório do patriarca da família.

Parado em frente a porta de madeira escura Itachi hesita. Ele não sabe se essa é uma boa ideia, Fugaku nem deve se importar que não conversem, talvez o melhor seja ir para casa e esquecer isso.

Aprendi que não precisamos estar errados para nos desculparmos, a voz da rosada invade seus pensamentos, se nos importamos com o outro devemos tentar fazer as pazes. Mexe um pouco com o orgulho, mas no fim é recompensador.

Ao se lembrar do que Sakura lhe disse não há mais hesitação, e o moreno dá três toques na porta.

—        Entre.

A porta é aberta e uma pequena fresta é criada, essa fresta aumenta e Fugaku ergue o olhar de seus papéis para saber de quem se trata pousando os olhos então sobre seu primogênito.

Para uma pessoa normal, isso passaria despercebido, pois a única alteração na feição do patriarca são suas sobrancelhas levemente erguidas. Entretanto, Itachi conhece muito bem o homem a sua frente, conviveu com ele desde sempre e sabe que o Uchiha mais velho está surpreso com sua presença.

—        Sua mãe não está, um dos empregados deve ter dito isso.

Ele volta sua atenção aos papéis.

—        Não vim falar com ela.

O mais velho volta a erguer o olhar focando suas orbes negras sobre o filho.

—        Então o que faz aqui?

—        Quero falar com o senhor.

Há surpresa novamente, dessa vez os lábios dele se entreabrem e até mesmo desconhecidos perceberiam a mudança. No entanto, a feição séria que ele costuma manter volta ao seu rosto e ele apoia os braços na mesa a sua frente observando Itachi com atenção.

—        Estou ouvindo.

Itachi se cala, ele não sabe como falar ou o que falar, por isso apenas se aproxima do pai fechando a porta ao passar pela fresta criada. Os olhos de Fugaku mantêm-se sobre ele e o acompanham até que Itachi pare de andar se colocando a poucos centímetros da mesa.

—        Fazem oito anos que não nos falamos. - Itachi desvia o olhar do pai - Por causa disso a mamãe teve que cancelar todos os almoços e reuniões de família por um tempo. Acho que ela foi quem mais sofreu nisso tudo. Ela ainda se incomoda porque não nos falamos e considerando que não podemos jantar todos na mesma mesa ou passar um dia em família é compreensível. Ela provavelmente acha que não há mais uma família, ou talvez encare isso como tendo duas, uma com você e outra comigo. - o olhar do moreno se volta para o pai.

—        Mikoto não nos vê como duas famílias distintas e também não acha que essa família tenha sido desfeita, - Fugaku diz fazendo Itachi se calar - ela apenas espera o momento certo para unir todos de novo. Ela faz isso sempre que pode, talvez seja parte de um plano maior que não conta para ninguém.

—        Sim, essa seria uma coisa dela.

Há um curto período de silêncio então Itachi volta a falar.

—        Pensei sobre isso, sobre como ela se sente ao nos ver separados e por isso acho que deveríamos nos entender.

O patriarca da família observa seu primogênito com certa surpresa. Fugaku está acostumado a pedirem desculpas a ele, mas ele não costuma fazer isso, essa personalidade também é vista em seus filhos fazendo com que isso seja, sem sombra de dúvidas, uma característica Uchiha. Esse fato faz com que ouvir Itachi o deixe extremamente surpreso, nunca imaginou que seu filho mais velho cederia e tentaria falar com ele mais uma vez.

—        Tem razão sobre Mikoto, ela não se sente confortável com nossa atual situação e certamente mudaria se pudesse.

—        Sim, e é por isso que estou aqui, talvez pudéssemos tentar conversar civilizadamente.

—        Certamente poderíamos, pelo menos na frente de sua mãe isso a deixaria feliz.

Itachi ergue uma sobrancelha.

—        Não sei se está me entendendo pai.

—        Não, entendi perfeitamente, sua mãe é importante para nós dois e não queremos vê-la sofrer. Você mesmo disse, fazem oito anos que não temos um jantar em família e ela com certeza sente falta disso.

O moreno observa o pai sem acreditar no que acaba de ouvir. O Uchiha mais velho acaba de admitir que não se importa em nunca mais falar com o filho e que se voltarem a se falar será unicamente por causa de sua mãe e nada mais.

—        É claro, - ele murmura - ela com certeza sente.

Fugaku percebe que o filho tem algum problema com o que ouviu.

—        O que foi?

—        Somos assim, todos nós. Essa deve ser uma coisa de Uchiha ou talvez apenas uma coisa sua, - Itachi dá de ombros - não sei dizer.

—        O que quer dizer com isso?

—        Que por um momento pensei que se importasse com nossa situação, mas foi tolice pensar algo assim. Uchiha Fugaku não sente nada disso.

Fugaku se surpreende com o que ouve do moreno e isso o faz se erguer.

—        Eu me importo com o bem estar da minha família, foi você quem se esqueceu que era seu dever cuidar do nosso império.

—        E voltamos a falar da empresa. - ele cerra os punhos - Parece que isso é o mais longe que conseguiremos chegar, acho que foi até melhor do que pensei que seria.

O moreno não consegue esconder a irritação em sua voz ao perceber que a conversa não tem mais chances de ser recuperada.

—        Mas é até um grande avanço considerando que na nossa última conversa você me deserdou.

—        É claro. - Fugaku o observa - Isso é por causa da sua herança.

Itachi paralisa com o que ouve e por alguns segundos apenas observa o pai boquiaberto. Quando as palavras finalmente são absorvidas ele se recupera de seu transe momentâneo e observa o pai extremamente furioso.

—        VOCÊ ESTÁ BRINCANDO, NÃO É? - ele explode irritado - EU NÃO QUERO SEU MALDITO DINHEIRO.

Fugaku mantém o olhar no filho que o observa.

—        Quer saber, - o tom de voz do Uchiha volta a baixar - isso foi um erro. Me desculpe fazê-lo perder seu tempo, passar bem senhor Uchiha.

Itachi sai do escritório do pai irritado pelo ocorrido recente e segue para onde sua moto está.

É claro que isso aconteceu, eu deveria ter imaginado.

Ele chega ao hall seguindo para a porta de entrada.

—        Itachi.

Ele se surpreende ao ouvir a voz do pai, mas a ignora.

—        Itachi.

O tom de voz dessa vez é mais forte e o faz parar se virando para observar o pai.

—        O que você quer? Já entendi que não serei chamado quando o testamento for lido o que mais precisa falar comigo?

—        Tenha cuidado com o tom de voz que usa com seu pai garoto.

—        Não, eu não tenho pai. Perdi o que tinha oito anos atrás.

Fugaku se surpreende com a resposta do filho e vê o quão irritado Itachi está. A fama de estourado da família é dada ao Sasuke, ele sempre foi mais briguento e irritadiço, Itachi por sua vez, sempre foi mais calmo e brincalhão, e raramente erguia a voz. Isso torna a expressão que o moreno leva ainda mais surpreendente.

—        Eu entendi, não sou o filho que queria, não fiz as coisas que queria que eu fizesse e por isso apenas me deserdou. Eu não ligo pro seu dinheiro, não me importo que deixe ele todo para o Sasuke, não ligo que sua empresa seja dada a ele, para ser sincero é até um alívio. Ele trabalhou muito por isso então merece ter a construtora, mas você deveria pensar que não somos seus empregados que simplesmente fazem o que você manda sem questiona-lo. Está zangado por que não quis seguir seus passos? Muito bem. Não acha que mereço sua herança? Ótimo. Você já me deserdou não tenho nada a perder, pelo menos nada que você possa me tirar, porque com o meu esforço, por causa do meu dinheiro, tenho meu próprio apartamento, pago minhas contas e não preciso me preocupar em chegar a sua altura. Amo meu trabalho e estou cercado de pessoas que se importam comigo então fique tranquilo, esse foi o único momento de fraqueza que tive, não vai se repetir.

O moreno se vira para sair, mas sente segurarem seu braço para virarem-no novamente. Apesar de nunca ter levado um tapa do pai, por um breve momento Itachi imagina que a primeira vez disso acontecer chegou, com o pai severo que tem não seria nenhuma surpresa, mas ao contrário de qualquer coisa que tenha imaginado Uchiha Fugaku o abraça.

Itachi não tem reação frente a isso.

—        Eu sempre tive orgulho de você.

Há ainda mais surpresa no rosto do moreno ao ouvir as palavras do pai. Fugaku se afasta do filho, mas mantém as mãos nos ombros dele.

—        Durante toda a sua vida você sempre me encheu de orgulho, é por isso que queria vê-lo cuidando dessa família do mesmo jeito que eu sempre cuidei, mas agora consigo perceber que teve que seguir seu caminho por si mesmo. Você é diferente de mim, sempre foi, na verdade é mais parecido com sua mãe, cheio de atitude e sem medo de seguir aquilo o que quer. Fui um tolo por não perceber isso antes, me desculpe ter demorado tanto para ir atrás de você filho.

Os olhos negros do primogênito estão arregalados, ele não sabe se isso está mesmo acontecendo, deve ser um sonho, só pode ser.

A grande dificuldade do Uchiha em acreditar nisso, não se deve tanto pelas palavras ditas a pouco, claro isso também teve grande efeito, mas é o sorriso fraco que o patriarca leva no rosto que o faz duvidar da realidade. Isso porque, não vê esse sorriso a muitos anos, esse é o sorriso do seu pai, não aquele senhor Uchiha que todos os empregados temem, não. Esse homem é Fugaku, o carinhoso pai ao qual perdeu tantos anos atrás.

—        Nunca fui bom com as palavras, sua mãe sempre cuidou disso, mas sempre foi fácil conversar com você. Acho que esses anos me fizeram esquecer isso.

Um longo suspiro escapa do patriarca e ele solta os ombros de Itachi.

—        Tudo o que construí ao longo da minha vida foi para você e seu irmão, então quando soube que não queria o meu legado me irritei e explodi. Disse palavras cruéis e te expulsei de casa, não fui o melhor pai do mundo, não soube lidar com o que tinha acontecido. Acho que está certo, estou acostumado com todos fazendo o que mando então quando alguém desobedece a uma ordem não sei o que fazer e acabo cometendo erros.

Um soluço choroso é ouvido e ao olhar para o lado em direção à sala eles veem uma mulher muito emotiva observando-os. Nem Itachi nem Fugaku haviam se dado conta de que Mikoto estava ali.

—        Me desculpem eu atrapalhei vocês.

Ela diz secando as lágrimas, mas se aproxima dos dois e abraça o filho puxando o marido pelo terno e um grande abraço com os três é dado.

A morena soluça no peito do filho por algum tempo e o marido se afasta acariciando seu braço. Quando Mikoto se recompõe e afasta seu corpo de Itachi o observa limpando as lágrimas e abrindo um lindo sorriso. Fugaku abraça-a pela cintura se colocando ao seu lado sorrindo ao ver a alegria no rosto da esposa.

—        Eu sabia que vocês iam voltar a se falar.

—        É claro que sabia, - Itachi sorri - você foi a única que não desistiu.

—        É claro que não desisti. Onde já se viu, uma mãe conformada com pai e filho sem se falar.

—        Sim, onde já se viu.

—        Vamos, - ela os puxa para a sala - isso merece um almoço de comemoração. Hiroshi sirva o almoço, vou comer com meu marido e meu filho.

Eles sorriem e a acompanham até a sala de jantar.

Sentados à mesa eles ouvem a matriarca falar sobre inúmeras coisas e nada específico. Ela fala tanto que os dois apenas a escutam com um sorriso. Apenas a felicidade dela parece iluminar toda a casa e Fugaku gosta disso, a muito tempo não a vê tão feliz. Itachi também não se lembra da última vez que viu um sorriso tão belo no rosto da mãe, ele se lembra de sorrisos assim, mas não sabe definir a quanto tempo eles aconteceram isso porque faz muito tempo.

Quando o almoço é servido e Mikoto já contou a eles como a amiga planejou o presente de Naruto e Hinata, ela observa o filho.

—        Mas então, o que te fez vir falar com seu pai?

Itachi ergue o olhar do prato e observa a mãe hesitante.

—        Por que alguma coisa tem que ter acontecido?

—        Porque eu te conheço, sei que não acordou e, de repente, decidiu que queria falar com ele.

É claro que ela sabe, ela o conhece como a palma da mão. Não há razão para surpresa, ainda assim, o moreno está surpreso.

—        Estou esperando.

—        Mikoto deixe o garoto.

—        Ah é assim? - ela observa o marido - Mal se reconciliaram e já estão contra mim?

Fugaku revira os olhos pelo drama ao qual a frase é revestida. Ela é muito boa em fazer isso, convencer a partir de frases desse tipo. E, ao olhar para o filho, o Uchiha mais velho percebe que ela conseguiu mais uma vez.

—        Recebi um conselho e decidi segui-lo.

O olhar irritado que ela levava a pouco se transforma de uma maneira a qual apenas ela é capaz. E nesse momento, um brilho surge no olhar da matriarca da família, Fugaku conhece bem esse brilho, ele se encontra nas belas ônix pelas quais é apaixonado, quando a esposa está animada com alguma coisa e essa coisa, geralmente, constrange aqueles que ama.

—        É aquela garota pela qual você está apaixonado não é?

—        Mamãe, por favor.

—        Não me venha com mamãe, por favor, esperei anos para saber que estava apaixonado, não vai estragar minha alegria.

—        Ela não é uma garota, somos adultos.

O sorriso no rosto dela aumenta.

—        Então é ela mesmo.

Ele percebe o que acabou de dizer e nota que a partir de agora, não vai conseguir fugir do assunto.

—        Quando vai trazê-la para nos apresentar? Quando vou conhecê-la? Tenho que agradecer pelo que fez, por causa dela meu filho finalmente voltou para casa.

—        Não seja tão dramática ok?

—        Não me importa o que acha de mim. Ande logo, me diga quando vamos conhecê-la.

—        Você já a conhece.

Mikoto perde o sorriso.

—        Não me diga que é aquela Izumi.

—        O que? Não.

Ela suspira aliviada.

—        Se fosse ela teríamos sérios problemas.

—        Não, não é.

—        Então?

—        Ela é uma das suas alunas, está fazendo ensaios para o casamento do Naruto, o nome dela é Sakura.

Mikoto se surpreende.

—        Puta merda.

Os dois se surpreendem ao ouvi-la falar um palavrão à mesa.

—        O que foi? Ela disse que vocês se davam bem.

—        Não é esse o problema.

—        E qual é? - Fugaku observa a esposa.

—        Ela seguiu meu conselho. Nunca pensei que faria isso.

—        O que? - Itachi não entende a mãe.

—        Eu a joguei para o Sasuke.

—        Como é que é?

Ele se surpreende e ela fecha os olhos encolhendo os ombros, envergonhada.

—        Me desculpe eu não ia imaginar que você estava apaixonado por ela.

Ele suspira.

—        Não tem problema. Apenas não faça mais.

—        Tá.

 

O resto do dia, diferente do que ele imaginava quando saiu de casa, foi passado com sua família. É claro que Mikoto ligou para Sasuke e o obrigou a ir até lá para que tivessem um domingo me família. Eles não poderiam culpa-la, a última vez que algo parecido aconteceu Sasuke ainda estava na escola. Então, provavelmente por causa disso, nenhum deles reclamou.

Agora ele está em casa, ele se sente mais tranquilo e foi muito bom conversar com seu pai de novo. O moreno entra no banheiro para um banho, mas ouve o toque do celular, isso o faz enrolar uma toalha na cintura e ir atendê-lo. Um sorriso se forma em seu rosto ao ler o nome do contato.

—        Oi.

*Oi. Tentei te ligar mais cedo, mas não atendeu então deduzi que estivesse ocupado.*

—        Ah, não. Na verdade, sai de casa com tanta pressa que esqueci meu celular, me desculpe.

*Não tem problema, só queria me desculpar por te fazer ficar acordado até tarde.*

—        Não de preocupe com isso, o importante é que você conseguiu dormir. Além disso, nem chegamos a conversar muito, você dormiu logo.

*Graças a você, eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Acho que ouvir sua voz me acalmou.*

O sorriso dele aumenta.

—        É bom saber que minha voz te acalma.

*Deveria ficar preocupado, sempre que tiver esse problema vou ligar para você.*

—        Desde que eu possa ajudar, por mim não tem problema.

*Sakura.*

Ele ouve uma voz ao fundo.

*Desculpe, preciso ir.*

—        Que pena.

*Mas agradeço de novo por ter me ajudado, e também pelo dia de ontem. Gostei muito.*

Ele sorri.

—        Sempre que precisar.

*Tchau.*

—        Tchau.

Ela encerra a chamada e ele suspira ao se lembrar que não falou sobre o pai, mas percebe que pode falar sobre isso em outro momento. Jogando o celular na cama, volta para o banheiro para tomar seu banho.

 

Assim que deixa a garagem e chega a sua sala, Sakura se joga no sofá observando o teto. Seu dia foi bom, passou-o com seus padrinhos no clube ao qual são sócios. Recebeu ligações de Ino e de sua mãe, a matriarca enviou fotos do cruzeiro e conversou bastante com a filha, a Yamanaka explicou como acabou indo para a cama com Sai. Aparentemente eles se encontraram de forma totalmente casual na sexta quando a loira foi a um evento de trabalho e acabaram ficando.

Sakura acha que talvez a amiga esteja se apaixonando, é claro que a loira negaria até a morte, mas não impede que seja verdade. Pensando nisso, a rosada sorri com a recordação do sábado que teve, assim como da noite passada. Não imaginou que o moreno ficaria acordado conversando com ela até que pegasse no sono e isso a ajudou a dormir mais rápido até do que imaginaria.

Sua atenção, entretanto é perdida ao ser afastada por seus pensamentos quando a campainha é tocada. Ela se levanta seguindo para a porta em dúvida sobre quem está lá e se surpreende ao ver Sasori.

—        Oi, - ela diz - não me disse que tinha voltado. Pensei que viria só amanhã.

—        Voltei antes.

Ela se surpreende com o que ouve e se preocupa que algo tenha dado errado para ele.

—        Por que? Aconteceu alguma coisa?

—        Posso entrar.

—        Ahn, claro.

Sakura abre caminho para que ele entre e o ruivo não demora a fazê-lo seguindo para a sala, mantendo-se de pé. A rosada apenas se senta recostada no braço do sofá.

—        Queria falar comigo, sobre o que era?

Ela percebe que o tom de voz dele é frio, mas ignora esse fato pois se lembra do motivo pelo qual queria falar com ele.

—        Ahn, é. Eu...

—        Desculpe, mas tem algo me incomodando, quero falar primeiro.

Ela se surpreende com a interrupção.

—        Tudo bem, sobre o que é?

—        Por que não estava aqui na semana passada?

Ela se surpreende.

—        O que?

—        Vim aqui domingo e não te encontrei, onde estava?

Sakura poderia dizer a ele qual foi a razão pela qual ela não estava em casa no domingo, mas não gosta do tom que ele leva.

—        Sei que somos amigos, mas não te devo explicação do que faço.

Isso surpreende o ruivo e o faz fechar os punhos.

—        Então dormiu fora?

O tom dele se torna mais irritado e isso também irrita ela.

—        Já disse que isso não…

—        Quem foi? Foi o Itachi? Ou talvez um daqueles caras que estavam babando por você na exposição, ou um dos que você beijou. São tantos que…

O ruivo para de falar ao sentir o tapa forte da Haruno em seu rosto. Ela não teve total controle do que fazia, mas as palavras de Sasori a fizeram se lembrar do motivo pelo qual queria falar com ele e também a impulsionaram a tomar uma atitude para cala-lo.

—        Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito?

Sasori toca os lábios ao sentir o gosto amargo na boca, foi um tapa e tanto.

—        Temos um combinado, - ela continua - sexo, apenas sexo, sem nenhuma cobrança sem você insinuando que sou uma puta que dorme com todo mundo. E mesmo que fosse, você não tem direitos sobre mim, faço da minha vida e da minha vagina o que eu quiser.

—        É, parece que está mesmo fazendo da sua vagina o que quer.

Sakura sente o sangue ferver e precisa se segurar para não voar em cima do ruivo.

—        Saia da minha casa.

—        Ainda não, ainda temos o que conversar.

—        E o que você quer conversar? - A voz dela se altera - Quer falar sobre como aquela cena que fez com Itachi foi estúpida? Ou quer saber onde passei a última semana? Desde quando preciso te dar satisfações da minha vida? Desde quando você acha que tem algum direito sobre mim?

Ele a observa percebendo o quão furiosa ela está.

—        Não fui eu quem mudou, foi você.

—        Sim, acho que está certíssimo, porque agora me dei conta de que não dá mais. Vou deixar isso bem claro, não importa o que tínhamos, a partir de agora acabou. Nós não temos mais.

Isso surpreende o ruivo. Não que realmente devesse, no estado que ela está, dizendo as coisas que disse, era algo óbvio. Mas ainda assim, ele está surpreso.

—        Então está dizendo que não me quer mais na cama?

Ele se aproxima perigosamente, mas a rosada não mexe um único músculo.

—        Estou dizendo que não preciso mais de você na cama.

Isso enfurece o ruivo e o faz se aproximar mais da rosada prensando-a contra a parede. O olhar e a raiva dela não vacilam e ela continua a olhar atentamente para ele.

—        Tem certeza disso?

—        Nunca estive tão certa em toda a minha vida. A última coisa da qual preciso agora é de alguém que acha que me conhece, a pior coisa que fiz foi ter aceitado ir com você para a cama.

Ele a observa percebendo a seriedade em suas palavras e em seu olhar.

—        A pior coisa? - ele sorri - Não consegui ouvir muito bem quão ruim foi, estava focado nos seus gemidos.

—        Pois é, e olha onde estamos agora. De que adianta ser bom de cama se é só um babaca?

O rosto dele fica sério.

—        Não devia me testar Sakura, posso fazer o que quiser com você aqui e mostrar o quão babaca posso ser, seus vizinhos nem escutariam.

—        Sou muito boa ao me defender, fique a vontade para tentar.

Sasori percebe que ela não está com medo, ela não demonstra isso, essa provavelmente é uma das coisas que mais a tornam atraente. A forma como ela gosta de brincar com o perigo.

—        Se eu sair por aquela porta nossa amizade já era.

—        Nossa amizade acabou no momento em que quebrou nosso contrato.

Ele ainda a observa, mas se afasta.

—        Então acho que não somos mais amigos.

O Akasuna deixa a sala batendo a porta com força. Sakura segue para o sofá e se senta pegando uma das almofadas de encosto e jogando-a longe.

—        Aaargh.

Depois de se acalmar, muito, muito pouco, Sakura tranca a porta e vai para a garagem onde encontra seu antigo saco de areia. Não é fácil carrega-lo, mas ela o monta na garagem e desconta sua raiva ali durante algum tempo.

Quando o suor e a raiva deixaram seu corpo, ela segue para o banho se jogando na cama exausta. Extravasar parece ter ajudado, mas pensar no ruivo apenas faz a raiva voltar, então ela o afasta dos pensamentos, não quer mais se estressar teve um dia muito bom para isso.



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