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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 107


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Capítulo 107 - Capítulo 40 - ITACHI - Agradável companhia


Sakura tem o rosto afundado no travesseiro agora, diferente de como aconteceu com Lee, nesse momento está apenas com raiva, muito provavelmente pela forma como o ruivo anda agindo, não apenas na noite anterior, mas no dia do evento também. Talvez por isso não haja dor por perder um amigo, apenas raiva por se envolver com um babaca. Sakura ama Sasori, mas ele realmente a tirou do sério.

No começo, ela apenas queria que ele entendesse que não poderiam continuar transando se ele estivesse envolvido emocionalmente afinal não queria que o amigo se machucasse. Mas seu sangue ferveu depois da insinuação que ele fez, de novo.

Ela solta um longo suspiro e, com o queixo sobre o travesseiro, observa um ponto qualquer de sua cabeceira.

A Haruno já disse o que sentia a Lee, terminou o que tinha com Gaara e enfrentou Sasori deixando claro que não poderiam ter um relacionamento. Ela se resolveu com todos eles, mas ainda falta alguém com quem a rosada não falou, ainda tem alguém esperando pela sua resposta. Mesmo que Itachi tenha dito que esperaria, ela precisa dar uma resposta ao moreno então precisa entender o que está sentindo.

Com um suspiro ela se ergue e se troca, afinal furiosa ou não, ainda tem que trabalhar.

 

Sakura não tem muito espaço para pensar em nada além do trabalho, ao menos durante a manhã. Com os imprevistos que começaram a surgir na casa de Kotetsu e Izumi, ela sequer está com tempo para focar em outra coisa. Inclusive, pretende passar o resto do dia na obra, depois do almoço irá direto para lá.

Perto da hora do almoço, ela se levanta para sair e se prepara para pegar suas coisas, no entanto, ouve o toque de seu celular.

—   Alô.

*Senhorita, bom dia.*

—   Bom dia Luis, o que aconteceu?

*Nada que tenha que se preocupar. Na verdade preciso que o senhor Uchiha venha para a obra, quero mostrar como vai o andamento, mas não consigo falar com ele já que não atende o telefone.*

—   Entendo, não se preocupe falarei com ele.

*Muito obrigado mesmo senhorita.*

—   Disponha.

*Nos vemos.*

—   Até.

Sakura desliga o telefone e segue para a sala de Sasuke. É estranho que ele não tenha atendido o chefe de obras, ele é geralmente tão paranoico com o projeto que isso foi realmente uma surpresa.

Essa ideia sobre o moreno não é pelo contato que teve com ele na obra, esses poucos contatos nunca foram bons. Não, foram alguns homens que disseram isso, eles acham o engenheiro Uchiha um pouco focado demais no projeto. Na verdade, Sakura até acha isso uma qualidade, mesmo ao ouvir que ele raramente conversa com seus companheiros de obra e se dedica unicamente ao projeto. Ela não sabe o motivo dele ser dessa forma, na construtora Senju todos são muito comunicativos e saber de alguém assim é no mínimo estranho. Mas nessas últimas semanas que passou com ele percebeu que esse é quem ele é então, ainda mais que antes, não acha que seja um defeito.

Sakura deixa seus pensamentos de lado parada em frente a porta e dá dois toques.

—        Entre.

Ela ouve e abre a porta recebendo o olhar do moreno sobre si.

Sasuke se surpreende ao vê-la, mas abre um sorriso para ela que corresponde o gesto.

—        Bom dia. - ele diz.

—        Ahn, bom dia. - ela se entra na sala - Luis quer mostrar o andamento da obra, pediu que fosse ainda hoje se pudesse. Tentou falar com você, mas não atendeu, por isso ligou para mim.

Sasuke tateia os bolsos e percebe que o celular não esta consigo.

—        Devo ter deixado em casa.

Ao olhar o horário no relógio percebe ser onze e quarenta e oito, horário em que a rosada geralmente sai para almoçar. Ele se levanta arrumando as coisas na mesa.

—        Estava mesmo planejando ir depois do almoço, estou saindo agora. - ele observa a rosada - Sakura ainda não conversamos sobre as cercas ao redor do vilarejo e talvez haja alguma coisa que queria acrescentar na obra, quer vir comigo?

Ela se surpreende com o convite.

—        Ir com você? Você quer dizer almoçar?

—        É. A não ser que tenha outros planos.

—        Não, não. Não tenho.

Sasuke se aproxima dela, mas mantém certa distância.

—        Depois podemos ir a obra, percebi que vai lá as vezes. Poderíamos continuar nossa conversa lá.

—        Sim, eu vou, gosto de ver como meus projetos estão ficando, mas infelizmente hoje não posso, tenho algumas coisas para finalizar.

—        Que pena.

—        Mas aceito almoçar com você. Vou apenas pegar minha bolsa.

—        Certo, te esperarei no elevador.

—        Tudo bem.

Ela se afasta e o moreno suspira. De alguma forma ele sente que precisa avançar o máximo que conseguir e almoçar com ela não é a pior coisa do mundo. Claro que a última vez que almoçaram terminaram brigando, mas ele apreciou o momento que estiveram no restaurante aproveitando a refeição e por isso apenas já vale arriscar um almoço.

O moreno pega seu casaco e sai da sala seguindo para o elevador. Quando ela surge em seu campo de visão, já com o casaco e a bolsa, ele não pode deixar de notar o quão bela a rosada está.

Se bem que isso nunca foi um segredo, ela o tira do sério às vezes e gosta de contrariá-lo com frequência, mas ele não pode negar o quão bela ela é.

Karin os observa surpresa ao ver a amiga se aproximar de Sasuke. A aproximação não é tão surpreende na verdade, o moreno esperar por ela é que é, isso porque indica que estão indo almoçar fora. Mas mais que o fato deles saírem juntos, o olhar com o qual o moreno a observa é que chama a atenção da ruiva.

A Uzumaki logo pega o celular e manda uma mensagem para a rosada.

*Ele parece interessado demais, tenha cuidado.*

Depois do que Sakura passou com Itachi, Gaara e Lee, a Uzumaki se preocupa com mais um envolvimento da rosada, afinal ela parecia bastante perdida e um tanto assustada. A ruiva apenas não quer que a amiga se confunda mais, e os observa entrar no elevador enquanto espera por uma resposta.

Assim que entram, Sakura vê o moreno apertar o botão do subsolo, para onde segue sem parar.

—        Se vamos comer perto não precisamos do carro, conheço um lugar muito bom por aqui.

—        Na verdade estava pensando em ir ao Ella’s.

O restaurante em questão é o mesmo ao qual Sakura o levou, o único que serve os vinhos preferidos dela, onde o moreno conseguiu sua bandeira branca.

Sakura se surpreende ao ouvi-lo.

—        Bom, então irei com meu carro.

—        Não é necessário.

Ela o observa confusa, pois está ciente de que disse não poder ir ao vilarejo hoje.

—        Não se preocupe, eu a deixo na empresa antes de ir ao vilarejo.

—        Ah.

Seus lábios se entreabrem pela surpresa e a porta se abre fazendo Sasuke sair. Ela o acompanha.

—        Tem certeza? É um longo caminho. Posso simplesmente...

—        Lá vem você com sua teimosia de novo. - ele a interrompe - É definitivo, você não sabe aceitar gentileza. É geral ou é só comigo?

Ela se surpreende com as palavras, recordando da primeira vez em que aceitou um favor, quando foram para casa juntos no dia do noivado de Naruto e Hinata, ela rejeitou a ideia de primeira, mas acabou cedendo.

O mesmo aconteceu quando ele resolveu pagar a conta, ou até quando se surpreendeu ao vê-lo abrir mão do sorvete. Ela sorri ao se lembrar dessas coisas. É, talvez eu seja um pouco teimosa.

Eles param em frente ao carro de Sasuke e ele a observa.

—        Então? Não sabe mesmo aceitar gentileza?

—        Não se trata disso.

Ela se defende ainda que tenha admitido sua teimosia.

—        Apenas não gosto de depender de ninguém. Entretanto, - ela observa o carro - acho que posso abrir uma exceção, aceito sua gentileza.

Ele sorri e eles entram no carro que logo deixa o prédio.

—        Aliás, - ela o observa - para quem era o sorvete?

Sasuke olha para a rosada com o canto dos olhos.

—        Por que quer saber? Ciúmes?

Ela revira os olhos.

—        Curiosidade.

Ele sorri.

—        Era para a minha mãe.

Ela se surpreende e foca o olhar sobre ele.

—        Nunca te imaginei comprando sorvete para a própria mãe.

No rosto do moreno, um sorriso malicioso se abre.

—        Então já me imaginou?

Ela se surpreende com a pergunta e se lembra que com ele, tudo pode ter dois sentidos.

—        Não tanto quanto fez comigo.

Ela se recupera lhe abrindo um lindo sorriso.

—        Está bem enganada se acha que já fantasiei com você.

—        Então pode deduzir que comigo foi ainda menos.

—        Por que será que não consigo acreditar no que diz?

—        Talvez porque seja alguém extremamente narcisista e convencido.

—        Não sou narcisista, nem convencido. Apenas conheço minhas qualidades e confio no meu taco, - o sorriso se alarga - é apenas uma pena que não saiba o quanto é bom.

Sakura revira os olhos e foca na paisagem, mas ela o faz para evitar olhar na área proibida. A pior coisa a se fazer quando um homem se gaba de seus dotes, é olhar exatamente naquela direção. O moreno percebe que ela desviou o olhar para evitar encara-lo e isso o faz sorrir.

Sasuke desce do carro ao estacionar e Sakura também o faz, logo eles estão caminhando para a entrada do restaurante. Assim que os vê a recepcionista lhes abre um grande sorriso.

—        Mesa pra dois. - o moreno diz

—        Um segundo.

A jovem os leva a uma mesa na qual ambos tem plena visão do quadro ao qual Sakura admirou na última vez em que estiveram ali.

O lugar em questão é de longe, o preferido da rosada, pois pode admirar a arte que tanto gosta. Ela observa o ambiente a sua volta e repara algumas coisas diferentes.

—        Faz um tempo que não venho aqui, a última vez foi com você e parece que foi a uma eternidade atrás.

—        Sim.

Um garçom logo se aproxima para lhes anotar os pedidos e assim que o fazem o rapaz olha para Sakura.

—        Qual vinho desejam?

—        Marine 1923. - Sakura diz e o rapaz se afasta.

—        Pedido diferente?

—        Não é apenas o La belle que é bom.

Ela dá de ombros.

—        Eles parecem gostar bastante de você.

—        Acho que venho aqui a tanto tempo que já me consideram da família.

Os olhos da rosada focam novamente no quadro da parede. Sasuke percebe isso.

—        Parece gostar bastante de arte.

—        Sou apaixonada. Qualquer tipo de arte para mim é extraordinária, não a toa meus amigos são artistas. - os olhos esverdeados se voltam para o moreno - Suas esculturas estarão abertas ao público?

O moreno se surpreende ao notar que ela se lembra que ele esculpe. Sakura ficou um tanto quanto ansiosa por causa do que o entregador lhe disse, por amar arte não gosta de desperdiçar nenhuma oportunidade de aprecia-la.

—        Estou trabalhando nelas, - ele abre um belo sorriso - está convidada para conhecer meus dotes.

Sakura revira os olhos mas não consegue evitar um sorriso.

—        Me disseram que faz tempo que não compra gesso para suas esculturas, faz muito que parou de esculpir?

Ele se silencia um pouco antes de respondê-la.

—        Fiquei algum tempo sem fazer isso, tinha uma agenda corrida com uma empresa para administrar então meu tempo era bem limitado.

—        Isso não era cansativo? Quer dizer, você só tinha tempo para o trabalho. Eu o entendo, o trabalho distrai nossa mente e é uma das melhores coisas que faço, mas até eu que me sobrecarrego algumas vezes pelo trabalho arrumo um tempo para sair, fazer o que gosto.

—        Não era divertido. - ele admite - Conseguia encontrar algum tempo para as minhas necessidades.

Ele sorri e ela revira os olhos mais uma vez, mas o rosto do moreno volta a sua feição distante.

—        Mas não havia nada que me prendesse lá, nada que fosse realmente do meu gosto.

—        E está procurando por alguma coisa assim?

—        Não. Mas confesso que me divirto muito mais agora.

A gerente do restaurante se aproxima trazendo os pedidos. Sakura se surpreende ao vê-la, já que ela raramente fala com os clientes. Assim que coloca os pratos na mesa ela sorri para Sasuke que, ao vê-la, se recorda do vinho.

—        Então conseguiu com que ela te perdoasse.

Sakura apoia os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos curiosa com o comentário. Ela se lembra do vinho e sabe que esse é o único lugar onde o encontraria.

—        Ele contou que tínhamos brigado?

Sasuke engole em seco, não imagina como Sakura irá reagir a isso.

—        Me desculpe, imaginei que deduzisse que foi aqui que ele conseguiu o vinho.

—        Sim, apenas não sabia como, afinal não acho que cederiam uma garrafa facilmente.

—        Não, a senhorita está certa, mas ao saber que ele tentou se reconciliar com a noiva e que esta era a senhorita decidi ajudá-lo, afinal sempre esteve tão disposta a nos ajudar, queríamos poder retribuir o favor.

Sakura se surpreende ao ouvi-la isso definitivamente é algo que não imaginaria sair dos lábios do moreno, entretanto abre um grande sorriso olhando para Sasuke.

—        Foi realmente uma boa ideia querido.

—        É.

Ele diz somente.

—        Bom, com licença tenham um bom almoço.

Eles a observam se afastar.

—        Vai, pode rir, foi a única coisa que consegui pensar na hora.

Ela ri.

—        Serio? Dava pra ser um pouco mais criativo. Poderia dizer que eu vivo em suas fantasias e que estava tentando me conquistar.

O tom debochado está visível na voz de Sakura e Sasuke se irrita.

Agora ela vai me atormentar com isso.

—        Essa seria uma mentira ainda pior.

Ela volta a rir, principalmente porque o sorriso do moreno não volta a aparecer quando ele fala.

—        Tudo bem, deixando as mentiras de lado. Vamos falar sobre a obra.

—        Sim.

Eles almoçam e discutem algumas coisas referentes ao trabalho. Quando terminam, Sasuke a leva para a construtora exatamente como disse antes.

Assim que estaciona ela logo abre a porta e deixa o carro, mas se abaixa um pouco e sorri para ele.

—        Obrigada pelo almoço e por me fazer rir.

—        Claro, claro.

Sakura se endireita e se afasta um pouco de costas, mas ainda consegue vê-lo assim como ele a ela.

—        Até logo querido.

Ela sorri e ele revira os olhos.

—        Vai me atormentar com isso não vai?

Ela ri ao ouvi-lo e ele precisa admitir que é uma bela risada.

—        É claro, ainda pergunta?

Ela se afasta, mas por cima do ombro balança a mão uma vez no ar em um aceno e segue para a construtora.

Sasuke balança a cabeça com um sorriso, apesar de estar tentando transar com ela apenas, tem que admitir que a companhia da rosada o agrada e o faz bastante. Com o pensamento ele se afasta do prédio seguindo para a obra.

 

O resto do dia de Sakura foi bem tranquilo e, assim que sua jornada de trabalho termina ela segue para casa. Apesar de um pouco cansada, não demora muito para sair de casa novamente, seguindo para a aula de hoje.

Ela está, particularmente, excitada com essa aula, ainda que não saiba bem o motivo disso. É estranho estar assim, até porque, a poucos dias atrás apenas queria que Hinata desistisse de ter companhia na dança, mas nesse momento ela quer muito participar. Vai entender.

O caminho até a escola de Mikoto não é longo, já que nesse horário o trânsito é baixo e assim que chega ao estacionamento avista um belo moreno sair do carro.

Ela sorri ao vê-lo, por se lembrar de como ficou irritado no restaurante com sua provocação pela mentira. Ela gosta de provocá-lo, principalmente pela feição que ele leva quando isso acontece e, pensando sobre a pergunta que Itachi lhe fez algum tempo atrás, ela tem uma resposta. Talvez agora já considere Sasuke como um amigo, mas claro que é apenas um talvez.

Sakura estaciona e acelera o passo um pouco para alcança-lo. Ele ainda não havia notado sua presença então se surpreende quando a voz sexy alcança seus ouvidos.

—        Boa noite senhor Uchiha.

Sasuke vira para ela e a vê com um sorriso no rosto. Observar a bela expressão com um irresistível sorriso o surpreende, pois ela causa um arrepio no moreno. Sasuke não se lembra da última mulher que conseguiu fazer isso ou se alguma já conseguiu fazê-lo.

—        Boa noite.

Ele responde se recuperando e eles continuam a seguir para o prédio.

—        Não vejo a hora de apresentar isso.

Ela solta um longo suspiro e ele a observa com uma das sobrancelhas erguidas.

—        É tão ruim assim dançar comigo?

—        Nunca pensei que fosse tão inseguro.

Ela sorri ao falar enquanto eles entram no prédio e seguem para o elevador. Apesar da rosada sorrir o moreno tem uma feição séria no rosto e foca no caminho a sua frente.

—        Não sou inseguro, - ele diz emburrado - sei exatamente do que sou capaz.

—        Não duvido que acredite nisso, mas será mesmo?

Ela sorri e leva o indicador aos lábios pensativa.

—        Fique a vontade para provar se estou certo.

Ele toma a fala se recuperando e lançando um sorriso malicioso a ela que apenas revira os olhos.

—        Sei do que sou capaz não apenas por confiar em mim, mas também porque tive uma boa professora.

—        Concordo.

Isso faz Sasuke rir e as portas do elevador se abrem.

—        Como andam as coisas na obra?

Ela o observa após selecionar o andar que desejam.

—   Melhor do que eu esperava, não demorará muito para que entreguemos o projeto.

—   Tenho que arrumar um tempo para ir lá, já faz alguns dias que não vou.

—   Será bem vinda.

—   É claro que serei, - ela diz com um sorriso - é minha obra.

Ele sorri ao ouvi-la e o elevador se abre.

Sakura é a primeira a sair e isso permite ao moreno notar o quão bela a rosada é de costas, seu quadril e sua bela bunda fazem o moreno se perder um pouco ao imagina-la de quatro para ele.

Sasuke afasta o pensamento, colocando coisas broxantes na mente para não ficar duro nesse instante. Ele se surpreende por uma mulher deixá-lo dessa forma, principalmente porque até então, era ele quem a provocava. Quando consegue afastar o pensamento vai para a sala de ensaio seguindo-a.

Assim que entram na sala Sakura consegue sentir o olhar de Mikoto sobre si e, diferente de todas as vezes com as quais a morena a olhou, a Haruno percebe um olhar sério e cauteloso.

—        Quero que me mostrem tudo o que aprenderam até agora, vamos ver se vocês já se esqueceram como é.

Mikoto espera que todos estejam em seus lugares, com seus respectivos pares, e quando isso acontece coloca a música.

—        E não é que consegui te transformar em um pé de valsa?

Sakura sorri ao observar o moreno.

—        Você não conhece a palavra modéstia não é?

—        Apenas quando me convém.

Ele sorri.

—        Já notei isso.

—        O que quer dizer?

Ela ergue uma sobrancelha.

—        Você gosta de deixar claro o quanto é boa, em todos os sentidos da palavra. Ainda que eu tenha certas dúvidas sobre isso.

O sorriso da rosada aumenta.

—        E você está louco para descobrir.

—        Você sonha um pouco demais sabia?

—        Sinceramente Sasuke, - ela solta uma risada baixa - você era melhor escondendo o que pensava.

—        Do que está falando?

—        Não sou cega, sei que te interesso.

—        Essa é uma coisa que dividimos então.

Ela pensa um pouco sobre isso. Não pode negar que ele a atrai, mas ver isso agora não a deixa tão excitada com a ideia quanto fazia antes. Ela apenas não entende o porquê.

Alguém limpa a garganta e quando eles focam na direção do som veem Naruto com um sorriso no rosto.

—        Já acabamos a revisão.

Mikoto, a dona da distração dos dois, os observa ao falar.

—        Vamos mais uma vez, tem algumas coisas que vocês fizeram errado.

Mikoto segue com sua aula e eles conversam entre si, se perdendo algumas vezes nos passos e se distraindo com bastante facilidade. A conversa flui tão naturalmente que eles não acreditariam ser possível algumas semanas atrás.

Mikoto nota isso e, nessa aula mais que as outras, pega no pé deles. Quando a aula termina Sakura e Sasuke se afastam pela primeira vez na noite e observam a senhora Uchiha.

—        Kushina e Minato não poderão vir segunda feira, Hisashi também terá compromisso nesse dia, se importam de vir ensaiar nessa quinta?

—        Por mim tudo bem. - Sakura diz.

—        Pra mim também. - Hanabi concorda.

—        Sasuke?

—        Pode ser.

O moreno dá de ombros e Hinata e Naruto concordam também. Com isso Mikoto dispensa sua pequena turma.

Assim que a turma é dispensada a rosada segue para falar com Hinata que acena para ela, mas antes de se afastar do moreno ela lhe lança um belo sorriso.

—        Até mais Sasuke.

Ele sorri de volta.

—        Bons sonhos.

Sakura se aproxima de Hinata que a observa com o olhar preocupado. Isso faz a expressão da morena ficar diferente da qual a rosada está acostumada, por isso Sakura a nota de imediato.

—        O que foi?

—        Não é nada.

—        Você não é boa com mentiras.

A morena abre um sorriso fraco.

—        Não sou muito, não é?

—        O que foi?

—        Não quero parecer que estou te julgando, e juro que não estou, mas você não tinha escolhido o Itachi?

Sakura se surpreende.

—        Hina, acabei de descobrir que ele gosta de mim e que eu meio que gosto dele, mas isso é bastante novo pra mim. É sério, nem sei o que são esses sentimentos para ser sincera. Sasuke está menos irritante do que antes então estamos desenvolvendo um relacionamento saudável e sem brigas o que é ótimo já que trabalhamos juntos, mas isso não quer dizer que vou pra cama com ele.

—        Eu sei, desculpe.

—        Não foi nada. Então, o que queria comigo?

—        Ah é, queria uma ideia para as lembranças dos convidados.

—        Eu estava mesmo vendo isso.

Sakura procura pela bolsa e pega o celular. Elas conversam por algum tempo e Sakura segue para casa.

Ao chegar Sakura vai para o banho e assim que termina prepara alguma coisa para comer se sentando para assistir um pouco. Quando vê que já está tarde a rosada lava a pouca louça que sujou e vai para a cama logo depois, assim que repousa a cabeça no travesseiro, cai no sono quase que imediatamente.

 

O resto da semana que se segue é insana. Toda a sua atenção é dedicada a casa pela qual está responsável. Ela ficou muito pouco na empresa e ainda menos no vilarejo, mas a aula de quinta foi bastante agradável. Sakura nunca pensou que diria algo parecido, mas o moreno até que é uma boa companhia. E agora ela suspira cansada se jogando na cama em plena sexta feira.

As meninas a atormentaram para uma saideira, mas ela não está muito a fim de sair hoje. E esteve tão ocupada que sequer falou com Itachi.

Ela se recorda do que disse a Hinata, que não estava entendendo seus sentimentos, o que não é mentira, ela realmente não sabe se o que sente é paixão. Ela gosta de Itachi e o moreno desperta nela um desejo forte, mas não sabe definir se isso é o que gostaria que fosse. Essa foi a principal razão pela qual ainda não deu uma resposta a ele, por mais bonito e forte o sentimento que tem pelo Uchiha, não pode dizer que está apaixonada.

No entanto, apesar de suas dúvidas uma coisa é fato, ela sente muita falta dele. Nessa semana corrida, sequer teve tempo de conversar com o moreno, era de casa para o trabalho e quando voltava estava exausta demais para poder conversar. Ela queria, realmente queria, estar desperta o suficiente para manter uma conversa com ele, mas sempre que ele falava com ela estava cansada demais e a conversa não durava muito.

Sakura se lembra que muitas vezes pela manhã tinha que se desculpar por não tê-lo respondido, claro que ele dizia não se importar, mas ela se sentia desconfortável mesmo assim.

Nesse instante mesmo, ela gostaria de chamá-lo para uma conversa, mas sequer consegue manter os olhos abertos e com as dúvidas a rondar-lhe a mente, perde a consciência.

 

Os raios de luz que passam através da cortina iluminam o quarto despertando-a. Um longo suspiro escapa da rosada e ela abre os olhos espreguiçando-se.

Seus olhos se focam sob o próprio teto, enquanto se lembra dos pensamentos da noite anterior. Ela tem certeza apenas que sente saudades dele e que quando esta com ele não se importa com nada mais.

As lembranças do sábado passado lhe voltam a mente e ela sorri, ela quer passar mais tempo com ele, quer estar perto dele, quer falar com ele, rir com ele. Sakura percebe que o moreno se tornou mais importante do que tinha se dado conta.

O toque do despertador a afasta de seus pensamentos fazendo-a se erguer saindo da cama.

Depois do café da manhã, a Haruno segue para a construtora e cumprimenta seus colegas ao passar por eles. Ela teve que resolver algumas últimas coisas da casa de Kotetsu e Izumi antes de deixar o prédio e ir até o local da construção.

A rosada encontra apenas os responsáveis pela obra, os donos não estão ali é por isso que suas ordens são mais fáceis de ser dadas. Ela não gosta de trabalhar ao lado dos clientes porque as pessoas raramente entendem seu raciocínio imediatamente e ela precisa ficar se explicando. Talvez esse tenha sido o problema com Sasuke e sabendo disso ela poderia ter evitado, mas agora já é tarde.

O dia dela é todo nessa obra em especial, a qual ela acredita terminar antes do casamento de Naruto e Hinata ou ao menos assim espera, pois está pensando seriamente em pedir férias a Tobirama.

Faz tempo que a arquiteta não trabalha em um sábado, mas decidiu ir para a obra hoje já que não tem planos para o fim de semana e um imprevisto surgiu. Sem contar que já passou toda a semana trabalhando, um dia ou dois não farão tanta diferença e como os operários trabalham no sábado com ou sem sua presença então não mudou muito.

No fim do dia ela segue para casa onde toma um longo banho e, depois de uma refeição, cai na cama cansada.

O domingo também não é tão tranquilo quanto se espera porque ela passou boa parte dele na obra. Como no dia anterior acredita que tenha sido uma boa coisa já que não tinha nada planejado para o dia.

Na noite de domingo deitada em sua cama, se lembra do fim de semana que teve. Esse foi bastante diferente dos anteriores, não foi nada animado mas não foi de todo ruim pois a distraiu um pouco e esvaziou sua mente durante dois dias inteiros, ou quase. Ela se lembra das coisas que Itachi a fez sentir nas últimas vezes que se encontraram e abre um grande sorriso tomando uma decisão.

—   Vou chamá-lo para sair.

Ela diz decidida. Sakura percebeu que sente algo bastante forte pelo moreno e quer ter certeza do que é antes de dizê-lo ao Uchiha. Sendo assim, a melhor forma de saber o que sente por alguém é passando mais tempo com ele. Aproveitando que seu trabalho diminuiu um pouco, afinal trabalhou como escrava na semana que se passou, ela tem algum tempo de folga, não muito, mas o suficiente para ele.

Ainda com um sorriso no rosto, tentando pensar em um programa legal para se fazer, a rosada cai no sono.

 

Sakura se levanta determinada a ter um encontro com Itachi, por isso depois que toma o café da manhã pega seu celular e observa a tela depois de abrir a janela de mensagens com o moreno. Após respirar fundo começa a digitar.

*Bom dia.*

*Já começou bem.*

Ela sorri e morde o lábio inferior.

*Está livre hoje?*

*Durante o dia?*

*Não, estou trabalhando durante o dia. Quero saber se está disponível a noite.*

*Sim.*

Sakura entreabre os lábios hesitante.

*Algum motivo para me perguntar se estou livre?*

*Quer sair comigo?*

*Que pergunta, é claro que quero.*

Ela volta a morder o lábio.

*Às oito?*

*Planejou alguma coisa?*

Ela hesita, não conseguiu chegar a uma conclusão na noite passada, antes de ter um veredicto dormiu.

*Pela hesitação acho que a resposta é não.*

*Queria ter certeza que estava disponível antes de planejar alguma coisa.*

*Ótimo.*

Ela não entende a mensagem.

*Te pego às oito então.*

*O que?*

*Eu queria te chamar para sair, mas como estava bastante ocupada com o trabalho decidi esperar um pouco, não que me agradasse, você me fez falta, mas ainda assim eu esperei. Agora, como está com tempo e quer um encontro, eu o planejo.*

Ela se surpreende com o que lê e sorri ao perceber que ele também sentiu saudades.

*Tem certeza?*

*Nunca estive tão certo na vida. Então, posso pegá-la às oito?*

*Às oito então.*

*Até lá.*

Ela solta um suspiro aliviado e deixa escapar um sorriso. A rosada se ergue colocando a louça suja dentro da pia e segue para o quarto onde pega o celular. Dessa vez, porém, não é com o moreno que ela fala e sim no grupo das amigas, mas não o grupo comum.

Com o casamento tão perto, ela tem que planejar o chá de lingerie e as melhores pessoas para ajudarem-na com isso são suas amigas, é por isso que abre o aplicativo de mensagens e abre a janela do grupo Chá de panelas - Surpresa pra Hina.

*Tudo bem garotas, é o seguinte. Quero vocês na minha casa às seis da tarde na sexta, como eu tinha dito antes vou levar a Hina para lá às nove, mas preciso de uma mãozinha na casa. O Naruto já sabe que eles não podem sair na sexta e inventou alguma desculpa.*

*E o que vai dizer pra ela?* - Tenten.

*Invento algo na hora.* - Sakura.

*Aqui estão a função de cada uma:
Porca e Temari - Pensem nas brincadeiras
Tenten - Compra as coisas para a decoração
Rika - Separa as músicas
Hanabi - Prepara as guloseimas
Eu e Karin - Compraremos os presentes* - Sakura.

*DE FORMA ALGUMA!!!* - Porca

*O que é Porca?* - Sakura.

*Você e Karin vão comprar os presentes? Não vai ter nada legal.* - Porca

*ESTÁ DIZENDO QUE EU TENHO MAU GOSTO SUA LOIRA AZEDA?* - Karin.

*Ino está certa, vocês irão comprar coisas comportadas demais. Por que não fazemos assim, Ino e eu também levamos alguns presentes. Não teremos problemas com as brincadeiras, teremos bastante tempo para comprar algumas coisas.*

*Se preferirem assim, não vejo problema.* - Sakura.

*É sério isso?* - Karin.

*Nós vamos comprar coisas que ela realmente irá usar, coisas fofas que a Hina goste, o lado selvagem que apenas o Naruto conhece fica por conta da Porca e da Temari.* - Sakura.

Karin não responde por algum tempo.

*Karin?* - Sakura.

*Responde logo quatro olhos.* - Porca

*Ah, foda-se, pode ser.* - Karin.

*Ótimo, vejo vocês em casa, não se esqueçam SEIS HORAS.* - Sakura.

*Tá, tá Testuda, a gente sabe.* - Ino.

Sakura guarda o celular, pega sua bolsa seguindo para a garagem e dirige para o trabalho.

 

Ao chegar na empresa não permanece muito tempo e logo vai para a obra do vilarejo. Ela está bastante ansiosa por esse projeto, ainda mais porque está próximo do fim. Os homens que trabalham na obra são bastante eficientes, mas ela tem que admitir, que Sasuke também é muito bom no que faz, ele sempre resolve os problemas que surgem sem muitas dificuldades e rapidamente, talvez tenha sido por isso que apenas mudou o hospital de lugar quando viu que perto do rio poderia haver problemas. Ela ainda não admite que ele tenha mexido em seu projeto, mas pelo menos agora o entende.

Referente a obra, todos estão se esforçando ao máximo, até mesmo os advogados, cuidando da papelada que eles não cuidam e ela nunca imaginaria que esse projeto terminaria tão rápido.

Assim que chega ao rio estaciona o carro perto dos outros e desce caminhando pela obra, todos os que a veem a cumprimentam com um aceno, um sorriso, palavras ou ambos. Ela observa o parquinho que desenhou, ele ainda não está pronto considerando as prioridades é de se esperar que essa parte em especial demore um pouco para ficar pronta, mas mesmo assim, já consegue visualizar seu desenho como se os traços ganhassem forma, ganhassem vida e se tornassem reais, aqui mesmo a sua frente.

As casas onde as crianças ficarão, as quais já deu uma olhada são grandes o suficiente para não haver superlotação. O projeto de cada casa tem uma cozinha, uma sala, cinco quartos, sendo que são quatro para as crianças e um para os supervisores, cada quarto tem capacidade para duas beliches e há vinte casas assim. Ou seja, caberá muitas crianças.

Além das casas há uma pequena construção onde as crianças receberão seus estudos, já que a escola mais próxima fica a muitos quilômetros. Além da biblioteca e, claro, do hospital.

Ao olhar o lugar onde está Sakura se lembra do acampamento de verão que foi quando era menor, esse lugar a recorda de lá e ela sorri com a lembrança.

O dia chega ao fim e sem demora a Haruno segue para casa animada e com um belo sorriso desenhado em seus lábios, afinal tem um encontro.



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