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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 115


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Capítulo 115 - Capítulo 48 - ITACHI - Novo Amigo


Sakura sente uma respiração calma no peito ao qual tem a cabeça repousada. Ela imagina que ele esteja dormindo então ergue o olhar para observa-lo e como suspeitou, o moreno tem uma feição pacífica no rosto e com os olhos fechados dorme tranquilamente.

Ela sorri ao se lembrar da noite que teve, não se lembra de ter tido alguma noite melhor do que a passada. É claro que por ter acontecido a pouco parece mais intenso e melhor do que das outras vezes, mas não é isso. Ela conseguiu sentir algo a mais, aproveitou o sexo como nunca o fez antes e a melhor parte é que não foi apenas sexo.

Sakura não sabe o que está sentindo agora, mas sabe que é algo novo, que nunca presenciou antes e ela gosta desse sentimento, seja ele qual for.

O ritmo da respiração do moreno muda e ela percebe que ele despertou. Não demora para que os olhos negros se voltem a ela e um lindo sorriso se forme em seus lábios.

—        Bom dia. - ele diz.

—        Bom dia.

—        Se eu soubesse que não levar um capacete fizesse tão bem, teria deixado em casa antes.

Ela ri e a mão do moreno toca seu rosto com o polegar acariciando os lábios ainda um pouco vermelhos pelo batom.

—        Você é linda.

Ouvi-lo faz Sakura corar e desviar o olhar envergonhada.

—        Ah claro com a maquiagem toda borrada. - ela murmura ainda de olhar baixo.

—        Não, eu só consigo ver você.

Mais uma vez ela se sente envergonhada e não consegue erguer o olhar para observá-lo.

—        Acho que essa foi a melhor despedida de solteiro que já fui.

Ouvi-lo a faz rir e finalmente focar suas belas íris esverdeadas sobre ele.

—        Tenho que dizer que concordo com você.

Ele sorri e a admira um pouco mais em completo silêncio, apenas acariciando a pele macia. Sakura gosta do carinho que recebe, os toques trazem a ela uma serenidade que sequer poderia explicar.

—        Então, - ela foca os olhos até então fechados sobre o moreno ao ouvi-lo - de quem foi a ideia de aparecer na despedida de solteiro?

—        Da Temari, as meninas estavam aflitas por que tinham seus namorados em um lugar cheio de strippers.

—        Não eram strippers. Além disso, não podíamos tocar nelas então não tinham com o que se preocupar, os namorados fiéis só foram tentados um pouco.

—        Não era tão simples, não haviam apenas pessoas comprometidas lá.

—        Não acreditou que eu cumpriria a promessa?

—        Não se trata disso, o problema é que o terreno era muito perigoso.

Ele ri da forma como Sakura coloca a situação, mas mantém o olhar sobre a rosada.

—        Então duvidou de mim.

Sakura desvia o olhar dele.

—        Desculpe, está zangado?

—        Tá brincando? - ele ri - Adorei ver seu interesse em mim.

Um sorriso adorna os lábios da rosada ao ouvi-lo.

—        Mas acho que podemos tornar isso oficial, assim não precisará se preocupar mais com isso.

Ela volta a focar seu olhar sobre o moreno.

—        O que me diz? Quer namorar comigo?

O pedido surpreende a rosada.

—        Apesar de você ter feito o pedido indiretamente ontem, acho que merece um pedido direto.

Sakura se lembra que disse que foi à despedida de solteiro para cuidar do que pertencia a ela e ver que o moreno percebeu que ela quer algo sério a deixa imensamente feliz.

—        É claro que se ainda não quiser nada sério podemos...

—        Quero.

O moreno se surpreende com a interrupção.

—        Você aceitou?

Sakura se senta e o observa confusa.

—        Espera, não era o que queria?

—        É claro que era. - ele se senta também - É apenas que, depois de tanta hesitação porque confusa pensei que pudesse precisar de mais tempo. Não estou te julgando nem nada assim, - ele diz rapidamente - disse que esperaria por uma resposta afinal, é só que me pegou de surpresa.

—        Desculpe por isso.

—        Não importa mais, - ele a puxa para perto e a rosada sorri novamente - agora você é minha, só minha e eu sou seu.

—        Eu gosto disso.

Ele sorri e a deita na cama com as costas para o colchão.

—        Gosta é?

—        É.

O moreno a beija, mas a rosada não aprofunda o beijo afastando-o logo.

—        Eu preciso ir.

—        O que? Mas já?

—        Tarefas de madrinha. Preciso ir ao ensaio e não tenho nenhuma roupa além da fantasia.

—        Que ficou incrível em você preciso dizer.

Ela ri e o moreno acaricia o rosto dela.

—        Acho que posso te dar uma carona.

Ela morde o lábio inferior contendo uma risada.

—        O que foi?

—        Estou imaginando uma gatinha na moto.

Ele a observa entendendo a situação.

—        Podemos resolver isso.

Itachi sai de cima dela e abre o guarda roupas a procura de algo, quando encontra o trás de volta para a cama na qual Sakura está sentada.

—        Não vão ficar perfeitas, mas cabem em você.

Ela sorri.

—        Você só não quer que eu esteja fantasiada para todos verem, não é?

—        Que pergunta, é claro que eu não quero. - ela ri - Além disso, - ele volta a deita-la na cama. - minhas roupas vão ter o seu cheiro, é um bônus.

Ela ri novamente e o moreno se aproxima para beija-la, mas o beijo não dura muito.

—        Vamos, ou vou me atrasar.

—        Maldito ensaio.

Ela o afasta e pegando a roupa segue para o banheiro.

Itachi a observa se afastar com um sorriso no rosto, ele não a segue porque se o fizer não vai poder se controlar. Mas, mesmo que não possa ficar algum tempo mais com ela, está extremamente feliz e é com esse sorriso que ele se levanta para preparar o café da manhã e mostrar a Sakura seus dotes culinários.

 

Sakura termina de se vestir, dessa vez em sua casa, com a própria roupa. Itachi já foi embora, ele queria levá-la, mas teve que resolver um assunto com o tio e não pôde. O imprevisto não foi um problema para ela e disse isso ao moreno, mas ele não gostou do que aconteceu afinal disse que a levaria. Entretanto, esse não pareceu ter sido o único motivo pelo qual ele se irritou, a rosada percebeu que Itachi não gostou do que ouviu pelo telefone. Talvez pergunte o que aconteceu depois.

Sakura pega as chaves do carro e a bolsa, pegando o celular para ver se alguém já deu falta dela, mas não há nenhuma mensagem nova, suas ultimas conversas foram no grupo das amigas e com Sasuke. Ver o nome do moreno a faz abrir a janela e reler a última mensagem.

*A Hina pediu pra dizer ao Naruto que chamei vocês para sair, assim ele vai acreditar mais. E ela já avisou o Suigetsu para que ele ligue para vocês em alguns minutos.*

*Obrigado.*

Hinata enviou mensagens a Naruto mas seu celular descarregou e em meio a tantas coisas a fazer a morena sequer sabia onde estava seu carregador, por isso precisava que alguém falasse com o moreno. Como Sakura era uma das únicas que tinha o número do engenheiro foi a ela que a noiva pediu o favor, então a rosada enviou a mensagem.

A única mensagem que Sakura enviou a ele foi referente ao trabalho, isso porque havia dito que não era necessário trocar mensagens, mas acabou tendo que trocar as mensagens. Não que isso a incomode agora, na verdade é como se ele fosse um amigo, então realmente não a incomoda.

Ela vai para a garagem e se encaminha para a mansão Uzumaki onde precisa estar em meia hora. Graças a Hinata, que a avisou no dia anterior, a rosada está indo ao ensaio, já que havia se esquecido completamente e não apenas desse ensaio, como também do ensaio extra de dança que será feito na quinta feira. Ela não sabe bem o motivo pelo qual não o farão também na segunda, mas considerando que todos estão muito bem imagina que seja por isso.

 

A grande construção logo aparece em seu campo de visão e ela estaciona próximo a porta principal, assim que desce do carro caminha até a porta e um empregado surge a sua frente.

—        Bom dia senhorita.

—        Bom dia.

—        Siga-me, por favor.

Ele a guia pela casa, a qual sozinha com certeza se perderia, e logo chegam a uma área verde onde há um belo gazebo de madeira branca no fim dele.

O lugar já está repleto de pessoas, entre eles as damas de honra juntamente com seus acompanhantes, os pais dos noivos, noivinhos, o juiz e claro, o padrinho. No entanto ela não vê nem Naruto, nem Hinata.

Sakura se aproxima das amigas que estão em uma conversa animada.

—        Oi.

—        E você como foi sua noite? - Karin observa a rosada que abre um sorriso fazendo alguns gritinhos deixarem as amigas.

—        Nós estamos namorando.

A animação das amigas aumenta ao ouvi-la.

—        E a noite foi demais, ele foi o melhor, em todos os sentidos.

As amigas entendem com essa simples frase que o Uchiha é muito bom no que faz. Isso porque, considerando todas as descrições que a rosada já deu a elas, descrevê-lo como o melhor apenas comprova que ele é muito bom.

—        E vocês?

—        Tivemos todas uma boa noite. - Tenten diz.

—        Menos a Ino.

Sakura olha de Temari para Ino.

—        Por quê?

—        A dela foi ainda melhor, conseguiu um lindo espécime para si.

Sakura se surpreende.

—        Vocês também estão namorando?

—        Não, não. - Ino diz rapidamente - Elas estão exagerando, ele só me chamou pra sair.

—        E podemos ver no brilho dos olhos dela que foi como ouvi-lo pedi-la em namoro.

As meninas riem.

—        Não seja idiota quatro olhos.

—        Ela ainda não admite que está caidinha pelo moreno.

Sakura ri.

—        Porca uma hora isso ia acontecer, você se atraiu por ele esse talvez seja o momento certo para se apaixonar, não acha?

—        Sabemos que está com medo Ino, - Tenten diz - mas é o risco que faz tudo valer a pena.

A loira suspira e Hinata se aproxima.

—        Oi meninas, desculpem a demora.

Olhares maliciosos são lançados para a morena e até mesmo Ino se recuperou.

—        Não tem problema, estava satisfazendo alguém especial. - Sakura abre um grande sorriso.

—        A noite foi longa coelhinha? - Karin sorri.

—        A minha? Fiquei sabendo que invadiram a despedida de solteiro.

As meninas riem.

—        Foi épico, - Karin diz - depois contamos os detalhes.

—        Certo, vamos começar.

Elas se preparam para o ensaio e cada uma se aproxima de seu determinado acompanhante, isso faz Sakura se aproximar de Sasuke. Ela se lembra da noite anterior, de como o moreno ficou, e isso a faz abrir um belo sorriso.

—        Bom dia.

Sasuke se surpreende ao ouvir a voz da rosada, mas apenas sorri de volta.

—        Bom dia.

—        Bela ideia a que tiveram para a despedida do Naruto.

—        A de vocês foi ainda melhor. Pelo que ouvi eternizou minha festa.

Ela ri e dá de ombros.

—        Faço o que posso.

Ao ouvir o mestre de cerimônias limpar a garganta os dois esquecem sua conversa e focam o olhar sobre ele.

—        Prestem atenção em mim, por favor.

Ele ganha a atenção de todos e assim o ensaio começa.

 

O homem fala muitas coisas e explica detalhadamente como tudo deve seguir. De acordo com o que disse, dá para se imaginar o quão bela a cerimônia será.

—        Então, - o moreno presta atenção na rosada ao ouvir um sussurro - aproveitou bastante ontem?

Sasuke desvia o olhar dela e foca-o novamente sobre o mestre de cerimônias.

—        Não se preocupe comigo.

—        Como não? Seria uma pena não ter aproveitado nossa surpresa, foi para vocês que levamos mulheres solteiras também.

—        Mas poderiam ao menos ter me avisado, aquilo me pegou desprevenido.

—        Mas essa era a intenção.

Sasuke sabe, mas não gostou da surpresa, nem um pouco. Apesar de isso ter feito da sua festa ainda mais interessante, ele não gostou do imprevisto. Eles ouvem alguém limpar a garganta e notam os olhares sobre si.

—        Os padrinhos já podem vir.

Esquecendo-se da conversa que tinham, os dois começam a caminhar em direção ao gazebo e não voltam a se falar até o fim do ensaio.

 

Quando o mestre de cerimônias dá sua última indicação, Kushina avisa que um almoço será servido e eles se dispersam um pouco.

Alguns grupos são formados, como os rapazes, as garotas e os pais, porém Sakura permanece onde está apenas observando a área a sua volta. Ela está feliz pela noite passada e pela manhã que teve, o dia que se seguiu também foi bastante agradável, mas está preocupada com Itachi, ele parecia aborrecido com a ligação.

—        Cansada de interagir com os outros?

Ela se vira para olhar Sasuke que se aproxima. Ele estava ao lado de Naruto, longe dela até esse momento então não voltaram a se falar por isso.

—        Não posso dizer que seja algo ruim. - ele dá de ombros - Mas não é do seu feitio.

A rosada se surpreende com o que ouve, afinal ainda que tente esconder o moreno parece um pouco preocupado. Ela desvia o olhar focando no gazebo e abre um sorriso.

Parece que ele consegue se importar com as pessoas.

—        Estava pensando na reação do Naruto ao descobrir que era a Hina.

Um sorriso aparece no rosto do moreno.

—        Ele ficou apavorado, provavelmente pensava em todas as formas com as quais Hinata poderia mata-lo.

Sakura ri.

—        Não duvido que tenha feito isso.

—        Mas depois relaxou ao descobrir que era ela e aproveitou o resto da surpresa.

Sakura sorri e volta seu olhar para o moreno.

—        Mas você deve ter aproveitado bastante, mesmo antes de chegarmos.

Sasuke se cala ao recordar da noite anterior, mas não quer demonstrar o quanto aquela situação o incomodou então apenas abre um sorriso e ergue a sobrancelha.

—        Por que a curiosidade? Interessada?

—        Vai sonhando Uchiha.

Ele sorri e desvia o olhar dela colocando as mãos nos bolsos e olhando as nuvens no céu.

—        Na verdade, eu estava muito ocupado com a organização daquilo, nem tive tempo pra beber direito.

—        Minha nossa, - ela se surpreende - deve ter sido triste.

O moreno a observa com o canto dos olhos, porém mantém a cabeça levemente erguida.

—        Digo, foi o único em uma despedida de solteiro que não teve um cuidado especial.

Sasuke se surpreende, mas sorri e vira todo o rosto na direção dela.

—        Estava esperando que se oferecesse. Parece bastante interessada no que fiz. Se for isso pode dizer, não é tão surpreendente assim.

—        Ah, não, não me entenda mal é apenas preocupação mesmo. Digo, também era um convidado apesar de estar organizando tudo, devia ter se divertido também.

Ele percebe que ela está sendo sincera em suas palavras o que o surpreende um pouco, mas permanece com o sorriso no rosto.

—        Além disso, - ela continua - já tenho namorado.

Nesse momento, o sorriso do moreno se desfaz pela surpresa. Depois do que viu ontem era de se esperar que Itachi estivesse tendo progresso, mas não a esse ponto, apesar de tudo essa é a última coisa que o Uchiha imaginava ouvir hoje.

—        Pelo menos você tem o consolo de ter feito uma boa despedida para ele. Não é um padrinho tão ruim como pensei que seria.

Ele não responde e ela acha o fato estranho esse é o momento em que ele se defende ou reclama pelo comentário.

—        Sasuke você está bem?

Ele olha para ela.

—        Hum, sim, por que pergunta?

—        Bom, você não retrucou.

—        Não tenho culpa por pensar mal de mim, faz isso desde sempre.

Ele dá de ombros surpreendendo-a com o que diz e isso a deixa sem fala por alguns segundos.

—        Mas como um antigo amigo dizia, - ele volta a falar - prefiro surpreender a decepcionar.

O moreno abre um breve sorriso que apesar de ser forçado Sakura não percebe. Ainda assim, a rosada achou estranha a ausência de uma resposta e também pelo que disse depois.

—        Sim, acho que sim.

—        Oye vocês dois. - Naruto acena para eles - Venham comer.

—        Bom, - ela sorri para ele - acho preciso mesmo de uma bela refeição.

Sasuke abre um fraco sorriso correspondendo-a.

—        Sim, somos dois.

Eles se aproximam dos outros onde tem um almoço repleto de risadas e histórias, de Naruto, de Hinata e de algumas aventuras dos amigos.

 

A segunda chega cansativa, apesar de ter tido um bom domingo Sakura ainda estava preocupada com Itachi, entretanto o moreno não a respondeu quando lhe enviou mensagem na noite anterior perguntando como foi seu dia, fato esse que a preocupou ainda mais. Apesar de não ter uma resposta ainda, volta a enviar uma mensagem ao moreno.

*Estava pensando em um jantar hoje, você pode?*

Não há resposta então ela apenas espera que ele responda algo ao decorrer do dia. Para não pensar nisso e sofrer por antecipação, Sakura não demora a se erguer e se aprontar para o trabalho.

Seu caminho corriqueiro até a construtora é substituído, pois segue em direção à casa de Kotetsu e Izumi. Sakura pretende finalizar esses dois projetos até o fim do mês, o que não é impossível. A construção da casa vai de vento em popa e o vilarejo já está nos últimos detalhes, todos os prédios já estão de pé, apenas é necessário realizar o acabamento e assim inaugurar o lugar, ela está ansiosa por isso.

Sakura simplesmente amou planejar uma vila inteira, mas não é por isso que está tão ansiosa e sim pela reação das crianças.

No entanto, não é apenas a aprovação das crianças que espera, não que realmente se importe com o que os outros além dos moradores do lugar pensam. Isso porque, haverão pessoas importantes de Konoha e a imprensa em peso estará lá. O fato a assusta um pouco, ainda que críticas construtivas sejam excelentes para progredir está com certo medo.

A imprensa aparentemente foi ideia dos chefes desse projeto, Uchiha Madara e Senju Hashirama. Karin disse que a imprensa no local fará com que mais pessoas se interessem e queiram ajudar o orfanato, isso a deixa feliz.

Ao chegar na casa dos noivos, verifica como as coisas estão indo. Nada ali está fora de seus desenhos e isso é gratificante. Depois de algum tempo resolvendo pendências, sai para almoçar o que a leva ao Ella’s já que o restaurante não é tão longe.

Assim que chega ao restaurante é bem recebida e faz uma boa refeição como de costume. Durante a espera da conta, Sakura pensa em como seria bom se eles entregassem comida, já que mesmo tendo falado com eles sobre isso antes, não resolveu muito. Pensar no restaurante a faz se lembrar de Sasuke e que o moreno conseguiu algo extraordinário, que lhe dessem um de seus espetaculares vinhos. Aquele foi mesmo um gesto e tanto, mesmo que a rosada seja uma fiel freguesa.

A pessoa que trás sua conta, como acontece desde que visitou o lugar com Sasuke, é a gerente e a rosada abre um belo sorriso que lhe é retribuído.

—        É sempre bom revê-la senhorita.

—        Sim, gosto de vir aqui.

Sakura pega seu cartão.

—        E gostaria muito que fizessem entregas.

A mulher abre um sorriso gentil para Sakura.

—        Senhorita já falamos sobre isso.

—        Sim, eu sei. É que seria muito bom. Hoje mesmo estou planejando um jantar caseiro para o meu namorado e seria ótimo ter a comida de vocês.

A gerente sorri.

—        Se é um jantar caseiro comidas de restaurantes não se encaixam.

Sakura ri.

—        Sim, sim, tem razão.

—        E sempre que quiser comer nossa comida é bem vinda para trazê-lo. Aliás, - a rosada foca o olhar sobre a mulher - pensei que já estivessem noivos.

Sakura se surpreende, ela se esqueceu totalmente sobre como Sasuke conseguiu o vinho, apenas se lembrou que ele conseguiu para se desculpar com ela, mas se esqueceu que havia dito que eram noivos.

—        Sim, nós somos. É que ainda me confundo às vezes.

—        Entendo.

—        Enfim, - Sakura tenta encerrar o assunto - é realmente uma pena.

—        Sim, é uma pena. Vou cobrar sua conta, com licença.

Sakura entrega o cartão e a vê se afastar dando um suspiro em seguida.

—        Aquele Uchiha arrumou pra minha cabeça. - ela diz para si mesma e espera pelo cartão.

Quando a mulher volta a se aproximar da Haruno, ela leva uma garrafa de vinho nas mãos o que surpreende Sakura.

—        Espera, - a rosada diz assim que a gerente se aproxima - o que é isso?

—        Um agradecimento.

—        O que?

—        Estava mesmo pensando em como a agradeceríamos.

—        Vocês não podem sair dando vinhos assim.

A mulher ri.

—        Não se preocupe, ele foi pago.

—        Como assim?

—        Seu amigo veio aqui, o pintor do quadro, - Sakura se surpreende - o que gastou aqui, paga por essa garrafa.

—        Ainda assim eu não posso aceitar.

—        Por favor, é um agradecimento. Ele não é o primeiro que vem ao nosso restaurante por recomendação sua. E muitas das pessoas que nos visitam são conhecidas e com isso conseguimos muitos clientes.

—        A comida de vocês é boa e nem há o que ser dito do vinho, não é por minha causa que vocês são tão elogiados. É um medito de vocês.

—        Vamos senhorita, é apenas um vinho. Pelos quadros que doou.

Sakura fica sem fala por alguns poucos segundos.

—        E... Eu realmente não sei o que dizer.

—        Que tal obrigada?

—        Bom, então obrigada.

A mulher sorri e entrega a garrafa a Sakura.

—        Obrigada pela preferência. Volte sempre.

—        Claro.

Sakura deixa o lugar realmente surpresa pelo que acaba de acontecer, afinal não esperava por isso. O caminho até a casa de Kotetsu e Izumi é curto e ela logo está de volta à obra.

Seu trabalho exige muito dela mas, ainda que tente se concentrar, seus pensamentos continuam a voltar ao restaurante.

Como vou explicar para eles que Sasuke e eu não somos noivos? E depois de receber esse vinho é ainda pior.

Sakura se sente culpada pela mentira e se irrita por ter concordado com o moreno naquele dia. Na verdade não está irritada por ter concordado, aquele foi um bom almoço e ela não teria respondido de forma diferente, o que a irrita é que agora tem problemas por causa disso.

Depois de soltar um longo suspiro exasperado, consegue volta a se focar em seu trabalho.

 

Sakura passa algum tempo no lugar, afinal ainda tem uma parte da casa na qual não tem ideia de como progredir. É uma área que os donos não tem ideia do que querem e como é seu trabalho precisa de uma ideia para oferecer, mas ainda não conseguiu pensar em nada desde quando viu essa área vazia.

—        Talvez uma estufa. - ela diz pensativa.

—        Boa tarde.

Sakura se vira e vê Izumi se aproximar.

—        Ah, boa tarde.

—        Está ficando magnífico. A forma como fez esse terreno parecer maior do que ele é foi incrível. Fizemos bem em te procurar.

—        O-obrigada. - a rosada diz sem graça.

—        É estranho ver tudo assim, sem estar pronto digo.

—        Geralmente os clientes só vêm à obra quando ela está finalizada.

—        Gosto de ver as coisas progredirem, gosto de ver o passo a passo, parece mais gratificante no final.

Sakura a observa surpresa, entendendo ao que ela se refere.

—        Sim, acho que está certa.

Ela volta a planta que está na mesa e Izumi se coloca a sua frente observando o papel.

—        Estava pensando em fazer algo que vocês se interessem, como uma estufa, por exemplo, o espaço e encanamento tornariam possível montar uma aqui.

—        Eu gosto da ideia.

A morena sorri e Sakura rabisca um desenho na planta.

Elas passam algum tempo em silêncio enquanto Sakura termina de rever seu projeto.

—        Sakura você está transando com o Sasuke?

A rosada se surpreende com a pergunta e, mesmo que o fato não seja verdade, ergue o olhar para a morena a sua frente suspirando.

—        Não quero ser indelicada nem grossa Izumi, mas isso não é da sua conta.

A morena se surpreende com o que ouve.

—        Ele não é como você pensa.

Sakura percebe que ela está tentando fazê-lo parecer a pior pessoa do mundo apenas por ouvir o tom que a morena leva e isso irrita a rosada.

—        Como eu penso? - ela ergue uma sobrancelha - Você até está certa em um ponto, ele me surpreende cada vez mais.

Izumi se surpreende mais uma vez.

—        Veja bem Izumi, não envolvo meus clientes com assuntos pessoais, então gostaria que não voltasse a falar sobre isso.

—        Vai se arrepender se continuar com ele.

Sakura percebe o tom hostil e se surpreende.

—        Está me ameaçando?

—        Não, estou avisando.

—        Agradeço a preocupação, - Sakura deixa clara a ironia na última palavra - mas se continuar a se meter na minha vida, não poderei ser responsável por esse projeto.

—        Tudo bem, não falarei mais nisso, apenas se considere avisada.

Izumi se afasta.

—        Tenha um bom dia de trabalho.

Ao perdê-la de vista, Sakura deixa o lápis em cima da mesa soltando um suspiro frustrado. E ao rever a conversa que teve a pouco se surpreende pelas respostas que deu, mas nota que teria defendido qualquer amigo com a mesma intensidade. Com isso finalmente percebe que realmente considera o Uchiha um amigo.

A intromissão de Izumi em sua vida, apesar de irrita-la a deixou curiosa pelo que a levou a isso. A morena estava morta de ciúmes é claro, mas por quê? Será que Sasuke e ela já namoraram? Ela se lembra do ar melancólico do moreno ao falar sobre Izumi. O que ela fez para ele?

Mesmo depois de algum tempo, Sakura não consegue voltar a focar no trabalho com a curiosidade e um pouco de irritação ainda presentes, e como já está próximo de escurecer decide ir para casa.

 

Já em casa a rosada toma um longo banho e se joga no sofá. Ao olhar o celular percebe que tem uma mensagem de Itachi.

*Desculpe, hoje não posso. Alguns problemas no trabalho estão me dando dor de cabeça.*

*Que pena, senti sua falta.*

*Também senti a sua, prometo tentar resolver isso logo. Compenso você com um almoço amanhã, que tal?*

*Tudo bem, nos vemos amanhã.*

*Até amanhã, boa noite.*

*Boa noite.*

Sakura suspira e ao pensar em Itachi se lembra que Karin disse que a morena era amiga tanto do mais novo quanto do mais velho. Ela não gosta de saber que Izumi era amiga do primogênito Uchiha, felizmente o ciúmes da noiva só se estende a Sasuke. Isso a faz pensar nos dois e com isso percebe algo que não tinha reparado antes, o olhar e tom de voz que Sasuke levava ao falar de Izumi era bem parecido com o de Tatsuo. Não era igual, isso porque o Uchiha parecia ter algum tipo de ressentimento, e a rosada imagina que tenha sido uma decepção amorosa.

Talvez ela o tenha traído. Sim, essa é a única coisa na qual consegue pensar, até porque, como Karin disse, depois disso o caçula começou a ficar com todas.

Sim, ele com certeza foi traído. Mas tem mais coisa. Ela morde o lábio pensativa e se ergue indo para a cozinha preparar um chocolate quente.

Quando volta para a sala e se senta para assistir algo apreciando a bebida ouve o toque de seu telefone. Sakura se aproxima do aparelho fixo estranhando, afinal ele raramente toca.

—        Alô.

*O que está fazendo agora?*

A voz animada de sua mãe a assusta um pouco.

—        Estou assistindo, por quê?

*Se troque agora, coloque a roupa mais sexy que tiver.*

—        Mãe.

*Vou buscá-la em vinte minutos.*

—        Mamãe.

*Esteja pronta.*

O telefone é desligado e ela ouve apenas o toque.

—        Alô. Mãe.

Respirando profundamente ela termina sua bebida indo em seguida para o quarto onde coloca uma roupa casual temendo o que a espera.

A campainha logo é ouvida e depois de pegar sua bolsa a rosada segue para a porta.

—        Credo, o que é isso?

Mebuki entra na casa empurrando a filha.

—        Uma roupa como qualquer outra.

—        Não vai sair comigo desse jeito. Só vamos sair daqui quando estiver usando algo descente.

—        Onde vamos?

—        Surpresa.

—        Mãe.

—        Cale a boca e venha logo trocar de roupa, parece até uma velha ranzinza.

Mebuki caminha até o quarto da filha, onde abre o guarda roupas e tira um belo vestido negro que tem as costas desnudas, não há decote, mas ele é justo desenhando todo o corpo da rosada até a altura dos joelhos.

—        Sexy sem ser vulgar, perfeito. Vista isso.

—        Não antes de me dizer onde vamos.

Mebuki suspira.

—        Me conseguir netos.

Conhecendo a mãe como conhece isso não é nenhuma surpresa.

—        Tudo bem, vamos por partes. Qual o nosso destino?

—        Vamos logo Sakura, não temos a noite toda.

—        Apenas me diga qual o nosso destino, o que custa?

—        É uma reunião de ex-alunos, quero exibir minha linda filha e talvez conseguir um genro qual é o problema nisso?

Sakura se sente mais relaxada, por um breve momento teve medo de sua mãe a levar para uma boate para que se interessasse por alguém, apenas para transar e engravidar. Acredite, Haruno Mebuki é capaz disso. Sakura não está interessada em conhecer ninguém afinal agora namora, mas prefere manter esse fato oculto da mãe por enquanto ou a matriarca Haruno vai extrair tudo dela. Apesar do seu desinteresse em relacionamentos, decide aceitar o convite da mãe de sair um pouco.

—        Certo, eu troco de roupa, - Sakura pega a peça - mas por que esse vestido?

—        Não me ouviu? Quero mostrar a todos a filha gostosa que tenho e lhes causar inveja, além de deixar os filhos deles desejosos o suficiente para querer me dar netos.

Sakura revira os olhos.

—        Me espere na sala.

—        Calce um sapato descente também.

—        Tá mãe, tchau.

—        Tá, tá, estou indo.

Mebuki sai do quarto e Sakura se veste.

 

Sakura observa as pessoas no salão. Sua mãe a apresenta a inúmeras pessoas e todas abrem um belo sorriso elogiando-a. Felizmente, em algum momento dessa reunião conseguiu se distanciar da mãe que a estava jogando para todos os solteiros que encontrava.

Um pouco distraída, ao se aproximar de uma bancada de drinks a rosada esbarra em alguém que, por reflexo, a segura para que não caia.

—        Me d... - ela se interrompe surpresa com o que vê - Sasori?

—        Olá Sakura.

Ele a endireita e se afasta um pouco mantendo o olhar sobre ela, que ainda está surpresa e não esconde isso. A última vez que se falaram não terminou de maneira muito amigável. Relembrar isso a faz dar um passo atrás mantendo a expressão séria.

—        Desculpe por esbarrar em você, com licença.

Sakura passa por ele, mas sente uma mão em seu braço, na área acima do cotovelo. Ela se vira para olhar para ele.

—        Então vai ser assim?

Sasori a observa com o olhar atento em seu rosto pouco maquiado, mas que, no entanto, destaca os belos olhos esverdeados que tanto o agradam.

—        Como queria que fosse? - Ela o faz focar seu olhar nos belos lábios rosados - Sou só mais uma puta não é, por que se importa?

O ruivo se silencia por alguns segundos. Ele certamente explodiu naquela noite e parece que não será fácil desfazer o que disse.

—        Eu estava alterado, o que disse...

—        Há três coisas na vida que nunca voltam atrás. - ele se cala - A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Não tente se desculpar agora, não perca seu tempo.

Ele solta o braço dela.

—        Então não faz diferença para você que nossa amizade tenha terminado?

—        Esse é o seu problema, acha que pode fazer algo errado, se desculpar e tudo volta ao normal, como era antes.

A garganta de Sakura parece apertada.

—        Aquelas palavras me enfureceram, eu fiquei com muita, muita raiva do que ouvi do babaca que ia comigo pra cama. Mas foi ainda pior acordar no outro dia e perceber que aquilo foi dito pelo meu melhor amigo.

Ele ainda a observa sem dizer nada e vê algumas lágrimas molharem o rosto delicado.

—        Uma das pessoas que era mais importante para mim, alguém que eu amava com todo o meu coração simplesmente me mostrou que não me conhece, acho que nunca conheceu e fui apenas ingênua demais acreditando nisso.

Ela não se importa com o que fala, depois das coisas que ele disse, acha que o ruivo sequer pode se ferir com algumas verdades ditas por sua boca.

—        Mas isso não importa mais. - Sakura seca as lágrimas - A partir de agora não somos nada mais que estranhos. Adeus Sasori.

Ela se afasta, mas sente a mão em seu braço impedindo-a de continuar uma vez mais.

—        Nada daquilo foi real, é isso o que está dizendo?

Ela se vira para ele que a solta.

—        E você acha que foi?

—        Durante todos esses anos, estive ao seu lado vi todas as suas conquistas, estive ao seu lado em cada momento e ainda acha que nada disso teve importância?

—        Você não foi o único, eu também sempre te apoiei sempre estive ao seu lado, sempre. Todas as noites em que não conseguia dormir porque estava irritado ou preocupado eu passei acordada com você, todas as suas exposições, mesmo que não pudesse estar pessoalmente eu te parabenizava. Mas de que vale tudo isso, eu não te reconheço mais, pode dizer que me conhece?

Ele se cala.

—        Então é isso, vai ser como se nunca tivéssemos nos conhecido, todos os anos como se não fossem nada?

Sakura sente as lágrimas rolarem de novo.

—        São recordações, recordações de uma vida passada. Uma vida que não pode voltar.

Sasori não a responde. Ele se odeia por fazê-la chorar, mas é como a rosada disse não pode voltar atrás em suas palavras. E, ainda que naquele momento não pensasse em nada mais do que a raiva por saber que ela estava com alguém que não era ele, deveria ter medido as consequências de suas palavras.

—        Sakura?

Mebuki se aproxima ao ver a filha chorando.

—        Vamos embora.

—        Claro, claro. Vamos.

Elas se afastam do ruivo e o salão onde os ex-colegas de escola da matriarca Haruno estão logo fica para trás.

 

Mebuki não perguntou a filha o motivo das lágrimas, isso porque sabe bem que foi Sasori quem as causou, ela conhece o ruivo e sabe que eles eram amigos, mas aparentemente as coisas já não são assim. Também decidiu não perguntar, pois foi a responsável por tirar Sakura de casa para início de conversa.

O carro para em frente a casa da rosada que observa a mãe.

—        Mamãe, - Mebuki observa a filha. - não precisa me arrumar um namorado. Já estou namorando então isso ficaria estranho.

A matriarca Haruno se surpreende com o que ouve.

—        Desculpe não ter dito antes. - ela continua - Então pode, por favor, parar com isso?

—        Claro querida.

—        Obrigada. - Sakura abe um sorriso fraco e abre a porta do carro - Boa noite mãe.

—        Boa noite querida.

Sakura desce do carro e não demora a entrar na casa, seguindo para o quarto e se jogando na cama assim que a vê. As lágrimas molham o travesseiro e, para ajudar, Lee também ronda seus pensamentos relembrando que não voltou a falar com o rapaz, assim como Gaara com quem não tem tanto contado quanto antes.

Sua mente também a faz pensar em Itachi, ela gostaria muito que o moreno estivesse aqui nesse momento, tudo o que precisa é de um abraço dele, um abraço como aquele que lhe deu quando estava indecisa.

Pode me procurar quando quiser. A voz do moreno lhe volta a memória, mas ela apenas permanece abraçada ao travesseiro.

Depois de algum tempo a rosada se ergue e se troca vestindo seu babydoll, ao ir para o banheiro limpa rosto e retira tanto a maquiagem quanto as lágrimas. A mulher no espelho não parece muito animada, apenas cansada e entristecida.

Soltando um longo suspiro ela volta ao quarto e logo já está deitada em sua cama pronta para ir dormir. O toque do seu celular porém, a impede de fazê-lo.

Ao pegar a bolsa no criado mudo, retira o aparelho e o observa. A princípio, Sakura pensa se tratar de sua mãe ou talvez de Itachi, gostaria que fosse ele, mas ao desbloquear a tela vê que é Sasuke. Se sentando extremamente surpresa com a mensagem, tanto pelo horário quanto pela pessoa em si, abre a janela de mensagens.

*Boa noite.*

*Boa noite*

Sakura o responde ainda surpresa, pois mesmo que tenha ciência de que Sasuke agora tem seu telefone, não esperava por uma mensagem dele.

*Você teria o número de Izumi?*

A surpresa de agora a pouco, nem se compara com a desse momento, ela está estática e precisa de algum tempo para processar o que acabou de ler.

A única coisa que consegue pensar nesse momento é na conversa que teve com Izumi mais cedo, coisa que até antes de desbloquear o celular parecia ter acontecido décadas atrás. A conversa com a morena volta a sua memória como se fosse algo que tivesse acontecido a apenas alguns minutos e a curiosidade lhe ronda, mas ela sabe que não pode perguntar o motivo pelo qual ele quer o número.

Se Sasuke for como Tatsuo faz sentido que a rosada queira mantê-lo longe da morena, talvez o interesse nesse assunto seja exatamente esse. Ela se lembra do amigo e de como ele sofreu, nunca quis ver nada parecido acontecer a ninguém, nem mesmo com seu pior inimigo e nesse momento, nem com o Uchiha.

*Sakura?*

Ela desperta e procura pelo número ao qual não demora a encontrar.

*Me desculpe eu estava procurando.*

Ela envia o contato com o nome de Izumi.

*Obrigado.*

Ela permanece encarando a tela durante algum tempo. Se estivesse conversando com algum amigo não hesitaria dessa forma, mas o moreno não é exatamente o que chamaria de amigo. Sua relação com Sasuke não se parece como a de nenhum de seus amigos e ela não pode dizer que o conhece realmente. Sequer sabe o que ele dirá se ela perguntar sobre a morena.

—        Provavelmente vai fazer alguma piada.

Ela sorri. Sim, essa com certeza seria uma coisa que o moreno faria. Sem hesitar mais, decide digitar uma mensagem a ele.

*Sei que não é da minha conta, e antes que faça qualquer piada não é por interesse em você, mas qual sua história com a Izumi?*

Depois de enviar Sakura não vê uma resposta por vários segundos, apesar de saber que ele visualizou a mensagem. Pensando nisso percebe que talvez só quisesse conversar e ele foi a primeira pessoa que apareceu, mas é claro que eles não são próximos para que Sasuke conte sobre sua vida.

Sakura afasta o celular e se deita novamente. Tocar a cabeça no travesseiro a faz lembrar de Sasori e por isso pega outro macio objeto abraçando-o. Realmente, ainda que tenham anos de convívio você nunca conhece a pessoa como ela é, isso é uma coisa triste porque assim não pode confiar em ninguém.

Ela balança a cabeça. Não, Sasori é uma exceção nem todos são assim. Sei que conheço meus amigos e sei que eles me conhecem. Mas será mesmo?

Um longo suspiro escapa e o toque do celular alertando mensagens a faz estender a mão para pegar o aparelho. Ao desbloquear a tela, percebe ser Sasuke.

*Não é nada de mais, éramos amigos na infância ou pelo menos eu pensava que fossemos. Mas ela apenas queria se aproximar do meu irmão. No fim eles acabaram ficando e não voltei a falar com ela.*

Ao terminar de ler, Sakura relê a mensagem mais uma vez para ter certeza do que o moreno escreveu.

*Deixa eu ver se entendi, ela queria se aproximar do Itachi e por isso fingiu ser sua amiga?*

*Exatamente.*

*Que vadia filha da puta.*

A raiva que Sakura sente da morena nesse momento não é apenas porque ela já ficou com Itachi, ela está muito puta por descobrir isso, mas essa não é a única razão pela qual acha que Izumi é a maior vadia que já conheceu. Isso porque, apesar de Sasuke fazer parecer que foi algo a toa, ela se lembra perfeitamente como ele fica ao falar com a morena ou sobre ela. O ressentimento e a mágoa são sempre visíveis.

*Nunca estive tão de acordo com você.*

*Se ela é uma vadia dessas, por que caralhos quer o número dela?*

Ela não consegue evitar expressar na mensagem a raiva que sente de Izumi nesse instante.

*Agora já posso achar que é interesse?*

*Não, não pode. Porque não é.*

*Ela arrumou problemas com uma velha amiga e para não processa-las queria falar comigo.*

Sakura se surpreende e se lembra da conversa que teve com a morena.

*Parece mesmo que ela está interessada em você.*

*Não vejo motivos, cada um seguiu com sua vida, não temos mais nada um com o outro. Não há motivo para interesse.*

*E ela está noiva, quão filho da puta isso é?*

*Parece mais irritada com ela do que eu.*

Sakura se surpreende e percebe que ele está certo.

*Não concordo com quem age assim, essas pessoas me enojam.*

*Sim, acho que é mais uma coisa que concordamos.*

*E você ainda sente raiva dela?*

*Não mais. Agora ela é apenas um daqueles erros que temos vergonha de admitir que cometemos.*

Sakura ri.

*Sim, posso entender isso.*

*É verdade, você já foi presa.*

Ela se surpreende por ele lembrar de algo tão antigo quanto o buraco.

*Até que não é ruim conversar com você.*

Ela sorri ao ler.

*Sim, você não é tão insuportável quanto parece.*

*Isso deveria ser um elogio? Tem que melhorar nisso.*

*É tudo o que vai conseguir de mim Uchiha. Até.*

*Até.*

Ela volta a colocar o celular ao lado e suspira. Foi bom se distrair um pouco, mesmo que tenha sido com Sasuke, isso a fez se esquecer da discussão que teve com Sasori. E agora quer apenas perder a consciência terminando esse dia o que, felizmente, não demora a acontecer.



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