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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 116


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Capítulo 116 - Capítulo 49 - ITACHI - Uma pulga atrás da orelha


Assim que entra na construtora Sakura se aproxima de Karin. Ela está exausta, mesmo que tenha conseguido dormir, sua mente está muito cansada por causa da recente discussão com Sasori e porque ainda está preocupada com Itachi.

—        Bom dia. - a rosada diz.

—        Não tão bom pra você ao que parece.

Sakura suspira, mesmo que tentasse esconder, sua total falta de disposição e ânimo a cercam e a amiga sempre foi atenta a detalhes assim.

—        Tive uma briga com Sasori e Itachi parece estar com problemas o que me preocupa, mas realmente não quero falar sobre isso. Na verdade, não quero nem pensar nisso, já me esgotou o bastante. - ela suspira - Preciso de alguns papéis, os consegue para mim?

A ruiva ainda a observa percebendo que a rosada não parece bem, mas não pressiona a amiga.

—        Claro, farei o que puder. Do que se trata?

Sakura explica o sobre o que precisa e segue para a própria sala.

 

O começo do dia não foi tão bom como de costume, mas está prestes a melhorar isso porque irá almoçar com Itachi. E assim que chega à recepção do andar, vê um belo moreno esperando por ela. Um lindo sorriso adorna seus lábios e ao vê-la, o rosto do moreno se ilumina.

—        Oi.

Ele a puxa pela cintura e a beija. Quando se afastam a rosada ri.

—        Eu me acostumaria ser recebida assim fácil.

—        Espero ser o único com tal privilégio.

—        Por que qualquer outro o teria?

Ele sorri e se afasta dela seguindo para o elevador sendo acompanhado pela rosada. Ao olhar em direção a Karin, Sakura a vê com um sorriso e estende a mão a ela.

Eles entram no elevador.

—        Prefere almoçar por aqui?

—        É melhor, ainda tenho muita coisa para resolver no trabalho.

O moreno aperta o botão do térreo e envolve a cintura da rosada em um abraço, aproximando-a de si.

—        O quão ocupada está hoje?

—        Muito, por quê?

—        Quero que conheça meus pais.

A rosada se surpreende.

—        Está falando sério?

—        É claro que estou, somos namorados agora quero te apresentar a eles, além disso, minha mãe vai enlouquecer quando disser a ela que estamos namorando.

—        Acredite, a sua mãe não é a única.

Ele sorri.

—        Acho que é melhor que seja em um dia que não esteja cheia, para não ter riscos de me atrasar ou talvez ter algum imprevisto. Não quero causar uma má impressão.

Uma risada é solta pelo moreno e ela o observa.

—        Tá brincando? Minha mãe te adora, você foi a responsável pelo filho dela voltar para casa, palavras dela.

Sakura se surpreende e eles saem assim que o elevador é aberto.

—        Não fiz nada de mais, não é para tanto.

—        Você me fez perceber o quanto eu sentia falta do meu pai, o crédito é todo seu, ela também pensa assim.

Sakura cora com todo o crédito dado a ela, não fez nada mais que aconselhar um amigo, é o que faria normalmente, não é grande coisa.

O moreno sorri como se conseguisse ler os pensamentos modestos da rosada.

—        Acho que esse é um dom que tem. - ela o observa - Você é assim e não consegue evitar, sou muito sortudo por te ter ao meu lado.

Ela se surpreende mais uma vez e cora um pouco mais fazendo-o sorrir com a reação.

—        Bom, assim que tiver um tempo livre me diga, ela vai pirar quando souber que estou levando uma namorada para casa.

Sakura ri do moreno.

—        Tenho medo quando nossas mães se conhecerem.

—        Eu não tinha pensado nisso, mas tenho certeza que será assustador.

—        Com certeza.

Sorrisos se formam nos lábios dos dois e eles deixam o prédio seguindo para o Ambrosia. Sakura costuma frequentar o lugar com os amigos de Deidara, o que inclui o moreno, é um restaurante simples e perto do prédio onde trabalha, além de ser ótimo para uma boa conversa.

Eles entram e aproveitam o almoço conversando sobre futilidades, ela realmente precisava desse tempo com o moreno. Quando o almoço chega ao fim, Itachi a leva até a porta do prédio ganhando um sorriso.

—        Obrigada pelo almoço.

—        Sei que minha companhia é insubstituível.

Ela ri.

—        Minha nossa, você é muito convencido.

—        Com a namorada que tenho por que não seria?

Ele a puxa pela cintura observando atentamente as jades brilhantes enquanto ela sorri para ele.

—        Sim, tem razão.

O moreno também abre um belo sorriso e seus lábios se tocam.

—        Isso é um local de trabalho.

Eles ouvem uma voz feminina que a rosada reconhece de imediato, por isso afasta seus rostos e vê a amiga se aproximar.

—        Contenha-se Itachi.

Karin sorri para o moreno e Sakura se afasta fazendo-o soltar sua cintura.

—        O dever me chama.

Ela deposita um leve selinho nos lábios do Uchiha e se afasta seguindo a amiga.

—        Você é muito estraga prazeres Uzumaki. - ele fala um pouco mais alto para que ela o escute.

—        Ela te recompensa mais tarde.

As duas seguem para o elevador e o moreno as observa se afastar com um sorriso no rosto.

Sakura parece radiante, está feliz, mais tranquila e se sente muito melhor. Isso inclusive a ajudará a resolver as coisas pendentes que ainda tem por aqui.

Karin percebe a felicidade evidente no rosto da amiga e lhe lança um sorriso malicioso ao chamar pelo elevador.

—        Então, como foi o almoço?

—        O melhor que tenho em dias.

—        Obrigada pela parte que me toca, as meninas vão adorar saber disso.

Sakura ri e o elevador se abre.

—        Não seja uma amiga ciumenta.

—        Tanto faz. - ela diz irritada, mas logo seu olhar muda - Mas me diz, antes daquela cena lá fora para que todos vissem que estão juntos...

Sakura revira os olhos.

—        Não é como se todos estivessem prestando atenção em nós.

Ela diz interrompendo a Uzumaki.

—        Você estava com o Itachi ele chama atenção para si até sem querer.

Sakura torce o lábio, ela não gosta de ouvir isso.

—        Enfim, o que eu queria perguntar. - a atenção da Haruno se volta a amiga - Antes de eu interromper vocês e me desculpe por aquilo, simplesmente não resisti. - Sakura revira os olhos uma vez mais - Então, teve sobremesa?

Sakura entende o duplo sentido na frase da Uzumaki.

—        Estávamos em um restaurante.

—        Aprendi que qualquer lugar é o lugar.

A rosada ri mais uma vez e elas saem do elevador assim que as portas se abrem, seguindo para a mesa da ruiva.

—        Claro. Mas não, foi apenas um almoço. Aliás, conseguiu os papéis que pedi?

—        Não, eu realmente não tenho uma cópia deles, mas entreguei uma cópia ao Sasuke, ainda deve estar com ele.

—        Sabe se ele vem pra cá hoje?

—        Não, acho que não.

—        Tudo bem, obrigada.

 

Sakura segue para a sala do moreno, ao invés de ir para a sua, tem uma papelada precisando de sua atenção e isso não pode esperar é por isso que não se importa em mexer nas coisas do Uchiha. Antes de fazê-lo porém, procura pelo número de Sasuke entre seus contatos para falar com ele. Chama algumas vezes e cai na caixa postal, ela desliga e tenta mais uma vez, quando o resultado é o mesmo volta a desligar e se senta na cadeira.

Depois que terminar isso, Sakura pretende ir para a obra do vilarejo, quer ver como as coisas estão indo. É provável que chegue perto do fim do dia, mas não tem problema.

Observando a mesa a sua frente hesita por alguns breves segundos. Ainda que Sasuke provavelmente não goste que mexa em suas coisas isso é urgente e como ele não atende o telefone sua única alternativa se tornou encontrar os papéis por conta própria.

Sakura abre a primeira gaveta à direita e pega alguns dos papéis, sem desorganiza-los ou tirar da ordem na qual se encontram, Sakura dá uma rápida olhada nos projetos, mas não encontra o que procura. Então os guarda em seu lugar e segue para a próxima gaveta. Sem encontrar nada novamente, abre a primeira gaveta a sua esquerda.

Os papéis estão um pouco mais misturados do que os últimos então precisa de uma atenção um pouco maior para saber se é o que procura, mas novamente não encontra a informação nos papéis soltos. Sendo assim, decide verificar os que estão no envelope.

A rosada abre o envelope e vê algumas folhas de ofício, onde percebe se tratar de um contrato de sociedade.

Ela não perde muito tempo lendo isso apenas passa as folhas para ter certeza que o que busca não está ali. Quando vai guardar o contrato porém, vê uma carta escrita a punho e a curiosidade a vence, fazendo-a ler o conteúdo da carta.

"Sasuke, quero que convença Tobirama a assinar esse contrato. Essa é a razão pela qual você está ai, pois além de ser um pretexto para mantê-lo em Konoha por mais tempo, sua função nessa empresa é ganhar a confiança dele e convencê-lo a assinar isso. Abrirei mão de cinco por cento da nossa empresa a fim de conseguir a colaboração dele. Espero que consiga, você sempre foi bom em fechar acordos difíceis, essa foi a razão pela qual te enviei para nossa filial no exterior."

—        Isso parece importante.

Esquecendo-se totalmente o que a levou até a sala ela volta a ler alguns pontos do contrato com mais atenção e se surpreende ao ver do que se trata. Sakura nem precisou de muito para entender que o contrato se resume em ações da construtora Uchiha sendo cedidas em troca do silêncio e aceitação em omitir a participação da construtora Senju na obra do vilarejo. Ou seja, todo o seu trabalho não será reconhecido.

A Haruno realmente não sabe o que pensar sobre isso. Ela não está furiosa, mas certamente está irritada, afinal trabalhou muito duro para criar aquele espaço, além de ter passado por muita coisa por causa desse projeto e merece ser reconhecida por ele, nem que seja apenas pelas crianças, merece tanto quanto qualquer Uchiha.

Sakura se ergue guardando os papéis novamente no envelope e abrindo a última gaveta a procura dos papéis aos quais buscava desde o começo, felizmente os encontra voltando para a própria sala em seguida.

Ela está com vontade de bater no primeiro que aparecer a sua frente, mas se controla, ela é uma adulta afinal. Uma adulta racional que consegue ter uma conversa civilizada sem precisar partir para a violência, e é uma dessas conversas que tem que ter com Sasuke. Mas até vê-lo na sua frente precisa aprender a manter a calma.

Acalme-se Sakura, eles certamente não vão aceitar isso, o senhor Tobirama nunca aceitaria algo assim. Não, ele não aceitaria, tenho certeza disso. E Sasuke provavelmente soube disso a pouco, a carta parecia explicar o motivo pelo qual ele estava na empresa então quando chegou não sabia. Não podia saber. Mas então, quando ele descobriu? Ele sabe disso a quanto tempo? Ele ofereceu a proposta? Mesmo que isso tirasse meu nome do projeto? Ele seria capaz disso?

As três batidas na porta a afastam de seus pensamentos.

—        Entre.

Karin entra com alguns papéis em mãos.

—        Preciso que veja algumas coisas.

—        Claro.

Sakura pega os papéis e a morena caminha para a porta.

—        Quando acabar me chame.

—        Karin.

A ruiva a observa.

—        Já acabou? Foi rápido.

A Uzumaki sorri, mas percebe que não é retribuída, então volta a se aproximar.

—        O que foi?

—        Sabe se o senhor Senju teve alguma conversa sobre contrato de sociedade com os Uchiha?

Karin pensa um pouco e recorda que Uchiha Madara esteve na empresa a alguns dias e eles assinaram um contrato de sociedade. A Uzumaki se lembra disso, pois como advogada foi chamada para acompanhá-lo. Não, Karin não é uma secretária qualquer, ela cuida de toda a parte legal da empresa e dos projetos e, apenas não tem a própria sala, pois não suporta espaços pequenos. Assim, como assistente de Tobirama e advogada da empresa, tem informações como essa disponíveis a mão.

—        Sim, foi assinado um contrato assim, mas como sabe?

A rosada fica sem fala e empalidece.

—        Sakura?

—        Eu ouvi algo.

A ruiva estranha a atitude da amiga.

—        Está tudo bem? Você está pálida.

—        Sim está, - Sakura foca na papelada em suas mãos - obrigada pelos papéis vou vê-los agora.

—        Certo.

A ruiva volta a se afastar, mas para na porta.

—        Tem certeza que está tudo bem?

—        Tenho, pode ir.

Karin deixa a sala e Sakura fecha as mãos em punho, uma raiva quase incontrolável a alcança. Ela precisa vê-lo, precisa ser hoje, precisa tirar isso a limpo e talvez descontar sua raiva dando um tapa nele.

A rosada foca sua atenção nos papéis que recebeu, afinal precisa resolver isso antes de sair. Apesar de estar irritada, a tarefa não demora muito e quando termina, se ergue levando suas coisas consigo para deixar a empresa.

 

O caminho até a obra é mais curto que o normal, talvez por causa do baixo trânsito, talvez porque ela esteja com pressa.

Ela está irritada, irritada consigo mesma por ter pensado por um momento que ele era alguém decente, irritada porque por um breve momento o considerou um amigo, irritada por causa dos Uchiha que inventaram isso e também por Tobirama ter tomado uma decisão dessas sem falar com ela. Porra, ela merece saber de coisas assim, é o trabalho dela que vai ser menosprezado.

A arquiteta suspira tentando se acalmar, o que não é eficiente, e avista o grande terreno repleto de construções.

Desce do carro assim que estaciona e por um momento se perde de seu objetivo, pois admira o trabalho feito. Tudo está quase terminado, os prédios erguidos já estão finalizados em seu exterior e a escolha de cores deixa o ambiente mais agradável. As poucas coisas a serem terminadas são o hospital e a escola, os prédios maiores. Mas até eles, já estão em seu terço final de acabamento.

Sua tranquilidade durou um momento, mas terminou quando seus olhos se focaram em Sasuke. Ele conversa com Luis que ouve suas instruções com atenção. Seus passos logo a aproximam deles, mas mantém certa distância esperando que terminem sua conversa e eles não parecem vê-la até que ela acabe.

Luis é o primeiro a vê-la, pois está a sua frente.

—        Boa tarde senhorita.

Sasuke se vira surpreso por vê-la ali, afinal o dia está chegando ao fim, boa parte dos homens já estão se preparando para ir embora.

—        Boa tarde Luís.

—        Veio por alguma razão especial? É algo para fazermos?

—        Ah, não, não se preocupe. Estou aqui apenas para ver como as coisas estão indo e para falar com o senhor Uchiha.

Sasuke pensa por um momento não se lembrando de qualquer coisa que tenha para conversarem pelo menos não sobre a obra.

—        Claro, então com licença.

—        Toda.

—        Senhor Uchiha. - Sasuke olha para ele.

—        Até amanhã Luís.

Luis se afasta e o moreno mantém o olhar sobre ele por algum tempo, mas logo volta a focar na rosada que também tem o olhar fixo no chefe de obras.

—        O que tem pra falar comigo de tão importante que veio até a obra a essa hora?

O moreno a observa curioso, mas ao notar a expressão séria que Sakura leva no rosto, fica preocupado.

Ela está claramente se segurando para não dar um tapa nele, devia imaginar que a trégua não duraria para sempre.

—        Quando pretendia me contar que trabalhei todo esse tempo para nada?

Ela se controla para não gritar ao proferir as palavras.

—        O que?

Ele está confuso isso é evidente, mas apesar da surpresa Sakura não hesita e o fato apenas a irrita mais.

Como ele ousa ficar surpreso?

—        Tudo se resume a dinheiro não é mesmo? As pessoas não importam.

—        Sakura do que você está falando?

—        Do contrato da sua empresa com o senhor Senju, no qual meu trabalho será desvalorizado já que nem vão saber que trabalhei aqui.

Os olhos do moreno se arregalam surpresos por Sakura ter ciência sobre isso.

—        Sou só eu ou todos esses homens também serão ignorados? Fará um acordo com eles para que fiquem quietos?

—        Não é assim.

—        A não? E como é?

Sua voz se altera um pouco, ela não consegue evitar e o moreno percebe isso, assim como percebe alguns olhares em sua direção.

—        Vamos conversar em outro lugar.

Ele segura o braço de Sakura para levá-la para longe dali, mas ela puxa o braço.

—        Não toque em mim.

—        Por favor, vamos conversar em outro lugar.

A Haruno o observa ainda irritada, mas caminha até uma das construções a qual aparenta estar vazia. Ele a acompanha com um suspiro.

Ela não devia saber sobre isso, como descobriu? Será que foi meu pai? Será que ele falou com Tobirama? Do jeito que ele é não duvido que tenha feito.

O engenheiro solta mais um suspiro antes deles pararem. Sakura cruza os braços em frente ao peito e o observa, não escondendo sua irritação. Sasuke pretende contar a ela sobre tudo, porém precisa saber como ela descobriu sobre isso.

Primeiras coisas primeiro.

—        Como sabe sobre isso?

—        Fui na sua sala procurar um dos contratos que precisava e achei por acaso, mas essa não é a questão. Você iria me contar em algum momento ou eu ia descobrir quando inaugurássemos a obra?

O moreno solta um longo suspiro.

—        Você não saberia em momento nenhum.

Sakura abre a boca para protestar, brigar, discutir, mas está perplexa demais para dizer alguma coisa. Sasuke e ela não são amigos de longa data, mas não imaginou que fosse tão insignificante para o Uchiha.

Aparentemente já não há razão para estar aqui, é como imaginou no início, ele é apenas um egocêntrico mimado que faz tudo o que o pai quer. Por isso, ela dá um passo atrás sem conseguir esconder sua surpresa, mas antes que se afaste um centímetro a mais o moreno segura seu braço.

—        Não é tão simples quanto parece, eu não ia tirar seu direito de ter o reconhecimento na obra, não vou fazer isso.

—        Karin disse que já foi fechado um contrato de sociedade entre as empresas.

Ele se surpreende.

—        Não acredito que ele fez isso.

Sakura percebe que o moreno está tão surpreso quanto ela e se deixa relaxar um pouco.

—        O que quer dizer com isso?

Sasuke solta o braço dela.

—        Também não achei certo que nenhum de vocês fosse reconhecidos, afinal trabalhamos nisso em conjunto. Essa foi uma coisa importante que aprendi trabalhando na Construtora Senju, trabalho em equipe. Nunca fui bom nesse conceito, deve ter notado isso. Por isso, assim que recebi a carta fui falar com meu pai para tentar convencê-lo a desistir, mesmo que achasse que Tobirama nunca aceitaria isso.

—        Sim também pensei que ele nunca aceitaria algo assim.

—        Ainda acho que ele não aceitaria, minha família e a Senju não são solidárias uma com a outra, com exceção apenas de Hashirama e do meu tio Madara. Para ser sincero eles se odeiam, apenas fui trabalhar na Construtora Senju porque meu tio insistiu que deveríamos ter contato para tornar possível discutir nossas formas de seguir com o projeto. Fui escolhido para esse trabalho porque meu pai sabe que sempre consigo fechar um bom acordo, essa era a razão pela qual eu estava cuidando da filial no exterior. Ele ficou bem irritado quando eu disse que não iria ajudar nisso e foi a última vez que falei sobre essa sociedade.

Sakura o observa e silêncio ouvindo atentamente cada palavra.

—        Então está dizendo que não sabia que o contrato tinha sido assinado?

—        Sim.

Ela descruza os braços e os deixa ao lado do corpo.

—        Entendo que esteja furiosa comigo, - ele continua - mas eu realmente não ia seguir com isso.

—        Mas alguém seguiu.

—        Provavelmente meu pai. - ele suspira - No entanto, ainda acho que Tobirama não aceitaria algo assim, ele é orgulhoso demais tanto quanto meu pai.

—        Karin disse que um acordo de sociedade foi fechado recentemente entre as empresas Uchiha e Senju.

—        Não duvido que tenha sido feito, afinal meu tio Madara não gosta de nada fora dos papéis, é por isso que tenho minhas dúvidas, talvez esse contrato tenha sido entre eles e não o que você leu.

Isso é possível? Que seja apenas uma coincidência?

Sasuke a nota mais relaxada e abre um sorriso.

—        Já estou fora de suspeitas?

Ela o observa.

—        Bom, ainda está em observação.

O sorriso dele aumenta ao ver que a rosada está sem graça.

—        Aliás, o que estava fazendo mexendo nas minhas coisas?

Sakura desvia o olhar e acaricia o braço esquerdo.

—        Estava procurando alguns documentos sobre a obra, liguei para você, mas não me atendeu.

—        Queria pedir minha permissão?

O sorriso dele volta a se tornar visível e ela foca seu olhar no dele.

—        Não gosto de ninguém mexendo nas minhas coisas, por isso queria te deixar ciente do que estava fazendo. Além disso, não peço permissão, se eu quero eu pego.

—        Certo. - ele afirma em um aceno - Mas acho que mereço um pedido de desculpas por toda essa desconfiança.

Ele não está errado, culpei-o sem nem pensar.

—        Me desculpe. - ela diz após um suspiro.

—        Que pedido de desculpas miserável. Seja mais gentil.

Ela revira o olhar se recuperando do momento de fúria passado.

—        Não vai conseguir nada, entenda isso e pare de dizer que meu pedido é miserável.

Sasuke não consegue evitar a risada surpreendendo a rosada e dá de ombros.

—        Eu não tinha pensado em nada ainda, mas o que tem em mente?

Ela suspira.

—        E eu pensando que ficaria mais fácil lidar com você se soubesse que estou namorando.

O moreno abre um belo sorriso.

—        Ainda dá tempo de admitir que eu mexo com você.

Ela sorri.

—        Devia ter comprado o beijo enquanto podia. Como eu disse, - ela dá de ombros - já estou comprometida, então, por favor, tente se controlar.

Ele revira os olhos, mas mantém o sorriso.

—        Então, veio aqui só para brigar comigo?

Ela desvia o olhar ainda desconfortável pela desconfiança.

—        Em partes. - ele a observa - Faz algum tempo que não venho aqui, queria ver como está ficando, não pensei que seria uma obra rápida.

—        Não foi exatamente rápida, - ele diz colocando as mãos nos bolsos - mas considerando a dimensão de tudo, realmente foi mais rápido do que eu imaginava.

Há silêncio por alguns poucos segundos.

—        Já que está aqui, venha comigo.

Ela o observa desconfiada.

—        Não se preocupe, não vou fazer nada com você, - ele sorri - a não ser que queira é claro.

A rosada revira os olhos e o acompanha saindo do prédio onde se encontravam, eles se aproximam da área florestal que cerca o vilarejo e, mesmo de longe já pode ver a cerca entre a área urbana e a floresta.

—        Nossa, ficou muito bom.

—        Como conversamos antes, esse é o melhor tipo de cerca que poderíamos colocar. Ele cerca todo o vilarejo dividindo a floresta das construções e limita bem o lugar.

Sakura se lembra do almoço e da conversa que tiveram, que foi bastante efetiva para a obra, mas não é apenas isso que ronda as lembranças da rosada, afinal não pode levar Itachi para comer no Ella's se quiser por causa da mentira do moreno.

—        Você me criou um grande problema, aliás.

Ele a observa sem entender ao que ela se refere.

—        Do que está falando?

—        Da sua história para conseguir o vinho. Passei no Ella's e me dei conta de que não posso levar meu namorado para comer lá porque você é meu noivo.

Primeiro o moreno não responde mantendo seu olhar sobre ela bastante surpreso, mas então ele ri.

—        Estou falando sério Sasuke.

Ela diz irritada.

—        Desculpe, desculpe. - ele se controla - Mas tem que admitir que é uma situação engraçada.

—        Claro que é, pra você.

—        Mas porque dar tanta atenção a um fato desses? Pode leva-lo se quiser, diga que terminamos.

—        Não é tão simples. - ela olha em direção a floresta, desviando a atenção dele - Aquele é um restaurante familiar, levar um novo namorado depois de alguns dias que terminou o noivado é estranho.

Ele percebe que ela está entristecida pelo fato e se sente mal por ter sido responsável por isso.

—        Eles são importantes para você, não são?

—        São.

—        Me desculpe, te coloquei em um problema.

Ela percebe que ele está sendo sincero então apenas suspira.

—        Bom, não adianta chorar pelo leite derramado.

—        Quero te recompensar por isso.

Ela o observa.

—        Que tal um jantar?

—        Não vou jantar com você, tenho namorado.

—        Ora vamos, não seja antiquada.

—        Não se trata disso. Quando uma mulher vai a um jantar o mínimo que ela quer é dormir com a pessoa com quem está jantando.

—        O que, convenhamos, não seria uma má ideia.

Ela revira os olhos.

—        Tudo bem, um almoço então.

A rosada o observa pensativa, não que a companhia dele seja ruim, mas não tem certeza se é uma boa ideia.

—        Vamos, acho que posso dizer que somos amigos agora. Além disso, você me deve por desconfiar de mim.

Ela suspira.

—        Tudo bem. - ele sorri - Mas eu escolho o restaurante e você paga.

—        Não poderia ser diferente.

—        Agora vou embora, tchau.

—        Tchau.

Ela se afasta seguindo para o próprio carro e pega a estrada.

Já atrás do volante ela respira fundo. Foi bastante surpreendente ouvir o moreno dizer que não tem nada a ver com aquilo, e também descobrir que tudo isso pode ser apenas um mal entendido. Ainda assim se sente mal por ter desconfiado do Uchiha e não ter lhe dado nem o benefício da dúvida. Ainda que, considerando seu histórico, não foi uma surpresa que ela tenha duvidado dele. Além disso, ela se controlou bastante, em outros tempos teria batido nele antes de tirar a história a limpo. Parece que a trégua continua firme e forte afinal.

 

Ao chegar em casa a rosada suspira se jogando no sofá. Ela não enviou uma mensagem a Itachi depois do almoço e, apesar da companhia do moreno ter dado um pouco de tranquilidade a ela e tê-la feito muito feliz, ao pensar no assunto, Sakura percebe que ele não explicou o que o estava incomodando. Provavelmente foi alguma coisa do trabalho, mas ainda assim ela acredita que tenha algo mais.

Pensar nisso a faz pegar o celular e ligar para ele, cai na caixa postal então apenas desliga a tela colocando o aparelho em um móbile ao lado do sofá e com um suspiro segue para um banho, está precisando disso.



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