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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 123


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Capítulo 123 - Capítulo 56 - ITACHI - A descoberta I - Inteiramente ela


O calor do sol aquece o quarto, assim como o meu corpo me despertando. Com um longo suspiro deixo escapar qualquer gota de sono que ainda me resta e em seguida abro os olhos erguendo-os para observá-lo.

Ao vê-lo retribuir o olhar sinto meu peito se encher de alegria por causa de suas palavras que me voltam a mente e sem que consiga evitar, um sorriso surge em meus lábios.

—        Bom dia.

Correspondendo meu sorriso vejo-o sorrir também.

—        Bom dia.

Sinto seu polegar correr a pele do meu rosto e parar sob meus lábios, que logo voltam a sentir a carícia sobre eles.

—        Eu amo você.

Ouvi-lo me surpreende e não consigo esconder essa surpresa. Eu definitivamente não esperava isso, ele sabe, e essa é a provável razão pela qual seu sorriso aumenta.

—        Adoro te deixar sem palavras.

Meus lábios, até então entreabertos, se fecham e me surpreendendo mais uma vez ele aproxima seu rosto do meu tocando nossos lábios.

Minha surpresa não dura muito e não demoro a reagir levando minhas mãos ao seu rosto e logo meus braços envolvem seu pescoço. Nossos beijos não se prolongam muito mais, pois o toque do despertador preenche o quarto e uma risada escapa dos meus lábios ao vê-lo se afastar.

—        Não tem ideia de como eu odeio esse celular.

Ainda com o sorriso no rosto coloco alguns fios negros atrás de sua orelha.

—        Adoraria um banho agora.

Minha proposta o surpreende por um instante, mas não demoro a ver um belo sorriso se formar em seu rosto que, unido a uma das sobrancelhas erguidas, deixa clara a malícia em seu rosto.

—        É um convite?

Mais uma risada escapa e dou de ombros me fazendo de inocente.

—        Talvez.

Seu sorriso aumenta e sou surpreendida quando, em um movimento rápido, ele se ergue me puxando para perto se si. Sinto suas mãos em minhas costas fazendo os arrepios correrem pelo meu corpo ao senti-las descer e rapidamente sou erguida. Quase que automaticamente minhas pernas envolvem seu quadril enquanto aproximo meus lábios dos seus saboreando seu beijo.

Suas mãos me seguram com firmeza e ao sentir as carícias sob minha pele não consigo me impedir de arfar. Ergo a cabeça e sinto seus beijos se encaminharem até meu pescoço. Permanecemos de pé, saboreando esse momento e minha umidade já pode ser sentida.

Sentindo seus beijos de olhos fechados solto um gemido e com seus lábios contra minha pele, sinto seu sorriso. Mordo meu lábio inferior e levo minhas mãos até onde as dele se encontram, o faço subi-las para as minhas costas e desço do colo dele.

Com meu olhar fixo no seu, ergo minhas mãos até seu pescoço e o puxo para onde desejo, abrindo a porta do banheiro atrás de mim mantendo nossos beijos e ao entrar no banheiro nos despimos das poucas peças que vestimos.

Entramos na área de banho com seus braços ao redor da minha cintura e enquanto esperamos que a água se aqueça trocamos mais beijos e carícias. Com poucos passos ele me leva para debaixo do chuveiro. Antes que me molhe muito me afasto dele.

A água ainda não está quente o suficiente e por isso o choque térmico do meu corpo quente com a água morna me causa arrepios.

—        Ei, ainda não está quente.

O puxo molhando-o também e algumas risadas escapam ao ver seus longos fios serem molhados.

—        Vingança?

Ainda rio quando sua mão toca minhas costas me aproximando dele e deixando nossos peitos colados um no outro.

—        Não se preocupe com o calor, vou te aquecer rapidinho.

Antes que qualquer palavra componha minha resposta, seus lábios procuram pelos meus famintos tal como os meus não demoram a buscar os dele.

Minhas mãos envolvem sua nuca e nossos beijos ficam um pouco molhados, preciso admitir que com ele o oxigênio já me é facilmente roubado, então com a água ao nosso redor não fica mais fácil. Essa é a razão pela qual precisamos afastar nossos lábios.

A água, que agora já é capaz de aquecer nossa pele, cai por nossos rostos mas isso não o impede de me observar da maneira que o faz.

—        Aquele era seu despertador não?

O assunto me pega de surpresa, mas não demoro a respondê-lo.

—        Sim.

—        Então você tem que se aprontar pro trabalho.

Ergo uma das sobrancelhas desconfiada, ele nunca foi tão responsável assim.

—        Por que esse rosto inocente não me convence?

Ele finge surpresa e parece ofendido.

—        É por isso que não dá pra ser legal. Você sempre diz que temos que ser responsáveis e no momento que eu sou...

—        Tudo bem, tudo bem. - Digo - Desculpe.

Ele desvia seu olhar do meu parecendo realmente chateado.

—        E eu que estava disposto a te ajudar a tomar seu banho, te ajudar a se ensaboar, te deixar limpa.

Meus lábios se entreabrem ao entender, e ao vê-lo olhar para mim com o canto dos olhos abro um pequeno sorriso.

—        Então está se oferecendo para ensaboar meu lindo corpo?

—        Sempre estou disposto a tocar esse lindo corpo.

Abro um grande sorriso sem que consiga evitar e estendo minhas mãos pegando o sabonete líquido e a esponja.

—        Pois bem, - entrego-as a ele - aqui estão senhor Uchiha.

Ele sorri também e pega os objetos logo fazendo a espuma aparecer. Itachi pega minha mão e deposita um casto beijo sobre ela, mas isso não demora muito e logo sinto a esponja em sua mão começar a subir por meu braço.

Devagar, ela segue para o tronco e alcança meu seio esquerdo percorrendo a área, posso sentir a ponta dos seus dedos entre o emaranhado de espuma e esponja e com sua mão livre acariciando minha cintura não consigo evitar arfar.

Seu sorriso cresce e a esponja se afasta de meu seio caminhando em direção as minhas costas, deixando uma trilha de espuma em minha pele. Sua mão livre se apoia no meu quadril e sinto os arrepios pelo objeto ligeiramente áspero arranhar de leve meu ponto fraco. Um gemido escapa e sinto o pulsar entre minhas pernas quando seus lábios tocam a curva do meu pescoço.

Minhas mãos tocam seu abdômen definido e arranham sua pele de leve, isso me faz sorrir pois posso sentir os arrepios que causo. Suas mãos acariciam minhas costas e descem para minha bunda cobrindo-as de espuma e fazendo o calor crescer. Eu porém não fico atrás, pois minhas mãos a lhe arranharem a pele alcançam o ponto fraco dele e meu sorriso aumenta um pouco mais ao ouvi-lo arfar.

Minhas mãos fazem seu trabalho com dedicação e carinho e ele cresce nelas ficando mais pulsante e rijo a cada instante. Sou erguida de surpresa com suas mãos em minhas pernas e meu corpo estremece ao sentir minhas costas contra a parede.

Seus lábios voltam a procurar ansiosos pelos meus e suas mãos apertam minhas coxas enquanto ainda sinto o leve arranhar da esponja. Permaneço acariciando-o e com nossos sexos tão próximos me satisfaço também.

Nossos gemidos abafados pelos beijos rondam o banheiro e os arrepios correm soltos. Meu corpo reage ao dele como se essa fosse a razão pela qual existe, o toque de suas mãos acariciando-o, enquanto a espuma percorre minha pele me causa arrepios e atiçam ainda mais. O calor cresce em todo o meu corpo, mas principalmente entre minhas pernas e o carinho misturado ao desejo que sinto em seus toques são puros afrodisíacos.

Seus lábios sugam os meus e nossas línguas dançam uma valsa perfeita enquanto me delicio com seus beijos. Sentir sua pele quente tocar a minha, ter seu corpo pressionado contra o meu, faz o tesão aumentar enquanto arrepios inundam cada extensão minha.

Seus beijos descem pelo meu pescoço e o roçar de nossas intimidades me arranca gemidos. Isso é pura luxúria e me sinto tão necessitada que não me importo em clamar por ele nesse instante.

—        Itaa-ahhhn… Itachi.

—        Hum.

Enlaço meus dedos em seus negros fios e ergo sua cabeça sussurrando contra seus lábios.

—        Eu quero você.

Vejo seu sorriso e sinto uma de suas mãos se afastar das minhas pernas fazendo a esponja se perder em algum lugar. Estou pulsante, úmida, ansiosa e ao senti-lo se afastar isso aumenta.

Mais arrepios se originam do meu sexo quando o sinto pincelar sob meus lábios que clamam por senti-lo.

—        Pede por mim pequena, quero te ouvir gemer o meu nome.

Odeio quando ele faz isso, mas odeio principalmente não conseguir me impedir de implorar por ele.

—        A-ahhn…

O gemido escapa porque ele pincela e ao sentir a cabeça entrar cerro minhas mãos entre seus fios.

—        Vamos Sakura, pede por mim.

—        Por favor Ita… por favor me satisfaça.

—        Seu desejo é uma ordem amor.

Eu sinto, consigo sentir cada centímetro dele pulsante e grosso entrar e tocar todo o meu interior.

—        Aaaaaaaahhhhhhh…

Minhas mãos em seus ombros arranham sua pele ao senti-lo inteiro dentro de mim. Os pelos da minha nuca se eriçam ao sentir seu hálito cálido quando ouço seu sussurro ao pé do ouvido.

—        Aproveite.

Minhas pernas ao seu redor o puxam para mais perto, meus braços unem nosso peito em um abraço, minha pele queima em contato com a sua. Enquanto o sinto tocar cada parte de mim, entrando e saindo em uma intensidade alucinante, me satisfazendo tal como prometeu.

—        Ah… ah… ah… aaaaahhhh…

Meus lábios procuram pelos seus e mais uma vez nossos gemidos são abafados com os beijos.

O contato do meu corpo com a superfície fria da parede faz toda sua extensão se arrepiar e a água morna, que ainda toca algumas partes dos nossos corpos, apenas me excitam mais.

Com nossas molhadas peles se tocando, com seus lábios deixando uma trilha de vergões, suas mãos tocando cada parte do meu corpo e com a pressão de seu corpo contra o meu me sinto completa.

Sinto meu corpo queimar, o calor alcança cada pedaço dele e minha respiração está ofegante, me sinto como nunca antes, as mãos dele que acariciam minha cintura fazem mais arrepios correrem meu corpo, estou no ápice do prazer e consigo perceber que não demorará muito para que desabe.

Por causa dele, de sua dedicação em me dar prazer, senti-lo entrar e sair de dentro de mim, tocar todo o meu interior faz meu corpo estremecer, sinto o choque e os arrepios, mas eles não param. Eles se repetem, de novo, e de novo, e de novo, em uma infinidade de repetições e com eles sinto o mel escorrer enquanto meus músculos o contraem.

O choque aumenta ainda mais quando o sinto banhar meu útero e nesse momento, estremeço e desfaleço sob seus braços deixando um grito de satisfação rondar o banheiro.

Não sou a única que se encontra ofegante e sentir sua respiração contra minha pele molhada a aquece. O vejo se afastar e quando meus olhos se focam em seu rosto meu corpo fica paralisado.

O olhar com o qual me observa nesse momento é profundo, cativante. Repleto de carinho e me faz perceber que foi por ele que esperei tanto tempo.

—        Amo você pequena.

Meu sorriso aumenta consideravelmente enquanto sinto meu peito se preencher de alegria. Ainda com meus olhos fixos nos seus e com meus dedos entrelaçados nos fios negros em sua nuca, deixo meu sussurro quase abafado pela água que nos molha, escapar dos meus lábios.

—        Eu também amo você.

Seus lábios tocam os meus mais uma vez e, deixando meu interior, ele me ajuda a me manter de pé. Minhas pernas ainda se encontram bambas e por isso preciso me apoiar nele para não fraquejar. Não demoro a ver seu sorriso.

—        Desculpe por isso, você é irresistível demais para que eu possa me controlar.

—        É, eu sei.

O sorriso dele aumenta e com alguns segundos já consigo me manter de pé. A sensação entre minhas pernas ainda permanece e me sinto fora da realidade.

—        Claro que eu sinceramente não me importaria de ama-la de novo e de novo.

Rio ao sentir seus braços envolverem minha cintura me afastando da parede e seus lábios tocarem os meus.

Nosso beijo não dura muito e logo nos afastamos. Eu realmente adoraria passar o dia com ele, mas ainda tenho um emprego para manter.

—        Você mesmo estava dizendo que eu devia me arrumar para o trabalho.

—        Mudei de ideia, quero ficar com você.

Mais uma vez um grande sorriso surge em meu rosto e ergo a mão colocando uma mecha de fios negros atrás de sua orelha.

—        Não dessa vez.

Na ponta de meus pés dou mais um breve selinho nele e desligo o chuveiro pronta para deixar a área de banho. Mas ao olhar ao meu redor me lembro que tirei as toalhas para lavar ontem depois do meu banho.

—        Droga, as toalhas não estão aqui.

—        Esse pode ser um sinal para ficarmos mais um pouco.

Sinto seu abraço ao redor da minha cintura e ouvi-lo me faz soltar uma risada.

—        Não temos essa opção, preciso ir trabalhar e você também senhor Uchiha.

—        É, é.

Ele resmunga e saio da área de banho. Não demoro a sentir mais uma vez seu abraço acompanhado de seus beijos na dobra do meu pescoço e isso faz os arrepios voltarem.

—        Você fica muito sensual molhada.

Fecho os olhos aproveitando seus beijos, mas o toque do celular que ressoa pelo quarto me desperta. Por isso me viro ficando de frente para ele e envolvo seu pescoço em um abraço.

—        Eu adoraria passar a manhã inteira com você, mas precisamos ser responsáveis.

—        Lá vem você de novo com essa história de responsabilidade.

Sorrio e deposito um breve selinho em seus lábios.

—        Você não vai me aguentar quando eu estiver de férias.

Um sorriso surge em seu rosto e ele me puxa ainda mais para perto com seus braços ao redor da minha cintura.

—        Não vejo a hora para isso.

Trocamos mais beijos entre nossos sorrisos e saímos do banheiro, mas antes que eu pense em me afastar, ele me leva para a cama me deitando sobre o colchão e ficando acima de mim. Não consigo evitar a risada e me afasto um pouco.

—        Vamos molhar todo o colchão desse jeito.

—        Está tão necessitada assim para estar úmida a esse nível?

Dou um leve tapa nele e ouço sua risada.

—        Não me importo se molharmos a cama, apenas você me importa agora.

Não consigo impedir que o sorriso aumente e, com meu olhar atento sobre essas profundas e atraentes orbes negras, toco seu rosto.

—        Eu amo você.

Ele dá de ombros.

—        Eu sei, é meu charme.

Rio e o puxo para beija-lo. É um beijo calmo, mas delicioso. Nossos lábios se entreabrem e nossas línguas dançam entre si, os gostos se misturam tornando o beijo ainda mais delicioso.

—        Minha nossa como eu amo esse gosto.

Rio mais uma vez e sinto seu olhar sobre mim, ele se atenta a cada detalhe do meu rosto e para sob meus olhos.

—        Você sabia que é extremamente viciante? Como consegue?

Dou de ombros.

—        Sei lá, é um dom.

Seu sorriso se intensifica.

—        Eu amo você.

Meu coração falha algumas batidas ao ouvi-lo, já o ouvi antes, mas ainda assim meu coração ainda para de funcionar direito quando o ouço. Apesar disso, também sinto meu peito cheio de um sentimento bom, uma felicidade que apenas ele é capaz de me fazer sentir. E, com meus olhos analisando seu rosto, fixo cada detalhe seu em minha memória.

Distraindo-nos desse momento, no entanto, ouvimos o toque do celular e sinto-o afundar o rosto no meu ombro.

—        Eles realmente não sabem o que é hora inoportuna, não é?

Solto uma risada e, invertendo nossas posições coloco-me acima dele e pego o celular.

—        Alô.

*Bom dia senhorita, sou o Dan, o mecânico.*

—        Ah, claro.

Me ergo um pouco, apoiada no peito de Itachi.

*Liguei porque havia me pedido para informá-la quando conseguisse ver seu carro, sei que está cedo, mas havia me pedido para ligar no período da manhã.*

—        Não, não ligue para o horário. Qual é o problema dele?

*Como eu suspeitava, o problema é a bateria, apenas a trocando ele voltará ao normal.*

—        Que bom.

*Ainda quer que eu verifique todo o carro?*

—        Sim, por favor, não quero ter mais nenhuma surpresa.

*Claro. Assim que tiver terminado retorno a ligação.*

—        Tudo bem, tchau.

Desligo o celular e o coloco no móbile ao lado da cabeceira mais uma vez.

—        Quem nos interrompeu agora?

—        O mecânico.

—        Isso é hora de ligar para alguém?

—        Somos nós que estamos atrasados, não ele que está adiantado.

Ouço um longo suspiro vindo dele.

—        E qual o problema com o carro?

—        A bateria.

—        Então você esvazia as forças de mais alguma coisa além de mim? Eu deveria me preocupar?

Rio dele.

—        É você quem é insaciável.

—        Você é que é irresistível.

Abro um sorriso e me aproximo para beija-lo, mas não prolongo o beijo e logo me levanto.

—        Ei, pensei que estivesse rolando um clima aqui.

Ele se senta ao me ver me afastar em direção ao guarda roupas em busca de uma toalha para secar o corpo.

—        Mesmo que tivesse, nós dois somos adultos responsáveis.

Pego a toalha e começo a secar meu corpo.

—        Você poderia deixar de ser só hoje?

Volto meu olhar para ele e me aproximo sentando-me no seu colo. Por não vestirmos nada, há apenas o roçar de nossas peles e abraço seu pescoço remexendo em seus fios negros com a mão livre, mordo o lábio inferior enquanto mantenho meu olhar sobre o dele.

—        Tenho algo para te dar. - sussurro.

—        O que é?

Ele mantém os olhos sob os meus.

Abro um grande sorriso mas volto a morder o lábio inferior. Me aproximo tocando meus lábios nos seus, mas não o beijo, mal há toque realmente, apenas aproximo nossos lábios.

Itachi espera, sou eu quem tem no comando nesse momento e ele sabe que deve continuar assim.

Meus olhos estão quase fechados, mas ainda posso vê-lo me observar, apesar de também estar com os olhos da mesma forma. Com o sorriso novamente em meus lábios sussurro baixo perto da sua boca.

—        Vai ter que ser paciente.

Coloco a toalha entre nós e me ergo voltando a me aproximar do guarda roupas. Ouço seu suspiro e o vejo segurar o pano.

—        Você gosta de me torturar.

—        Preciso de um café da manhã, ainda é bom na cozinha?

Ele suspira mais uma vez e se seca para vestir-se e seguir para a cozinha.

 

O café da manhã foi único. Tanto pela comida, a qual foi preparada por um chef muito talentoso, quanto pela companhia que a tive.

Itachi me ofereceu carona, mas preferi não aceitar. Já tenho muitos problemas com Izumi e não quero acrescentar mais um, sem contar que não quero vê-la atacando-o como aconteceu com Sasuke. Claro que não tenho certeza se a morena irá para a casa, mas não quero arriscar então disse que ainda precisava resolver algumas coisas antes de ir. Ele aceitou, mas desconfiou um pouco da desculpa.

Depois de entrar no táxi ao qual chamei, deixo escapar um suspiro e indico ao motorista o endereço da obra em questão. Nesse momento, a última coisa que gostaria, é ver a cara de Izumi para tirar minha alegria, mas preciso ver como estão as coisas na obra.

Quando tivemos aquela conversa não confirmei ou neguei um relacionamento com Sasuke e nem pretendo fazê-lo, isso porque não gostei do que ouvi sobre ela e também o que ouvi dela. As palavras trocadas entre nós, assim como a impressão que me deixou fez de Izumi alguém desagradável a quem quero manter distância.

Gostaria de não encontrá-la hoje, mas aparentemente os toques finais a estimularam a visitar o lugar com mais frequência, ainda que não troquemos muitas palavras.

Assim que chego na casa, um alívio me ronda ao perceber que Izumi não se encontra na obra quase finalizada, mas isso não significa que não tenho coisas para me encherem a mente. Isso porque, tenho muita coisa com a qual me ocupar, essa obra toda foi cheia de imprevistos e problemas. Parece que assim como a dona, a casa gosta de me dar trabalho.

Quando o relógio marca quatro horas e quarenta minutos, respiro fundo observando meu trabalho. É incrível como consegui resolver todos os problemas que me foram impostos, tanto nesse dia quanto nos anteriores.

—        Sakura, quer fazer a revisão agora?

Me viro ao ouvir Kei, o engenheiro que me salvou. Depois de vários vazamentos precisava de ajuda e meu antigo colega de trabalho foi muito útil.

—        Claro, claro. Por favor, quero entregar esse projeto o mais rápido que conseguir.

—        Problemas com os proprietários?

—        Como adivinhou?

—        É o seu olhar.

—        Está tão óbvio?

—        Sim. Acredite quando digo que entendo, lidar com clientes é complicado, por isso prefiro meu pessoal.

Rio.

—        Vamos finalizar essa obra e entregá-la então?

—        Só se for agora.

Volto a andar pela casa finalizada acompanhada dele e quando terminamos me despeço de Kei. Geralmente consigo lidar com construções como essas sem a ajuda de um engenheiro, ainda assim, tantos problemas em um único terreno me fizeram precisar ser socorrida.

Agradeço por ter bons colegas e por isso o gasto não é tão superior ao que inicialmente foi acordado.

Antes de ir para casa, aproveitando que ainda não são seis horas, decido passar na oficina onde meu carro está, já que recebi uma ligação do mecânico. Nada mais para se preocupar, ou ao menos assim espero.

Já com meu carro e vendo que ainda não está tarde, uma ideia me ocorre e com um sorriso no rosto sigo em direção a maior indústria de mídia de Konoha, a Suzano’o Mídia.

 

Deixo o carro na frente do grande prédio e sigo para o interior da empresa. Há certa movimentação no andar, mas não demoro a me aproximar da recepção.

—        Boa tarde.

A recepcionista ergue o olhar e seu rosto parece o de uma boneca, principalmente quando sorri.

—        Boa tarde, eu gostaria de ver Itachi Uchiha.

—        E a senhorita seria?

—        Sakura.

Me surpreendo ao ouvir uma voz familiar e ao me virar vejo Kuro com um grande sorriso no rosto.

—        O que faz por aqui?

—        Vim ver o Itachi.

—        É uma surpresa?

—        O que?

—        Percebi o clima no dia do paintball.

—        É, estamos namorando.

—        Eu sabia. - ela diz animada me fazendo rir - Yune, deixe-a passar.

—        Mas senhorita Kamizuru.

—        Não se preocupe, eu me responsabilizo por qualquer coisa que ele possa dizer. Apesar de ter certeza de que não vai se importar.

—        Tudo bem.

—        Itachi está no estúdio dele, é lá que ele trabalha. Quarto andar, qualquer coisa pergunte a recepcionista de lá, mas é um grande espaço, ao lado da sala de espera, não tem como errar.

—        Obrigada.

—        Agora vou pegar um taxi, porque meu carro me deixou na mão.

—        Sei como é horrível ficar sem carro, acabei de buscar o meu no mecânico.

—        Bom, vou indo. Boa sorte na surpresa.

Ela se afasta.

—        Obrigada.

Observo a recepcionista que já não tem mais o sorriso no rosto e se dedica a fazer seu trabalho.

—        Avisarei a recepcionista do andar que está subindo, ela dirá onde o estúdio fica.

—        Obrigada.

—        Disponha.

Sigo para o elevador que não demora a ser aberto e pressiono o botão correspondente ao quarto andar assim que entro.

Não há companhia, mas um belo espelho às minhas costas me faz ajeitar a maquiagem. Não costumo exagerar na maquiagem do dia, mas sempre tenho algo na bolsa para emergências. Ainda assim, apenas um batom rose é suficiente para me agradar.

As portas do elevador se abrem e deixo o lugar, não demoro a ver um amplo espaço. Ao lado direito há uma sala de espera maior que meu quarto e ele não é pequeno, há poltronas e mesas de centro espalhadas pelo lugar também. A minha esquerda, há um balcão com duas recepcionistas e um belo rapaz ao qual reconheço de imediato.

Me aproximo do balcão com um sorriso ao rever o Uchiha.

—        Oi Shisui.

O moreno se vira ao me ouvir e abre um grande sorriso.

—        Oi Sakura, quanto tempo.

—        Sim, já faz algum tempo.

Nos cumprimentamos e nos afastamos, recebo seu olhar sobre mim.

—        Veio ver o Itachi?

—        Sim, pensei em fazer uma surpresa.

—        Ele com certeza vai gostar.

—        É o que espero.

Ele ri.

—        Poderia me dizer seu nome e sobrenome para que possa anunciá-la?

Observo a recepcionista.

—        Claro, sou Sakura Haruno.

A recepcionista pega o telefone.

—        Não Reiko, não a anuncie.

Vejo-a observar o patrão sem entendê-lo.

—        Senhor eu tenho que anunciá-la.

—        Sabe que Itachi não se importa com isso.

—        Bom, sim. Mas...

—        Eu realmente não me importo em ser anunciada.

Digo ao perceber o desconforto da recepcionista. Entendo que elas estão apenas fazendo seu trabalho.

—        Não se preocupe, é uma surpresa afinal.

—        Se o senhor concorda com isso.

A recepcionista volta a guardar o telefone.

—        O estúdio do senhor Uchiha fica na primeira porta.

—        Obrigada.

—        Até.

Shisui estende a mão e volta sua atenção aos papeis e a recepcionista.

Sigo para a divisória ao lado da sala de espera e vejo uma abertura, que não é exatamente uma porta. Consigo ver um grande espaço repleto de câmeras, luzes, roupas, tecidos e os mais variados objetos. É um lugar e tanto.

Meus olhos procuram por Itachi, mas percebo que ele não está ali. É quando ouço vozes e noto uma pequena sala, mais adiante.

Com um sorriso no rosto me aproximo desviando de alguns obstáculos, mas hesito quando ouço sua voz.

—        Tínhamos um acordo.

Talvez ele esteja ocupado e por isso a recepcionista queria me anunciar.

—        Isso era antes. Agora as coisas são diferentes.

Me surpreendo ouvir a voz de Sasuke e isso me faz dar dois passos para que consiga ouvi-los melhor. Não costumo ser curiosa a esse ponto, mas algo me diz que tenho que ouvir a conversa deles.

—        Por que você perdeu a aposta? Agora que eu consegui conquista-la quer mudar nosso acordo?

Me surpreendo ainda mais ao ouvir as palavras de Itachi, eles estão falando sobre mim, não tenho dúvidas disso.

—        Aquela aposta foi feita, - volto a ouvir a voz de Itachi - você perdeu e o dinheiro foi pago, você detesta perder, eu sei, mas terá que conviver com isso. Eu venci nosso acordo você goste ou não.

Sinto as lágrimas em meus olhos, não consigo mais ouvi-los, meu peito está apertado e é difícil respirar. Dando alguns passos atrás esbarro em um dos equipamentos de iluminação fazendo-o cair.

O alto barulho me assusta, mas não me importo, apenas me afasto rapidamente com as lágrimas caindo pelo meu rosto.

Tudo ao meu redor gira, minha cabeça dói, meu peito dói, não consigo respirar direito e apenas as palavras dele se repetem.

Era tudo mentira, era tudo uma aposta, uma aposta. Ouço me chamarem, mas parece distante, parece pertencer a outro plano. Quando o elevador aparece à minha frente aperto o botão que me levará para fora daqui. Eu preciso sair desse lugar, eu preciso de ar.

—        Sakura.

Sinto o toque de alguém e ao focar nele vejo Shisui. Ele também sabia, é claro que sabia ele é primo deles não é? É um amigo de Itachi.

—        Você está chorando.

Ele parece surpreso, mas isso não importa, nada mais importa apenas essa dor no meu peito que aumenta um pouco mais a cada segundo.

—        O que aconteceu?

Não o respondo, apenas me afasto dele, não quero falar ou ouvir um Uchiha agora, não quero contato com nenhum deles. É por isso que entro e fecho a porta do elevador assim que ele chega no andar.

Me recosto no metal frio sentindo as lágrimas caírem, sentindo meu peito doer, ouvindo o choro rondar o elevador.

Como ele pode mentir tão bem? Todas aquelas palavras, tudo o que ele disse, seus beijos, seus toques, era tudo mentira? Como pude ser tão burra? Estava tão necessitada de um amor ao ponto de não perceber as mentiras dele? Como pude não perceber?

Não consigo pensar direito, tudo ao meu redor parece mentira, tudo isso parece um pesadelo, um terrível e angustiante pesadelo.

As portas se abrem e forço meus pés a andarem, mas eles hesitam ao vê-lo a minha frente.

Desvio meu olhar assim como meus pés e me afasto dele, não quero vê-lo, não quero ouvi-lo, eu só quero chorar.

—        Espera.

Sinto-o tocar meu braço, mas o puxo para perto e deixo minha voz embargada escapar.

—        Não me toque.

—        Não sei o que ouviu, mas eu posso explicar.

—        O que você pode explicar? Que tudo isso não passou de uma aposta? Que eu nunca fui nada além de uma idiota que caiu na sua lábia? Não precisa explicar isso, eu entendi muito bem.

Me afasto dele, de suas mentiras, mas sua voz volta a alcançar meus ouvidos, assim como seus passos alcançam os meus.

—        Foi uma ideia idiota, quando concordei com a aposta que os caras sugeriram pro Sasuke não imaginei que eu...

—        Espera, - paro de andar ao ouvi-lo - a aposta era pro seu irmão ficar comigo?

Com minha visão embaçada e a voz embargada finalmente percebo o motivo de tanto medo.

—        É claro, agora tudo faz sentido, você não tinha ciúmes de mim, apenas tinha medo de perder a aposta.

—        Isso não é verdade.

Ele diz em um murmúrio, mas cada palavra que sai da sua boca apenas me machuca mais. Ouvir sua voz apenas faz doer.

—        Sei que não tenho muito crédito agora mas eu...

—        Eu não consigo te ouvir Itachi, - minha visão embaça por causa das lágrimas - cada vez que você fala eu me lembro de todas as mentiras em que acreditei.

Sinto o aperto no peito e quero só ficar longe dele e por isso me afasto.

—        Sakura espera.

Mais uma vez, meus passos param e volto a olhar para ele.

—        O engraçado - digo secando as lágrimas - é que quando disse que estava apaixonado, me fez acreditar que eu era importante para você, que éramos amigos. E quando disse que me amava… Ah como eu sou idiota.

—        Nós éramos amigos, nós somos, eu… Eu realmente...

—        Não existe mais nós, Itachi. - o interrompo - Você se encarregou disso. Mas não se preocupe, era tudo mentira. Apenas me deixe em paz.

Me afasto dele, não aguento mais olhar pro seu rosto, me dói vê-lo e por isso quero manter distância. Mas me interrompendo mais uma vez ele segura meu braço me impedindo de continuar.

—        Por favor Sakura, nada daquilo era mentira.

—        Então por que não me contou da aposta?

Ele não me responde, é claro que não, não há o que dizer, ele não pode mais mentir. Puxo meu braço quebrando o contato.

—        Fique longe de mim.

Não é fácil chegar até o carro, mas consigo de alguma forma. Meu peito dói, as lágrimas ainda caem e me deixo chorar no volante.

—        Burra, burra.

A voz embargada escapa. Dói tanto, as mentiras que ele contou, a forma como me enganou, tudo faz doer tanto.

Respiro fundo tentando, de forma inútil, me recuperar. Eu preciso sair daqui, preciso ir para longe dele, preciso de alguém em quem eu possa confiar, alguém com quem possa contar, eu preciso de um amigo, preciso do Deidara.



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