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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 125


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Capítulo 125 - Capítulo 57 - ITACHI - Dor


Amor pode machucar
Amor pode machucar às vezes
Mas é a única coisa que eu conheço
Quando fica difícil
Você sabe, ele pode ficar difícil às vezes
É a única coisa que nos faz sentir vivos

 

—        Sakura?

Deidara a observa surpreso. Ela se aproxima e o abraça chorando, ele a aperta contra o peito.

—        O que aconteceu?

—        Está doendo, faz parar.

O loiro não sabe o que fazer, nunca a viu nesse estado. Seus braços a apertam com mais força dando o consolo que pode, mas depois de algum tempo a encaminha até o sofá sentando-a ao seu lado. Ela chora em seu peito enquanto ele acaricia a cabeleireira rosa.

Depois de muito tempo, Sakura se acalma e se endireita, ao ver isso o Yamanaka decide tentar entender o que a levou ali.

—        O que aconteceu?

Ela seca as lágrimas e junta as pernas perto do corpo.

—        Eu não sabia que iria doer tanto.

—        Itachi fez alguma coisa?

Ela fica em silêncio por algum tempo e ele a acompanha sem dizer nada.

—        Ele fez uma aposta, uma aposta idiota que me incluia.

Ele permanece em silêncio. Sakura suspira e se deita no colo dele que não sabe como reagir. Ele também fez a aposta e agora ela está sofrendo por isso.

Os minutos passam e o silêncio ronda o lugar. Quando olha para ela Deidara percebe que caiu no sono, o loiro a observa dormir, ele sabe que tem que contar que também participou da aposta, porque se ela descobrir sozinha as chances de perdoa-lo vão de quase zero para nunca.

—        Maldito momento em que fui aquele bar.

O loiro se ergue e a pega no colo levando-a para seu quarto onde a deita na cama observando-a por alguns segundos. Os fios de lágrimas ainda marcam seu belo rosto e ao se lembrar da tristeza no rosto dela seu coração se aperta.

—        Por que eu fiz isso?

Ele suspira e pega um de seus cobertores para embrulha-la. Assim que o faz, deixa o quarto e se joga no sofá.

Deidara tenta dormir, mas o sofrimento da rosada e o dia da aposta lhe rondam a mente atormentando-o. O tempo parece não passar, mas logo o sol mostra que a noite longa teve um fim. Ao perceber que já amanheceu, o loiro se ergue e prepara um café forte.

Ao terminar de preparar o café, ele enche uma grande xícara e observa líquido negro a sua frente.

Ele detestava café, mas Sakura insistiu tantas vezes que a acompanhasse que acabou pegando o costume de beber um copo de cafeína por dia.

Deidara volta para o sofá com um longo suspiro e observa a porta de seu quarto. Ele tem medo da reação de Sakura, mas sabe que se ela descobrir por outra pessoa será muito pior, por isso decide que dirá a ela e o fará na primeira oportunidade.

Algumas horas se passam e seu estômago ronca, ele então decide preparar o café da manhã, afinal Sakura não demorará muito para acordar.

Quando está fritando bacon o loiro vê a porta de seu quarto ser aberta e uma rosada cansada se aproxima dele. Ela coça os olhos e o observa em seguida com o olhar entristecido.

—        Obrigada por me deixar dormir aqui.

—        Não precisa me agradecer.

—        O cheiro está bom, como sempre.

Ela abre um sorriso fraco mas ele não consegue sorrir de volta, porque aquele aperto ronda seu peito.

—        Pode pôr a mesa por favor?

—        Claro.

Sakura põe a mesa e ele leva o café da manhã para lá. Os minutos do desjejum seguem em silêncio, Sakura está cabisbaixa sem o brilho costumeiro no olhar. Ele nunca a viu dessa forma, por isso sente ainda mais necessidade de contar. Se as chances de ser perdoado por Sakura são quase nulas se ele contar, elas caem para abaixo de zero se a amiga descobrir sozinha.

—        Sakura, - ela o observa - precisamos conversar.

A rosada percebe o ar sério do loiro ao qual não está acostumada e por isso termina seu suco depositando o copo na mesa.

—        Pode falar.

Ele se silencia. As palavras não encontram saída, seu cérebro parece prestes a entrar em colapso. Sakura espera, apenas observando-o sem dizer uma única palavra.

—        Eu também fiz parte da aposta. - Ele diz de uma vez.

Há silêncio. Silêncio por todo o lado, até os passarinhos pararam de cantar, som algum alcança os ouvidos da rosada, nada a não ser as batidas de seu próprio coração.

As lágrimas que pensou terem secado voltam a brotar por seus olhos, seu peito está ainda mais apertado. Ela não foi enganada apenas por uma pessoa que ama, tanto o homem a quem ama quanto seu melhor amigo sabiam sobre isso, ela foi apenas um brinquedo nas mãos deles.

Sakura se ergue e por um momento, além do som do próprio coração, o baque da cadeira no chão quebra o silêncio.

Deidara se ergue e a vê dar alguns passos para trás.

—        Não. - ela sussurra. - É mentira.

Lágrimas brotam cada vez mais rolando pelo rosto assustado da pequena cerejeira.

—        Você está mentindo, não está? É uma brincadeira.

—        Sinto muito Saky.

—        Sente… - ela sussurra - Sente muito? Vocês não tem direito de sentir nada. Não, - ela balança a cabeça - vocês não sentem nada.

—        Isso não é verdade eu...

—        Eu era apenas um joguete na mão de vocês, não é? - a voz dela se altera um pouco - Uma pessoa com a qual não se importavam com os sentimentos.

—        Sakura.

A voz de Deidara é apenas um sussurro, mas ele não diz nada mais. Não tenho direito de lhe pedir perdão, não tenho mais nenhum direito sobre ela.

Sakura se afasta dele pegando a bolsa que deixou no sofá e sai do apartamento. Ele a observa sair, paralisado, sem conseguir enviar um único comando aos seus músculos. Sakura sempre foi sua melhor amiga, antes de qualquer um, mais que sua própria irmã e ele estragou tudo, como faz com tudo o que toca.

 

Sakura está apoiada na porta dele, ela não tem forças para continuar caminhando e está prestes a desmoronar aí mesmo, no corredor.

O elevador se abre e a pessoa a passar pelas portas se surpreende com o que vê. Ela carrega uma única mala em uma das mãos mostrando que volta de uma breve viagem.

—        Sakura?

Tenten se aproxima e percebe que a amiga está pálida, com muitas lágrimas pelo rosto e olheiras que indicam que as lágrimas não são recentes. Com o braço livre ela envolve Sakura em um abraço.

—        O que aconteceu?

A rosada não responde, apenas chora, chora muito.

Tenten a leva em direção ao seu apartamento, o destranca e a encaminha até o sofá se sentando ao seu lado da amiga.

—        O que houve?

—        Eles fizeram uma aposta. Uma aposta estúpida e eu era o prêmio.

Tenten se surpreende ao ouvi-la.

—        Eles brincaram comigo, eles…

As lágrimas parecem aumentar assim como a dor que cresce em seu peito e ao ver isso Tenten a abraça acariciando sua cabeça sem saber como agir, ela nunca viu Sakura nesse estado e considerando que a conhece metade de sua vida isso é um grande fato.

—        Eles quem Sakura?

Ela ainda acaricia a cabeça da rosada.

—        Itachi e Deidara.

Tenten se surpreende, não consegue acreditar que Deidara tenha feito isso. A morena afasta Sakura secando suas lágrimas e lhe abre um sorriso singelo.

—        Pode ficar aqui por um momento?

Sakura não a questiona, em sua atual situação não tem nem condições para fazê-lo, apenas acena afirmativamente.

Tenten se ergue e deixa o apartamento seguindo em direção ao seu vizinho. Dois toques são dados na porta que não demora muito a ser aberta.

Deidara a observa com o rosto confuso, surpreso por vê-la ali.

—        O que você q…

Ele é interrompido pelo tapa que ela lhe dá. Seus olhos estão arregalados e ele leva a mão ao rosto surpreso.

—        Eu esperava isso de qualquer um, QUALQUER UM, menos de você. Você, melhor do que ninguém, sabe como ela é extraordinária e faz isso? Espero que me ouça bem, esse tapa não é nada comparado ao que farei se ousar se aproximar dela novamente. Você é o pior tipo de pessoa que eu poderia conhecer. Não se atreva a chegar perto da Sakura de novo ou vai se arrepender de ter nascido.

—        Então diga isso ao seu namorado também.

Tenten se surpreende, mas não diz nada apenas volta para o próprio apartamento.

Com as palavras do Yamanaka em mente, ela disca o número que sabe de cor e espera na linha. Chama duas vezes apenas antes da voz que tanto ama ser ouvida.

—        Oi amor, como foi o voo?

—        Vou te fazer uma pergunta e quero que seja totalmente sincero.

Ele se silencia por um momento estranhando o pedido.

—        O que foi?

—        Sabia sobre a aposta que envolvia a Sakura?

Ele não responde e Tenten tem sua resposta.

—        Quem mais participou?

—        Amor.

—        Quem mais Neji?

Um suspiro é ouvido antes de sua voz retornar.

—        Sasuke, Itachi, Deidara, Suigetsu, Kiba, Shino, Shikamaru e Sai.

—        Naruto não sabia?

—        Não. Amor eu...

Ela desliga, a última coisa que precisa agora é lidar com ele. Tenten volta a se sentar ao lado da amiga e sente a rosada se aproximar, com isso a abraça e elas permanecem assim durante um tempo que não sabem dizer.

Sakura está exausta e apenas quer alguém que a abrace agora, ela só precisa de alguém que não brinque com ela, por isso se afunda no aconchego da amiga.

 

Depois de incontáveis minutos, apenas com o abraço de Tenten. Sakura se afasta e avisa a amiga que vai embora.

Por ver o estado ao qual a rosada se encontra, Tenten não a deixa ir sozinha, o que a leva a acompanhar a Haruno até o carro e dirigir até a casa da arquiteta.

Sakura não diz nada, apenas observa o borrão que passa em sua janela, borrão intensificado por algumas lágrimas que teimam em aparecer.

Tenten não tenta conversar, ela percebe que Sakura não quer falar agora então apenas permanece em silêncio. Quando a casa da Haruno surge no campo de visão das duas a garagem é aberta e o carro estacionado.

Sakura sai do carro seguindo para dentro da casa sendo seguida pela Mitsashi e se senta no sofá unindo as pernas em um abraço.

Observando-a, Tenten se aproxima sentando ao seu lado e acariciando os fios rosados. Dói ver Sakura assim, principalmente porque a rosada nunca foi de se deixar tão fragilizada, a força dela sempre foi evidente e ela nunca se deixou demonstrar fraqueza, fosse qual fosse a situação.

Nas provas, nas entrevistas de estágio que não conseguia, nos dias mais difíceis nos quais Tenten certamente desistiria ou choraria se estivesse em seu lugar, Sakura não fraquejou. Não fraquejou nenhuma única vez desde que se conhecem, e ela se conhecem a vida inteira.

Tenten nunca viu a amiga chorar, nunca a viu triste e até mesmo quando estava cansada conseguia sorrir. É assim que Sakura é, sempre foi desse jeito. Então, nesse momento, dói muito vê-la assim.

—        Quer comer alguma coisa?

A rosada balança a cabeça negativamente e o silêncio volta.

Tenten não sabe o que fazer, ela já deu todo o consolo que podia, mas nesse instante não há o que ser feito. A única coisa que pode dar a amiga é sua companhia e perceber isso a faz lembrar das outras, por essa razão pega o celular e abre a janela das amigas digitando uma mensagem a elas.

*S.O.S casa da Sakura.*

*O que aconteceu?*

A mensagem de Karin é quase imediata.

*Eles fizeram uma aposta, não entendi bem do que se tratava exatamente, mas ela estava envolvida.*

*Eles quem?* - Temari.

*Sasuke, Neji, Sai, Shino, Kiba, Suigetsu, Shikamaru, Deidara e Itachi. Ela está arrasada. Meninas, eu nunca a havia visto assim.*

Há silêncio, nenhuma mensagem, Sakura também permanece calada, apesar de ter visto a amiga no celular e supor que esteja falando com as outras, fato confirmado ao ouvir os toques vindos de seu celular que está dentro da bolsa.

*Era para o Sasuke dormir com ela.* - Ino.

*Oi?* - Temari.

*Sai acabou de me contar. Eles fizeram uma aposta para que o Sasuke dormisse com a Testuda e todos eles participaram.*

*Naruto disse que não sabia sobre isso.* - Hinata.

*Claro, o melhor amigo do Sasuke não sabia.* - Ino.

*Neji também disse isso.* - Tenten.

*Naruto nunca deixaria brincarem com a Sakura desse jeito, eles não avisaram por isso.* - Karin.

*É, eu também achava que meu irmão pensaria assim mas ele também fez parte dessa aposta.* - Ino.

*Ainda está com o Sai?* - Temari.

*Não, estou indo para a casa da Testuda.* - Ino.

*Sério? Eu ainda estaria discutindo com ele.* - Temari.

*Tá brincando? Se eu ficasse lá teríamos um homicídio, estava tão puta que tive que me segurar pra não dar um tapa nele na hora que me contou.* - Ino.

*Nem sei o que eu teria feito se estivesse com o Suigetsu quando li a mensagem.* - Karin.

*Bom, vamos voltar ao que importa aqui.* - Temari.

*Que seria?* - Ino.

*Como a Sakura está.* - Temari. - *Ela não se incomodou com a aposta por causa do Sasuke, foi só uma aposta idiota, sabemos que rapazes são imaturos e fazem coisas assim. Acredito que ela tenha ficado abalada porque o Itachi também fez parte da aposta. Foi isso Tenten?*

*Ela não me disse, disse apenas que eles estavam brincando com ela.* - Tenten.

*Se era o Sasuke quem tinha que dormir com a Sakura, o que o Itachi tem a ver com isso? Claro que ela devia estar puta porque ele participou disso, mas não arrasada.* - Karin.

*Só posso pensar em um motivo por essa reação.* - Ino. - *Ele não queria perder a aposta.*

Não há mais respostas, a conversa é encerrada e nada mais é escrito. Porém não demora para que outro som seja ouvido no cômodo.

—        Sakura, - Tenten diz, mas não obtém resposta então apenas continua - por que o Itachi fez uma aposta dessas se confessou que gostava de você?

—        Aquela aposta foi feita, você perdeu e o dinheiro foi pago. Essas foram as palavras dele, ouvi de uma discussão dele com Sasuke e se não tivesse ouvido ele teria continuado brincando até se cansar. Não foi ele quem me disse, ele não me disse que tinha feito uma aposta, não me disse que estava arrependido, que aquilo não significava nada mais para ele, ele não me disse nada, e nem teria dito se não tivesse sido descoberto. Ele só estava comigo para não perder a aposta e eu fui idiota o suficiente para acreditar nele.

—        Não, o idiota é ele.

O toque da campainha é ouvido e Sakura ergue o olhar surpresa. Por um breve instante seu coração pesa, mas ao ver Tenten se levantar ele volta a ficar um pouco menos pesado, pois se lembra das mensagens.

—        Devem ser as meninas, já volto.

Sakura volta a apoiar a cabeça nos braços que envolvem suas pernas em um suspiro. Demora um pouco para que a rosada veja Ino ao seu lado.

A loira se senta em silêncio e a Haruno sequer se mexe, ao ver isso o olhar claro da Yamanaka se volta para Tenten. Ela é amiga de Sakura desde que se entende por gente e nunca a havia visto assim, a não ser quando eram crianças e os demônios da sala ao lado a atormentavam por causa de sua testa. Mas isso foi a muito tempo, e depois que cresceram a rosada não voltou a se abalar tão facilmente, muito pelo contrário, ela se tornou tão forte que deixou a amiga orgulhosa. É por isso que vê-la dessa forma não é nada fácil.

—        Ei Testuda, o que aconteceu? O que ele fez?

Sakura permanece em silêncio não movendo um único músculo, nesse meio tempo a campainha é tocada mais uma vez e outra loira entra na casa.

—        Decidi passar aqui antes do trabalho, como ela está?

Temari olha para a amiga e vê Ino ao seu lado, isso a faz se aproximar delas e se sentar na mesa de centro em frente a Sakura.

O toque quente da amiga sob a pele de seu braço faz Sakura despertar e ela sente as lágrimas de novo e sua voz sai fraca e rouca quando o ar passa por suas cordas vocais.

—        Sasuke tinha que dormir comigo, - ela responde a pergunta de Ino - para não perder a aposta ele interferiu.

Ela dá de ombros ainda abraçada as próprias pernas, sentindo as lágrimas rolarem.

—        Eu era só uma piada.

As amigas se aproximam e a abraçam. Tenten se aproxima apoiada no sofá e acaricia os fios róseos. O coração delas dói ao ver a Haruno desse jeito, mas mais que isso, a raiva por terem brincado com ela desse jeito é enorme.

—        Vou arrancar o pau daquele Uchiha filho da puta. - Ino diz.

—        E queimar a casa dele. - Temari completa.

Sakura dá uma risada fraca.

—        Vocês são malucas.

—        Tudo por você rosada.

As lágrimas se intensificam assim como o aperto. Ela pode ter sido enganada pelo único homem ao qual amou e por aquele que se dizia seu melhor amigo, mas tem as melhores pessoas que poderia ao seu lado. E não poderia pedir mais.

 

A água do chuveiro cai por sobre o rosto de Sakura, ela não consegue acreditar que se deixou levar pela tristeza e deixou de ir para o trabalho. Temari teve que ir logo depois que chegou mas Ino e Tenten permaneceram com ela durante todo o dia. Inclusive, de alguma forma, a convenceram a sair um pouco, não foi bom como de costume mas ela agradece a tentativa das amigas de animá-la. Karin também esteve ocupada na construtora e Hinata foi para a lua de mel, essa foi a única razão pela qual as duas não apareceram, mas Sakura sabe que elas também estariam ali se pudessem.

Ino foi embora porque Sakura disse que já estava melhor e que não queria que as amigas perdessem mais tempo com ela. Claro que recebeu um sermão depois de dizer isso, mas apenas sorriu e disse que ficaria bem, agora ela só precisa ficar sozinha. Foi isso que convenceu a Yamanaka.

Apesar de estar firme com isso, mesmo que Sakura tenha insistido, Tenten não quis deixá-la sozinha. De certa forma a rosada agradece por isso, ainda que diga que nesse momento queira ficar só, a companhia das amigas lhe faz bem.

Com a água a molhar-lhe o rosto, a mente da rosada a faz relembrar das mentiras que ele contou, uma a uma. A aproximação depois daquela noite no bar, o encontro que tiveram, a forma como ele parecia se importar. Tudo isso, todas as vezes que Itachi fingiu gostar dela.

O rosto da rosada é abaixado e ela foca em qualquer ponto da parede a sua frente relembrando as palavras que daqui para frente serão sua forma pessoal de tortura.

Eu te amo Sakura.

Sim, ele sabe mesmo como enganar alguém.

A rosada suspira e deixa o banho. Depois de se secar, ela se troca e segue para a sala onde Tenten se encontra.

—        Preparei algo para comer.

Sakura abre um sorriso fraco agradecida pelo gesto, mas esse sorriso não tranquiliza nem um pouco a amiga.

Elas comem em completo silêncio, mas Tenten permanece atenta à rosada. Depois do jantar, Sakura se ergue para tirar a mesa.

—        Deixa isso comigo.

A rosada abre um sorriso fraco para a amiga.

—        Vai me acostumar mal.

Tenten sorri.

—        Às vezes as pessoas precisam de um pouco de mimo.

—        Estou com dor de cabeça, acho que vou para a cama.

—        Vou passar a noite aqui.

—        Tudo bem. Boa noite.

—        Boa noite.

Sakura segue para o quarto e se deita abraçando um de seus travesseiros. Os segundos se tornam minutos e ao invés de sono, apenas as mentiras de Itachi a rondam.

Sua cabeça dói, ela está exausta, então por que simplesmente não dorme?

A porta é aberta e ao erguer o olhar ela vê a amiga.

—        Dificuldades para dormir?

—        Um pouco.

Tenten se aproxima e se senta na cama. Sakura se aproxima da amiga e deita em seu colo não demorando a receber carinho.

—        Ficarei aqui até que pegue no sono.

—        Obrigada.

—        É para isso que servem os amigos.

Dessa vez, com o carinho recebido e o cansaço acumulado, a rosada finalmente consegue dormir.

 

O toque do despertador a lembra que seu trabalho ainda espera por ela, essa é a razão pela qual se ergue sentando-se com um suspiro enquanto observa algum ponto qualquer da parede a sua frente e se lembra do dia anterior.

Foi uma merda para ser sincera, ela não se lembra de ter tido um dia tão ruim. Mas já não importa, ela não é uma mulher de ficar se lamentando, nunca foi. Lembrar-se disso a faz se erguer para o trabalho.

Enquanto se troca um pensamento a atinge e ela para o que faz. O pensamento em questão é sobre certo moreno, Sasuke também vai estar lá.

Apenas nesse instante ela se dá conta de que o Uchiha também fazia parte da aposta, ele era a parte mais importante da aposta.

Ela não falou com o moreno ou o viu desde o casamento de Naruto e Hinata. Não sabe qual será sua reação ao vê-lo, apenas percebe agora que ela estava errada, eles não estavam desenvolvendo uma amizade, ele sequer a via dessa forma.

Perceber isso a machuca mais do que pensou que faria mas, com um longo suspiro, apenas afasta o pensamento e termina de se trocar. Assim que o faz, segue para a sala e ao olhar para a copa vê Tenten preparar o café da manhã.

O aroma é agradável e a cozinheira não demora a erguer o olhar vendo-a se aproximar.

—        Imaginei que iria trabalhar.

—        Não posso parar minha vida por causa de um idiota. Além disso, preciso pagar minhas contas.

—        Sim.

A Haruno se senta no balcão observando a amiga cozinhar.

—        Obrigada Tenten, não sei o que seria de mim sem vocês.

A amiga sorri e estende um prato com ovos e bacon para a rosada.

—        Forte como é acho que nem precisava da gente.

—        Está enganada, eu precisava mesmo de vocês.

—        Bom, sempre estaremos aqui por você.

—        Eu sei, obrigada.

Tenten abre um sorriso e elas tomam o café da manhã.

A rosada acompanhou a amiga até a porta e Tenten não parecia querer deixá-la, mas Sakura a convenceu de que estava tudo bem.

Nesse instante, ela dirige para o vilarejo com a música alta para afastar os pensamentos do dia anterior.

 

Ao chegar no vilarejo consegue dar um sorriso fraco ao perceber que tudo está acabado, não totalmente, mas são tão poucas coisas que ainda precisam de atenção que é quase como se já estivessem para inaugurar o lugar.

Seu trabalho no lugar apesar de ser pouco a distrai fazendo-a até mesmo se esquecer de seu colega de trabalho. Isso até ouvir a voz dele.

—        Sakura.

A Haruno para de focar no trabalho por um momento. Sabia que o encontraria aqui, esperava por isso inclusive, mas estava tão concentrada que por esse curto período de tempo se esqueceu desse fato.

Sakura não quer falar com ele, afinal está ciente de que ele é apenas mais um dos que brincaram com seus sentimentos, eles não se importam com nada que a envolva, então não há porque conversarem. Por essa razão, se afasta sem olhar para trás, mas o moreno a segura pelo braço fazendo-a parar. A rosada respira fundo e se vira para observa-lo, ele a solta.

—        O que você quer?

Ele se surpreende com a frieza da voz dela.

—        Soube que descobriu sobre a aposta, acho que está na hora de me explicar.

—        Não se dê ao trabalho, entendi bem o que pretendiam.

Ele se silencia observando-a com atenção. Os sentimentos de Sakura por Sasuke nesse momento são confusos. Ela quer gritar, quer bater nele, quer fazê-lo sentir dor, mas não consegue, ela não está irritada. Não, ela não sente a fúria a qual está acostumada quando a fazem de boba, nesse momento está apenas cansada, cansada e magoada.

—        A não muito tempo, - ele volta a falar - você disse que me conhecia e eu neguei dizendo que não éramos tão próximos assim.

—        Sim, você estava certo fui ingênua ao pensar que te conhecia. Minha primeira impressão deveria ter ficado.

Ele percebe que tentar se desculpar não irá convencê-la então tenta fazê-la entendê-lo.

—        Eu não me importava com o que você sentia quando fiz essa aposta, não me importava com você, para mim você era apenas uma colega de trabalho bastante irritante por sinal.

Ela solta uma risada fraca.

—        É bom saber que podemos ser sinceros agora.

—        Não disse que ainda penso assim.

Ouvi-lo a surpreende, mas ela não o deixa perceber.

—        Você ainda consegue ser irritante as vezes, - ele continua - mas eu realmente te considero uma amiga. É estranho para mim, eu nunca tinha visto mulher nenhuma dessa forma, pelo menos não depois de Izumi.

—        Vocês conseguiram, não é?

Ele não entende ao que ela se refere.

—        Se vingaram de uma mulher que estava entre vocês, eu só preferia que fosse a pessoa que os machucou. - ela balança a cabeça - Não, nem ela merece isso.

—        Não se compare a Izumi Sakura, eu já disse que vocês não são parecidas.

—        Sinceramente Sasuke, talvez se eu fosse não tivesse sido tão idiota.

Ele suspira.

—        Eu fiz essa aposta sem saber que era você.

—        Não tem noção de como isso me conforta.

Ele se irrita porque ela não o deixa se explicar, ele sequer precisaria fazer isso, mas quer porque, por incrível que possa parecer, se importa com a rosada.

—        Você me irritava, - ele volta a falar - acho que principalmente porque me enfrentava, não sou acostumado com isso. Mas aprendi a gostar de estar com você, o estranho é que foi pelo mesmo motivo pelo qual antes brigávamos. Foi errado fazer uma aposta dessas e eu não pretendia te machucar, mas realmente não me importava se fizesse, porém isso foi antes.

—        Não finja que…

—        Eu me importo. - ele a interrompe - Demônios como me importo, e essa é a prova de que você se tornou alguém importante para mim. Você não está machucada por minha causa, talvez irritada e irada comigo, mas não foi por causa da aposta que fiz que está sofrendo. Está assim por causa do meu irmão, eu odeio admitir isso, mas ele venceu nossa aposta.

Ela o observa e o vê suspirar.

—        Acho que de certa forma ele sabia que isso aconteceria, ele sempre está dois passos a frente, então acredito que tenha se precavido por você. Naquela noite em que vocês jogaram aquele jogo no bar, eu e meus amigos acabamos fechando uma aposta porque eles duvidaram que eu conseguiria conquistar qualquer mulher, a escolhida foi a primeira que passou pela porta e acabou sendo você. Depois disso Itachi veio na minha casa e me propôs uma nova aposta, entre ele e eu apenas, se eu conseguisse te conquistar, se cumprisse minha parte na primeira aposta, ele se afastaria. Caso o contrário acontecesse eu desistiria de você. Não sou muito bom em desistir das coisas e sou um tanto quanto teimoso, é por isso que ele sente tanto ciúmes de mim. Foi assim que fizemos essa aposta, quando nos ouviu eu estava lá para dizer que não ligava mais para o acordo que tínhamos feito, ele disse que não se importava porque você era dele. Você nunca será de ninguém, mas acho que ele estava meio certo é por isso que ficou tão machucada ao descobrir sobre nosso envolvimento.

—        Por que está tentando limpar a barra dele?

Ele leva as mãos ao bolso e solta um longo suspiro com os olhos focados em uma direção diferente a da rosada.

—        Vai saber, - ele dá de ombros - nunca gostei de perder pro meu irmão. Depois de Izumi essa rivalidade era ainda maior, mas dessa vez não me importo de perder.

—        Por quê?

—        Bom, porque se ele vencer você não se machuca.

Ela se surpreende com o que ouve e abaixa o olhar pensativa.

—        Você fez uma bela de uma confusão hein rosada.

Ela volta a atenção ao moreno.

—        Eu?

—        Me fez me importar com outra pessoa além de mim mesmo e considerando que poucos são capazes disso é um feito e tanto.

—        Foram vocês que brincaram comigo.

—        É verdade. Temos uma grande parcela de culpa, não é algo muito decente brincar com os sentimentos de ninguém, mas era apenas uma ficada, não era para ser sério.

—        Mas você não conseguiu.

—        Você não é tão fácil de dobrar quanto estou acostumado.

—        Claro, normalmente elas se jogam na sua cama.

Ele dá de ombros.

—        Posso culpa-las?

Ela revira os olhos.

—        Não sou bom nisso de ser amigo, pelo menos não com mulheres, mas percebi que devia explicações a você. Talvez até conseguir um perdão, mas não trouxe vinho dessa vez me desculpe.

—        Depois do que fez nem um vinhedo inteiro amenizaria a situação.

—        Talvez, - ele dá de ombros - mas não vim de mãos vazias.

Sakura o observa sem entender, mas o vê focar suas orbes negras sobre ela novamente.

—        Tenho algo para te dizer, não vai facilitar as coisas para você, provavelmente vai complicar ainda mais, mas bom, eu perdi então devo pelo menos isso a ele.

Ela nota que o moreno está falando sobre Itachi.

—        A aposta não foi ideia dele, Itachi apenas se envolveu no meio da bagunça, foi uma aposta idiota que ele fez que custou muito mais do que esperava.

—        Um custo que ele não pagou sozinho.

—        Sim, tem razão, você pagou caro por isso também.

—        Não, - ela desvia o olhar - não custou tanto a ele assim.

—        Está errada. - ela volta a focar nele - Ele te ama Sakura, perco pontos com isso, mas como disse devo isso a ele. Não que você pareça disposta a me perdoar depois do que aconteceu mas sei lá, tudo é possível não é? Enfim, mesmo que minhas chances caiam com o que vou dizer, aquele idiota realmente sente algo forte por você, a noite em claro que passou pensando em uma contraproposta é uma das provas disso.

—        Por que uma contraproposta? Por que apenas não cancelar a primeira?

Ele sorri.

—        Eu disse que não nos conhecíamos bem, que não éramos tão próximos, mas talvez eu esteja errado. Considerando o que sabe sobre mim, acha que eu teria desistido da aposta?

—        Com certeza não.

Seu sorriso aumenta um pouco mais ao ouvi-la.

—        E, ainda pensando em como sou, o que acha que teria acontecido se ele não tivesse me procurado para esse novo acordo?

Sakura pensa um pouco no que o moreno disse e chega a uma única conclusão.

—        Acho que tentaria me levar para a cama exatamente como tentou nessas últimas semanas, mas sem a pressão de ninguém, você não teria porque se preocupar estaria de guarda baixa. Então, por que dizer? Ele podia simplesmente não dizer nada, seria menos desafiador, você não tentaria com tanta determinação.

—        Fui bastante determinado não?

—        Você me levou um vinho e disse que éramos noivos então sim, eu diria que foi.

Ele sorri.

—        Quanto a sua pergunta, sobre o motivo dessa nova aposta, tenho uma teoria quanto a isso, mas a melhor resposta é sempre a da fonte.

Ela volta a se calar.

—        Posso dizer apenas que esse novo acordo foi feito por sua causa. E por minha causa também, afinal ele me conhece a vida inteira, certamente pensou que eu cumpriria o acordo.

—        Por que não cumpriu?

Ele solta um longo suspiro.

—        Essa é uma pergunta difícil, nem eu sei dizer o porquê, apenas não conseguia desistir de você.

—        E o que mudou?

Ele se cala por algum tempo e ela mantém o olhar sobre ele.

—        Encontrei Deidara ontem.

Sakura se surpreende com o que ouve, mas permanece em silêncio.

—        Ele não parecia muito bem e quando me contou como você estava percebi que eu era responsável pelo que aconteceu.

—        Vocês todos são.

—        Era minha aposta, minha responsabilidade é maior.

—        Então você sentiu compaixão? Pensei que não fosse capaz disso.

—        Não, não foi compaixão.

As orbes negras de Sasuke voltam a focar na rosada e ela percebe certo carinho nele, não que se importe, ainda está com raiva pelo que eles fizeram, mas vê-lo assim meio que a leva a acreditar um pouco mais em suas palavras.

—        Acho que baixei minha guarda, eu provavelmente estou apaixonado.

Sakura se surpreende.

—        Como eu disse, você é bastante importante agora, mas eu finalmente entendo Itachi, é por isso que estou aqui agora.

A rosada não sabe o que responder, apenas desvia o olhar do moreno. Ela não esperava por isso, se bem que não esperava pelas palavras que ele disse também. Ele realmente parece acreditar que Itachi sente algo por ela, mas ainda assim ela não consegue se convencer de que as ações do moreno tenham sido para qualquer outra coisa além de não deixar Sasuke vencer a aposta. Ela quer acreditar no contrário, mas não consegue.

—        Preciso trabalhar Sasuke.

—        Sim, eu entendo. Mas pense no que eu disse e se me perdoar, acho que podemos ser amigos, sem segundas intenções dessa vez.

—        Talvez.

Ele abre um sorriso ao ouvi-la e a vê se afastar.

 

O fim do dia chega, Sakura está tão confusa quanto antes, não foi um dia muito produtivo, felizmente já não há muito o que ser feito inclusive a inauguração do vilarejo será na semana seguinte.

Nesse momento, ela está em seu carro a caminho de casa. As palavras de Sasuke se repetem de novo e de novo atormentando-a e quando finalmente chega em casa apenas se afunda na cama com o rosto no travesseiro.

Uma aposta Sakura, era disso que se tratava. Tudo não passou de uma aposta.

Um suspiro lhe escapa e a bela cerejeira deixa seu corpo e sua mente cansados pegarem no sono.



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