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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 150


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Capítulo 150 - Capítulo 50 - GAARA - Novo amigo


A manhã de segunda chega para Sakura como uma forma de escapar dos pensamentos. No dia anterior, as amigas ficaram com ela, não houveram conselhos, xingamentos, irritação, apenas carinho, consolo e amor. Elas demonstraram o quanto amam a amiga ao ficar com ela o resto de seu domingo. Isso renovou as forças da rosada e é por isso que se ergue disposta para o trabalho.

Seu caminho corriqueiro até a construtora é substituído, pois segue em direção à casa de Kotetsu e Izumi. Sakura pretende finalizar esses dois projetos até o fim do mês, o que não é impossível. A construção da casa vai de vento em popa e o vilarejo já está nos últimos detalhes, todos os prédios já estão de pé, apenas é necessário realizar o acabamento e assim inaugurar o lugar, ela está ansiosa por isso.

Sakura simplesmente amou planejar uma vila inteira, mas não é por isso que está tão ansiosa e sim pela reação das crianças.

No entanto, não é apenas a aprovação das crianças que espera, não que realmente se importe com o que os outros além dos moradores do lugar pensam. Isso porque, haverão pessoas importantes de Konoha e a imprensa em peso estará lá. O fato a assusta um pouco, ainda que críticas construtivas sejam excelentes para progredir está com certo medo.

A imprensa aparentemente foi ideia dos chefes desse projeto, Uchiha Madara e Senju Hashirama. Karin disse que a imprensa no local fará com que mais pessoas se interessem e queiram ajudar o orfanato, isso a deixa feliz.

Ao chegar na casa dos noivos, verifica como as coisas estão indo. Nada ali está fora de seus desenhos e isso é gratificante. Depois de algum tempo resolvendo pendências, sai para almoçar o que a leva ao Ella’s já que o restaurante não é tão longe.

Assim que chega ao restaurante é bem recebida e faz uma boa refeição como de costume. Durante a espera da conta, Sakura pensa em como seria bom se eles entregassem comida, já que mesmo tendo falado com eles sobre isso antes, não resolveu muito. Pensar no restaurante a faz se lembrar de Sasuke e que o moreno conseguiu algo extraordinário, que lhe dessem um de seus espetaculares vinhos. Aquele foi mesmo um gesto e tanto, mesmo que a rosada seja uma fiel freguesa.

A pessoa que trás sua conta, como acontece desde que visitou o lugar com Sasuke, é a gerente e a rosada abre um belo sorriso que lhe é retribuído.

—        É sempre bom revê-la senhorita.

—        Sim, gosto de vir aqui.

Sakura pega seu cartão.

—        E gostaria muito que fizessem entregas.

A mulher abre um sorriso gentil para Sakura.

—        Senhorita já falamos sobre isso.

—        Sim, eu sei. É que seria muito bom, hoje mesmo estou gostaria de jantar com a comida de vocês, mas estou tão exausta pelo trabalho que não vou conseguir voltar hoje.

A gerente sorri.

—        Pode voltar amanhã.

Sakura suspira sabendo que é inútil tentar argumentar.

—        Sim, tem razão.

—        Será sempre um prazer recebê-la aqui, assim como ao seu noivo.

Sakura se surpreende, ela se esqueceu totalmente sobre como Sasuke conseguiu o vinho, apenas se lembrou que o conseguiu para se desculpar com ela, mas se esqueceu que havia dito que eram noivos.

—        Sim, nós somos. É que ainda me confundo as vezes.

—        Entendo.

—        Enfim, - Sakura tenta encerrar o assunto - é realmente uma pena.

—        Sim, é uma pena. Vou cobrar sua conta, com licença.

Sakura entrega o cartão e a vê se afastar dando um suspiro em seguida.

—        Aquele Uchiha arrumou pra minha cabeça. - ela diz para si mesma e espera pelo cartão.

Quando a mulher volta a se aproximar da Haruno, leva uma garrafa de vinho nas mãos o que surpreende Sakura.

—        Espera, - a rosada diz assim que a gerente se aproxima - o que é isso?

—        Um agradecimento.

—        O que?

—        Estava mesmo pensando em como a agradeceríamos.

—        Vocês não podem sair dando vinhos assim.

A mulher ri.

—        Não se preocupe, ele foi pago.

—        Como assim?

—        Seu amigo veio aqui, o pintor do quadro, - Sakura se surpreende - o que gastou aqui, paga por essa garrafa.

—        Ainda assim eu não posso aceitar.

—        Por favor, é um agradecimento. Ele não é o primeiro que vem ao nosso restaurante por recomendação sua. E muitas das pessoas que nos visitam são conhecidas e com isso conseguimos muitos clientes.

—        A comida de vocês é boa e nem há o que ser dito do vinho, não é por minha causa que vocês são tão elogiados. É um medito de vocês.

—        Vamos senhorita, é apenas um vinho. Pelos quadros que doou.

Sakura fica sem fala por alguns poucos segundos.

—        E... Eu realmente não sei o que dizer.

—        Que tal obrigada?

—        Bom, então obrigada.

A mulher sorri e entrega a garrafa a Sakura.

—        Obrigada pela preferência. Volte sempre.

—        Claro.

Sakura deixa o lugar realmente surpresa pelo que acaba de acontecer, afinal não esperava por isso. O caminho até a casa de Kotetsu e Izumi é curto e ela logo está de volta à obra.

Seu trabalho exige muito dela mas, ainda que tente se concentrar, seus pensamentos continuam a voltar ao restaurante.

Como vou explicar para eles que Sasuke e eu não somos noivos? E depois de receber esse vinho é ainda pior.

Sakura se sente culpada pela mentira e se irrita por ter concordado com o moreno naquele dia. Na verdade não está irritada por ter concordado, aquele foi um bom almoço e ela não teria respondido de forma diferente, o que a irrita é que agora tem problemas por causa disso, afinal não pode negar um relacionamento.

Isso a faz lembrar de Gaara e seu rosto logo se entristece, mas ela afasta o pensamento e volta a focar no seu trabalho.

Sakura passa algum tempo no lugar, afinal ainda tem uma parte da casa na qual não tem ideia de como progredir. É uma área que os donos não tem ideia do que querem e como é seu trabalho precisa de uma ideia para oferecer, mas ainda não conseguiu pensar em nada desde quando viu essa área vazia.

—        Talvez uma estufa. - ela diz pensativa.

—        Boa tarde.

Sakura se vira e vê Izumi se aproximar.

—        Ah, boa tarde.

—        Está ficando magnífico. A forma como fez esse terreno parecer maior do que ele é foi incrível. Fizemos bem em te procurar.

—        O-obrigada. - a rosada diz sem graça.

—        É estranho ver tudo assim, sem estar pronto digo.

—        Geralmente os clientes só vêm à obra quando ela está finalizada.

—        Gosto de ver as coisas progredirem, gosto de ver o passo a passo, parece mais gratificante no final.

Sakura a observa surpresa, entendendo ao que ela se refere.

—        Sim, acho que está certa.

Ela volta a planta que está na mesa e Izumi se coloca a sua frente observando o papel.

—        Estava pensando em fazer algo que vocês se interessem, como uma estufa, por exemplo, o espaço e encanamento tornariam possível montar uma aqui.

—        Eu gosto da ideia.

A morena sorri e Sakura rabisca um desenho na planta.

Elas passam algum tempo em silêncio enquanto Sakura termina de rever seu projeto.

—        Sakura você está transando com o Sasuke?

A rosada se surpreende com a pergunta e, mesmo que o fato não seja verdade, ergue o olhar para a morena a sua frente suspirando.

—        Não quero ser indelicada nem grossa Izumi, mas isso não é da sua conta.

A morena se surpreende com o que ouve.

—        Ele não é como você pensa.

Sakura percebe que ela está tentando fazê-lo parecer a pior pessoa do mundo apenas por ouvir o tom que a morena leva e isso irrita a rosada.

—        Como eu penso? - ela ergue uma sobrancelha - Você até está certa em um ponto, ele me surpreende cada vez mais.

Izumi se surpreende mais uma vez.

—        Veja bem Izumi, não envolvo meus clientes com assuntos pessoais, então gostaria que não voltasse a falar sobre isso.

—        Vai se arrepender se continuar com ele.

Sakura percebe o tom hostil e se surpreende.

—        Está me ameaçando?

—        Não, estou avisando.

—        Agradeço a preocupação, - Sakura deixa clara a ironia na última palavra - mas se continuar a se meter na minha vida, não poderei ser responsável por esse projeto.

—        Tudo bem, não falarei mais nisso, apenas se considere avisada.

Izumi se afasta.

—        Tenha um bom dia de trabalho.

Ao perdê-la de vista, Sakura deixa o lápis em cima da mesa soltando um suspiro frustrado. E ao rever a conversa que teve a pouco se surpreende pelas respostas que deu, mas nota que teria defendido qualquer amigo com a mesma intensidade. Com isso finalmente percebe que realmente considera o Uchiha um amigo.

A intromissão de Izumi em sua vida, apesar de irrita-la a deixou curiosa pelo que a levou a isso. A morena estava morta de ciúmes é claro, mas por quê? Será que Sasuke e ela já namoraram? Ela se lembra do ar melancólico do moreno ao falar sobre Izumi. O que ela fez para ele?

Mesmo depois de algum tempo, Sakura não consegue voltar a focar no trabalho com a curiosidade e um pouco de irritação ainda presentes, e como já está próximo de escurecer decide ir para casa.

 

Já em casa a rosada toma um longo banho e se joga no sofá. Ela ainda pensa em Izumi e Sasuke, não tinha reparado antes, mas analisando a situação agora se lembra que o olhar do moreno e seu tom de voz era bem parecido com o de Tatsuo, não era igual, Sasuke parecia ter algum tipo de ressentimento e a rosada imagina que tenha sido uma decepção amorosa.

Talvez ela o tenha traído. Sim, essa é a única coisa que ela consegue pensar, até porque, como Karin disse, depois disso ele começou a ficar com todas. Sim, ele com certeza foi traído. Mas tem mais coisa.

Ela morde o lábio pensativa e se ergue indo para a cozinha preparar um chocolate quente.

Quando volta para a sala e se senta para assistir algo apreciando a bebida ouve o toque de seu telefone. Sakura se aproxima do aparelho fixo estranhando, afinal ele raramente toca.

—        Alô.

*O que está fazendo agora?*

A voz animada de sua mãe a assusta um pouco.

—        Estou assistindo, por quê?

*Se troque agora, coloque a roupa mais sexy que tiver.*

—        Mãe.

*Vou buscá-la em vinte minutos.*

—        Mamãe.

*Esteja pronta.*

O telefone é desligado e ela ouve apenas o toque.

—        Alô. Mãe.

Ela respira fundo e termina sua bebida, indo em seguida para o quarto onde coloca uma roupa casual temendo o que a espera.

A campainha logo é ouvida e depois de pegar sua bolsa ela segue para a porta.

—        Credo, o que é isso?

Mebuki entra na casa empurrando a filha.

—        Uma roupa como qualquer outra.

—        Não vai sair comigo desse jeito. Só vamos sair daqui quando estiver usando algo descente.

—        Onde vamos?

—        Surpresa.

—        Mãe.

—        Cale a boca e venha logo trocar de roupa, parece até uma velha ranzinza.

Mebuki caminha até o quarto da filha, onde abre o guarda roupas e tira um belo vestido negro que tem as costas desnudas, não há decote, mas ele é justo desenhando todo o corpo da rosada até a altura dos joelhos.

—        Sexy sem ser vulgar, perfeito. Vista isso.

—        Não antes de me dizer onde vamos.

Mebuki suspira.

—        Me conseguir netos.

Conhecendo a mãe como conhece isso não é nenhuma surpresa.

—        Tudo bem, vamos por partes. Qual o nosso destino?

—        Vamos logo Sakura, não temos a noite toda.

—        Apenas me diga qual o nosso destino, o que custa?

—        É uma reunião de ex-alunos, quero exibir minha linda filha e talvez conseguir um genro qual é o problema nisso?

Sakura se sente mais relaxada, por um breve momento teve medo de sua mãe a levar para uma boate para que se interessasse por alguém, apenas para transar e engravidar. Acredite, Haruno Mebuki é capaz disso.

—        Certo, eu troco de roupa, - Sakura pega a peça - mas por que esse vestido?

—        Não me ouviu? Quero mostrar a todos a filha gostosa que tenho e lhes causar inveja, além de deixar os filhos deles desejosos o suficiente para querer me dar netos.

Sakura revira os olhos.

—        Me espere na sala.

—        Calce um sapato descente também.

—        Tá mãe, tchau.

—        Tá, tá, estou indo.

Mebuki sai do quarto e Sakura se veste.

 

Sakura observa as pessoas no salão. Sua mãe a apresenta a inúmeras pessoas e todas abrem um belo sorriso elogiando-a. Felizmente, em algum momento dessa reunião conseguiu se distanciar da mãe que a estava jogando para todos os solteiros que encontrava.

Um pouco distraída, ao se aproximar de uma bancada de drinks a rosada esbarra em alguém que, por reflexo, a segura para que não caia.

—        Me d... - ela se interrompe surpresa com o que vê - Sasori?

—        Olá Sakura.

Ele a endireita e se afasta um pouco mantendo o olhar sobre ela, que ainda está surpresa e não esconde isso. A última vez que se falaram não terminou de maneira muito amigável. Relembrar isso a faz dar um passo atrás mantendo a expressão séria.

—        Desculpe por esbarrar em você, com licença.

Sakura passa por ele, mas sente uma mão em seu braço, na área acima do cotovelo. Ela se vira para olhar para ele.

—        Então vai ser assim?

Sasori a observa com o olhar atento em seu rosto pouco maquiado, mas que, no entanto, destaca os belos olhos esverdeados que tanto o agradam.

—        Como queria que fosse? - Ela o faz focar seu olhar nos belos lábios rosados - Sou só mais uma puta não é, por que se importa?

O ruivo se silencia por alguns segundos. Ele certamente explodiu naquela noite e parece que não será fácil desfazer o que disse.

—        Eu estava alterado, o que disse...

—        Há três coisas na vida que nunca voltam atrás. - ele se cala - A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Não tente se desculpar agora, não perca seu tempo.

Ele solta o braço dela.

—        Então não faz diferença para você que nossa amizade tenha terminado?

—        Esse é o seu problema, acha que pode fazer algo errado, se desculpar e tudo volta ao normal, como era antes.

A garganta de Sakura parece apertada.

—        Aquelas palavras me enfureceram, eu fiquei com muita, muita raiva do que ouvi do babaca que ia comigo pra cama. Mas foi ainda pior acordar no outro dia e perceber que aquilo foi dito pelo meu melhor amigo.

Ele ainda a observa sem dizer nada e vê algumas lágrimas molharem o rosto delicado.

—        Uma das pessoas que era mais importante para mim, alguém que eu amava com todo o meu coração simplesmente me mostrou que não me conhece, acho que nunca conheceu e fui apenas ingênua demais acreditando nisso.

Ela não se importa com o que fala, depois das coisas que ele disse, acha que o ruivo sequer pode se ferir com algumas verdades ditas por sua boca.

—        Mas isso não importa mais. - Sakura seca as lágrimas - A partir de agora não somos nada mais que estranhos. Adeus Sasori.

Ela se afasta, mas sente a mão em seu braço impedindo-a de continuar uma vez mais.

—        Nada daquilo foi real, é isso o que está dizendo?

Ela se vira para ele que a solta.

—        E você acha que foi?

—        Durante todos esses anos, estive ao seu lado vi todas as suas conquistas, estive ao seu lado em cada momento e ainda acha que nada disso teve importância?

—        Você não foi o único, eu também sempre te apoiei sempre estive ao seu lado, sempre. Todas as noites em que não conseguia dormir porque estava irritado ou preocupado eu passei acordada com você, todas as suas exposições, mesmo que não pudesse estar pessoalmente eu te parabenizava. Mas de que vale tudo isso, eu não te reconheço mais, pode dizer que me conhece?

Ele se cala.

—        Então é isso, vai ser como se nunca tivéssemos nos conhecido, todos os anos como se não fossem nada?

Sakura sente as lágrimas rolarem de novo.

—        São recordações, recordações de uma vida passada. Uma vida que não pode voltar.

Sasori não a responde. Ele se odeia por fazê-la chorar, mas é como a rosada disse não pode voltar atrás em suas palavras. E, ainda que naquele momento não pensasse em nada mais do que a raiva por saber que ela estava com alguém que não era ele, deveria ter medido as consequências de suas palavras.

—        Sakura?

Mebuki se aproxima ao ver a filha chorando.

—        Vamos embora.

—        Claro, claro. Vamos.

Elas se afastam do ruivo e o salão onde os ex-colegas de escola da matriarca Haruno estão logo fica para trás.

 

Mebuki não perguntou a filha o motivo das lágrimas, isso porque sabe bem que foi Sasori quem as causou, ela conhece o ruivo e sabe que eles eram amigos, mas aparentemente as coisas já não são assim. Também decidiu não perguntar, pois foi a responsável por tirar Sakura de casa para início de conversa.

O carro para em frente a casa da rosada que observa a mãe.

—        Obrigada por tentar me arrumar um namorado, mas vamos parar com isso tudo bem?

Mebuki não responde apenas observa a filha.

—        Boa noite mãe.

—        Boa noite querida.

Sakura desce do carro e não demora a entrar na casa, seguindo para o quarto e se jogando na cama assim que a vê. As lágrimas molham o travesseiro e, para ajudar, Lee também ronda seus pensamentos relembrando que não voltou a falar com o rapaz. A noiva de Gaara também lhe volta a mente assim como o Sabaku.

—        Por que isso está acontecendo?

Depois de algum tempo a rosada se ergue e se troca vestindo seu babydoll, ao ir para o banheiro limpa rosto e retira tanto a maquiagem quanto as lágrimas. A mulher no espelho não parece muito animada, apenas cansada e entristecida.

Soltando um longo suspiro ela volta ao quarto e logo já está deitada em sua cama pronta para ir dormir. O toque do seu celular porém, a impede de fazê-lo.

Ao pegar a bolsa no criado mudo, retira o aparelho e o observa. A princípio, Sakura pensa se tratar de sua mãe ou talvez de Itachi, gostaria que fosse ele, mas ao desbloquear a tela vê que é Sasuke. Se sentando extremamente surpresa com a mensagem, tanto pelo horário quanto pela pessoa em si, abre a janela de mensagens.

*Boa noite.*

*Boa noite*

Sakura o responde ainda surpresa, pois mesmo que tenha ciência de que Sasuke agora tem seu telefone, não esperava por uma mensagem dele.

*Você teria o número de Izumi?*

A surpresa de agora a pouco, nem se compara com a desse momento, ela está estática e precisa de algum tempo para processar o que acabou de ler.

A única coisa que consegue pensar nesse momento é na conversa que teve com Izumi mais cedo, coisa que até antes de desbloquear o celular parecia ter acontecido décadas atrás. A conversa com a morena volta a sua memória como se fosse algo que tivesse acontecido a apenas alguns minutos e a curiosidade lhe ronda, mas ela sabe que não pode perguntar o motivo pelo qual ele quer o número.

Se Sasuke for como Tatsuo faz sentido que a rosada queira mantê-lo longe da morena, talvez o interesse nesse assunto seja exatamente esse. Ela se lembra do amigo e de como ele sofreu, nunca quis ver nada parecido acontecer a ninguém, nem mesmo com seu pior inimigo e nesse momento, nem com o Uchiha.

*Sakura?*

Ela desperta e procura pelo número ao qual não demora a encontrar.

*Me desculpe eu estava procurando.*

Ela envia o contato com o nome de Izumi.

*Obrigado.*

Ela permanece encarando a tela durante algum tempo. Se estivesse conversando com algum amigo não hesitaria dessa forma, mas o moreno não é exatamente o que chamaria de amigo. Sua relação com Sasuke não se parece como a de nenhum de seus amigos e ela não pode dizer que o conhece realmente. Sequer sabe o que ele dirá se ela perguntar sobre a morena.

—        Provavelmente vai fazer alguma piada.

Ela sorri. Sim, essa com certeza seria uma coisa que o moreno faria. Sem hesitar mais, decide digitar uma mensagem a ele.

*Sei que não é da minha conta, e antes que faça qualquer piada não é por interesse em você, mas qual sua história com a Izumi?*

Depois de enviar Sakura não vê uma resposta por vários segundos, apesar de saber que ele visualizou a mensagem. Pensando nisso percebe que talvez só quisesse conversar e ele foi a primeira pessoa que apareceu, mas é claro que eles não são próximos para que Sasuke conte sobre sua vida.

Sakura afasta o celular e se deita novamente. Tocar a cabeça no travesseiro a faz lembrar de Sasori e por isso pega outro macio objeto abraçando-o. Realmente, ainda que tenham anos de convívio você nunca conhece a pessoa como ela é, isso é uma coisa triste porque assim não pode confiar em ninguém.

Ela balança a cabeça. Não, Sasori é uma exceção nem todos são assim. Sei que conheço meus amigos e sei que eles me conhecem. Mas será mesmo?

Um longo suspiro escapa e o toque do celular alertando mensagens a faz estender a mão para pegar o aparelho. Ao desbloquear a tela, percebe ser Sasuke.

*Não é nada de mais, éramos amigos na infância ou pelo menos eu pensava que fossemos. Mas ela apenas queria se aproximar do meu irmão. No fim eles acabaram ficando e não voltei a falar com ela.*

Ele fez parecer que foi algo a toa, mas Sakura se lembra de como Sasuke fica ao falar com a morena ou sobre ela. O ressentimento e a mágoa são sempre visíveis e o fato que levou os dois a pararem de se falar realmente a surpreendeu.

Talvez Izumi não tivesse nada além de uma amizade com ele, mas com certeza foi um choque mesmo assim. Entretanto, a rosada não pode culpa-la por magoar o moreno, afinal pode nem ter percebido que ele gostava dela. Diz isso por experiência própria, afinal nem imaginou que Sasori tinha sentimentos por si, e olha que ela dormia com ele.

Sakura suspira e volta a digitar.

*Ela deve se sentir mal por não ter percebido que gostava dela, talvez queira se desculpar.*

*Ah, não. Ela sabia que eu gostava dela, na verdade usou isso para se aproximar do Itachi.*

*Que vaca.*

Ela digita antes que perceba.

*Nunca estive tão de acordo com você.*

*E por que quer o número dela?*

*Agora já posso achar que é interesse?*

Sakura revira os olhos.

*Não, não pode. Porque não é.*

*Ela arrumou problemas com uma velha amiga e para não processa-las queria falar comigo.*

Sakura se surpreende e se lembra da conversa que teve com a morena.

*Ela parece bem interessada em você.*

*Não vejo motivos, cada um seguiu com sua vida, não temos mais nada um com o outro. Não há motivo para interesse.*

*Talvez ela se arrependa.*

*Pode ser, mas não que isso realmente tenha importância.*

*Você parece saber guardar rancor.*

*Não tenho raiva dela, não mais. Agora ela é apenas um daqueles erros que temos vergonha de admitir que cometemos.*

Sakura ri.

*Isso eu entendo bem.*

*É verdade, você já foi presa.*

Ela se surpreende por ele se lembrar de algo tão antigo quanto o buraco.

*Até que não é ruim conversar com você.*

Ela sorri ao ler.

*Sim, você não é tão insuportável quanto parece.*

*Isso deveria ser um elogio? Tem que melhorar nisso.*

*É tudo o que vai conseguir de mim Uchiha. Até.*

*Até.*

Ela volta a colocar o celular ao lado e suspira. Foi bom se distrair um pouco, mesmo que tenha sido com Sasuke, isso a fez se esquecer da discussão que teve com Sasori. E agora quer apenas perder a consciência e terminar esse dia o que felizmente não demora a acontecer.



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