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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 153


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Capítulo 153 - Capítulo 53 - GAARA - Carona


O toque da campainha se repete três, quatro, cinco vezes e nenhuma resposta é dada. Sasuke está em dúvida de que a rosada realmente esteja em casa e se pergunta se essa é realmente a casa certa, ainda assim tenta ligar mais uma vez. Quando o moreno estava voltando da obra, que pegou boa parte do seu tempo hoje, por volta das sete e quarenta ligou para Naruto avisando que iria se atrasar, mas não pensou que Sakura também se atrasaria. No meio do caminho recebeu uma ligação do loiro que pedia que ele passasse na casa da rosada, pois o Uzumaki não estava conseguindo contato com ela. Ele recebeu o endereço por mensagem e aqui está ele.

Sasuke ouve a ligação cair na caixa postal e a encerra, tocando a campainha uma vez mais logo em seguida. Poucos segundos depois ouve a porta ser destrancada e uma rosada sonolenta aparecer a sua frente.

—        Sasuke? O que faz aqui?

Ele a observa de cima a baixo e a vê com um baby doll, isso o deixa estático. O moreno sabia que a Haruno era bela, mas nunca imaginou que fosse tanto. Ele nunca desejou tanto ter tido progresso com ela como o faz nesse momento, como prova, seu membro pulsa na calça.

—        E-eu estava mesmo me perguntando porque não atendia as ligações.

—        O que? - ela o observa confusa - Bom, eu desliguei meu celular.

Sasuke percebe que ela não se lembra do compromisso que tem.

—        Você se esqueceu totalmente do ensaio de hoje, não foi?

Sakura leva três segundos para processar o que ouviu e ter uma reação condizente.

—        Puta que pariu, o ensaio.

Ela entra deixando a porta aberta e um moreno sorridente para trás. Sakura nunca se trocou tão rápido em toda a sua vida, ela prende o cabelo em um rabo de cavalo que deixa alguns fios soltos e volta para a sala com a bolsa em mãos, não quer nem imaginar como estava quando atendeu Sasuke.

—        Ainda parece cansada quer uma carona?

—        Tá, eu aceito, vamos.

Ela o empurra para fora e tranca a casa, eles logo estão dentro do carro e ela solta um longo suspiro ligando o celular. Ao ligar o celular, a rosada repara que Sasuke ainda tem um sorriso no rosto, mas o ignora por enquanto.

*Sakura estou a um tempão tentando falar com você.*

—        Desculpa Hina, tive um dia cheio hoje, mas já estou a caminho.

*Estamos esperando, Sasuke também não chegou ainda.*

—        Sim eu sei.

*Que bom que ele conseguiu falar com você. Estamos esperando.*

—        Tá bom. Tchau.

A rosada desliga com um suspiro.

—        Você acordou mesmo?

Sakura foca o olhar sobre ele.

—        Por quê?

—        Aceitou minha carona tão rápido que estou um pouco em dúvida.

Ela desvia o olhar e foca na paisagem.

—        Do jeito que eu estava, se pegasse meu carro ia causar um acidente.

—        Por causa do sono?

—        Porque estamos atrasados.

—        Então você é uma barbeira quando está com pressa?

Sakura não o responde de imediato pensando na pergunta do moreno, ela sabe o quão boa é no volante, mas precisa admitir que quando está com pressa deixa algumas coisas passarem.

—        Talvez.

Sasuke nota que o tom de voz da rosada não parece com o que está acostumado, ele notou que nos últimos dias ela está um pouco desanimada, mas dessa vez parece que é algo bem mais sério do que um desanimo.

—        Espera, - ela foca nele percebendo o que ouviu - por que disse quando estou com pressa?

—        Já te vi dirigir, não é tão ruim atrás do volante.

—        Isso é mesmo um elogio? Porque se for você é péssimo com isso.

—        Mas pelo menos dirijo bem quando estou com pressa.

Ela abre a boca para protestar, mas se cala e desvia o olhar.

—        Essa é apenas uma coisa na qual não sou a melhor. Mas não significa que sou tão ruim.

Sasuke sorri.

—        Não ficou chateada ficou?

Sakura se surpreende com a pergunta, mas mantém o olhar na estrada.

—        Não, não fiquei.

O mesmo tom, outra vez.

—        Tem certeza? - ele abre um grande sorriso - Parece que tenho o dom pra fazer isso.

Sakura o observa e ao ver o sorriso do moreno sorri também.

—        Não, você não me chateia, você me irrita, é diferente.

—        Ainda assim deve ser um dom meu.

Ela não consegue evitar que uma risada fraca escape e Sasuke gosta de ouvir esse som, não apenas porque é belo, mas porque está preocupado.

—        O incrível é que você está certo, e consegue fazer isso como ninguém, mas não significa que seja algo bom.

—        Claro que é. A melhor parte é vê-la com raiva, fica bem sexy assim.

Ela se surpreende, mas não demora a se recuperar.

—        Oh minha nossa, você é masoquista.

—        O que? Claro que não.

Ela ri e eles estacionam descendo logo em seguida e, deixando o carro para trás, caminham em direção ao prédio.

—        Não, estou falando sério, - ela continua - você deve ser masoquista, ou pelo menos quer muito um soco meu.

—        Nem um nem outro. Eu te elogiei e você conseguiu tirar algo que nem existe do que foi dito.

Sakura ri por causa da expressão do moreno, ele está irritado pelo pensamento da rosada, mas ainda assim parece relaxado. É estranho, mas ela gosta.

—        Tem razão, - eles chamam pelo elevador - obrigada pelo elogio.

Sasuke foca nela por dois breves segundos antes do elevador se abrir e eles entrarem.

—        Aliás, como sabia onde eu morava?

Ela o observa curiosa.

—        Naruto me mandou o endereço, se eu não tivesse ido você teria sérios problemas, talvez ainda tenha.

—        Realmente preciso me desculpar com a Hina, mas não acho que ela está tão brava.

—        Quem falou da Hyuuga?

Ela foca o olhar sobre ele sem entender e o elevador se abre, os dois saem e seguem para a sala do ensaio.

—        Você teria problemas com a minha mãe, acredite ela pode ser bastante assustadora.

—        Bom, - ela desvia o olhar - não posso dizer que duvido de você, realmente acho que ela pode ser bastante assustadora.

Ele sorri.

—        Nem queira ver.

Sakura segura a fechadura mas não a abre, no lugar disso, se coloca a frente de Sasuke e sorri para ele.

—        Bom, se eu tiver problemas digo que a culpa foi sua, ela deve relevar.

—        Nem brinque com isso.

Ela ri e abre a porta entrando. Assim que passa pelo vão, percebe que todos já estão ensaiando, mas param assim que os veem. Sakura não demora a se aproximar da Hinata.

—        Hina eu sinto muito.

—        Eu estou bem, quem não está muito contente é a professora.

Ao olhar para Mikoto que fala com Kushina, Sakura percebe que a morena não está com um rosto muito amigável.

—        Vamos de novo agora que todos estão aqui.

Todos voltam a se aproximar de seus pares e Sakura se aproxima do moreno com um suspiro.

—        Problemas com a noiva?

—        Ah, não, mas você tinha razão, acho que irritei sua mãe.

Sasuke toca as costas da rosada e a aproxima tocando seus corpos, assim que a musica tem início, ela toca uma das mãos dele e apoia a outra em seu ombro.

—        Não vai demorar muito, ela gosta de você. Acho que é uma característica Uchiha.

Ela se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Então você gosta de mim.

Sasuke torce o nariz.

—        Não muito.

Ele sorri e Sakura dá um leve tapa no ombro do moreno que ri do gesto.

—        Mas até que você tem razão.

Ao ouvi-la, ele foca suas orbes negras sob o olhar da rosada.

—        Conquistar Uchiha's deve ser meu superpoder.

Ele não gosta muito do que ouve.

—        Vamos manter apenas entre nós.

Ela ri.

—        Você diz como se tivesse chance.

Ele volta a sorrir para ela.

—        E quem disse que ainda não tenho?

Sakura revira os olhos e a música acaba. Eles se afastam ficando um ao lado do outro e observam Mikoto assim como os outros.

—        Como esperado, - a morena diz - vocês ainda parecem se lembrar de tudo...

—        Você foi bem, - Sakura sussurra para o moreno - deve ter tido uma ótima professora.

Sasuke revira os olhos.

—        Depois eu é quem sou convencido.

Ela ri.

—        De novo.

Mikoto diz para que todos a ouçam e eles se calam voltando a dançar novamente.

A morena observa o filho e nota algo que não vê a muitos anos. Até então não havia notado que a proximidade entre eles havia se tornado assim, é provável que Sakura seja a primeira amiga dele em anos. E deduz isso porque depois do que passou com Izumi não o viu se aproximar de nenhuma mulher a não ser que fosse para se satisfazer, isso ficava claro quando a matriarca tentava fazê-lo se aproximar de alguém, ele simplesmente odiava, e nem mesmo no trabalho haviam mulheres presentes na sua vida. Sakura definitivamente é a primeira, em anos, que é tão intima de Sasuke, isso a faz se lembrar de Itachi e da conversa que teve com o filho.

Mikoto falou com o filho mais velho pois percebeu que ele estava diferente e chegou ao seus ouvidos que estava apaixonado, mas ao descobrir que se tratava de Sakura ficou preocupada, afinal o histórico dos irmãos com mulheres não é o mais saudável.

A morena apenas espera que dessa vez a mulher entre eles não tenha magoado um de seus filhos propositalmente como Izumi fez. Por isso, apenas presta atenção em como a rosada age perto de Sasuke, afinal sempre foi boa em identificar a personalidade das pessoas e essa é a razão pela qual não gostava de Izumi. Entretanto, com o passar das horas, apenas consegue perceber a facilidade que Sakura tem para falar com ele, também percebe um brilho especial, mas infelizmente o olhar com o qual a rosada observa seu filho não é um olhar apaixonado.

Ela solta um longo suspiro.

Porque sempre tem que haver uma mulher entre os meus filhos? Ela ainda foca o olhar sobre os dois. Mas parece que dessa vez os dois vão se machucar.

—        Bom, - ela diz afastando os próprios pensamentos - vocês estão ótimos. Tenho certeza que irão muito bem no sábado.

A morena sorri.

—        Até lá.

Eles se dispersam e Sakura segue para o elevador, acompanhada de Sasuke, Naruto e Hinata.

—        Então, - Hinata a observa enquanto o elevador desce. - o que te fez se atrasar tanto?

—        O trabalho, estava tão cansada que me esqueci do ensaio então me deitei e peguei no sono.

—        Sono? - Hinata pergunta surpresa - Sakura você hibernou, ligamos pro seu celular umas quinze vezes.

—        Eu vi, - a rosada diz sem graça - desculpe.

O elevador se abre e eles seguem para o estacionamento.

—        Tudo bem Sakura-chan, - Naruto abre um grande sorriso - o importante é que você veio, o Teme conseguiu te trazer.

—        Não foi fácil tirá-la de casa. - Sasuke diz.

—        Eu disse. Você estava hibernando.

Naruto e Hinata param em frente ao carro do loiro que olha a sua volta a procura de algo.

—        Onde está seu carro Sakura-chan?

—        Eu a trouxe.

Há silêncio por alguns poucos segundos. Naruto e Hinata estão bastante surpresos com o que acabaram de ouvir, mas não apenas eles porque apenas agora a rosada se lembrou que havia recebido carona.

Como não lembrei disso?

—        Bom, er... - Hinata diz - Vamos Naruto.

A morena vai para o carro e o loiro faz o mesmo.

—        Tchau Teme, tchau Sakura-chan.

—        Boa noite pra vocês.

—        Boa noite. - eles respondem.

O carro logo se afasta.

—        Vamos?

Sakura o observa.

—        Ah, sim, vamos.

Eles seguem para o carro do moreno em silêncio e não demoram a se afastar da escola de dança.

—        Sasuke - Sakura olha para o moreno - Por que você foi me buscar? Quer dizer, por que desviar do caminho?

—        Naruto me pediu.

—        Ah. Bom, ainda bem, se não tivesse ido eu não teria vindo nesse ensaio.

—        E mais uma vez eu salvei seu dia.

—        Você me salvou?

Ela pergunta surpresa.

—        Quando foi que isso aconteceu?

—        Nossa, é assim que me agradece?

Sakura abre a boca para falar, mas não sabe como responder a isso.

—        Tudo bem, já que não se lembra vou refrescar sua memória.

—        Por favor.

—        Teve o sorvete que você parecia bem desesperada para conseguir, o voluntariado que eu não precisava ter aceitado e...

Ela fica boquiaberta desacreditando no que ele disse.

—        Você estava me devendo pelo voluntariado. - ela o interrompe - E se formos colocar assim, eu te salvei muito mais. A dança, o gesso, a mentira sobre o vinho, avisei sobre a obra quando esqueceu seu cel...

—        Ok, tudo bem, - dessa vez ela é interrompida - não precisamos ponderar tudo agora.

—        Agora não precisamos, não é?

—        É.

—        Enfim, - ela diz não gostando muito de ter sido interrompida - obrigada, ainda assim. Ainda que tenha atrapalhado um belo sono, foi por uma boa causa.

—        Você é muito mal agradecida sabia?

—        É claro que não, apenas estou dizendo que agora entendo exatamente como se sentiu quando abriu a porta pra mim no dia que fui falar das peças de gesso.

—        Aquela sim foi uma boa noite de sono interrompida.

Sakura o obseva.

—        E o que está esculpindo?

—        É uma surpresa.

O sorriso da rosada aumenta.

—        Tentando impressionar quem? - ela ergue uma sobrancelha curiosa.

—        Todos que a virem.

—        Estou curiosa para saber se é tão bom quanto acha que é.

—        Eu poderia levá-la até minha casa para mostrar, mas não sei se seria uma boa ideia, poderia não querer voltar.

Sakura solta uma risada e, apesar de achar essa uma risada linda e gostar de ouvi-la, ela incomoda o moreno.

—        Do que está rindo?

—        Você se acha demais Uchiha, garanto a você nessa altura do campeonato, quem parece desesperado para termos uma noite não sou eu.

Isso surpreende o moreno e ao vê-lo com o rosto emburrado o sorriso da rosada aumenta. O carro finalmente para e Sakura desce.

—        Sasuke obrigada.

Ele volta seu olhar para ela e a vê com um belo sorriso.

A Haruno não agradece apenas pelo moreno tê-la acordado, ou por ter dado carona a ela. Sakura não riu uma única vez depois do que aconteceu com Gaara, mas o moreno conseguiu fazê-la rir e por isso está tão grata.

Sasuke percebe que o agradecimento, não é apenas pelo favor que ele fez e fica feliz por poder tê-la ajudado, ele realmente fica.

—        Disponha.

Ela ainda sorri e se afasta vendo o carro desaparecer de seu campo de visão. Quando isso acontece, entra em casa, seguindo para a cama.

 

O despertador a acorda fazendo-a levantar para mais um dia de trabalho. Durante o banho ela se lembrou de Sasuke e de como estava relaxada ao lado do moreno, mas não apenas isso, percebeu que talvez isso seja o que precisa para esquecer a dor que volta com mais frequência do que consegue contar, seus amigos são sua melhor alternativa.

Depois do banho, a rosada toma um café da manhã sem pressa e vai para a garagem onde tenta ligar seu carro. Assim que gira a ignição, ouve um barulho estranho e o carro não liga.

—        Ah não, eu acabei de arrumar.

Ela tenta mais uma vez, o que é inútil, e quando percebe que ligar para um mecânico para ver o carro demorará demais, liga para a companhia de táxi e chama por um, seguindo assim para o trabalho.

Ao chegar na obra Sakura começa a andar pelo lugar e se surpreende com o que vê. Já não é mais um terreno com algumas construções, isso se parece extremamente com a vila que desenhou, está ainda melhor do que imaginou que ficaria. Todos os detalhes de seus desenhos podem ser vistos nas casas. A biblioteca realmente se parece com uma, assim como a escola e em nada se assemelham a um imóvel vazio de concreto como era.

Ela deu as instruções para os homens responsáveis pelo acabamento, mas não veio verificar para ver como as coisas estavam indo, erro dela afinal essa obra é sua responsabilidade tanto quanto a casa de Kotetsu. Ainda assim, Sakura percebe que verificar como as coisas estavam indo, não faria qualquer diferença pois os responsáveis pelo trabalho seguiram seu projeto ao pé da letra.

—        Senhorita Haruno, - o responsável pelo acabamento na obra se aproxima - a quanto tempo não passa por aqui.

—        Olá James.

Sakura trabalha com James já há algum tempo e provavelmente é por isso que seu projeto ganha vida nesse momento. Ele sabe como a rosada age e conseguiu fazer seu trabalho apenas com as ordens que lhe dava pelo telefone.

—        Tudo está como a senhorita queria?

—        Ainda melhor.

O rapaz abre um grande sorriso, não é de se surpreender que Sakura agrade os olhos que a observam, a mulher a sua frente é bela e apaixonada pelo que faz, essa é a principal razão pela qual gosta tanto de trabalhar com ela.

—        Bom, - ela foca a atenção nele, desviando os olhos do lugar a sua volta - o que ainda temos para fazer?

—        Claro. Siga-me, por favor.

Sakura o segue e tem um dia de trabalho como qualquer outro.

 

Próximo das cinco da tarde ela sente fome. É incomum que isso não tenha acontecido antes, talvez seja porque estava muito concentrada. Felizmente, o trabalho por hoje foi encerrado e, mesmo que saia agora, já não precisa voltar a obra. Ela se aproxima do hospital com o celular em mãos pronta para ligar para a companhia de táxi, mas antes responde algumas mensagens. Ao focar a sua frente ela vê Sasuke.

Sasuke se preparava para entrar em seu carro, mas ao abrir a porta viu a rosada ao longe isso o fez parar. Ao perceber que ele a viu, ela se aproxima.

—        Então, - ela diz quando já está próxima o suficiente para ser ouvida - como estão as coisas?

—        Bem, acho que terminamos em uma semana ou duas.

—        Isso é muito bom, não vejo a hora de terminar tudo isso.

—        Sim.

Ele afirma, mas não parece tão confiante da resposta e Sakura percebe.

—        O que foi?

—        Não é nada.

—        Ora Sasuke vamos, o que está te incomodando?

Ele a observa por alguns segundos.

—        Bom, é que é estranho saber que meu trabalho com vocês acaba aqui.

Ela se surpreende.

—        Esse é meu único trabalho a ser entregue na Construtora Senju, foi bom trabalhar com vocês.

Sakura nota certa melancolia na voz do moreno, mas sorri para amenizar a situação.

—        Vamos admita que vai sentir minha falta.

Ele se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Absolutamente, por que eu sentiria isso?

—        Porque acho que sou sua primeira quase amiga em anos.

—        Quase amiga?

Ela desvia o olhar mordendo o lábio inferior pensativa.

—        Você disse que acredita que somos amigos, mas ainda não estou certa de suas intenções.

Ele revira os olhos.

—        E por que acha que é a primeira?

Sakura dá dois passos para trás se afastando dele.

—        Sei lá, intuição? - ela dá de ombros - Bom, nos vemos.

—        Sim.

Ele entra no carro e Sakura volta a atenção ao celular pronta para chamar por um táxi. A ignição do carro do moreno é girada, mas ele percebe que Sakura permanece no mesmo lugar e, ao olhar ao seu redor não vê o carro dela.

—        Sakura, - ela foca sua atenção no moreno, mesmo que esteja no telefone. - não está de carro?

—        Não, - ela diz - ele resolveu me deixar na mão hoje.

—        Que tal vir comigo então?

Sakura se surpreende com o convite, mas se lembra do moreno dizendo que ela não sabe aceitar gentilezas.

*Qual o destino?* A voz no telefone se faz ser ouvida, mas ela simplesmente desliga a ligação e torce o lábio para o lado pensativa.

—        Não sei, minha mãe me disse para nunca entrar no carro de um homem mal intencionado.

Ele sorri.

—        Se eu fosse tentar alguma coisa poderia ter feito ontem.

Ela ri.

—        Até que você tem razão.

—        Então?

Ela pensa um pouco no assunto, mas decide aceitar.

—        Tudo bem.

A rosada se aproxima do carro, abre a porta entrando e o vilarejo logo fica para trás.

—        O casamento já é amanhã. - ela diz - parece que nos conhecemos a uma eternidade.

—        Aconteceu tanta coisa que não sei nem pontuar.

—        Sim, eu nunca diria que poderíamos ter uma conversa saudável se me perguntassem a dois meses.

—        Sim, você era muito difícil de lidar.

—        Eu? - ela pergunta ofendida - Você fazia tudo de errado e a culpa era minha?

—        Eu não fazia nada errado, apenas te provocava um pouco. E não tente negar, você gostava.

—        Não gostava, você era irritante.

Ele sorri.

—        É, eu notei o quanto arrepiada você ficou com minha voz irritante no seu ouvido no evento beneficente.

Sakura revira os olhos.

—        Você deveria começar a entender os sinais.

—        Não foi isso que acabei de fazer?

Ela sorri para ele.

—        Arrepios são sentidos quando alguém se assusta com a presença de outra pessoa e não nas suas fantasias loucas de que gostei daquilo.

—        Aham, sei.

O estômago da rosada ronca surpreendendo aos dois e Sasuke sorri.

—        Esse é um sinal difícil de ignorar.

Ela leva a mão ao estômago.

—        Não almocei hoje, é compreensível.

—        Então escolha o restaurante.

—        O que?

Ela o observa sem entender.

—        Esse foi o combinado, não foi? Um jantar?

—        Ainda são seis horas da tarde, não podemos chamar isso de jantar.

—        A que horas você janta?

Ela ri.

—        Depende de muitos fatores.

—        Já podemos chamar isso de jantar, escolha um restaurante.

Ela pensa nisso e percebe estarem se aproximando do Ella's.

—        Tá, vamos no Ella's então.

—        Tem certeza?

—        Estou com fome, é o restaurante mais perto e conheço a culinária de lá.

—        Bom, se tem certeza.

Eles se silenciam novamente e logo chegam ao restaurante.

Ao entrar se encaminham ao lugar indicado pela recepcionista e Sakura já pode sentir o aroma agradável do lugar.

—        A comida deles é demais.

—        Não posso negar.

—        Gostaria que fizessem entregas.

—        Por quê?

—        Bom, eu moro longe daqui, as vezes quero comer alguma coisa boa em casa, seria bom ter essa opção.

—        Preciso admitir que não seria algo ruim.

—        Não, não seria nada ruim.

O garçom chega para anotar os pedidos e Sasuke pede o mesmo que pediu da última vez, frisando que deve vir com muito molho de tomate. Isso chama a atenção da rosada. Quando o rapaz se afasta Sakura volta a olhar para o moreno e, com os cotovelos sobre a mesa, apoia o queixo nas mãos.

—        Então você é fanático por tomates.

Ele a observa surpreso por ela focar nesse detalhe, mas dá de ombros.

—        É quase isso.

—        Ah, não foi uma pergunta. Eu sei que você é um fanático por tomates.

Ele ergue uma sobrancelha curioso.

—        Sabe?

—        Eu reconheci. - ele ainda a observa sem entender - Sou uma fanática por doces, sei reconhecer outro fanático.

—        Não sou um fanático, apenas aprecio tomates.

Ela cerra os olhos ainda atentos nele.

—        Então está dizendo que não se importa se não comer um tomate por dia?

Ele se surpreende e ela percebe.

—        Bom...

—        Como eu disse, fanático.

Ele deixa um sorriso escapar.

—        Acho que gostaria da geleia da minha mãe.

—        Não como doces.

—        Isso é errado, não deviam existir pessoas como você.

Ele ri.

—        Você não é nem um pouco exagerada.

—        Mas é verdade. Enfim, não importa, ainda acho que vai gostar da geleia. Vou trazer um pouco pra você qualquer dia desses.

—        Não me culpe se eu devolver.

—        Diga isso depois de experimenta-la.

Os pedidos chegam e eles comem em uma conversa saudável, falando principalmente sobre o trabalho e o casamento. Sasuke, como de costume, investe na rosada, mas ela percebe que não é tão intenso como era antes. Tanto pela reação de seu corpo, quanto pelo moreno, agora parece que é mais uma brincadeira entre eles. Então talvez ela possa considera-lo um amigo.

Depois de deixar o restaurante eles seguem para a casa da rosada. A noite já se faz presente e ela percebe que acabou sendo um jantar.

—        Mas então, - ela o observa - não vai mesmo dizer sobre o que é a escultura?

—        É um presente.

Ela se surpreende.

—        Para quem?

—        Para os noivos.

—        Vai dar uma escultura para eles?

Ela pergunta extremamente surpresa.

—        Sou um padrinho, tenho que dar um bom presente.

A rosada desvia o olhar e pensativa observa tudo passar rápido lá fora.

—        Não sei se quero que seja um bom escultor.

Ela admite surpreendendo o moreno.

—        E por quê?

—        Bom, se for tão bom quanto disseram, uma escultura é um presente difícil de superar.

Ele abre um belo sorriso.

—        E por que perguntou a alguém se eu era bom?

Ela percebe o que disse.

—        F-foi uma conversa que tive com o entregador a muito tempo atrás. Ele acabou dizendo isso.

—        Bom, - ele sorri - recomendo que pense em uma maneira de superar minha escultura então.

O carro para e ela sorri para ele.

—        Vou pensar em algo.

A rosada desce do carro e se afasta.

—        Tchau Sasuke, obrigada pelo jantar.

Ele sorri.

—        Disponha.

Antes de se afastar a rosada se lembra de algo.

—        Ah, esqueci que tenho algo pra você.

O moreno ergue a sobrancelha receoso.

—        Deveria ter medo disso?

Ela ri.

—        Não seja bobo. Fique aqui, já volto.

Sakura segue para a própria casa e Sasuke logo a perde de vista. Quando o volta a ver a cabeleira rosa, o moreno percebe que a bela mulher que se aproxima leva um pote em mãos.

Assim que Sakura alcança o carro estende o pote ao Uchiha que o observa ainda com certa dúvida.

—        O que é isso?

—        Geleia de tomate.

Ele se surpreende, afinal nem sequer sabia que tal coisa existia.

—        Não sou um compulsivo por doces como você.

—        Ei, não ache que me conhece apenas porque compartilhei minha relação com doces. Além disso, sei que vai gostar, isso é muito bom e o gosto do tomate é mantido. Para tirar um pouco do gosto adocicado pode passar em torrada e talvez comer acompanhado de um café preto amargo.

Sasuke foca seu olhar no pote atentamente. Ele gosta muito de tomates, mas não acha que sua paixão por essa iguaria o faria comer um pote de geleia.

—        Vamos, apenas experimente, se não gostar pode devolver.

Ainda há alguma hesitação, mas o moreno logo pega o pote.

—        Se eu não gostar devolvo.

—        Sei que vai gostar.

Ela sorri e se afasta do carro.

—        Boa noite senhor compulsivo por tomates.

O moreno sorri para ela.

—        Boa noite senhorita compulsiva por doces.

Ela ri e estende a mão em um aceno, indo em seguida para dentro da casa e, apenas quando passa pela porta, ouve o carro se afastar. Ela ainda tem o sorriso no rosto e contente pelo dia que teve segue para o quarto para descansar, afinal, amanhã é o grande dia.



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