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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 38


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Capítulo 38 - Capítulo 35 - SASUKE - Laços rompidos


Quando termina de trocar de roupa, Sakura vai para a cozinha fazer seu café da manhã, em seguida se aproxima da bancada onde sua bolsa está e procura pelo celular, voltando para o sofá.

Assim que desbloqueia a tela vê três mensagens.

*Oi Sakura, voltei finalmente. Aquele encontro pode ser hoje?* - Lee.

*Bom dia, espero que tenha dormido bem. Podemos sair hoje?* - Gaara.

*Conseguiu descansar? Fiquei preocupado.* -Sasori.

Puta que pariu, eu sou uma hipócrita. Ela se joga no sofá de olhos arregalados. Disse que não consegui ficar com o Sasori por causa do Gaara, mas fiquei com o Sasuke.

Ela deixa o celular de lado por um momento pensativa. Afinal, por que foi tão fácil ficar com Sasuke se ela estava sendo tão determinada a não ficar com Sasori?

Talvez apenas estivesse excitada demais para que pudesse se controlar diante do Uchiha.

Não, não. Ela balança a cabeça negativamente Se fosse isso eu teria ficado com Sasori.

O ruivo inclusive deixou claro que queria comemorar, que precisava dela. Um suspiro escapa da rosada ao se lembrar da noite anterior.

Ela sabe o quanto Sasori é possessivo com seus amigos, ela sempre presenciou isso, mas aquilo superou todos os limites cabíveis. Então, não consegue evitar se lembrar das palavras de Deidara.

Ele está com ciúmes Saky.

Eles estão em um relacionamento aberto a quase dois anos, então ela saberia se ele tivesse se apaixonado, teria mudado alguma coisa, não?

Sakura apoia a cabeça no encosto do sofá e respira fundo. Sasori não a fez se esquecer do Gaara, mas Sasuke sim e ela não sabe o por quê.

Haruno Sakura você é uma hipócrita, falsa e desleal.

Gaara. Outro suspiro é dado e sua consciência pesa por causa do ruivo. Ela está saindo com ele a vários encontros e nem se esforçou para ficar com ele, mas assim que Sasuke apareceu na noite passada nada parecia importar a não ser senti-lo dentro de si.

Talvez eu ainda não esteja pronta para um relacionamento sério.

Sim, essa é a melhor explicação que poderia encontrar, ela ainda não estava preparada. Sua imaturidade para um relacionamento se faz perceptível diante do fato de que Gaara não merecia isso. Se ela já sabia que não haviam chances para o ruivo por que insistir?

Bom, não que tivesse plena certeza de que isso não daria certo. Mas é como Ino disse, ela não se importa que o relacionamento deles não se aprofunde mais, isso é um indicativo não?

A rosada suspira. Se for colocar que deveria ter dito para o Gaara que eles não podiam ficar juntos, porque sabia que não haviam chances, por que então fez isso com Lee?

Ela o ama, mas não da mesma forma que ele. Ainda assim, prometeu um segundo encontro ao rapaz, mesmo que saiba que não há futuro. Mas, e se ela for a esse encontro, o que vai fazer? Mentir? Afinal, dar mais essa esperança a ele é talvez mais cruel do que dizer a verdade de uma vez. O problema é que ela não é capaz de falar para ele, não sabendo que vai perdê-lo. Mais um suspiro escapa da rosada.

Sim. Uma maldita hipócrita.

Depois de se recuperar de seu momento de reflexão sobre seus pretendentes, como Ino disse, ela percebe que precisa se resolver. Por isso volta a pegar o celular e digita a resposta a cada um deles.

*Podemos nos encontrar hoje, um almoço, pode ser?* - Enviar para Lee.

*Não posso encontrá-lo agora, mas preciso falar com você, podemos nos encontrar mais tarde?* - Enviar para Gaara.

*Estou melhor, mais descansada, digo, mas precisamos conversar sobre algo sério, pode passar aqui mais tarde? Umas nove horas?* - Enviar para Sasori.

Com um suspiro ela espera pelas respostas .

*Claro, passo aí em duas horas.* - Lee.

*Te pego às seis?* - Gaara

*Pode ser.* - Enviar para Gaara.

*Claro que posso, preciso mesmo falar com você.* - Sasori

Depois de distribuir tantos suspiros, a rosada observa o teto da própria sala. É isso, está na hora de me resolver.

 

Depois de se olhar no espelho por pelo menos dez minutos tentando convencer a mulher do reflexo que ela deve esse encontro ao Lee, a rosada vai para a sala atender a porta e vê um grande sorriso no rosto do amigo.

—        Nossa, você está linda como sempre. Parece que faz uma eternidade que não nos vemos.

Ela abre um sorriso fraco.

—        Acho que faz.

—        Vamos?

—        Sim.

Eles seguem para o carro do rapaz depois que a rosada tranca a porta e ela respira fundo ao se afastar da porta. Assim que se entra no carro abre um sorriso e observa o moreno.

—        Como foram as coisas?

Lee desvia o olhar focando na estrada.

—        Foram bem, bastante bem na verdade. Consegui resolver quase tudo o que foi proposto para resolver antes de sair de Konoha e estou bastante satisfeito com isso.

Sakura percebe que ele pega um caminho o qual está familiarizada.

—        Vamos ao Ella's?

O rapaz sorri.

—        É o seu favorito, não havia uma opção melhor.

Sakura se cala por um momento pois se recorda da primeira vez que levou Sasuke até lá, no fim daquele almoço eles tiveram uma discussão e tanto, essa era a única coisa na qual eles eram bons juntos, brigando. Claro que agora já não é mais assim o projeto do rio Naka é um exemplo, mas algo menos inocente lhe volta a mente ao pensar em coisas que eles fazem bem juntos.

—        Ei, você está me ouvindo?

A voz de Lee a desperta de seus pensamentos e ela foca no moreno.

—        O que? Ah, desculpe eu me distrai.

Ele se silencia por alguns segundos observando-a com o canto dos olhos.

—        Então, sobre o que estava falando?

—        Estava perguntando se voltou no orfanato recentemente.

—        Não, faz bastante tempo que não passo lá às coisas do casamento e do trabalho estão ocupando todo o meu tempo.

—        Ainda bem que consegui um tempo.

Ele abre um grande sorriso, mas ela apenas foca no borrão de paisagem ao seu lado.

—        Enfim, passei lá hoje. As crianças estão ansiosas falando sobre a nova casa e estão loucas para conhecer o lugar.

Ela abre um sorriso ao pensar nas crianças.

—        Imagino que estejam, eles sempre foram tão animados. Acho que por isso me apaixonei por eles assim que os vi pela primeira vez.

—        Sim, eu sei. Foi uma venda de biscoitos e tanto aquela.

—        Foi sim.

—        É sempre bom ter pessoas que os visitam, que os ajudam, você, a Karin, a Hinata, eles são muito gratos por serem lembrados.

Sakura pensa sobre o que Lee disse e sorri.

—        E você também.

—        Eles me acolheram, não teria como ser diferente.

—        Sim, tem razão.

O carro para no estacionamento do restaurante e eles descem seguindo para o estabelecimento sendo recebidos com profissionalismo. Todos ali conhecem os dois e sabem que vez ou outra comem juntos no lugar, talvez por isso não seja algo tão estranho, ainda que a rosada tenha um “noivo” agora.

Sakura sorri ao se lembrar disso, mas afasta o pensamento e foca em seu acompanhante atual.

—        E como anda o projeto?

—        Está bem, estamos indo mais rápido do que eu esperava, depois que termina-lo vou pegar algum tempo de férias e descansar de tudo um pouco.

O rapaz estranha a forma com a qual a rosada fala, isso porque sempre que pergunta sobre um projeto ela tenta expor a ele todos os detalhes do que está fazendo. Ele quase consegue imaginar todas as obras as quais ela participa, mas essa resposta foi vaga demais para isso.

O garçom chega e eles fazem os pedidos. Sakura tenta se concentrar no que ele fala, mas a noite passada insiste em rondar seus pensamentos e por vezes se pega pensando em Sasuke. Isso a incomoda, afinal, deve esse encontro a Lee, prometeu a ele e se odeia por não conseguir se concentrar no rapaz. Por isso tenta se dedicar ao rapaz falando mais durante o almoço.

—        Tive uma casa para fazer nos últimos dias, - ela diz quando o garçom se afasta - além do vilarejo das crianças e essa casa me deu um pode dor de cabeça.

—        Por que?

—        Imprevistos, de todos os tipos.

—        Mas como é você sei que conseguiu resolver tudo.

Ela sorri ao ouvi-lo.

—        É claro, ou não poderia me olhar no espelho pela manhã.

Ele ri.

—        Gosto do seu entusiasmo, é assim que alguém deve ser e dessa forma se superar a cada dia.

Ela ri da animação de Lee.

 —       Essa é a razão pela qual estamos aqui hoje não é? Porque insisti e me superei a cada dia para que aceitasse meu convite.

O sorriso é perdido do rosto da rosada, ela não esperava por isso e esse fato a recorda que ela irá dispensa-lo, depois dele se esforçar tanto ela continua a iludi-lo apenas para dispensa-lo mais tarde. Ela é uma hipócrita.

Os pedidos chegam e eles começam seu jantar. Lee percebeu que o sorriso dela murchou e que leva uma feição entristecida no rosto.

—        Sakura, você está bem?

Ela se surpreende com a pergunta e logo o observa.

—        O que? Claro, estou bem sim.

Ele não se convence.

—        Parece um tanto avoada hoje.

—        Desculpe, eu estava apenas pensando.

—        E pensava em que?

Ela hesita por um breve instante.

—        Não é nada importante, eu juro.

Apesar de estar bastante determinada em sua resposta, ela tem algo em sua expressão diferente do que ele normalmente está acostumado e ao notar esse fato, o rapaz se entristece.

—        Você está aqui comigo apenas por que prometeu, não é?

Ela o observa surpresa, mas não consegue respondê-lo.

—        Lee, eu...

—        Não, está tudo bem. Acho que eu meio que esperava por isso.

—        Lee...

O rapaz abre um sorriso que quebra o coração da rosada, pois mesmo que se esforce para dá-lo ela consegue perceber tristeza por trás.

—        Nós, - Sakura volta seu olhar para o prato - nós somos amigos a muitos anos, você sempre foi uma pessoa incrível com a qual sempre pude contar. Sabe coisas sobre mim que poucos sabem, como minha cor favorita, meu vinho predileto e porque insisto tanto em ajudar crianças.

—        Não precisa tentar me confortar Sakura acredite não funciona.

Ela se cala por um momento, quando saiu de casa não pensou que isso aconteceria. Ela pensou que algo assim acontecesse quando encontrasse Gaara, mas não com Lee, e não se preparou para isso.

—        Realmente queria que isso desse certo.

Lee a observa e suspira.

—        Eu sei.

Sakura não sabe o que dizer, ela não tem ideia de como prosseguir, é a primeira vez que passa por isso. A rosada já terminou com vários ficantes antes, mas nenhum deles era tão importante quanto Lee.

—        Recebi uma proposta.

Os olhos esverdeados o observam, mas Lee mantém seu olhar nas mãos que tem sobre a mesa.

—        Vou deixar o país.

—        O que?

Ela se surpreende.

—        Eu não ia aceitar, mas acho que é o que devo fazer.

Sakura morde o lábio inferior com tanta força que sente o gosto de ferro.

—        Eu entendo, - a voz dela sai embargada, Lee percebe - odeio isso, mas entendo, não se pode querer que a ferida de alguém cicatrize se ficar esfregando no machucado.

Ele nota também que há lágrimas pelo rosto delicado da rosada, isso é tão difícil para ele quanto é para ela e Lee sabe.

—        Não se preocupe, talvez um dia voltemos a ser amigos.

Sakura se surpreende ao ouvi-lo e ergue o rosto para observar um sorriso imenso no rosto do amigo. Se ele tentou fazer com que isso ficasse mais fácil, apenas piorou a situação, já que as lágrimas se intensificam e com isso, o sorriso dele vacila.

—        Me espere até que a ferida tenha fechado, tudo bem?

Ele volta a sorrir e lhe toca a mão.

—        T-tá.

Ela afirma e abre um pequeno sorriso.

Lee está despedaçado, mas consegue ser forte por ela, ele precisa, porque a ama demais para vê-la sofrer.

Eles terminam a refeição em silêncio enquanto as lágrimas ainda molham o rosto pálido da rosada. Quando terminam, deixam o restaurante seguindo para o carro, mas Sakura para de andar.

—        Lee.

Ele se vira para observa-la.

—        Acho que devo voltar de táxi.

Ele se surpreende, é compreensível depois do que aconteceu estar em um carro com ela não seria a coisa mais fácil do mundo, mas ainda assim foi ele quem a trouxe, seria errado deixá-la voltar de táxi.

—        Eu a trouxe, o mínimo que devo fazer é te levar de volta.

Ela balança a cabeça e sente mais lágrimas.

—        Você não me deve nada. - ela tenta sorrir - Fez tanto por mim que eu não poderia pedir isso. Sei que não quer demonstrar, mas você está sofrendo, seria cruel da minha parte pedir que me levasse.

Ele sorri pela forma como a rosada o entende então se aproxima e deposita um beijo na testa dela.

—        Eu te amo Sakura.

Isso a quebra por completo, e a faz levar as mãos ao peito.

—        Adeus.

Lee se afasta sem olhar para trás, se o fizesse poderia hesitar e causaria mais dor em ambos os lados.

Sakura tem dificuldades para respirar, mas pega a bolsa a procura do celular e chama por um táxi que não demora a aparecer.

Assim que chega em casa a rosada fecha a porta e fica com as costas na madeira por algum tempo, lágrimas lhe molham o rosto e seu peito dói, não é fácil respirar, não é fácil pensar, ela nunca imaginou que doeria tanto dispensar alguém.

Depois de algum tempo ela segue para o sofá e se senta abraçando as pernas, nesse momento, só consegue pensar em como Lee está machucado, em como ele está sofrendo por causa dela. Ela se odeia por fazê-lo sofrer assim, mas a dor não se deve apenas ao fato dela tê-lo magoado, também é porque o perdeu e deixando as lágrimas molharem seu rosto permanece assim por algum tempo.

 

A Haruno observa o reflexo a sua frente, ela está horrível, qualquer um pode ver o quanto chorou e a maquiagem não cobre muito. Quando Gaara enviou-lhe uma mensagem, pensou em pedir que o ruivo não viesse, mas decidiu que é melhor resolver isso de uma vez. Esse é o motivo pelo qual ela encara seu reflexo no espelho, para se convencer disso.

Após um longo suspiro ela ouve a campainha e, antes de ir para a porta, pega sua bolsa e respira fundo. Sakura combinou um passeio no parque perto de sua casa com Gaara, agora com o ruivo esperando por ela, está receosa. Assim que a porta é aberta um belo sorriso pode ser visto, mas esse sorriso logo é perdido quando ele a vê.

—        Você está bem?

—        Não muito.

—        Podemos sair outro dia se quiser.

—        Não, eu... eu preciso espairecer e precisamos conversar.

—        Então vamos.

Os dois se afastam da casa seguindo em direção ao parque mais próximo. Eles não seguem de carro, vão andando apenas, passos silenciosos com o vento sendo o único a dizer algo.

—        O que aconteceu? Você pode me dizer, somos amigos.

—        Acho que esse é o problema.

Ela sussurra, mas o ruivo não a entende. O parque surge a frente deles.

—        O que quer dizer?

Sakura se silencia por um momento. Quem disse que isso seria fácil?

—        Mesmo que nos conheçamos a pouco tempo você se tornou alguém importante para mim.

—        Sim, eu entendo, me sinto da mesma forma.

—        Nunca pensei que voaria de balão, ou que me dedicaria a cuidar de flores mesmo sendo muito ruim com isso.

Ele ri e ela sorri.

—        Você me mostrou que não é preciso conhecer alguém a anos para desenvolver um laço com ele.

O sorriso de Gaara se desfaz e seus passos se tornam mais lentos, Sakura permanece acompanhando-o.

—        Você é alguém incrível, é por isso que é tão difícil.

Sakura para de andar e o ruivo a observa. Os olhos inchados da rosada não lhe passaram despercebidos, ele sabe que ela chorou e não é difícil unir dois mais dois.

Gaara consegue perceber que as lágrimas não foram destinadas a ele e, dessa forma, as palavras a seguir serão um adeus. Ele consegue ver isso, consegue entender que houve uma decepção. O único desentendimento aqui é que ruivo acha que ela foi decepcionada, mas cada gota que rolou por seu rosto veio porque ela decepcionou, porque não conseguiu amar alguém tão extraordinário que a ama imensamente.

Ela não se sente pronta para outro término, talvez devesse ter esperado um pouco, ainda está abalada por causa de Lee. Porém, já começou a falar e por isso deve terminar.

Ela sabe que talvez com Gaara ainda possa manter uma amizade, mas ainda assim, não é algo fácil de se dizer.

—        Não faça ser mais difícil do que é.

Ela o observa e vê um pequeno sorriso.

—        Realmente me encantei com você, você é uma pessoa única, excepcional, mas às vezes não é pra ser.

Ela se surpreende ao ouvi-lo.

—        Como você...

—        Tem outra pessoa envolvida, consigo perceber isso.

Ela se silencia, realmente tem, mas não como ele pensa. No entanto ela não desmente, talvez seja mais fácil assim.

—        Sinto muito, - ela baixa o olhar - não queria que as coisas fossem assim.

—        Não se preocupe, ainda não estou apaixonado então não é tão ruim. Não estou dizendo que é fácil levar um fora, longe disso, dói pra caramba, mas eu vou superar.

O coração de Sakura se sente um pouco aliviado. Pelo menos um deles não foi magoado.

—        Ainda podemos ser amigos?

Ele pergunta com o cenho franzido.

—        Se ainda me quiser como amiga.

—        Tá brincando? Você é incrível.

Ele consegue arrancar uma risada de Sakura e as poucas lágrimas que caíram são secas pela rosada.

—        Apenas não o deixe te fazer chorar, ninguém merece suas lágrimas.

Um sorriso fraco brota no rosto cansado.

—        Tá.

 

Sakura se sente mais tranquila, Gaara terminou aquele passeio e disse que assim que ela estiver melhor, ou se ela precisar melhorar pode ligar para ele. Ela gostou de saber que ele continuará em sua vida, perder um amigo já é ruim demais. Depois de jogar uma água no rosto e jantar ela se joga no sofá a espera de Sasori.

Sakura não sabe como as coisas seguirão quando aquela porta for aberta. Realmente não pensou que um deles se apaixonaria, por essa razão começou aquilo, mas é como Deidara disse, talvez amizade e sexo realmente não combinem.

O dia de hoje não foi o melhor de sua vida, perdeu um amigo e teve que terminar com um cara incrível. A noite passada nem parece ter sido tão boa se compararmos com o que passei durante esse domingo.

No momento em que esse pensamento a atinge um arrepio percorre seu corpo ao se lembrar dos beijos de Sasuke, desmentindo assim sua ideia de que aquele homem é qualquer coisa menor que boa.

Ela arfa ainda com o moreno em seus pensamentos que são afastados com o toque da campainha. Depois de respirar fundo duas vezes a rosada caminha até a porta abrindo-a.

Ao vê-la, Sasori se surpreende.

—        O que aconteceu?

—        Entre.

Ele o faz e ela fecha a porta. Ambos caminham até o sofá, mas Sakura se senta um pouco distante dele.

—        O que foi aquilo ontem?

Ela é direta.

—        Do que está falando?

—        Da cena que fez com Sasuke.

Ele se surpreende ao ouvi-la, mas não demonstra.

—        Não sei ao que se refere.

—        Vou perguntar uma única vez, você estava com ciúmes?

Ele se silencia e ambos se observam sem desviar o olhar.

—        O que faria se eu dissesse que sim?

Ela se surpreende, ainda que tudo indicasse isso ela realmente esperava que ele desmentisse.

—        Tínhamos um combinado, - ela continua um pouco desnorteada - você se lembra?

—        Não disse que estou apaixonado.

Sakura volta a se surpreender ao perceber que ela estava certa. Aquilo foi uma demonstração de ciúmes, mas não como Deidara sugeriu. Apesar de pensar dessa forma, completamente aliviada, a rosada não se deixa hesitar.

—        Então por que agir daquela forma?

—        Somos amigos a muitos anos, sabe o quanto sou possessivo com minhas coisas.

Sakura sabe o quanto ele é possessivo, mas ouvi-lo descrevê-la como uma coisa a irrita. Ela detesta que a vejam assim.

—        Não sou uma coisa e você não tem direitos sobre mim.

—        Você é MINHA amiga, e por isso pertence a mim.

—        Não Sasori, somos amigos realmente, mas eu não pertenço a ninguém, sou uma mulher livre. Começamos esse relacionamento aberto exatamente por causa disso, para continuarmos livres e termos sexo quando quiséssemos. Isso não devia afetar nossa amizade.

—        Por que está dizendo que afeta?

—        Porque não podemos continuar dessa forma.

—        Está me dando um fora como parceiro e como amigo?

—        Não, estou te dando um fora como o homem que vai comigo para a cama.

—        Eles são a mesma pessoa.

—        Viu, é disso que eu estou falando se não souber separar não podemos continuar assim.

—        Então está dizendo que não me quer mais na cama?

Ele se aproxima perigosamente e o coração de Sakura acelera, percebendo o perigo.

—        Exato.

Sua voz não falha e ela dá graças.

—        Tem certeza disso?

Ele coloca uma mão no braço do sofá impedindo que Sakura saia.

—        Sasori para com isso.

—        Por que não quer mais nada comigo?

—        Porque você descumpriu nosso acordo.

A mão livre de Sasori toca o rosto dela, mas Sakura o empurra e se ergue do sofá se afastando.

—        É disso que eu estou falando. – ela o observa mantendo distância - Você não consegue mais diferenciar uma ficada. Não podemos continuar com isso, sinto muito.

Ele se ergue e a observa.

—        E com isso você diz nossa amizade?

—        Se não souber diferenciar, infelizmente sim.

As íris vermelho-acastanhadas a encaram sem nenhuma expressão identificável. Sasori se afasta e Sakura suspira.

Não foi fácil, ela não quer que ele vá embora, mas ele tem que entender que deve separar as coisas.

—        Quando você conseguir separar as coisas, podemos voltar a ser o que éramos.

Sasori para sem olhar para trás.

—        E se eu não quiser voltar a ser o que éramos?

—        Espero realmente que isso não aconteça.

O ruivo deixa a casa da rosada e Sakura se joga no sofá. Seu coração ainda está disparado, por um momento ela sentiu medo de Sasori e não gosta desse sentimento destinado a um amigo tão especial quanto ele.

—        Que dia.

Depois de algum tempo e um longo suspiro ela se ergue, tranca a porta de casa e vai para o banheiro onde enche a banheira. Assim que esta se encontra cheia entra afundando seu corpo na água.

Sakura abraça as pernas e apoia o queixo sobre os joelhos. Para se esquecer do sentimento que Sasori lhe deixou a rosada tenta se recordar do que aconteceu na noite passada e isso faz todo seu corpo se arrepiar. Pensar nas sensações que ele deixou em seu corpo também a relembra do beijo de despedida daquela manhã e ela não gosta de se lembrar disso. Um toque daqueles, não deve ser dado em alguém com quem você queira apenas ter relações e isso é um problema. Se conseguirem manter no carnal, então talvez possam repetir, ela adoraria isso.

Apesar de ter tido uma noite incrível, não pode dizer o mesmo do resto do dia, que é o que ela se recorda nesse momento com extrema tristeza, e sequer tem uma palavra para defini-lo. Depois de algum tempo, ela deixa o banheiro, se troca e se deita. Antes de dormir, porém, dá uma olhada no celular e vê inúmeras ligações de Ino, além das mensagens as quais não olha.

Com um suspiro, preparando-se psicologicamente para o que a Yamanaka tem a dizer, ela liga para a amiga. Chama algumas vezes e um grito é ouvido assim que a loira atende ao telefone.

—        SUA FILHA DA PUTA, EU ESTOU A HORAS TENTANDO FALAR COM VOCÊ E VOCÊ ME IGNORA DESSE JEITO? PERDEU O JUIZO FOI? COMO ME DEIXA SEM NOTICIAS DESSE JEITO.

—        Como se você estivesse preocupada com a minha saúde.

Ela diz em um suspiro.

—        Nossa, que isso, parece até que alguém morreu, ele é tão ruim de cama assim? Ou não aconteceu nada?

—        Não.

—        Não aconteceu nada ou essa voz de morta não tem esse significado?

Sakura consegue soltar um sorriso ao se lembrar da noite anterior.

—        Ele é maravilhoso na cama.

Ino dá alguns gritinhos animados.

—        E então me conta, ele é bem dotado? Tem pegada? É o sonho de consumo de toda mulher?

—        Sim e mais um pouco.

Sakura se senta animada com a conversa se lembrando de cada toque, cada beijo e como o moreno a fez delirar na noite passada.

—        Ele é muito bem dotado, tem uma pegada que excita a mais travada das mulheres e com certeza é o sonho de todas.

—        E quando vai se repetir?

—        Ainda não sei.

Sakura se lembra do último beijo que deram e fica em silêncio. Ela se lembra de Sasori e de algo que Deidara disse, algo sobre seu beijo enfeitiçar os homens. Aquele beijo de Sasuke com certeza enfeitiçaria qualquer uma e mesmo que ele seja ótimo na cama, ela não quer que o mesmo que aconteceu com Sasori se repita, sendo que é ela quem estaria mais disposta a cair na tentação de se apaixonar. Isso não pode acontecer, ainda mais por ele, afinal ele é Uchiha Sasuke, pegador, paquerador, mulherengo, sexy, bem dotado e que sabe o que faz. Ela suspira.

—        Acho que não deve acontecer novamente.

—        O que? Por que?

—        Você não entenderia.

—        Pode tentar me explicar.

—        Já beijou alguém que te satisfez apenas com um beijo e que te faz desejar repeti-lo muitas vezes mais, porém você sabe que se isso se repetir pode haver riscos de alguém se apaixonar?

Ino hesita por um momento e Sakura percebe.

—        Não, nunca. Talvez a parte do beijo já, mas não isso de se apaixonar. Definitivamente, não isso de se apaixonar.

Sakura se lembra de Sai e nota que a loira morre antes de admitir que se apaixonou por alguém, mas a forma como hesitou a pouco indica que talvez algo assim esteja acontecendo.

—        Por que me perguntou?

Ino tenta voltar ao assunto principal.

—        Pois foi o que aconteceu.

Sakura suspira.

—        Tem razão, eu não entendo.

—        Eu disse.

—        Mas qual é o problema de você se apaixonar?

—        Não sei, acho que quero alguém que trocaria tudo por mim, que sinta a minha falta quando me ausentar, alguém que me faça rir apenas para ver meu sorriso, que atravesse oceanos por um beijo meu. Não acho que ele seria assim, isso se considerarmos a possibilidade de Uchiha Sasuke se apaixonar.

—        Não é tão impossível assim ele se apaixonar, lembre-se que já aconteceu uma vez. Além disso você está exigindo demais, nunca vai encontrar um homem assim.

—        Nunca é uma palavra muito forte. Existem homens assim, e é por um desses que eu gostaria de me apaixonar.

—        Parece ter alguém em mente.

Sakura se lembra de Lee e de Gaara e um aperto toma seu coração.

—        Eu tenho.

Ino fica em silêncio por alguns poucos, segundos.

—        Lee?

—        Ele vai embora. Conversamos hoje e ele decidiu que é melhor se afastar de mim.

Os olhos de Sakura voltam a ficar marejados.

—        Sinto muito Testuda, sei o quanto ele é importante para você.

—        Mas sabe, acho que isso é o melhor, ele precisa desse tempo seria egoísmo pedir que ficasse considerando que não posso dar a única coisa que o prenderia aqui.

Ino se silencia por poucos segundos e rapidamente pensa em algo para mudar de assunto.

—        Então o Uchiha não terá uma segunda vez?

—        Não, não terá.

—        Isso não me convenceu.

Um suspiro escapa.

—        Pois é, nem a mim.

A conversa delas continua por algum tempo e quando desliga a rosada se deita e perde a consciência sem demora.



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