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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 53


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Capítulo 53 - Capítulo 49 - SASUKE - A decisão


Um longo suspiro é solto assim que Sakura desperta. Apesar de curiosa para saber como foi a despedida de solteiro, talvez principalmente para saber como foi a apresentação de Hinata, também está um tanto quanto aflita.

Esse sentimento esteve presente em seu peito durante a noite, principalmente porque naquela casa haviam mulheres, bebidas e um homem livre e atraente.

Ainda que saiba que não tem nada com Sasuke, a ideia de que ele estava em uma despedida de solteiro a incomodou, e o fez mais do que imaginava.

Sakura passou o dia com Hinata ensaiando a dança, ela nem suspeitava que a morena iria fazer uma surpresa dessas, ainda mais na frente de vários caras. No entanto, precisa admitir que foi uma boa ideia surpreender Naruto dessa forma.

Sakura passou o dia com a morena ensaiando a dança, que foi uma verdadeira surpresa, sequer suspeitava que a morena iria fazer uma surpresa dessas, ainda mais na frente de vários caras. E precisa admitir que foi uma boa ideia surpreender Naruto dessa forma.

As meninas ajudaram a arrumar a casa do loiro tal como ele fez com a de Hinata, afinal essa noite o presente era dele. Foi por isso que Sasuke precisou mantê-lo longe desde cedo.

Além de arrumar a casa deixando-a com uma decoração romântica, a morena também preparou alguns dos pratos favoritos do loiro sem contar que a fantasia de coelhinha por si só já é um presente e tanto.

A rosada dá um sorriso com a lembrança e pega o celular. Focada no grupo das amigas vê algumas das mensagens trocadas na noite anterior e isso a faz pensar no moreno.

As amigas da rosada pareciam angustiadas e preocupadas, não seria nenhuma surpresa se resolvessem que queriam ir até lá. Até mesmo Ino demonstrou um pouco de preocupação e isso fez Sakura sorrir afinal é mais um indicativo de que a loira também está começando a se envolver, isso é bom.

Pensar na Yamanaka e na forma como a loira ficou a faz lembrar-se que se encontra na mesma situação. Ela mesma gostaria de ir até lá, mas não poderia fazer isso porque eles não têm um relacionamento, foram algumas ficadas e nada mais. Sakura mataria para que não fosse assim, mas é, e isso é um fato.

Se as amigas tivessem sugerido que elas invadissem aquela festa, Sakura sabe que seria a primeira a se empolgar com o plano, mas ainda assim, dificilmente seguiria com isso. Se a Haruno aparecesse lá, morta de ciúmes de um cara que não é nada seu, certamente perderia a boa foda que tem, ou então deixaria claro a ele que se morde de ciúmes e isso ela não pode aceitar. Talvez porque sabe que ele ficaria insuportável, mas principalmente por seu orgulho.

Depois de todas as coisas que disse, a última coisa que precisa é ceder dessa forma. E foi por isso que sequer deixou que as amigas desconfiassem que estava incomodada.

Assim que termina de ler as mensagens do grupo, volta para a página principal e vê o nome de Sasuke clicando sobre ele. A janela de mensagens é aberta, mas não está repleta, já que não foram muitas as conversas que tiveram então não há muito o que ser lido. Ela foca na última mensagem, enviada por ela.

*A Hina pediu pra dizer ao Naruto que chamei vocês para sair, assim ele vai acreditar mais. E ela já avisou o Suigetsu para que ele ligue para vocês em alguns minutos.*

*Obrigado.*

Hinata enviou mensagens a Naruto mas seu celular descarregou e em meio a tantas coisas a fazer a morena sequer sabia onde estava seu carregador, por isso precisava que alguém falasse com o moreno e claro que a primeira a invadir os pensamentos da Hyuuga seria a rosada. No entanto, Sakura suspeita que isso foi apenas uma desculpa para que falasse com Sasuke, desculpa essa que a morena soube usar muito bem.

Ela vai para a garagem e se encaminha para a mansão Uzumaki onde precisa estar em meia hora. Graças a Hinata, que a avisou no dia anterior, a rosada está indo ao ensaio, já que havia se esquecido completamente e não apenas desse ensaio, como também do ensaio extra de dança que será feito na quinta feira. Ela não sabe bem o motivo pelo qual não o farão também na segunda, mas considerando que todos estão muito bem imagina que seja por isso.

Sakura segue para o próprio carro e solta um longo suspiro assim que entra.

Será que ele dormiu com alguém?

Ela balança a cabeça afastando o pensamento.

Isso não é da minha conta, mesmo que tivesse acontecido eu não tenho nada a ver com isso.

Com essa ideia fixa na mente, Sakura segue para a mansão Uzumaki.

 

A grande construção logo aparece em seu campo de visão e ela estaciona próximo a porta principal, assim que desce do carro caminha até a porta e um empregado surge a sua frente.

—        Bom dia senhorita.

—        Bom dia.

—        Siga-me, por favor.

Ele a guia pela casa, a qual sozinha com certeza se perderia, e logo chegam a uma área verde onde há um belo gazebo de madeira branca no fim dele.

O lugar já está repleto de pessoas, entre eles as damas de honra juntamente com seus acompanhantes, os pais dos noivos, noivinhos, o juiz e claro, o padrinho. No entanto ela não vê nem Naruto, nem Hinata.

Sakura se aproxima das amigas que estão em uma conversa animada.

—        Oi.

—        Testuda, que bom que chegou, - Ino segura o braço de Sakura - essas loucas estão me atormentando.

—        O que aconteceu?

Tenten abre um grande sorriso e coloca as mãos na cintura.

—        Ela está apaixonada.

—        Não estou.

—        Sai?

Sakura olha para Ino.

—        Exato. - Karin diz - Ino depois de tudo o que aconteceu e do seu desespero ontem acha que pode negar?

—        Eu não estava desesperada. - A loira diz irritada. - E eu não era a única.

Temari ri.

—        Nisso ela tem razão.

—        Isso não vem ao caso, - Karin diz - e sim sua resposta.

—        Resposta? - Sakura se surpreende - O que aconteceu?

—        Ele a chamou pra sair e ela não sabe o que responder.

—        Qual é o conflito? - a rosada, que olhava para Karin, volta seu olhar para a loira. - Você já dormiu com ele, não vai morrer se aceitar.

—        É o que estamos tentando dizer a ela. - Temari diz.

—        Vocês não podem saber.

Sakura ri.

—        Porca uma hora isso ia acontecer, você se atraiu por ele, talvez esteja na hora de se apaixonar, não acha?

—        Sabemos que está com medo Ino, - Tenten diz - mas é o risco que faz tudo valer a pena.

A loira suspira e Hinata se aproxima.

—        Oi meninas, desculpem a demora.

Olhares maliciosos são lançados para a morena e até mesmo Ino se recuperou.

—        Não tem problema, estava satisfazendo alguém especial. - Sakura abre um grande sorriso.

—        A noite foi longa coelhinha? - Karin sorri.

—        É-é, vamos começar?

As meninas riem e elas se preparam para o ensaio.

Cada uma se aproxima de seu determinado acompanhante e Sakura se põe ao lado de Sasuke que sorri para ela.

—        Bom dia.

—        Ahn oi, bom dia.

O moreno estranha a forma como ela o respondeu, parece pensativa e incomodada.

Sakura odeia sua mente maldita nesse instante pois, assim que seus olhos se encontraram com os de Sasuke, ela lhe lembrou que ele estava em uma despedida de solteiro a menos de doze horas atrás e que, provavelmente, passou a noite acompanhado.

—        Prestem atenção em mim, por favor.

O mestre de cerimônias se pronuncia chamando a atenção de todos e assim, o ensaio começa.

 

O homem fala muitas coisas e explica detalhadamente como tudo deve seguir. De acordo com o que disse, dá para se imaginar o quão bela a cerimônia será.

—        Você está bem?

Sakura desperta do foco que estava tendo no mestre de cerimônias ao ouvir a voz do Uchiha. Seus olhos não demoram a se erguerem na direção dele e ela o vê observa-la também.

—        Ahn sim, por quê?

Sasuke não quer dizer que notou que a rosada está estranha desde que se falaram pela primeira vez. Não falou nada no início do ensaio pois talvez fosse apenas cansaço, ele mesmo está exausto porque não teve uma boa noite de sono. Nada extremo, apenas pensamentos aleatórios e irrelevantes. Porém, já faz algum tempo que estão aqui e ela ainda está agindo estranho.

—        Ainda não me provocou.

Ele abre um belo sorriso e Sakura desvia o olhar.

—        É, não provoquei.

—        Essa era a deixa.

Ela se surpreende, mas não volta a olhar para ele. Eles ouvem alguém limpar a garganta e notam os olhares sobre si.

—        Os padrinhos já podem vir.

Com os padrinhos se aproximando do gazebo eles focam apenas no ensaio e não voltam a se falar.

 

Quando o mestre de cerimônias dá sua última indicação, Kushina avisa que um almoço será servido e eles se dispersam um pouco. Alguns grupos são formados, como os rapazes, as garotas e os pais, porém Sakura permanece onde está apenas observando a área a sua volta.

—        Fico me perguntando.

Ela se vira para olhar Sasuke que se aproxima. Ele estava ao lado de Naruto, longe dela até esse momento então não voltaram a se falar por isso.

—        Como você ficaria naquela fantasia.

Sakura sabe ao que ele se refere e Sasuke está ciente disso, afinal Hinata teve ajuda das amigas com a organização da casa do Uzumaki. Ouvi-lo a deixa com os lábios entreabertos pela surpresa, afinal o moreno acaba de dizer que fantasiou com ela, ainda que por um breve segundo.

Desviando o olhar, seus lábios se unem novamente formando um sorriso que disfarça o incomodo que sente pela festa que o moreno participou.

—        Deve ter tido bastante distrações ontem, não acho que tenha pensado muito sobre isso.

O sorriso do moreno se intensifica.

—        Então é isso.

—        O que?

Os olhos esverdeados voltam a dar atenção ao moreno.

—        Está incomodada porque participei de uma despedida de solteiro.

Ele se surpreende com o silêncio. Esse é o momento em que ela diz, vai sonhando Uchiha, mas as palavras não saem, ela está muito surpresa por ele ter notado.

Ainda surpreso, ele desvia o olhar colocando as mãos nos bolsos e olhando as nuvens no céu.

—        Não se preocupe, estava muito ocupado com a organização daquilo, nem tive tempo pra beber direito.

Sasuke não tem que dizer isso mas sente que precisa, pois não quer que ela ache que ficou com outra pessoa. Isso é uma coisa assustadora pra ele, afinal nunca sentiu que precisava dizer que não dormiu com ninguém, apenas para que outra pessoa não se sentisse mal. Além disso, ele não quer que ela pense que dorme com qualquer outra, que pense que fica com várias mulheres e nenhuma específica, ainda que fosse exatamente assim antes.

As palavras do moreno trouxeram uma tranquilidade imensa para a rosada lhe tirando um peso do peito e isso a faz se recuperar.

—        Minha nossa, deve ter sido triste.

O moreno a observa com o canto dos olhos, porém mantêm a cabeça levemente erguida.

—        Digo, foi o único em uma despedida de solteiro que não teve um cuidado especial, é realmente uma pena a Hina ter sido a única lá.

Sasuke se surpreende, mas sorri e vira todo o rosto na direção dela.

—        Você se recuperou rápido, então era isso mesmo.

—        De forma alguma, estava pensativa por causa de uns problemas pessoais, mas acho que você me fez me recuperar um pouco. Não é todo dia que vejo Uchiha Sasuke admitindo ter fantasiado comigo.

A Haruno diz confiante no que fala, tão confiante que sabe que o moreno acreditou em sua desculpa.

—        Não admiti isso.

—        Sim, você admitiu, não adianta negar agora.

Ele suspira, já deveria saber que tem que escolher com cuidado quais palavras usar com a rosada.

—        Bom, então fui útil de alguma forma.

—        Podemos dizer que sim.

—        Então, seguindo esse raciocínio, mereço um agradecimento.

Sakura ri, ela não consegue evitar.

—        Pensarei nisso.

—        Oye vocês dois. - Naruto acena para eles - Venham comer.

—        É, - ela diz - acho preciso mesmo de uma bela refeição.

Sakura se afasta de costas com as mãos unidas atrás do corpo, ainda observando Sasuke e abre um lindo sorriso que está repleto de malícia.

—        Não acha?

—        Nunca pensei concordar tanto sobre alguma coisa.

Mais uma risada escapa de seus atraentes lábios e eles se aproximam dos outros onde tem um almoço repleto de risadas e histórias, de Naruto, de Hinata e de algumas aventuras dos amigos.

 

A segunda chega cansativa, mas a rosada não demora a se erguer e se aprontar para o trabalho.

Seu caminho corriqueiro até a construtora é substituído, pois segue em direção à casa de Kotetsu e Izumi. Sakura pretende finalizar esses dois projetos até o fim do mês, o que não é impossível. A construção da casa vai de vento em popa e o vilarejo já está nos últimos detalhes, todos os prédios já estão de pé, apenas é necessário realizar o acabamento e assim inaugurar o lugar, ela está ansiosa por isso.

Sakura simplesmente amou planejar uma vila inteira, mas não é por isso que está tão ansiosa e sim pela reação das crianças.

No entanto, não é apenas a aprovação das crianças que espera, não que realmente se importe com o que os outros além dos moradores do lugar pensam. Isso porque, haverão pessoas importantes de Konoha e a imprensa em peso estará lá. O fato a assusta um pouco, ainda que críticas construtivas sejam excelentes para progredir está com certo medo.

A imprensa aparentemente foi ideia dos chefes desse projeto, Uchiha Madara e Senju Hashirama. Karin disse que a imprensa no local fará com que mais pessoas se interessem e queiram ajudar o orfanato, isso a deixa feliz.

Ao chegar na casa dos noivos, verifica como as coisas estão indo. Nada ali está fora de seus desenhos e isso é gratificante. Depois de algum tempo resolvendo pendências, sai para almoçar o que a leva ao Ella’s já que o restaurante não é tão longe.

Assim que chega ao restaurante é bem recebida e faz uma boa refeição como de costume. Durante a espera da conta, Sakura pensa em como seria bom se eles entregassem comida, já que mesmo tendo falado com eles sobre isso antes, não resolveu muito. Pensar no restaurante a faz se lembrar de Sasuke e que o moreno conseguiu algo extraordinário, que lhe dessem um de seus espetaculares vinhos.

Talvez eu só precise de uma situação.

A pessoa que trás sua conta, como geralmente acontece nos últimos tempos, é a gerente e a rosada abre um belo sorriso que lhe é retribuído.

—        É sempre bom revê-la senhorita.

—        Sim, gosto de vir aqui.

Sakura pega seu cartão.

—        Gostaria muito que fizessem entregas.

A mulher abre um sorriso gentil para Sakura.

—        Senhorita já falamos sobre isso.

—        Sim, eu sei. É que seria muito bom, hoje mesmo estou planejando uma comemoração pela promoção do Sasuke, seria ótimo ter a comida de vocês. Eu até o traria aqui para um jantar, mas quero fazer algo mais íntimo. - a rosada suspira - É realmente uma pena.

—        Sim, é uma pena. Vou cobrar sua conta, com licença.

Sakura entrega o cartão percebendo que foi inútil mesmo com uma história.

—        Eles podiam se expandir de uma forma incrível. - ela diz para si mesma a espera do cartão.

Quando a mulher volta a se aproximar da Haruno, ela leva uma garrafa de vinho nas mãos o que surpreende Sakura.

—        Espera, - a rosada diz assim que a gerente se aproxima - o que é isso?

—        Um agradecimento.

—        O que?

—        Estava mesmo pensando em como a agradeceríamos.

—        Vocês não podem sair dando vinhos assim.

A mulher ri.

—        Não se preocupe, ele foi pago.

—        Como assim?

—        Seu amigo veio aqui, o pintor do quadro, - Sakura se surpreende - o que gastou aqui, paga por essa garrafa.

—        Ainda assim eu não posso aceitar.

—        Por favor, é um agradecimento. Ele não é o primeiro que vem ao nosso restaurante por recomendação sua. E muitas das pessoas que nos visitam são conhecidas e com isso conseguimos muitos clientes.

—        A comida de vocês é boa e nem há o que ser dito do vinho, não é por minha causa que vocês são tão elogiados. É um medito de vocês.

—        Vamos senhorita, é apenas um vinho. Pelos quadros que doou.

Sakura fica sem fala por alguns poucos segundos.

—        E... Eu realmente não sei o que dizer.

—        Que tal obrigada?

—        Bom, então obrigada.

A mulher sorri e entrega a garrafa a Sakura.

—        Obrigada pela preferência. Volte sempre.

—        Claro.

Sakura deixa o lugar realmente surpresa pelo que acaba de acontecer, afinal não esperava por isso. O caminho até a casa de Kotetsu e Izumi é curto e ela logo está de volta à obra. Ainda que tente se concentrar, ela continua a pensar no que aconteceu no restaurante.

Acho que devo preparar um jantar para apreciar o vinho. Talvez até divida com Sasuke, afinal é pela promoção dele. Ela sorri com o pensamento, mas logo afasta bobagens da mente e foca em seu trabalho.

Sakura passa algum tempo no lugar, afinal ainda tem uma parte da casa na qual não tem ideia de como progredir. É uma área que os donos não tem ideia do que querem e como é seu trabalho precisa de uma ideia para oferecer, mas ainda não conseguiu pensar em nada desde quando viu essa área vazia.

—        Talvez uma estufa. - ela diz pensativa.

—        Boa tarde.

Sakura se vira e vê Izumi se aproximar.

—        Ah, boa tarde.

—        Está ficando magnífico. A forma como fez esse terreno parecer maior do que ele é foi incrível. Fizemos bem em te procurar.

—        O-obrigada. - a rosada diz sem graça.

—        É estranho ver tudo assim, sem estar pronto digo.

—        Geralmente os clientes só vêm à obra quando ela está finalizada.

—        Gosto de ver as coisas progredirem, gosto de ver o passo a passo, parece mais gratificante no final.

Sakura a observa surpresa, entendendo ao que ela se refere.

—        Sim, acho que está certa.

Ela volta a planta que está na mesa e Izumi se coloca a sua frente observando o papel.

—        Estava pensando em fazer algo que vocês se interessem, como uma estufa, por exemplo, o espaço e encanamento tornariam possível montar uma aqui.

—        Eu gosto da ideia.

A morena sorri e Sakura rabisca um desenho na planta.

Elas passam algum tempo em silêncio enquanto Sakura termina de rever seu projeto.

—        Sakura você está transando com o Sasuke?

A rosada se surpreende com a pergunta e erguendo o olhar para a morena a sua frente, suspira.

—        Não quero ser indelicada nem grossa Izumi, mas isso não é da sua conta.

A morena se surpreende com o tom hostil que Sakura leva.

—        Ele não é como você pensa.

—        Como eu penso? - ela ergue uma sobrancelha - Na verdade acho que meus pensamentos são bens saciados em relação a ele.

Izumi se surpreende mais uma vez.

—        Veja bem Izumi, não envolvo meus clientes com assuntos pessoais, então gostaria que não voltasse a falar sobre isso.

—        Vai se arrepender se continuar com ele.

—        Isso é uma ameaça?

—        Não, é um aviso.

—        Agradeço a preocupação, - Sakura deixa clara a ironia na última palavra - mas se continuar a se meter na minha vida, não poderei ser responsável por esse projeto.

—        Tudo bem, não falarei mais nisso, apenas se considere avisada.

Izumi se afasta.

—        Tenha um bom dia de trabalho.

Ao perdê-la de vista, Sakura deixa o lápis em cima da mesa frustrada e irritada. Não pelo fato de Izumi ter se intrometido em sua vida, mas sim por que a morena parecia disposta a mostrar que o moreno é alguém que não merece sua confiança.

Mesmo depois de algum tempo, Sakura não consegue voltar a focar no trabalho e como já está próximo de escurecer decide ir para casa.

 

Já em casa a rosada toma um longo banho e se joga no sofá. Depois de algum tempo entre suspiros e pensamentos sobre o moreno ela se ergue e vai preparar um chocolate quente.

Quando volta para a sala e se senta para assistir algo apreciando a bebida ouve o toque de seu telefone. Sakura se aproxima do aparelho fixo estranhando, afinal ele raramente toca.

—        Alô.

*O que está fazendo agora?*

A voz animada de sua mãe a assusta um pouco.

—        Estou assistindo, por quê?

*Se troque agora, coloque a roupa mais sexy que tiver.*

—        Mãe.

*Vou buscá-la em vinte minutos.*

—        Mamãe.

*Esteja pronta.*

O telefone é desligado e ela ouve apenas o toque.

—        Alô. Mãe.

Respirando profundamente ela termina sua bebida indo em seguida para o quarto onde coloca uma roupa casual temendo o que a espera.

A campainha logo é ouvida e depois de pegar sua bolsa a rosada segue para a porta.

—        Credo, o que é isso?

Mebuki entra na casa empurrando a filha.

—        Uma roupa como qualquer outra.

—        Você não vai sair comigo desse jeito. Só vamos sair daqui quando estiver usando algo descente.

—        Onde vamos?

—        Surpresa.

—        Mãe.

—        Cale a boca e venha logo trocar de roupa, parece até uma velha ranzinza.

Mebuki caminha até o quarto da filha, onde abre o guarda roupas e tira um belo vestido negro que tem as costas desnudas, não há decote, mas ele é justo desenhando todo o corpo da rosada até a altura dos joelhos.

—        Sexy sem ser vulgar, perfeito. Vista isso.

—        Não antes de me dizer onde vamos.

Mebuki suspira.

—        Me conseguir netos.

Conhecendo a mãe como conhece isso não é nenhuma surpresa.

—        Tudo bem, vamos por partes. Qual o nosso destino?

—        Vamos logo Sakura, não temos a noite toda.

—        Apenas me diga qual o nosso destino, o que custa?

—        É uma reunião de ex-alunos, quero exibir minha linda filha e talvez conseguir um genro qual é o problema nisso?

Sakura se sente mais relaxada, por um breve momento teve medo de sua mãe a levar para uma boate apenas para que conheça alguém para transar e engravidar. Acredite, Haruno Mebuki é capaz disso.

—        Certo, eu troco de roupa, - Sakura pega a peça - mas por que esse vestido?

—        Não me ouviu? Quero mostrar a todos a filha gostosa que tenho e lhes causar inveja, além de deixar os filhos deles desejosos o suficiente para querer me dar netos.

Sakura revira os olhos.

—        Me espere na sala.

—        Calce um sapato descente também.

—        Tá mãe, tchau.

—        Tá, tá, estou indo.

Mebuki sai do quarto e Sakura se veste.

 

Sakura observa as pessoas no salão. Sua mãe a apresenta a inúmeras pessoas e todas abrem um belo sorriso elogiando-a. Felizmente, em algum momento dessa reunião conseguiu se distanciar da mãe que a estava jogando para todos os solteiros que encontrava.

Um pouco distraída, ao se aproximar de uma bancada de drinks a rosada esbarra em alguém que, por reflexo, a segura para que não caia.

—        Me d... - ela se interrompe surpresa com o que vê - Sasori?

—        Olá Sakura.

Ele a endireita e se afasta um pouco mantendo o olhar sobre ela, que ainda está surpresa e não esconde isso. A última vez que se falaram foi no dia seguinte a exposição do ruivo, quando ele assumiu que estava enciumado.

—        O... O que está fazendo aqui?

—        Acho que o mesmo que você, minha mãe pediu que eu a acompanhasse.

—        Ah.

A Haruno se sente desconfortável com o clima que se cria entre eles, quase não dá pra acreditar que um dia foram melhores amigos.

—        Se me dá licença.

Ele se afasta, mas Sakura segura seu braço. Sasori a observa por cima do ombro com o olhar atento em seu rosto pouco maquiado mas que, no entanto, destaca os belos olhos esverdeados que tanto o agradam.

—        Então vai ser assim? - Ela o faz focar seu olhar nos belos lábios rosados - Vai fingir que não somos mais que conhecidos.

—        Foi você quem disse que não podíamos continuar com a nossa amizade se eu não soubesse separar as coisas.

—        Sim, - ela abaixa o olhar entristecida - eu sei o que disse, mas éramos amigos.

—        Sim, éramos.

Ela solta o braço dele quando o ruivo se vira e foca seu olhar no dela.

—        Você não se importa que tenhamos terminado a nossa amizade?

—        É claro que me importo, quem acha que eu sou?

Sakura se cala ao ouvi-lo e mantém o olhar baixo. Perceber como a rosada ficou o faz suspirar.

—        Mas estava certa.

Ela ergue o olhar para observá-lo.

—        Não consigo suportar a ideia de que esteja com outro, minha vontade é te tirar do alcance de qualquer idiota que olhar para você com desejo e penso em você muito mais do que gostaria. Então estava certa, se não consigo ser seu amigo, não devo ser nada e ser seu amigo é perigoso demais.

Nesse momento Sasori não mede suas palavras, mesmo que elas a firam, afinal está sendo sincero pela primeira vez na vida, está sendo sincero com seus sentimentos e admitindo-os para Sakura.

—        Eu me apaixonei e odeio isso, afinal você não se importa com o que sinto, não é?

Sakura se surpreende ao ouvi-lo.

—        Não diga isso. - ela diz rapidamente - Eu me importo com o que você sente, eu te amo, mas... mas não desse jeito.

—        Esse é o problema. Sakura, eu fiquei muito puto quando veio tirar satisfações comigo sobre o Uchiha, você sequer ponderou meus sentimentos naquele momento, então não, você não se importa.

Sakura sente seus olhos marejarem.

—        Você não tem o direito de dizer isso. Eu, de todas as pessoas, sempre te apoiei sempre estive ao seu lado, sempre. Todas as noites em que não conseguia dormir porque estava irritado ou preocupado eu passei acordada com você, todas as suas exposições, mesmo que não pudesse estar pessoalmente eu te parabenizava.

Agora os olhos da rosada não estão apenas marejados, eles soltam todas as lágrimas que conseguem.

—        Você não pode dizer, depois de tanto tempo, que eu não me importo com você.

Sasori não a responde. Ele se odeia por fazê-la chorar, mas não consegue ser gentil quando se trata dela, isso porque sabe que ela tem alguém para satisfazê-la, alguém que não é ele.

—        Sakura?

Mebuki se aproxima ao ver a filha chorando.

—        Eu quero ir embora.

—        Claro, claro. Vamos.

Mebuki se afasta, levando-a, e o salão onde os ex-colegas de escola da matriarca Haruno estão logo fica para trás.

 

Mebuki não perguntou a filha o motivo das lágrimas, isso porque sabe bem que foi Sasori quem as causou, ela conhece o ruivo e sabe que eles eram amigos, mas aparentemente as coisas já não são assim. Também decidiu não perguntar, pois foi a responsável por tirar Sakura de casa para início de conversa.

O carro para em frente à casa da rosada que observa a mãe.

—        Obrigada por tentar me arrumar um noivo, mas vamos parar com isso tudo bem?

Mebuki não responde apenas observa a filha.

—        Boa noite mãe.

—        Boa noite querida.

Sakura desce do carro e não demora a entrar na casa, seguindo para o quarto e se jogando na cama assim eu a vê. As lágrimas molham o travesseiro e, para ajudar, Lee também ronda seus pensamentos relembrando que não voltou a falar com o rapaz, assim como Gaara com quem não tem tanto contado quanto antes.

Depois de algum tempo a rosada se ergue e se troca vestindo seu babydoll, ao ir para o banheiro limpa rosto e retira tanto a maquiagem quanto as lágrimas. A mulher no espelho não parece muito animada, apenas cansada e entristecida.

Soltando um longo suspiro ela volta ao quarto e logo já está deitada em sua cama pronta para ir dormir. O toque do seu celular porém, a impede de fazê-lo.

Ao pegar a bolsa no criado mudo, retira o aparelho e o observa. A princípio, Sakura pensa se tratar de sua mãe, mas ao desbloquear a tela vê que é Sasuke. Se sentando extremamente surpresa com a mensagem, tanto pelo horário quanto pela pessoa em si, abre a janela de mensagens.

*Boa noite.*

*Boa noite*

Sakura o responde ainda surpresa, pois não esperava por uma mensagem dele.

*Você teria o número de Izumi?*

A surpresa de agora a pouco, nem se compara com a desse momento, ela está estática e precisa de algum tempo para processar o que acabou de ler.

A única coisa que consegue pensar nesse momento é na conversa que teve com Izumi mais cedo, coisa que até antes de desbloquear o celular parecia ter acontecido décadas atrás. A conversa com a morena volta a sua memória como se fosse algo que tivesse acontecido a apenas alguns minutos.

Ele não é como você pensa.

Sakura quer perguntar o motivo pelo qual ele quer o número, mas não tem coragem de fazê-lo. No momento não tem coragem de fazer nada, apenas tem os olhos focados na tela do celular.

*Sakura?*

O toque do celular e a mensagem que surge a desperta fazendo-a procurar pelo número ao qual não demora a encontrar.

*Desculpe, estava procurando.*

Ela envia o contato com o nome de Izumi e morde o lábio angustiada.

*Obrigado.*

Seus olhos permanecem encarando a tela durante algum tempo e a dúvida pela razão a qual o moreno quer esse contato a atormenta.

Não seja estúpida Sakura ele disse que não havia nada entre eles.

Ela tenta se convencer mas não ajuda, porque se for assim não existiria motivos para que ele pedisse pelo número.

Talvez ele esteja te provocando tentando fazer com que fique com ciúmes.

Sim, ele seria capaz disso. Conhecendo-o, ainda que pouco, poderia dizer que ele não hesitaria em provocá-la dessa forma, mas assim que fizesse enviaria uma provocação. Um belo exemplo seria ele dizer algo como essa demora é surpresa ou ciúmes, assim que viu que demorou a lhe responder. No entanto, Sasuke não o fez e isso torna tudo ainda mais inesperado.

Soltando aparelho ela dá dois tapas leves no rosto.

Vamos agora você é adulta e sabe que não tem nada com ele pelo menos nada fixo, não pode querer que Sasuke seja inteiramente seu, ainda menos se não for clara com ele. Sendo assim você precisa se decidir, se quiser ter o direito de cobrar coisas dele, tem que dizer como se sente.

Ela não sabe se é amor, talvez realmente seja algo apenas carnal, porém sabe que o moreno não é homem de uma única mulher, por isso é tão difícil decidir dizer que quer algo mais sério, eles saíram o que, uma vez? Em um almoço apenas.

Sakura está confusa com os sentimentos que tem ao acordar ao lado dele, está confusa com a raiva que sentiu pelo interesse de Izumi por sua vida, com o incomodo por saber que participou de uma despedida de solteiro, o qual chegou tão rápido quanto a tranquilidade ao descobrir que o moreno não ficou com ninguém. Tudo isso é confuso para ela, sua conversa recente com Sasori apenas mostrou como as coisas são complicadas quando se trata de sentimentos.

Apesar disso, ela sabe o que tem que fazer, a melhor forma de resolver isso é conversando com ele e dizendo que está confusa. Ele pode rir e dizer que apenas ficam, o que é muito provável que aconteça, mas aquela pequena porcentagem que indica que talvez ele também se sinta assim, a dá esperanças.

Depois de um longo suspiro ela se decide.

É isso amanhã falarei com ele.



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