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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 57


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Capítulo 57 - Capítulo 53 - SASUKE - Encontro


O toque da campainha se repete três, quatro, cinco vezes e nenhuma resposta é dada. Sasuke está em dúvida de que ela realmente esteja em casa e tenta ligar para ela mais uma vez. Quando o moreno estava voltando da obra, que pegou boa parte do seu tempo hoje, por volta das sete e quarenta, ligou para Naruto avisando que iria se atrasar, mas não pensou que Sakura também se atrasaria. No meio do caminho recebeu uma ligação do loiro que pedia que passasse na casa da rosada, pois o Uzumaki não estava conseguindo contato com ela.

Sasuke ouve a ligação cair na caixa postal e a encerra, tocando a campainha uma vez mais logo em seguida. Poucos segundos depois ouve a porta ser destrancada e uma rosada sonolenta aparecer a sua frente.

—        Sasuke? O que faz aqui?

Ele a observa de cima a baixo e a vê com um baby doll, esse é mais comportado que o último que viu, mas ainda assim o faz pensar que se não estivesse tão atrasado cogitaria levá-la para o quarto nesse instante, ou talvez nem fosse necessário ir para o quarto.

—        Por isso não atendia as ligações.

—        Eu desliguei meu celular.

Sasuke percebe que ela não se lembra do compromisso que tem.

—        Você se esqueceu totalmente do ensaio de hoje, não foi?

Sakura leva três segundos para processar o que ouviu e ter uma reação condizente.

—        Puta que pariu, o ensaio.

Ela entra deixando a porta aberta e um moreno sorridente para trás. Sakura nunca se trocou tão rápido em toda a sua vida, ela prende o cabelo em um rabo de cavalo que deixa alguns fios soltos e volta para a sala com a bolsa em mãos, não quer nem imaginar como estava quando atendeu Sasuke.

—        Ainda parece cansada quer uma carona?

—        Tá, eu aceito, vamos.

Ela o empurra para fora e tranca a casa, eles logo estão dentro do carro e ela solta um longo suspiro ligando o celular. Ao ligar o celular, repara que Sasuke ainda tem um sorriso no rosto, mas o ignora por enquanto.

*Sakura estou a um tempão tentando falar com você.*

—        Desculpa Hina, tive um dia cheio hoje, mas já estou a caminho.

*Estamos esperando, Sasuke também não chegou ainda.*

—        Sim eu sei.

*Que bom que ele quem conseguiu falar com você. Estamos esperando.*

—        Tá bom. Tchau.

A rosada desliga com um suspiro.

—        Você acordou mesmo?

Sakura foca o olhar sobre ele.

—        Por quê?

—        Aceitou minha carona tão rápido que estou um pouco em dúvida.

Ela desvia o olhar e foca na paisagem.

—        Do jeito que eu estava, se pegasse meu carro ia causar um acidente.

—        Por causa do sono?

—        Porque estamos atrasados.

—        Então você é uma barbeira quando está com pressa?

—        O que? Não, é claro que não!

A rosada foca nele rapidamente ao responder. Ele a observa com o canto dos olhos e percebe que ela desvia o olhar novamente.

—        Talvez

Ele ri.

—        Espera, - ela foca nele - por que disse quando estou com pressa?

—        Já te vi dirigir, não é tão ruim atrás do volante.

—        Tão ruim? Isso é mesmo um elogio? Porque se for você é péssimo com isso.

—        Mas pelo menos dirijo bem quando estou com pressa.

Ela abre a boca para protestar, mas se cala e desvia o olhar.

—        Essa é apenas uma coisa na qual não sou a melhor. Mas não significa que sou tão ruim.

Sasuke sorri.

—        Não ficou chateada ficou?

Sakura se surpreende com a pergunta, mas logo o observa com um belo sorriso no rosto.

—        Precisa de muito mais que isso pra me chatear Uchiha.

—        Tem certeza? Parece que tenho o dom pra fazer isso.

—        Não, você não me chateia, você me irrita, é diferente.

—        Ainda assim deve ser um dom meu.

—        O incrível é que você está certo, e consegue fazer isso como ninguém, mas não significa que seja algo bom.

—        Claro que é. A melhor parte é vê-la com raiva, você fica bem sexy assim.

—        Oh minha nossa, você é masoquista.

—        O que? Claro que não.

Ela ri e eles estacionam descendo logo em seguida e, deixando o carro para trás, caminham em direção ao prédio.

—        Não, estou falando sério, - ela continua - você deve ser masoquista, ou pelo menos quer muito um soco meu.

—        Nem um nem outro. Eu te elogiei e você conseguiu tirar algo que nem existe do que foi dito.

Sakura ri por causa da expressão do moreno, ele está irritado pelo pensamento da rosada, mas ainda assim parece relaxado. É estranho, mas ela gosta.

—        Tem razão, - eles chamam pelo elevador - obrigada pelo elogio.

Sasuke foca nela por dois breves segundos antes do elevador se abrir e eles entrarem.

—        Hum, - ela murmura - me lembrei de uma fantasia minha agora. Acho que já a contei a você.

—        Sobre sua vontade de que eu te satisfaça no elevador?

—        Não se trata de você e sim da situação.

—        Claro, mas com certeza comigo seria bem melhor.

Ela revira os olhos e o elevador se abre, os dois saem e seguem para a sala do ensaio.

—        Podemos tentar qualquer dia.

Ela ri ao ouvi-lo.

—        Está querendo causar uma pane só pra transar no elevador?

—        Pensei que tivesse dito que não tinha certeza se era melhor com ou sem plateia.

Ela se surpreende por ele lembrar disso e eles param em frente a porta. Sakura segura a fechadura mas não a abre, no lugar disso, se coloca a frente de Sasuke e sorri para ele.

—        Pensando bem, acho melhor manter escondido, afinal tudo que é escondido é mais gostoso.

Sasuke sorri e a rosada abre a porta entrando. Assim que passa pelo vão, percebe que todos já estão ensaiando, mas param assim que os veem. Sakura não demora a se aproximar da Hinata.

—        Hina eu sinto muito.

—        Eu estou bem, quem não está muito contente é a professora.

Ao olhar para Mikoto que fala com Kushina, Sakura percebe que a morena não está com um rosto muito amigável.

—        Vamos de novo agora que todos estão aqui.

Todos voltam a se aproximar de seus pares e Sakura se aproxima do moreno com um suspiro.

—        Problemas com a noiva?

—        Ah, não a Hina disse que está tudo bem, mas acho que irritei sua mãe.

Sasuke toca as costas da rosada e a aproxima aproximando seus corpos, assim que a musica tem início. Isso faz um arrepio correr o corpo dela, principalmente pelo sorriso que o moreno dá.

—        Não vai demorar muito, ela gosta de você. Acho que é uma característica Uchiha.

Ela se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Então você gosta de mim.

Sasuke torce o nariz.

—        Não muito.

Ele sorri e Sakura dá um leve tapa no ombro do moreno que ri do gesto.

—        Mas até que você tem razão.

Ao ouvi-la, ele foca suas orbes negras sob o olhar atrevido da rosada.

—        Conquistar Uchiha's deve ser meu superpoder.

Ele não gosta muito do que ouve.

—        Vamos manter apenas entre nós.

Ela ri.

—        O que? Ciúmes?

—        Claro que não, eu me garanto.

Sakura revira os olhos e a música acaba. Eles se afastam ficando um ao lado do outro e observam Mikoto assim como os outros.

—        Como esperado, - a morena diz - vocês ainda parecem se lembrar de tudo...

—        Você foi bem, - Sakura sussurra para o moreno - deve ter tido uma ótima professora.

Sasuke revira os olhos.

—        Depois é eu quem sou convencido.

Ela ri.

—        De novo.

Mikoto diz para que todos a ouçam e eles se calam voltando a dançar novamente.

A morena observa o filho e nota algo que não vê a muitos anos. Até então Mikoto não havia notado que a proximidade entre eles havia se tornado assim, é provável que Sakura seja a primeira amiga dele em anos. Ela deduz isso, porque depois do que passou com Izumi seu filho não voltou a se aproximar de nenhuma mulher a não ser que fosse para se satisfazer, isso ficava claro quando tentava fazê-lo se aproximar de alguém. O caçula simplesmente odiava e nem mesmo no trabalho haviam mulheres presentes em sua vida. Sakura definitivamente é a primeira, em anos, que é tão íntima de Sasuke, isso a faz se lembrar de Itachi e da conversa que teve com o filho.

Mikoto falou com o filho mais velho assim que Sasuke confessou que queria mantê-lo longe da rosada, ela foi clara com o primogênito conseguindo assim uma confissão e naquelas palavras, notou que Itachi estava apaixonado por isso disse a ele que deveria se confessar, mas logo soube que ele já o tinha feito. A poucos dias soube que Sakura o rejeitou e agora consegue perceber que talvez Sasuke seja o motivo.

A morena apenas espera que dessa vez a mulher entre eles não tenha magoado um de seus filhos propositalmente como Izumi fez. Essa é a razão de toda sua atenção na rosada e em como age perto de Sasuke, afinal sempre foi boa em identificar a personalidade das pessoas e conseguiu entender porque não gostava de Izumi. Entretanto, com o passar das horas, apenas consegue perceber a leveza no olhar esverdeado e no sorriso sincero. Não há duvidas, ela está apaixonada por Sasuke e isso alegra a morena, mas ao mesmo tempo a entristece.

Por que meus filhos têm sempre que se apaixonar pela mesma mulher?

—        Bom, - ela diz - vocês estão ótimos. Tenho certeza que irão muito bem no sábado.

A morena sorri.

—        Até lá.

Eles se dispersam e Sakura segue para o elevador acompanhada de Sasuke, Naruto e Hinata.

—        Então, - Hinata a observa enquanto o elevador desce. - o que te fez se atrasar tanto?

—        O trabalho, estava tão cansada que me esqueci do ensaio então me deitei e peguei no sono.

—        Sono? - Hinata pergunta surpresa - Sakura você hibernou, ligamos pro seu celular umas quinze vezes.

—        Eu vi, - a rosada diz sem graça - desculpe.

O elevador se abre e eles seguem para o estacionamento.

—        Tudo bem Sakura-chan, - Naruto abre um grande sorriso - o importante é que você veio, o Teme conseguiu te trazer.

—        Não foi fácil tirá-la de casa. - Sasuke diz.

—        Eu disse. Você estava hibernando.

Hinata não entende ao que o moreno se refere, mas ao ver o sorriso de canto dele Sakura tem uma ideia, afinal, estava vestindo um baby doll e da última vez que estava assim eles tiveram uma das melhores transas de suas vidas.

Naruto e Hinata param em frente ao carro do loiro que olha a sua volta a procura de algo.

—        Onde está seu carro Sakura-chan?

—        Eu a trouxe.

Há silêncio por alguns poucos segundos.

É verdade.  Sakura se lembra.

—        Vamos Naruto.

Hinata empurra o noivo e sorri para Sakura.

—        Oye, Hina.

—        Boa noite pra vocês.

—        Boa noite. - eles respondem.

O carro logo se afasta.

—        Vamos?

Sakura o observa ao ouvi-lo

—        Ah, sim, vamos.

Eles seguem para o carro do moreno em silêncio e não demoram a se afastar da escola de dança.

—        Por que foi me buscar? - Sakura olha para o moreno - Quer dizer, por que desviar do caminho?

—        Naruto me pediu.

—        Ah. Bom, ainda bem, se não tivesse ido eu não teria vindo nesse ensaio.

—        Já estou perdendo as contas de quantas vezes te salvei.

—        Você me salvou?

Ela pergunta surpresa.

—        Quando foi que isso aconteceu?

—        Nossa, é assim que me agradece?

Sakura abre a boca para falar, mas não sabe como responder a isso.

—        Tudo bem, já que não se lembra vou refrescar sua memória.

—        Por favor.

—        O sorvete, as chaves que esqueceu na exposição. Além claro, pelas inúmeras noites que impedi que ficasse fantasiando.

Ela fica boquiaberta desacreditando no que ele disse.

—        Minha nossa como você é convencido.

—        Já tivemos essa conversa.

—        Se formos colocar assim, eu te salvei muito mais. A dança, o gesso, a mentira sobre o vinho, avisei sobre a obra quando esqueceu seu cel...

—        Ok, tudo bem, - ele a interrompe - não precisamos ponderar tudo agora.

—        Agora não precisamos, não é?

—        É.

—        Enfim, - ela diz não gostando muito de ter sido interrompida - obrigada, ainda assim. Mesmo que tenha atrapalhado um belo sono, foi por uma boa causa.

—        Você é muito mal agradecida sabia?

—        É claro que não, apenas estou dizendo que agora entendo exatamente como se sentiu quando abriu a porta pra mim no dia que fui falar das peças de gesso.

—        Aquela sim foi uma boa noite de sono interrompida. Aliás, pra ser sincero, acho que poderia parar de atender a porta daquele jeito, é perigoso, nunca se sabe quem está do outro lado da porta.

Sakura o olha com um sorriso.

—        O que? Vai dizer que não gostou?

—        Por que eu diria isso? Como já tinha dito, foi bem difícil te tirar de lá.

O sorriso da rosada aumenta.

—        Mas. - ela ergue uma sobrancelha curiosa.

—        Não tem mas, apenas acho que aquilo não seja uma roupa adequada a receber alguém.

Sakura solta uma risada e, apesar de achar essa uma risada linda, ela incomoda o moreno.

—        Do que está rindo?

—        Você fica muito fofo com ciúmes.

—        Não estou com ciúmes.

Ele diz com o rosto emburrado e isso apenas faz o sorriso da rosada aumentar. O carro finalmente para e Sakura desce.

—        Quer entrar um pouco? Talvez para beber algo, ou comer.

Ele a observa entendendo ao que ela se refere e, apesar de ainda estar um pouco incomodado, apenas suspira descendo do carro.

—        Esse prato tem que ser muito bom.

—        Garanto que é.

Ela sorri e eles seguem para a casa.

 

Que noite. Ela pensa. Parece que, depois que disse a Sasuke como se sentia sobre o que eles tinham tudo ficou mais leve, mais fácil e ela gosta da forma como seu corpo e sua mente estão satisfeitos tanto quanto em paz. Ela aproveitou cada segundo ao lado do moreno e dormiu antes que percebesse, com a agradável companhia ao lado. Eles estão ficando cada vez mais e dormindo longe um do outro cada vez menos. Nem mesmo com Sasori era dessa forma, mas ela confessa que isso não é nada ruim.

Um longo suspiro é solto pela rosada que, ao abrir os olhos, vê Sasuke observá-la.

—        Estamos ficando mal acostumados.

Ele sorri ao ouvi-la.

—        Eu sinceramente não vejo problema nenhum nisso.

Ela o observa por alguns poucos segundos, mas o despertador a chama. Sakura se senta, de costas para o moreno e assim que desliga o alarme ergue os braços se espreguiçando. Por um breve momento Sasuke admira a bela mulher e suas inesquecíveis curvas, mas o toque de seu celular o desperta fazendo-o desviar o olhar.

—        Alô.

Ele ouve a ligação e Sakura o observa por cima do ombro por algum tempo, mas logo segue para o banheiro, pois anseia por um longo banho. Quando a rosada alcança a porta ouve um longo suspiro atrás de si e ao se virar vê o moreno se vestir.

—        Sem banho? - Ela pergunta em um suspiro e morde o lábio inferior.

—        Precisam de mim na obra.

—        Nos vemos lá então.

Ele a observa enquanto coloca a camisa.

—        Terminou a casa da Izumi?

—        Não totalmente, - ela cruza os braços em frente ao peito - mas aquela não é a única obra na qual estou. Preciso saber fazer meu trabalho.

Sasuke estranha a forma como ela fala, ele nunca a viu falar dessa forma antes então não tem ideia do que está acontecendo.

—        Preciso tomar banho. Até.

Ele a vê entrar no banheiro e estranha a atitude, eles pareciam bem até esse momento, mas de repente parece que tudo, menos bem, os define agora.

—        Ahn, até.

O toque do celular do moreno, chama sua atenção e ele vê que é referente ao motivo pelo qual tem que ir para a obra, por isso apenas suspira e pega suas coisas deixando a casa da rosada.

 

Sakura deixa a água cair sobre o rosto. Ela não sabe por que reagiu daquela forma, nada aconteceu, nada mesmo, nada além do nome de Izumi nos lábios de Sasuke. O que é tão frustrante? Por que está tão irritada? Por que o nome dela dito pelo moreno a incomodou tanto? Ela não tem ideia do motivo, mas não está acostumada com esse sentimento e é uma droga estar assim.

Depois do banho, a rosada toma um café da manhã sem pressa e vai para a garagem onde tenta ligar seu carro. Assim que gira a ignição, ouve um barulho estranho e o carro não liga.

—        Ah não, eu acabei de arrumar.

Ela tenta mais uma vez, o que é inútil, e quando percebe que ligar para um mecânico para ver o carro demorará demais, liga para a companhia de táxi e chama por um seguindo assim para o trabalho.

Ao chegar na obra Sakura começa a andar pelo lugar e se surpreende com o que vê. Já não é mais um terreno com algumas construções, isso se parece extremamente com a vila que desenhou, isso está ainda melhor do que imaginou que ficaria. Todos os detalhes de seus desenhos podem ser vistos nas casas. A biblioteca realmente se parece com uma, assim como a escola, e em nada se assemelham a imóveis vazios de concreto como eram antes.

A Haruno deu as instruções para os homens responsáveis pelo acabamento, mas não veio verificar para ver como as coisas estavam indo, erro dela afinal essa obra é sua responsabilidade tanto quanto a casa de Kotetsu. Ainda assim, percebe que verificar como as coisas estavam indo não faria qualquer diferença, pois os responsáveis pelo trabalho seguiram seu projeto ao pé da letra.

—        Senhorita Haruno, - o responsável pelo acabamento na obra se aproxima - a quanto tempo não passa por aqui.

—        Olá James.

Sakura trabalha com James já há algum tempo e provavelmente é por isso que seu projeto ganha vida nesse momento. Ele sabe como a rosada age e conseguiu fazer seu trabalho apenas com as ordens que lhe dava pelo telefone.

—        Tudo está como a senhorita queria?

—        Ainda melhor.

O rapaz abre um grande sorriso, não é de se surpreender que Sakura agrade os olhos que a observam, a mulher a sua frente é bela e apaixonada pelo que faz, essa é a principal razão pela qual gosta tanto de trabalhar com ela.

—        Bom, - ela foca a atenção nele, desviando os olhos do lugar a sua volta - o que ainda temos para fazer?

—        Claro. Siga-me, por favor.

Sakura o segue e tem um dia de trabalho como qualquer outro se esquecendo por algum tempo do moreno e do sentimento estranho que presenciou pela manhã.

 

Próximo das cinco da tarde ela sente fome. É incomum que isso não tenha acontecido antes, talvez seja porque estava muito concentrada. Felizmente o trabalho por hoje foi encerrado, assim mesmo que saia agora já não precisa voltar a obra. Sakura se aproxima do hospital com o celular em mãos pronta para ligar para a companhia de táxi, mas antes responde algumas mensagens. Ao focar a sua frente vê Sasuke.

Até esse instante, o moreno não havia voltado aos seus pensamentos, então de repente, ela se lembra do sentimento que teve pela manhã, isso a faz hesitar em seus passos.

Sasuke se preparava para entrar em seu carro, mas ao abrir a porta viu a rosada ao longe isso o fez parar. Ele não conseguiu deixar de pensar no que aconteceu pela manhã e, não importava como analisasse a situação, não tem ideia do motivo pelo qual Sakura agiu estranho de um segundo a outro.

A rosada percebe que ele a viu, então se aproxima.

—        Então, - ela diz quando já está próxima o suficiente para ser ouvida - como estão as coisas?

—        Bem, acho que terminamos em uma semana ou duas.

—        Isso é muito bom, não vejo a hora de terminar tudo isso.

—        Sim.

Ele afirma, mas não parece tão confiante da resposta e Sakura percebe.

—        O que foi?

—        Não é nada.

—        Ora Sasuke vamos, já te conheço o suficiente para saber que tem algo o incomodando, o que é?

Ele a observa por alguns segundos.

—        Bom, é que é estranho saber que meu trabalho com vocês acaba aqui.

Ela se surpreende.

—        Esse é meu único trabalho a ser entregue na Construtora Senju, foi bom trabalhar com vocês.

Sakura nota certa melancolia na voz do moreno, mas sorri para amenizar a situação.

—        Vamos, admita que vai sentir minha falta.

Ele se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Absolutamente, por que eu sentiria isso?

—        Vou me lembrar dessa frase quando me visitar de novo.

—        Que isso, não me leve tão a sério.

Ela ri.

—        Além disso, não tem porque sentir saudades já que sei onde te encontrar.

—        Sim, é verdade. E acho que isso também serve para mim.

Ele sorri e Sakura dá dois passos para trás.

—        Bom, nos vemos.

—        Sim.

Ele entra no carro e Sakura volta a atenção ao celular pronta para chamar por um táxi. A ignição do carro do moreno é girada, mas ele percebe que Sakura permanece no mesmo lugar e, ao olhar ao seu redor, não vê o carro dela.

—        Sakura, - ela foca sua atenção no moreno, mesmo que esteja no telefone. - não está de carro?

—        Não, - ela diz - ele resolveu me deixar na mão hoje.

—        Que tal vir comigo então?

Sakura se surpreende com o convite, mas se lembra do moreno dizendo que ela não sabe aceitar gentilezas.

*Qual o destino?* A voz no telefone se faz ser ouvida, mas ela simplesmente desliga a ligação e torce o lábio para o lado pensativa.

—        Não sei, minha mãe me disse para nunca entrar no carro de um homem mal intencionado.

Ele sorri.

—        É mais fácil você abusar de mim do que o contrário.

Ela ri.

—        Até que você tem razão.

—        Então?

—        Aceito.

A rosada se aproxima do carro, abre a porta entrando e o vilarejo logo fica para trás.

—        O casamento já é amanhã. - ela diz - parece que nos conhecemos a uma eternidade.

—        Aconteceu tanta coisa que não sei nem pontuar.

—        Sim, eu nunca diria que poderíamos ter uma conversa saudável se me perguntassem a dois meses.

—        Sim, você era muito difícil de lidar.

—        Eu? - ela pergunta ofendida - Você fazia tudo de errado e a culpa era minha?

—        Eu não fazia nada errado, apenas te provocava um pouco. E não tente negar, você gostava.

—        Não gostava, você era irritante.

Ele sorri.

—        É, eu notei o quanto arrepiada você ficou com minha voz irritante no seu ouvido no evento beneficente.

—        Calúnia, fui pega de surpresa não foi proposital.

—        E desde quando ceder a alguém é proposital? Apenas o fato de ceder já diz que não é por vontade própria.

Ela entreabre a boca para protestar mas não tem um argumento convincente, então apenas desvia o olhar focando na estrada que segue ao lado. Ao ver isso o moreno abre um grande sorriso satisfeito, ele raramente consegue deixar a rosada sem fala, sim, deixá-la sem ar não é tão difícil, mas fazer com que não saiba o que responder é um feito e tanto. Ainda mais nos últimos dias que ela já não precisa esconder que ele a atrai. Por isso, esse fato o deixa com um gosto de satisfação que aprecia muito.

—        Conseguiu descobrir qual foi o contrato assinado?

Ela foca no moreno novamente desviando o assunto do anterior completamente. Sasuke se silencia por alguns poucos segundos.

—        Meu tio fez um acordo de sociedade com seu chefe, era um acordo que dividia igualmente os créditos devidos.

—        Fui muito impulsiva ao te acusar, me desculpe por aquilo.

Sasuke não se sente mal pelo que aconteceu, não foi culpa dela se alterar daquele jeito, nem dele, na verdade, mas isso já não importa. É por isso que o moreno abre um belo sorriso.

—        Não por isso, já se desculpou e preciso dizer que soube fazer isso muito bem.

—        Tenho até medo de perguntar, está falando da torta ou do que veio depois?

—        Acho que os dois se empatam.

—        Não acredito que acabou de me comparar a uma torta.

Ele ri.

—        É tão ruim assim? Ela estava muito gostosa.

—        Sim, é muito, muito ruim.

—        Tudo bem, tudo bem, você estava mais gostosa que a torta.

—        Não me convenceu.

—        Aquilo foi uma das melhores coisas que já comi, você deveria ficar feliz por ser comparada aquela torta.

—        Isso não está te ajudando em nada.

Sasuke percebe que acaba de cutucar um vespeiro.

—        Minha comida preferida é tomate, - ele tenta se retratar - acho que já disse isso, então compará-la ao gosto da minha comida preferida é um elogio. Aquela torta foi uma das melhores coisas que já comi, mas não a melhor.

—        Seja mais específico.

Sasuke percebe que ela quer ouvir com todas as letras e claramente o que ele quer dizer, apesar de já ter entendido. Ele escolhe bem as palavras a serem ditas a seguir, afinal qualquer detalhe pode piorar ainda mais a situação.

—        Seu gosto é o melhor que já provei.

O moreno consegue um sorriso e isso o tranquiliza, o vespeiro foi controlado.

—        Sabe, você fala muitas idiotices para alguém tão conquistador.

Bom, isso não é de todo mentira, afinal o moreno nunca se importou em manter uma conversa. Ele consegue uma boa foda quando precisa, não tem porque ficar se preocupando com isso. Ainda assim, ele sabe conversar com as pessoas, especialmente mulheres, caso contrário não conseguiria dormir com tantas. Entretanto, manter várias conversas diferentes com uma mesma pessoa não é algo com o qual esteja acostumado.

Ao ver uma saída na estrada que segue, Sasuke se lembra de um lugar ao qual não vai a muito tempo.

—        Se incomoda de fazermos um desvio?

Ela o observa curiosa.

—        Bom, - ela diz - não tenho nada marcado para hoje.

A rosada dá de ombros não querendo perguntar o destino, quer que a surpresa seja completa. Então, com a resposta positiva, Sasuke desvia do caminho costumeiro e segue para o novo destino.

 

Quando o moreno estaciona, Sakura nota que o lugar é um tanto deserto. Havia alguns poucos estabelecimentos pela estrada que passaram a pouco, mas a maior parte do lugar é cercada por árvores. Não chega a ser uma floresta, mas está perto de ser um bosque, um bosque bem arrumado, com grama cortada, trilhas bem formadas e visíveis e ainda de longe é possível ver postes de luz.

O moreno desce do carro e ela faz o mesmo acompanhando-o, seguindo caminho até um lugar de aparência rústica e um tanto mal tratada.

—        Ok, você me trouxe para um bar. - ela diz ao ler a placa - Está tentando me embebedar?

Ela ergue uma sobrancelha e o moreno abre um sorriso malicioso ao observa-la.

—        Não preciso te embebedar para conseguir o que quero.

Sakura revira os olhos e eles seguem para dentro do estabelecimento.

O lugar não é como ela esperava, não está cheio de quarentões bêbados ou stripers, ao olhar a fachada do lugar e o vazio a sua volta é de se esperar algo assim. Mas ele é até comum, algumas pessoas aqui e ali nas bancadas redondas que se encontram pelo lugar, alguns no balcão e outros sentados às mesas.

—        Quem foi que te trouxe aqui?

Ela o observa.

—        Faculdade.

—        Ah, claro. Por que não pensei nisso antes?

Ele sorri e a guia pelo lugar parando em frente a uma mesa de bilhar.

—        Topa um jogo?

—        Não sei, - ela observa a mesa apreensiva - geralmente jogamos com apostas e não sei se é uma boa ideia.

—        Pode ser algo simples, como a conta do bar.

Ela morde o lábio inferior pensativa.

—        Bom, se é apenas isso, por que não?

Ela dá de ombros e ele pega os tacos entregando um a ela.

—        Se bem que acho que gostaria de algo mais.

Ouvi-lo a faz observa-lo atentamente e o vê preparar as bolas.

—        O que por exemplo?

—        Realizar uma fantasia.

A proposta é tentadora, mas ela não demonstra.

—        E se eu vencer?

Ele sorri.

—        O contrário também vale.

—        Certo.

Ele se surpreende.

—        Não quer nem saber qual é a minha fantasia?

—        Suspeito que seja algo como a coelhinha da Hina, independente do que for já estamos apostando não é mesmo?

—        Bom, sim.

—        Então, já que decidimos como será esse jogo, vamos começar.

Sasuke pega a carteira e tira uma moeda dali. Sakura percebe que nunca viu uma dessas antes e fica curiosa.

—        Não conheço essa moeda.

—        É antigo, um dracma, meu avô me deu quando era menor.

Ele joga a moeda para cima e a tampa.

—        Cara ou coroa?

—        Cara.

Assim que tira a mão, Sasuke vê a face da deusa Atena sobre a moeda e observa a rosada.

—        Primeiro as damas.

—        Ah, não, não. Quero ver como você joga primeiro.

—        Foi um sorteio.

—        Não posso escolher ser depois de você?

Sasuke pensa um pouco sobre as regras do jogo e ele se lembra que não pode recusar.

—        Bom, tudo bem.

Ele se prepara, mas não avança.

—        Quer o grupo listrado ou liso?

Ela observa as bolas na mesa.

—        Preciso encaçapar todas as que eu escolher para ganhar certo?

—        Isso, e também a oito, a preta.

—        As listradas.

—        Ótimo, vamos começar então.

Sasuke se prepara e começa sua jogada. Como esperado ele começa bem, encaçapando a bola 3 e segue com sua jogada enquanto Sakura tem sua atenção presa nele. Depois de quatro tacadas ele não encaçapa nenhuma bola, então se endireita e observa a rosada.

—        Sua vez.

—        Você é bom. - ela diz.

—        Obrigado, faz algum tempo que não jogo então estou um pouco enferrujado.

—        Então, agora é minha vez.

Sakura analisa o jogo e se posiciona. Sasuke passa alguns poucos segundos admirando a posição que ela se encontra, mas deixa seu foco atual para observar como ela posiciona as mãos e o taco.

Nesse instante o moreno percebe o erro que cometeu, principalmente quando o sorriso travesso toma o rosto da rosada.

A tacada é dada e Sakura encaçapa duas bolas de uma única vez, surpreendendo o moreno.

—        Você sabe jogar.

Ela se endireita e sorri para o moreno.

—        Foi presunçoso da sua parte pensar que eu não sabia.

—        Mas você...

—        Em nenhum momento disse que não sabia jogar. A melhor forma de se vencer jogos assim é blefar, você me subestimou porque pensou que eu não sabia jogar.

O moreno suspira.

Por que exatamente eu estou surpreso?

—        Bom, - ele diz - pelo menos agora sei que não preciso pegar leve.

O sorriso dela aumenta.

—        É claro que não, afinal estamos apostando uma fantasia aqui.

 

Depois de uma partida não tão longa, eles são muito bons, Sasuke paga a conta e eles deixam o lugar, mas não vão para o estacionamento e sim para um grande parque alguns metros dali.

—        Deve ser muito boa com cartas.

Ela sorri.

—        O blefe é a alma do negócio.

—        Sim, concordo plenamente.

O moreno se lembra do que o atormentou durante o dia e, se aproveitando da serenidade no olhar da rosada, decide tirar essa dúvida.

—        Então, - ele foca nela - por que estava agindo estranho hoje de manhã?

Ela o observa confusa.

—        Estranho?

—        Sim, estava tudo bem então do nada você ficou diferente.

Ela volta sua memória ao início do dia e se recorda do motivo e da sensação.

—        Estávamos falando da obra da casa da Izumi se não me engano.

—        Não fiquei estranha. - ela diz com um tom irritado e o moreno percebe.

Nesse instante, Sasuke nota que o problema não é com ele e sim com a obra.

—        Problemas na obra?

—        Não.

—        Então o que foi?

Ela não responde, não vai dizer que não gosta de ouvir o nome de Izumi com a voz dele. Sakura nunca diria isso, ele a atormentaria para sempre.

—        Não foi nada, por que está tão interessado nessa obra?

O moreno percebe rispidez da parte dela e finalmente entende, isso o faz abrir um grande sorriso.

—        Não me diga que estava com ciúmes.

—        O... o que? É... é claro que não. Por que eu sentiria ciúmes de você?

—        Não sei, - ele dá de ombros - me diz você.

—        Eu... Eu não estava com ciúmes.

Ele ri da rosada.

—        Tá bom. Vou fingir que acredito.

Ela o empurra.

—        Pare de fazer parecer que estou errada.

—        Não se preocupe, não há nada entre Izumi e eu.

—        Por… por que está me dizendo isso? Eu não me importo.

Ele sorri.

—        Apenas queria deixar avisado.

Sakura não responde e tenta não demonstrar, mas está bastante aliviada ao ouvi-lo, entretanto o motivo pelo qual ele pediu o número dela ainda a incomoda.

—        Então, - ela tenta parecer desinteressada - por que pediu o número dela?

Sasuke para de andar e a observa surpreso por ela se atentar a uma coisa dessas.

—        E ainda quer que eu acredite que não está com ciúmes?

—        Foi apenas por curiosidade, - ela diz emburrada e volta a andar - mas não precisa responder se não quiser.

Sasuke a alcança e segura seu pulso parando-a.

—        Ei, ei, calma.

—        Eu estou calma.

—        Uma antiga amiga minha teve problemas com Izumi, precisei do telefone dela para tentar resolver a situação.

—        Ela parece criar problemas com todo mundo. O que ela fez?

Sasuke explica o que aconteceu entre Izumi e Nekooba, e porque Tamaki pediu sua ajuda. Sakura se tranquilizou ao ouvir a história, mas não gostou de saber que Izumi queria um almoço com ele em troca de desistir do processo.

—        Minha nossa como alguém pode ser tão filha da puta?

—        Me pergunto a mesma coisa, - ele diz - acho que aquele foi o almoço mais curto que já tive na vida.

—        Ainda gosta dela?

Sasuke poderia provocá-la um pouco pois isso se parece bastante com ciúmes, mas decide apenas respondê-la.

—        Não, não mais.

Ouvi-lo tira um peso enorme dos ombros da rosada, a conversa volta a ser tranquila e eles seguem caminhando pela praça por algum tempo. Depois de conversarem muito sobre várias coisas, Sasuke a leva para casa.

—        Tenho direito a algum prato especial hoje?

Ele abre um belo sorriso.

—        Sinto muito senhor Uchiha, sem distrações, tenho que estar bem disposta amanhã. E você também por sinal.

—        É uma pena.

—        Tchau Sasuke.

Ela se afasta com um sorriso no rosto.

—        Tchau.

Sakura segue para a própria casa e ouve o carro se afastar apenas depois que entra. Ela ainda tem o sorriso no rosto e, contente pelo dia que teve, segue para o quarto para descansar, afinal amanhã é o grande dia.



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