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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 64


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Capítulo 64 - Capítulo 60 - SASUKE - Arrependimento


A luz do dia nunca foi tão dolorosa de ser vista pela rosada. Isso porque vê-la a mostra que assim como um novo dia se iniciou, um novo dia de trabalho também começará, trabalho este onde irá ver Sasuke, ela não está pronta para isso ainda. Felizmente consegue se lembrar que pode adiar esse encontro um pouco mais, pois ainda tem uma casa entre seus projetos. Vai ficar cada vez mais difícil voltar para a obra do vilarejo, mas ela terá que fazê-lo, afinal é uma mulher responsável e tem uma obra a terminar. No entanto, por ora, pode adiar isso.

Sakura se ergue e toma um longo banho, ao longe ouve o som do alarme e o desliga assim que deixa o chuveiro. Depois de se trocar segue para a cozinha e vê Ino de pé cozinhando.

—        Bom dia.

A Yamanaka foca os olhos claros na rosada que se senta na banqueta apoiando os braços na copa.

—        Bom dia. - Ino responde. - Como está?

—        Não sei se existe uma palavra que defina como eu estou.

A loira se silencia e coloca as fitas de bacon no prato.

—        Vai trabalhar hoje?

—        Bom, preciso pagar minhas contas não é?

Há silêncio novamente e Ino entrega o prato à rosada que começa a tomar seu café da manhã.

—        Obrigada Porca. - Sakura sussurra - Não sei o que seria de mim sem vocês.

—        Estamos só retribuindo, você sempre nos ajudou e nunca pediu nada em troca, é a nossa vez.

Sakura sorri. É um sorriso fraco e sem muito animo, mas a Yamanaka não vê nenhum sorriso no rosto delicado da amiga a algum tempo, então, mesmo esse gesto simples a faz sorrir.

Sakura e Ino deixam a casa cada uma em seu próprio carro e seguem caminhos diferentes, a Yamanaka ainda está preocupada, mas sabe o quanto Sakura é forte e sabe também que ela vai conseguir passar por esse dia.

 

Sakura segue para a casa de Kotetsu e Izumi, a última coisa que precisa agora é ver a cara da morena, mas precisa ver como estão as coisas na obra. Assim que chega, sua mente é distraída pelas tantas preocupações que lhe rondam por causa da casa, ela está um pouco mais lenta do que o normal, mas felizmente consegue se distrair um pouco e resolver os problemas que lhe são impostos.

O dia passa lento, mas a distrai e a faz se dedicar nos imprevistos que insistem em surgir na obra aos quais consegue resolver em boa parte. E, quando seu turno de trabalho termina, a arquiteta dedicada volta para casa onde come algo sentada em frente à televisão apenas para tentar se distrair. Não funciona. Quando estava na obra, muitas coisas enchiam sua mente, mas agora, nada do que a televisão oferece lhe distrai.

O toque da campainha lhe chama a atenção e, deixando os programas nada eficases para sua distração, ela segue para atender a porta. No entanto, assim que a fresta se cria, Sakura se depara com algo que não esperava.

—        Oi Saku.

Deidara não tem o sorriso costumeiro, na verdade essa é a única vez que Sakura o viu com uma expressão tão séria. Ela ainda está em choque pela surpresa, não imaginava vê-lo ali, não acredita em como ele pode ser tão descarado para aparecer a sua frente.

Sakura quer gritar, quer bater nele, quer fazê-lo sentir dor, mas não consegue, ela não está irritada. Não, ela não sente a fúria a qual está acostumada quando a fazem de boba, nesse momento, o único sentimento que lhe ronda é dor.

—        Soube que você descobriu sobre a aposta então acho que eu devo me explicar.

—        Por que acha que quero uma explicação?

Sakura finalmente se recupera do transe e olha atentamente para o loiro que se surpreende com o que ouve.

—        Sei que está com raiva de mim, mas...

—        Não estou com raiva de você. - ela o interrompe.

—        Não? - ele pergunta surpreso.

—        Se estivesse você já estaria no hospital.

Faz sentido, ele pensa.

—        Não, o que sinto por você nesse momento é algo muito mais profundo, eu estou magoada, decepcionada e triste porque você participou de algo assim. Acho que não valho muito pra você afinal.

A voz da rosada sai baixa, mas audível, entretanto o tom é envolto de dor e o coração do loiro se aperta no peito ao perceber isso.

—        Isso não é verdade, você é minha melhor amiga, é como uma irmã caçula.

—        Então vou avisar Ino pra ter cuidado com você também.

Deidara se surpreende com o que ouve.

—        Eu não queria te machucar, sempre soube o quão forte é e quando a ideia da aposta surgiu eu sabia que você o faria se arrepender de...

—        E em nenhum momento pensou em como eu me sentiria. - ele se cala - Você sequer se importou em brincar com o sentimento dos outros.

Deidara permanece em silêncio por alguns segundos e quando volta a falar sua voz não passa de um baixo sussurro.

—        Sinto muito Saku, eu realmente pensei que você fosse esmagar o ego dele.

—        Ele destruiu muito mais em mim do que eu nele.

As palavras da rosada atingem Deidara de uma forma a qual nunca imaginou ser possível. E as lágrimas que Sakura tentava segurar agora já não podem ser contidas, as linhas que se formam devagar por sobre a pele delicada apenas o fazem sentir-se cada vez pior.

Deidara nunca sofreu por amor, não perdeu ninguém de extrema importância para ele, então esse é seu primeiro contato com a dor nesse nível. E nesse instante sente como se um vazio crescesse em seu peito, um vazio que está crescendo cada vez mais, a medida que os segundos se passam.

—        Você morreu pra mim, esqueça que me conhece, adeus Deidara.

Sakura fecha a porta deixando-o sem reação, a última coisa que queria era magoa-la, mas foi exatamente o que ele fez.

A rosada se apoia na porta e sente seu peito apertado, assim como a garganta por causa do choro que segurou. Ela não conseguiu evitar algumas lágrimas, mas precisou se esforçar muito para não desabar. A pior parte dessa aposta foi que aqueles que diziam se importar com ela, nem cogitaram a possibilidade de que ela fosse se apaixonar.

Depois de algum tempo, Sakura segue para o quarto desligando a televisão e desabando sobre a cama.

 

O despertador o acorda e um longo banho o espera. Assim que sai do chuveiro Sasuke bebe um copo de café para se manter desperto durante o dia. Há três noites não consegue dormir, ele apenas enviou uma única mensagem para Sakura depois que falou com Ino e nenhuma mais. A Yamanaka tem razão, a Haruno precisa de espaço, apesar de isso não ser nada fácil para o moreno.

Ele segue para a obra exausto. Depois que levou um tapa de Karin, ao qual com certeza mereceu, e ouviu tudo o que a ruiva tinha a lhe dizer, o moreno não voltou a construtora. Sakura tem duas obras para cumprir e as vezes passa algum tempo na construtora, mas o moreno não, ele tem apenas essa obra com a qual se preocupar é por isso que está tão frustrado, afinal Sakura fará de tudo para evitar esse lugar nesse momento. Um longo suspiro lhe escapa e a obra aparece a sua frente.

O cansaço está afetando seu trabalho, ele não consegue se concentrar no que faz e felizmente já não tem muito o que fazer como engenheiro, ou seja, não há mais cálculos para serem feitos, caso contrário estaria colocando as estruturas dessas construções em perigo.

O dia, como os anteriores, o exauri de uma forma a qual não consegue descrever, se tivesse sido atropelado por um caminhão, estaria menos cansado do que está agora. Entretanto, seu cansaço é esquecido durante a ronda do vilarejo, isso porque uma cabeleira rósea lhe chama a atenção.

Ao vê-la o Uchiha paralisa. Ela não quer vê-lo, não quer ouvir suas explicações, sequer viu suas mensagens e talvez nem tenha ouvido os recados que deixou. Ino foi bem clara ao dizer que ela precisava de tempo, mas ainda assim ele precisa falar com ela, ele precisa tentar concertar as coisas.

Os passos parecem mais pesados cada vez que estão mais próximos dela que parece bem focada no que faz nesse instante, focada na prancheta que leva em mãos. O moreno para a pouco mais de um metro e observa a nuca que tanto beijou.

Ganhando coragem, depois de vários segundos apenas a observando ele finalmente se faz ser ouvido.

—        Sakura.

O corpo da rosada estremece. Ela sabia que o encontraria aqui, esperava por isso, mas estava tão concentrada que por esse curto período de tempo se esqueceu desse fato, se esqueceu dele.

Sakura não quer virar, não quer olhar para ele, não quer falar com ele e não quer porque sabe que vai doer. Por isso, se afasta sem olhar para trás, mas o moreno a segura pelo braço fazendo-a parar, ela permanece de costas para ele.

—        Por favor, não precisa se virar apenas me escute.

—        Por que eu deveria? - um sussurro fraco deixa os lábios rosados e Sasuke a solta.

Para a surpresa do moreno ela não volta a se afastar. Ele não sabe o que dizer, não planejou isso, mas tem ciência de que, se não agir logo a rosada irá embora.

—        Não há palavras que possam justificar a idiotice que cometi, - ele começa - por isso não vou tentar fazer isso. Não tenho motivos convincentes para te dizer que teve uma razão por trás daquela aposta, mas ainda assim eu sinto muito. A última coisa que queria era te machucar.

—        Você não fez um bom trabalho.

A voz baixa deixa os lábios dela e o moreno se surpreende ao ouvir as palavras.

Sakura se vira e finalmente foca o olhar sobre ele. Há dor no olhar de olhos esverdeados, dor unida a decepção, mas as orbes negras também estão repletas de dor, misturada com desespero e arrependimento.

Sakura consegue notar olheiras abaixo do olhar cansado que Sasuke leva, ele consegue notar marcas que indicam choro por baixo dos olhos entristecidos que tentam desesperadamente manterem-se fortes e firmes. Ambos conseguem sentir a dor própria, mas também a da pessoa a sua frente.

—        Você diz que não queria me machucar, mas a única coisa que fez foi brincar comigo.

—        Isso não é verdade.

—        Não? - Ela une os braços em frente ao peito. - Está dizendo que não mentiu e me fez acreditar que realmente se interessava por mim, quando eu não passava de mais uma a ser conquistada por Uchiha Sasuke?

Sasuke se silencia por alguns poucos segundos, sem desviar o olhar, mas logo volta a tomar a palavra.

—        Você nunca foi apenas mais uma. Você foi a minha primeira em muitas coisas, a primeira com quem tive um encontro, que me fez investir tanto em alguém, que me fez querer repetir a dose de novo e de novo, que me fez me desculpar, que a companhia me agradou tanto. Você foi a primeira que me fez me sentir desse jeito, e está mais difícil do que pensei que seria ficar longe de você.

—        É claro, - ela abre um sorriso fraco - tudo se resume a sexo.

—        Não se trata de sexo. - ela o observa descrente - Tá, se trata, mas não apenas disso.

Ele suspira com a mente cansada. Sasuke não consegue se concentrar muito bem, talvez isso se deva as noites mal dormidas pelas quais passou.

—        Eu não consigo te tirar da cabeça.

Ele mantém seu olhar fixo no dela, tentando demonstrar a seriedade com a qual fala e ela consegue notar isso, talvez essa seja a única vez a qual a rosada o viu com tão séria expressão.

—        Você é o primeiro pensamento do meu dia e a última coisa na qual penso antes de dormir, as vezes nem dormindo consigo tirá-la da cabeça, porque insiste em surgir nos meus sonhos e isso não aconteceu do dia para a noite. Isso me assustou muito por algum tempo e eu não conseguia enxergar o que estava diante dos meus olhos, mesmo que tentasse negar não conseguiria desmentir esse fato. Você é irritante, me tira do sério, e brigamos pelo menos uma vez por semana, mas é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Sakura está comovida com a declaração, ela parece sincera, isso é o que dói mais. O que Sakura mais quer é acreditar em cada palavra do que Sasuke diz e ela acredita, do fundo do seu coração ela acredita. Mas a dor que ele a fez sentir também está presente, tão forte quanto e essa divisão faz seu peito doer ainda mais.

—        Claro, - um sussurro fraco deixa seus lábios - por isso fez a aposta.

Essa é a primeira vez desde domingo que ela fala sobre a aposta, então Sasuke decide ser sincero, afinal a única chance que tem de recuperá-la é sendo completamente honesto com seus sentimentos e com ela.

—        Quando fiz essa aposta não éramos nada uma para o outro, você me detestava e eu não tinha nenhum sentimento por você. Apenas atração, mas isso não vem ao caso. - ela revira os olhos - O que quero dizer é que não medi as consequências, nunca imaginei que me apaixonaria por você. Isso vai contra tudo o que acredito, porque já me apaixonei uma vez e não foi nada bom, e devido a tudo o que aconteceu realmente acreditei que não ia acontecer de novo, mas aconteceu e ainda mais forte que daquela vez.

Ele solta um longo suspiro uma vez mais.

—        Eu estou acabado, e nem sabia que isso podia acontecer comigo. Meu apetite está comprometido, minha animação foi toda perdida e não consigo dormir porque sei que você me odeia e essa é a pior sensação do mundo.

Ela descruza os braços deixando-os cair ao lado de seu corpo.

—        Eu não te odeio Sasuke, mas você me machucou muito. Disse que se apaixonou uma vez e se decepcionou, essa foi a minha vez, você foi a primeira pessoa pela qual me apaixonei. Sei que isso pode parecer exagero, pode parecer que não existem pessoas assim, mas eu sou uma delas, você foi o único com quem eu realmente soube o que é o amor e você simplesmente jogou tudo fora por causa de uma aposta estúpida.

—        Sakura - ele segura as mãos dela e a rosada não consegue evitar o arrepio. - foi um erro, um erro estúpido realmente, mas um erro passado, que eu cometi antes de me apaixonar por você.

—        E por que continuar com a aposta? Se foi um erro de antes você podia apenas ter cancelado ela.

Ele se silencia e ela puxa os braços para perto do corpo cortando o toque que trocavam.

—        Eu só peço uma chance para me redimir.

—        Eu já te dei tantas chances e você sempre encontra um jeito de estragar tudo.

—        Não dessa vez, eu prometo.

Ela o observa hesitante. Como notado antes, a sinceridade no olhar do moreno a convence de que ele realmente se arrepende, mas ela tem medo de deixar-se fragilizar diante dele, por que se quebrar de novo é quase certo que não consiga se recompor.

—        Eu te amo Sakura e preciso do seu perdão.

Ela se surpreende afinal, ainda que Sasuke tenha dito ter se apaixonado, nesse momento ele afirma algo completamente diferente, algo muito maior do que uma simples paixão e mesmo que tentasse, ela não conseguiria esconder a surpresa que teve ao ouvi-lo dizer que a ama. Há alguns dias isso seria o que mais desejava ouvir desses lábios, agora esse som parece penetrar seu peito como uma adaga afiada.

—        Eu preciso de tempo, Sasuke.

Ela se afasta dando um passo para trás, permanecendo com o olhar focado sob ele.

—        Eu espero. Apenas pense no que eu disse, eu realmente me apaixonei por você. Não, não é uma paixão, eu te amo Sakura e não vou desistir tão fácil.

Ela se surpreende uma vez mais com a determinação a qual está presente no rosto do moreno, mas tenta não demonstrar.

Sakura se afasta dele em passos rápidos e segue para qualquer área onde possa realizar seu trabalho.

 

Depois de ouvir o que Sasuke disse e ver o arrependimento no olhar dele, a rosada não conseguiu se concentrar em nada mais do que aquelas palavras e a lembrança das ônix enegrecidas não deram a ela um único momento de tranquilidade e isso é frustrante.

Nesse momento, ela se encontra no táxi voltando para casa. Seu carro ainda está no mecânico e seu transporte é nesse veículo amarelo que continuará o sendo por algum tempo. No caminho para casa, seus olhos focados no caminho mostrado através da janela avistam o parque e ela decide que precisa de um pouco de ar fresco, por isso pede para o motorista que pare o carro e, depois de pagar a corrida, desce dele entrando no parque.

Com árvores ao seu redor e alguma iluminação de postes espalhados pelo lugar, a rosada caminha por algum tempo tentando deixar sua mente vazia. Ao avistar um banco ela se senta e depois de um suspiro ergue a cabeça de olhos fechados apenas ouvindo o som da brisa. Ela está tão concentrada nos próprios pensamentos, nas palavras ditas por Sasuke e Deidara que não percebe alguém ao seu lado até ouvi-lo.

—        Se soubesse que estaria aqui teria vindo antes.

Sakura se surpreende e ao abrir os olhos vê Itachi ao seu lado, por instinto ela se ergue e se vira pronta para se afastar, mas para ao ouvi-lo.

—        Deidara e Sasuke falaram com você, eu também não mereço?

Virando seu corpo em direção ao moreno ela foca seu olhar cansado sobre ele antes de falar.

—        Está mesmo me perguntando se merece minha atenção?

—        Tem razão é algo idiota de se dizer, considerando tudo, mas ainda assim seria bom se conseguisse um pouco dela.

Ela se cala ao ouvi-lo e o silêncio perdura por alguns poucos segundos. No entanto, decide ouvir o que o Uchiha tem a dizer.

—        Fale.

Itachi ergue a cabeça e observa o céu com algumas estrelas, as poucas que as nuvens não cobrem.

—        Durante boa parte da minha vida estive a toa, não me relacionei com ninguém, e não precisava, nunca me senti atraído, ao menos não romanticamente. Para ser sincero, pensava que isso nunca aconteceria comigo. Então conheci você, a bela rosada que me atraía, mas decidi apenas te ter como amiga, era mais fácil. Por confiar nas habilidades do meu irmão fiz uma aposta idiota e envolvi minha única amiga nisso. No mesmo dia descobri que estava apaixonado, até tentei encerrar a aposta, mas eles não me levaram muito a sério. - Sakura se surpreende - Então fiz outra aposta.

Sakura se vira para ele perplexa.

—        Você fez outra aposta?

—        Fiz.

Ela está surpresa pela calma com a qual ele diz que não realizou uma, mas duas apostas que a envolviam.

—        Minha segunda aposta era com Sasuke, se eu conseguisse te conquistar ele desistia da aposta, se ele te conquistasse eu desistia de você.

Sakura se surpreende e o observa confusa.

—        Você diz que está apaixonado por mim, mas faz uma aposta na qual vai desistir de mim e que instiga outro cara a me conquistar?

Itachi a observa com um sorriso doce.

—        Eu estou apaixonado Sakura, mas conhecendo-a como conheço, sabia que no momento em que meu irmão se aproximasse de você ele também iria se apaixonar, por isso fiz a aposta, se eu conseguisse te conquistar ele teria que desistir de você, não apenas da aposta.

—        Está dizendo que apostou com ele sabendo que ele se apaixonaria por mim?

—        Exatamente.

—        Isso é cruel.

—        Por que diz isso?

—        Se você ganhasse ele sofreria, se ele ganhasse você sofreria.

—        Mas independente de quem ganhasse você não sofreria.

Ela se surpreende.

—        Ainda que a aposta existisse, ainda que um de nós perdesse, você se apaixonaria por alguém tão apaixonado quanto.

Sakura não sabe o que responder diante ao que acaba de ouvir. Ela sinceramente não sabe definir se essa é uma atitude encantadora ou odiosa.

Itachi solta um longo suspiro e se ergue ficando frente a frente com ela.

—        Essa aposta sequer deveria ter sido feita, ela te machucou de uma forma como eu não imaginava que faria, mas eu deveria ter imaginado. Como disse antes, você não merece sofrer, sinto muito por ter participado de algo que fez isso com você. - ele abre um sorriso fraco para ela - A algum tempo atrás você estava com medo de me perder e agora sou eu que corro esse risco.

Sakura abaixa o olhar se lembrando que também o machucou, não da mesma forma, nem de longe se compara, eles voluntariamente quiseram brincar com os sentimentos dela. Mas ela não pode negar que o machucou e que ele está certo, antes ela estava com medo de perder um amigo porque não conseguia retribuir seus sentimentos. Agora, mesmo sem ter feito nada de errado, perdeu dois amigos e um amor.

—        Se te faz sentir melhor, - ela foca o olhar nele novamente ao ouvi-lo - eu me odeio por isso.

O rosto entristecido da rosada volta a ser abaixado.

—        Não faz.

—        Que pena, ouvi que se eu sofrer talvez fique mais fácil.

Ouvi-lo a faz levar as mãos ao peito. Ela não responde e não o faz, pois se lembra de ter dito essas mesmas palavras. Junto com a recordação das palavras ditas, as mensagens de Sasuke lhe voltam a mente, ela se lembra em como ele parecia estar sofrendo, e não apenas isso. A forma como Deidara a observou, o olhar entristecido que ele levava também chega para lhe atormentar. Ela está sofrendo, está sofrendo muito mais que eles, mas por que lembrar-se do sofrimento deles dói tanto?

Sakura não consegue segurar as lágrimas, ela não consegue e não quer. Nesse momento apenas quer que a dor suma e deixar as lágrimas caírem talvez ajude. Itachi a puxa para um abraço e a aperta com força.

—        Eu devia te odiar.  - ela murmura entre lágrimas deixando-se ser abraçada.

—        Pode me odiar amanhã.

As lágrimas não param de sair mesmo que Sakura tente parar de chorar, elas simplesmente não podem ser controladas, e sua tentativa de respirar é dolorosa pois o ar parece arranhar-lhe a garganta.

Itachi ainda a abraça fazendo-a saber, pela força com a qual a aconchega em seu peito, que está preocupado e que se arrepende de ter se envolvido em algo que a tenha machucado. Eles permanecem assim, em silêncio, por um tempo que não saberiam definir.

Quando Sakura finalmente se afasta, corre seus dedos pela pele manchada pelas lágrimas secando-as e, deixando-a se afastar, Itachi fica a pouco mais de vinte centímetros dela com seu olhar focado na rosada. Ainda a obervando, sua mão direita tateia a bolsa onde guarda sua câmera e sem demora, pois sabe exatamente onde encontrar o que procura, ele tira uma barra de chocolate da bolsa estendendo-a a ela que se surpreende com o que vê.

—        O que é isso?

—        Minha oportunidade de redenção.

Ela o observa surpresa, mas pega o doce.

—        Pensei ter sido clara que devia ser uma cesta de chocolate.

Ouvi-la o faz abrir um pequeno sorriso.

—        Desculpe, se soubesse que estaria aqui e que me ouviria teria trazido até vinho.

Ela não foca nele, apenas abre a embalagem e come um pedaço do chocolate.

—        Como sabia que falei com Deidara e com Sasuke?

Ela mantém o olhar no doce.

—        Deidara me disse como estava magoada com ele e meu irmão não está em seus melhores dias, parecia disposto a falar com você, - ele dá de ombros - apenas deduzi que tivesse falado com ele.

Ela ergue o olhar focando em Itachi.

—        Realmente fez aquela segunda aposta por que queria que eu tivesse alguém para retribuir se eu me apaixonasse?

—        Você é importante pra mim.

Ela solta um longo suspiro e quebra mais um pedaço do chocolate ainda observando as íris enegrecidas.

—        Você é um idiota.

—        Eu sei.

—        E um babaca.

—        Sim, também sei disso.

—        Pare de concordar comigo.

—        Como se você está certa?

Ela se silencia por alguns segundos. Sakura não pode negar que não é fácil ficar com raiva dele, simplesmente não consegue sentir a irritação que devia e também não está magoada com ele. As palavras do moreno foram essenciais para que fosse assim, o abraço que a confortou também. E agora, recordando dos momentos que passou ao lado do Uchiha, inclusive do soco que levou por ela, apenas come o pedaço de chocolate que havia separado da barra antes de falar.

—        É uma droga ficar com raiva se você.

O moreno a observa com um belo sorriso.

—        Eu disse que não vou deixar se livrar de mim tão fácil.

—        Sim, você disse.

 

Os dias se passam, Sakura se dedica totalmente aos últimos estágios do vilarejo, isso por que a casa de Kotetsu e Izumi foi finalmente terminada. Ela não poderia estar mais feliz em entregar uma casa. O olhar que Izumi lhe lançava ao notar sua tristeza a irritava e muito, a morena parecia divertir‑se com seu sofrimento e isso era frustrante.

Apesar de tudo, isso agora fica para trás, afinal está conseguindo terminar seu maior projeto até agora e isso a deixa bastante contente. Trabalhar na obra não é fácil, no entanto, afinal encontra com Sasuke todos os dias.

Como prometeu, o moreno lhe deu o tempo que precisava para pensar. Ele ainda tenta se aproximar as vezes, mas não avança muito, apenas troca algumas palavras. Sakura consegue perceber que ele não quer pressiona-la e isso a tranquiliza um pouco. No entanto, consegue sentir o quanto é observada e, por vezes, o pega olhando para si.

Nesse instante, ela se encontra em frente ao parquinho que desenhou. Há brinquedos, balanços e uma bela árvore de cerejeira a qual observa atentamente.

—        Você conseguiu.

Sakura se vira surpresa por ainda ter pessoas na obra, mas também pela voz que lhe alcança os ouvidos e, como em resposta ao ouvi-lo, seu corpo estremece. Ela pensou muito sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias e finalmente conseguiu entender o que Ino disse quando criou um cenário hipotético fazendo-a entrar na aposta, isso a ajudou um pouco na sua decisão.

—        Esse lugar está exatamente como você projetou, agora entendo porque todos te querem como arquiteta.

—        Esse projeto não é meu, - ela diz desviando o olhar - é nosso. Não teria conseguido nada sem todos.

Ele sorri ao ouvi-la, mas logo perde o sorriso.

—        Sinto sua falta.

O sussurro quase é perdido pelo vento e Sakura aperta o tecido da blusa que veste. Essa é a primeira vez em dias que ele volta a dizer algo relacionado a eles. Suas curtas conversas tem sido o mais normais que já conseguiram e, ainda elas, levaram algum tempo para acontecer.

Nos primeiros dias depois de ouvi-lo eles não voltaram a se falar, Sasuke tentou algumas vezes, mas ela sempre se afastava e o cortava. Com o passar dos dias, ela parou de se afastar e enfim começou a falar com ele de novo, eram conversas curtas e sem qualquer intimidade, como faziam antes, mas para o moreno foi uma vitória e tanto. Porém, ainda que tenham avançado um pouco, Sasuke tentou ao máximo não falar sobre eles e esse foi seu limite.

—        Sei que disse que esperaria e vou, mas sinto falta de falar com você, de ouvir sua risada. - ele sorri - Até mesmo dos seus gritos nervosos. Você me faz tanta falta que chega a doer.

Ela não responde, mas concorda com o que ele disse. Sakura sente falta da proximidade que eles tinham, da amizade que desenvolveram, diferente de todas as suas amizades. Mas não apenas disso, ela também sente falta dos beijos dele, não apenas dos fogosos e intensos que trocaram, mas de seus últimos beijos.

Sakura sente falta dele como homem e, apesar do Sasuke intenso ser maravilhoso em todos os sentidos da palavra, é do Sasuke carinhoso que sente falta nesse momento. Sente falta do Sasuke que fez amor com ela, não do que transou com ela, mas o que a amou, o que amou cada milímetro do seu corpo. O gosto daquele Sasuke é ainda melhor.

Sasuke percebe que ela permanece em silêncio então, depois de um longo suspiro, se afasta para deixá-la sozinha.

Algo porém o impede, dois dedos delicados seguram sua camisa o alertando que deve parar. O coração do moreno dispara, muito provavelmente por essa ser a primeira reação positiva desde que ela descobriu sobre a aposta.

Ele se vira e ela solta a camisa mantendo o olhar baixo.

—        Como posso ter certeza que não vai me machucar de novo?

Um sussurro é solto e a brisa o leva até os ouvidos de Sasuke. O moreno sente a garganta seca e é difícil respirar, quanto mais falar alguma coisa, mas ele precisa, Sakura quer uma resposta.

—        Não posso prometer que isso não vai acontecer. - ela se surpreende - Não sei o quão idiota eu posso ser, não sei o que pode te magoar, não sei se sou bom nisso de relacionamento, é tudo muito novo pra mim, mas esse sentimento é mais intenso do que qualquer coisa que já experimentei. De alguma forma, apenas estar com você parece certo, não há ninguém mais que me faça sentir assim, por isso sei que vou me esforçar para que nunca mais a faça sofrer. Isso eu posso prometer, sempre fazer o possível e o impossível para que não sinta essa dor que eu te causei nunca mais, porque você se tornou a coisa mais importante pra mim. Eu realmente te amo Sakura.

Os olhos da rosada estão arregalados pela surpresa e marejados pelas palavras, mas as belas íris jade não estão direcionadas ao moreno. Seu foco está em algum ponto do peito dele, ela está paralisada pelo que ouviu e por isso não consegue sequer se mover.

Sasuke percebe a surpresa dela ao ouvi-lo e tenta algo arriscado. Seus dedos tocam o queixo delicado e o ergue fazendo-a olhar para ele.

Há um brilho nos belos olhos verdes por causa das lágrimas que se formaram e, ao ver as lágrimas a rolarem pela pele macia ele as seca com os polegares e segura o belo rosto entre suas mãos.

—        Eu te amo Sakura, você pode me perdoar?

Sakura se deixa chorar, mesmo que estivesse tentando se controlar até esse instante, e toca uma das mãos dele.

—        Se você me machucar de novo eu arranco as suas bolas.

Ele ri e aproxima seus rostos.

—        Não vai acontecer, esse é um belo incentivo.

Ela deixa uma risada escapar entre as lágrimas e fecha os olhos sentindo o polegar do moreno acariciar-lhe a pele.

—        Eu te amo Sasuke.

O coração do moreno dispara ao ouvi-la e uma alegria imensa invade seu peito.

Sasuke toca suas testas sentindo o aroma ao qual tanto lhe fez falta. Ele não quer se afastar dela nunca mais e, apesar de essa ser uma coisa a qual nunca pensou que fosse sentir, nesse momento isso não importa. Ela o perdoou, apenas esse fato é relevante agora.

 

Três meses depois

Sakura anda de um lado para o outro angustiada, o papel que leu a fez perder o chão. Como pôde ser tão estúpida a ponto de não se lembrar de tomar a pílula? Claro que ela estava muito abalada no dia seguinte, mas ainda assim deveria ter lembrado.

O toque da campainha a faz parar de andar e engolindo em seco, segue para a porta abrindo-a fazendo um belo moreno surgir a sua frente com um lindo sorriso no rosto, mas o sorriso se desfaz ao ver a expressão da rosada.

—        O que aconteceu?

—        Entra.

Sakura se afasta e segue para a sala de estar, mas não se senta. Ela remexe as mãos angustiada e o moreno, que fechou a porta ao passar, nota isso.

—        Sakura?

—        Você devia sentar.

Sasuke para de se aproximar e sente uma angústia no peito. Afinal, até entrar nessa casa pensou que tudo estava bem com ela, mas não é o que parece. Sakura parece prestes a dizer algo que não quer, mas que precisa e o moreno teme pela notícia.

—        É sério Sasuke, você devia sentar.

Hesitante ele se senta no braço do sofá e a observa remexer as mãos sem olha-lo nos olhos por mais de dois segundos.

—        Nós estamos juntos a três meses, nos conhecemos a um pouco mais que isso e nosso relacionamento sempre foi um cabo de guerra onde esperávamos para ver qual lado arrebentava primeiro.

Sasuke a observa atento a cada palavra e seu coração dispara aflito, sua garganta está seca e seu corpo paralisado.

—        Desde que nos vimos pela primeira vez, a única coisa que fazíamos direito era brigar, mas com o passar das semanas fomos nos acostumando um ao outro e meio que nos tornamos amigos. Não, não é essa a palavra, não éramos próximos desse jeito, tínhamos algo mais carnal. Quando me pediu em namoro eu fiquei muito feliz, mas então teve aquilo da aposta e nos separamos por vários dias.

Cada palavra que ela diz se aproxima do momento que ele tanto teme. Sasuke quer interrompe-la, dizer o quanto a ama e quer continuar com ela, mas ele travou e não consegue dizer nada.

—        Estou dizendo que, a nossa relação nunca foi saudável e assim que ouvir o que tenho para dizer... - ela hesita, mas decide falar de uma vez - Eu estou grávida.



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