1. Spirit Fanfics >
  2. O Encanto da Cerejeira >
  3. Capítulo 35 - SASORI - Fim de laços

História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 70


Escrita por:


Capítulo 70 - Capítulo 35 - SASORI - Fim de laços


Assim que chega em casa Sakura deita na cama pensativa. Até essa noite não havia percebido que Itachi havia se tornado um amigo tão importante para ela, mas agora sabe que o moreno é tão importante que a fez parar para pensar no que ele lhe confessou. Isso mostra que não quer machuca-lo e que quer ter uma resposta sincera quando o encontrar novamente.

Um longo suspiro deixa os lábios da rosada e ela se ergue para se aprontar para dormir.

Quando volta para a cama ela ainda está pensativa, isso porque não foi apenas sobre o Uchiha que pensou, afinal ainda há Gaara e Lee.

Como disse a Ino algumas horas antes, não sente saudades do Lee como deveria se tivesse desenvolvido sentimentos pelo rapaz, mas a ideia de machuca-lo aperta seu peito. Sobre Gaara é parecido, ela não pode continuar saindo com o Sabaku, mesmo que queira um relacionamento sério e que o advogado seja o pretendente perfeito, não pode fazer isso com ele, seria errado.

Por isso deve dar uma resposta a todos eles. Sakura também se decidiu e a partir de agora irá se relacionar apenas com quem a fizer perder o chão. Não vai iludir ninguém mais, nem se iludir pensando que apenas por sair com alguém desenvolverá sentimentos por ele. Era isso o que estava fazendo com Gaara, mas devia ter percebido que não funcionaria, devia ter percebido por causa do Lee. Ela suspira e cansada de tanto pensar, cai no sono.

 

O dia seguinte não é um dos melhores. Ela acorda com uma dor de cabeça infernal e só quer fugir de tudo. Nesse momento, seus olhos se fixam atentamente sobre a tela de seu celular.

*Oi Sakura, voltei finalmente. Aquele encontro pode ser hoje?* - Lee.

*Bom dia, espero que tenha dormido bem. Podemos sair hoje?* - Gaara.

*Conseguiu descansar? Fiquei preocupado.* - Sasori.

—        AAAAAAAAhh.

Sakura afunda o rosto no travesseiro e depois do grito apoia a face nele.

—        Não posso dar um fora neles por mensagem, além disso prometi um segundo encontro ao Lee. Argh, por que tem que ser tão difícil?

Ela deixa o celular de lado por um momento e respira fundo, sua consciência pesa por causa de Gaara. Apesar de estar saindo com ele a vários encontros no fundo sabia que acabaria não dando em nada e, ainda assim, continuava saindo com ele.

Haruno Sakura você é uma vergonha, por que não pôde ser sincera desde o começo?

Ela se senta apoiada na cabeceira e solta um longo suspiro.

Sakura sabe o motivo pelo qual quis continuar com os encontros. Ela se sentia bem ao lado do ruivo, ele a fazia sentir-se única e sua companhia era agradável. Mas foi egoísmo de sua parte continuar com um relacionamento que no fundo sabia não ter futuro.

Talvez eu ainda não estivesse pronta para um relacionamento sério.

Pensar nisso a faz recordar-se de Itachi, ele parece querer um relacionamento sério, mas é como acontece com Gaara, não adianta fazer com o moreno exatamente o que estava fazendo com o ruivo.

Depois de mais um suspiro, recuperando-se de seu momento de reflexão ela volta a pegar o celular e digita a resposta a cada um deles.

*Podemos nos encontrar hoje, um almoço, pode ser?* - Enviar para Lee.

*Não posso encontrá-lo agora, mas preciso falar com você, podemos nos encontrar mais tarde?* - Enviar para Gaara.

Ela observa a tela especificamente para a foto de Sasori. Ainda que tenha dito que aquela cena não era por ciúmes precisa colocar isso a limpo. Além disso, a conversa que teve no dia anterior tocou em um ponto que a rosada sequer sabia que existia. Ela não está sabendo diferenciar o homem que vai com ela para a cama do amigo que tanto ama, isso tem que ser corrigido.

A amizade benéfica começou depois de uma saideira, ambos estavam bêbados e os toques tiveram inicio, Sakura iria parar, não queria destruir a amizade deles, mas o ruivo disse que ia ser apenas coisa de uma noite então ela se deixou levar.

Quando se deram conta transavam com certa frequência, mas a amizade deles não foi afetada, pelo contrário, apenas se fortificou. Com isso em mente foram impostas três regras, sem cobranças, sem ciúmes e se alguém começasse a se apaixonar eles parariam. Mas parece que não deu muito certo, ela suspira, deveria ter imaginado.

Com um suspiro, ela abre a conversa com o ruivo.

*Estou melhor, mais descansada, digo, mas precisamos conversar sobre algo sério, pode passar aqui mais tarde? Umas nove horas?* - Enviar para Sasori.

Não demora para que as respostas cheguem.

*Claro, te pego em duas horas.* - Lee

*Te pego às seis?* - Gaara

*Pode ser.* - Enviar para Gaara

*Claro que posso, preciso mesmo falar com você.* - Sasori

Sakura suspira. É isso, está na hora de me resolver.

 

Depois de se olhar no espelho por pelo menos dez minutos tentando convencer a mulher do reflexo que ela deve esse encontro ao Lee, a rosada vai para a sala atender a porta e vê um grande sorriso no rosto do amigo.

—        Nossa, você está linda como sempre. Parece que faz uma eternidade que não nos vemos.

Ela abre um sorriso fraco.

—        Acho que faz.

—        Vamos?

—        Sim.

Eles seguem para o carro do rapaz depois que a rosada tranca a porta e ela respira fundo ao se afastar da porta. Assim que se entra no carro abre um sorriso e observa o moreno.

—        Como foram as coisas?

Lee desvia o olhar focando na estrada.

—        Foram bem, bastante bem na verdade. Consegui resolver quase tudo o que foi proposto para resolver antes de sair de Konoha e estou bastante satisfeito com isso.

Sakura percebe que ele pega um caminho o qual está familiarizada.

—        Vamos ao Ella's?

O rapaz sorri.

—        É o seu favorito, não havia uma opção melhor.

Sakura se cala por um momento. Ela sabe que Lee é seu amigo a anos e que a conhece bem, mas esse fato, nesse momento, não é algo bom. Ela se sente culpada por sair com ele e mesmo que tente não pensar sobre isso, é inevitável. É como se ela mostrasse a ele o presente que mais desejava em anos, apenas para destruí-lo na sua frente.

—        Ei, você está me ouvindo?

—        O que? Ah, desculpe eu me distrai.

Ele se silencia por alguns segundos observando-a com o canto dos olhos.

—        Então, sobre o que estava falando?

—        Estava perguntando se voltou no orfanato recentemente.

—        Não, faz bastante tempo que não passo lá às coisas do casamento e do trabalho estão ocupando todo o meu tempo.

—        Ainda bem que consegui um tempo.

Ele abre um grande sorriso, mas ela apenas foca no borrão de paisagem ao seu lado.

—        Enfim, passei lá hoje. As crianças estão ansiosas falando sobre a nova casa e estão loucas para conhecer o lugar.

Ela abre um sorriso ao pensar nas crianças.

—        Imagino que estejam, eles sempre foram tão animados. Acho que por isso me apaixonei por eles assim que os vi pela primeira vez.

—        Sim, eu sei. Foi uma venda de biscoitos e tanto aquela.

—        Foi sim.

—        É sempre bom ter pessoas que os visitam, que os ajudam, você, a Karin, a Hinata, eles são muito gratos por serem lembrados.

Sakura pensa sobre o que Lee disse e sorri.

—        E você também.

—        Eles me acolheram, não teria como ser diferente.

—        Sim, tem razão.

O carro para no estacionamento do restaurante e eles descem seguindo para o estabelecimento sendo recebidos com profissionalismo. Todos ali conhecem os dois e sabem que vez ou outra comem juntos no lugar, talvez por isso não seja algo tão estranho, ainda que a rosada tenha um “noivo” agora.

Sakura não se lembra disso, ela sequer consegue pensar em alguma coisa além de eu devo isso ao Lee.

—        E como anda o projeto?

—        Está bem, estamos indo mais rápido do que eu esperava, depois que termina-lo vou pegar algum tempo de férias e descansar de tudo um pouco.

O rapaz estranha a forma com a qual a rosada fala, isso porque sempre que pergunta sobre um projeto ela tenta expor a ele todos os detalhes do que está fazendo. Ele quase consegue imaginar todas as obras as quais ela participa, mas essa resposta foi vaga demais para isso.

O garçom chega e eles fazem os pedidos. Sakura tenta se dedicar mais ao rapaz e por isso decide falar mais durante o almoço.

—        Tive uma casa para fazer nos últimos dias, - ela diz quando o garçom se afasta - além do vilarejo das crianças e essa casa me deu um pode dor de cabeça.

—        Por que?

—        Imprevistos, de todos os tipos.

—        Mas como é você sei que conseguiu resolver tudo.

Ela sorri ao ouvi-lo.

—        É claro, ou não poderia me olhar no espelho pela manhã.

Ele ri.

—        Gosto do seu entusiasmo, é assim que alguém deve ser e dessa forma se superar a cada dia.

Ela ri da animação de Lee.

 —       Essa é a razão pela qual estamos aqui hoje não é? Porque insisti e me superei a cada dia para que aceitasse meu convite.

O sorriso é perdido do rosto da rosada, ela não esperava por isso e esse fato a recorda que ela irá dispensa-lo, depois dele se esforçar tanto ela continua a iludi-lo apenas para dispensa-lo mais tarde. Ela é uma hipócrita.

Os pedidos chegam e eles começam seu jantar. Lee percebeu que o sorriso dela murchou e que leva uma feição entristecida no rosto.

—        Sakura, você está bem?

Ela se surpreende com a pergunta e logo o observa.

—        O que? Claro, estou bem sim.

Ele não se convence.

—        Parece um tanto avoada hoje.

—        Desculpe, eu estava apenas pensando.

—        E pensava em que?

Ela hesita por um breve instante.

—        Não é nada importante, eu juro.

Apesar de estar bastante determinada em sua resposta, ela tem algo em sua expressão diferente do que ele normalmente está acostumado e ao notar esse fato, o rapaz se entristece.

—        Você está aqui comigo apenas por que prometeu, não é?

Ela o observa surpresa, mas não consegue respondê-lo.

—        Lee, eu...

—        Não, está tudo bem. Acho que eu meio que esperava por isso.

—        Lee...

O rapaz abre um sorriso que quebra o coração da rosada, pois mesmo que se esforce para dá-lo ela consegue perceber tristeza por trás.

—        Nós, - Sakura volta seu olhar para o prato - nós somos amigos a muitos anos, você sempre foi uma pessoa incrível com a qual sempre pude contar. Sabe coisas sobre mim que poucos sabem, como minha cor favorita, meu vinho predileto e porque insisto tanto em ajudar crianças.

—        Não precisa tentar me confortar Sakura acredite não funciona.

Ela se cala por um momento, quando saiu de casa não pensou que isso aconteceria. Ela pensou que algo assim acontecesse quando encontrasse Gaara, mas não com Lee, e não se preparou para isso.

—        Realmente queria que isso desse certo.

Lee a observa e suspira.

—        Eu sei.

Sakura não sabe o que dizer, ela não tem ideia de como prosseguir, é a primeira vez que passa por isso. A rosada já terminou com vários ficantes antes, mas nenhum deles era tão importante quanto Lee.

—        Recebi uma proposta.

Os olhos esverdeados o observam, mas Lee mantém seu olhar nas mãos que tem sobre a mesa.

—        Vou deixar o país.

—        O que?

Ela se surpreende.

—        Eu não ia aceitar, mas acho que é o que devo fazer.

Sakura morde o lábio inferior com tanta força que sente o gosto de ferro.

—        Eu entendo, - a voz dela sai embargada, Lee percebe - odeio isso, mas entendo, não se pode querer que a ferida de alguém cicatrize se ficar esfregando no machucado.

Ele nota também que há lágrimas pelo rosto delicado da rosada, isso é tão difícil para ele quanto é para ela e Lee sabe.

—        Não se preocupe, talvez um dia voltemos a ser amigos.

Sakura se surpreende ao ouvi-lo e ergue o rosto para observar um sorriso imenso no rosto do amigo. Se ele tentou fazer com que isso ficasse mais fácil, apenas piorou a situação, já que as lágrimas se intensificam e com isso, o sorriso dele vacila.

—        Me espere até que a ferida tenha fechado, tudo bem?

Ele volta a sorrir e lhe toca a mão.

—        T-tá.

Ela afirma e abre um pequeno sorriso.

Lee está despedaçado, mas consegue ser forte por ela, ele precisa, porque a ama demais para vê-la sofrer.

Eles terminam a refeição em silêncio enquanto as lágrimas ainda molham o rosto pálido da rosada. Quando terminam, deixam o restaurante seguindo para o carro, mas Sakura para de andar.

—        Lee.

Ele se vira para observa-la.

—        Acho que devo voltar de táxi.

Ele se surpreende, é compreensível depois do que aconteceu estar em um carro com ela não seria a coisa mais fácil do mundo, mas ainda assim foi ele quem a trouxe, seria errado deixá-la voltar de táxi.

—        Eu a trouxe, o mínimo que devo fazer é te levar de volta.

Ela balança a cabeça e sente mais lágrimas.

—        Você não me deve nada. - ela tenta sorrir - Fez tanto por mim que eu não poderia pedir isso. Sei que não quer demonstrar, mas você está sofrendo, seria cruel da minha parte pedir que me levasse.

Ele sorri pela forma como a rosada o entende então se aproxima e deposita um beijo na testa dela.

—        Eu te amo Sakura.

Isso a quebra por completo, e a faz levar as mãos ao peito.

—        Adeus.

Lee se afasta sem olhar para trás, se o fizesse poderia hesitar e causaria mais dor em ambos os lados.

Sakura tem dificuldades para respirar, mas pega a bolsa a procura do celular e chama por um táxi que não demora a aparecer.

Assim que chega em casa a rosada fecha a porta e fica com as costas na madeira por algum tempo, lágrimas lhe molham o rosto e seu peito dói, não é fácil respirar, não é fácil pensar, ela nunca imaginou que doeria tanto dispensar alguém.

Depois de algum tempo ela segue para o sofá e se senta abraçando as pernas, nesse momento, só consegue pensar em como Lee está machucado, em como ele está sofrendo por causa dela. Ela se odeia por fazê-lo sofrer assim, mas a dor não se deve apenas ao fato dela tê-lo magoado, também é porque o perdeu e deixando as lágrimas molharem seu rosto permanece assim por algum tempo.

 

A Haruno observa o reflexo a sua frente, ela está horrível, qualquer um pode ver o quanto chorou e a maquiagem não cobre muito. Quando Gaara enviou-lhe uma mensagem, pensou em pedir que o ruivo não viesse, mas decidiu que é melhor resolver isso de uma vez. Esse é o motivo pelo qual ela encara seu reflexo no espelho, para se convencer disso.

Após um longo suspiro ela ouve a campainha e, antes de ir para a porta, pega sua bolsa e respira fundo. Sakura combinou um passeio no parque perto de sua casa com Gaara, agora com o ruivo esperando por ela, está receosa. Assim que a porta é aberta um belo sorriso pode ser visto, mas esse sorriso logo é perdido quando ele a vê.

—        Você está bem?

—        Não muito.

—        Podemos sair outro dia se quiser.

—        Não, eu… eu preciso espairecer e precisamos conversar.

—        Então vamos.

Os dois se afastam da casa seguindo em direção ao parque mais próximo. Eles não seguem de carro, vão andando apenas, passos silenciosos com o vento sendo o único a dizer algo.

—        O que aconteceu? Você pode me dizer, somos amigos.

—        Acho que esse é o problema.

Ela sussurra, mas ele a ouve e não entende, o parque aparece a frente deles.

—        O que quer dizer?

Sakura se silencia por um momento. Quem disse que isso seria fácil? Deveria ter esperado mais um pouco.

—        Mesmo que nos conheçamos a pouco tempo você se tornou alguém importante para mim.

Ela diz depois de um suspiro.

—        Sim, eu entendo, me sinto da mesma forma.

—        Nunca pensei que voaria de balão, ou que me dedicaria a cuidar de flores mesmo sendo muito ruim com isso.

Ele ri e ela sorri.

—        Você me mostrou que não é preciso conhecer alguém a anos para desenvolver um laço com ele.

O sorriso de Gaara se desfaz e seus passos se tornam mais lentos, Sakura permanece acompanhando-o.

—        Você é alguém incrível, é por isso que é tão difícil.

Sakura para de andar e o ruivo a observa. Os olhos inchados da rosada não lhe passaram despercebidos, ele sabe que ela chorou e não é difícil unir dois mais dois.

Gaara consegue perceber que as lágrimas não foram destinadas a ele e, dessa forma, as palavras a seguir serão um adeus. Ele consegue ver isso, consegue entender que houve uma decepção. O único desentendimento aqui é que ruivo acha que ela foi decepcionada, mas cada gota que rolou por seu rosto veio porque ela decepcionou, porque não conseguiu amar alguém tão extraordinário que a ama imensamente.

Sakura não se sente pronta para outro termino, talvez devesse ter esperado um pouco, ainda está abalada por causa de Lee. Porém, já começou a falar e por isso deve terminar.

Ela sabe que talvez com Gaara ainda possa manter uma amizade, mas ainda assim, não é algo fácil de se dizer.

—        Não faça ser mais difícil do que é.

Ela o observa e vê um pequeno sorriso.

—        Realmente me encantei com você, você é uma pessoa única, excepcional, mas às vezes não é pra ser.

Ela se surpreende ao ouvi-lo.

—        Como você...

—        Tem outra pessoa envolvida, consigo perceber isso.

Ela se silencia, realmente tem, mas não como ele pensa. No entanto ela não desmente, talvez seja mais fácil assim.

—        Sinto muito, - ela baixa o olhar - não queria que as coisas fossem assim.

—        Não se preocupe, ainda não estou apaixonado então não é tão ruim. Não estou dizendo que é fácil levar um fora, longe disso, dói pra caramba, mas eu vou superar.

O coração de Sakura se sente aliviado. Pelo menos um deles não foi magoado.

—        Ainda podemos ser amigos?

Ele pergunta com o cenho franzido.

—        Se ainda me quiser como amiga.

—        Tá brincando? Você é incrível.

Ele consegue arrancar uma risada de Sakura e as poucas lágrimas que caíram são secas pela rosada.

—        Apenas não o deixe te fazer chorar, ninguém merece suas lágrimas.

Um sorriso fraco brota no rosto cansado.

—        T-tá.

 

Sakura se sente mais tranquila, Gaara terminou aquele passeio e disse que assim que ela estiver melhor, ou se precisar melhorar pode ligar para ele. E gostou de saber que ele continuará em sua vida, perder um amigo já é ruim demais. Depois de jogar uma água no rosto e jantar, ela se joga no sofá a espera de Sasori.

Depois do dia que teve, ela apenas queria cancelar com ele, mas pensou bem e decidiu que é melhor esclarecer tudo de uma vez. Além disso, precisa de um amigo.

O dia de hoje não foi o melhor de sua vida, perdeu um amigo e teve que terminar com um cara incrível. Sakura não pensou em Itachi em nenhum momento hoje, ainda que ele também seja alguém que espera por uma resposta, primeiro ela lidar com aqueles que já estão de alguma forma se machucando por sua forma de regir as coisas.

Com Lee por exemplo, prendê-lo a um sentimento que não tem futuro é errado e o machucaria mais do que já o fez. Ela sequer pode imaginar o quanto o moreno sofreu por que ela não queria nada com ele durante esses anos. Além dele, Sakura também quer deixar tudo claro com Gaara porque já chega de ilusões, a partir de agora apenas ficará com alguém que a faça balançar.

Mais uma respira profunda é dada enquanto tenta se acalmar, mas essa vai por água abaixo ao ouvir o som da campainha. Hesitante, ela se ergue seguindo em direção a porta e a abre.

Ao vê-la, Sasori se surpreende.

—        O que aconteceu?

—        Oi, - ela abre um sorriso fraco - Entra.

Ele o faz e a porta é fechada. Ambos caminham até o sofá e se sentam.

—        O que aconteceu?

Ela se silencia por alguns poucos segundos, mas decide ser direta. Antes de ter seu amigo, quer colocar tudo em pratos limpos.

—        Sasori, o que foi aquilo ontem?

—        Do que está falando?

—        Da cena que fez com Itachi.

Ele se surpreende ao ouvi-la, mas não demonstra.

—        Não sei ao que se refere.

Ela ainda não olha para o ruivo, e mantém o tom de voz baixo.

—        Vou perguntar uma única vez, você estava com ciúmes?

Ele se silencia por quatro rápidos segundos.

—        O que faria se eu dissesse que sim?

Ela se surpreende. Ele estava mesmo, então isso significa… o coração de Sakura acelera, mas ela tenta manter a calma.

—        Ti... tínhamos um combinado, - ela continua um pouco desnorteada - você se lembra?

—        Não disse que estou apaixonado.

Sakura se surpreende mais uma vez e foca seu olhar no ruivo. Então ela estava certa, aquele era o ciúmes de sempre, um ciúmes destinado a amiga e não a mulher. Ouvir isso a machuca, ela não entende exatamente o porquê, mas ainda assim não se deixa hesitar, ela quer saber qual o motivo pelo qual agiu daquele jeito. Afinal, abraça-la como fez na frente do Itachi, foi demais até nos níveis dele.

—        Então por que agir daquela forma?

—        Somos amigos a muitos anos, sabe o quanto sou possessivo com minhas coisas.

O aperto no peito pelas palavras de antes, dá lugar a raiva. Isso porque, ela detesta que alguém se ache seu dono, mesmo que o conheça e saiba que ele é possessivo e que ela tenha falado algo parecido para as amigas na noite anterior, a palavra coisa não foi bem aceita por ela.

—        Não sou uma coisa e você não tem direitos sobre mim.

—        Você é MINHA amiga, e por isso pertence a mim.

—        Não Sasori, somos amigos realmente, mas não pertenço a ninguém, sou uma mulher livre. Começamos esse relacionamento aberto exatamente por causa disso, para continuarmos livres e termos sexo quando quiséssemos. Isso não devia afetar nossa amizade.

—        Por que está dizendo que afeta?

—        Porque não podemos continuar dessa forma.

Ela dispara as palavras irritada e se levanta.

—        Então está me dando um fora, como parceiro e como amigo?

Sakura volta o olhar para ele e hesita, ela não quer, realmente não quer, mas ouvi-lo dizer que não está apaixonado a desequilibrou e depois de tudo o que conversou com as amigas percebe que talvez seja ela quem está começando a se apaixonar, se for assim essa história deve ter um fim. É realmente irônico que esteja começando a desenvolver sentimentos pelo único homem que não está apaixonado por ela.

—        Não, - ela suspira - estou te dando um fora como o homem que vai comigo para a cama.

—        Eles são a mesma pessoa.

—        Eu sei que são e esse é exatamente o problema.

Os ânimos se acalmam assim como os tons de suas vozes. Ambos voltam a falar baixo, o som, na verdade, é um pouco mais alto que um murmúrio.

—        Então está dizendo que não me quer mais na cama?

Ele se ergue e se aproxima perigosamente fazendo o coração de Sakura disparar.

—        Exato.

Sua voz não falha e ela dá graças.

—        Tem certeza disso?

—        O que aconteceu ontem apenas mostra que não dá pra continuar assim. Não podemos dormir juntos se isso continuar a acontecer.

A expressão dele muda de calmo para extremamente furioso.

—        Isso? - o tom de sua voz aumenta novamente - E com isso você quer dizer o que exatamente? Meu ciúme? Minha raiva? Ele estava quase beijando você como queria que eu reagisse?

—        N-não seja estúpido, você está exagerando.

Sasori a prensa contra a parede e Sakura foca em seus olhos rubi que fervem de raiva. Ela não havia reparado no quanto esses olhos a deixam desconcertada.

—        Me diga que estou inventando coisas. Vamos Sakura, diga que é mentira.

Ela não consegue falar, não consegue pensar. Já transou com Sasori muitas vezes, mas ver essa fúria por uma besteira qualquer a faz perceber que não foram apenas transas para ele. Deidara estava certo afinal e por mais que consiga sentir a raiva emanar dele, seu peito se aquece contente. Mas então, por que mentir? Por que dizer que não está apaixonado por ela?

Talvez seja como eu, talvez nem ele saiba o que temos e sentimos um pelo outro.

—        Sasori, o que você sente por mim?

A pergunta o pega de surpresa e a fúria em seu olhar desaparece por um momento.

—        Sua atitude mostra ciúmes, mas disse que não estava apaixonado. Entendo que esse era o plano, sexo sem compromisso, então por que está agindo assim? O que você sente por mim de verdade?

Sasori suspira e apoia sua cabeça no ombro da rosada, ele permanece em silêncio.

—        Então?

—        Estou apaixonado por você.

A respiração de Sakura vacila e seu coração acelera.

—        Não é recente, eu apenas não disse. Não disse, pois sabia que não me via assim.

—        V-você nunca foi uma pessoa covarde. - ela sussurra.

—        Mas dessa vez eu tinha muito a perder.

—        Tudo ou nada. - ela sussurra e ele ergue a cabeça observando-a - Você tinha muito a perder, mas também tinha muito a ganhar.

Ele foca seus olhos nos dela e o coração de Sakura não para de acelerar, ela está prestes a fibrilar.

—        Estou apaixonado por você Sakura, o que vai fazer agora?

A frequência respiratória dela aumenta, seus braços estão presos e Sasori está muito perto. Até esse momento ela não sabia, mas ansiava por ouvir essas palavras, clamava por ouvi-lo dizer isso e antes que perceba seus lábios tocam os do ruivo. Nesse instante ela não se importa em parecer contraditória, afinal estava dizendo a pouco que eles não podiam continuar com isso, mas agora não importa, os fatos mudaram. Ele está apaixonado e ela vai se deixar levar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...