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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 86


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Capítulo 86 - Capítulo 51 - SASORI - Carona


O toque da campainha se repete três, quatro, cinco vezes e nenhuma resposta é dada. Sasuke está em dúvida de que a rosada realmente esteja em casa e se pergunta se essa é realmente a casa certa, ainda assim tenta ligar mais uma vez. Quando o moreno estava voltando da obra, que pegou boa parte do seu tempo hoje, por volta das sete e quarenta ligou para Naruto avisando que iria se atrasar, mas não pensou que Sakura também se atrasaria. No meio do caminho recebeu uma ligação do loiro que pedia que ele passasse na casa da rosada, pois o Uzumaki não estava conseguindo contato com ela. Ele recebeu o endereço por mensagem e aqui está ele.

Sasuke ouve a ligação cair na caixa postal e a encerra, tocando a campainha uma vez mais logo em seguida. Poucos segundos depois ouve a porta ser destrancada e uma rosada sonolenta aparecer a sua frente.

—        Sasuke? O que faz aqui?

Ele a observa de cima a baixo e a vê com um baby doll, isso o deixa estático. O moreno sabia que a Haruno era bela, mas nunca imaginou que fosse tanto. Ele nunca desejou tanto ter tido progresso com ela como o faz nesse momento, como prova, seu membro pulsa na calça.

—        E-eu estava mesmo me perguntando porque não atendia as ligações.

—        O que? - ela o observa confusa - Bom, eu desliguei meu celular.

Sasuke percebe que ela não se lembra do compromisso que tem.

—        Você se esqueceu totalmente do ensaio de hoje, não foi?

Sakura leva três segundos para processar o que ouviu e ter uma reação condizente.

—        Puta que pariu, o ensaio.

Ela entra deixando a porta aberta e um moreno sorridente para trás. Sakura nunca se trocou tão rápido em toda a sua vida, ela prende o cabelo em um rabo de cavalo que deixa alguns fios soltos e volta para a sala com a bolsa em mãos, não quer nem imaginar como estava quando atendeu Sasuke.

—        Ainda parece cansada quer uma carona?

—        Tá, eu aceito, vamos.

Ela o empurra para fora e tranca a casa, eles logo estão dentro do carro e ela solta um longo suspiro ligando o celular. Ao ligar o celular, a rosada repara que Sasuke ainda tem um sorriso no rosto, mas o ignora por enquanto.

*Sakura estou a um tempão tentando falar com você.*

—        Desculpa Hina, tive um dia cheio hoje, mas já estou a caminho.

*Estamos esperando, Sasuke também não chegou ainda.*

—        Sim eu sei.

*Que bom que ele conseguiu falar com você. Estamos esperando.*

—        Tá bom. Tchau.

A rosada desliga com um suspiro.

—        Você acordou mesmo?

Sakura foca o olhar sobre ele.

—        Por quê?

—        Aceitou minha carona tão rápido que estou um pouco em dúvida.

Ela desvia o olhar e foca na paisagem.

—        Do jeito que eu estava, se pegasse meu carro ia causar um acidente.

—        Por causa do sono?

—        Porque estamos atrasados.

—        Então você é uma barbeira quando está com pressa?

—        O que? Não, é claro que não!

A rosada foca nele rapidamente ao responder. Ele a observa com o canto dos olhos e percebe que ela desvia o olhar novamente.

—        Talvez.

Ele ri.

—        Espera, - ela foca nele - por que disse quando estou com pressa?

—        Já te vi dirigir, não é tão ruim atrás do volante.

—        Tão ruim? Isso é mesmo um elogio? Porque se for você é péssimo com isso.

—        Mas pelo menos dirijo bem quando estou com pressa.

Ela abre a boca para protestar, mas se cala e desvia o olhar.

—        Essa é apenas uma coisa na qual não sou a melhor. Mas não significa que sou tão ruim.

Sasuke sorri.

—        Não ficou chateada ficou?

Sakura se surpreende com a pergunta, mas logo o observa com um belo sorriso no rosto.

—        Precisa de muito mais que isso pra me chatear Uchiha.

—        Tem certeza? Parece que tenho o dom pra fazer isso.

—        Não, você não me chateia, você me irrita, é diferente.

—        Ainda assim deve ser um dom meu.

—        O incrível é que você está certo, e consegue fazer isso como ninguém, mas não significa que seja algo bom.

—        Claro que é. A melhor parte é vê-la com raiva, você fica bem sexy assim.

Ela se surpreende, mas não demora a se recuperar.

—        Oh minha nossa, você é masoquista.

—        O que? Claro que não.

Ela ri e eles estacionam descendo logo em seguida e, deixando o carro para trás, caminham em direção ao prédio.

—        Não, estou falando sério, - ela continua - você deve ser masoquista, ou pelo menos quer muito um soco meu.

—        Nem um nem outro. Eu te elogiei e você conseguiu tirar algo que nem existe do que foi dito.

Sakura ri por causa da expressão do moreno, ele está irritado pelo pensamento da rosada, mas ainda assim parece relaxado. É estranho, mas ela gosta.

—        Tem razão, - eles chamam pelo elevador - obrigada pelo elogio.

Sasuke foca nela por dois breves segundos antes do elevador se abrir e eles entrarem.

—        Aliás, como sabia onde eu morava?

Ela o observa curiosa.

—        Naruto me mandou o endereço, se eu não tivesse ido você teria sérios problemas, talvez ainda tenha.

—        Realmente preciso me desculpar com a Hina, mas não acho que ela está tão brava.

—        Quem falou da Hyuuga?

Ela foca o olhar sobre ele sem entender e o elevador se abre, os dois saem e seguem para a sala do ensaio.

—        Você teria problemas com a minha mãe, acredite ela pode ser bastante assustadora.

—        Bom, - ela desvia o olhar - não posso dizer que duvido de você, realmente acho que ela pode ser bastante assustadora.

Ele sorri.

—        Nem queira ver.

Sakura segura a fechadura mas não a abre, no lugar disso, se coloca a frente de Sasuke e sorri para ele.

—        Bom, se eu tiver problemas digo que a culpa foi sua, ela deve relevar.

—        Nem brinque com isso.

Ela ri e abre a porta entrando. Assim que passa pelo vão, percebe que todos já estão ensaiando, mas param assim que os veem. Sakura não demora a se aproximar da Hinata.

—        Hina eu sinto muito.

—        Eu estou bem, quem não está muito contente é a professora.

Ao olhar para Mikoto que fala com Kushina, Sakura percebe que a morena não está com um rosto muito amigável.

—        Vamos de novo agora que todos estão aqui.

Todos voltam a se aproximar de seus pares e Sakura se aproxima do moreno com um suspiro.

—        Problemas com a noiva?

—        Ah, não, mas você tinha razão, acho que irritei sua mãe.

Sasuke toca as costas da rosada e a aproxima tocando seus corpos, assim que a musica tem início, ela toca uma das mãos dele e apoia a outra em seu ombro.

—        Não vai demorar muito, ela gosta de você. Acho que é uma característica Uchiha.

Ela se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Então você gosta de mim.

Sasuke torce o nariz.

—        Não muito.

Ele sorri e Sakura dá um leve tapa no ombro do moreno que ri do gesto.

—        Mas até que você tem razão.

Ao ouvi-la, ele foca suas orbes negras sob o olhar da rosada.

—        Conquistar Uchiha's deve ser meu superpoder.

Ele não gosta muito do que ouve.

—        Vamos manter apenas entre nós.

Ela ri.

—        Você diz como se tivesse chance.

Ele volta a sorrir para ela.

—        E quem disse que ainda não tenho?

Sakura revira os olhos e a música acaba. Eles se afastam ficando um ao lado do outro e observam Mikoto assim como os outros.

—        Como esperado, - a morena diz - vocês ainda parecem se lembrar de tudo...

—        Você foi bem, - Sakura sussurra para o moreno - deve ter tido uma ótima professora.

Sasuke revira os olhos.

—        Depois eu é quem sou convencido.

Ela ri.

—        De novo.

Mikoto diz para que todos a ouçam e eles se calam voltando a dançar novamente.

A morena observa o filho e nota algo que não vê a muitos anos. Até então não havia notado que a proximidade entre eles havia se tornado assim, é provável que Sakura seja a primeira amiga dele em anos. E deduz isso porque depois do que passou com Izumi não o viu se aproximar de nenhuma mulher a não ser que fosse para se satisfazer, isso ficava claro quando a matriarca tentava fazê-lo se aproximar de alguém, ele simplesmente odiava, e nem mesmo no trabalho haviam mulheres presentes na sua vida. Sakura definitivamente é a primeira, em anos, que é tão intima de Sasuke, isso a faz se lembrar de Itachi e da conversa que teve com o filho.

Mikoto falou com o filho mais velho pois percebeu que ele estava diferente e chegou ao seus ouvidos que estava apaixonado, mas ao descobrir que se tratava de Sakura ficou preocupada, afinal o histórico dos irmãos com mulheres não é o mais saudável.

A morena apenas espera que dessa vez a mulher entre eles não tenha magoado um de seus filhos propositalmente como Izumi fez. Por isso, apenas presta atenção em como a rosada age perto de Sasuke, afinal sempre foi boa em identificar a personalidade das pessoas e essa é a razão pela qual não gostava de Izumi. Entretanto, com o passar das horas, apenas consegue perceber a facilidade que Sakura tem para falar com ele, também percebe um brilho especial, mas infelizmente o olhar com o qual a rosada observa seu filho não é um olhar apaixonado.

Ela solta um longo suspiro.

Porque sempre tem que haver uma mulher entre os meus filhos? Ela ainda foca o olhar sobre os dois. Mas parece que dessa vez os dois vão se machucar.

—        Bom, - ela diz afastando os próprios pensamentos - vocês estão ótimos. Tenho certeza que irão muito bem no sábado.

A morena sorri.

—        Até lá.

Eles se dispersam e Sakura segue para o elevador, acompanhada de Sasuke, Naruto e Hinata.

—        Então, - Hinata a observa enquanto o elevador desce. - o que te fez se atrasar tanto?

—        O trabalho, estava tão cansada que me esqueci do ensaio então me deitei e peguei no sono.

—        Sono? - Hinata pergunta surpresa - Sakura você hibernou, ligamos pro seu celular umas quinze vezes.

—        Eu vi, - a rosada diz sem graça - desculpe.

O elevador se abre e eles seguem para o estacionamento.

—        Tudo bem Sakura-chan, - Naruto abre um grande sorriso - o importante é que você veio, o Teme conseguiu te trazer.

—        Não foi fácil tirá-la de casa. - Sasuke diz.

—        Eu disse. Você estava hibernando.

Naruto e Hinata param em frente ao carro do loiro que olha a sua volta a procura de algo.

—        Onde está seu carro Sakura-chan?

—        Eu a trouxe.

Há silêncio por alguns poucos segundos. Naruto e Hinata estão bastante surpresos com o que acabaram de ouvir, mas não apenas eles porque apenas agora a rosada se lembrou que havia recebido carona.

Como não lembrei disso?

—        Bom, er... - Hinata diz - Vamos Naruto.

A morena vai para o carro e o loiro faz o mesmo.

—        Tchau Teme, tchau Sakura-chan.

—        Boa noite pra vocês.

—        Boa noite. - eles respondem.

O carro logo se afasta.

—        Vamos?

Sakura o observa.

—        Ah, sim, vamos.

Eles seguem para o carro do moreno em silêncio e não demoram a se afastar da escola de dança.

—        Sasuke - Sakura olha para o moreno - Por que você foi me buscar? Quer dizer, por que desviar do caminho?

—        Naruto me pediu.

—        Ah. Bom, ainda bem, se não tivesse ido eu não teria vindo nesse ensaio.

—        E mais uma vez eu salvei seu dia.

—        Você me salvou?

Ela pergunta surpresa.

—        Quando foi que isso aconteceu?

—        Nossa, é assim que me agradece?

Sakura abre a boca para falar, mas não sabe como responder a isso.

—        Tudo bem, já que não se lembra vou refrescar sua memória.

—        Por favor.

—        Teve o sorvete que você parecia bem desesperada para conseguir, o voluntariado que eu não precisava ter aceitado e...

Ela fica boquiaberta desacreditando no que ele disse.

—        Você estava me devendo pelo voluntariado. - ela o interrompe - E se formos colocar assim, eu te salvei muito mais. A dança, o gesso, a mentira sobre o vinho, avisei sobre a obra quando esqueceu seu cel...

—        Ok, tudo bem, - dessa vez ela é interrompida - não precisamos ponderar tudo agora.

—        Agora não precisamos, não é?

—        É.

—        Enfim, - ela diz não gostando muito de ter sido interrompida - obrigada, ainda assim. Ainda que tenha atrapalhado um belo sono, foi por uma boa causa.

—        Você é muito mal agradecida sabia?

—        É claro que não, apenas estou dizendo que agora entendo exatamente como se sentiu quando abriu a porta pra mim no dia que fui falar das peças de gesso.

—        Aquela sim foi uma boa noite de sono interrompida.

Sakura o obseva.

—        E o que está esculpindo?

—        É uma surpresa.

O sorriso da rosada aumenta.

—        Tentando impressionar quem? - ela ergue uma sobrancelha curiosa.

—        Todos que a virem.

—        Estou curiosa para saber se é tão bom quanto acha que é.

—        Eu poderia levá-la até minha casa para mostrar, mas não sei se seria uma boa ideia, poderia não querer voltar.

Sakura solta uma risada e, apesar de achar essa uma risada linda e gostar de ouvi-la, ela incomoda o moreno.

—        Do que está rindo?

—        Você se acha demais Uchiha, garanto a você nessa altura do campeonato, quem parece desesperado para termos uma noite não sou eu.

Isso surpreende o moreno e ao vê-lo com o rosto emburrado o sorriso da rosada aumenta. O carro finalmente para e Sakura desce.

—        Obrigada pela carona e por me acordar.

Ele volta seu olhar a ela e a vê com um belo sorriso.

—        Diponha.

Antes de se afastar, porém, a rosada se lembra de algo.

—        Ah, quase me esqueci que tenho algo pra você.

O moreno ergue a sobrancelha receoso.

—        Deveria ter medo disso?

Ela ri.

—        Não seja bobo. Fique aqui, já volto.

Sakura segue para a própria casa e Sasuke logo a perde de vista. Quando o moreno volta a ver a cabeleira rosa, percebe que a bela mulher que se aproxima leva um pote em mãos.

Assim que Sakura alcança o carro estende o pote ao Uchiha que o observa ainda com certa dúvida.

—        O que é isso?

—        Geleia de tomate.

Ele se surpreende, afinal nem sequer sabia que tal coisa existia.

—        Não sou um compulsivo por doces como você.

—        Ei, não ache que me conhece apenas porque dividiu um pote de sorvete comigo e lembre-se que fui eu quem paguei por ele! Além disso, não julgue antes de provar, sei que vai gostar, isso é muito bom e o gosto do tomate é mantido. Para tirar um pouco do gosto adocicado pode passar em torrada e talvez comer acompanhado de um café preto amargo.

Sasuke foca seu olhar no pote atentamente. Ele gosta muito de tomates, mas não acha que sua paixão por essa iguaria o faria comer um pote de geleia.

—        Vamos, apenas experimente, se não gostar pode devolver.

Ainda há alguma hesitação, mas o moreno logo pega o pote.

—        Se não gostar devolvo.

—        Sei que vai gostar.

Ela sorri e se afasta do carro.

—        Boa noite senhor compulsivo por tomates.

O moreno sorri para ela.

—        Boa noite senhorita compulsiva por doces.

Ela ri e estende a mão em um aceno, vendo o carro desaparecer de seu campo de visão. Quando isso acontece, entra em casa, seguindo para a cama.

 

O despertador a acorda fazendo-a levantar para mais um dia de trabalho. Depois do banho, a rosada toma seu café da manhã sem pressa e vai para a garagem onde tenta ligar seu carro. Assim que gira a ignição, ouve um barulho estranho e o carro não liga.

—        Ah não, eu acabei de arrumar.

Ela tenta mais uma vez, o que é inútil, e quando percebe que ligar para um mecânico para ver o carro demorará demais, liga para a companhia de táxi e chama por um, seguindo assim para o trabalho.

Ao chegar na obra Sakura começa a andar pelo lugar e se surpreende com o que vê. Já não é mais um terreno com algumas construções, isso se parece extremamente com a vila que desenhou, está ainda melhor do que imaginou que ficaria. Todos os detalhes de seus desenhos podem ser vistos nas casas. A biblioteca realmente se parece com uma, assim como a escola e em nada se assemelham a um imóvel vazio de concreto como era.

Ela deu as instruções aos homens responsáveis pelo acabamento, mas não veio verificar para ver como as coisas estavam indo, erro dela afinal essa obra é sua responsabilidade tanto quanto a casa de Kotetsu. Ainda assim, ela percebe que verificar como as coisas estavam indo, não faria qualquer diferença, pois os responsáveis pelo trabalho seguiram seu projeto ao pé da letra.

—        Senhorita Haruno, - o responsável pelo acabamento na obra se aproxima - a quanto tempo não passa por aqui.

—        Olá James.

Sakura trabalha com James já há algum tempo e provavelmente é por isso que seu projeto ganha vida nesse momento. Ele sabe como a rosada age e conseguiu fazer seu trabalho apenas com as ordens eram recebidas por telefone.

—        Tudo está como a senhorita queria?

—        Ainda melhor.

O rapaz abre um grande sorriso, não é de se surpreender que Sakura agrade os olhos que a observam, a mulher a sua frente é bela e apaixonada pelo que faz, essa é a principal razão pela qual gosta tanto de trabalhar com ela.

—        Bom, - ela foca a atenção nele, desviando os olhos do lugar a sua volta - o que ainda temos para fazer?

—        Claro. Siga-me, por favor.

Sakura o segue e seu expediente é um pouco mais exigente e trabalhoso do que de costume, talvez principalmente porque ele é a válvula de escape que usa para se esquecer de Itachi e todo o resto.

Próximo das cinco da tarde ela sente fome. É incomum que isso não tenha acontecido antes, talvez seja porque estava muito concentrada e atarefada. Felizmente, o trabalho por hoje foi encerrado e mesmo que saia agora já não precisa voltar a obra. Ela se aproxima do hospital com o celular em mãos pronta para ligar para a companhia de táxi, mas antes responde algumas mensagens e ao focar à frente vê Sasuke.

Sasuke se preparava para entrar em seu carro, mas ao abrir a porta viu a rosada ao longe isso o fez parar. Ao perceber que foi vista Sakura se aproxima.

—        Então, - ela diz quando já está próxima o suficiente para ser ouvida - como estão as coisas?

—        Bem, acho que terminamos em uma semana ou duas.

—        Isso é muito bom, não vejo a hora de terminar tudo isso.

—        Sim.

Ele afirma, mas não parece tão confiante da resposta e Sakura percebe.

—        O que foi?

—        Não é nada.

A rosada pode notar que há alguma coisa o incomodando, está claro e ela se preocupa por isso.

—        Vamos Sasuke, o que está te incomodando?

Ele a observa por alguns segundos.

—        Bom, é que é estranho saber que meu trabalho com vocês acaba aqui.

Ela se surpreende.

—        Esse é meu único trabalho a ser entregue na Construtora Senju, foi bom trabalhar com vocês.

Sakura nota certa melancolia na voz do moreno, mas sorri para amenizar a situação.

—        Vamos admita que vai sentir minha falta.

Ele se surpreende com o comentário, mas logo sorri.

—        Absolutamente, por que eu sentiria isso?

—        Porque acho que sou sua primeira quase amiga em anos.

—        Quase amiga?

Ele pergunta confuso. Isso sequer existe?

—        Disse que acredita que somos amigos, mas ainda não estou certa de suas intenções.

Ele revira os olhos.

—        E por que acha que é a primeira?

Sakura dá dois passos para trás se afastando dele.

—        Sei lá, intuição? - ela dá de ombros - Bom, nos vemos.

—        Sim.

Ele entra no carro e Sakura volta a atenção ao celular pronta para chamar por um táxi. A ignição do carro do moreno é girada, mas ele percebe que Sakura permanece no mesmo lugar e, ao olhar ao seu redor não vê o carro dela.

—        Sakura, - ela foca sua atenção no moreno, mesmo que esteja no telefone. - não está de carro?

—        Não, - ela diz - ele resolveu me deixar na mão hoje.

—        Que tal vir comigo então?

Sakura se surpreende com o convite, mas se lembra da discussão que teve com Sasori e também do que Karin e Hinata disseram sobre o moreno.

*Qual o destino?* A voz no telefone se faz ser ouvida e a rosada diz o endereço, desligando o telefone logo em seguida e focando no Uchiha.

—        Eu agradeço Sasuke, agradeço mesmo, mas não é uma boa ideia.

—        O que foi, - ele ergue uma sobrancelha - vai me dizer que não pode mais aceitar carona de amigos por causa do namorado?

—        Nem mesmo um namoro vai me afastar dos meus amigos, mas como eu disse, não estou certa das suas intenções.

Sasuke não responde.

—        Nessas últimas semanas desenvolvemos um relacionamento de provocações e brincadeiras. Eu gosto do que temos, - ela continua - mas sem segundas intenções. Claro que a forma como começamos isso não foi a das melhores, era sempre baseado em brigas ou provocações e mesmo que tivéssemos um momento de amizade acabávamos voltando a isso. Mas agora eu namoro e, mesmo que isso não tenha relação com os ciúmes de Sasori, tenho que saber me comportar.

Sasuke se surpreende com o que ouve. Ele conheceu Sasori, para o bem ou para o mal, Deidara e ele são sócios, iniciaram suas exposições dessa forma e como o Yamanaka é amigo de seu irmão ele meio que conhece os dois.

Ainda assim, não imaginou que ele seria o namorado de Sakura, não consegue imagina-la ao lado dele.

—        Mesmo que eu insista em dizer que sou comprometida você continua a investir, - ela continua - ainda não posso te considerar um amigo porque não sei se essas investidas são apenas parte da brincadeira.

Há silêncio por alguns segundos.

—        Realmente desenvolvemos um relacionamento complicado.

Ele abre um pequeno sorriso e desliga o motor o que a surpreende um pouco, mas ela continua em silêncio.

—        Então não vai aceitar minha carona, porque não sabe se minhas intenções são puras.

—        Não consigo te ver como alguém puro.

Ela diz, não consegue evitar, e ouvi-la faz o moreno rir.

—        Sim, acho que tem razão.

Sasuke abre a porta e se põe de pé ao lado do carro entre o banco e a porta. Seu olhar está atento sobre a rosada e o dela também se atenta sobre ele.

—        Não posso dizer que somos os mesmos de semanas atrás. - ela diz - Mas acho que já somos quase amigos.

Ele sorri mais uma vez com a expressão.

—        É estranho pensar em alguém como quase amigo.

Ela ri.

—        Sim, é estranho.

—        E o que isso inclui?

—        Não sei, acho que conselhos, receber correspondência, dar aulas de dança...

 —       Acordar quando está hibernando, - ele continua - ceder potes de sorvete.

—        Ah, ajuda com a ex.

—        Eu não tenho ex.

—        Izumi tem cara de ex.

Ele ri.

—        Uma parte do passado que eu gostaria de esquecer.

—        Imagino, ela consegue ser bastante irritante.

—        Experiência própria?

—        Experimente construir a casa dela, vai adorar sua companhia.

Ele ri de novo e o som do ronco do estômago da rosada surpreende aos dois.

—        Esse é um sinal difícil de ignorar.

Ela leva a mão ao estômago.

—        Não almocei hoje, é compreensível.

—        Então que tal um almoço?

—        O que?

Ela o observa sem entender.

—        Sem segundas intenções, - ele ergue a mão direita colocando-a na altura do coração - prometo.

Ela sorri.

—        Você escuta alguma palavra do que eu digo?

—        Ora, vamos, você ainda me deve um almoço.

—        São seis horas da tarde, já não é um almoço.

—        Você ainda não comeu então ainda podemos dizer que é um almoço. Além disso, não escureceu para dizermos que é um jantar.

Realmente ainda não está escuro, mas ela sabe que comer com Sasuke não é a melhor ideia agora, considerando tudo, então apenas desvia o olhar dele.

—        Não acho que devo.

—        Estou te convidando para um almoço apenas. - ele abre um pequeno sorriso - Vamos, você mesma disse, somos quase amigos agora.

A rosada sorri também ao ouvi-lo e nesse momento vê seu táxi ao longe.

—        Obrigada, mas vou deixar para uma próxima.

Ele suspira e apoiado na porta do carro a observa atentamente.

—        Não deveria deixar homem nenhum dizer o que deve fazer.

Ela sorri para ele.

—        E desde quando fui disso? Acho que acabo de provar que nem a melhor lábia me convence.

Ele sorri para ela.

—        Então eu tenho lábia?

—        Se não te conhecesse teria caído a muito tempo.

—        Não nos conhecemos tão bem assim.

—        Tem razão, mas conheço o suficiente.

O táxi para e ela estende a mão para ele.

—        Tchau.

—        Tchau.

O moreno a observa se afastar e entrar no táxi e apenas quando o carro amarelo começa a se afastar, volta a entrar no carro e gira a ignição para ir embora.

 

Já no carro, seguindo para a própria casa, Sakura pensa em sua recente conversa com Sasuke, de alguma forma, dessa vez ele pareceu menos conquistador e mais amigo, sem contar que não sentiu segundas intenções em suas palavras. O que realmente a deixa contente, porque uma amizade com o moreno parece ser algo bom. Até porque ele precisa de uma amiga que não vá para a cama com ele.

O pensamento faz a rosada rir. A um mês atrás, se alguém lhe dissesse que gostaria de ser amiga do Uchiha diria a essa pessoa que se internasse em um manicômio pois isso seria impossível. E veja onde ela está agora.

Assim que o carro estaciona em frente a sua casa, ela paga o taxista e desce seguindo para a porta e não demora muito para ir para o quarto para descansar, afinal, amanhã é o grande dia.



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