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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 94


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Capítulo 94 - Capítulo 59 - SASORI - Adeus I


Os pés da rosada a aproximam da parede onde se apoia e leva a mão livre ao rosto em uma tentativa inútil de impedir as lágrimas, em uma tentativa de interromper seu choro, mas ela não consegue, nem se esforçando muito. É por isso que as lágrimas caem e com elas, devagar, Sakura se deixa cair sobre os próprios joelhos no chão frio enquanto sente a dor crescer em seu peito.

O som de seu choro abafado com a mão é o único ouvido no cômodo, ela envolve a própria cintura com um dos braços enquanto as lágrimas caem cada vez mais intensas, enquanto a dor se torna cada vez mais forte.

Sakura nunca pensou que uma escolha pudesse ser tão difícil, nunca pensou que escolheria ficar longe da única pessoa a quem amou, mas as palavras dele fizeram a decisão ser sua única alternativa.

Mesmo que deseje com toda sua alma pelo contrário, a rosada sabe que o Akasuna nunca confiaria nela, não totalmente, é assim que ele é. Então não há como negar, se isso continuasse ela apenas sofreria mais, seria infeliz e cobriria esses momentos com alguns outros de felicidade. Sim, haveriam momentos felizes, muitos deles, porque ele é o único capaz de fazê-la tão feliz que nenhuma outra felicidade parece suficiente, mas também é o único que pode feri-la dessa forma, o único que pode deixar essa cicatriz.

Essa dor, esse sentimento, essas lágrimas, tudo isso vai passar, ela sabe que vai. Mas ainda assim por que dói tanto?

As lágrimas ainda rolam por seu rosto quando ouve a porta ser aberta e em poucos segundos sente a mão de Tatsuo as suas costas enquanto o rapaz se ajoelha ao seu lado. Os olhos brilhantes pelas lágrimas se voltam ao amigo que sofre ao vê-la dessa forma, com o aperto no coração ele a puxa para perto apertando-a contra seu peito consolando-a com um abraço.

Tatsuo não diz nada. Ele sabe que palavras não irão ajudá-la agora, ela apenas precisa de um amigo, de um abraço, desse abraço. E, aninhada no peito dele, Sakura se deixa chorar.

O cansaço faz a rosada cair no sono e ao perceber isso o rapaz a ergue do chão pegando-a no colo e levando-a para o quarto onde a cobre com o cobertor e a observa vendo seus cílios ainda molhados pelas lágrimas. O polegar do rapaz as extingue do rosto tranquilo e ele se sente melhor ao vê-la com essa expressão calma no rosto.

Durante toda sua juventude, desde que conhece Sakura ele nunca a viu com lágrimas nos olhos da forma como minutos atrás, ou mesmo horas atrás quando a preocupação e angústia eram as únicas coisas que poderiam ser vistas em seu belo rosto. Ele não gosta de vê-la assim e se pudesse a impediria de sofrer, mas isso não está nas mãos dele, o único capaz de tirar essa dor de Sakura é Sasori, mas está claro que o ruivo não é capaz de fazer isso agora. Talvez algum dia, mas não agora. E por causa do artista, sua melhor amiga sofre.

Um longo suspiro escapa do Mitsashi e depositando um beijo nos fios rosados ele deixa o quarto. Depois de trancar toda a casa, o rapaz segue para o quarto de hóspedes, ela pode precisar dele afinal.

 

A luz do dia que passa pelas frestras da cortina alcançam os olhos fechados da rosada e a incomodam. Sakura sente dor de cabeça, seu peito está apertado com um vazio que nunca antes presenciou. Puxando as pernas para perto, Sakura se aninha entre os lençóis e cobertores e mais uma vez sente as lágrimas em seus olhos.

Sasori não seria capaz de amá-la sem comprometer sua liberdade, Sakura nunca aguentaria tê-lo tão longe e se manter em um relacionamento, então essa decisão é o melhor para os dois. Sakura conseguirá manter sua liberdade e ele realizará seu sonho, será reconhecido pelo mundo exatamente como deve ser. Então por que, mesmo tendo completo conhecimento sobre isso, mesmo aceitando esse fato, a dor é tão intensa?

Os toques na porta a fazem se sentar sobre o colchão secando as lágrimas, poucos segundos depois, a porta é aberta e um belo rapaz de fios acastanhados leva em mãos uma bela bandeja de café da manhã.

Os olhos castanhos de Tatsuo se focam na rosada e analisam seu estado, mas um belo sorriso surge em seu rosto enquanto se aproxima dela.

—        É a especialidade da casa, acho que precisa disso.

Sakura observa a bandeja repleta de coisas e gostaria de abrir um sorriso agradecido ao amigo, mas simplesmente não consegue. Tatsuo nota o brilho no olhar da Haruno e percebe que ela estava chorando. Sentando-se sobre o colchão ele ajeita a bandeja no colo da rosada.

—        Bom dia. - ele diz.

—        Bom dia.

O sussurro fraco escapa dela que observa seu café da manhã. Ela se sente grata ao rapaz por estar ao seu lado, por tentar animá-la e por não lhe dar um sermão sobre como devia se levantar e superar o ruivo. Ela não poderia lidar com um discurso assim, mas Tatsuo já passou por tantas decepções que deve saber bem o que não deve ser dito.

—        Pretende ir trabalhar hoje?

Sakura ergue o olhar para observá-lo por alguns segundos, mas logo volta a focar nas frutas da tigela.

—        Sim, preciso resolver algumas coisas.

—        Talvez distrair a mente ajude, mas se preferir ficar em casa posso ficar com você, sou uma ótima companhia, prometo.

Finalmente um pequeno sorriso é ilustrado no rosto entristecido e isso faz o sorriso do rapaz aumentar um pouco.

—        Vou pensar nisso.

—        Certo, agora quero que dê a nota para esse café da manhã de cheiro tão agradável, não pode deixar o bacon esfriar.

Uma risada escapa da rosada.

—        Eu não vou.

O café da manhã foi delicioso exatamente como Sakura sabia que seria e, mesmo que discretamente o rapaz quisesse convencê-la a se dar um tempo, a rosada preferiu ir trabalhar. A última coisa que precisa agora é ficar em casa pensando nele. Ainda assim, mesmo que tivesse assuntos para resolver antes de suas tão desejadas férias, sua mente encontrou alguns minutos para lembrá-la da noite passada e fazê-la sofrer. É ótimo saber que esse é o início das férias que tanto sonhou.

Quando o fim do dia chega Sakura volta para casa. Ela driblou Karin e conseguiu evitar um almoço com as amigas, se começasse a falar não conseguiria evitar o choro e temia que, se as lágrimas se fizessem presentes, não conseguiria fazê-las pararem de cair.

Sua casa sempre lhe trouxe conforto, mas agora parece vazia, como seu peito. A rosada tira os sapatos fazendo com que o chão frio entre em contato com sua pele quente e, se afastando da porta que a leva a garagem, deixa a bolsa na mesa de centro, se sentando no sofá.

Seus olhos observam a área ao seu redor e ela vê algumas pequenas marionetes, as quais ganhou do ruivo, isso a faz desviar o olhar delas e unir as pernas abraçando-as. Com um aperto forte e a dor no peito ela finalmente se deixa chorar.

As lágrimas molham a pele clara e não demora para que se torne difícil respirar adequadamente, por isso a rosada ergue o rosto e tenta se dedicar a respirar apenas, sem pensar em nada. É claro que não funciona e as lágrimas continuam a marcar seu rosto.

O toque da campainha se faz ser ouvido e surpreende a Haruno que respira profundamente e seca as lágrimas o quanto consegue se erguendo em seguida. Seus passos lentos se sincronizam as suas respirações profundas enquanto ela tenta se recompor.

Outro toque é ouvido e pouco depois, assim que alcança a porta, ela a abre. Uma bela ruiva surge a sua frente e ao lado dela três belas mulheres que percebem imediatamente as olheiras e as marcas das lágrimas.

—        Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa.

Ainda surpresa a rosada ouve a Uzumaki e por isso baixa o rosto envergonhada. Ela não queria preocupar as amigas exatamente por isso não disse nada, mas sabe que se fosse com qualquer uma delas, gostaria de saber.

—        O que aquele maldito fez?

Ino diz visivelmente irritada, mas a única coisa que consegue da rosada são lágrimas e ao ver isso, as amigas se aproximam da Haruno dando um abraço nela. Sakura se deixa chorar no aconchego do abraço das amigas e quando se afasta, seca as lágrimas recebendo total atenção.

—        O que aconteceu? - Temari pergunta.

—        Nós terminamos.

O sussurro fraco escapa da rosada e a tristeza da voz dela entristece as meninas. Elas sabem sobre o término pois Tenten lhes disse sobre isso. A Mitsashi ligou para o irmão assim que Karin disse a ela que a rosada não estava bem, antes que as meninas resolvessem fazer uma visita em grupo. Ela sabia que Tatsuo estava na casa da rosada no dia anterior e se alguém sabia o que aconteceu, esse alguém era ele. Assim que completou a ligação, questionou o irmão e teve sua resposta, Sakura havia terminado o relacionamento. Tenten não se aprofundou no assunto, pois a bateria de seu celular estava com porcentagem baixa então avisou ao irmão que ela e as amigas fariam uma visita a Haruno e aqui estão elas.

—        Vamos entrar.

As meninas entram na casa ao ouvir a ruiva e logo todas se dirigem para o sofá sentando-se ao redor da Haruno. Karin coloca uma das mechas rosadas atrás da orelha de Sakura e mantém seu olhar sobre ela. A Uzumaki está preocupada, afinal nunca viu a amiga desse jeito.

—        O que aconteceu?

A Haruno se mantém calada por alguns segundos e antes de falar, respira fundo de olhos fechados. Quando sua voz é ouvida, não passa de um baixo murmúrio.

—        Recentemente Sasori recebeu uma grande oferta que se aceitar pode fazer com que seu nome seja mundialmente reconhecido. Ele me falou sobre uma proposta, mas nunca imaginei que essa oportunidade tivesse tamanha proporção. - Sakura para de falar e respira profundamente mais uma vez - Fiquei com medo de que ele fosse embora, fiquei com medo de perdê-lo, eu nunca me apaixonei antes então não sabia que poderia ser tão forte assim. - As lágrimas voltam a rolar pela pele clara. - Mas então nós conversamos, ele me disse que eu não precisava me preocupar porque não importava o que acontecesse sempre me escolheria, eu era o sonho dele.

Mais uma vez Sakura para de falar, relembrar as palavras do ruivo, a forma como o ruivo a olhava faz seu coração doer, faz suas lágrimas se multiplicarem e sua respiração se tornar mais difícil. As meninas não a apressam, elas sabem que a rosada precisa desse tempo para se recompor, porque parece haver mais por trás da história.

—        Eu meio que deixei essa proposta de lado, por insistência dele, mas ainda tinha a dúvida sobre o que faria se ele resolvesse ir. Meu maior desejo é vê-lo realizar o sonho dele e antes de saber que o amo não hesitaria em incentivá-lo a ir, mas se ele for sei que não temos a menor chance de ter um relacionamento. Vocês o conhecem, ele nunca conseguiria ficar longe sem que seus ciúmes aflorassem. Então para ele ir, eu deveria desistir dele.

Mais uma vez Sakura hesita e vendo-a hesitante, Tenten une sua mão a da amiga tentando dar a ela um pouco de conforto.

—        A dois dias fui visitá-lo no ateliê e ouvi uma conversa dele com a Pakura.

—        A ex implicante? - Ino pergunta.

—        Sim.

—        Ele te traiu? Se aquele maldito fez....

Ino é interrompida por Temari que dá uma cotovelada na loira.

—        Ele não me traiu Porca. - a voz da Haruno continua baixa. - Pakura estava inconformada por ele recusar a oportunidade, porque como disse era única, uma chance de exposição que futuramente o levaria a maior galeria do mundo. - Sakura respira fundo - Percebi no mesmo instante que eu o estava impedindo de realizar um sonho com o qual ele sonha desde sempre. O pai dele sonhava em expor lá, ele agarrou o sonho do pai e o fez seu, impedi-lo de conseguir realizá-lo era errado e egoísta. Eu estava confusa então saí pra pensar e acabei chegando ao parque aqui perto onde parei para pegar um pouco de ar. Minha cabeça estava uma loucura, eu sabia que devia deixá-lo seguir esse sonho, mas não queria perdê-lo.

Sakura hesita por mais um instante e as amigas apenas a observam atentas pois sabem que ela ainda não terminou de falar.

—        Eu estava perdida, sozinha e foi um alivio quando Itachi apareceu. Ele me ajudou a me distrair um pouco, me ouviu, me aconselhou, foi um bom amigo e percebeu que eu estava vulnerável, por isso me abraçou. Não foi realmente uma surpresa, somos amigos e ele foi bom pra mim, mas então Sasori chegou e viu o abraço.

Uma última vez antes de encerrar sua história, a rosada para de falar para respirar. Antes mesmo que termine de contar a elas o que aconteceu as meninas deduzem, afinal conhecem bem a personalidade do artista.

—        Sasori deu um soco em Itachi me confirmando que ele e eu nunca conseguiríamos ter um relacionamento a distancia. Então, com uma dor que nem posso descrever, terminei com ele.

As lágrimas rolam uma após a outra enquanto a rosada dá de ombros e deixa escapar sua voz embargada.

—        Ele veio me ver, mas viu Tatsuo e começamos a discutir outra vez. Sasori não consegue confiar em mim, ele é ciumento e possessivo e vocês sabem o quanto gosto da minha liberdade. Eu não conseguiria viver ao lado de alguém que me impede de ser eu mesma, que me afasta dos meus amigos, que me magoa com palavras, e eu também não podia tirar dele o único sonho que teve na vida, então não tive outra opção, não consegui encontrar outra opção. Eu sei que é o melhor pra ele, sei que é o melhor pra mim, mas dói tanto.

—        Oh Saku...

As meninas se aproximam e mais uma vez abraçam a rosada ouvindo seu choro em silêncio. Nenhuma palavra é necessária nesse momento, apenas o carinho e amor que esse abraço pode transmitir.

Quando o choro diminui, as meninas voltam a se afastar, mas Karin mantém seu braço ao redor do ombro da Haruno.

—        Você não pode mudar alguém, mesmo que queira muito. - a ruiva diz - Lembra do Kimimaru, ele é um idiota e eu não consegui mudá-lo.

Uma pequena risada entre as lágrimas escapa de Sakura e isso faz um sorriso surgir na Uzumaki.

—        Você é um passarinho livre Sakura, - Temari diz ganhando a atenção da rosada - ninguém conseguiria tirar sua liberdade e isso é o que você tem de melhor. Seus amigos são tão importantes para você quanto sua família e quem não entender isso não te merece.

—        Temari tem razão, - Tenten diz - você é brilhante e encantadora e ninguém pode tirar isso de você. Além disso, como a Karin disse, não pode mudar o Sasori e definitivamente não pode obrigar alguém a confiar. Ele não merece você.

—        Como ficou o rosto do Itachi? - Ino pergunta.

—        É serio que com tudo o que ela disse você tá preocupada com o rosto do Itachi? - Karin pergunta.

—        É claro, você já viu aquele rosto? Não dá pra imaginar aquela obra de arte maculada.

Sakura não consegue evitar a risada ao ouvir a loira, ganhando atenção e sorriso das amigas e, depois de respirar fundo, abre um pequeno sorriso.

—        Obrigada por estarem aqui.

—        Sempre que precisar rosada.

Temari sorri e é acompanhada por Karin.

—        Estaremos sempre ao seu lado.

—        Isso aí Testuda.

—        Sempre às ordens.

O sorriso de Sakura aumenta um pouco mais e, secando seu rosto, respira fundo decidida. Não vai ser fácil, mas com essas pessoas ao seu lado ela pode superar isso. É por isso que, nessa noite fria em que o vento bate forte nas janelas, Haruno Sakura aceita que agora o amor da sua vida irá seguir seu sonho e, um dia de cada vez, ela também seguirá sua vida. Assim, talvez um dia, consiga ficar feliz pelo primeiro homem a quem amou.



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