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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 96


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Capítulo 96 - Capítulo 60 - SASORI - O futuro


Houve noites em que o vento era tão frio
Que meu corpo congelava em minha cama
Só de ouvi-lo de fora da janela
Houve dias em que o sol era tão cruel
Que todas as lágrimas viraram pó
E eu sabia que meus olhos secariam para sempre

 

Konoha, quatro anos depois

A noite está clara por causa da brilhante lua no céu e das estrelas que a acompanham. Ela se encontra exatamente como naquela noite, como se todos os anos quisesse lembrar a bela flor de cerejeira o que aconteceu quatro anos atrás.

—        Senhorita.

Sakura é afastada das lembranças ao ouvir sua voz e se vira para observa-lo com um sorriso.

—        Então é aqui que estava, imaginei ter sentido um aroma doce de cerejeira.

O sorriso dela aumenta um pouco e o primogênito Uchiha também sorri pra ela.

—        Como foi? - ele pergunta.

—        Bom, eles querem me contratar então não posso dizer que ficaram radiantes quando recusei.

Ele pensa no assunto desviando o olhar dela.

—        Imagino. Sasuke disse a ele que você nunca sairia da Construtora Senju, mas meu pai é o mais teimoso de nós.

—        Não sei, - ela volta seu olhar a ele - acho que Sasuke também é bastante teimoso.

—        Verdade.

Os olhos jade se voltam à paisagem a sua frente, ela se encontra na ponte do Parque Otsutsuki, mesmo lugar onde anos atrás Itachi lhe mostrou como o pôr do sol pode ser belo. Tocado pela luz da lua, o rio parece dançar em suas correntes e o verde e arbóreo do parque deixa tudo ainda mais bonito.

—        Quer jantar, assistir algum filme, andar pelo parque…

Ao ouvi-lo descrever algumas opções, ela sorri para o rapaz e balança a cabeça em negativa.

—        Obrigada, mas acho que vou para casa.

Ele afirma em um aceno compreendendo que ela quer ficar sozinha.

—        Está de carro?

—        Sim, posso voltar sozinha.

—        Bom, então até.

—        Tchau.

Ela lança mais um sorriso para o moreno e se afasta da ponte onde estava.

Itachi a observa se afastar e mais uma vez seu peito dói. Ficar perto dela não ajuda em nada, talvez estar perto se ela tivesse ficado com Sasori o ajudasse a supera-la. Mas Sakura está solteira e mesmo que sempre esteja ao seu lado, ainda assim não conseguiu conquista-la. Aparentemente, apenas um homem tem lugar no seu coração e infelizmente, esse homem não é ele.

 

Os olhos esverdeados passam pelos casais e famílias que passeiam pelo parque.

Foram anos difíceis. Sakura ama o trabalho e os amigos, é feliz em boa parte de seu tempo, mas ainda assim sente que algo lhe falta e mesmo que anos tenham se passado, isso não mudou. Ela tentou não deixar esse sentimento transparecer aos amigos, mas eles sabem, é claro que sabem, a conhecem bem o suficiente para perceberem que ela não superou certo ruivo.

Sakura tem ciência de que os amigos sabem, mas não se queixa a eles apenas sofre em silêncio, nas noites frias em seu quarto ou nas manhãs em que suas lágrimas surgem depois de algum sonho.

Ver tantas famílias a faz pensar que talvez ela tivesse uma família se as coisas houvessem sido diferentes.

Não! Ela balança a cabeça afastando o pensamento melancólico. Nada de pensar no que poderia ter acontecido. Já foi, não há como voltar atrás.

Em um suspiro ela apressa o passo chegando ao carro.

 

O caminho se faz mais curto do que esperava pois sua cabeça está longe do carro, ela sequer acredita que conseguiu chegar em casa. Depois de estacionar, a rosada entra em casa e se joga no sofá exausta pelo dia que teve.

Essa provavelmente foi a quarta ou quinta vez que o próprio Fugaku Uchiha a convida para um jantar para tentar contrata-la. Ele e a esposa são muito gratos pelos conselhos que a rosada deu ao filho já que isso fez com que eles se reconciliassem oito anos depois.

O patriarca da família parece realmente interessado nela já que conhece bem seus projetos. Parte disso é culpa de Sasuke já que, depois de trabalhar com a construtora Senju, ele começou a mudar a forma como a empresa Uchiha trabalha. Não melhorou completamente mas agora as pessoas são mais solidárias, o problema é que Sasuke disse que se ela estivesse na empresa certamente conseguiria melhorar o ambiente de trabalho e o lucro. Por isso o pai dele está louco atrás da arquiteta para que trabalhe com eles.

Mais um suspiro lhe escapa ao ser envolta por pensamentos.

Nem sou tão boa assim. Tudo o que aprendi foi por causa da Construtora Senju, não há possibilidade de abandona-la.

O toque do celular a desperta de seus devaneios e ao pegá-lo abre um belo sorriso ao ver um nome conhecido.

—        Oi Romeu.

A risada de Tatsuo pode ser ouvida do outro lado da linha.

*Oi querido primo Benvolio.*

Ela ri ao ouvir o amigo.

—        Esse papel tem que ser dividido com a Ino, foi ela quem sugeriu te levar ao evento que o fez encontrar sua Julieta.

Ele ri.

*Os pais dela certamente não se agradaram com nosso contato.*

—        Mas tudo terminou bem.

*Graças a você, obrigado por falar com eles melhorando a impressão que tiveram de mim.*

Sakura sorri, Tatsuo teve problemas com os pais de Rika pelo status social, felizmente a Haruno conseguiu convencê-los que o amigo era uma boa pessoa. Sua madrinha a ajudou com isso.

—        Se puder ajudar eu vou.

*Gostaria de fazer o mesmo.*

A rosada se cala e perde o sorriso ao se lembrar de um antigo ruivo que a ensinou a amar.

*Não posso dizer que sou o melhor cupido, mas espero que dê tudo certo.*

Ela se surpreende.

—        O que quer dizer?

*Preciso desligar, nos falamos depois.*

—        Tatsuo espera.

Não há resposta, o rapaz desligou. Sakura observa o aparelho em sua mão sem entender ao que o amigo se referia, mas apenas suspira deixando o celular de lado e seguindo para o banho.

Com a água a cair pelo rosto a rosada tenta pensar apenas no trabalho, mas o dia de hoje não a deixa se esquecer do ruivo tão facilmente. Por isso apenas desiste de tentar distrair seus pensamentos com o trabalho e termina o banho.

Depois de se secar e se vestir a rosada segue para a cozinha para procurar algo para comer. Observando a geladeira, ela percebe que não tem muita fome então apenas pega um pouco de sorvete e segue para a sala.

Sentada e procurando por algo na televisão, os pensamentos da rosada se voltam para aquela noite. A última noite em que o viu, a noite em que desistiu dele.

Sakura balança a cabeça negativamente, ela tem que parar de pensar nisso, já se passaram quatro anos caramba!!

Um suspiro escapa da rosada ao lembrar que Tatsuo passou pela mesma situação. Quantos anos ele levou pra supera-la mesmo?  A pergunta se forma, mas antes que sequer possa pensar em uma resposta, ouve o toque da campainha.

Por um instante a rosada acredita que tenha ouvido mal, mas o toque se repete e por isso ela coloca seu sorvete na mesa de centro e se ergue indo atender a porta.

Assim que a fresta é criada Sakura sente seu coração falhar algumas batidas e seus olhos se arregalam ao ver um belo ruivo a sua frente.

—        Você continua tão linda como sempre.

Sakura ainda não consegue recuperar a fala e apenas o observa por algum tempo parada em sua porta com o corpo completamente paralisado.

Sasori também permanece em silêncio apenas com o olhar castanho‑avermelhado sobre ela. Ele sequer poderia descrever o que esses anos longe dela foram, mas um verdadeiro tormento poderia ser uma forma de descrevê-lo.

—        Posso entrar?

Ele diz depois de algum tempo despertando-a de seu choque. A rosada pisca os olhos e inspira profundamente antes de falar.

—        Sim.

Ela se afasta dando passagem a ele que não demora a entrar.

Os olhos do ruivo passeiam pela casa recordando os bons momentos em que esteve ali e seus olhos param sobre uma pequena escultura que se encontra acima de um móbile.

Sasori se aproxima da escultura e a pega observando-a.

—        Pensei que se livraria disso.

—        É uma obra de arte, eu não poderia me livrar tão fácil.

Deixando a pequena escultura no lugar ele vira seu corpo na direção em que ela está.

—        A casa está como me lembro.

—        Nunca gostei de mudar as coisas de lugar, parece meio paranoico.

Ele sorri.

—        Ino faz isso.

Uma pequena risada escapa da rosada sem que ela consiga evitar.

—        Exatamente.

Ouvi-la rir faz o sorriso do ruivo aumentar um pouco mais. Ele sentia falta desse som, das pequenas rugas que se formam perto de seus olhos quando sorri, do brilho das belas jades, dos seus lábios rosados, do gosto do seu beijo, sentiu falta de tudo nela e vê-la a sua frente depois de tanto tempo quase o faz se sentir como anos atrás.

—        Então, - ela desvia o olhar - quando voltou?

O ruivo hesita, mas decide não mentir sobre isso, afinal não é tão difícil descobrir a verdade.

—        A quase um mês.

Ela se surpreende, mas logo abre um pequeno sorriso sem expressar qualquer felicidade ao dá-lo.

—        Entendo, prioridades primeiro.

O tom frio da rosada faz com que o ruivo fique sem uma resposta para dar a ela.

—        Precisa de mim para alguma coisa?

—        Não. Não exatamente. - ele se cala por alguns segundos - Faz quatro anos desde que deixei Konoha, isso é muito tempo.

—        Sei que não veio aqui por saudades.

O murmúrio da rosada mantém o ruivo em silêncio por mais algum tempo, mas logo um longo suspiro precede sua resposta.

—        Levei um mês para vir te ver e vim apenas porque um de seus amigos me convenceu.

Sakura se surpreende ao ouvi-lo e se lembra da ligação de poucos minutos atrás.

—        Tatsuo te mandou para cá.

A rosada percebe a razão pela qual o ruivo se encontra em sua sala nesse instante e sinceramente sente raiva do amigo por fazê-lo ir até ali. Sakura já passou por muita coisa para se humilhar a esse ponto.

—        Não sei o que ele disse, mas não acho que precise se preocupar estou muito bem, já sou maior de idade e sei arcar com as consequências dos meus atos, você foi embora e eu fiquei. O estado em que eu fiquei… - ela hesita - Eu sou forte Sasori, você sabe bem disso. Já se passou muito tempo, tudo ficou para trás.

 

Eu parei de chorar no instante em que você partiu
E não consigo me lembrar onde, quando ou como
E bani cada memória que você e eu já fizemos

 

—        Eu, sinceramente, espero que você também esteja bem, - ela continua - que tudo tenha dado certo e que esses anos tenham sido bons pra você como foram para mim. Mas eu preciso trabalhar amanhã e estou cansada então se pudesse…

—        Eu não vou embora, - ela se cala - não antes de dizer tudo o que vim dizer.

Sakura percebe nos olhos castanho-avermelhados uma determinação que nunca antes presenciou, Sasori sempre correu atrás do que queria com bastante determinação, mas não a esse ponto.

—        Cheguei em Konoha a um mês e a primeira coisa que quis fazer foi vir vê-la. - ele começa - Mas se passaram quatro longos anos, você deixou claro que não daríamos certo juntos então imaginei que depois de tanto tempo você já teria alguém, talvez Itachi ou Tatsuo.

Sakura solta um suspiro.

—        Mais uma vez voltamos a esse assunto.

—        De todas as pessoas com as quais você se relaciona eles eram a opção mais óbvia. - ele desabafa - E, mesmo que me recusasse a ver isso da última vez, eles sempre foram bons amigos e você sempre os considerou assim.

Mais um longo suspiro corre pela sala enquanto os olhos do ruivo são fechados, mas ele logo volta a abri-los e foca-los na bela mulher a sua frente.

—        Como eu disse, foi a primeira coisa que pensei e para não atrapalhar sua felicidade decidi me manter longe.

Ouvi-lo surpreende Sakura, esse não é o Sasori ao qual conheceu a tantos anos, o Sasori possessivo e ciumento que odiava vê-la perto de outro cara. Aquele Sasori nunca hesitaria em buscá-la e tentar retomar o que tinham.

—        Tive sucesso com minhas marionetes, elas vendem muito bem. - ele diz - Sou grato por ter ido e por tudo o que consegui com essa viagem, nunca seria capaz de agradecer suficiente por tudo o que ela me proporcionou.

—        Fico feliz por você.

Um murmúrio baixo escapa da rosada, pois ela sabe que mesmo que esteja contente por tudo o que o ruivo conquistou não consegue sentir felicidade verdadeira, e não a sente desde que foi procurá-lo naquele maldito ateliê.

—        Eu sei, você sempre foi assim. - o ruivo diz - Sempre disposta a ajudar os outros, independente de como. Você se importa com seus amigos, com aqueles que ama e tenta ao máximo ver sua felicidade, tenta ajudá-los da melhor forma que consegue. Ainda que isso te faça sofrer, mesmo que você se machuque no processo.

Sakura se surpreende ainda mais ao ouvi-lo. Antes mesmo que ele continue ela sabe ao que o ruivo se refere, e sabe que sua escolha não é mais um segredo.

—        Durante esses quatro anos tive a sensação de que deveria agradecer a alguém por tudo aquilo e recentemente descobri que a responsável por me permitir ter tudo o que sempre sonhei foi você.

—        Era sua arte, - ela diz limpando a garganta que já se encontra seca - não fiz nada, você fez. O crédito é todo seu.

—        Não precisa mais mentir, seu amigo me contou que você me disse tudo aquilo para que eu desistisse de você e investisse na minha arte.

Sim, ela disse tudo aquilo para que ele desistisse dela e vivesse seu sonho, mas infelizmente suas palavras foram verdadeiras. Sakura sabe que, mesmo que esse motivo não existisse, eles terminariam brigando por causa da personalidade do Akasuna, ela não conseguiria sobreviver a um relacionamento como aquele.

—        Agora sei que aquelas palavras eram um grande empurrão para que eu seguisse um sonho antigo. - o rapaz a interrompe de seus pensamentos - Mas também sei que nada do que você disse era mentira, acho que foi isso o que deixou tão convincente.

—        É-é sério Sasori, não precisa agradecer, eu não fiz...

—        Pensei em você em cada dia desses quatro anos.

Sasori a interrompe fazendo o coração da rosada falhar algumas batidas. Ele a observa com tanta atenção e seriedade que isso apenas faz sua respiração ficar mais pesada.

—        Pensava principalmente quando queria mostrar minha arte, ou contar sobre uma escultura vendida, das vezes que apareci em revistas de arte, mas eu não podia, porque você não queria mais saber de mim.

Ele se cala por um instante e observando-o a rosada também não diz uma palavra.

—        Quando encontrei seu amigo ele me contou que você estava muito confusa quando terminamos e a razão disso foi aquela proposta. Você sabia que eu não desistiria de você a menos que realmente não quisesse nada mais comigo. Talvez ainda assim eu insistisse.

O ruivo solta uma risada fraca ao se lembrar de quão temperamental era naquela época, mas logo solta outro suspiro.

—        Não vim antes porque tive medo que estivesse feliz com outro e eu não seria capaz de ver isso. Mas você não está com ninguém, não sei se é por minha causa, talvez seja prepotência pensar assim, só que pensar isso me dá esperança. Esperança de que talvez você não esteja perdida para mim.

—        Sasori eu…

—        Você terminou comigo pelo meu sonho, pela minha arte. - ele a interrompe - Mas minha personalidade e arrogância também tiveram um enorme peso. Os ciúmes, a possessividade, tudo isso apenas te sufocava e te torturava. Sinto muito por isso.

Sakura sente seu peito cada vez mais apertado a medida que as palavras são ditas. Ela já tem sérias dificuldades para não pensar no ruivo e agora ele aparece e diz tudo isso? Ele está certo, Sakura queria que ele conseguisse realizar seu sonho, que mostrasse sua arte ao mundo e adoraria estar perto dele de novo. Mas, mesmo desejando muito, ainda que o ame, ela não é capaz de viver com aquele Sasori outra vez, não pode ser privada de suas amizades e sua liberdade de novo.

—        Eu ainda amo você Sakura, ainda te amo com todas as minhas forças.

O coração da rosada falha mais algumas batidas e ela não se lembra como respirar, principalmente quando o passo do ruivo o aproxima dela.

—        Todos os dias, durante quatro longos anos, eu acordei com um suspiro ao me lembrar o quão idiota havia sido e me deitava sentindo que meu dia não havia sido completo porque não vi seu sorriso, porque não ouvi sua voz.

Sasori se aproxima mais um pouco mas a Haruno não consegue se afastar, seus olhos estão fixos nos dele, ele não parece estar mentindo.

—        Eu me arrependo de cada palavra estúpida que disse, me arrependo de te machucar, me arrependo das lágrimas que causei.

O corpo da rosada se encontra paralisado, ela não é capaz de se mover mesmo que o veja cada vez mais próximo.

—        Fui um fraco por não voltar antes, um completo covarde e me sinto envergonhado por outra pessoa ter aberto meus olhos.

Erguendo a mão o Akasuna toca o rosto da rosada e os arrepios correm pelo corpo carente. O calor da palma de sua mão parece tão reconfortante. Isso parece tão certo.

—        Eu te amo Sakura e dessa vez não vou desistir de você.

 

Mas quando você me toca assim
E quando me abraça desse jeito
Apenas tenho que admitir que tudo está voltando para mim
Quando te toco assim e eu te abraço desse jeito
É tão difícil acreditar, mas tudo está voltando para mim

 

Sakura pode negar o quanto queira, mas esse simples toque aquece seu peito de uma forma como em quatro anos, nenhum outro toque foi capaz. Suas memórias a lembram de tempos antigos, de anos atrás. O toque dele sempre a confortou dessa forma.

As lembranças voltam em um emaranhado confuso, mas seu coração, agora acelerado, nunca esteve tão certo de alguma coisa. Sakura sentiu saudade desse toque, desses olhos a admirarem-lhe o rosto, de sentir sua pele contra a dele.

Sim, ela sabe que houveram brigas, ciúmes e falta de confiança. Mas também existiram instantes únicos e maravilhosos que apenas ele e mais ninguém foi capaz de mostrar a ela.

 

Houveram momentos de ouro
e houveram clarões de luzes.
Houveram coisas que nunca faríamos de novo
mas elas sempre pareceram certas.
Houveram noites de prazer eterno,
mais do qualquer lei permite

 

Cada milímetro mais próximo, o ruivo mantém seu olhar sobre o dela, a palma de sua mão a toca com delicadeza enquanto seu polegar desliza pela pele suave. O coração acelerado da rosada ressoa em seus ouvidos e a falha em sua respiração pede a ela que feche os olhos tentando recuperar a normalidade da frequência.

Apesar disso, sentir esse toque com os olhos fechados apenas dificulta mais sua concentração, principalmente quando o ruivo toca seus narizes. Os arrepios correm o corpo da rosada ao sentir o toque, seu coração parece querer pular para fora do peito e seus lábios se abrem um pouco. Ela deseja tanto beija-lo, deseja tanto sentir esses lábios contra os seus outra vez, sentir o gosto dessa boca uma vez mais.

Sasori também anseia por ela. Esse aroma delicioso ainda é único e embriagante. O ruivo se lembrava que o cheiro dela sempre foi delicioso e viciante, mas não se lembrava que fosse tanto. Esse aroma convidativo, o anseio por sentir o gosto dos lábios rosados é o que o impede de continuar a hesitar e finalmente, depois de longos quatro anos, beija-los outra vez.

Sem que tenha qualquer controle, as mãos da rosada se encaminham a nuca do ruivo envolvendo seus dedos nos fios vermelhos. A força magnética parece querer mantê-los juntos e por isso ela se deixa ser atraída, se deixa ceder a esses lábios tão saborosos.

Ela sentia falta desse gosto, das mãos dele que, como agora, acariciaram seu corpo, de sua língua que ainda sabe travar um duelo. Os dedos do ruivo tocam pontos das costas da Haruno que ela sequer se lembrava que lhe trazia sensações tão agradáveis. Seus pontos erógenos não são provocados a muito tempo, mas ao simples toque dele, seu corpo reage como se nunca tivesse se afastado dessas mãos.

Os beijos se repetem ansiosos, incansáveis, famintos, entre suspiros ofegantes, repletos de desejo e saudade. Ambos sentem nesse instante que tudo pelo que passaram os trouxe a esse momento. Sakura sabe que até ouvi-lo, até toca-lo, até que seus lábios sentissem o gosto dos dele tudo estava esquecido, apagado, tudo havia sido trancado, tudo estava oculto, ela se certificou disso. Mas agora que seu corpo provou o toque do artista, não consegue resistir a isso, não consegue resistir a ele.

 

Se eu o beijo assim e se você suspira desse jeito
Foi perdido muito tempo atrás, mas tudo está voltando pra mim
Se você me quer assim e se precisa de mim desse jeito
Isso já estava morto, mas está tudo voltando para mim
É tão difícil resistir e está tudo voltando pra mim
Mal posso me lembrar, mas tudo está voltando pra mim agora.

 

Sakura não se lembrava que um beijo poderia ser tão bom, que alguns toques poderiam a deixar tão entregue. Mas percebe que não pode se esquecer disso, não enquanto Sasori estiver aqui.

Com o peito pesado a rosada se lembra das palavras duras que o ruivo disse a ela em momentos de ciúmes. Se lembra da forma como ele não consegue controlar sua raiva, de como ofende a ela e seus amigos. Ela não pode ceder por causa de um amor que machuque tanto a ela quanto aos seus amigos, não pode ficar com alguém tão tóxico.

Esses pensamentos são o que fazem a rosada se soltar dos braços cálidos do ruivo e dar um passo atrás. Sasori a solta, mas sente que deixá-la escapar de seus braços é o mesmo que perder o oxigênio.

—        Quando escolhi ficar com você, não pensei que seria tão difícil. - sua voz sai embargada - Escolhi ficar ao lado do homem que amava, o meu melhor amigo, que estaria comigo em todos os momentos. Mas sempre que um cara surgia entre nós, eu perdia esse amigo, perdia meu companheiro, meu parceiro e existia apenas um namorado alterado, cheio de ciúmes.

Relembrar os momentos de fúria do ruivo a faz se lembrar das palavras que tanto a machucaram e isso faz seus olhos marejarem.

—        Aquele era um relacionamento tóxico, venenoso, e eu não quero passar nada parecido com aquilo outra vez.

O peito do ruivo dói ao ouvi-la, ele sabe que suas palavras nunca eram medidas e que sua fúria não podia ser controlada. Exatamente como percebeu a quatro anos, consegue ver agora o quanto sua falta de controle a feriu. O tom embargado e as jades brilhantes deixam isso bem claro a ele.

—        Você não é mais quem eu quero pro meu futuro, - ela sente as lágrimas escorrerem por sua pele - isso ficou no passado e eu me reconstruí, me fiz mais forte e mais determinada, ninguém vai tirar meus amigos e minha liberdade de mim, nem mesmo você.

 

Mas você se tornou história quando saiu pela porta
E de alguma forma me fiz tão forte
E nunca desperdicei mais meu tempo desde então

 

O ruivo a observa em silêncio, hesitante. Mas ver a dor nos olhos jade o faz perceber que silêncio não irá ajudar a ninguém nesse momento, por isso toma a palavra.

—        Eu sei o quão dolorosas foram minhas palavras, sei o quão machucada você ficou. Eu nunca fui de me controlar, era possessivo, estourado, ciumento, e sei o quanto você presa seus amigos, sua liberdade. - um suspiro escapa do rapaz - Esses últimos anos me fizeram aprender que não posso limitar ninguém, que não tenho esse direito, que eu devia ter confiado em você. Sei disso tudo e me arrependo pelo tanto que te machuquei, por toda e cada uma das idiotices que fiz. Me arrependo porque todas essas coisas apenas me fizeram perder você. É por isso que estou aqui, para tentar consertar, para tentar fazer certo.

Os olhos esverdeados brilhantes pelas lágrimas o observam. As palavras dele a surpreenderam, ela não esperava que o orgulhoso Akasuna Sasori assumisse sua culpa pelo fim do relacionamento dos dois da forma como o fez.

—        Me perdoe Sakura, - ele continua - eu fui um estúpido, um idiota, mas eu amo você, eu quero fazer certo dessa vez.

Com o olhar atento sobre ele Sakura não tem duvidas, ela sabe que Sasori está sendo sincero, sabe que nada do que ele disse foi em vão. Ele está agora a sua frente porque se arrepende do que fez, porque se arrepende de seu término. Mas se arrepender e pedir perdão, não é o mesmo que mudar. Sakura conhece Sasori a tantos anos que sinceramente, não sabe se é possível que o Akasuna seja capaz de tal mudança.

—        Eu sei que minha personalidade te deixa em duvida.

Sasori se aproxima dela mais uma vez e a rosada permanece no mesmo lugar com o olhar ainda atento sobre ele.

—        Sei que não é fácil pensar que eu poderia ser diferente, meu gênio é explosivo e teimoso, mas a falta que você me fez nesses anos me fizeram perceber que meu maior erro não foi ter gritado, brigado, me enfurecido, o que nos afastou foi eu não ter confiado em você. Por isso eu te peço perdão.

Mais uma vez a mão do ruivo toca o rosto delicado e aproxima seu rosto do dela. O Akasuna inspira profundamente apreciando o aroma que dança sobre suas narinas.

—        Eu senti tanto sua falta.

O sussurro do rapaz faz mais arrepios correrem o corpo da rosada e, de olhos fechados, ela sente o cálido hálito acariciar-lhe a pele. Ela também sentiu falta dele, sente falta de suas carícias, de seus beijos, de seu toque.

Os lábios do ruivo tocam os delicados lábios rosados, apenas um toque que é capaz de fazê-la sentir-se derreter. Ela não sabe como ele ainda é capaz de deixá-la tão entregue, como ele ainda é capaz de fazê-la perder a racionalidade, mas não consegue impedir que isso aconteça e sem que consiga controlar suas próprias ações a Haruno entreabre os lábios e se entrega a mais um agradável e sedutor beijo.

Seus gostos assim como suas línguas se misturam e o beijo se aprofunda um pouco mais sendo seguido de outro e outro.  As mãos dela tocam o peito do Akasuna enquanto as dele lhe tocam o rosto, e Sakura sente seu peito explodir como fogos de artifício. Sua respiração se entrelaça a dele e os beijos se repetem de novo e de novo, até que o oxigênio seja extremamente necessário e apenas por isso eles se afastam.

A bela rosada inspira profundamente sentindo um agradável perfume que se mistura ao cheiro dele, um cheiro único que sempre lhe foi atrativo e viciante, exatamente como cada detalhe dele, seu beijo, seu toque, sua voz. Akasuna Sasori é um vicio ao qual Haruno Sakura é total e completamente dependente.

 

Mas se o toco assim, e se você me beija desse jeito
Isso foi há tempos atrás, mas tudo está voltando pra mim
Se você me toca assim, se eu o beijo desse jeito
Isso se foi com o vento, mas tudo está voltando pra mim

 

Sakura quer negar pois sabe que não existe a mínima possibilidade de conseguir conviver com aquele homem possessivo e ciumento, aquele homem que a machuca com palavras e a faz chorar como nenhum outro é capaz. Ela quer negar, mas não pode, mesmo tendo ciência de que aquele homem é um pomo proibido que apenas lhe causará dor seu coração ainda acelera com sua aproximação, seu corpo ainda se arrepia ao seu toque, sua mente ainda lembra do seu beijo.

—        Eu não posso.

O sussurro fraco escapa dela, é provavelmente a coisa mais difícil que Sakura já disse em toda a sua vida, e muito provavelmente porque não é para o Akasuna que diz e sim para si mesma. Antes de afasta-lo ela precisa se convencer de que não pode ter aquele tipo de relacionamento de novo.

—        Você é um ponto fraco que eu não posso ceder.

O polegar do ruivo desliza pela pele clara acariciando o rosto da Haruno enquanto os olhos castanho-avermelhados se focam nas belas jades.

—        Eu sei o quanto te machuquei, - ele diz em um murmúrio baixo - sei que minhas palavras, minhas atitudes, a forma como agi te feriram, te decepcionaram. Mas eu te amo, amava antes e continuo amando mesmo agora. Entendo agora que minha forma de agir me fez perder você, por isso tentei melhorar, por isso tentei mudar. Da mesma forma que você não seria capaz de viver um relacionamento como aquele, eu também não quero ser daquele jeito outra vez.

Seus olhos continuam bem focados sobre ela que tem o olhar marejado e surpreso focado sobre ele.

—        Eu mudei Sakura, eu evolui. Esse tempo longe de você me fez ser assim, suas palavras, suas lágrimas me fizeram assim.

As mãos de Sasori seguram o rosto da Haruno, seus olhos fixos sob os dela demonstram a seriedade e o peso que suas palavras têm. A sinceridade nesse olhar está visível, Sakura nunca esteve tão certa de algo como está nesse momento sobre a veracidade de suas palavras.

Seu peito está apertado, ela se sente sufocada. Sakura o ama, ela ainda o ama com todas as suas forças, com a mesma intensidade com a qual o amava a anos atrás, talvez ainda mais. Mas será que pode perdoa-lo?

Sasori aproxima seus rostos mais uma vez e envolve a cintura da rosada com uma das mãos, entrelaçando seus dedos da mão livre nos fios róseos, fazendo-a fechar seus olhos.

—        Eu preciso de você Sakura, - ele sussurra - como quem precisa de oxigênio, como cientistas precisam de respostas, como um coração precisa de sangue bombeando-o, como um artista precisa de inspiração.

Puxando-a para perto, o Akasuna a aproxima ainda mais e, de olhos fechados sussurra para a Haruno.

—        Por favor, - ele sussurra - me dê apenas uma chance para que eu possa provar que o homem possessivo não existe mais e que meu ciúme está sobre controle. Eu amo você Sakura e só preciso de uma chance para te provar que eu posso te fazer feliz.

 

Quando você me toca assim e quando me abraça desse jeito
Isso se foi com o vento, mas tudo está voltando pra mim
Quando você me vê assim e quando eu te vejo desse jeito
Então vemos o que queremos ver: que tudo está voltando para mim
A carne e suas fantasias, tudo está voltando para mim
Mal posso me lembrar, mas tudo está voltando para mim agora.

 

O coração dela falha, ela está sob a decisão da sua vida, como esteve a anos atrás. A quatro anos ela escolheu desistir dele, escolheu deixá-lo seguir seu caminho pois era o melhor para ele, era o melhor para os dois. Mas Sakura sabe que depois que o artista deixou Konoha ela nunca mais foi feliz como foi ao seu lado.

Então aqui está ela mais uma vez diante de uma encruzilhada. Pode ignorar esse pedido, mantendo sua liberdade sem se intoxicar ou sofrer por ele e voltar a sua vida que talvez nunca mais seja completa novamente. Ou pode arriscar, pode confiar nele mais uma vez, perdoa-lo e com isso talvez recupere a felicidade que um dia já sentiu.

Os olhos esverdeados se abrem e se afastando poucos milímetros ela o observa ganhando um olhar atento sobre si. Sakura odeia ter que tomar uma decisão dessas outra vez, ela sofreu tanto com a primeira decisão, sofreu tanto com o fato de deixá-lo ir. Mas ainda está com medo, ela tem medo de ceder a esse amor, de perdoa-lo e sofrer mais uma vez.

 —       Eu aprendi minha lição, - ele sussurra afastando-a de seu dilema - por favor, me dê mais uma chance.

Os olhos castanho-avermelhados nunca foram tão sinceros ao ver de Sakura. Ela conhece Sasori a anos, sabe que mudar algo de uma personalidade como a dele não é fácil, mas sabe também que esse olhar é um olhar sincero e nesse instante esses olhos profundos apagam qualquer vestígio do medo. Ela confia nele, ela o perdoa.

—        Eu te perdoo.

O sorriso do ruivo cresce e vê-lo faz um pequeno sorriso surgir nos lábios finos. Mas antes de se deixar envolver pela felicidade ao tê-lo ao seu lado ela quer deixar algo claro ao Akasuna, por isso uma expressão séria volta ao seu rosto.

—        Eu te perdoo. - ela repete - Mas se aquilo se repetir…

—        Não vai. - ele a interrompe antes que ela complete a frase e abre um pequeno sorriso. - Eu prometo que não vai se arrepender.

Mais uma vez a sinceridade no tom de voz e no olhar dele garantem a Sakura que ele pretende cumprir a promessa e por isso deixa o sorriso voltar ao seu rosto. Suas mãos tocam o rosto dele e suas belas íris jade se focam no olhar castanho-avermelhado.

—        Eu amo você Sasori.

O sussurro fraco faz a respiração do artista parar por um momento enquanto ele tenta se convencer de que isso é real, de que ele finalmente tem a mulher que ama em seus braços. Então quando o ar escapa de seus pulmões um sussurro o acompanha.

—        Eu também te amo Sakura e não vou te decepcionar.

 

Se você me perdoar por tudo isso
Se eu te perdoar por tudo aquilo
Vamos nos perdoar e esquecer
E tudo está voltando para mim agora



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