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História O Encanto da Cerejeira - Capítulo 99


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Capítulo 99 - Capítulo 32 - ITACHI - A exposição


Sakura desperta e solta um longo suspiro antes de se levantar. Por um momento ela observa o teto, mas logo se ergue e se espreguiça como de costume se levantando da cama em seguida para preparar uma vitamina pré corrida.

É isso o que faz sempre que pode em seus sábados de folga, mas não é sempre que consegue tempo para correr. Depois de renovar as energias, vai gastar um pouco de calorias na corrida que demora cerca de uma hora.

Assim que ela volta, vê Tatsuo desperto tomando um copo de suco.

—        Bom dia. - ele diz.

—        Bom dia.

Sakura enche um copo de água e o bebe em poucos goles.

—        Minhas malas já estão arrumadas, mas ainda preciso esvaziar o galpão que aluguei.

—        Por isso tinha poucas coisas aqui. Bem que estranhei uma mudança sem coisas para mudar. Por que não disse? Minha casa é grande, não precisava alugar um galpão.

—        Exatamente por isso, se eu tivesse dito você me forçaria a guardar as coisas aqui.

—        Eu te forçaria? Nem tenho tanto músculo assim.

Ela ri e ele revira os olhos.

—        Talvez, mas tem uma força sobre-humana.

—        Lenda.

Tatsuo ri.

—        Diga isso aos seus rivais de boxe.

Mais uma risada escapa, mas ela logo é perdida quando a Haruno solta um longo suspiro.

—        Vou sentir sua falta.

—        Vou levar minhas malas hoje, mas que tal uma maratona de despedida?

Sakura abre um grande sorriso.

—        Eu topo.

O rapaz sorri contagiado pela rosada e eles vão para a sala passar o dia em frente a televisão.

 

Depois de várias horas, um almoço e pipocas, Tatsuo vai buscar suas malas e as leva para o táxi que chamou.

Ele observa Sakura com um belo sorriso no rosto.

—        Tem certeza que precisa ir? Vou sentir sua falta.

Ele a abraça.

—        Já falamos sobre isso.

Ela suspira e eles se afastam.

—        Eu sei.

—        Não se preocupe, estarei sempre a apenas alguns quilômetros de distância.

—        Você sempre está longe.

—        Não seja malvada.

Ele ri do drama da rosada.

—        Assim você magoa esse velho amigo.

—        Espero que esteja disponível para quando eu precisar.

Ela diz emburrada e ele bagunça o cabelo dela.

—        Qualquer coisa tem o Deidara.

Ela bate nele fazendo-o rir.

—        Estou brincando, estou brincando.

Ela suspira e sorri para ele.

—        Estou aqui se precisar.

—        Vou lembrar.

Tatsuo se afasta e ela suspira. Ela está preocupada com ele, já que está se arriscando bastante começando do zero mais uma vez, mas torce para que o amigo fique bem.

Quando perde o carro de vista ela volta para dentro e se joga no sofá colocando qualquer filme para se distrair. Ao perceber que o horário da exposição se aproxima ela se ergue e vai para o banho, afinal terá uma boa noite hoje.

 

Sakura deixa sua casa e não demora a chegar a galeria. Essa é a primeira exposição deles em Konoha e mesmo que já tenha visto o trabalho deles, ainda assim está ansiosa.

A bela mulher desce do carro entregando suas chaves ao manobrista, encaminhando-se em seguida a entrada do lugar. Entrando no prédio assim que entrega seu convite.

As paredes brancas lhe parecem claustrofóbicas no começo, ainda que outras pessoas estejam ali, mas ao alcançar a sala principal se surpreende com tudo o que vê.

Os quadros de Deidara, a explosão de cores, fazem do lugar menos claustrofóbico e mais acolhedor. Sempre foi fã do trabalho dele e não se cansa de apreciá-lo.

Da mesma forma, também no salão principal, as marionetes de Sasori arrancam elogios do público. Ele é muito bom nisso e ainda que elas nunca sejam usadas são obras de arte incríveis.

—        Linda como sempre.

Ela se vira e vê o loiro se aproximar com um grande sorriso no rosto.

—        Digo o mesmo do seu trabalho.

Um sorriso se forma no rosto da rosada.

—        Você é uma obra de arte ambulante, foi um erro ter te convidado vai chamar mais atenção que nossa arte.

Sakura ri.

—        Como se isso fosse possível.

Deidara toca a cintura de Sakura aproximando-os para cumprimentá-la. Uma mulher se aproxima com um gravador em mãos.

—        Boa noite, - ela diz - sou do Le Petit Art e gostaria de fazer algumas perguntas.

—        Parece ocupado, vou dar uma volta para ver os outros quadros.

—        Te encontro depois.

—        Com licença.

A mulher toca o ombro de Sakura antes que ela se afaste e a rosada a observa.

—        Sim.

—        Já os vi em outras exposições antes - ela começa se referindo a alguns passeios que a rosada fazia com o loiro - e não consegui deixar de notar a proximidade de vocês, parecem ter uma química única que nunca vi antes, são um casal?

Eles se entreolham.

—        Uma química né? - Sakura diz pensativa. - Acho que podemos dizer isso.

—        Nós dois um casal, até que não é uma má ideia. - Deidara diz com um sorriso.

—        Poderia dar certo. - ela complementa. - Mas se não desse estragaria uma grande amizade.

—        Vamos deixar como está.

—        Então vocês não são um casal?

—        Não. - eles dizem em uníssono.

—        Sakura é minha fã numero um, foi a primeira pessoa a quem mostrei minha arte.

—        Somos amigos de infância, - ela continua - Nos conhecemos melhor que nós mesmos.

—        Essa coisa de não poder existir amizade entre homens e mulheres não se aplica a nós.

—        Sim, podemos dizer isso.

—        Entendo. - a mulher diz.

—        Nos vemos depois.

Sakura se afasta deixando Deidara em sua entrevista e logo sente dois braços finos envolverem-na num abraço.

—        Graças aos céus, pensei que não iria vir, eu estava entediada.

A rosada se vira e vê a amiga.

—        É a exposição de arte do seu irmão não tem como ser entediante.

—        Não sirvo para apreciar essas coisas.

—        Diz uma estilista de moda.

—        Estranho, eu sei. - ela suspira - Então, como vão as coisas?

—        Que coisas?

—        Com os pretendentes ora, do que mais eu poderia estar falando?

Sakura revira os olhos.

—        Como você é exagerada.

—        Não estou exagerando, e além de dois deliciosos ruivos, ainda tem os dois Uchiha, pelos quais as garotas desmaiam. Enquanto algumas querem o pedaço de um você tem os dois ao seus pés.

—        Claro.

—        Nunca pensei que os Uchiha ficariam de quatro por você.

—        É sério Porca, sem exageros.

—        Mas estou falando sério, aqueles dois pedaços de mau caminho estão super a fim de você.

—        Não acho que seja a esse ponto.

—        Ora vamos, tem que confessar que você se tornou um atrativo para eles. - Ino se aproxima com um sorriso - E eles pra você.

Sakura fica sem graça e abaixa a cabeça observando as mãos. Depois daquele encontro na loja de doces que teve com Itachi Ino a atormenta e inclusive disse as outras no grupo.

—        Vai admite, não é nenhum pecado.

—        Tudo bem, tá certo, eu admito. Eles conseguiram chamar minha atenção.

—        E qual dos dois está ganhando?

—        Não estou comparando-os.

—        Mas tem um que você pensa antes de dormir, você tem que fantasiar com um deles.

—        Não fantasio com nenhum deles.

—        Vai Testudinha, pra cima de mim? Dois Uchiha gostosos na sua cola e você não quer nenhum deles?

—        Por que insiste que tenho que querer algo com um deles, estou saindo com o Gaara lembra? Aquele ruivo, irmão da Temari.

—        É, é. Mas, quem muito espera uma hora cansa. O que quero dizer é que você não parece com tanta vontade assim, ele não se incomoda que vocês ainda não transaram?

Sakura se surpreende com a pergunta.

—        Quer dizer, vocês já tiveram o que, cinco encontros?

—        Não foi tudo isso. E, bom, ainda não rolou essa química.

—        É disso que eu estou falando, de química, você não tem isso com o Gaara.

Infelizmente isso Sakura não pode negar. Ainda que ame a companhia do ruivo ainda não sentiu a vontade de dormir com ele.

—        E vai dizer que Itachi ou Sasuke não despertaram nada desse lado seu.

Se negasse, isso também seria mentira, afinal, Itachi a balança e Sasuke já a fez imaginar, mesmo que involuntariamente, alguma coisa.

—        É inevitável Testuda, os dois são um perfume de luxúria ambulante que conseguem excitar qualquer uma, e ambos estão atrás de você.

—        Ainda que fosse assim, Itachi e eu somos... somos apenas amigos e, - ela hesita - eu meio que estou procurando algo fixo. Mesmo que escolhesse um dos dois eles não servem para algo assim.

—        Então está mesmo querendo um namorado?

—        Algo assim.

—        Mas o que acha dos Uchiha?

Que bicha insistente.

—        Puta que pariu, ouviu alguma palavra do que eu disse?

—        Ah, por favor, só quero saber o que você pensa deles.

Sakura suspira

—        Sasuke ainda me irrita às vezes, mas seria mentira se eu dissesse que não me atrai.

—        E o mais velho?

—        Itachi me surpreendeu, - ela confessa com o rosto do moreno rondando sua mente - nunca imaginei que ficaríamos tão próximos, ainda mais assim de repente. É claro que ele é o sonho de consumo de qualquer mulher, mas... - ela hesita - Sabemos como ele é Porca, Uchiha Itachi não é o homem de uma só mulher e não quero ser apenas mais uma na sua lista.

—        Pode dizer isso a ele, se Itachi quiser algo sério vai dizer. Algo me diz que ele está bem disposto a desistir dessa lista.

Ela abre um sorriso ao qual Sakura não entende.

—        Não sei. - a rosada suspira - Consegue imaginar o Itachi querendo algo sério?

A malícia no sorriso da Yamanaka se faz presente.

—        Para ser sincera não conseguia até uns dias atrás. - Sakura percebe que a Yamanaka esconde algo - Mas não é pra mim que você tem que perguntar e acho que sua oportunidade pode surgir mais rápido do que pensávamos.

—        Do que está falando?

—        Olha quem o Papai Noel trouxe.

Ino aponta na direção da porta e ao observar o lugar Sakura vê Itachi, que ao vê-la se aproxima.

—        Estamos em março. - ela murmura para Ino.

—        Tanto faz.

O belo moreno se aproxima das damas e Sakura quer gritar a Ino que pelo menos disfarce o olhar malicioso que leva, ainda assim sabe que isso seria inútil.

—        Boa noite garotas.

—        Boa noite. - elas respondem.

—        Foi um prazer revê-lo Uchiha, - Ino diz - mas preciso falar com meu irmão. Até.

—        Até. - Ele responde.

—        Testuda depois quero saber sobre a pesquisa.

Ino se afasta e não vira para trás ao falar, Sakura tenta se controlar para não ficar vermelha, mas o esforço é inútil e Itachi percebe.

Um sorriso se forma no rosto do Uchiha e ele aproxima seus rostos.

—        Que pesquisa?

Ao perceber a proximidade ela se afasta um pouco.

—        É bobagem. Não ligue para o que essa louca diz.

—        Claro.

O olhar do moreno analisa cada detalhe do corpo a sua frente e logo sorri para ela.

—        Você está linda aliás.

—        O-obrigada, você também não está mal.

Uma garota se aproxima servindo champanhe e eles pegam uma taça cada um. Antes que eles decidam se afastar no entanto ela observa o moreno seriamente.

—        Disse que estava melhor.

—        O que?

Ele a observa confuso.

—        Seu rosto.

—        O outro cara está pior.

—        Estou falando sério.

—        Eu também.

Ela suspira.

—        Ainda dói muito?

—        Não, - ele sorri com carinho - tive uma boa enfermeira.

O rosto de Sakura cora ao ouvi-lo. E ela desvia o olhar tentando esconder isso. Não é efetivo, na verdade, mas isso a faz sentir-se menos acanhada.

Os olhos esverdeados se focam na escultura de Sasori a sua frente e Itachi a acompanha na apreciação.

—        Ele é bom não é?

—        Um dos melhores. - ela sorri. - Os dois são.

—        Então, - ele diz - você é amiga do Sasori também. Deve ser gratificante ver as obras de dois de seus amigos sendo expostas

—        Você não tem ideia. Simplesmente amo a arte deles. Cada um tem uma forma única de se expressar, Deidara é explosivo e momentâneo, Sasori é realista e impaciente eles expressam sua personalidade na arte que fazem.

Itachi sorri ao ouvi-la. Ele ama o som da voz da rosada, mas a paixão com a qual fala é ainda mais bela.

—        Você divaga com bastante facilidade não é?

Sakura se surpreende.

—        Ah, eu estava fazendo isso? Me desculpe eu não...

—        Não foi uma crítica.

Sakura se surpreende mais uma vez e sente seu rosto corar como consequência.

—        Acho que esse é um dos charmes que você tem.

—        Obrigada.

—        Para ser sincero, - ele diz - estou surpreso que Deidara tenha conseguido ser responsável para essa exposição.

Sakura ri.

—        Apesar de Sasori achar que ele continua um irresponsável e que está tudo nas costas dele, o Dei parecia bem mais determinado e também acho que estava levando essa exposição muito a sério.

—        Concordo, até porque nunca o vi rejeitar convites de festas para trabalhar.

Ela o observa surpresa, mas a expressão de orgulho logo ronda seu rosto.

—        Ele evoluiu com o passar dos anos.

—        Cedo ou tarde teria que amadurecer.

—        Está brincando? - ela ri - Pensei que isso nunca aconteceria com ele.

O moreno ri em resposta.

—        Essa foi uma oportunidade única, - ela diz - tem pessoas aqui que conheço apenas por nome, que nunca imaginei encontrar pessoalmente. Se eles conseguirem o reconhecimento que sei que merecem, logo não os veremos mais.

—        Essa noite vai definir o futuro deles.

—        Sim, - ela foca toda a sua atenção na escultura a sua frente - não consigo me imaginar longe do Dei ou do Sasori, mas é como aconteceu com Tatsuo, desde que eles estejam seguindo o sonho deles pretendo apoia-los o quanto puder.

Itachi sorri ao ouvi-la, poucas pessoas abririam mão de sua felicidade e conforto para que outros pudessem ser felizes.

—        Essa é uma grande exposição, - ele diz - quer vê-la comigo.

Ela sorri ao olhar para ele.

—        Adoraria.

Com um sorriso no rosto o moreno começa a caminhar e eles se afastam do lugar onde estavam.

—        Ele continua como sempre, - Itachi diz - o estilo dele não muda nunca.

—        Deidara é do tipo explosivo o que fica visível nas suas obras. Todas são cheias de vida e cores, e ainda assim...

—        Parecem prestes a desaparecer.

Sakura o observa surpresa, ninguém nunca a entendeu ao descrever como o amigo pinta, nem mesmo o próprio autor das obras parece entender quando ela fala sobre o que vê ao analisar as pinturas do Yamanaka. Eles gostam de ouvi-la falar, dizem que ela fala com paixão e isso com qualquer pessoa com quem conversa. Mas até hoje ninguém foi capaz de entender como ela se sente ao apreciar esses quadros.

O olhar do moreno sobre as peças, no entanto, mostra que ele também compartilha de suas opiniões, ele parece entender exatamente o que ela diz.

—        Não acho que seja a toa. - ele a afasta de sua análise - Ele é temperamental e sempre que fala com ele percebe que quer algo momentâneo, que deixe sua marca, que mostre para as pessoas que a arte é coisa de momento. Se trata daquele instante em que as cores invadem seu campo de visão e dão a impressão de que o poder de um vulcão está se manifestando. Acredito que se ele pudesse fazer sua arte desaparecer em uma explosão não hesitaria em fazê-lo.

Há silêncio e Sakura o observa com uma mistura de surpresa e admiração. Ao notar a ausência de resposta o moreno volta seu olhar para ela e fica sem graça ao notar a expressão no delicado rosto.

Itachi raramente fica envergonhado, sequer se lembra a última vez que isso aconteceu, mas o olhar da rosada sobre si, o deixa dessa forma.

—        Acho que não é só você quem divaga.

Sakura pisca os olhos despertando desse momento e sorri para ele. Não é a primeira vez que o moreno a faz se admirar pela forma a qual fala. Ela está apreciando cada vez mais esse lado dele, um lado que não conhecia até pouco tempo.

—        Agora sei como vocês se sentem quando começo a falar sem parar. - ele foca nela - Nunca havia entendido o porque dos sorrisos, mas parece que devo falar com esse mesmo entusiasmo, não me surpreende que encante as pessoas. É bom saber que sou boa nisso, exatamente como você.

Ele ri.

—        Por favor, não me compare a você. Apenas falo coisas sem sentido, não sou muito bom com as palavras.

—        Ah claro, diz o conquistador Uchiha. Sua habilidade com as palavras é um dom que você tem.

—        Não é um dom que pode ser usado com tudo, no entanto.

Ela se surpreende com o ar melancólico que ronda a frase, mas não sabe dizer ao certo ao que ele se refere.

—        Independente disso, - ele continua - não sei porque explicar, você claramente sabe do que estou falando.

—        Sim, eu sei, mas não é algo comum.

Ele a observa sem entender o que quis dizer.

—        Você foi o único até hoje que entendeu exatamente como me sinto ao olhar essas obras. Ninguém antes conseguiu ver esses quadros da forma com a qual eu vejo, nem mesmo o Dei.

Itachi se surpreende, se pensar bem, realmente Deidara não entende a forma como o moreno aprecia suas obras, entretanto ele nunca compartilhou seus pensamentos antes com ninguém além do amigo e por isso não sabia que existiam tantas formas de ver o que essas pinturas representam. Claro que cada um vê uma pintura de uma forma, cada um sente uma coisa diferente, mas na maioria das vezes, o senso comum é o mesmo. Ele nem imaginava que sua forma de ver os quadros do loiro seria tão diferente da do resto das pessoas.

—        Acho então que essa é mais uma das coisas que temos em comum.

Ele sorri para ela e ganha um belo sorriso em resposta.

—        Parece que somos mais parecidos do que pensávamos.

—        Isso é bom.

Ela percebe a seriedade no tom de voz e vê o moreno desviar o olhar observando o quadro ao lado.

—        Assim as chances de nossos sentimentos também serem semelhantes é maior.

A Haruno se surpreende com o que ouve e sente seu coração descompassado. Involuntariamente a cena deles no evento, quando ela limpava seus ferimentos, volta a sua mente. Mais especificamente o momento em que seus rostos estavam próximos o suficiente para fazê-la perder o ar.

Sakura não entende o motivo de ter se lembrado disso, mas acredita que talvez seja porque naquele momento, assim como nesse, seu corpo estava entrando em colapso.

O coração disparado, fora de seu ritmo normal, a sensação de que ele se importa com ela e com o que sente, o carinho que ele emanava tornando-se perceptível no olhar e nas palavras, tudo isso estava presente naquela noite, naqueles milésimos de segundo. Durou muito pouco porque Ino os interrompeu e, ela não tem certeza do que teria acontecido se a loira não tivesse chegado. Entretanto, é diferente de qualquer coisa que já tenha sentido antes. Mesmo com Gaara não é dessa forma, ela sente afeição pelo ruivo, mas não desse jeito.

O moreno volta a sorrir quando suas orbes enegrecidas se voltam para ela.

—        Parece surpresa pela nossa sincronia.

—        Não, não é isso.

Ela desvia o olhar.

—        Mas está surpresa.

—        Bom, - ela tenta disfarçar a voz trêmula - nos conhecemos a vários anos é apenas estranho descobrir que temos tanto em comum.

—        Erro meu.

Ela volta seu olhar para ele curiosa.

—        O que quer dizer?

—        Você me considera um amigo Sakura?

Ele ergue uma sobrancelha.

—        Bom, sim.

—        Tem certeza?

A rosada para por um instante pensando no assunto. Realmente, por mais que conheça Itachi e que já tenha saído muito com ele e os amigos de Deidara, não pode dizer exatamente que aquele grupo de amigos também é seu grupo de amigos. Não é como acontece com Deidara, Naruto, Tatsuo, Sasori ou as garotas. No entanto, Sakura conhece o moreno a algum tempo e por ele ser tão próximo de Deidara, acabou se tornando próximo dela também. Ainda que nos últimos dias, essa proximidade tenha aumentado, talvez seja a isso que ele se refere.

—        Sim, - ela diz com convicção - você é meu amigo. Mas está certo, nunca tivemos conversas sobre gostos e coisas assim, geralmente éramos mais focados em coisas que o Dei planejava, coisas que tinham em comum. Não posso dizer que te conheço tão bem, mas sei mais ou menos como você funciona, mesmo assim acho que ainda não podíamos nos considerar amigos antes.

Ele sorri contente por ela ter entendido.

—        Se eu tivesse investido em uma amizade com você, saberíamos o quão parecidos somos. Mas acho que não sou muito bom nisso de amizades com mulheres.

—        Nunca teve uma amiga?

Ela pergunta surpresa.

—        Tive uma vez, mas não deu muito certo.

Sakura pensa um pouco e se lembra de Karin dizendo que Izumi era amiga tanto de Sasuke quanto de Itachi. Ela se pergunta o que aconteceu entre eles, mas sente certo medo da resposta que pode encontrar. Então decide não perguntar sobre a morena. Apesar de excluir a morena de sua conta consegue se lembrar de outras duas mulheres e ao pensar em uma delas especificamente, se recorda que a lista dele realmente é bem longa.

—        Isso não é verdade, - ela diz em tom baixo - você tem a Konan e a... a Kuro.

Itachi ouve o murmúrio e pensa nisso por um instante. Quando decidiu investir em Sakura, resolveu fazê-lo mesmo com toda a sua bagagem, mas havia se esquecido que a rosada soubesse de Kuro. Todas as mulheres sobre quem Sakura tem conhecimento de que ficaram com o Uchiha são desconhecidas, mas esse não é o caso de Kurotsuchi, mesmo que para os dois isso não fosse nada. Inclusive Itachi descobriu depois que a morena havia ficado com ele apenas para fazer ciúmes em outro cara.

—        Konan é a namorada do Yahiko, - ele a responde - não somos exatamente amigos, sou amigo do namorado dela, então não acho que ela se encaixe nisso. E a Kuro... - ele suspira - Bom, ela é uma colega de trabalho e saímos juntos às vezes, mas apenas em um grupo grande, com Deidara, Kisame, Hidan. Ainda assim, não diria que somos exatamente amigos.

Sakura pensa em sua resposta, Kuro é provavelmente uma das mulheres mais próximas a ele e mesmo assim ele sequer a considera uma amiga, mesmo já tendo ido para a cama com ela. Talvez seja essa a questão, ele nunca investiu em Sakura, não como ela sabe que ele faz com as mulheres que o interessam e provavelmente fez isso porque ela não faz seu tipo.

—        Bom, - ela sorri para ele - acho que então somos oficialmente amigos.

O sorriso dele cresce um pouco ao ouvi-la.

—        Sim, acho que somos.

 

Um pouco distante dali, um par de olhos os encara incomodado. Sasori quer separa-los de qualquer jeito, mas a conversa que está é muito importante para seu futuro e por isso ainda não foi.

Quando a conversa finalmente termina, ele se direciona para onde eles estão. Sasori se aproxima colocando-se entre eles, tocando a cintura de Sakura o que a faz virar um pouco o corpo deixando-os frente a frente.

O ruivo aproxima seu rosto do pescoço dela o inspirando profundamente a fim de sentir seu cheiro e talvez conseguir lhe causar um arrepio, que para sua tranquilidade percorre o corpo da rosada.

—        Ahn. - ela o observa surpresa. - O que aconteceu?

Sasori se afasta, pondo-se ao lado dela e enlaça sua cintura aproximando-a de seu corpo. Sakura ainda o observa surpresa pelo gesto.

—        Você está bem? - ela pergunta.

—        Por que não estaria?

—        Olá Sasori.

O ruivo o observa sorrir.

—        Oi Itachi.

—        Belo trabalho o seu, não sabia que podia ser tão bom quanto o Deidara.

Sakura o observa surpresa e prevendo uma briga. Sasori detesta que comparem seu trabalho com o de Deidara e um silêncio assustador toma conta do lugar enquanto o ruivo e o moreno se observam.

—        Como a exposição está indo?

Sakura não gosta dessas trocas de farpas, mas tenta amenizar a aura escurecida que tomou conta do lugar.

—        Bem, foi por isso que vim te chamar.

—        Me chamar?

—        Sim. Vamos, preciso te mostrar algo.

—        Mas...

—        Itachi.

Sasori envia um cumprimento ao moreno com um aceno e a afasta dele, mas antes que a leve para longe Itachi toca o ombro do ruivo fazendo-o olhar para o Uchiha.

—        Acho que ela consegue andar sozinha. Além disso, estávamos conversando.

—        Isso não é da sua conta Itachi.

—        Você se engana ao pensar assim.

Mais uma vez Sakura consegue sentir as farpas e as faíscas em seus olhos, por isso resolve não se envolver.

—        Tudo bem, - Sakura diz se afastando de Sasori. - se vão continuar se estranhando fiquem a vontade.

Sasori a observa enquanto se afasta dos dois dando dois passos atrás.

—        Onde você vai?

—        Ficar com o Deidara.

Sakura sorri antes de se virar afastando-se de vez e deixando-os surpresos.

—        E não me sigam.

Sua voz os alcança ainda que já esteja a certa distância. Ao se aproximar de Deidara ela envolve seus braços no braço do amigo sorrindo para a mulher com quem ele fala e acaba de perceber que interrompeu algo.

—        Ahn oi.

O loiro a observa surpreso.

—        Já entendi.

A moça com quem ele falava se afasta.

—        Então, eu estava quase conseguindo com que ela dormisse comigo hoje.

—        Desculpe, estou tentando fugir. O nível de testosterona está alto lá atrás.

Deidara olha a sua volta e vê Itachi e Sasori o observarem. O olhar que Sasori leva no rosto é no mínimo assustador.

—        Você quer minha morte, não é?

—        Por que?

—        Eles estão me olhando como se eu fosse um animal e eles os caçadores.

—        Não exagera.

Ela olha na direção deles e percebe que ambos já se distanciaram, mas ainda os observam.

—        Ele finalmente deixou o ciúme falar mais alto?

—        Do que está falando?

A rosada volta seu olhar ao amigo que abre um pequeno sorriso.

—        Às vezes você consegue ser bem ingênua. Sasori estava com ciúmes de você Saku, aparentemente com o Itachi.

Sakura se surpreende com a suposição que o loiro faz e principalmente porque insinua que o ciúme do ruivo é em nível romântico.

—        Não há razão para ciúmes, Sasori sabe que não temos nada.

—        Vocês já ficaram mais de uma vez, não deveria ser surpresa.

—        Não, o que temos é apenas sexo, nada mais.

O loiro ergue uma sobrancelha.

—        Tem certeza disso?

Sakura hesita.

—        Bom, sim. Eu teria percebido.

O Yamanaka ainda a observa com aquele olhar de quem duvida do que ouviu isso a incomoda.

—        Eu teria percebido - ela reforça - Além disso, temos regras sexo casual, sem cobranças, sem paranoias, sem ciúmes.

—        Bom, acho que amigos e sexo nem sempre combinam. Ele acabou esquecendo o lance carnal e pela proximidade de vocês acho que isso era inevitável.

Sakura volta seu olhar para Sasori ainda em dúvidas sobre o que ouviu. Ela sabe que o ruivo sente bastante ciúmes dos amigos, a mesma já presenciou muita coisa, mas nada como o que ele fez hoje. O Akasuna tentou afasta-la de Itachi apenas por que eles conversavam, isso não é normal.

A Haruno precisa admitir que pensar como Deidara ao observar a situação faz bastante sentido, mas ainda não consegue acreditar que não reparou nisso antes. Por isso, pedindo por mais uma confirmação, seus olhos claros se voltam ao loiro.

—        Tem certeza que era esse tipo de ciúmes? Quer dizer, ele sente ciúmes dos amigos e...

—        Não. - ele a interrompe - Ele sente ciúmes da Sakura mulher, não da Sakura amiga. E sim, tenho certeza. Além disso, toda vez que você beija alguém parece que enfeitiça o cara, o que você tem?

—        Não se faz uma pergunta dessas, - ela diz emburrada - eu não tenho nada.

—        Tem sim, desde a época da escola, como aquele garoto o Idate, - Sakura não gosta de se lembrar dele - e agora tem o Sasori e o Itachi.

Ela se surpreende.

—        Por que o Itachi?

Deidara coça a cabeça sem graça, não devia ter mencionado o amigo.

—        Bom, é... Ele...

Sakura se solta dele colocando-se a sua frente encarando-o.

—        O que foi?

Deidara suspira.

—        Deve ter notado a aproximação repentina dele.

—        Sim, notei.

—        Isso começou depois do beijo que vocês deram.

Sakura se lembra do beijo dado em Itachi no dia em que foram ao Black Souls.

—        Como disse você os enfeitiça.

—        Ele falou sobre mim?

—        Não vamos falar sobre isso, é minha exposição vamos focar na minha arte.

Ele dá um passo se afastando dela, mas a rosada volta a se colocar a sua frente.

—        Só sairemos daqui quando me responder.

Ele suspira sabendo que é inútil discutir com ela.

—        Ele me pediu conselhos pra te impressionar.

Ela se surpreende novamente. Sakura sabe que o moreno não se importa em tentar impressionar as mulheres com quem fica, afinal é um relacionamento tão rápido que isso não é necessário.

—        Por que?

Ela foca o olhar sobre o loiro. Apesar da conversa recente que teve com o moreno, uma conversa que envolvia amizade, algum pedaço dentro dela deseja que não se limite a isso.

—        Acha que, talvez, - ela continua - ele possa querer alguma coisa séria?

Deidara a observa atentamente. Ele sabe que a rosada é totalmente inexperiente no amor, que nunca se apaixonou, são amigos a anos, ele sabe tudo sobre ela. Ver o interesse dela em Itachi talvez seja indício de que esteja começando a se apaixonar e por mais que aprove o relacionamento dos dois, sabe que Itachi não é um cara pra namorar. Ainda assim, viu a mudança do amigo nesses últimos tempos, Sakura realmente o mudou e tudo por um beijo. Então ele não sabe o que pensar.

—        Eu não sei Saku, sinceramente. Nunca o vi se esforçar tanto por mulher nenhuma, mas isso não significa que ele queira algo sério.

Ela morde o lábio inferior, pensativa.

—        Acho que Ino tem razão.

—        O que ela tem a ver com isso?

—        Não é nada, vou resolver isso de uma vez. Aproveite sua exposição.

Sakura se afasta do loiro que mantém seu olhar na amiga durante algum tempo. O loiro espera que eles consigam se resolver realmente, mas esse é um assunto deles e por isso apenas suspira voltando sua atenção a sua noite e às obras que estão expostas.



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