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História O Encanto do Tritão - Capítulo 1


Escrita por: e SUGAsky


Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 1 - Nem tudo é o que parece ser


Fanfic / Fanfiction O Encanto do Tritão - Capítulo 1 - Nem tudo é o que parece ser

Em uma pacata vila de Busan, os pescadores amavam contar histórias diversas sobre suas aventuras em alto mar apesar de algumas serem mentiras. A cidade era famosa por ter um oceano vasto que a banhava, e isso era ótimo para o comércio e desenvolvimento do lugar, pois atraía muitos turistas loucos por peixes e criaturas únicas que se desenvolviam somente naquele pélago. Park Jimin sempre admirou seu pai, mas não sentia nenhuma vontade de seguir os passos do mais velho. A linhagem da família Park era composta por pescadores há anos, e ele era o único que não queria seguir esse destino.

Jimin sonhara com algo diferente, gostaria de se tornar um fotógrafo famoso e queria muito sair de sua cidade que, por mais que fosse boa economicamente, ainda não tinha meios e nem qualidade para outros tipos de profissões. Fora que, em sua cidade nunca acontecia nada extraordinário, às vezes era entediante.

— Sonhando acordado novamente? Seu pai perguntou, balançando a cabeça enquanto lavava alguns peixes que havia acabado de pescar.

— Sim, já virou costume. A pesca foi boa? — Jimin se espreguiçou e bocejou.

— Claro, encontramos um esturjão branco.  — O senhor Park falou, entusiasmado, e sorriu. — Tenho certeza de que o meu sonho está neste mar.

— Assim como sereias e tritões? — Jimin riu ao levar uma bofetada leve. — Fala sério, pai! Não quero te desanimar nem nada, mas e se isso for só história para boi dormir?

— Eu sei que ele existe, ok? E você deveria sair um pouco de casa, está quase verde de tanto cheirar as paredes. — Seu pai o empurrou para fora de casa e ele suspirou, poxa, qual o problema nisso? Ele só queria ficar sozinho em seu cantinho.

— Pelo menos consegui trazer minha câmera, é um bom horário para tirar algumas fotos — Jimin disse, passeando pelo vilarejo indo em direção à ponte.

Ao passar pela ponte, ele sentiu um frio na barriga espontâneo e resolveu ignorar, ao chegar à beira-mar, acenou para algumas pessoas e tirou algumas fotos de peixes e outros animais marinhos.

Após algum tempo, ele sentou sobre a areia e decidiu olhar as imagens que havia tirado. Estava passando pelas fotografias de forma aleatória, mas percebeu algo de estranho em uma e deu zoom. Arregalou os olhos quando viu uma cauda escamosa e diferente das dos animais que havia visto, e quando menos percebeu, um homem saiu da água e pegou sua preciosa câmera.

No momento do susto, Jimin não teve reação nenhuma a não ser ficar parado em estado de choque, entretanto, quando o desconhecido voltou para dentro da água com sua máquina, ele franziu o cenho e entrou também. Ao perceber o corpo totalmente diferente do outro, o Park abriu a boca para gritar, mas esqueceu que estava debaixo d’água. Péssimo momento para estar no mar, afinal, a correnteza não era nem um pouco fácil de lidar, e Jimin não era um dos melhores nadadores do mundo.

A última coisa que ele viu antes de apagar foi um belo rosto e uma cauda escamosa, não esperava que isso fosse acontecer justo consigo, só queria recuperar sua câmera.


[...]



— Ele morreu? — Ouviu uma voz feminina perto de si, mas não sabia distinguir quem era.

Jimin foi abrindo os olhos lentamente para se acostumar com a claridade e coçou os olhos, logo, sentou-se sobre a areia e gritou quando viu o que estava à sua frente.

— Puta que pariu! — Ele exclamou, extremamente chocado, ao perceber que havia sereias e tritões ao seu redor lhe olhando de modo estranho.

— Puta que pariu…? — Uma menininha tentou repetir o mesmo, sem saber o que aquilo significava.

— Eu devo ter morrido, puta merda. Alguém me belisca! — Jimin fechou os olhos, gritando quando alguém o beliscou. — Ai! Era modo de falar, caralho.

— Você que pediu por isso, humano idiota. — Um tritão de cabelos loiros disse, e Jimin o olhou de modo irônico.

— É mesmo, maldito? Posso saber o que fez com a minha câmera? — perguntou, sem um pingo de delicadeza, e viu o outro dar os ombros.

— Eu joguei fora, você estava tirando fotos minhas e eu não posso deixar que isso se espalhe novamente. — O loiro disse, cruzando os braços.

— Você fez o quê? — Park perguntou, irritado, e passou a mão nos cabelos.

— Podem ir, pessoal, eu cuido dele. — O tritão acenou para o resto dos amigos e sorriu. — Humanos são realmente apegados a bens materiais…

— Para a sua informação, você que meteu o rabo na minha câmera.  — Jimin disse, e percebeu o duplo sentido, logo, balançou a cabeça negativamente.  — Não era só uma simples câmera, ok? Tinha um valor sentimental.

—  Eu já ouvi essas respostas antes, acha que vou cair nesse truque? Você não vai nos mostrar para ninguém, nós seremos caçados e o pior vai acontecer.  — Ele disse, negando.

— Cara, não estou nem aí, ok? Se não quiser acreditar em mim, tudo bem, eu só quero a câmera… — Jimin disse, sem paciência.

— Se é isso que você quer, então ‘tá bom.  — O tritão lhe entregou a máquina completamente encharcada.

— Você quebrou ela...  — Jimin disse, sem acreditar. — Merda, isso não pode acontecer.

Ele olhou para o objeto danificado e abaixou a cabeça, guardaria aquela situação para quando alguém perguntar o motivo dele não sair, iria dizer que sempre dá merda quando sai, e é essa a razão de ficar hibernando como um urso em casa.

— Posso perguntar algo? — O tritão se aproximou lentamente, mas Jimin balançou a cabeça, negando. — Por que essa câmera é tão importante para você?

— Essa foi a última lembrança que minha mãe deixou pra mim antes de falecer, eu sonho em ser fotógrafo, sabe? E diversas pessoas me perguntam o motivo de estar há tanto tempo com uma máquina velha.  — Jimin sorriu, sentindo os olhos marejados. — Mas sabe de uma coisa? Eu nunca me importei, afinal, essa câmera tem um valor sentimental forte e já me ajudou diversas vezes.

— Sinto muito, eu não fazia ideia… — Ele disse, cabisbaixo. — Vovô costuma dizer que quando alguém importante morre, ela deixa uma lembrança como presente e várias outras como memórias, assim vocês sempre estarão conectados e essa pessoa vai estar cuidando de você. Eu sei que sua mãe cuida de você, Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer  — disse, sorrindo enquanto tocava a testa do outro com o polegar.

Naquele momento Jimin se sentiu completamente seguro, e foi ali que percebeu que nunca tinha falado aquilo para ninguém, até mesmo quando seu pai perguntava a respeito do que ele estava sentindo em relação à morte de sua mãe, sempre mentia ou inventava algo. Naquela hora, sentiu que podia ser ele mesmo e era aconchegante.

— Tsc. Nesse momento você não parece tão irritante assim.  — Jimin bagunçou os cabelos do outro e gargalhou. — Você está parecendo o piu-piu raivoso!

— Aish, me respeita, moleque.  — O loiro disse, arrumando os fios e corou. — Aliás, qual é o seu nome e idade?

— Está apaixonado por mim? — Park disse, brincando, e arregalou os olhos quando viu o outro lhe estender o dedo do meio. — Que peixinho insolente, me chamo Park Jimin e tenho 18 anos. E você?

— Min Yoongi… — O tritão deitou as costas na areia enquanto deixava a cauda sobre a água. — Tenho 19.

— Posso tocar? — Jimin não sabia explicar, mas sentiu uma imensa vontade de sentir a textura da cauda do outro. Acabou percebendo o olhar amedrontado dele e ergueu as mãos em sinal de rendição.    — Eu não vou te machucar, tudo bem, não precisa deixar se não se sentir confortável, eu entendo.

— Feche os olhos.  — Yoongi pediu, e quando o outro fechou, ele segurou sua mão e direcionou até sua cauda de modo devagar. 

— Uwaa, é macia, jurava que iria me espetar.  — Jimin disse, sorrindo, e franziu o cenho. —  Posso perguntar o porquê de um medo estar estampado em seus olhos naquela hora?

— Não faz tanto tempo assim, aconteceu quando eu tinha 17 anos. Eu era meio bobo e sempre tive um fascínio por humanos, meu sonho era poder me aproximar deles, e eu fiz isso, mas não acabou como eu esperava — suspirou. — Eu mostrei o nosso esconderijo e ele contratou pessoas para nos caçar, foi horrível, desde então eu tenho receio de me aproximar.

— Porra, que situação. Como vocês se livraram dele? — Jimin perguntou, curioso. 

— Vovô apagou a memória deles e nós nos mudamos de local por precaução, é por isso que tive uma reação agressiva quando te vi e acabei quebrando sua câmera. Eu sei que não justifica, mas estava com medo e agi sem pensar, me desculpe…

— ‘Tá tudo bem, confesso que fiquei puto na hora, mas entendo suas razões e não vou julgá-lo, acho que no seu lugar eu agiria da mesma forma.  — Park sorriu, percebendo que Yoongi lhe encarava. — Que foi, eu disse algo errado ou…?

Jimin ficou surpreso ao sentir os lábios do outro serem pressionados com força sobre os seus e retribuiu ao beijo lentamente, sentindo seu corpo se arrepiar, e tratou de agarrar o loiro de modo firme. Iria continuar com os beijos, mas um som de estalar de garganta se fez presente e ambos se afastaram imediatamente.

— Oi, vô. Tudo firmeza? 'Iae? Nadando muito? Amassando umas sereias? — Jimin falou, nervoso e atrapalhado, logo vendo a boca do outro tremer para tentar conter uma risada.

— Para de rir, 'vô.  — Yoongi disse, soltando uma risadinha.

— Confesso que você me deixa intrigado, Park Jimin.  — O avô de Yoongi falou enquanto os encarava.

— E isso é bom…? — O Park indagou, confuso.

— Sim, sim. Eu já lidei com vários tipos de humanos, mas você é muito diferente. Enquanto vocês estavam aqui, eu estava observando de longe as suas reações e o seu posicionamento a respeito dos assuntos, e que fique claro que você tem a minha aprovação para namorar o meu neto.

— Vovô! — O Min falou, completamente corado, e Jimin sorriu.

— Eu estou planejando conhecê-lo melhor, posso garantir que tenho boas intenções com o seu neto, vô Min.  — O moreno disse, olhando para o menor, que sorriu de forma singela.

— Só tenho um pedido a fazer. Por favor, não conte sobre nós para ninguém, nem mesmo para o seu pai! — O mais velho disse, vendo o outro confirmar.

— Não irei contar.  — Yoongi garantiu e olhou para o relógio. — Eu acho que é melhor eu ir, já está tarde e meu pai pode estar preocupado… — Jimin acariciou o loiro.

— Espera um pouco, volto já! — Yoongi anunciou e entrou dentro do mar, após um tempo, ele voltou com algo em mãos. — Toma, é para você!

— O que é isso? — Jimin perguntou com curiosidade e arregalou os olhos. — Não brinca!

— Isso é para a gente se falar enquanto estivermos longe, os nossos smartphones são diferentes, mas são legais também. — O loiro sorriu.

— Eu adorei, quero ver a reação das pessoas quando me verem na rua falando com uma concha no ouvido, elas já me acham meio esquisito, aí que vão ter certeza.  — Ele brincou, fazendo o outro rir.

— Tem mais uma coisa, eu recuperei a sua câmera com minha magia e ainda implementei novas funções. Eu estava planejando entregar assim que a estraguei, mas o vovô não permitiu porque queria te testar… — Yoongi sorriu.

— Muito obrigado, de verdade. Isso parece até um sonho! — Jimin o abraçou e franziu o cenho quando o outro fez um bico chateado.

— Eu queria dar um presente para o seu pai, mas não sei do que ele gosta — disse Yoongi, cabisbaixo, e o outro teve uma brilhante ideia.

— Eu acho que sei o presente perfeito.  — Jimin sorriu de forma diabólica.

— Está maluco? Eu não vou caçar um peixe, isso seria canibalismo.  — Yoongi negou e Jimin riu.

— Então faça isso… — O Park sussurrou no ouvido do outro, que sorriu, aprovando a ideia.


                                          

                                                                                   (...)


Jimin chegou em casa saltitante e encontrou o pai na cozinha, esse que se levantou e foi correndo em direção ao filho, checando se estava tudo bem.

— Filho, por que demorou? Quer matar o seu velho do coração, menino?

— Desculpa, pai, mas eu tenho uma boa justificativa.  — Ele entregou a câmera para o mais velho, que arregalou os olhos.

— Puta que pariu! É o Marlin Azul, ele existe! — O senhor Park pulava de alegria enquanto via a foto que Yoongi havia tirado do peixe que seu pai sonhava em ver. — Eu sabia, sabia!

Jimin sorriu enquanto olhava para a concha, e agradeceu por ter vivido um dia tão único e cheio de surpresas.

Depois daquele dia, jamais diria que sua cidade era entediante, pois ali havia descoberto que ela poderia estar cheia de surpresas.



Notas Finais


Gostaria de agradecer a @bangyy e @mysro pela betagem e design incríveis, muito obrigada, eu amei!

Espero que vocês tenham gostado dessa one, até próximas futuras histórias ♡.


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