História O Erro - Bellarke - Capítulo 36


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Penúltimo cap 😭😭

Capítulo 36 - Seu Babaca


CLARKE

No momento que termino a prova de psicopatologia, disparo para fora da sala de aula como se estivesse tentando fugir de um incêndio.

Meu pai não é do tipo que exagera ou faz drama. É muito sensato e direto, mas tem a tendência enervante de minimizar crises. Então, quando me telefonou de manhã e casualmente sugeriu que eu deveria ver como Bellamy estava, percebi que havia algo de errado.

Na verdade, sabia antes mesmo do telefonema. A mensagem de desculpas que Bellamy me mandou ontem à noite havia despertado minha preocupação, mas, quando tentei fazer perguntas, ele insistiu que estava tudo bem, alegando que só teve que ficar com o pai mais do que o previsto. Bellamy repetiu que estava triste por ter perdido o jantar e por não ter podido me levar para casa.

Fui para a cama incapaz de afastar a suspeita de que algo ruim tinha acontecido. Agora, com a sugestão do meu pai, tenho certeza de que aconteceu.

Por isso decido ir de táxi até a casa de Bellamy, em vez de caminhar ou pegar o ônibus. Quero ver meu namorado o mais rápido possível, antes que a preocupação acachapante que estou sentindo comece a alimentar os piores cenários possíveis na minha cabeça.

Assim que me acomodo no banco traseiro do táxi, pego o telefone e escrevo para ele.

Eu: Tô indo praí.

Quase um minuto se passa antes que ele me responda: 

Ele: Ñ sei se é uma boa, linda. Não tô bem.

Eu: Animo vc.

Ele: Ñ sei se vc consegue.

Eu: Vou tentar.

Enfio o celular na bolsa e mordo o lábio, desejando saber o que está acontecendo. É claro que tem alguma coisa a ver com o pai, mas o quê?

Uma explosão de raiva irrompe dentro de mim. Minha simpatia pelo pai de Bellamy está se esgotando, o que me faz questionar se poderei ser uma boa psicóloga. Não planejo me especializar em vício, mas o que o fato de não conseguir sentir compaixão por um alcoólatra diz ao meu respeito?

Merda, agora não é o momento de questionar minha escolha. Só sou capaz de lidar com uma crise por vez.

O motorista encosta junto ao meio-fio na frente da casa, porque a garagem está cheia. A caminhonete de Bellamy e o Jeep de Finn estão um ao lado do outro; o carro esportivo de Murphy e a Toyota que Raven às vezes usa estão atrás deles.

Toco a campainha e quem atende é Jasper. Com uma expressão consternada, ele fecha a porta atrás de mim.

_Vocês brigaram ou algo assim? - pergunta, em voz baixa.

_Não - De repente, sinto frio - Bellamy disse isso?

_Não, mas tá tão mal-humorado e reclamão que Murphy sugeriu isso.

_Estamos bem - digo com firmeza. Então um pensamento inquietante me ocorre - Ele andou bebendo?

_Claro que não. É uma e meia da tarde - Jasper parece confuso - Tá lá em cima. Da última vez que olhei, tava fazendo um trabalho de marketing.

A resposta me alivia, mas não sei por quê. Bellamy me disse em várias ocasiões que não bebe quando está chateado. Sei que tem medo de herdar o vício do pai. De repente, me sinto uma idiota por ter feito a pergunta a Jasper.

_Vou subir e falar com ele. Talvez descubra o que tá acontecendo.

Deixo Jasper e me dirijo para o quarto de Bellamy, onde experimento outra onda de alívio.

Ele parece bem. O cabelo escuro e curto está igual. Os olhos negros estão alertas. Os músculos sensuais estão rijos sob a camiseta e a calça de moletom.

Não há sinais externos de ferimentos. Quando nossos olhares se encontram, há um mundo de dor em sua expressão.

_Oi - digo suavemente, caminhando para lhe dar um beijo - O que aconteceu?

Seus lábios roçam os meus, mas o beijo não tem o calor habitual. 

_Seu pai ligou pra você, né? - ele pergunta, com ironia.

_Ligou.

Uma sombra atravessa seu olhar. 

_O que ele falou?

_Quase nada. Disse que você passou lá na noite passada e que ele ficou com a sensação de que tá chateado. Sugeriu que eu viesse ver como você está.

Avalio seu rosto. 

_O que aconteceu em Arc?

_Nada.

_Bellamy.

_Não foi nada, linda - Ele deixa escapar um suspiro cansado - Ou, pelo menos, nada fora do comum.

Pego sua mão. Está gelada. O que quer que tenha acontecido na noite passada ainda está surtindo efeito.

_Senta - Tenho que puxar seu poderoso corpo à força para junto do meu, na cama. Mesmo depois que para de resistir, Bellamy mantém os olhos à frente, em vez de fitar os meus - Por favor, me diz o que aconteceu.

_Cacete. Que importância tem?

_Toda a importância, Bell - Começo a ficar irritada - É claro que você tá chateado, e falar a respeito ajuda.

Sua risada amarga ecoa entre nós. 

_Falar não vai resolver merda nenhuma. Mas tudo bem. Você quer saber o que aconteceu na noite passada? Eu vi meu futuro, foi isso que aconteceu.

Estremeço com a rispidez do seu tom. 

_Como assim?

_Eu vi a merda do meu futuro. Viajei pra frente no tempo, recebi uma visita do Fantasma do Natal Futuro. De que outro jeito você quer que eu fale, Clarke?

Minha coluna se enrijece. 

_Não precisa ser sarcástico. Já entendi.

_Não, não entendeu. Não entendeu nada. Não vou ter vida depois que me formar. Não vou ter futuro. Tenho que fazer isso pelo meu irmão, porque Lincoln tá lidando com isso por quase quatro anos. E agora é minha vez, e eu odeio essa merda, mas vou engolir e voltar pra casa, porque ele é meu pai e precisa da minha ajuda - Sua declaração rouca parte meu coração em dois - Sei o que isso vai fazer comigo - continua ele, soando mais deprimido - Sei que vai me deixar infeliz e que vou passar a odiar meu pai e acabar perdendo você.

_O quê? - interrompo, em estado de choque - Por que acha que vai me perder?

Só então ele olha na minha direção, os olhos azuis cheios de pesar. 

_Porque você vai acordar um dia e perceber que merece mais. Não entende? Na noite passada, tive uma prévia do que vai acontecer. A gente vai fazer planos, mas vou acabar tendo que trabalhar até mais tarde ou meu pai vai ficar bêbado e cair da escada, e então vou ter que furar ou deixar você esperando, tipo ontem. Quanto tempo acha que vai aguentar isso?

A descrença me invade. 

_Acredita mesmo que vou terminar porque talvez você se atrase no futuro? - Bellamy não responde, mas sua expressão pétrea me diz que sim - Seu irmão não tem uma namorada antiga? - ressalto.

_Octavia - murmura ele.

_Bem, a Octavia terminou com ele? Não, não terminou. Porque ela ama seu irmão e o apoia - Estou com raiva agora. Tanta que fico em pé, lutando contra o desejo de enfiar juízo na cabeça dele à força - Então o que faz você achar que não vou fazer o mesmo com você? - Seu silêncio me tira do sério - Sabe de uma coisa, Bellamy? Vai se foder - Eu me esforço para controlar a respiração - Está bem claro que você não me conhece nem um pouco, se pensa que sou o tipo de pessoa que vai desistir no instante em que depara com um obstáculo.

Ele enfim responde, a voz baixa e mal-humorada. 

_Podemos, por favor, não falar disso?

Inacreditável.

Encaro Bellamy, boquiaberta, incapaz de entender o que estou ouvindo. E incapaz de ouvir por mais um segundo que seja.

_Você tem razão. Não vamos mais falar disso - Pego minha bolsa do chão, onde a deixei cair, e passo a alça por cima do ombro - Vou embora.

Isso chama sua atenção. Franzindo a testa, ele se levanta devagar.

_Clarke...

Eu o interrompo. 

_Não. Cansei de ouvir essa merda. Vou deixar você aí com seu mau humor. Talvez, quando você parar de sentir pena de si mesmo, a gente possa ter uma conversa racional - Estou morrendo de raiva ao marchar em direção à porta - Caso a minha reação à sua idiotice não tenha deixado claro em que pé estou no que diz respeito à gente, é melhor eu explicar uma coisa - Faço uma cara feia para ele - Eu te amo, seu babaca.

Disparo para fora do quarto e bato a porta atrás de mim.


Notas Finais


Beijinhos


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